Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
23 A recuperação vital – Legolas, Gandalf, Radagast, Elrond.
O clima no quarto do senhor de Valfenda era de um silêncio profundo, as cortinas de seda frágeis e transparentes voavam dançando no ar, uma brisa agradável adentrara movendo algumas flores de algum arranjo natural colocado num móvel próximo, o qual sendo iluminado por um feixe de luz através de um sol ameno, discreto e delicado. A temperatura era mais fria do que quente, mesmo assim, extremamente agradável e talvez, o único barulho ali era do movimentar das páginas enquanto o mago os lia como se dissecasse cada trecho daqueles livros, ele juntara uns oito, alguns ele mesmo fora buscar em algumas cidades próximas.
Passaram-se quatro dias e a saúde do senhor de Valfenda só parecia deixá-lo cada vez mais, ele estava, agora, anestesiado de uma sonolência profunda, despertando apenas algumas vezes, para dizer algumas palavras e logo voltar a dormir pesadamente. Fato que incomodava profundamente aquele mago que lia e relia buscando alguma resposta ou solução para aquele terrível e inevitável problema.
Radagast o acompanhava, lendo na biblioteca e saindo algumas vezes já coletando algumas raízes que acreditara que iriam compor a fórmula de cura para aquele, a seu ver, amável elfo.
– Gandalf, eu fiquei impressionado. – Disse o Marrom, folheando algum livro, mas logo parando e elevando as orbes para encarar Gandalf diretamente. – Ele tem uma ligação muito forte com você!
Gandalf permitiu-se menear a cabeça para os lados algumas vezes, brincando um pouco com o comentário, mas sorrindo ligeiramente melancólico.
– Sim, eu e o Senhor Elrond, somos muito amigos.
– Gandalf... – Radagast ainda o encarava, agora, com os olhos arregalados.
Ambos magos, neste momento, encontravam-se na biblioteca que Elrond tinha em sua casa, estavam sentados em duas poltronas de madeira maciça, uma de frente para a outra, distantes por apenas alguns passos.
– Hum? O que é, meu amigo? – Retrucou o Cinzento ainda folheando um grosso livro em seu colo.
– Me refiro a...
Gandalf, agora, o encarava também.
– A...
– Sabe... – Radagast colocou o livro sobre uma mesa próxima, feito isso, rodeou uma das mãos num chumaço de sua barba que descia pelo queixo.
– Meu amigo, diga logo, pois não dispomos de tempo. – Retrucou o Cinzento ligeiramente incomodado e ansioso.
– Tenho observado umas sutilezas na natureza, meu amigo! – Radagast se levantara, gesticulava como se fosse algo terrível, apavorante. — As espécies vão sumir! É!
Gandalf continuava o encarando, mas deixou que uma de suas sobrancelhas levantasse.
– Como? – Deixou a cabeça tombar para um dos lados, não parecia entender. – Por acaso se refere a alguma outra força maligna?
– Não! – Radagast se virara de costas, agora, cruzara os braços. – Gandalf! – Voltou-se para o outro, abrindo os braços e inclinando-se para ele, ainda com os olhos arregalados. – Os machos estão copulando!
Gandalf quase caiu da cadeira, teve que se segurar nos braços da poltrona, devido ao solavanco que seu corpo dera, ele levantou suas orbes azuis encarando o outro, sutilmente aterrorizado.
– Como? – Disse o velho sentindo o ar mais rarefeito.
– Coelhos! Cavalos! Ursos! Tudo, Gandalf! Até pássaros... tenho observado os machos copulando, se colocando próximos como se fossem um casal!
– Tem certeza?
– Sim! Nunca tive tamanha certeza! O Se... se... – Radagast olhava para os lados, coçando o próprio queixo. – Como é o nome...
– Senhor Elrond.
– Isso! Ele mesmo! Ele... ele... – Radagast foi se aproximando do seu amigo, inclinando-se para ele, cochichando ao pé do ouvido. – Vou... falar baixo por que eles ouvem tudo, meu amigo... tudo!... Bem... ele...ele... parece estar apaixonado por você!
Gandalf levou uma das mãos a própria boca, prendendo uma risada, mas disfarçou voltando a encarar o outro mago assim que ele se levantou.
– Ele... ele... parecia uma donzela chorando a volta do amado... é...
– ...
– E você sabe, que os elfos estão ligados profundamente com a natureza, então... se isso de machos juntos, está ocorrendo com os animais, os elfos também estão assim! Gandalf! Talvez... talvez, não seja melhor que ele morra?
– COMO? – O cinzento se levantou encarando o outro com se quisesse disseca-lo com o olhar. – Como ousa dizer algo tão cruel, Radagast?
– Ih... você me chamou pelo nome... ih.... está... está zangado comigo. – Disse O marrom se encolhendo e se aproximando de algum móvel, encostando-se a ele.
– Claro que estou! – Gandalf levara ambas as mãos a própria cintura, apertando-as ali, balançando a cabeça para os lados, negativamente, num ato reprovador. – Ele é necessário para que a cidade se mantenha e ele é um grande amigo, assim como você, Radagast!
– Me considera um amigo?
– Que ideia tola, claro que sim!
– Ah... obrigado. – Disse se encolhendo, corado e sem jeito. – Hehe...
– O senhor Elrond me ajudou muitas vezes e... eu lhe devo isso! É... é esse o motivo.
– Então é porque você o deve..., mas Gandalf, pense bem, se ele melhorar... – Radagast se aproximara novamente de seu amigo. – Se ele melhorar... não teme que ele queira copular com você, assim como os animais estão fazendo?
De repente, uma voz quebrara a diálogo dos dois magos.
– E daí se ele e o senhor Elrond copularem? – Disse Legolas cruzando os braços, olhando com certo amargor para o Marrom. – O que tens haver com isso? – O loiro deixou um sorriso raivoso brotar no canto da boca, chegando a ranger os dentes. – Entenda uma coisa, enquanto a terra-media tiver seres como você, elementos que só decrescem a evolução, infelizmente, continuaremos arraigados a lendas antigas.
– Como? – Radagast não conseguira entender as afirmações do elfo se perdendo no contexto. – Crenças? Como? O... o que disse mesmo?
– Legolas! – Gandalf andara até ele, tocando-lhe um dos ombros e este gesto recebeu um sorriso amável do elfo.
– Gandalf, vim aqui para verificar se precisam de alguma ajuda, vejo que o Senhor Elrond está agonizando demais, talvez esteja em seus últimos momentos. – Deu uma pausa, olhando para o peito do mago por uns instantes, mas logo voltou a encará-lo.- Não conseguiu convencê-lo a se tratar?
– Bem, na verdade, não há tratamento ainda... – E o mago sinalizou as pilhas de livros que tanto ele, quanto Radagast já haviam lido.
– Entendo. E quanto a este? – Legolas retirou algumas anotações de sua pequena sacola, que sempre mantinha anexada ao cinto.
– O que é?
– Peguei de um livro que meu pai esconde, ele nunca desconfiou que eu soubesse que ele o tinha... imagino que ainda não saiba.
Gandalf abriu o papel, começando a ler as anotações.
– Interessante. – Retrucou o velho.
Logo Radagast se aproximara dele, lendo também.
– Mas, meus amigos, estas raízes não se encontram na floresta onde vivo... quero dizer... na parte onde vivo.
– Por isso os ajudarei. – Comento o elfo. – Algumas delas só poderão ser encontradas no subterrâneo da Floresta das Trevas. Irei coletá-las enquanto vocês juntam os demais itens.
– Entendo. – Comentou Gandalf afagando a própria barba. – Legolas, permita-me fazer uma pergunta...
– Sim?
– A cada dia Senhor Elrond está pior, porque esperou tanto tempo para... nos trazer isso? – Disse levantando o papel e balançando algumas vezes no ar.
– Estava com a cabeça quente, Tauriel está infernizando meu relacionamento com Aragorn. – Disse andando até uma janela, olhando através dela, permitindo que seus fios dourados voassem com a brisa que entrou ali de repente.
– Ela está?
– Sim... e como.
Radagast olhava para aquele elfo com uma incógnita em sua face, ele pensara se Legolas se referia a uma relação amorosa dele com o tal rei, o Marrom pensou se aquilo realmente estava acontecendo, de repente, todos os elfos se tornaram pavorosos para si, com a exceção daquele que o levara a Valfenda, já que ele parecia uma fêmea.
Gandalf andou até o loiro tocando-lhe um dos ombros, apertando uma das mãos ali.
– Relaxe, assim que resolvermos isso, eu cuidarei de ajudá-lo com Aragorn. – O mago ainda o encarava e o elfo também, dada a pausa, continuou. – Mas logo lhe advirto que não deva se preocupar Aragorn não é tolo, ele perceberá as intenções daquela elfinha abusada.
– Como assim? – Perguntou Legolas engolindo em seco.
– Aragorn está sem mulher, meu amigo... Elrond me disse... – Gandalf arregalara os olhos, dando uma rápida olhada para Radagast e corrigiu. – O senhor Elrond.
Radagast franziu os celhos e olhava atentamente para os outros dois, pareceu até mesmo vê-los juntos, se beijando, mas logo ele chocalhou a cabeça pensando que estava ficando louco.
– E daí, Gandalf? O que exatamente queres dizer?
– Que ele está permitindo a aproximação dela porque... digamos que... ele é bem habilidoso com as damas...
Legolas engoliu em seco permitindo franzir seus celhos também, assim como Radagast. Gandalf ao ver que o outro não lhe entendia, soltou uma longa bufada.
– Ele quer fuder a elfa, literalmente. Ele tem desejos e pelo que percebi... – Gandalf retirou a mão dali, levantando uma das sobrancelhas, olhando desconfiado para o elfo. – Ele não tem conseguido satisfazê-los com você, por isso de seu desespero em atacar Tauriel, eu vi a forma como ele a olhava, sim, é o mais puro desejo sexual humano.
O elfo deu uns passos cambaleantes para trás, acabando por esbarrar num móvel, encostando-se nele por sentir as pernas fracas.
– O que esperava? Deveria saber que os homens tem necessidades...
– Eu sei disso! Eu sou um, Gandalf! – Disse Legolas postando-se de pé novamente, falando ligeiramente exaltado.
– Então, eu recomendo que o deixe se satisfazer... ou...
Legolas engoliu em seco, franzindo os celhos, voltando a se encostar num móvel qualquer, sentia seu coração aos pulos. Gandalf sorriu-lhe.
– Acho que agora estás entendendo...
Legolas olhava na direção do chão, mantendo uma face de dor, agoniada. Radagast andou até ele parando a um passo e disse apontando para sua face.
– Foi essa mesma cara que o Senhor Elrond fez! Igualzinho!
Gandalf sorriu e comentou baixo aproximando-se dos dois.
– Entenda Legolas, não falei isso para ferir-lhe, sempre cuidei com todo carinho de todos vocês e admito que Aragorn esteja precisando e muito... sentir-se homem, se é que me entendes, mas tenho a certeza que isso não afastará vocês dois, mas apenas os unirá muito mais... criando laços tão fortes como se fossem de aço.
– Por que tem tanta certeza? – Retrucou o loiro cabisbaixo, encarando o chão.
– Por que mulher nenhuma no mundo pode substituir a sensação de um grande amor... o amor está ligado a quem ele se dirige e não a sexo... e acredite, eu tentei muitas e muitas vezes esquecer o meu elfo, mas o que consegui foi apenas fortalecê-lo mais no peito. – Gandalf pegou o cajado, apoiando ambas as mãos nele. — Acredite, depois que a sede jovial dele passar, ele vai enxergar mais adiante e voltará a te procurar.
– Acho que... – O loiro tinha uma feição quase chorosa. – Entendi.
Gandalf consentiu com a cabeça algumas vezes, finalmente o outro mago percebera o que estava acontecendo ali e preferiu ficar quieto, temeroso, porém mais astuto.
– Então, vamos? – Comentou o Cinzento sorrindo e olhando para um e depois para outro.
E os três partiram em direção às florestas, em dois dias conseguiram juntar todos os componentes da fórmula.
– Fico pensando em como seu pai tem esses conhecimentos... – Comentou Gandalf olhando para Legolas.
– Eu acredito que ele seja mais velho que o Senhor Elrond e com certeza ele já passou por muitas situações difíceis que o levaram a buscar conhecimento de muitas respostas para variados problemas. Afinal, ele é o rei, ele deve dar todas as repostas e ordens apropriadas.
– Tem razão, para Elrond nem saber dessa receita... quero dizer, senhor Elrond.
Radagast se incomodou e se aproximou do outro mago dando-lhe uns tapinhas nas costas.
– Tudo bem, meu caro, já percebi que todo mundo resolveu “soltar a franga”.
Legolas e Gandalf começaram a dar risadas.
– Finalmente! Já era hora, não é mesmo? – Resmungou ranzinza o outro, mas com uma voz dotada de bom humor. – Agora o grude já está pronto. – Disse se referindo à grossa pasta negra que a receita dada gerou. – Devemos levar imediatamente à Valfenda.
E logo estavam ali, na cidade, ao lado da cama do meio-elfo, este entreabriu os olhos com muito esforço e se esforçou mais ainda a soltar um amável sorriso quando percebeu que se tratava de Gandalf, sua potente audição fora o único sentido que continuava completamente intacto.
O mago engoliu em seco, tocando um dos ombros de seu elfo e logo soltou um sorriso moribundo, ele seguiu se inclinando em direção à cama, comentou baixinho ao pé do ouvido do Senhor Elrond:
– Espero que um dia me perdoe, mas... achei uma fórmula para curá-lo, confias em mim, não é?
Elrond piscou os olhos duas vezes e pareceu consentir com a cabeça mesmo que este movimento tenha sido demasiado discreto, quase imperceptível.
– Preciso... – Gandalf voltou a se erguer, encarava a todos ali. – Que me arranje cordas, Lindir. Legolas, me traga duas bacias com água morna, Radagast, traga o grude, Gimli, quero que amarre os tornozelos do Senhor Elrond à cama. – Gandalf olhou para o elfo. – Ele poderá se debater tamanha será a dor...
E logo Elrond estava amarrado à cama, por encontrar-se completamente despido, somente Gandalf, Lindir e Legolas estavam ali. Afinal de contas, eram os únicos mais próximos daquele meio-elfo.
– Quero que fiquem atentos, se ele se debater, segurem-no.
– Não é melhor que Gimli esteja aqui? Ele é bem forte. – Comentou Lindir encabulado ao ver seu Senhor nu, já que o achara bastante atraente.
– Gimli é um anão e até onde sei, Senhor Elrond não tolera tão bem assim anões.
Lindir consentiu, fazendo uma fisionomia de dor ao ver seu senhor naquele estado decadente, por isso permitiu soltar umas fungadinhas.
– Prontos?
Tanto Legolas quanto Lindir consentiram.
E o grude, uma massa grossa preta foi sendo derramada bem lentamente sobre o braço ferido do Senhor de Valfenda, a pasta pegajosa pareceu ter vida própria e rodear o membro, aderindo-se a ele, como uma crosta, uma massa vulcânica negra, o elfo fizera uma fisionomia de dor, fato que fez o mago ordenar a Legolas que colocasse algum pano ou amarra entre as arcadas do Senhor para que ele não mordesse a língua.
– Lindir, fique atento para ver se nem os pulsos ou os tornozelos se soltam.
– Sim, senhor.
Gandalf sorriu ao ver o automatismo hierárquico e educativo do outro.
– Meu lorde, isso és para que melhore, preciso que beba um pouco.
Disse o mago ao ver que todo o braço já estava coberto pela massa, agora ele levava uma colher aos lábios do elfo, já que seu sangue estava também contaminado.
– Vamos, beba...
E ele viu que o seu elfo o obedecera, se esforçando a engolir aquele remédio hediondo. O mago sem mais se conter, aproximou-se mais da cama, puxando uma cadeira para ficar ao lado dela, observando atentamente aquele homem diante de si, prostado, preso a uma cama por sua causa, por salvá-lo, por poupá-lo de sua própria morte e o mago não deixou de pensar que se não era ele que deveria estar ali, agonizando. No entanto, aquele elfo aceitara a punição imposta por sua escolha e a sua consequência de peito aberto até o seu último suspiro.
– Mas você não vai morrer, eu te amo, lembra-se?
Disse gentil o mago tocando a face do elfo, que agora, estava pálido e nem parecia respirar.
– Vamos, reaja amor... vamos...
Gandalf piscava os olhos inúmeras vezes, sentindo-os cada vez mais molhados. Agora, ele percebia que pareciam formar “placas” negras na pele do meio-elfo e as mesmas brotavam aos montes por todo seu corpo, inclusive na região do peito, na altura do coração, fato que fez o mago pensar que o coração do senhor Elrond já estava praticamente morto, apodrecido, tomado por sangue orc.
– Se...
Gandalf agora chorava abertamente, Legolas observava tudo com os braços cruzados, tomado de uma terrível dor e peso no peito, já Lindir chorava abertamente soltando gemidinhos agoniados, prostado ao lado da cama, praticamente jogado ao chão.
– Nããão... mestre... por favor! – Implorava o menestrel.
Gimli pareceu escutar a voz de seu elfo e ia se aproximar da porta, mas foi logo puxado por Radagast.
– Se lembra de quando nos conhecemos?... Hã? – Gandalf comentava com uma voz inebriada e afogada em lágrimas, mas as sílabas saíam, embora sutilmente úmidas de amor e dor. – Eu pensei que fosse... hehe... um mostro... eu senti... tanto medo... – Lágrimas escorriam pela face do velho. – Mas eu sabia que no fundo... éramos para ficar juntos... e você... veio a mim... – Ainda afagava a face do elfo que não tinha mais quase região branca no corpo, sua pele escurecera, apenas a face e as solas dos pés ainda permaneciam brancas. – Se você morrer... eu não conseguirei mais viver... mas... sei que seria pior se me matasse, pois tu nunca me perdoaria... – Agora a face escurecera aos poucos, sutilmente. – Mas... o elfo és tu, você deverias viver, não eu... não eu... – E o mago tocou a testa na do outro, sentiu a pele do elfo gelada. – Eu te amo e sempre o amarei... – Gandalf tocou-lhe as laterais da face, agora, enegrecida. – Por toda a minha vida.
E quando Gandalf foi beijá-lo, os lábios do elfo se abriram sugando forte o ar, como se fosse o último suspiro. Legolas correu até Gandalf, o puxando para trás, trazendo-o de encontro ao seu peito para que o mago não visse a tórrida cena.
– Não olhe. – Disse Legolas afagando a nuca do idoso, mantendo-o próximo a si, Gandalf tremia, estrebuchava em seus braços.
Porém, o loiro franziu os celhos quando teve a impressão que o Lorde parecia clarear, as pontas dos dedos, seguidamente das mãos e o tom claro natural de sua pele pareceu espalhar por todo corpo, fazendo-o retornar ao que era, isso que seu braço fechava as feridas a uma velocidade que apenas olhos élficos conseguiriam ver e Legolas se permitiu poder observar isso, embora por estar tão atordoado, ainda mantinha o mago próximo a si e Lindir agoniado ao chão, derramando-se em lágrimas e lamúrias.
Senhor Elrond abriu os olhos devagar, piscando-o algumas vezes, até que finalmente direcionou suas orbes restauradas para Legolas e sorriu-lhe gentil, mas seus celhos foram franzidos ao vê-lo abraçado ao seu homem, fato que o fez sentar-se ali e tocar as costas do mago, embora, neste exato momento ao olhar para baixo, para seu próprio quadril, observou-se completamente pelado.
– Mas o quê?
Gandalf pensara que o aperto em suas costas tivesse sido algo de Greenleaf, mas ao ouvir a voz de seu lorde, logo se voltou sua face para ele e este o encarava sério, ligeiramente zangado.
– Basta ficar doente que já queres me substituir?
Legolas sorriu ainda abraçado e afagando a nuca do mago, mas este logo o soltou e abraçou apertado o seu único elfo, o amor de sua vida.
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