Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II

8 Gritos de Agonia - Legolas, Gimli, Lindir e Aragorn.


Notas iniciais
“Por que eles não conseguem entender A maneira como nos sentimos? Eles simplesmente não confiam Naquilo que não conseguem explicar Eu sei que somos diferentes mas, Fundo, dentro de nós Não somos tão diferentes assim E você estará em meu coração Sim, você estará em meu coração Deste dia em diante Agora e para sempre mais. Não dê ouvidos a eles Porque, o que eles sabem? Nós precisamos um do outro Ter um ao outro, abraçar Eles verão com o tempo Eu sei (...)” Música: You'll Be In My Heart – Phil Collins

Legolas dormira com seu espadachim sobre si, ambos estavam anestesiados não só pelas noites mal dormidas, mas também pela atividade um tanto inesperada na noite anterior. Agora, o sol amanhecera e o elfo piscara os olhos algumas vezes, chegando a arregalá-los ao ver que uma luz solar forte adentrava pela cortina de palha, ele engoliu em seco tentando imaginar quantas horas já seriam. Porém, ao tentar levantar, sentiu o corpo pender para trás denovo, já que Aragorn encontrava-se sobre si e ele dormia pesadamente, chegando a soltar risadinhas baixas e falar:

– Hehe... seu danadinho... – Mencionou esfregando uma das bochechas ali.

Legolas soltou um longo suspiro, mas não deixou de afagar-lhe as costas, tocando uma das mãos ali.

– Pelo jeito não vai acordar tão cedo.

Comentou baixo, saindo com todo cuidado debaixo do outro, de forma a não acordá-lo. Este caiu sobre a cama e ali ficou, agora, roncando baixinho. Legolas permitiu olhá-lo por um tempo, um singelo sorriso floreava seus lábios rosados. Passado um tempo, pôs-se a olhar fixadamente para frente, entrelaçou os dedos imaginando o destino incerto que teriam dali para frente, com um bebê a caminho a cobrança por cuidar da família duplicara-se, teria que ensinar à criança, dedicar-se ao lar, aos seus conhecidos e reino, sua presença se tornaria mais necessária do que já é, cada hora, cada minuto, dedicado ou a batalhas, à esposa ou filhos.

Um longo suspiro se fez presente.

– “Esse bebê é meu e seu” – Pensou lembrando-se da fala do outro, voltou a olhá-lo, por cima dos ombros, outro suspiro. – Pena que deve ser o único que deve pensar assim ou será que disse isso porque pensa que ele nascerá orelhudo? – Sorriu debochado e levantou-se.

O elfo seguiu para a porta de entrada, a abriu parcialmente, não escutando um som sequer, pensou onde estariam o Gimli ou Lindir, mas pelo jeito, haviam saído. Foi aí que pegou suas vestimentas apressado e se dirigiu para o banheiro, tomaria um banho, para depois poder conversar com eles.

Sentiu um alívio danado quando sentiu a água tocar a pele, respirou profundamente e soltou o ar devagar, depois de úmida, ele colocou-se a espalhar um óleo natural de ervas que provavelmente Lindir preparara.

– Elfos só mudam o local de nascença, impressionante como todos nós nos comportamos de maneira similar. – Disse olhando o frasco- Um óleo... natural de semente de cupuaçu. – Sorriu levantando uma das sobrancelhas e voltou a colocá-lo no basculante dali — Lindir deve ter a pele perfumada e macia, pena que a está desperdiçando com um anão. — Jogou água novamente, agora, em seus cabelos. — Se bem que Aragorn não é um poço de beleza e higiene. – Sorriu esfregando nos fios dourados um pó de ervas que estava num pequeno pote ali, ele sabia exatamente como usar todos aqueles agrados élficos.

Terminado o banho, se secou com uma toalha e finalmente voltou a vestir-se. Aproximou-se de um espelho, penteou os fios e começou a preparar as suas típicas tranças. Foi neste instante que Lindir abriu a porta e entrou ali, sem querer, o elfo moreno assustou-se corando logo ao ver que o outro estava ali.

– Ah! Me... me desculpe! – Levou uma das mãos à boca.

– Tá tudo bem. – Disse Legolas dando de ombros, terminando de fazer seu penteado.

Lindir não deixou de notar a beleza do outro, ele olhou para onde havia ocorrido o banho, tudo estava na mais perfeita ordem, o chão onde ocorreu a limpeza parecia cristalino como que se nem tivesse sido usado. Tudo na mais perfeita ordem, com a diferença que Legolas o encarava em silêncio e percebeu que Lindir parecia examinar o local. Ele comentou baixo:

– Sei que fomos inconvenientes ontem, peço desculpas, iremos embora assim que o rei despertar.

Lindir sorriu-lhe deixando a cabeça pender para um dos lados.

– Os gemidos e berros agoniados do rei? – Ele tapou os lábios numa educação sem tamanho, escondendo uma risadinha cínica. — Já estou me acostumando a dormir com eles.

Legolas engoliu em seco, passando a olhá-lo sério.

– Já me desculpei.

– Você se sente o centro do universo, Legolas Greenleaf. Você acha mesmo que o Senhor Aragorn merece um amante louco como você, que berro foi aquele ontem, o agrediu?

Legolas arregalou os olhos, dando dois passos na direção de Lindir, ficando frente a frente.

– Isso não é da sua conta!

– Ah é? Pois considero Aragorn um amigo, como ousa tratá-lo desse jeito?

Legolas franziu os celhos, rangia os dentes, fazendo uma fisionomia de dor. Lindir tocou-lhe um dos ombros, este o encarou amistoso, parecendo disposto a lhe desferir um golpe violento.

– Calma, calma, estava testando-o. – Acalmou Lindir.

– O quê? – O loiro não entendeu.

– Terá que enfrentar muita coisa... não pode perder a cabeça facilmente assim, senão será o fim. – Disse tocando gentilmente a face do loiro. – Tem que ser mais estratégico, mais inteligente e não simplesmente berrar como uma fera por aí... se estivessem no castelo, tudo estaria acabado. Tudo.

Legolas baixou a face, soltando um gemido dolorido.

– Sei que essa situação é difícil, mas... tem que se conter, disfarçar.

– Acha que é fácil, Lindir? – Perguntou irônico.

– Eu sei... – Ainda afagava-lhe a face, Legolas o encarou por um tempo e quando sentiu a mão descer-lhe para a lateral do pescoço, ele deu um passo para trás desferindo um tapa na mão do outro elfo. – Quero distância, ok?

Lindir tocou na mão atacada, sorriu meigamente.

– Pelo jeito, Senhor Aragorn é o único com quem aceita se deitar.

– Mas é claro!

– Entendo... – Voltou a olhá-lo- Isso significa que não deveriam ficar muito tempo separados... por que não fica em Gondor? Mora aqui... e de vez em quando vai visitar seu reino?

Legolas engoliu em seco, retrucou rude.

– Gimli que pediu para que conversasse comigo?

– Não! Ele não tem absolutamente nada haver com isso. – Lindir olhou para o outro levemente desanimado – Ele foi comprar alguma coisa para a refeição da manhã.

– Sei... – Cruzou os braços olhando desconfiado para o outro.- Se quisesse opinião eu pediria, o que vocês sabem do que eu e meu amor estamos enfrentando, hã? Vocês não tem ideia! É a pior coisa que existe na face da terra-media, é o inferno na nossa própria carne! Ele casado com uma idiota brochante e horrorosa, a qual tem um pai castrador de amantes! Ainda por cima, ela está grávida, minhas chances caíram para zero!

– Legolas...

– Vocês não sabem de nada! Então... não me aborreçam, por favor. – Disse saindo dali e parando de andar na sala, olhou na direção do quarto onde ele e o rei haviam dormido, tinha os pulsos cerrados, sentia-se raivoso, como uma besta prestes a desferir um ataque. – Tomara que ele acorde logo!

Lindir foi até o loiro, comentou calmamente cruzando os braços e encostando-se numa parede.

– Saiba que se precisarem, poderão vir aqui sempre... conversei com Gimli, ele concordou... afinal de contas, que outro lugar acolheria vocês dois?

Legolas nem virou-se, retrucou baixo, por cima de um dos ombros:

– Obrigado, mas... não aceito esmolas. – Finalmente voltou-se para o outro, seus olhos estavam úmidos e avermelhados, ele queria berrar, gritar, atacar Lindir, mas o que conseguiu foi ficar ali, sem voz e paralisado, acabou por pegar um vaso de planta e segurá-lo forte entre as mãos, estas tremiam, ele parecia disposto a atirar aquele vaso longe.

– Legolas, calma! – Lindir ia se aproximar dele, quando este finalmente jogou o vaso no chão, espatifando-o.

Aragorn sentou-se na cama ao ouvir o barulho, levantou-se apressado abrindo a porta e se deparando com a cena, tamanho foi seu susto que ele nem se lembrou que estava pelado.

– Legolas, o que está fazendo?

O elfo sentou-se numa cadeira ali, sugava o ar afobado, parecendo sentir falta dele.

– Legolas, Legolas...

Aragorn ajoelhou-se ali perto, tocava-lhe o peito, o loiro tinha a cabeça jogada para trás e tomava altas doses de ar como se tivesse prestes a se asfixiar e foi neste momento, que o moreno se levantou, segurando-lhe o queixo e o beijou. O elfo pressionava os pulsos cerrados e trêmulos no peito do outro, mas logo esta resistência se desfez e o loiro se levantou e o abraçou apertado.

– Calma... está tudo bem... tudo vai ficar bem... — Comentou o espadachim visando acalmar.

Legolas mantinha uma das bochechas sobre o ombro nu do moreno, mantinha um sorriso discreto na boca.

– Finalmente acordou... – Disse gentil, beijando-lhe a face para logo voltar a abraçá-lo apertado.

– Sim, meu amor... estou aqui... sempre estarei, prometo.

Lindir retirou um lenço de seus bolso, secava as lágrimas que escorriam pela face, mas permaneceu olhando os dois, embora fungasse bastante.

Gimli abriu a porta de entrada, o anão nem percebera a terra e o vaso quebrado no chão, passou por Legolas e Aragorn carregando um caixote com muitas coisas, como carne, mortadela, salaminhos, frutas, pão, praticamente todos os tipos de alimentos.

Enquanto o pequeno arrumava a mesa, berrou lá da cozinha:

– Aragorn, põe uma roupa, meu filho, não está tão quente assim e também... HAHAHA, não quero perder o meu elfo. – Gimli foi até a sala e retrucou brincalhão- Senhor encantador de elfos!

– Hahaha... quem me dera, fazer um harém... – Legolas deu um soquinho num de seus braços, Aragorn tocou a mão ali fazendo uma fisionomia de dor.- Imagina mais que um... se nem de um eu dou conta! Vão acabar com a minha raça!

– É, os três da Cidade das Alegrias que o digam, não é, meu chapa?

– Shiu, Gimli, quieto!

Legolas balançava a cabeça negativamente, Lindir sorria sentindo os olhos mais secos.

– Vamos comer? Devem estar com fome... ah, Aragorn, meu amigo, põe ao menos uma calça, senão... eu juro que teremos linguiça para o almoço!

– Opa! Sim, senhor, já estou indo me vestir!

Todos sorriram, Legolas sentia-se mais calmo e logo andou até a cozinha se oferecendo a ajudar no que precisasse, Lindir o acompanhou, embora ligeiramente desconfiado, já Aragorn, encontrava-se no quarto, vestindo sua roupa, mas permitiu-se ficar sério, sentiu que o fardo era bem maior do que imaginava, que precisaria ser forte pelos dois, deduzido isso, também seguiu para a cozinha.

– "Talvez Senhor Elrond tivesse razão" — Pensou o moreno enquanto caminhava.