Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II

25 Devastação Suprema – Éomer e Eowyn.


O clima na Terra-media era de uma paz retomada, o clima voltara às suas estações normais, a primavera prosseguia sem chuvas catastróficas ou torrenciais, o calor se normalizara e o solo árido de Rohan começava a criar uma vegetação rasteira, mais especificamente uma espécie de musgo. Ironicamente aquela região servira de palco para duas grandes guerras e este fato causou o esgotamento de sua planície e natureza típicas, que costumavam ser grama rasteira e rochas com musgos discretos. Porém, devido às constantes lutas, o local havia se tornado inabitável, seco, o solo desértico e o clima constantemente árido, as próprias nuvens pareciam não atingir ou alcançar o local causando a seca dos riachos próximos ou um considerável declínio no seu nível de água.

E fora justamente esta terra quase que inabitável que Éomer readquiria de seus ancestrais, com a morte do rei anterior e pelo fato do cavaleiro se destacar na mais recente guerra, praticamente todos os soldados sobreviventes e a sociedade acabara elegendo Éomer como rei e governante.

Toda população reconhecera sua lealdade à cidade, embora tivesse sido expulso alguns meses antes, por isso ele agora, estava com um grande desafio em mãos, deveria restaurar não só a terra de seu mais recente reino, mas também repor toda a guarda perdida, já que passaram dos milhares, na verdade o resultado de perdas na guerra aumentou devido aos mortos da cidade de Rohan, a baixa de 1.250 cavaleiros eram da cidade.

Quando todos se encontravam reunidos aos arredores de Rohan: Cavaleiros de Gondor, liderados por Faramir, encontravam-se ao sul; Alguns elfos de Valfenda, liderados por Elrond a leste; anões liderados por Thorin ao norte e Éomer com uma segunda frota de Gondor a Oeste, cercaram as planícies de Rohan e finalmente o sinal de ataque foi dado, os quatro grupos colocaram-se a atacar e consequentemente a cidade que ficava no meio da região desértica dominada pelos orcs, foi atingida primeiramente, seguidamente de Lorien, embora os elfos da última cidade conseguissem segurar a invasão de sua fronteira por um tempo considerável.

O espadachim recebeu nos braços uma cidade devastada, sem mantimentos, pois por se encontrar cercada do tal solo arenoso cheio de orcs, acabara por não negociar com cidades vizinhas e consequentemente, ficaram sem mantimentos no estoque por muito tempo, por isso grande parte da população passara ou morrera de fome, as crianças eram a maioria.

Thranduil apenas participou no final da guerra, quando viu Éomer quase ser atingido, seu exército estava praticamente cercado de orcs e prosseguiam sendo eliminados pouco a pouco e quando apenas restavam aproximadamente 200 soldados, o Rei Sindarin desceu de uma considerável montanha e colocou-se a ajudar aquele, a seu ver, aquele “reles” humano o salvando, mas assim que eliminou a ameaça, os elfos liderados por Thranduil simplesmente retornaram para as montanhas, ignorando qualquer despedida de ambas as partes.

Éomer sorria escancaradamente, achando graça da loucura do outro, mas bem que o cavaleiro pensara que o tal elfo rei estava, na verdade, desesperado e não queria perder sua única distração, já que o cavaleiro loiro percebera a solidão do outro, seu distanciamento, seu isolamento quase que total.

E agora, estava ele ali, sentado no trono da cidade, olhava pela janela do castelo uma cidade completamente destruída e queimada e pensara que pagara a língua por reclamar da cidade do encontro amoroso de Legolas e Aragorn.

– Aquele maldito elfo filho deve ter me jogado uma praga. Tudo aqui está uma merda.

O povo ou estava caído pelas ruelas pedindo esmola ou agonizando com chagas, doenças ou com feridas de guerra.

– Puta que me pariu... vou ter que apelar a Gondor ou Rohan deixará de existir.

E dito isso, ele ordenou que um fiel cavaleiro fosse a Gondor, mas depois de ordená-lo, pediu que o homem aguardasse e o loiro pensara se aquilo realmente seria uma boa ideia.

– Não seria melhor que eu mesmo fosse pedir a Aragorn? Tsc...

Agora, Éomer encontrava-se na sala de reuniões, a mesma tinha as típicas janelas venezianas, basculantes, que seguiam do teto ao piso, alguns coloridos, com imagens do reino como campos verdes, árvores, além do símbolo cabeça de cavalo, o qual representava aquele reino.

A mesa que ficava ao centro estava bamba, balançando para os lados, ou seja, nem dava para ser usada para as reuniões em questão por não permitir que se pudessem depositar algo nela ou escrever sobre. Éomer era um guerreiro corajoso e adorava um desafio, embora desejasse admitir que aquela situação estivesse um tanto para o pior. Ele não sabia por onde começar, tamanho era seu desespero que o tal viajante mensageiro ainda encontrava-se ali, enquanto que o seu mais novo rei, encontrava-se sentado a uma cadeira e olhava fixadamente te para aquela mesa enorme, e foi neste instante, que Eowyn entrou e puxou uma cadeira, sentando-se ao lado de seu irmão.

– Irmão.

– Eowyn... – Éomer sorriu-lhe gentil, tocando-lhe a face bem de leve, a jovem sorriu-lhe.

– Penso se seria uma boa ideia pedir ajuda a Aragorn.

– Estava pensando justamente isso, será que será uma boa ideia que eu vá até ele?

– Mas a cidade esta precisando de você aqui... eu poderia ir... aliás, Faramir está com ele, não?

– Sim.

– Então, ele poderá me ajudar a solicitar o que precisamos à Gondor. Se bem que eu soube que o rei estava muito doente, segundo a última carta de Faramir.

– Doente?

– Sim, ele me escreveu que estava bem debilitado, mas... talvez seja ao estresse, não?

– Aragorn não é de padecer tão rápido por tão pouco... deve ter haver com elfos, aposto. – E o cavaleiro deu uma cuspida para um dos lados.

Eowyn Olhou desconfiada para o irmão, que comentou baixo, tocando-lhe uma das mãos:

– Aposto que tem haver com Legolas, affe.

– Meu irmão, falando em elfos, quem era aquele que o salvou? Ele apareceu do nada... todos falaram que parecia uma miragem, ele rapidamente esvaziou a ala oeste e te fez brotar novamente do meio dos orcs, eu até achei que já estivesse morto. – A jovem baixou o olhar, fazendo uma fisionomia de choro. – Queria ajudá-lo, mas estávamos cercados... nem conseguíamos abrir o portão principal.

– Nunca imaginei que Rohan estivesse tão na merda assim... sempre passava por aqui e aqueles malditos orcs... escondidos passavam a impressão que tudo estava uma bosta de bem! Que caralho! – Se levantou berrando com raiva, rangendo os dentes. – Maldição! Se eu tivesse percebido antes!

– Irmão, não foi sua culpa!

– Droga, droga, droga. – Se encostou à beirada de uma janela, olhava para os lados alvoroçado, acabando por baixar a face e fazer uma fisionomia dolorida.

– Mas me diz... – Ela tocou-lhe o ombro e logo se colocou ao lado do cavaleiro. – Quem era? Por que ele fez aquilo?

Éomer virou a face para o lado, a encarando.

– O nome dele é... – O cavaleiro jogou a cabeça para os lados, sorrindo ligeiramente debochado. – Thranduil, é um elfo travesti qualquer. – Soltou uma bufada sádica. – E muito abusado, muito mesmo.

– Sendo abusado ou não, ele salvou sua vida.

– Mais um motivo para não ir mais para aquela florest... – Finalmente Éomer percebera que estava falando demais, virou-se encostando a bunda no parapeito da janela, cruzando os braços, olhando pesaroso numa direção oposta à da irmã.

– Você chegou a visitá-lo na floresta? Ele é o elfo então que comanda a Floresta das Trevas, isso mesmo... – Eowyn tocou o próprio queixo com uma das mãos. – E se ele nos ajudasse a reformar o reino? Até onde sei, elfos são bons nisso... dizem que eles trabalham dias e noites, por possuírem tamanha energia.

– Sim e quanta energia... – Resmungou ainda na mesma posição, olhando para um dos lados, ligeiramente contrariado, lembrando-se de Thranduil e de toda sua disposição e que disposição, pensou. – “Se acaso eu der a ele um pouco de lenha, ele vai se sentir o dono desse reino... poucos restaram, mas o pouco dá para gerar novos humanos, se ele enfiar os elfos dele aqui, poderá ocorrer misturas indesejáveis.” – Pensou e finalmente voltou a olhar para sua irmã. – Escute, ele é um rei egocêntrico, egoísta e ganancioso.

Eowyn o interrompeu.

– Não sabia que podíamos escolher quem seriam nossos aliados. — Ela se distanciou alguns passos, deu uns três para frente e voltou-se para o irmão. – Ele irá nos ajudar? Pois não temos um cidadão de pé, irmão! Todos estão exaustos! O exército totalmente vazio, decadente, com uns quinhentos soldados, sendo que metade dele estão manetas ou pernetas e que provavelmente não irão querer ver guerra tão cedo! Será que podemos esperar, hã? – E ela andava pela sala, gesticulando afobadamente. – Entenda irmão! Não podemos nos dar o luxo de escolher! O povo esta morrendo de fome! Está fraco, machucado, morto! Os mortos ainda estão apodrecendo nas trincheiras ao redor da cidade, nas ruas de nosso vilarejo!Dividem espaço no chão com ratos, não me surpreenderia que começasse alguma peste! Se elfos adentrarem e nos ajudar, será de bom tamanho! Eles limpando a cidade a reformando!

– Você não escutou o que eu disse não é? Eowyn, me escute! Aquele rei não faz nada de graça!

– Quando estivermos bem, recuperados, lhe pagamos o que quiser!

– Irmã, o mundo não é um arco íris, não é cor de rosa!

– Éomer, você que não esta escutando a agonia e o dilaceramento de seu povo! Eles choram na rua, não fazem protestos nem berram ou exigem algo do rei porque estão morrendo de fome! Agonizando! Nem força para se colocar de pé eles tem! Entenda isso!

– Você está mesmo dizendo para eu me entregar àquele elfo? Hã? Ficar em débito com aquela merda?! É isso que você esta dizendo? É esta maldição que deseja para o seu irmão, Eowyn?!

– Maldição? Maldição? Nada disso! Aliás, você já tem um débito vital com ele e o que ele fez, ele está aqui cobrando? Não! Ele foi embora... nem pediu nada!

– Mas isso não significa que não cobrara depois! Escute o que digo, pedirei ajuda a Gondor, Aragorn é de confiança, entenda.

– O que eu entendo é que Gondor também teve perdas, segundo Faramir... bem... – Ela sentou numa cadeira retirando uma carta detrás do cinto de seu vestido rasgado e sujo, Éomer até sentiu seu coração se apertar de ver que sua própria irmã estava naquela situação, então ele puxou uma cadeira e sentou-se próximo a ela.

– Diga, minha adorável irmã.

Ela sorriu-lhe tocando a face do irmão gentilmente, mas logo voltou a se fixar na carta, a abrindo e lendo a voz alta, na carta estava escrito assim:

“ Fico feliz que todos tenham terminado vivos, não aguentaria perder mais irmãos, seja vós, minha querida e amada Eowyn ou o vosso irmão, pelo qual estimo e muito. Em Gondor as coisas não são tão diferentes, Aragorn voltara, sim, iríamos comemorar, mas logo o rei se postou em seu quarto e de lá não mais saiu, ele simplesmente ficou mudo e isolado, não sei o que fazer, pedi ajuda a alguns aldeões na cidade, curandeiros, mas ninguém descobre o que o rei tem e pior que neste estado, sinto-me receoso de dizer que perdemos uma grande parte da frota a mesma fora devorada em segundos, o número deve girar em torno de 2.600 homens. Ninguém, além de mim, tem conhecimento disso, omiti por se tratar de um assunto que colocaria em risco Gondor, se outras cidades soubessem que estamos praticamente abertos e sem proteção. Estou muito preocupado, já que restaram apenas aprendizes e uns quatrocentos homens. O que devo fazer? Desculpe incomodá-la com tamanhas coisas, mas se eu não desabafar com vós, com quem farei? Como está o seu irmão? Espero que ele esteja bem, eu tentarei de todas as formas, ajudar o rei, mas admito que estamos numa situação bem complicada. Soube que Rohan não está diferente daqui, lamento a situação, mas estamos numa similar. O máximo que podemos fazer é ceder algum mantimento, mas devo alertar que nosso estoque não e stá tão elevado assim, perdoe a sinceridade, mas se acaso desejarem pedir nossa ajuda, Aragorn com certeza entregará até o que não tem, mas o rei... não sei quanto tempo permanecerá vivo... estou muito preocupado.

De seu, Faramir.”

– Puta que pariu... – Retrucou Éomer angustiado, coçando o próprio pescoço como se sentisse a corda de Thranduil apertar ali e sutilmente seu dedo indicador foi deslizando pela discreta cicatriz causada pela espada do mesmo. – Droga. – Ele olhou para um dos lados, até que comentou animado. – E Elrond, será que nos ajudaria? Lorien?

– Lorien perdeu Haldir e grande parte da frota, esqueceu? Eles ainda não conseguiram repor... eles continuam fracos em defesa e por isso encontram-se acolhidos em nosso próprio seio territorial, sem se manifestarem.

– É mesmo, nem sequer lutaram para proteger Rohan.

– Eles não tinham como! Só possuem frota para se auto protegerem... a guerra do anel ainda os manteve com chagas de perdas e dilacerações... eles temem se manifestar, encontram-se fechados sobre si mesmos.

– E os rios, nossa cidade ainda está sem água potável?

– Sim. – Retrucou desanimada Eowyn.

–... – Éomer coçava a própria testa suada, há dias ele mesmo não trocava de roupa, todos estavam numa situação deplorável: Sujos e famintos.

– Terá que pedir ajuda a Thranduil, eu sei que ele é conhecido por nunca, absolutamente nunca se manifestar ou ajudar, mas... entenda... é nossa única esperança e se ele o salvou, se moveu para o salvar, é que significas muito para ele, deve estar querendo uma aliança conosco.

– Irmã, vou te contar uma coisa, mas me prometa... – Ele pegou firme uma das mãos da jovem e pediu que um cavaleiro fechasse a porta dali, além de ordenar que alguns saíssem. Ao ver que estavam completamente a sós, ele continuou. – Prometa que não irá pensar mal de mim, me julgar, certo?

– Por que faria isso?

– Me prometa, por favor, prometa que não irá deixar de falar comigo. – E ele apertou mais a mão dela debaixo da sua.

– Está me assustando irmão!

– Por favor. – A face do espadachim era de pura dor, insegurança e medo. – Aguentaria qualquer pancada ou guerra, mas nunca aguentaria perder vossa amizade, minha irmã. Sabe que sempre a protegerei e a respeitarei... és o meu bem mais preciso.

– Eu sei, por isso... não importa o que disser, sim, eu prometo que nada nos afastará. – E segurou a mão do irmão entre as dela. – Pode me dizer, tem haver com aquele elfo rei, certo?

– Sim. – Éomer soltou um longo suspiro e logo retirou a mão dali, a afastando, entrelaçando os dedos diante de si, os olhando fixadamente. – Eu me deitei com ele. – E suas orbes douradas posicionaram-se no canto de um dos olhos, focalizando a face de Eowyn lateralmente.

– Fizeram... – Eowyn olhava-o temerosa, ligeiramente atordoada. – Está se referindo a sexo?

– Sim.

– Mas... esta foi a condição apara ele ajudá-lo?

Éomer debruçou a face numa das mãos, olhando para a irmã ligeiramente mais descontraído ao ver que a noticia não pareceu chocá-la tanto.

– Não, ele me ajudou porque quis, mas temo que ele tenha me ajudado por ter gostado de mim.

– Ah... – Ela olhava para a mesa, com os celhos franzidos, tentava entender aquela dinâmica sexual. – Mas irmão, você gosta de mulher não? – Ela o olhou desconfiada, pois para si, aquilo não fazia sentido, nunca havia imaginado aquele tipo de interação de um elfo e um homem? Ela tentava entender como que ambos conseguiriam ter prazer, orgasmo ou gozar.

– Sim, gosto de mulher, mas aquele elfo parece uma... haha... – Soltou umas risadinhas sacanas respirando profundamente e soltando o ar devagar, mas logo voltando a olhar a irmã.

– Mas ele é um homem... – Eowyn chocalhou a cabeça para os lados. – Que seja, o que isso tem haver?

– Muita coisa haver...

– Irmão, eu ainda to meio confusa... – Ela coçava a própria nuca, sorria sem jeito. – Como que...

– Melhor não saber, mas admito que acatarei vossa opinião. – Disse o cavaleiro se levantando, mas Eowyn segurou-lhe um dos pulsos.

– Pretende continuar com isso?

– Sim e penso se vós e Faramir que darão o herdeiro que Rohan precisará.

Eowyn Largou-lhe o pulso, tocando os próprios lábios.

– Veja pelo lado bom, deitar com Thranduil vai ajudar a restaurar o reino... eu acredito que ele irá fazer isso... –Éomer se aproximou da janela, olhando através dela com as mãos na cintura. – Eu não queria dar o braço a torcer, mas não temos alternativas...

– Irmão.

– Sim?

– Será que ele sabe que somos irmãos? Eu poderia dizer que somos casados.

– Ele sabe de mim, de você, deve ter conhecido ao menos o nome de nossos pais, Thranduil não é tão burro assim...

– Hum... – A jovem tocou-lhe um dos braços. – E vós gostais disso? De se deitar com um elfo?

Éomer continuou encarando através da janela, soltou um longo suspiro.

– E como.

E ambos olharam através da janela toda aquela destruição que os cercavam.