Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
20 A Flor do deserto e a Joia rara. – Tauriel e Arwen.
A elfa acordara numa cama em Valfenda, com a respiração tranquila e abriu os olhos devagar, finalmente vendo que se encontrava não mais a céu aberto, mas alojada dentro de algum cômodo. Ela olhou para um dos lados, vendo uma enorme janela que seguia do teto até o chão, dando passagem para uma varanda. A impressão que teve era que dois canários adentraram ali, no quarto e entoaram um canto para si, o que causou seu sorriso, mas logo ao voltar olhar para cima, pareceu ver a sombra de uma pessoa ao seu lado, olhou-a e pôde ver que se tratava de uma jovem de pele pálida e de cabelos ondulados e negros.
Tauriel engoliu em seco, sentindo uma discreta dor de cabeça, suas orbes verdes fixaram-se naquela face, a qual não era tão desconhecida assim, ela já vira Arwen em algum lugar, mas não lembrara-se direito de onde. A filha de Elrond percebeu que a jovem acordara e emitiu-lhe um singelo sorriso. A ruiva ainda pôde perceber que a rainha de Gondor vestia uma roupa levemente solta na cintura, o que a fez se sentar e olhá-la mais atentamente, e sim, verificou que a meia-elfa encontrava-se grávida.
– És a Arwen, não é? Filha do Senhor de Valfenda! Isso mesmo... esposa de Aragorn.
Ela olhou para os lados, franzindo os celhos, estranhando o lugar, comentou baixo, direcionado à outra dama.
– Aqui é Gondor?
Arwen soltou um suspiro e sorriu docemente.
– Não. Estás em Valfenda.
– Entendo.
Tauriel deixou a cabeça tombar para trás, repirou profundamente e levantou dali, só agora se deu conta que vestia uma túnica élfica e não a sua roupa costumeira.
– Tomei a liberdade de pedir para que lavassem sua roupa.
– Ahm.
Tauriel coçou a própria nuca, sorrindo sem jeito, voltando a sentar na cama.
– Seu marido, como está? Ele deixou você sair do reino? E Legolas, está com ele? Há dias não vejo o príncipe Greenleaf.
Arwen apertou os lábios, fazendo uma fisionomia dolorida, amarga.
– Faz tempo que não vejo o meu amável rei... também.
– Mesmo?!
– Vai fazer dois dias já. Por isso, resolvi voltar para casa. – Depois de uma dolorida pausa. — O castelo é tão solitário sem ele.
Tauriel olhou na direção do chão, mantendo os olhos arregalados, sentia-se culpada de certa forma, mas logo voltou a olhar para Arwen, tocando-lhe gentil a face, comentando baixo, amável:
– Não se preocupe, aposto que teve um bom motivo para isso.
E ambas se entreolharam.
Elrond permitira-se aguardar o retorno do mago na varanda de seu quarto, encontrava-se sentado numa cadeira de mogno claro, ele mantinha uma fisionomia preocupada e ligeiramente apática. Encarava a entrada da cidade e a impressão que dava era de que nem piscava, toda sua atenção estava voltada para aquele começo, para a entrada principal.
Entoou outro longo suspiro e novamente a dor no peito se fez presente.
– Gandalf.
Retrucou baixo despertando a atenção de Radagast que estava ali, folheando alguns livros numa pequena estante do Senhor de Valfenda. Este segurava nos braços em torno de seis livros, dos mais variados temas e pretendia seguir para o salão principal, jogá-los sobre a mesa e devorá-los o mais rápido que conseguisse, afinal, eram volumes raros, dificílimos de encontrar em toda terra-media, mas ao ouvir a voz angustiada do elfo, voltou-se para ele, recolocando os livros sobre um móvel qualquer, aproximando-se da bancada da varanda e olhando-o de perfil.
– És amigo do Cinzento mesmo, não?
Elrond fechou os olhos por uns instantes, voltou a abri-los desanimado, a resposta foi mais um longo suspiro, com a diferença que Elrond agora, acomodou calmamente a face sobre um dos pulsos fechados, seu olhar era distante, vazio, carente e solitário.
Radagast debruçou-se mais ali, olhando a paisagem, comentou algo visando distrair aquele elfo, que a princípio, salvara sua pele do perigo iminente que corria antes.
– Ele já deve estar chegando. – O mago focalizava algumas plantas, soltou um sorriso. — São realmente amigos, não?
Elrond nem se mexeu, apenas movimentou suas orbes encarando aquele, a seu ver, mago fofoqueiro.
– Somos.
E levantou uma das sobrancelhas, o encarando desconfiado, afinal de contas, a relação dele com o mago era segredo, mantido e guardado a sete chaves, trancado nos calabouços de sua alma. Radagast sorriu, balançando a cabeça positivamente.
– Sempre gostei do Gandalf.
Elrond agora o encarava com os celhos franzidos, mais amistoso ainda, seu peito endurecera de ciúmes, sua própria respiração pareceu ter sido interrompida, devido ao estado sufocante que agora se fazia presente em seu peito, ele então ergueu a cabeça e cruzou as pernas, apoiando ambas as mãos no joelho que ficara mais acima.
– Imagino que goste de todos os magos. — Retrucou rudemente, estranhando ele mesmo sua frieza momentânea.
– Não! Com certeza não, Gandalf é especial! É bem especial!
Elrond respirou profundamente, apertando as mãos ali, entrelaçando seus dedos, os apertando tanto um contra o outro que chegou a estalar e agora doíam.
– Especial.
– Sim, é o único que não me desmerece, sabe... – O mago sorriu para o elfo, para logo continuar. – Ele é um grande amigo, O estimo muito, muito, muito!
Elrond se levantou dali, debruçando-se no beiral da varanda, olhava para aquele mago por cima de um dos ombros, sua vontade era de jogá-lo dali de cima e até se arrependeu de tê-lo salvo dos orcs, lamentou que aquele homem não tivesse sido devorado logo, mas o Senhor de Valfenda ao se dar conta que estava quase agindo como Thranduil, se repreendeu voltando-se a se sentar ali, tocando a nuca no encosto da cadeira, cerrando os olhos e voltando a respirar profundamente para soltar o ar devagar, tentava de todas as formas se tranquilizar, embora suas mãos apertassem bastante os braços da cadeira, chegando a tremer.
– Relaxe, meu amigo. Gandalf nunca faltou com sua palavra. Se ele disse que voltaria... ele volta... ei! Olhe ele lá! – Disse o marrom apontando para a entrada.
Elrond arregalou os olhos, levantou-se apressado e logo se debruçou novamente ali, encarando Gandalf chegar num cavalo, descer dele e ser logo recepcionado por elfos de sua cidade. A face do Senhor se contorcia em gestos doloridos, seus lábios encontravam-se contraídos, em sua boca, tinha o sabor de fel. Sua expressão se alterara tanto que parecia estar disposto a chorar, seus olhos, já úmidos, fizeram nascer uma discreta lágrima, a qual não fugiu do olhar atencioso de Radagast. O elfo ainda parecia ofegante, sua face antes, sutilmente inexpressiva e preocupada, parecia agora aterrorizada, agonizante.
O Marrom tocou-lhe um dos ombros e o elfo baixou a face, para logo virá-la numa direção oposta, dando algumas fungadas, para que o outro não visse, que agora, ele chorava.
Radagast engoliu em seco, olhando preocupado para aquele homem diante de si, sempre tivera medo de elfos, mas aquele parecia um tanto debilitado, nunca pensara que fossem tão frágeis às emoções e lembrou-se do mito que poderiam morrer de desgosto se o coração deles sofresse tanto, por isso comentou baixo:
– Amigo, calma, calminha... ele já voltou, agora ficará tudo bem!
Disse dando-lhe uns tapinhas nas costas e neste momento, Gandalf entrou ali, parando de caminhar, olhando para os dois ligeiramente surpreso.
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