Lei da Paixão
53 Chegada Antecipada
Notas iniciais
A ligação demorou apenas alguns minutos. Greg logo se aproximou de Grissom para informar o resultado.
— Eles disseram que não tem uma ambulância disponível para agora. Estão atendendo um chamado em um acidente de ônibus. Vai demorar no mínimo cinco horas para chegar aqui.
Ele voltou seu olhar para Sara que se contorcia de dor.
— Não temos esse tempo todo.
A gestante andava de um lado para o outro pelo porão como se andar resolvesse o seu problema. Não resolvia. Sentiu um líquido quente escorrer por entre suas pernas.
— Acho que fiz xixi – ela comentou.
— Definitivamente não temos tempo. A bolsa estourou – constatou Grissom – E não dá tempo para chegarmos ao Hospital da cidade. A estrada daqui não é muito boa. Eu acho que está na hora...
— Mas ainda não é tempo... – Sara retrucou.
— Não é isso que nossos filhos acham querida.
— O que faremos? – indagou Warrick.
— Primeiro temos que tirar Sara daqui e acomodá-la em um local mais asseado – respondeu Grissom
— Tem um quarto lá em cima. Talvez possamos usá-lo – comentou Greg.
Patrick e Tom, que até aquele momento estiveram calados, fizeram menção de pegar Sara no colo e tirá-la dali, no entanto Gil não permitiu.
— Pode deixar que eu mesmo faço isso – ele afirmou.
Grissom tomou Sara nos braços e tirou-a dali. Subiu as escadas com cuidado e seguiu em direção ao quarto. Deitou-a carinhosamente na cama.
— Descanse enquanto pode. Você vai precisar de toda força que tiver – ele pediu.
Ele saiu do quarto, fechando a porta logo em seguida para deixá-la descansar. Reuniu-se aos seus companheiros.
— Sara está descansando. Ela vai precisar.
— O que você fará meu amigo? – indagou Cath.
— Farei o parto dela – ele respondeu simplesmente.
Todos ficaram pasmados.
— Mas você já fez algum parto antes? – quiseram saber seus amigos.
— Não. Mas nunca é tarde para se aprender – ele respondeu fingindo ter calma. Por dentro estava apavorado. Como sua mulher poderia dar a luz em um lugar como aquele? E por onde começaria? Ele não tinha a mínima ideia.
Cath conhecia o amigo bem demais para perceber que por detrás de toda aquela aparente calma se escondia um homem apavorado, desesperado.
— Grissom, ligue para o 911. Talvez eles possam te ajudar – sugeriu Catherine.
— Boa sugestão Cath – ele agradeceu.
Ele discou o número indicado pela amiga. O telefone chamou três vezes antes que alguém atendesse.
— 911, em que posso ajudá-lo? – perguntou uma voz feminina do outro lado do telefone.
— Olá, preciso de ajuda. Minha mulher está em trabalho de parto.
— Porque o senhor não a leva a um hospital?
Grissom sentiu a fúria tomar conta de seu ser.
— Minha senhora – ele começou a falar tentando controlar-se para não desrespeitar a mulher no outro lado da linha – Minha esposa está grávida de sete meses, sofreu um pequeno acidente e entrou em trabalho de parto. Estamos muito longe da cidade e uma ambulância não chegará aqui em pelo menos cinco horas. Por favor, me ajude! Diga-me o que devo fazer! Preciso de minha mulher e de meus filhos sãos e salvos.
— Em primeiro lugar o senhor deve ficar calmo – a moça instruiu-o – Depois faça com que a parturiente fique deitada.
— Ela já está deitada.
— Muito bem. Providencie panos, água quente e tesoura. Você precisará disso.
— Certo.
Ele tapou o microfone do celular e repassou as instruções para seus amigos. Cada um ficou encarregado de providenciar um dos itens.
— Depois, o senhor vai medir a dilatação de sua mulher. A vagina precisa estar bem dilatada para que seus filhos possam passar.
— E como saberei que a dilatação está no tamanho adequado?
— O senhor deve introduzir seus dedos na vagina de sua esposa. Quando couber sua mão fechada é porque atingiu a dilatação adequada. Em seguida, fique atento às contrações. Elas ficarão muito próximas umas a outras. E por fim, o senhor a instruirá a fazer força para expelir a criança.
— Muito obrigado – ele agradeceu.
— Acha que consegue? – a mulher quis saber.
— Eu tenho que conseguir senhora. Eu tenho que conseguir – ele afirmou.
Desligou o telefone e dirigiu-se ao quarto onde Sara estava, levando uma bacia com água para que pudesse lavar as mãos.
— Ainda dói? – ele perguntou.
— Sim. O tempo entre uma contração e outra está cada vez mais curta. Como vamos fazer Gil, aqui não tem a estrutura necessária.
— Confie em mim querida. Nossos filhos virão ao mundo com saúde – ele disse fazendo uma prece para que estivesse correto.
— Nem morta vou deixar você ser minha parteira. Encontre outra pessoa!
— Não há tempo para isso.
Uma nova contração a atingiu parecendo que ia dividi-la ao meio.
— Não tem problema. Eu arranjo tempo. Você já fez algum parto? – ela perguntou entre dores.
— Não – ele respondeu enquanto colocava as pernas de Sara flexionadas, levantava o vestido e tirava-lhe a calcinha deixando a vulva totalmente exposta para o exame de toque – Porém tive orientação – Ele lavou as mãos.
— O que você está fazendo? – ela indagou entre curiosa e indignada ante a intromissão de sua mão em suas partes íntimas.
— Verificando sua dilatação. Está quase – ele afirmou abaixando o vestido.
Lavou as mãos novamente.
Os integrantes do grupo entraram com os itens pedidos.
— Aqui está o que você pediu Grissom – eles entregaram tudo – Muito bem. Descanse mais um pouco, querida. Logo você precisará de toda energia.
Eles saíram deixando-a descansar. Ela mal conseguiu descansar. Durante as duas horas que seguiram as contrações tornaram-se cada vez menos espaçadas.
Quando Grissom retornou percebeu que as dores dela haviam aumentado. Realizou mais uma vez o exame de toque, confirmando que ela já havia chegado a dilatação ideal. Ele postou-se entre as pernas dela, flexionou-as e levantou o vestido. Chegara a hora. Ela estava sofrendo. Ele queria que fosse ele no lugar dela. Daria tudo para não vê-la sofrer.
— Por favor, me ajude! Eu não consigo – ela rogou depois de mais uma tentativa para expulsar a criança. Ela suava bastante devido a força que fazia.
— Consegue sim querida! Vamos! Faça força! – ele encorajou-a – Mais força!
Ela gritou fazendo toda força que podia.
— Já vejo a cabecinha. Falta pouco querida! – ele a informou – Vamos lá!
Com mais alguns empurrões o primeiro bebê nasceu. Forte, lindo e saudável – para uma criança de sete meses – Ele chorou.
Grissom cortou o cordão umbilical, limpou-o, enrolou-o em um pano limpo e entregou-o a Sara.
— Como é lindo! – ela comentou ao receber o filho no colo – Esse é Theodore. Seja bem vindo Theo.
Mais uma contração a traspassou, fazendo-a gritar. Grissom pegou a criança do colo de Sara, levantou-se, seguiu em direção à porta, abriu-a e chamou Cath. Ele lhe entregou o menino. Voltou para junto de Sara.
— Vamos para o segundo bebê? Força querida! – ele estimulou-a.
Cerca de quarenta minutos depois, após muitos empurrões e esforços por parte de Sara, o segundo bebê nasceu também lindo, forte e saudável. O menino chorou fortemente. Ele cortou o cordão umbilical, limpou-o, embalou-o em panos limpos e entregou-o para Sara. Voltou ao local onde Cath e os outros estavam, pegou seu filho e voltou para junto de Sara.
— Nossos filhos, querida – ele disse emocionado – Theodore e Alexander Sidle Grissom.
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