Um amor pobre aquele que se pode medir. (William Shakespeare)

Tudo era tão lindo! Não estava acreditando que estava lá. Meus olhos brilhavam como finos chuviscos caindo no vidro do carro. Meu sorriso se alargava cada vez mais com cada surpresa que recebia de Tom. Não podia ser mais maravilhoso, como minha mãe sempre dizia.

- Você fez tudo isso?! – perguntei abismada.

- Umhum... – beijou o topo da minha cabeça, somente fechei os olhos e aproveitei o momento — Enquanto você estava na faculdade eu comecei a buscar algumas coisas...

A parede tinha algumas letras de música que ele próprio compôs, havia colheres e pratos decorados feitos por mim quando tinha onze anos, tinha também vários instrumentos musicais que eu conhecia como sendo do Tom. E o que eu mais me emocionei: todas nossas “cartinhas de amor” que trocávamos quando tinhamos dezessete anos.

Comecei a rir descontroladamente lembrando como éramos idiotas, e como nossas palavras eram simples, mas eu sabia que representava muito mais do que somente simplicidade. Havia muita coisa envolvida, e o meu amor por aquele garoto era um dos mais valiosos tesouros que eu tinha.

- Mas isso faz semanas! – exclamei. Fazia mesmo semanas que tinha acabado a faculdade. Como que ele poderia “alugar” aquele chalezinho por três longas semanas?

- Eu sei. Mas você nunca vai estar em segundo plano. – Sorriu carinhosamente, olhando nos olhos. — Primeiro você, depois os problemas que você pode causar. – disse rindo.

- Ei! – disse o abraçando pela cintura. – Essa foi à melhor a surpresa que alguém poderia me dar. – Falei para ele, dando um selinho em seguida.

Tom sorria tão abobado que me fez rir. Éramos dois bobos apaixonados!

- Essa é só uma parte da surpresa! — disse bagunçando meu cabelo.

- É? E cadê a outra parte? – perguntei curiosa, alargando mais meu sorriso encostando as pontas de nossos narizes.

- Só mais tarde. – respondeu dando de ombros.

- Duvido que seja melhor que essa. Quer dizer... Vindo de você, não posso falar nada. – falei dando outro selinho demorado. Tom começou a aprofundar o beijo, mas se ele queria brincar com minha ansiedade também iria brincar com a dele.

Dei as costas e fui em direção a janela do fundo, ouvindo um suspiro de indignação. Sorri com isso.

O “jardim” era ainda mais bonito que a frente. Era na verdade uma praia. Com a areia branca como giz e um mar tão azul que meus olhos encheram-se de lágrimas com a imagem. Meu coração apertava cada vez que eu percebia que nunca tivera nada aquilo antes, e Tom conseguira realizar um dos meus sonhos. Mais um. Uma brisa gelada vinha do mar, deixando arrepiada e lágrimas nos olhos. A única coisa que conseguia pensar era por que Tom fazia tudo aquilo por mim? Nunca conseguiria entender que o nosso amor um pelo outro era equivalente. Ele era a minha vida, e eu era a dele. Nos completamos, como uma peça de um quebra cabeça gigante que faltava poucas peças para se completar.

- Ei! – exclamou Tom me abraçando por trás, encostando seu queixo no meu ombro. – Feliz oito anos de namoro! – falou, fazendo com que as lágrimas que estavam acumuladas em meus olhos caíssem repetidamente.

Não tinha como negar. Tom era o melhor namorado de mundo! Estávamos juntos desde os meus quinze anos e nunca, nunca me deixou de me fazer feliz. Claro, tivemos brigas como qualquer casal tem, mas sempre conseguia se redimir. E sempre, sempre me surpreendia. Com músicas, presentes, beijos inesperados ou até com notas quando estávamos na escola.

Eu amava Thomas Fletcher. – FATO

Virei-me para ele e o beijei. Dessa vez ninguém atrapalhou, sem brincadeiras e sim muita ansiedade.

O beijo foi profundo e como se estivéssemos por um milênio sem nos ver. Tom me beijava com ansiedade que nunca tinha visto antes. Bem... não ficamos separados por um milênio. Mas ficamos por três dias! E isso nunca aconteceu. Ah! Com exceção de uma vez que ele teve que viajar para a Austrália por que seu tio falecera, mas nos falávamos todo dia por telefone. Dessa vez, foi realmente diferente.

Sorria durante o beijo e dava mordidas de leve em seu lábio inferior. O que fez sorrir também. Recebia beijos nos olhos, na orelha, nas bochechas, e finalmente nos lábios, alargando meu sorriso mais ainda. O olhei nos olhos e encostei as pontas de nossos narizes um no outro.

- Ainda bem que você consegue ler minha mente! – disse me abraçando pela cintura.

- Senti sua falta! – disse olhando nos seus lindos olhos castanhos.

- Eu também, pequena, eu também. – Falou sorrindo mais que podia.

De repente minha barriga fez um barulho engraçado, alegando que eu estava com fome, fazendo com que ríssemos.

- Que tal se nós almoçarmos comida típica inglesa? Feita por uma cozinheira fantástica, no meio das nossas lembranças mais marcantes? – perguntou carinhosamente.

- Acho uma ótima idéia! – falei dando um selinho nele.

Sentando em uma mesa preparada com toalha de piquenique, com porta pratos com pães e frutas e dois pratos feito à mão.

Tom puxou a cadeira para eu sentar e sorri agradecida. Mais uma coisa que amava nele: cavalheirismo.

Íamos almoçar arroz, peixe de água salgada e batatas fritas! EBAAA! Uma das minhas comidas preferida. Estava observando o pequeno chalé, transformado em restaurante, quando Katlyn trouxe os pratos. Estava com cheiro maravilhoso! É... Realmente estava com fome.

- Hm... Delícia... – disse esfregando as mãos, passando a língua pelos lábios.

A comida estava realmente gostosa. A-D-O-R-A-V-A comida assim.

Katlyn foi muito amigável e simpática conosco, trouxe e levou os pratos e quando eu e Tom estávamos entretidos em alguma conversa, ela não aparecia. Pelo menos ela tinha senso de privacidade, diferente dos meninos, sempre nos atrapalhavam.

Conversávamos sobre como todo mundo sabia daquilo e eu não, e a meu mais novo diploma. Thomas estava compondo novas canções para mostrar para mostrar ao empresário da banda. Estavam à procura de uma gravadora para as musicas feitas, e se tudo desse certo gravassem um disco.

Quando acabamos, perguntei se podíamos dar um passeio na praia antes de irmos para minha próxima surpresa. Pegamos as cartinhas que estava cobrindo boa parte da parede e as colocamos nos bolsos.

- Você pensa em tudo não é? – perguntei enquanto passeávamos de mãos dadas.

- Não. Só em você. – disse olhando nos meus olhos, me deixando completamente vermelha. – Já disse que adoro quando você fica envergonhada?

- Já. E eu odeio isso. – respondi com a cabeça baixa.

Estávamos andando e vendo o pôr-do-sol, que estava muito lindo por sinal, tons de rosa, laranja e roxo predominavam o vasto céu a cima de nós, passarinhos piando e voltando aos seus ninhos completavam a paisagem mais que maravilhosa aos meus olhos.

- Tá lindo o dia hoje, não? – perguntou de repente.

- É... – respondi sem olhar para ele.

Começou um vento gelado que me fez ficar toda arrepiada, fazendo com que Tom me abraçasse.

- Vamos ver as cartinhas? – perguntei avistando um banco de madeira na beira da praia.

- Você já não as viu um milhão de vezes, Ali? – perguntou ainda me abraçando

- Já, mas eu nunca canso. – respondi já o puxando pela mão para sentarmos.

- Bem a sua cara... Humph... – respondeu sentando ao meu lado.

Tiramos as cartinhas dos bolsos e espalhamos pelo banco.

- Velhos tempos... – suspirei sorrindo.

Comecei a pegar uma que tinha forma de coração.

- Ah! Adoro essa! – falei com os olhos brilhantes.

- Qual é? – perguntou olhando por cima do meu ombro.

- O da Bela e a Fera... – falei.

“ Somos eu e você

Você com a igualdade

E eu com as diferenças

Você com as qualidades

E eu com os defeitos

Por isso denomino-te

Você a Bela

E Eu a Fera”

- Ah! – falou envergonhado. Mesmo depois de tanto tempo, Tom ficava sem graça me mandando cartas românticas.

- Adoro quando VOCÊ fica envergonhado. – falei lhe dando em selinho.

- Chega com essa melação! – falou me soltando e olhando para o mar.

- Tá, eu sei que você não quer ler nenhuma. – bufei.

- Eu só não quero ficar sentado. – falou olhando ainda para o mar.

Tom não estava no seu estado normal. Sei lá, ele parecia tenso. Como se alguma coisa estivesse errada.

- Que tal andarmos então? – perguntei carinhosamente.

O sol já tinha praticamente se posto, mas estava um vento bom nos rodando. Isso era o que sempre quis. Passear com meu namorado ao pôr-do-sol em uma praia maravilhosa, como a que estávamos.

Estava tão concentrada nas ondas e na minha mão entrelaçada na de Tom, que nem percebi que ele estava olhando para mim.

Ele começou a rir e finalmente virei o rosto em sua direção com um sorriso tímido nos lábios.

- Por que você tá rindo? – perguntei.

- To lembrando da gente no colégio... – falou com um sorriso maior que a distância que estávamos do carro.

- Nossa! Nem me fala! – falei cobrindo meu rosto com as mãos.

- De quando nos conhecemos... – continuou.

“ Fazia duas semanas somente que estava na Billyard High School. Meu pai tinha acabado de ser transferido permanentemente para Londres. E eu com meus quinze anos, tive que largar tudo, amigos, escola, dança...

Mas as meninas – Ju, Isa, Nicole e a Bubys, como pediram para chamarem recepcionaram tão bem, que me sentia em casa.

Claro, as aulas eram um pouco diferente, pois era em outra língua, mas me dava bem em inglês. Minha avó era inglesa e todo mês eu passava uma semana com ela, então me entendia razoavelmente com as pessoas de lá.

Mas uma coisa eu não suportava: gente mesquinha. E lá tinha de monte. Porém, estava naquela escola com bolsas de estudo, e ela era a melhor da região, ou talvez de toda Londres.

Estava seguindo para minha aula de cálculo, a matéria que mais gostava, quando esbarro em um dos seres mais mesquinhos, idiota, nojento, idiota e... Idiota de toda a escola.

- Ops... – falou olhando para mim com um sorriso maravilhoso.

Foco Alice! Foco! Você odeia gente dessa laia. Engomadinhos... Humph...

- Desculpa. Não vi você. – disse sem olhar para ele.

Saí correndo e entrei na devida sala.

- Está atrasada Srtª Houston. – Falou Sra. Night.

- Desculpe. – respondi de cabeça baixa, seguindo ao meu lugar.

- Calma, Ju! Vou derrubar meu suco em alguém! – Falei apressada enquanto ela corria segurando minha mão.

- Não vai não! – falou correndo agora de costas. – Tenho que te mostrar uma coisa.

Comecei a rir e abrir meus olhos de forma assustadora. Tinha alguém na nossa frente.

- Ju! Você vai bater em alguém! – assim que falei, ela desviou. Mas como sempre comigo só acontece tragédia. Tropecei em alguma pedrinha que estava esparramada no chão e cai de cara no chão. Mas, ao invés do suco de laranja ir pro chão comigo, ele voou da minha mão e foi parar na camiseta de algum garoto mais a frente. De repente toda a escola parou e focou os olharem entre eu e a vitima do suco de laranja.

- Ai, meu Deus! – falei me levantando e limpando a minha calça rapidamente. – Desculpa! Não era pra eu cair! – falei olhando para o chão. É claro que não era pra eu cair, dãã.

- Cacete, garota! Olha o que você fez! Idiota! – falou se virando e pude ver que era o mesmo garoto que esbarrou em mim no corredor!

- Desculpe! – falei assustada e com medo do que ele pudesse fazer comigo. O cara era o triplo do meu tamanho!

- Você vai limpar isso, não vai? – perguntou praticamente gritando e olhando diretamente nos olhos.

- Com que? – perguntei cruzando os braços, um pouco mais confiante. Ele estava sendo totalmente ridículo! Tinha sido um pequeno acidente!

- Com a língua, imbecil! Pega um guardanapo! — falou mais uma vez irritado.

- Ah! Dá licença! Não sou sua babá! – falei agora irritada, deixando uma boa parte da população da escola de cochichos e risadinhas, e o cara atrás de mim vermelho como um pimentão de raiva. Acho que ele nunca recebera um fora de uma garota, só podia ser.

Dei as costas para o indivíduo infeliz e fui de encontro as minhas – não mesquinhas – amigas.

Elas eram totalmente estranhas. Quando cheguei à rodinha que formavam perto de um jardim florido, a conversa morreu. Já ouviu falar que quando você chega aos lugares e a conversa morre, quer dizer que estavam falando de você? Pois é, estavam falando de mim, e de como sou completamente burra de falar daquele jeito com Thomas Fletcher. No meio disso tudo descobri o nome dele, o quanto irresistivelmente irresistível ele era, segundo as garotas da Billyard High School. Mas para mim ele sempre seria somente Thomas Fletcher – ah se eu soubesse disso. O garoto era metido a boyzinho só para conseguir “fama” na escola, que mané.

- A Ju só ta te enchendo por que ela tem uma queda gigante por Dougie Poynter, o outro garoto ao lado do Tom.

E dito isso, todos se viraram, inclusive eu. Estavam entretidos em alguma conversa – que eu imaginava ser de música, pois faziam gestos como se estivessem tocando guitarra, idiotas...

- Uma queda? Tem certeza? Ela se perdeu no poço, isso sim. – falou Nicole, rolando os olhos.

- Ah é? E você, hein? ‘Ai o Harry está com uma camisa xadrez que ressalta seus olhos!’ – falou Ju, imitando a voz de Nicole, e esta somente rolando os olhos. – Não fala pra Isa, mas ela tem uma paixonite pelo Billy, um amigo deles.

Comecei a rir feita boba. Na verdade, tinha amigas apaixonadamente bobas!

Mais uma semana se passou e nem um sinal de vida do Fletcher. Não que eu quisesse que ele viesse falar comigo. Não, de jeito nenhum. É que do jeito que ele é... Pensei que traria a conta da lavanderia, mas nenhuma palavra vinda da boca dele se dirigiu pra mim naquela semana. Às vezes dava umas olhadas para a minha bunda, o que me deixava um pouco incomodada.

No Brasil estudava em um colégio de freiras. Então acho que para mim era tudo errado. Mas ao longo do tempo, percebi que garotos eram mesmo pervertidos. Principalmente nessa bentida fase.

Mas meus dias de sossego estavam contados.

Aula de história? Para que ter aula sobre o passado? Para mim deveríamos estudar o futuro. Daí assim, poderíamos mudar o presente e...

Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi alguém chamar meu nome.

- Srtª Houston? – o Sr Marple me chamou atenção.

- Hm? Ah Sim? – falei levantando a mão.

- A diretora está lhe chamando.

Claro, era típico de mim. Era ótima aluna e tal, mas as diretoras sempre gostavam de me chamar à sua sala. Incrível, e olha que eu ainda não tinha feito nada!

Da última vez que eu fui para a diretoria, foi por que tive uma ótima idéia para o jardim da escola. A Freira Mary gostou tanto que me colocou no Grêmio Estudantil! O que eu achei completamente ridículo. Não conseguia me enturmar facilmente, muito menos fazer parte do grêmio estudantil...

Passava pelos corredores cumpridos e cheios de murais falando horários de aulas, notas escolares e apresentações da turma de teatro.

Entrei em uma salinha pequena, mas muito organizada, com muitos troféus e medalhas. Cheguei perto do balcão, tímida e curiosa.

- Oi... – disse envergonhada. – Hm... A diretora mandou me chamar? – perguntei enfiando as mãos no bolso do casaco.

- Ah... Você é a Alice Houston? – a moça da recepção perguntou.

- Sim.

- Então sim querida. Só esperar. Ela está numa reunião.

Por que então me chamou agora? Pensei. Bem... Tudo era melhor que aula de história. Sentei nas muitas cadeiras que lá tinha e coloquei os fones do meu Ipod nos ouvidos. Sempre os levava para todos os lugares.

Estava ouvindo together do Bob Sinclair, quando alguém sentou ao meu lado. E logo reconheci: Tom Fletcher.

- Ei! Você é garota do suco de laranja! – disse animado.

Lindo... Agora vou ser chamada de garota do suco de laranja. Ninguém merece!

- Oi... – disse sem olhá-lo e sem tirar os fones.

Alguns minutos se passaram e me mexi desconfortável. Por que toda diretora demora em uma reunião?

- Hm... Olha... – Fletcher começou. – Desculpa se gritei com você aquele dia...

- Umhum. – falei indiferente

- É serio! Estou arrependido! – falou olhando para a parede. PAREDE! Ah! Por favor, que cara de pau!

- SE você quisesse se desculpar olharia para mim. – falei tirando os fones e colocando-os de volta no bolso.

Tom se virou e começou a olhar nos meus olhos. Aqueles olhos castanhos... Foco Alice!

- Desculpa! Eu não sabia que suco de laranja não manchava! – falou coçando a nuca.

Comecei a rir. Ele tinha gritado comigo por que pensou que laranja manchasse?

- É serio! Não ri! – falou também rindo!

- É que... Não posso acreditar que você achasse que uma mísera laranja manchasse! – fiquei com medo... Ele tinha me fuzilado com os olhos. – Certo, certo.. Vou tentar parar de rir.

Silêncio

Ah! Como odeio silêncio. Mas assim que pensava em como odiava silêncio, Tom começou a rir. Olhei com a sobrancelha arqueada e ele falou:

- Ainda não sei seu nome...

- AH! Alice Houston. Mas só Ali, por favor.

- Tudo bem, Ali, acho que você já sabe o meu nome, certo? – perguntou sorrindo

Que cara mais... mais, tá, não acredito que vou falar isso, só que, que cara mais lindo. Pois é, vou me internar.

- Não? Nunca ninguém falou de mim? – perguntou abismado

Tá tudo bem. Sabia o nome dele, quantos anos tinha, mas poxa... Não iria dar o privilégio para ele se achar o gostosão na minha frente.

- Bem... Meu nome é Thomas Fletcher. Mas todo mundo me chama de Tom.

- Muito prazer Tom.

- Então, Ali... – começou sorrindo

Nota mental: Chegar em casa, ligar o chuveiro e me enforcar. Falam que é melhor se enforcar tomando banho. Pois bem, eu achava o garoto mais bonito, quer dizer idiota, ah! Vocês entenderam!

- Acho que podemos ser amigos. – continuou.

Hãã? Certo, eu não estava preparada para isso.

- Hã? ah! Bem... – comecei a me enrolar legal, olhando naqueles olhos hipnotizadores e o perfume que chegava ao meu nariz... E ele começou a rir. ÓDIO! – Legal! Acho que sim...

- Legal. – falou se virando e fitando o nada.

Decidi colocar os fones novamente, mas sem ouvir nada. Só para não falar que ele era um chato sem assunto.

Estava pensando em que perdi na aula de história, quando Tom me chamou a atenção.

- Acho que é a sua vez... – disse apontando para a porta que saía um casal de adultos.

- Ah! Sim. Hm, tchau então. – falei levantando da cadeira e indo em direção à grande porta branca. Mas parei assim que me lembrei de perguntar uma coisinha. – Por que veio aqui,Tom?

- Cabulei. – falou indiferente

Ri

- Não podia falar que viria para cá e ir para outro lugar? – arqueei as sobrancelhas.

- A inspetora me trouxe para cá. E ela ta lá fora – apontou para a devida porta de vidro com uma mulher robusta parecendo guarda costa do lado de fora. – E só vai me deixar sair com um papel assinado pela diretora.

Entrei rindo e balançando a cabeça. Mesmo ele sendo um completo idiota, acho que seríamos bons amigos...”

- Há há há... Ainda bem que laranja não manchava, não é? – falei rindo.

- Ei! Não ria de mim! Eu não sabia, tá legal? – falou tentando soar bravo, mas tudo que conseguiu foi mais risada vinda de mim.

Já tínhamos entrado no carro, pois começou a chover e não é legal ficar na praia com chuva. Com certeza não.

Tom continuava tenso, desde a ligação de Dougie. E toda vez que perguntava algo, ele trocava de assunto. Mas se não queria me contar é por que não era grave. Ou era?

Meu dia estava perfeito, tinha um namorado perfeito, comi uma comida perfeita. Mas não estava preparada para o que vinha a seguir. Não achava que alguma coisa podia ficar mais perfeita, ou totalmente ao contrario...

Tom subiu com o carro uma ladeira meio íngreme, mas parou em frente a casa mais linda do mundo!

Estava chuviscando, então consegui sair do carro, sem mesmo esperá-lo sair. Fui até as muretas que davam para o final da colina. Meus olhos embasaram e as luzes que faziam a vista tornaram-se borrões aos meus olhos.

Não tinha paisagem mais linda do mundo. Já era a noite, portando conseguia ver a cidade inteira, o rio Tamisa, a London Eye, o Big Ben! Era tudo tão perfeito e iluminado! Tão lindo! Aquele era o mirante mais lindo do mundo!

Minhas mãos congelavam de frio, e meu nariz estava mais gelado e vermelho que qualquer outra coisa, mas não perderia a oportunidade de gravar aquele momento tão maravilhoso e grandioso comigo. Nada mais seria esquecido.

Abri minha bolsa e peguei a máquina fotográfica, comecei a tirar de todos os ângulos possíveis, sorrindo e chorando ao mesmo tempo, quando Tom me abraçou por trás e encostou o queixo em meu ombro.

- Calma, Ali! Você vai ter muito tempo para tirar fotos... – disse rindo com um sorriso maior que o mundo. Um sorriso sapeca. Um sorriso que eu sabia que tinha alguma coisa por trás daquilo tudo.

- Como assim? – perguntei assustada e admirada, ainda não conseguia tirar os olhos da imagem deslumbrante em minha frente. Aquela casa maravilhosa, com cara de um milhão de libras era hotel?

Tom sorriu mais ainda com meu desentendimento e falou:

- Bem vinda a nossa casa de campo!

Notas finais
Oi gente bonita! Como vocês estão? Segundo capítulo fresquinho e gostosinho e prontinho pra ser comentado! O que acharam? Me contem o que acham que vai acontecer... *suspense*
Vou calar meus dedinhos...
Beijinhos xX
Mari
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.