Lembranças de Elisa
14 Capítulo 14
Continuei com muitas duvidas sobre como estavam as coisas com Tuti e a Maria. A Sra. Madalena ainda não veio me visitar de novo. Fico torcendo para a mamãe ou qualquer outra pessoa tocar no assunto, mas isso não acontece.
Fico me perguntando o que faria se encontrasse Tuti novamente, passou-se tantos anos que não sei se ele ainda sente algo por mim. Pode ser que ele nunca volte e, passarei a ser uma senhora talvez casada com alguém que não amo, porque o meu verdadeiro amor será sempre o meu Tuti. Penso se caso acontecesse de nos revermos, eu o abraçaria imediatamente para jogar fora toda a saudade que sentia ou, fugiria demonstrando a dor que ele causou em mim por inteiro.
Enquanto estou imaginando isso, Ana entra no quarto com os olhos arregalados e, enquanto ainda segurava a maçaneta da porta do meu quarto, olhava para o vazio.
– Éli — Ela transforma um suspiro em meu nome.
Continuo olhando para a mesma parede de sempre.
– Éli, se estiver entendendo, por favor, fique calma. — Ela diz pegando em minha mão. Suas mãos estavam geladas.
Não conseguia entender porque Ana estava agindo daquela maneira. Então minha mãe entra no quarto rapidamente e fecha a porta.
– Querida, isso pode ser nossa última esperança — Mamãe diz para Ana.
– Mas mãe, não podemos permitir! — Ana responde sussurrando.
Mamãe sai do quarto e Ana vem para o meu lado na cama, massageia meu cabelo e morde as costas de seus dedos. Seu nervosismo começa a passar para mim.
Mamãe demora um pouco, quando a outra pessoa que estava para me visitar demora alguns minutos para entrar, ouço um suspiro alto vindo da porta. Passos vem em minha direção e sem ver quem era a pessoa, começo a sentir meu corpo todo se arrepiar. Ela então pega na minha mão.
– Oi Éli — SIM ERA A VOZ DELE! ERA O MEU TUTI!
Todos os meus pensamentos ficaram congelados, respirava rapidamente. Tuti estava parado do meu lado e eu não podia acreditar no que via.
Depois de escutar sua voz e sentir sua pele quente tocando minhas mãos frias como a neve, algo inesperado acontece. Minha felicidade era tanta que as emoções que estavam presas dentro de mim foram libertadas pelo prazer de ver Tuti. O amor que sentia por ele era ainda maior. Sinto então uma lágrima escorrer, uma lágrima quente que contornava a parte esquerda do meu rosto.
– Oh meu deus Julio! Ela esta chorando! — Minha mãe diz e sai gritando corredor a fora.
Ao ver que eu estava chorando Julio se agacha ao meu lado, continuando a segurar minha mão começa a chorar muito. Ele chora como na vez em que me contou sobre ele e Amanda. Sinto suas lágrimas na minha mão que ele segurava, ele a beija centenas de vezes repetindo "Me perdoa meu amor" sem parar.
Eu começo a criar forças, começo a ter vontade de acabar com aquele sofrimento. Tudo o que eu mais queria era poder abraçá-lo como nunca antes.
Levemente eu aperto sua mão molhada com suas lágrimas. Tuti levanta a cabeça e olha para os meus olhos que depois de tanto tempo muda seu foco que agora eram os olhos castanhos dele. Enquanto isso olho para a porta e mamãe estava lá com minha médica que estava boquiaberta com aquela cena.
– Éli me desculpe por te deixar, me desculpe por não ter vindo te ver o quanto antes. Eu me odeio Éli, eu me odeio! Tenho tanta coisa pra te dizer. — Tuti quase não consegue falar. — Todo esse tempo, tudo o que aconteceu, nada disso fez com que o amor que eu sinto por você acabasse, você é tudo para mim.
Eu escuto tudo o que ele me dizia, mas não conseguia tirar o olho do seu rosto, um pouco mais velho e contendo uma barba rala que antes não estava ali. Mesmo chorando, os olhos dele ainda eram aqueles olhos que me tiravam toda a atenção, eu não parava de olhar para eles, apreciava-o por inteiro.
Tuti para de falar e o meu quarto fica em silêncio. Eu não sabia o que dizer, não sabia como reagir. Depois de tanto tempo, eu me esforço como nunca antes e o que estava sentindo sai da minha boca, minha voz era como a de um idoso.
– Eu te amo.
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