Lembranças De Sábado
1 Capítulo 1
"A medida do amor é amar sem medida." (Santo Agostinho)
- Mãããe! Cheguei! — gritei assim que fechei a porta de casa. Subi para meu quarto e me despejei na cama. Estava exausta, mesmo sendo nove e meia da manhã.Desde quando eu tinha 17 anos, meu médico disse para correr todo dia de manhã, pelo menos uma hora. Os piores dias eram aqueles que tinha que acordar as cinco e meia da manhã, voltar, tomar banho e tentar não chegar atrasada na faculdade.Estava deitada na cama sem trocar a roupa de ginástica. Hoje estava mais cansada, devia ser a ansiedade que tomava conta de mim. Dormi como uma pedra, e se sonhei, não lembrei nesse dia tanto esperado. Acordei já era mais de onze horas da manhã.- Ah! Tempo, passa logo! — disse com a voz ainda grogue.Decidi ir tomar banho para ver se passava a ansiedade, que estava embrulhada no meu estômago desde quarta-feira. Isto é, estava há três dias sem falar com Tom, sem um sinal do ser humano que fazia borboletas quererem sair voando de meu estômago. Estava enlouquecendo! Ele disse que iria gostar da surpresa que estava preparando, mas que veria somente no sábado. Saí do chuveiro enrolada em uma toalha e me arrepiei com a diferença de temperatura que estava entre os dois ambientes.- Mãe! O que você está fazendo? — perguntei abrindo a geladeira da cozinha.- Bolo — disse sem tirar os olhos da receita.- Hmm... de que? — perguntei já dando uma bisbilhotada na receita.- Alice! Daqui a pouco vamos almoçar! Sem comida agora. — disse finalmente olhando para mim e tirando minhas mãos de um pote de iogurte.-Ah! — choraminguei fazendo bico.Sentei na cadeira da bancada e fiquei olhando os imãs da geladeira. Estava tão desesperada por hoje a noite ou a tarde, ah! Eu não sabia direito, Tom não falava comigo há três dias, portanto não sabia nem o que comi no dia anterior.- Mãããe??!- Fala, Ali! — disse limpando a mão, sinal de que o bolo já tinha ido ao forno.- Eu vou sair com o Tom hoje. — disse com um sorriso maior que meu rosto.- Hmm... — disse se virando para o armário de copos.- Mãe! Você como minha mãe deveria querer saber aonde eu vou! Pelo que eu sei... – fiz uma pausa dramática – As mães sempre querem saber aonde os filhos vão — falei cruzando os braços.- Certo! Certo! Aonde você vai? — perguntou.- Não sei! — respondi rindo.- Então por que me perguntou?- perguntou ela. Na hora que eu ia responder, meu celular tocou em meu quarto.- AH! Deve ser o Tom! — disse já pulando da cadeira e subindo as escadas de dois em dois.Chegando ao meu quarto, meu sorriso desapareceu quando eu vi quem era no celular, era só a Ju.- Ah! Fala, Ju! — disse deitando na cama e agarrando um anjinho segurando uma cereja escrita ' Eu te amo'. Thomas me dera no nosso primeiro aniversário de namoro.- Nossa, que desânimo! — falou com sarcasmo — Ainda sem saber do seu amado? — perguntou.- É! — disse com a cara mais emburrada — Você tem falado com os garotos?- Uhum — respondeu parecendo animada.- E...? — incentivei a continuar.- Bom... Nós saímos ontem. — ela respondeu.- Vocês saíram ontem e não me chamaram? — falei abrindo os olhos e sentando na cama.- É isso ai... Quer dizer, o Tom não estava junto, se é isso que queria saber.- Hmm... E isso é motivo para não me chamarem? — perguntei zangada, estava realmente brava.- É que pensamos que você estaria cansada com toda essa coisa de faculdade, trabalho e namorado desaparecido...- Mas VOCÊ sabe onde ele está, não sabe? — perguntei desconfiada.- Nesse exato momento?- Sim.- É... Eu sei.- Sim. Você sabe? — perguntei ainda mais histérica — SÓ ISSO?! Você sabe onde o meu namorado está, sabe o que ele esta fazendo, tem contato com todo mundo, e eu não sei de nada?- Calma, Ali! Você vai gostar da surpresa dele. De verdade! — disse parecendo estar realmente tentando não me contar.- Tá. Mas me dá uma dica. Só uma! — implorei fechando os olhos com força.- Desculpa, Ali, mas eu não posso — respondeu triste.- Se você fosse realmente minha amiga... — comecei a dar o meu velho sermão.- Como sou sua amiga de verdade, eu não vou te contar o que é... Só posso contar que você vai gostar! – Finalizou o assunto.- Tudo bem — falei por vencida — Então? Por que me ligou?- Ah! Eu queria matar saudades! Como é ser mais uma formanda?- Nada demais — falei dando de ombros — Quer dizer, é legal, muito legal. Mas vai demorar um tempo até eu conseguir me adaptar com isso. Sem faculdade, trabalho, provas...- Hmm... É, ainda bem que a sua acabou. A minha ainda tem três meses! E eu ainda nem comecei o trabalho de conclusão de curso! Tô ferrada.Quando ia responder, minha mãe entrou no quarto.- Alice? Posso falar com você? — perguntou dando um sorriso.- Ah! Ju? Vou ter que desligar! Uma pessoa com codinome mãe quer falar comigo... — disse olhando para o chão.- Tudo bem. Tchau, Ali! E... Boa surpresa!- Tchau! — respondi finalizando a ligação – Fala, mãe!
Minha mãe era uma mulher elegante, alta, realmente alta 1,78, magra e com uma expressão ''mãe coruja'' no rosto.- Aonde você vai com o Thomas? — perguntou sentando do meu lado.- Ah! Se eu soubesse, estaria mais feliz.- Você vai dormir em casa hoje? — perguntou pegando meu anjinho de pelúcia.- Não sei — disse fitando o nada. Odiava quando minha mãe começava a fazer esse tipo de pergunta, era muito embaraçoso, mesmo ela sendo minha mãe.Aliás, acho que era por isso que era tão chato responder essas coisas.- Bem, só tenho uma coisa a dizer: Você vai gostar da sua surpresa — disse minha mãe levantando e abrindo a porta do meu quarto.- AAH! Não acredito que você também sabe! — falei indignada.- Se acalma filha. E se eu fosse você atenderia seu celular. Pode ser ele. — falou antes de fechar a porta atrás de si.Despertei do transe indignado e percebi que realmente meu celular estava tocando. Peguei-o rapidamente e sorri quando vi na tela o nome ‘Tom’ piscando.Cliquei para atender e vi que estava tremendo. ‘Ai ansiedade idiota!’ pensei.- Alô? – perguntei mesmo sabendo muito bem quem era.- Ali? – só de ouvir sua voz meu coração já ficava descompassado e meu joelho amolecia. Tudo culpa dele!- Tom! – falei com um sorriso que não cabia no meu rosto – Você é um completo idiota, sabia?! Por que não me ligou nenhum dia desses? – perguntei. E como resposta tudo que eu ouvi foi apenas risadas gostosas! RISADAS! Eu não merecia isso. Não mesmo.- Por que você está rindo? – perguntei curiosa.- Adoro ver você brava!- Mas você não está me vendo – falei com a cara fechada só na hipótese de não ver ele novamente.- É... Eu irei vê-la em breve – falou parecendo sorrir do outro lado da linha.- Que horas? – perguntei. E foi ai que senti meu estômago embrulhando mais.- Duas e meia – disse por fim.- Já estou esperando então...- Está com tanta saudade assim? – perguntou soltando risos.- Você não sabe como – respondi suspirando. Tirando mais risadas de sua boca.- Calma, daqui a pouco eu vou ai te buscar...- Tom? Que roupa eu coloco? – perguntei abrindo meu armário.- A roupa que quiser. Você fica bem com qualquer roupa.- Não, não posso colocar qualquer roupa. Eu não sei aonde você vai me levar! – falei dando ênfase no ‘não’ – Porque está tão misterioso?- Porque gosto de ver você ansiosa e acabando com sua unha. O que imagino que você deve estar fazendo agora.Percebi que realmente estava acabando com meu esmalte, e me amaldiçoei por isso.- Seu chato!- Sua linda!- Tom?- Hmm?- Tenho que desligar, vou me arrumar.- Tudo bem...- Tom?- Fala pequena... – falou rindo- Te amo – disse com os olhos fechados e deslizando pela parede do quarto.- Também te amo, lindinha! – disse carinhosamente.Desliguei o celular e entrei no chuveiro novamente. Não sei por que estava tomando banho novamente, mas parecia que me ajudava a relaxar. Tomei um banho demorado, para tirar toda a tensão do meu corpo.Decidi colocar uma calça jeans e uma bata vermelha com desenho da Minnie. Ele adorava aquela camiseta. Coloquei uma rasteirinha da mesma cor e fui secar meu cabelo.Estava pronta quinze minutos antes das duas e meia, então desci até a cozinha e peguei uma maçã. Não quis almoçar, porque não sabia se almoçaria com ele ou não. Mas se o conhecia bem, ele traria alguma coisa pra comer.Estava ajudando minha mãe na cozinha quando meu celular tocou. E logo me despedi dela e do meu pai e desci até a portaria, encontrando seu carro parado e seu dono dentro dele. Lindo como sempre.Talvez fosse a ansiedade ou talvez a saudade, mas hoje ele estava tão lindo que qualquer uma se apaixonaria, quer dizer, qualquer uma já se apaixonava, independente do jeito que ele estava.Nota mental: Matar Tom por ele ser tão lindo.Estava distraído quando me aproximei e percebi que estava ouvindo Beatles, não identifiquei a música, mas era legal.- Oi, pensador! – disse apoiada na porta com os vidros abertos. Tom tomou um susto que quase me fez cair de tanto rir.- Ei! Você quer me matar? Não faz mais isso – disse se recuperando.- Tá, tá. Vou tentar. – disse tentando abrir a porta, mas estava trancada. – Ei, moço! Pode abrir a porta?- Só com senha, moça – disse sorrindo.- Ótimo, como eu vou entrar se eu não sei a senha? – perguntei arqueando as sobrancelhas.- A senha é: O Tom é o cara mais gato, sexy, bonitão e gostoso da face da Terra! – disse sorrindo e arqueando as sobrancelhas me imitando.- Nananinanão! – falei rindo – Não vou falar isso.- Então não entra – falou decidido.- Tudo bem – disse me virando e me apoiando na porta.- Tudo bem. Não sou eu que estou esperando desesperado para ver uma surpresa que está escondida há três dias... – falou me chantageando.- Ah Tom! Isso não é justo! – reclamei me virando em sua direção e fazendo bico.- Adoro quando você faz bico! – riu.- Vai! Para de ser chato! Me deixa entrar bobão!- Nossa! Fiquei magoado agora. Ia te deixar entrar, mas agora só com a senha mesmo.- Te odeio! – falei fazendo birra, mas ainda assim sorrindo.- E eu te amo! – falou com um sorriso maior que o rosto.Devo ter ficado uns cinco minutos encostada no carro, mas não agüentava mais não ter ele perto de mim. Precisava de seus lábios grudados aos meus.- Ok! Você venceu! Você é o cara mais gato, sexy, bonito e gostoso da face da Terra!- Fala com gosto, lindinha. — Não. — Então não entra. — Mas que droga, Thomas! Você é o cara mais gato, sexy, bonito e gostoso da face da Terra! — disse revoltada, mas achando graça daquilo tudo que ele fazia. — HAHA! Sabia que você não ia resistir a minha gostosura.- Ah! Não fala... — sentei o mais depressa possível, fechando a porta atrás de mim. E o beijei.O beijei com toda a saudade que sentia dele.Quando fui aprofundar o beijo o infeliz celular do garoto tocou, fazendo com que nos separássemos. Dei um olhar matador para Tom e mais uma vez ele riu! Acho que ele não sabe o que posso fazer quando viro assassina de celulares.- Calma, Ali! Vamos ter muito tempo hoje – sorriu malicioso, me fazendo ficar vermelha.- Adoro quando você fica envergonhada – dizendo isso atendeu ao telefone – Fala, Dougie! – disse ao infeliz que ligou.A conversa seguiu com risadas e palavrões. ‘Garotos’ pensei. Estava olhando para o movimento da rua, quando uma parte da conversa me interessou.- Tudo bem, Dougie, ela ta no carro. Cala a boca, cara. É eu já tô indo... – falou batendo a mão no volante. Tom percebeu que eu estava olhando e saiu do carro batendo a porta com força.Fiquei observando e com certeza ele estava irritado com Dougie.Tom não demorou muito para voltar ao carro e logo quando fechou a porta deu a partida. Ficamos em silêncio, até chegarmos à estrada. Isto é, uns vinte minutos.- Pra onde você está indo? – perguntei fazendo carinho na sua nuca.- Ah! A caminho de um... Lugar... – responder apertando mais ainda o volante.- Tom? Tá tudo bem? – questionei olhando em dúvida para ele.- Uhum – resmungou sem tirar os olhos da estrada.- Fletcher! Você vai deformar o volante assim! – falei rindo. Mas percebi que não adiantou muita coisa – Tudo bem. Não quer falar comigo? Ótimo. – emburrei olhando para a janela.Mais quinze minutos e nada, nem uma palavra dele. Comecei a ficar frustrada.- Ah! Qual é... Olha, não entendo o porquê você está assim, se é porque você esqueceu de fazer reserva no restaurante no fim do mundo, por mim tudo bem... Tudo bem mesmo. Não me importo de comer no meio do mato. Ou se... Não vamos comer – Fiz uma careta com essa idéia, mas ele nem se quer estava olhando pra mim – Também não tem problema. Só quero que você pare de me ignorar, e olha pra mim, e tira essa cara... Dessa sua cara! – disse parando para pensar no que eu tinha acabado de dizer.Finalmente ele começou a rir e fez uma curva entrando numa ruazinha.- Como eu vou tirar a minha cara da minha cara? – falou fazendo uma careta.- Ah! Você me entendeu, Fletcher.Paramos perto de uma barraquinha onde nós iríamos almoçar. Na verdade não era uma barraquinha e sim um chalé. Não fazia idéia de onde estávamos ou aonde íamos. Estava muito confusa.- Tom? Onde estamos? – perguntei segurando sua mão e olhando para os lados.- Eu sei que você gosta de comida caseira. Então... Consegui "alugar" esse restaurante – disse ele coçando a nuca.Não estava acreditando nisso. Thomas tinha alugado um restaurante lindo! A cabaninha tinha um jardim maravilhoso com a grama verdinha e várias tulipas e copos-de-leite — minhas flores preferidas. Tinha um chafariz que jorrava água de um jeito que o sol batia nas gotinhas d’água e fazia um lindo arco-íris. Estava totalmente encantada. Senti um perto familiar nas mãos, me acordando do transe e quando olhei para frente tinha uma senhora nos esperando na entrada. Caminhamos até a entrada onde a – o que creio que era a balconista – nos esperava.
- Bom tarde, senhor Fletcher! – disse a senhora com um sorriso no rosto.- Boa tarde, Katlyn! – Tom disse sem tirar o sorriso do rosto.‘Perai... Eles se conhecem?’ pensei. Olhei para Tom arqueando a sobrancelha.- Você já vai ver... – disse olhando pra mim – Katlyn mesa pra dois! – disse piscando pra ela.PISCANDO!Fechei a cara, mas quando Katlyn abriu a porta do chalé, esqueci de tudo a minha volta.
Notas finais
Oi gente, como vocês estão?
O que acharam do primeiro capítulo? Minha primeira história com os guys e minha eterna paixão por ela ahahaha. Comentem e comentem!
Beijinhos xX
O que acharam do primeiro capítulo? Minha primeira história com os guys e minha eterna paixão por ela ahahaha. Comentem e comentem!
Beijinhos xX
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