Lembranças de Nós Dois
7 You Belong With Me
Notas iniciais
🌧️ Capítulo 7
A noite em Forks parecia mais silenciosa do que o habitual, como se a cidade inteira tivesse decidido desacelerar depois do caos que havia tomado conta da escola horas antes. A chuva continuava presente, como sempre, mas mais leve agora, caindo de forma constante contra o telhado da casa dos Swan e criando um som contínuo que preenchia os espaços vazios entre os pensamentos. Dentro da sala, a televisão iluminava o ambiente com um brilho azulado, passando um jogo qualquer que Charlie assistia mais por hábito do que por real interesse, enquanto uma caixa de pizza aberta repousava sobre a mesa de centro, exalando um cheiro familiar que, em qualquer outro dia, teria sido suficiente para trazer conforto imediato.
Bella entrou devagar, fechando a porta atrás de si com cuidado, como se não quisesse interromper aquele equilíbrio frágil que ainda existia ali dentro. Ela largou a mochila perto da entrada e caminhou até o sofá, sentando-se ao lado do pai sem dizer nada de imediato. O silêncio entre eles nunca fora desconfortável, mas naquela noite havia algo diferente, algo mais denso, mais carregado, como se as palavras estivessem ali, esperando o momento certo para serem ditas.
— Quer um pedaço? — perguntou Charlie, sem tirar completamente os olhos da televisão, mas atento o suficiente para perceber que havia algo errado.
Bella assentiu levemente, pegando a fatia de pizza, mas não a levou à boca. Ficou apenas segurando, olhando para ela por um instante longo demais, como se estivesse reunindo coragem para algo que não sabia exatamente como começar.
— Pai… — disse ela, a voz mais baixa do que o normal, quase hesitante.
— O que foi?—Charlie virou o rosto imediatamente, a atenção agora completamente voltada para ela.
Bella respirou fundo, os dedos apertando levemente o papel da pizza antes de continuar.
— Aquilo de hoje… não foi a primeira vez.
O silêncio que se seguiu foi imediato e pesado, ocupando o espaço entre eles de forma quase física.
— Como assim? — perguntou Charlie, o tom já mais sério.
Bella desviou o olhar por um segundo, encarando o chão antes de voltar a falar.
— A Tanya… ela faz isso há anos.
Charlie se endireitou no sofá, o corpo tensionando.
— Anos?
— Não era sempre… — Bella continuou, tentando manter a voz estável — mas era constante. Comentários, empurrões, coisas pequenas… o tipo de coisa que ninguém vê ou finge não ver.
O maxilar de Charlie travou.
— Por que você nunca me contou?
Bella soltou um pequeno suspiro, sem humor.
— Porque não ia mudar nada.
— Ia sim — retrucou ele imediatamente, inclinando-se na direção dela — eu teria resolvido isso.
Bella ergueu os olhos.
— Como? — perguntou, com calma — indo na escola? Falando com os pais dela? Isso só teria piorado.
Charlie abriu a boca para responder, mas parou.
Porque, no fundo, ele sabia.
Sabia que ela não estava errada.
O silêncio voltou, mas dessa vez não era vazio — era cheio de tudo que não tinha sido dito antes.
Bella respirou fundo novamente.
— Hoje foi diferente.
Charlie assentiu devagar.
— Eu vi.
Ela hesitou por um segundo.
Mas continuou.
— O Edward me defendeu.
O nome mudou tudo.
Charlie travou, o olhar endurecendo instantaneamente.
— Bella…
— Eu sei — interrompeu ela, antes que ele continuasse — Eu sei exatamente o que você pensa dele.
Charlie passou a mão pelo rosto.
— Ele não é alguém em quem você...
— Pai — disse ela, mais firme agora — Ele foi o único.
O silêncio caiu novamente.
Pesado.
— A única pessoa, além da Alice, que fez alguma coisa — completou Bella, olhando diretamente para ele.
Charlie desviou o olhar por um instante, claramente dividido.
— Isso não muda quem ele é.
Bella inclinou levemente a cabeça.
— Talvez não.
Pausa.
— Mas muda o que ele fez por mim.
E, dessa vez Charlie não teve resposta.
Na casa dos Cullen, o silêncio tinha outro tipo de peso. Não era confortável como o da casa dos Swan ,era mais contido, mais calculado, como se cada movimento e cada palavra fossem cuidadosamente medidos antes de acontecer. Edward entrou sem fazer barulho, fechando a porta atrás de si enquanto passava a mão pelos cabelos ainda levemente úmidos da chuva. O corpo estava cansado, mas a mente… inquieta demais para descansar.
Carlisle já estava na sala.
Esperando.
— Precisamos conversar — disse ele, com calma.
Edward soltou um suspiro baixo, apoiando o peso do corpo por um segundo antes de responder.
— Imaginei.
Esme estava sentada no sofá, o olhar suave, mas atento, acompanhando cada movimento do filho.
— Eu ouvi o que aconteceu na escola — continuou Carlisle — E gostaria de ouvir de você.
Edward hesitou por um instante, mas não desviou.
— Eu fiz porque ela precisava de alguém — disse ele, finalmente.
A frase ficou no ar, simples, mas carregada.
Carlisle não respondeu imediatamente.
Mas Esme sorriu.
Um sorriso pequeno, quase imperceptível, mas cheio de significado.
— Bella — disse ela, suavemente.
Edward não negou e isso foi suficiente, ela se inclinou levemente para frente, observando-o com atenção.
— Você está apaixonado, filho.
O silêncio caiu.
Pesado.
Edward soltou um riso curto, quase automático.
— Não, mãe...
Mas não sustentou,desviou o olhar e aquilo entregou tudo.
Carlisle cruzou os braços, mas não interferiu.
Porque, pela primeira vez a questão ali não era disciplina, era algo maior.
Na manhã seguinte, o céu continuava cinzento, mas o ar parecia diferente. Ou talvez fosse apenas a forma como tudo estava sendo percebido agora.
Bella estava encostada no armário quando sentiu a presença antes mesmo de ouvir a voz.
— Swan.
Ela virou e Edward estava ali, mais próximo e presente.
— Obrigado — disse ele, a voz baixa, mas direta.
Bella piscou algumas vezes.
— Pelo quê?
— Por ontem.
Ela hesitou.
— Você não precisava de mim, só fiz o que era justo. — confessou
Edward balançou levemente a cabeça.
— Precisava sim.
O silêncio se estendeu entre eles, diferente, era mais calmo.
Bella respirou fundo.
— Obrigada… por ter me defendido da Tanya.
Os olhares se encontraram e permaneceram ali, por um segundo a mais do que deveriam.
A apresentação aconteceu algumas horas depois, e, pela primeira vez, não havia tensão entre eles. A maquete funcionava perfeitamente, o pequeno carrinho percorrendo os trilhos com precisão, demonstrando exatamente o que Bella havia planejado desde o início. Alice conduzia a apresentação com entusiasmo, Jasper explicava os detalhes técnicos com clareza, Bella organizava tudo com segurança… e Edward participava de verdade, sem ironia ou distância.
Quando terminaram, a sala ficou em silêncio por um breve instante.
— Dez — disse o professor, sem hesitar.
O único dez da turma e isso fez eles sorrirem.
Juntos.
— Festa do Mike hoje — disse Alice no intervalo, animada.
Bella nem pensou.
— Não.
— Bella…
— Não.
Alice cruzou os braços.
— Você vai.
— Eu não...
— Vai sim!
E, como sempre…Alice venceu.
Mais tarde, no quarto, o caos tomou conta. Roupas espalhadas, maquiagem aberta, sapatos jogados pelo chão, um cenário completamente diferente da calma que Bella estava acostumada.
Alice parou na frente dela e cruzou os braços.
— Você está horrível.
Bella arregalou os olhos.
— Obrigada?
— Eu vou resolver isso — disse Alice, já puxando ela pelo braço.
E resolveu.
O short de couro moldava o corpo, o cropped branco contrastava com a jaqueta, as botas completavam o visual. O cabelo caiu em ondas suaves, a maquiagem destacou o que Bella nunca tentou mostrar.
Quando ela se olhou no espelho…
Parou.
— Essa não sou eu… — murmurou.
Alice sorriu atrás dela, apoiando o queixo no ombro da amiga.
— É sim.
Pausa.
— E você tá muito gostosa.
— Alice! — Bella disse, corando imediatamente.
Alice riu.
— O Edward Cullen vai esquecer até o próprio nome.
Bella desviou o olhar, mas o coração…acelerou.
Ela não estava tentando desaparecer, estava prestes a ser vista e sabia exatamente por quem.
A casa dos Newton já podia ser ouvida antes mesmo de ser vista.
A música vibrava no ar, atravessando a rua em ondas graves que faziam o chão parecer pulsar sob os pés, enquanto vozes, risadas e o som inconfundível de garrafas se chocando se misturavam em um caos típico de uma festa adolescente grande demais para qualquer tipo de controle real. Luzes coloridas piscavam pelas janelas, projetando sombras irregulares nas paredes externas da casa, enquanto carros estavam estacionados de forma desordenada ao longo da rua, como se ninguém ali tivesse realmente se preocupado em organizar nada.
Edward estacionou o Volvo alguns metros adiante, desligando o motor sem pressa enquanto observava a movimentação pela janela. Por um segundo, apenas ficou ali, com as mãos apoiadas no volante, ouvindo o som distante da música e sentindo algo estranho se formar dentro do peito, não era ansiedade, não exatamente… mas também não era indiferença.
Era expectativa e aquilo não combinava com ele.
— Vamos? — perguntou Jasper ao lado, já abrindo a porta.
Edward assentiu, saindo do carro e sendo imediatamente engolido pelo barulho, pela luz, pelo cheiro de álcool e perfume misturados no ar quente da noite. Assim que atravessaram o portão, a cena se abriu completamente: adolescentes espalhados por todos os lados, alguns dançando, outros encostados em paredes, grupos rindo alto demais, gente se beijando sem qualquer preocupação com quem estava olhando.
Emmett já estava ali, completamente à vontade.
Ele estava encostado próximo à área da piscina, rindo alto enquanto conversava com duas loiras que claramente estavam tão interessadas nele quanto ele estava nelas. Uma das mãos dele já repousava na cintura de uma delas, enquanto a outra segurava um copo que provavelmente não era a primeira bebida da noite.
Edward balançou levemente a cabeça.
— Nem dez minutos — murmurou.
Jasper soltou um pequeno riso.
— Ele é consistente.
Eles seguiram pela lateral da casa, contornando o espaço até a área da piscina, onde a festa parecia ainda mais intensa. Uma pista improvisada havia sido montada ali, com luzes coloridas piscando em ritmo com a música, enquanto um DJ controlava tudo de uma mesa montada ao lado, elevando ainda mais o volume.
“DJ got us fallin’ in love again…”
O som explodiu pelas caixas.
E então…Edward a viu.
Bella Swan, no meio da pista, dançando com Alice.
Rindo, livre, se divertindo...
O mundo pareceu desacelerar por um segundo.
O cabelo dela caía em ondas suaves, se movendo conforme ela girava ao ritmo da música, o corpo acompanhando a batida com uma naturalidade que ele não tinha visto antes. A jaqueta de couro marcava a silhueta, o cropped deixava à mostra um detalhe de pele que, por algum motivo, fez o ar parecer mais denso no peito dele.
Edward perdeu o ar, por alguns segundos.
Talvez minutos..
— Caralho… — murmurou Jasper ao lado.
Edward piscou.
— O quê?
Jasper não estava olhando para Bella, estava olhando para Alice e não fazia questão de esconder.
— Você tá ferrado.— Edward soltou um pequeno riso de lado.
— Eu sei — respondeu Jasper, sem desviar o olhar.
Edward inclinou levemente a cabeça.
— Eu resolvo isso pra você.
E então começou a andar, direto, sem pensar demais.
Porque, naquele momento…pensar só atrapalharia.
Eles entraram na pista com naturalidade, como se já fizessem parte daquele cenário, se aproximando das duas garotas que ainda não tinham percebido a presença deles.
Edward parou atrás de Bella, perto o suficiente para que ela sentisse e ela sentiu.
Virou.
Os olhos encontraram os dele, nesse momento nada mais existiu.
— Cullen — disse ela, a voz leve, mas com um sorriso que não estava ali antes.
— Swan — respondeu ele, aproximando-se um pouco mais.
A música continuava.
Alta.
Mas o espaço entre eles parecia silencioso.
— Jasper tá completamente perdido pela sua amiga — Edward disse, inclinando-se levemente, falando próximo ao ouvido dela.
Bella abriu um sorriso imediato.
— Deixa comigo.
Ela girou, aproximando-se de Alice e se inclinando no ouvido dela, dizendo algo rápido.
Alice arregalou os olhos.
Olhou para Jasper e sorriu.
O resto aconteceu rápido.
Natural, como se já estivesse destinado.
Edward e Bella começaram a dançar, acompanhando o ritmo da música, rindo de pequenos detalhes, se aproximando sem perceber exatamente quando aquilo aconteceu.
E então, quando olharam de novo…Alice e Jasper estavam no meio da pista, se beijando, sem qualquer preocupação.
Bella arregalou os olhos.
— Eu não acredito...
Edward riu.
— Eu acredito.
Eles se olharam e bateram as mãos no ar.
— Missão cumprida, Swan!— disse ele.
Bella riu e aquilo foi extremamente perigoso.
— Bella! — A voz cortou o momento.
Mike Newton apareceu, sorrindo demais, confiante demais, já se aproximando como se tivesse direito ao espaço que estava invadindo.
— Você veio mesmo — disse ele, aproximando-se.
Bella deu um passo mínimo para trás.
— Alice me arrastou.
Mike riu.
— Ainda bem que fez isso… porque você tá...—Ele parou analisando ela da cabeça aos pés.— Uau.
Edward observava, em silêncio, mas não relaxado.
— Quer dançar? — Mike perguntou, já se inclinando levemente na direção dela.
E foi aí que Edward se moveu, um passo à frente.
Suficiente.
— Ela tá comigo Newton— disse, a voz calma, mas firme.
Mike piscou.
— O quê?
Edward não desviou o olhar.
— Você ouviu.
Silêncio.
Curto.
Pesado.
Mike riu sem graça.
— Relaxa, cara...
— Vaza daqui — Edward completou, sem elevar o tom.
Direto, sem espaço, Mike hesitou e olhou para Bella.
Ela…Gargalhou.
Sem conseguir evitar, aquilo foi suficiente e Mike recuou.
— Beleza… — murmurou, saindo.
Bella ainda estava rindo.
— Você é ridículo.
Edward deu de ombros.
— Funcionou.
A música mudou.
“Feel so close…”
O ritmo desacelerou, o ambiente mudou junto e Edward não pediu, muito menos perguntou, apenas segurou a mão dela e puxou.
Bella não resistiu, os corpos se aproximaram, mais devagar agora...mais próximos.
O movimento era outro, mais íntimo e perigoso.
As mãos dele encontraram a cintura dela, naturalmente, como se já soubessem onde ficar.
Bella apoiou as mãos no peito dele.
Sentindo.
A respiração.
O calor.
O espaço entre eles diminuiu.
E então…Os olhos se encontraram.
Mas dessa vez…sem distração ou fuga.
O mundo desapareceu ao redor.
Edward se inclinou.
Devagar.
Bella não se afastou.
Não imediatamente.
Os lábios estavam próximos, muito próximos.
A respiração misturada.
O momento…Prestando a acontecer.
E então...Ela recuou, de repente, como se tivesse acordado.
— Eu… eu preciso ir — disse, a voz baixa, sem conseguir sustentar o olhar.
E saiu, rápido, deixando o ar pesado para trás e Edward não pensou.
Ele foi atrás.
Atravessando a casa, desviando de pessoas, ignorando completamente qualquer coisa que não fosse ela, até encontrar a porta dos fundos aberta e a luz mais suave do jardim iluminando o espaço externo.
Bella estava ali, parada, respirando fundo e tentando se recompor.
— Bella.
Ela virou.
E, dessa vez…Não correu.
O silêncio entre eles era diferente, mais calmo e real.
Edward se aproximou.
Devagar.
— Você sempre foge assim? — perguntou, a voz mais baixa.
Bella soltou um pequeno suspiro.
— Só quando eu não sei o que fazer.
Ele parou a poucos passos.
— E agora?
Ela hesitou.
— Agora… eu ainda não sei.
Silêncio, mas não desconfortável e ele deu mais um passo.
— Então não pensa.
E dessa vez…Ele não parou.
A mão dele tocou o rosto dela com cuidado, diferente de tudo que ele já tinha feito antes, os dedos deslizando de leve pela pele como se estivesse testando algo novo.
E então ele a beijou, de verdade, sem pressa, sem urgência, mas com intensidade suficiente para fazer o mundo desaparecer completamente ao redor.
Bella correspondeu.
Sem resistência.
Sem dúvida.
E, naquele momento…
Nada mais importava.
Mais tarde, de volta à festa, tudo parecia diferente, leve e simples.
Eles riam, dançavam, se olhavam, beijavam e, pela primeira vez…Edward não precisava de nada além daquilo.
Sem bebida.
Sem fuga.
Sem drogas.
Sem distração.
Só Ela, Bella Swan...
E Aquilo foi suficiente para ele ter uma noite incrível...
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