Lembranças de Elisa
5 Capitulo 5

Depois de um tempo ficando com o Tuti, resolvemos que já era a hora de termos algo mais sério. Eu estava certa na época que podíamos dar certo e ele também.
– Como acha que eles vão reagir? — Ele pergunta.
– Eu acho que na primeira tentativa você irá ficar alguns dias no hospital, mas vai dar tudo certo. — Eu respondi em um tom irônico.
– É sério Elisa! — Ele fica então mais nervoso que antes.
– Meus pais são tranquilos você vai ver. — Tento acalmá-lo logo depois.
Era a primeira vez do Tuti pra pedir uma garota em namoro então imaginei como ele estava. Como meus pais trabalhavam a semana toda resolvemos que ele iria me pedir em namoro em um sábado.
– Então Julio, não é? — Meu padrasto fazendo o papel de durão e todos nós sabíamos que não era nada daquilo, perguntou.
– Sim — Ele respondeu.
– Vamos direto ao assunto porque eu já passei por isso e quanto mais meu sogro falava mais aflito eu ficava. — Meu padrasto se senta e bebe mais um pouco do vinho que estava na taça nova que a mamãe tinha comprado.
– Então sr. e sra. Fisher, como vocês já devem saber eu vim até aqui pedir a permissão para namorar a Éli, nós dois estamos nos gostando a um tempo e queríamos oficializar. — Tuti olha para mim e eu balanço a cabeça.
– Mais é claro que sim! Vocês dois são um amor juntos! — Minha mãe com o seu jeito eufórica demais responde.
Pra mim aquilo tudo era vergonhoso e ao mesmo tempo massante demais, queria que tudo acabasse logo e com certeza Tuti pensava a mesma coisa. Meu padrasto também concordou e deu aquele sermão de praxe "Vocês não podem chegar muito tarde em casa" "Isso não pode afetar os estudos" e blá blá blá. Mas deu tudo certo e estávamos namorando! Eu não podia conter a minha felicidade.
– Ele é um gato — Minha irmã Ana sussurra no meu ouvido.
– Eu sei — Respondo no mesmo tom.
Eu e Ana somos muito amigas, ela sabe tudo sobre mim e vice-versa. Ela era minha cúmplice, minha "filha", minha "cliente", e minha melhor amiga. Hoje se tem uma pessoa que eu sinto falta de desabafar sobre tudo o que está acontecendo na minha vida, é a minha querida Ana. Suas visitas são quase rotineiras como as da mamãe e quase sempre ela vem com uma novidade para me contar, de como está na faculdade e do cara que está saindo, minha irmãzinha está crescendo.
Nós todos comemos a famosa torta holandesa da mamãe e conversamos bastante, foi legal. Meu irmão amou o Tuti, quis mostrar toda sua coleção de carrinhos em miniatura, eu achei o máximo. Por conta do déficit de atenção, Ico era uma criança reservada, de poucos amigos e não costumava chamar um desconhecido para ver sua coleção, Tuti foi muito atencioso e amoroso.
Fui levá-lo até o portão para me despedir
– Não disse que ia dar tudo certo? — Me encosto a parede.
– Estou mais aliviado e muito feliz porque você é oficialmente minha — Conversamos um pouco, ele me beijou e foi embora.
No domingo foi o dia de eu conhecer sua mãe. Ela era uma mulher muito bonita, bem vestida e conversava bastante. Era um ambiente bem calmo por conta de morar só Tuti e sua mãe, bem diferente de casa. Ela me fez muitas perguntas e disse que gostou de mim, nós comemos fora porque talvez a sra. Madalena não sabe cozinhar, Tuti tem que comer comida congelada ou ir para a casa dos avós. Depois como de costume fomos só nós dois para o "Rock bar" e dançamos muito.
Eu tentava não procurar saber muito dos relacionamentos passados dele, mas como toda garota eu perguntava se ele já tinha namorado antes ou gostado de alguém, eu sabia que sim, afinal ele tinha dezesseis anos, que garoto de dezesseis anos nunca gostou de ninguém? Ele me dizia que nunca tinha namorado, mas que já gostou de duas ou três garotas, e que uma delas o decepcionou muito, ela se chama Amanda Medeiros. Sempre que ele falava nela eu sentia que ficava meio cabisbaixo, tentava desviar o assunto e depois perdia a fome, imagino que ele gostava muito dela e eu respeitava e entendia.
Nosso namoro dava muito certo, e com dois meses nunca tínhamos brigado, eu imaginava que mudaria mas não mudou, continuamos na mesma e era o que eu queria.
Fale com o autor