Notas iniciais
Tem momentos que mudam tudo…mesmo que ninguém esteja preparado pra isso. E quando o sentimento deixa de ser segredo,o mundo inteiro começa a ter opinião. Agora me diz… você estaria pronto pra sustentar isso? 💔

Capítulo 8

A notícia não chegou como um choque. Chegou como tudo em Forks costumava chegar: lenta no começo, quase discreta, como um comentário jogado ao acaso no meio de uma conversa qualquer… até ganhar forma, corpo e, de repente, estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Quando Bella atravessou os portões da escola naquela manhã, a sensação veio antes mesmo de qualquer palavra, um peso sutil no ar, uma mudança quase imperceptível no comportamento das pessoas ao redor, como se algo tivesse sido alterado na dinâmica silenciosa que regia aqueles corredores. Os olhares demoravam um pouco mais, as conversas diminuíam de volume quando ela passava, e havia algo nos rostos alheios que misturava curiosidade com julgamento, como se todos estivessem esperando uma confirmação que, no fundo, já consideravam verdadeira.

Bella manteve o mesmo ritmo de sempre, os passos firmes, a postura contida, os livros pressionados contra o corpo como uma barreira silenciosa entre ela e o mundo. Mas por dentro… havia movimento. Não de arrependimento ,isso não , mas de consciência. Consciência de que algo tinha mudado. E que não havia mais como voltar ao que era antes. Quando uma risada baixa ecoou perto dos armários e uma voz murmurou algo sobre “a filha do xerife e o Cullen”, Bella não desacelerou. Não virou. Não reagiu. Mas ouviu. E sentiu. Porque, pela primeira vez, ela não estava sendo observada apenas como a garota quieta, ou a aluna exemplar… mas como alguém que tinha feito uma escolha visível. Uma escolha que agora pertencia à cidade inteira.

— Eu juro que se alguém não me contar todos os detalhes, eu mesma vou inventar — disse Alice, surgindo ao lado dela com a energia de sempre, mas com um brilho diferente nos olhos, algo entre empolgação e pura curiosidade descontrolada, enquanto entrelaçava o braço no de Bella sem pedir permissão, puxando-a levemente pelo corredor como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Bella soltou um suspiro baixo, tentando manter a expressão neutra, embora uma ponta de calor ainda persistisse no rosto sempre que lembrava da noite anterior, do jardim, do jeito como tudo tinha desacelerado por um instante.

— Não tem detalhes — respondeu, com uma calma que nem ela mesma acreditava completamente.

Alice parou no meio do corredor, virando-se para ela com uma expressão incrédula, os olhos estreitos e o sorriso surgindo devagar, como quem sabia que aquilo era mentira antes mesmo de ouvir.

— Você beijou Edward Cullen, várias vezes...— disse, enfatizando cada palavra com precisão — No meio de uma festa, depois de semanas de tensão entre vocês, e quer me dizer que não tem detalhes?

Bella desviou o olhar por um segundo, pressionando os lábios.

— Foi só uma ficada...

Alice riu.

Não uma risada leve.

Mas uma daquelas que carregavam certeza.

— Bella… — disse, inclinando-se levemente, abaixando a voz como se estivesse compartilhando um segredo — você não fala “só uma ficada” desse jeito quando vocês estavam numa bolha naquela festa...

E Bella sabia que não era.

Edward, por outro lado, lidava com aquilo de uma forma completamente diferente, ou pelo menos parecia lidar. Encostado no capô do carro no estacionamento, as mãos nos bolsos e o olhar distante, ele observava o movimento ao redor com uma calma que não combinava exatamente com o caos que seu nome estava causando naquele momento. Emmett falava, ria, comentava alto demais como sempre fazia, enquanto Jasper permanecia mais quieto, analisando, percebendo coisas que os outros não percebiam. Mas Edward… Edward estava em outro lugar.

— Você viu a cara do pessoal? — disse Emmett, rindo, claramente satisfeito com a repercussão — Forks inteira entrou em colapso por causa de uns beijos.

Edward soltou um pequeno riso pelo nariz, sem humor suficiente para acompanhar a empolgação do amigo.

— E daí?

Emmett virou a cabeça, ainda sorrindo.

— E daí que você finalmente fez alguma coisa que presta.

Silêncio.

Curto.

Mas significativo e Edward não respondeu.

Porque, pela primeira vez, não parecia uma vitória.

Parecia… outra coisa.

Naquela noite, quando entrou em casa, o silêncio não o incomodou como costumava incomodar. Havia algo diferente nele, não mais leve, mas mais… consciente. Esme estava na cozinha, como quase sempre estava naquele horário, o cheiro de café ainda no ar, a luz suave refletindo nas superfícies claras, criando um ambiente que contrastava demais com o que Edward carregava por dentro. Ela levantou os olhos quando ele entrou, e bastou um segundo, um único segundo, para perceber que havia algo ali.

— Você quer me contar? — perguntou ela, com a calma de quem não precisava pressionar.

Edward abriu a geladeira, mais por reflexo do que por necessidade, observando o interior vazio por um instante antes de fechá-la novamente, apoiando a mão na porta como se precisasse de algo sólido para se apoiar.

— Eu beijei ela — disse, sem rodeios, a voz baixa, mas firme.

Esme sorriu.

Não surpresa.

Não chocada.

Apenas… satisfeita.

— Eu sei.

Ele franziu levemente a testa.

— Como?

— Forks inteira sabe — respondeu, com um leve humor na voz — Mas eu sou sua mãe, Edward. Eu saberia mesmo sem ninguém contar.

Silêncio.

Ele passou a mão pela nuca, um gesto que denunciava mais do que qualquer palavra.

— Não é só isso.

Esme se aproximou devagar.

— Eu sei.

Ele levantou os olhos.

E, pela primeira vez, havia dúvida ali.

— Eu não sei o que fazer com isso...Como esse sentimento, é diferente, mãe...

Ela sorriu de leve, tocando o braço dele.

— Então não faz nada, meu filho.

Ele franziu a testa.

— Como assim?

— Para de tentar controlar tudo— disse ela — e só… sente...Se deixa levar.

Pausa.

— Porque, pelo jeito que você está agora… — ela inclinou levemente a cabeça — Isso não parece mais uma ficada em festa.

Edward não respondeu, mas ficou pensando sobre as palavras de sua mãe.


Charlie Swan não teve esse luxo, quando ouviu, não foi suave.

Foi direto, cru e muito irritante.

O nome da filha junto ao nome que ele menos queria ouvir e aquilo foi suficiente.

Quando Bella entrou em casa, encontrou o pai sentado à mesa, imóvel, como se estivesse esperando exatamente por aquele momento, as mãos apoiadas na superfície de madeira, os olhos fixos nela com uma intensidade que já dizia tudo antes mesmo de qualquer palavra.

— Isabella, precisamos conversar — disse ele, sem elevar a voz, mas sem espaço para recusa.

Bella parou, respirou fundo e assentiu.

Ela já sabia, aquele "Isabella" entregou tudo.

— Você ficou com o Cullen? — perguntou ele, direto, sem rodeios, como sempre fazia quando algo realmente importava.

Bella sustentou o olhar.

Não desviou.

— Fiquei.

O silêncio que se seguiu não foi vazio.

Foi pesado.

Denso.

— Bella… — Charlie passou a mão pelo rosto, tentando conter algo entre frustração e preocupação — Aquele garoto...

— Não começa, pai— ela interrompeu, firme, antes que ele terminasse.

Ele a encarou.

— Ele é problema.

— Ele não é só isso, o senhor sabe... — respondeu ela, sem hesitar.

Charlie se inclinou para frente, a voz ficando mais dura.

— Ele vive na delegacia, se mete em briga, não respeita regra nenhum...Bebida, droga, farra...

— Ele é diferente comigo,pai! — Bella respondeu, mais alto dessa vez, a emoção atravessando o controle que ela normalmente mantinha.

A casa ficou silenciosa, aquele tipo de silêncio que muda uma conversa.

— Eu gosto muito dele — disse ela, mais baixo agora, mas ainda firme.

E aquilo atingiu Charlie de uma forma diferente, mais profunda e difícil de combater.

Antes que ele respondesse, a campainha tocou.

Os dois se viraram ao mesmo tempo e, por um segundo, ninguém se mexeu, até Charlie levantar e caminhar até a porta.

Abrir e parar com os olhos arregalados e irritados, sua respiração ficou irregular.

Edward Cullen estava ali, com um buquê de flores enorme e caro nas mãos.

A chuva fina de Forks começava a cair novamente, molhando levemente seus cabelos, mas ele não parecia se importar. Estava imóvel, os olhos firmes, o corpo tenso não por insegurança… mas por decisão.

— Boa Noite xerife Swan— disse ele, com respeito, mas sem recuar.

Charlie cruzou os braços.

— O que você quer, Cullen?

Edward respirou fundo.

— Falar com a Bella.

— E por que eu deixaria?

Silêncio.

Curto.

— Porque eu tenho certeza que ela gostaria de falar comigo também — respondeu Edward, olhando direto nos olhos dele, sem desviar, sem hesitar.

Bella apareceu atrás do pai e o mundo parou.

Edward desviou o olhar de Charlie para ela e, naquele instante, tudo ficou mais simples.

— Bella, eu não sei fazer isso direito… — disse ele, a voz mais baixa agora, mais verdadeira — Mas eu sei que não quero ficar longe de você.

E, pela primeira vez desde que tudo começou não havia jogo, ou havia aposta, muito menos havia fuga.

Só escolha e tudo o que vinha junto com ela.


Notas finais
E agora… deu pra sentir o peso dessa escolha? Porque não é mais só sobre beijo, nem sobre atração. Agora tem gente olhando, julgando… e interferindo. Mas me conta com sinceridade, você teria coragem de enfrentar o Charlie por alguém assim?Ou… teria recuado antes de tudo complicar? Nos vemos no próximo capítulo. 🔥