Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II

24 Furor melancólico. – Gandalf, Legolas , Aragorn.


Notas iniciais
Ser bi ameaça meu casamento: “Um tsunami me envolveu. Minha esposa viu a troca de mensagens que tenho mantido com um amigo, com quem tenho uma relação amorosa. Foi pior que se ela descobrisse que tenho uma amante. Ela me acusa de ser um gay que a engana e não o marido eu jura que a ama. Ela não aceita que a quero muito e tenho tesão por ela, mas também desejo manter o meu caso amoroso com outro homem. Talvez por sua criação, ela não aceita ser casa com um bissexual.” “Apesar de os bissexuais serem acusados de indecisos, de não conseguirem se definir, é enorme o numero de homens casados que sentem desejo pela parceira, mas também necessidade de manter relações sexuais com outros homens. Pesquisas americanas revelam que a quantidade de homens casados que se envolvem regularmente em relações homossexuais aumentou muito nos últimos tempos. Hoje, observamos a dissolução da fronteira entre masculino e feminino (...).” Trecho tirado de: A cama na varanda – Regina Navarro Lins. Publicado no jornal O dia, data: 23/02/2014.

Valfenda encarava dias de felicidade com a recuperação notável de seu Lorde, houve uma grande festa para comemorar a vitória na obtenção da paz e o renascimento de Elrond, o qual já estava sendo considerado morto e muitos elfos da cidade criticavam que Lindir o substituísse, por isso todos se alegraram, tamanha era a adoração daquele Senhor, os elfos do Vale de Imladris pareciam viver apenas para obedecê-lo e admirá-lo.

Legolas se perdeu no meio de tanto alvoroço, sentiu-se ligeiramente excluído e quando percebeu que Gandalf parecia anestesiado e ocupado demais com a recuperação de seu lorde, resolvera partir em retorno para casa, para o seu lar. Ele sentia-se um desregrado, um omisso ou até mesmo um estorvo.

O jovem elfo pensara que toda sua vida nunca havia sido tão confusa, o destino de sua relação com o rei, o seu papel na terra-media. Segundo seu pai, ele deveria apenas controlar os exércitos, administrar os itens do reino, seu almoxarifado e a vida de seu filho deveria ser fixada nestas atividades, pois o pequeno, para si, já havia desempenhado grandes feitos, feitos o suficiente para levar durante toda a vida, segundo ele: “Para quê mais?”, por isso fingia não perceber ou observar as demandas apresentadas pelo seu filho, ignorando-o por completo, castrando sua opinião como se fosse algo dispensável ou desnecessário e para Legolas sempre fora e sempre seria assim a relação com seu pai.

Já se passaram três meses e segundo os cálculos do jovem elfo, Arwen em alguns poucos meses, já daria a luz ao primeiro filho de seu amor, de seu rei e o elfo, naquele momento, encontrava-se sentado sobre uma enorme rocha, observava o céu enluarado e estrelado, pensando se Aragorn tivesse esquecido ele e até pensou que o tempo e a distância pareceram acomodar e enterrar aquela paixão dentro de si, junto com sua sexualidade, seus desejos mais íntimos.

Legolas simplesmente se sentia calmo, assexuado, relaxado, e agora, permitira manter-se deitado ali, entrelaçando os dedos em sua nuca, olhando para o céu com uma face de deleite, levemente sorridente.

– As estrelas... – Cochichou consigo. – Consistem numa luz fria, distante... – Comentou lembrando-se da fala de Kili há muitos anos atrás, lembrara-se de Tauriel e pensou no que ela estaria fazendo, estaria morta? Ou simplesmente transando com o rei? Ou aborrecendo-o? Pensava o elfo. – Ele que procurou, tentei avisá-lo. – Comentou revoltado.

E soltou um longo suspiro, ouvindo agora, as cigarras ao fundo, uma brisa gelada enchia-lhe as narinas, seus fios voavam sutilmente mesmo que estivessem em sua maioria espalhados sobre a rocha.

– A paz... tão batalhada... a alcançamos novamente.

Respirou profundamente e soltou o ar devagar, virando a face para um dos lados ao ouvir alguns soldados comentarem algo do reino, mas logo voltou a olhar para o céu e sorriu novamente.

– “Vou deixar assim, a impressão que tenho é que atrapalho Aragorn... vou deixar que fique assim, ao menos por enquanto.”

E voltou a cerrar os olhos, permitindo que seus pensamentos o levassem para longe dali, daquela dura realidade, para fora daquela gaiola em forma de reino. De repente, um clarão tomou forma de um raio mais adiante, o príncipe voltara a se sentar e olhar, levantando-se e logo descendo dali para correr em direção àquele sinal.

– Boa noite, meu jovem!

Gandalf encontrava-se ao lado de seu cavalo, sorria amável para o elfo que logo se aproximou dele o abraçando apertado, sua face mostrava a mais profunda dor, ele mesmo chegou a fungar baixinho, roçando uma das bochechas n peito do outro.

– Perdoe o descuido, mas quando estou em Valfenda, Lorde Elrond me ocupa completamente, tamanha é sua influência que nem me percebo cego aos demais.

– Não há o que desculpar.

Comentou Legolas dando um passo para trás, enxugando os olhos com a palma de uma das mãos, fungando baixo. Gandalf permitiu que uma de suas sobrancelhas se levantasse, retirou um lenço de sua bolsa e entregou a Greenleaf que logo se pôs a secar os olhos com ele.

– Pelo jeito... – Retrucou o mago segurando o cajado com ambas as mãos. — Não mudou muita coisa... de sua complicada situação.

– É! – Respondeu Legolas num solavanco, repreendendo-se por tal ato mal-educado. – Quero dizer... sim.

– Está tudo bem. Certo... podes seguir comigo ou deves avisar ao seu paizinho?

Legolas deixou uma risada estampar-se em sua boca.

– Posso, mas para onde?

Gandalf sorriu brevemente, permitindo que a sobrancelha continuasse levantada.

– Gondor.

– Mas...

– Mas o quê, meu caro?

– Aragorn não tem me procurado, nem realizado as rondas... – O elfo esfregou a pontinha do lenço no canto de um dos olhos, sua face voltara a estampar dor, a mais pura e profunda. – Ele simplesmente ... – Fungou algumas vezes. – Nem se incomoda de me procurar! – Agora, Legolas olhava na direção do chão. – Estou tão cansado dessa situação... acho que... – Apertou os lábios por um tempo, mas continuou. – Ele está satisfeito com Arwen e Tauriel.

Gandalf apenas ouviu tudo atentamente, afinal de contas, aquilo estava sendo bom para aquele elfo, desabafar sempre era bom, não importando qual fosse a raça.

– Ou então, ele está receoso.... inseguro... envergonhado.

Legolas franziu os celhos voltando a encarar o mago.

– Como assim?

Gandalf sorriu, e comentou:

– Tauriel é muito bonita.

– E?

– Ele pode muito bem ter se comparado a ela, pensado que você merecesse algo melhor.

Legolas olhou na direção do chão, sua fisionomia apresentava a mais profunda preocupação.

– Como assim?

Gandalf andou até um pedaço de rocha, encostou-se ali, mantendo uma face jovial, relaxada.

– Legolas, meu caro, achas que só és tu que estás inseguro? Aragorn não é bom em demonstrar o que sente, ele guarda para si, mas uma coisa eu percebi...

– Que ele está realmente disposto a transar com a elfa? Desculpe-me, mas já me disse antes...

– Acho que não é exatamente isso... se fosse tão simples, ele já teria aparecido.

– Então o que é? – Perguntou o loiro dando uns passos na direção do mago, parando próximo a ele.

– Imagino que... – O mago apertou o cajado entre as mãos. – Prefiro mostrar a explicar, devemos ir a Gondor, o quanto antes, resolver isso antes do nascimento do filho de Aragorn.

Dito isso ele assobiou e um corcel branco veio de encontro a eles, logo Gandalf subiu e Legolas postou-se atrás de si e seguiram para Gondor. Era impressionante como ao redor da cidade o céu estava numa tonalidade escura, de um azul marinho dotado de partes negras como se o tempo ali, estivesse disposto a gerar o mais terrível temporal, fato que fez Gandalf apressar as cavalgadas e logo se encontrar diante da cidade, em minutos estavam na sala de reuniões e aguardavam o rei.

– Estou com medo. – Retrucou o elfo inseguro, sentado a uma enorme mesa, de quarenta lugares, ele ficou olhando fixadamente a madeira dali. – Eu não consegui dar meu corpo a ele e...

Gandalf apenas o olhava, encontrando-se próximo a ele, sentado numa cadeira dali.

– E?

– Temo que tenha sido esse o motivo de seu abandono. – Finalizou amargurado o loiro.

– Eu acredito que seja o oposto que pensas. – Comentou o mago dando-lhe um sorriso.

– Como? – Legolas não entendera o comentário.

– Você irá ver, não seja apressado.

– Gandalf, por favor!

– Acredito que ele esteja com vergonha de admitir que o deseja, que deseja ser o receptáculo de seu corpo. Um receptáculo bem melhor que Tauriel.

– O quê?!

Gandalf lhe deu uns tapinhas num dos ombros, sorrindo-lhe ainda.

– Aguarde e verás.

Aragorn encontrava-se sentado ao lado da cama de sua esposa, Tauriel também estava ali e segurava devotadamente uma das mãos da rainha, às vezes ela olhava para aquele homem diante de si e sorria-lhe gentil, comentando baixinho:

– Fez uma boa escolha. Legolas deve ter seu reino, uma fêmea, sua própria vida... pois se envolver com um humano é sempre um erro... e já vejo que vós deve ter já uma certa idade...

Ela deixou a mão que segurava sobre a cama e voltou a sentar-se ereta ainda encarando o moreno que apenas focava a face de sua esposa completamente cabisbaixo, depressivo, mais magro e desanimado como se estivesse morto ou definhando por dentro.

– Legolas é jovem, tem muitas admiradoras pelo reino... é o único além de seu pai que possui uma linhagem pura... seria um desperdício enorme que se prendesse a um humano.

– ... – Aragorn apenas ainda mantinha-se na mesma posição, sua alma pareceu tê-lo deixado há tempos.

Arwen dormia pesadamente, sua face era corada, os lábios vermelhos e por tomar ervas que lhe causassem sonolência e tranquilidade, as mesmas que foram indicadas estrategicamente por Elrond, pois somente assim o meio-elfo poderia garantir que o cavaleiro não tocasse em sua amada filha.

– Sabe, talvez ele tenha aceitado essa relação por pena.

Aragorn arregalou os olhos, encarando-a.

– É verdade... ele sente pena... piedade... Legolas é expert nisso...

O cavaleiro levou uma das mãos à própria boca, sentindo o estômago embrulhar. Ele recebia doses altas do veneno que aquela elfa lhe levava, palavras frias, fatais, mortais, as quais eram pronunciadas frequentemente, ela tinha uma lábia considerável, muito boa, excelente.

– Ele simplesmente não consegue... recusar um agrado, por mais moribundo que seja... um corpo masculino, sujo, disforme como o seu... decadente...

O rei se levantou e seguiu até uma bacia vomitando ali, há dias ele não comia, melhor, semanas.

– Legolas é um bom elfo, gentil, sincero, transparente, mas... de coração mole, que aceita qualquer esmola de amor, já que nunca teve do pai... ele deve ter se deitado com Haldir, Elrond... ou sei lá mais quem... sempre em busca de um amor paterno não correspondido.

Somente agora, um cavaleiro anunciara a presença de Gandalf, sim, apenas o nome do mago foi mencionado, estratégia feita pelo Cinzento para que Tauriel não se sentisse tentada a se aproximar da sala ou a se intrometer no encontro.

– Aquele mago sem graça e chato. Prefiro ficar com a rainha. – Resmungou a ruiva.

E Aragorn saiu dali, ao dar alguns passos se sentiu zonzo, acabando por encostar-se a um móvel ali perto, encontrava-se pálido, decadente, como se o seu corpo estivesse muito fragilizado, quase sem sentidos. Um fiel cavaleiro, Faramir, veio-lhe de encontro e o ajudou a seguir até a sala, adentrou com ele lá, ajudando-o a se sentar ali.

– Boa noite, Legolas, Gandalf.

Retrucou Faramir sorrindo-lhes educadamente.

– Lamento que o rei se apresente assim, desde que voltara de Valfenda ele só tem piorado, achamos que é alguma doença... não sabemos o que fazer.

O mago e o elfo se levantaram se aproximando do moreno, com a diferença que Legolas o segurou pelo queixo, levantando sua face, feito isso, puxou para baixo uma das pálpebras, vendo que se tratava do mais tradicional envenenamento.

– Faramir, por favor. – Comentou o loiro se dirigindo a ele. – Tem uma elfa, chamada Tauriel, me faça um favor... a leve até uma sala vazia, depois me avise onde ela está.

– Sim, claro. – Disse Faramir logo saindo, ele respeitaria o pedido aquele elfo, pois sabia que Aragorn o estimava muito e acolhia todos seus pedidos e conselhos.

– Gandalf.

– Sim?

– Me traga umas ervas de algum armarinho da cidade... são essas... – Disse enquanto escrevia apressado num papel. – Tome e quando estiver chegando aqui... me traga uma vasilha com água morna.

– Perfeito, meu amigo, já voltarei.

Legolas respirou profundamente reaproximando-se daquele rei, tocando um de seus ombros, olhando com a face próxima da dele, Aragorn nem parecia vê-lo, seus olhos encontravam-se vermelhos e inchados e ele parecia bastante sonolento.

– Vou cuidar de você. Agora entendo o seu sumiço...

O elfo engolira em seco olhando demoradamente para aqueles lábios, tocando a ponta dos dedos ali, afagando-os gentilmente, sentindo-lhes a maciez, o volume, sua expressão era de deleite, amorosa, sem mais se conter, segurava-lhe agora a face pelas laterais, com ambas as mãos, ficando a olhá-lo demoradamente, admirando-lhe os traços, observando algumas discretas rugas, sinais do tempo humano.

– Quando você morrer... provavelmente farei o mesmo...

E o elfo entoou um sorriso amargo, Faramir adentrou ali e avisou da elfa.

– Obrigado.

Legolas retirou o arco de suas costas, parecia verificar as flechas e as adagas em suas costas.

– Estou pronto.

E seguiu para a sala. Ocorreu uma longa discussão, sendo que Tauriel fora expulsa novamente do reino que a acolhera, Legolas não deixara barato e a expulsou sem dó dali, depois de brigarem e se atracarem como dois animais, ele mesmo encontrava-se extremamente machucado e lanhado na face, marcas de unhas e cortes de facas élficas enfeitavam-lhe as bochechas. Engolindo sangue, ele voltou ali, onde Aragorn ficara e Gandalf se surpreendeu um pouco do estado em que se encontrava.

– Tauriel nunca mais voltará, eu garanto.

Disse o elfo permitindo que uma considerável lasca de sangue escorresse pelo canto dos lábios, mas ele nem se preocupara com sua roupa consideravelmente rasgada ou com os ferimentos por todo seu corpo, apenas se preocupando de preparar aquele chá que salvaria a vida de seu amor, o único que existiria em toda sua existência sobrenatural.

E engolido um pouco do chá, Aragorn logo piscou os olhos, os mesmos voltaram a se tornarem brancos, com apenas as orbes verdes em seu meio, ele se assustou ao ver seu elfo, naquele estado, fato que o fez levantar-se da cadeira e encostar-se numa das paredes dali, olhando para Legolas atordoado, nervoso, tenso, tomado de medo de que aquela imagem terrível e decadente do loiro fosse uma alucinação, pois alucinações tinham se tornado frequentes desde que começou a tomar o veneno.

– Nossa, meus delírios estão bem piores! – Retrucou medroso, levando uma das mãos a boca. – Gandalf? Nossa, você acredita que estou vendo Legolas quase que... – O moreno olhava-o de cima abaixo. – Quase todo esquartejado e mesmo assim de pé? Você acredita, meu amigo mago? Acredita? Minha nossa! – Os olhos verdes manifestavam lágrimas volumosas, as quais encharcavam a face do espadachim.

Legolas apenas o olhava com uma face de deleite, sutilmente satisfeito de ver que o outro tinha fortes motivos para se afastar de si e pôde deduzir que não existiam motivos piores que envenenamento ou feitiçaria.

– Gandalf... estou vendo Legolas com lascas da face arrancadas, minha nossa... minha nossa! – Aragorn continuava apertando os lábios detrás de uma das mãos, seus olhos teimavam em soltar grossas lágrimas, as quais já umedeciam o colarinho de sua camisa medieval.

O elfo andou até o moreno, retrucando baixo, rouco:

– Não é um delírio, meu rei.

E ele retirou a mão que tapava os lábios de Aragorn e a aproximou de sua própria face, tocando sua palma ali, sentindo lascas de sua pele élfica anexar-se aquele contato, as camadas mais superficiais dela se levantarem ao contato e soltarem um líquido rubro ao abrir as feridas recentes, mas o elfo não se recriminara nem parara com aquele, a seu ver, carinho, por isso fechou os olhos, permitindo que a mão continuasse a tocar sua pele consideravelmente ferida.

Aragorn olhou para Legolas temeroso, com um pavor expresso em sua face. Gandalf se levantou, aproximando deles, vendo Aragorn olhar aquele elfo inseguro, enquanto que o outro mantinha os olhos fechados e parecia inebriar-se com o contato, então o mago tocou seus ombros e comentou baixinho:

– Se eu fosse vocês dois, tomaria um banho demorado.

Soltou um sorriso gentil e saiu dali, resolvera que voltaria a Valfenda, claro, depois de dar umas voltas pela cidade ou pelo Condado e reaver alguns amigos.

Legolas abraçou Aragorn, encostando a sua face ferida em seu peito, marcando-lhe a roupa, manchando-a com sangue, mas o loiro se deliciava mais e mais de estarem finalmente próximos, foi então que ele levantou a face e beijou seu homem, colando seus lábios cortados nos do outro, sentindo uma dor tamanha, mas mesmo assim, o fazendo, enquanto que uma de suas mãos tocaram-lhe a nuca, tão amorosamente que parecia um carinho, sua língua invadia a boca do outro, encontrando uma língua tímida, receosa e trêmula, mas o elfo não se intimidou e ficou afagando-a com sua pontinha, sugando-a com seus lábios, enquanto que seu corpo se comprimia mais e mais no do outro.

Seu arco há tempos encontrava-se no chão, agora, o elfo enquanto ainda beijava demoradamente e carinhosamente a outra boca, foi desatando a amarra de suas flechas em seu peito as deixando caírem ao chão também, para logo abraçar aquele cavaleiro, apertando seu corpo no do outro, empurrando-o de encontro a uma das paredes dali, logo seus lábios se distanciaram, fato que gerou um gemido dolorido do elfo, mas este não se abateu, começando a desabotoar a vestimenta de seu rei, expondo-lhe a pele, enquanto que Aragorn mantinha a cabeça encostada na parede e entoava gemidos agoniados.

Legolas começou a distribuir beijos por todo seu peito, descendo com aos lábios pela sua barriga, passando pelo umbigo, para logo abrir-lhe as calças, abaixando-a e não somente ela, mas a cueca do outro, feito isso, os puxou alvoroçado para baixo, para logo segurar no membro do moreno, lambendo sua cabecinha ainda murcha, seu pênis ainda consideravelmente mole, embora contrastasse com a ereção já protuberante e endurecida do elfo. Legolas permitiu-se engolir todo aquele falo em sua boca, começando a sugá-lo com seus lábios, fazendo movimentos ainda discretos de vai e vem por ele ainda se encontrar mole.

Aragorn tentava segurar-lhe os cabelos, mas sentia seus dedos ainda dormentes, seu corpo ainda estava notadamente anestesiado pelo veneno, há três meses tomava a doses homeopáticas, o qual era colocado sabiamente na quantidade certa em seus alimentos e bebidas. Ele queria corresponder àquele elfo, mas ele sentia-se ainda zonzo, o antídoto ainda estava fazendo efeito e, num acesso de fraqueza, acabou se sentando ali, sentindo bem pouco suas costas roçarem na parede e sua bunda encostar-se ao piso gelado.

– Ainda... estou fraco...

Comentou o rei fechando os olhos e respirando com dificuldade. Legolas segurou-lhe a face olhando-o preocupado, se repreendera por ser tão apressado, foi então que ele consentiu com a cabeça e apenas permitindo-se abraçar aquele outro, trazendo-o para si.

– Sim, me desculpe... não quis ser apressado.

Aragorn se esforçou para abraçá-lo também, mas suas mãos penderam no ar por um tempo para logo caírem nas laterais de seu corpo. Legolas acompanhou essa tentativa de corresponder do outro e foi então que resolveu colocá-lo em seus braços e seguiu para a banheira do reino, iria cuidar dele, lavar-lhe o corpo que estava nitidamente fedido, como se há semanas não tivesse conhecido o que era água ou limpeza, ele deduzira que seu estado era tão grave que o rei nem conseguira manter sua higiene básica, seus principais cuidados.

– Cuidarei de ti, como naquele dia...

E deitou-o cuidadosamente ao lado da banheira, em sua borda. O elfo se pôs de pé, retirando cada trecho de sua própria roupa, quando finalmente nú, adentrou na banheira e postou-se próximo da borda para puxar o outro de encontro a si, colocando-o lentamente no morno e cristalino liquido. Feito isso, deixado Aragorn sentado ali, na borda da parte rasa da banheira de banho público do castelo, saiu dali e foi até um armário ali perto, pegou alguns óleos, algumas esponjas, duas toalhas felpudas e voltou a se aproximar de seu homem, invadindo a água com seu corpo ferido, pelo qual espalhava-se inúmeros cortes, em variadas regiões, até mesmo uma flecha raspara ao lado de um de seus braços, mas ele nem se importava, preocupando-se apenas com o outro.

O elfo mantinha um sorriso de deleite nos lábios e jogou um pouco do óleo nos cabelos do rei, massageando os fios bem devagar.

– Consegue sentir a massagem? Ela é ótima para tirar dor de cabeça, com a qual eu imagino que esteja.

Feito isso voltou a deitá-lo numa das bordas, colocando seu corpo externo à água, deitado ali, para logo espalhar-me o óleo e começar a esfregar a esponja pela pele, pelos contornos de seu corpo, pelos seus mamilos enrijecidos, pelos seus consideráveis músculos. Foi descendo com o processo de limpeza, dobrando-lhe uma das pernas, passando tanto pela frente quanto por detrás dela, fez o mesmo com a outra, voltou a esticá-las agora, limpando os pés, fazendo movimentos delicados e minuciosos, não deixando passar um pedacinho sequer.

Terminado a parte frontal, deitou-o de lado e seguiu virando-o até colocá-lo de bruços, começou a esfregar pelas costas, seguindo até os ombros, esfregando nas laterais dos braços, cuidou com que Aragorn mantivesse o rosto sutilmente virado para um dos lados, para não machucá-lo e não fosse tão incomoda aquela posição.

Seguiu então para a bunda do cavaleiro, no entanto, antes de tocá-la ele saiu da banheira, e colocou-se ajoelhado sobre as pernas do moreno, permitindo que se quadril tocasse a parte posterior dos joelhos do outro, foi então que Legolas permitiu-se deitar ali, abraçando-o por trás, mas logo receou machucar seu lorde, pegando uma toalha a dobrando e acomodando a face do moreno, sua cabeça sobre ela, usando-a como travesseiro e voltou a se deitar ali e abraçá-lo, abriu as pernas do outro com as suas próprias, as afastando um pouco uma da outra, permitindo que as suas se encontrassem entre elas, então direcionou sua ereção para as nádegas do moreno, não o penetrando, mas apenas a ajeitando entre as abas, mantendo-a paralela ao corpo de seu parceiro e voltou a abraçá-lo, começando a beijar-lhe a nuca, distribuindo mordidinhas que seguiam até a ponta dos ombros.

Sua excitação era tamanha que seu corpo tremia-se todo, sua pele encontrava-se totalmente arrepiada, foi então que se ajoelhou, levantando o quadril dali, mantendo-se apoiado sobre os joelhos dobrados e uma de suas mãos se direcionou para o a bunda do outro, afagando-lhe uma das nádegas, fazendo movimentos circulares, a rodeando, apertando-a enquanto que a outra mão tocava seu próprio membro o masturbando. Seu olhar era de deleite, quase orgásmico, sim, queria ter aquele homem, não importando qual fosse a situação, se machucara por ele e agora queria cobrar o tempo que ficara sozinho, tendo sonhos perturbados e que o fazia sempre acordar no meio da noite entre gemidos abafados por sua respiração ofegante.

– Me perdoe meu rei...

E agora tocou ambas as mãos ali, afastando as abas da bunda, voltou a pegar outra toalha e a acomodou cuidadosamente debaixo do quadril de Aragorn, colocando-a dobrada, como um apoio macio debaixo de seu quadril, fato que o fez empinar a bunda e logo o elfo derrubou um pouco de óleo ali, na entradinha para voltar a deitar sobre o outro, com a diferença que agora sim, estava dentro dele.

– Me desculpe... ah...

E começou a estocar, mantendo-se ainda abraçado a ele, mexendo apenas com o quadril, o levantando e descendo de encontro aquelas nadegas a seu ver, tão suculentas e apetitosas.

– Ahh... ah... huuum....

Mordia o lábio inferior, estocando cada vez mais rápido, para logo afundar-se um pouco mais e numa estocada mais profunda, soltar-se todo dentro do outro.

– Ahh...

Permitiu que seu membro ainda ficasse ali, dentro de seu amor, por um tempo considerável, até que voltou a adentrar na banheira e terminar não só o seu banho, mas de seu cavaleiro também.

Passado um tempo, ambos encontravam-se deitados num dos inúmeros quartos do reino, por precaução, antes de deitar ao lado do rei, Legolas o fez beber mais uma considerável quantidade de antídoto e permitiu-se finalmente inebriar-se num sono profundo abraçado ao seu homem, pois já havia algumas noites que não dormia.

Notas finais
Olá, queridos leitores, O trecho colocado na introdução me chamou a atenção porque inevitavelmente lembrei-me do contexto da fanfic, da relação que se estabeleceu entre: Legolas, Aragorn e Arwen, no triângulo amoroso e na bissexualidade do rei e a carta apresentada antes, me levou a refletir que tal fato não acontecesse somente na ficção, mas se encontra presente na vida de muitos casais atuais. Hoje em dia, devemos refletir sobre o que é certo ou errado, moral ou amoral, decente ou indecente. Valores antigos não podem mais permanecer tão arraigados a um mundo tão desenvolvido e evoluído como o nosso, devemos refletir, ter senso crítico e não tentar reproduzir um meio social que não mais se verifica! Paradigmas que não servem mais de parâmetros! As coisas mudaram e muito. Por isso, minha intenção é justamente levar a todos a refletir, a repensar valores e assim, talvez assim, possamos ter uma existência mais completa, sincera e humana. Grande abraço no coração de todos! A escritora.