Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
11 Águas quase cristalinas. – Aragorn
O rei seguia calmamente na direção do seu mais recente castelo, pensou se conseguiria conquistar outras terras e ampliá-lo, mas refletiu se isso faria diferença para si ou para o seu reino. Afinal de contas, ele já não era grande o suficiente para receber todas as raças? A resposta era positiva, já que ainda havia muitas áreas livres, em qualquer uma das ruelas, das regiões. Ele achava engraçado como que mesmo todos morando juntos, os seres faziam questão de manter seus grupos, criando regiões, áreas, mas o rei acreditava que aquela ideia de segregação racial mudaria com o tempo, com a convivência, pois, em seu raciocínio, através do convívio, por exemplo, entre elfos e anões, ambos verificariam que não eram tão diferentes assim, e poderiam até mesmo unir-se entre si. O rei sorriu ao lembrar-se de Lindir e Gimli.
– Ora essa, eles reclamaram dos meus gemidos?
Sorriu continuando a andar até chegar a um bosque, o mesmo tinha as mais diversificadas flores, árvores, plantas, algumas flores caíram de seus troncos e enfeitavam o chão criando um tapete com suas pétalas.
– Que lindo.
Ele ficou observando aquela paisagem bucólica, até que percebeu que nuvens negras começavam a se formar no céu, e também, seu estômago deu sinal de vida e reclamava doendo bastante.
– “É mesmo, não comi nada ainda”.
Pensou finalmente atingido a escadaria de seu castelo, subiu por ela e adentrou ali seguindo para a cozinha.
– Ora, ora, Marta, minha cozinheira favorita.
– Meu rei, adivinhou o que vos preparei, olhe! Olhe!- Disse uma senhora gorda mostrando um bolo recém-feito de fubá. – E ainda ficará mais delicioso com o café que fiz. Aceitas, meu querido rei?
– Sim, por favor.
– Ora, ora... não precisa implorar nem dizer por favor, hahaha! – A senhora gargalhou cortando animada uma fatia, colocou-a num prato com um garfo e entregou para Aragorn.
– Obrigado. – Sorriu o moreno tirando uma lasca da fatia e engolindo-a. – Hum... está maravilhoso!
– Hahaha, e eu não sei como o meu senhor gosta? Ora, meu rei... não me desmereça, vós amas com bastante manteiga, que o faz ficar molhadinho e fofo! Não é?
– Exato! És uma ótima cozinheira!
Os dois riram e a cozinheira limpou as mãos no avental e se aproximou do rei ligeiramente desconfiada.
– Meu senhor, temo que logo saiba de uma notícia difícil.
– O que aconteceu?
– A vossa rainha.
– Hum? – Aragorn quase se engasgou com o bolo. – O que tem? – Disse dando algumas tossidinhas, mas logo se recompondo.
– O pai dela, aquele elfo...
– Sim? – Aragorn até parara de comer para prestar toda atenção que conseguia ter naquele momento.
– Ele estava procurando o senhor e parecia bem chateado, já que o senhor dormiu fora... – Ela se inclinou sobre a mesa se debruçando ali e falando mais baixo ainda. — Esses elfos, meu senhor... não poderias ter uma esposa humana? Ele é tão rude! Aquele mago foi embora ontem... e logo depois ficou esse elfo correndo para um lado e para o outro atrás do senhor!
– Você está me dizendo que... Gandalf foi embora ontem mesmo?
– Sim, ouvi-os dizer que era porque ele sentia uma energia sinistra nas redondezas da cidade de Lorien.
– ... – Aragorn franziu os celhos, lembrara-se de Éomer comentar que sentira uma sensação estranha quando fez a ronda por aquelas proximidades, enquanto passava por Rohan.- Entendo.
– Então, eu acredito que aquele elfo desejasse ir para sua cidade para verificar isso... mas ele aborreceu tanto Faramir quanto Éomer insistindo que o dissessem aonde o senhor havia ido.
O rei soltou um longo suspiro, começava a entender a “doçura” a que Legolas se referia antes a respeito do Senhor de Valfenda.
– Então, quer dizer que ele perturbou a todos enquanto estive fora?
– Sim, meu senhor. Faramir e Éomer o trataram muito bem e educadamente, mas o elfo não cedeu e continuou ansioso perguntando sempre se vós já havia voltado.
– Entendo. – Aragorn olhava para o próprio prato por um tempo e finalmente continuou — Arwen, como está?
– Ela não come nada há uns dois dias, nem a acordar ela está, só dorme, dorme.
Aragorn soltou o garfo e roçou a palma da mão na curta barba.
– Realmente, Arwen é sensitiva, isso significa que algo está realmente acontecendo na terra-media... não acredito que seja em relação à gravidez.
O rei levantou-se da mesa, mas a cozinheira logo lhe veio com uma caneca.
– Beba um pouco de café com leite, o senhor não comeu nada ainda, não é? Está tão pálido!
O rei sorriu e tomou a bebida, logo devolvendo a caneca para a senhora.
– Obrigado, Marta. Sempre faz um bom trabalho.
E saiu dali, seguiu até a sala de reuniões e se surpreendeu um pouco em não encontrar alguém, seguiu até o quarto da esposa e lá estava Elrond, este se levantou parando diante do cavaleiro, encarando-o nem um pouco amigável.
– Onde estava, meu rei? – Disse levantando uma das sobrancelhas, sem aguardar a resposta, continuou- Espero que não tenha feito uma falsa promessa para minha filha. – Disse rudemente.
– Não, não fiz. Sabe onde está Faramir e Éomer? Pediu que me procurassem?
– Não.
– Entendo. – Retrucou baixo o rei, olhando o chão pensativo, levando uma das mãos ao próprio queixo. — “Eles devem ter ido aonde?” – Pensou finalmente voltando a ficar de frente para Elrond. – Gandalf partiu, correto?
– Sim. – Elrond andou até o rei, parando diante dele, ainda mantendo uma fisionomia séria- Preciso voltar à Valfenda, faz semanas que estou aqui... segundo Gandalf, as coisas estão estranhas em Rohan.
– Eu soube.
– Pois bem, pretendo seguir com meus homens para a região, verificar se está tudo bem.
– Legolas não me falou nada a respeito...
Aragorn arregalou os olhos, engoliu em seco e voltou seu olhar para Arwen, encabulado. Elrond o encarava com os braços cruzados, os celhos franzidos, retrucou baixo, viril e roucamente:
– Foi ver Legolas?
Aragorn engoliu em seco, aproximando-se da cama da esposa, tocando-lhe a testa, suspirou aliviado ao ver que não tinha febre, ergueu-se comentando sério com Elrond.
– Não imagino que este mal estar dela... seja causa da gravid...
Elrond voltou a se aproximar dele, mantinha os olhos arregalados, a respiração suspensa e repetiu a pergunta, interrompendo Aragorn e cruzando os braços.
– Foi ver Legolas?
– ... Devo-lhe satisfações, meu senhor? – Respondeu Aragorn ficando frente a frente ao outro.
– Sim, a partir do momento que minha filha está sob seus cuidados, como queres que eu vá tranquilo para Valfenda, quando abandonas minha filha por uma paixãozinha qualquer?
Aragorn arregalou os olhos, sentindo um aperto tão grande no peito que quase teve a impressão de querer sufocar aquele elfo com as próprias mãos, e foi, neste instante que Arwen tocou-lhe a lateral da perna, sorrindo-lhe gentil.
– Voltou, querido? – Disse a jovem com uma voz tão frágil, que era quase inaudível.
Elrond fez uma fisionomia de dor, temia pela filha, pelo seu estado e foi neste instante que ele voltou a se aproximar da janela e olhar por ela escondendo sua expressão agoniada e logo soltou um grande suspiro dolorido.
– Querida.
Aragorn se ajoelhou ali, ao lado da cama, tocando a face na barriga dela, afagando-lhe o rosto alvo, já ela, afagava-lhe os cabelos castanhos, ajeitando alguns fios.
– Sinto-me melhor agora. – Ela sorriu e disse para o Pai — Poderia pedir que trouxessem aquela sopa?
– Sim, amada filha.
E Elrond saiu dali, batendo forte a porta. Aragorn simplesmente fechara os olhos, sentindo um movimento fraco, mas sutil debaixo de sua cabeça, ele levantou-a e tocou a barriga da jovem que sorriu com este gesto.
– Nosso filho já está lutando para nascer, será guerreiro como o pai.
Aragorn sorriu meigo para Arwen, afagando-lhe a bochecha e logo se aproximou mais de sua face, dando-lhe um beijo amoroso nos lábios.
– Eu te amo... – Disse a jovem, segurando a face do marido com as mãos, logo o beijo voltou a acontecer, ela segurou-lhe a face gentilmente, afastando-a um pouco, comentou baixinho- Desculpe o meu pai, ele só está preocupado.
– Eu sei. Eu sei. – Aragorn soltou um longo suspiro, segurando uma das mãos da esposa.- Não se preocupe, cuidarei de ti, tentarei estar sempre presente.
– Como está Legolas?
– Bem, na verdade, fui visitar Lindir e Gimli, eles compraram uma casa em Gondor, sabia?
– Hehe... que fofo eles dois, um anão e um elfo, isso nunca aconteceu antes.
– Sim.
Aragorn sorria gentil, permitindo que Arwen afagasse sua face, ele encarava fixadamente a face dela, sentia sua consciência pesada, até imaginou que ela talvez, merecesse um homem melhor, mais “inteiro” para si, pois em seu caso, ele estava quase que totalmente dominado por Legolas e seu amor intenso e irresistível. Ele voltou a deitar a cabeça ali e a fechar os olhos, pensava em como eles dois se deleitariam naquela cidade, pensava no que Legolas improvisaria, já que era muito bom nisso. Imaginou eles dois pelados, deitados juntos ou sentados sobre alguma rocha, observando o nascer ou o pôr do sol. Soltou um longo suspiro, voltando a abrir os olhos quando Elrond adentrou ali, trazendo-lhe um prato de sopa.
– Tome querida...
Quando o elfo pareceu sentar para dar de colher para a filha, Aragorn prontamente puxou uma cadeira e pegou para si essa ação. Elrond o deixou fazer isso, pensou se já era a hora daquele homem agir como um legítimo cavaleiro e marido. Ele observava atentamente aquele rei, mantendo uma fisionomia astuta, mas mal o Senhor de Valfenda sabia, que Aragorn fizera isso devido à dica que Legolas lhe dera antes, que ele só sairia dali se sentisse confiança no cavaleiro.
Aragorn encheu uma colher e a aproximou dos lábios de sua esposa, ela sorriu tomando o líquido, mas fazendo um esforço danado para não vomitar, levou uma das mãos à boca, soltando um discreto arroto, seu estômago embrulhara.
– Está bom, querido.
– Mas só tomou uma...
Elrond olhava-o atenciosamente, retrucou baixo.
– Ela não tomou nada há três dias, já é um progresso. – Ele se levantou, porém ainda continuando ali, ao lado da cama. — Posso realmente deixá-la sob seus cuidados? – Sua voz tinha um tom de ameaça, rigorosidade.
– Sim. – Aragorn o olhou, mas logo voltou a encher outra colher. – Vamos se esforce amor, tens que comer por dois agora.
Ela sorriu e tomou a colherada, Elrond tocou a face da filha, sorrindo-lhe gentil.
– Qualquer coisa, peça que me chamem, eu virei em segundos.
– Sim, pai. Muito obrigado.
– Não precisa me agradecer, apenas melhore e volte a florear o jardim da minha vida, minha amável filha.
Ela sorriu, seus lábios estavam mais rosados, as bochechas também, fato que fez Elrond respirar mais aliviado. Aquela rápida melhora fora devido à presença do marido? Pensou o elfo.
– Orc nenhum me dá tanto medo quanto o seu estado frágil, minha querida.
– Estou melhor, pai. Pode ir. Obrigada.
E ele consentiu, finalmente cumprimentando o rei e saindo dali. Aragorn acompanhou sua saída olhando por cima de um dos ombros, lembrou-se da dica de Legolas e pensou como que os elfos conseguiam prever suas próprias ações, como ele mesmo uma vez dissera quando estavam numa luta.
– “Bastou sentir segurança” – Pensou sorrindo ao ver que ela já tomava a quinta colherada. – Muito bem, querida.
Arwen sorriu-lhe sentindo um sono perturbador.
– Por favor, deixe-me tirar uma soneca.
– Sim. – Disse o moreno levantando-se e colocando o prato num criado mudo, com a colher dentro. Ela não demorou muito e já começou a roncar baixinho, ele se permitiu se aproximar da janela e pôde ver Elrond saindo do castelo, foi neste instante que ele se lembrou... da primeira vez que sentiu algo por aquele outro elfo que tanto amava.
Tudo começou com as campanhas geradas pelo início da missão da Sociedade do Anel.
Ambos seguiram subindo por uma rocha, havia uma serra um tanto complicada em relação à escalada, a companhia de hobbits e do anão Gimli somente alerdou mais ainda o progresso da caminhada. Logo escurecera e a noite não parecia ceder, o frio estava quase que insuportável, os hobbits se acolheram juntinhos, como um ninho de passarinhos, fato que fez Aragorn achar graça enquanto fumava seu cachimbo. Nesta época, seu coração pertencia inteiramente à Arwen, no entanto, Legolas logo mudaria isso, sem ele mesmo perceber ou se dar conta do que fazia.
Gimli dormia com uma grossa pele de urso sobre si, o anão se ajeitara entre duas rochas e o espadachim sentia-se receoso de fumar próximo a eles, além de sentir a falta do elfo. Relatado essas coisas, guardou o cachimbo num dos bolsos de sua vestimenta e seguiu até um trecho mais abaixo, detrás de um considerável rocha, foi descendo por ali e pensava aonde Legolas havia ido, deduziu que talvez, dependendo da disposição daquele elfo, ele poderia muito bem ter ido bastante longe, mas para não desanimar, acreditou que talvez tomasse um pouco de água num riacho ali perto e seguiu para lá.
O cavaleiro se surpreendeu ao olhar por detrás de uma rocha e algumas árvores, que o elfo parecia se banhar, encontrava-se completamente nu ali, por ser um pequeno riacho, sua profundidade tocava os joelhos do elfo, permitindo que seu corpo ficasse consideravelmente à mostra. Seus fios, molhados, colavam-se a suas costas, seu brilho dourado parecia cintilante sob a luz do luar, os contornos corporais eram bem discretos e até se assemelhavam a de uma mulher. Por isso, Aragorn soltou um longo suspiro, mais para uma bufada de êxtase, engolindo em seco, sentindo a saliva rasgar-lhe a garganta.
Ele até pensou em aparecer e conversar com o outro, a fim de verificar se ele toparia dar “umazinha” ou uma “rapidinha”, embora o cavaleiro nunca tivesse ficado com outro homem, mas ele pensou alvoroçado, se Legolas poderia ser considerado um, pois naquele momento, se ele não conhecesse o elfo, poderia até mesmo considerá-lo ou confundi-lo com alguém assexuado ou até hermafrodita, do que alguém do sexo masculino exatamente.
Sua testa suava e seu corpo parecia dotado de uma respiração mais acelerada e foi, neste instante, que se lembrou que aquele outro era um príncipe, filho do famoso Thranduil, o elfo considerado mais maquiavélico de toda terra-media. Soltou um longo suspiro olhando mais uma vez para o corpo do outro, sua bunda discreta, mas redondinha, dotada de uma pele aparentemente macia e aveludada. Ele sentou-se ali, detrás daquela rocha, engolindo em seco novamente, até que suas orbes verdes encararam o céu, vendo uma lua cheia no véu galáctico. Ele fechou os olhos e tentou mentalizar Arwen, mas o desejo ainda não o deixara, quando voltou a se levantar, não vira mais o elfo. Olhou para os lados, com os olhos arregalados, surpreso, pensando se Legolas havia percebido sua espionagem, sua vigilância enquanto se banhava.
– Achei que pudesse deixar os outros sob seus cuidados.
Aragorn voltou a face ao ouvir-lhe a voz, levantou-se rapidamente e por estar ligeiramente atordoado, quase tropeçou ali, voltando a engolir em seco e apoiar seu corpo na rocha. Legolas estava agachado detrás de si, sobre a mesma olhando-o de cima, mantinha um sorriso gentil na face, acolhedor, e ao finalmente se ver observado por Aragorn, o loiro olhou para um dos lados e pareceu puxar o ar.
– Temos que acordá-los, já irá amanhecer.
Disse pondo-se de pé sobre a rocha, logo saltando dali e seguindo pelo caminho, quando percebeu que o outro apenas o olhava, ele voltou-se para o moreno, com os celhos franzidos e retrucou apressado:
– Vamos! O que está esperando?
Aragorn consentiu com a cabeça algumas vezes e finalmente acompanhou o outro.
– Hehehe... – O rei sorria mantendo ainda com seu olhar perdido na cidade mais abaixo, soltou um longo suspiro. – O tempo voa... tudo muda tão rapidamente... – Virou parcialmente a cabeça, vendo Arwen, dormindo pesadamente, esta agora, estava deitada de lado, de costas para si.
Ele voltou a olhar a paisagem, outra cena voltou-lhe a preencher os pensamentos:
Fora quando Legolas apostara beber cerveja com Gimli, depois de o anão dormir praticamente no chão da taberna, Aragorn permitiu-se descansar um pouco, depois de interagir com uma dama loira. Embora ele desejasse ter uma mulher, já que há tempos estava sem uma, detalhe imposto nas campanhas, aquela era filha de um rei, sendo que havia outros cavaleiros ali, rodeando e se algo acontecesse, poderia até haver até uma batalha.
Por isso, preferiu se recolher, a um cômodo, sentando-se numa cama improvisada no chão, onde muitos outros dormiam, ele soltou um longo suspiro, pensando em quando tudo aquilo terminaria, quando teria finalmente um lar, um lugar para chamar de seu, honrar seus parentes mortos. Fechou os olhos e logo se deu conta do que ocorria ali, um hobbit pegara na esfera cuidadosamente protegida por Gandalf, para ajudá-lo, pois o mesmo parecia ser devorado pelo sinistro objeto, o moreno pegou o item para si e foi, neste instante, que se sentiu acolhido pelas mãos atenciosas do elfo. Ele sentiu todas suas forças esvaírem-se e quando finalmente soltou o objeto, as mãos ainda lhe seguravam, apertando sua carne endurecida e cheia de cicatrizes, por cima de sua rústica roupa. Ele piscou os olhos algumas vezes, retomando sua visão e se deparou com aquele elfo a olhá-lo preocupado. Teve a impressão que o tempo parara, que havia se conectado ao outro de uma maneira diferente, mas logo ao lembrar-se dos demais, se sentou, encarando Gandalf e os outros, imagina só, se eles perceberem que ele tinha alguma sutil atração por aquele outro macho? Aragorn não queria essa fama para si e logo se ajeitou agradecendo o auxílio, mas afastou-se depressa. Legolas apenas o olhava atencioso, com as sobrancelhas franzidas, levemente desconfiado.
Mas nada se comparou ao momento do primeiro beijo.
Aconteceu depois da morte de Boromir, que Legolas Greenleaf começara a ver o outro de outra forma e a sentir suas inquietações, era impressionante como depois de entrar em contato com a morte, como os seres, em geral, ficavam abertos ao transbordar de suas emoções. Numa das diversas noites relembrando-se dos fatos ocorridos, nestes instantes, Aragorn costumava sentar mais isoladamente e a fumar seu cachimbo em silêncio, reflexivo, pensativo, sonhador. Legolas começou a acompanhar esses afastamentos, a observá-lo ao longe e a perceber que cada vez mais, aquele cavaleiro sentia-se cansado, desanimado, e consideravelmente depressivo, não sendo raras as vezes que o encontrava olhando para aquele pingente que sempre carregava, pensava o loiro, como aquele sutil material prateado lhe oferecia forças, lhe dava resistência e, às vezes, parecia transportá-lo para outro lugar ou dimensão.
Ligeiramente agoniado ao ver o outro assim, resolveu aproximar-se, deixando de observar a lua e o horizonte, fato que tanto gostava, já que poderia prever ataques e verificar o andamento da situação na terra-media, de certa forma. Seguiu até o moreno sem fazer barulho algum e quando estava a uns dois passos dele, Aragorn fungou, parando de fumar, deixando o cachimbo cair de sua mão, para chorar baixinho, apertando os dedos ali, em seus olhos. O cavaleiro estava destruído psicologicamente, Boromir era um grande amigo, companheiro e o moreno sentiria sua falta, lembrou-se de seu irmão mais novo, Faramir e lembrou-se que prometeu a Boromir, mesmo que em silêncio, que ajudaria o seu irmão mais novo, se acaso este precisasse.
– Eu cuidarei dele, prometo, meu amigo... snif... snif... não precisa se preocupar.
Legolas estava ali, diante do moreno, agachado e segurava seu cachimbo numa das mãos, Aragorn quase caiu para trás da rocha na qual estava sentado, levando um enorme susto com o elfo ali, parado.
– Como está se sentindo?
Retrucou o loiro parecendo não perceber que quase matara o outro de susto, Aragorn engoliu em seco e retrucou baixo, tomando uma golada de ar:
– Melhor, eu acho...
– Não me parece melhor. – Disse estendendo o cachimbo para Aragorn, este o pegou. – Pode desabafar comigo. – O elfo ainda o olhava fixadamente. — Perdeu um amigo, mas ainda há todos nós... e precisamos de você.
Aragorn sorriu doloridamente e guardou o cachimbo, consentindo angustiado com a cabeça algumas vezes.
– Snif... tem razão...
Esfregou a ponta dos dedos nos olhos levemente úmidos ainda e só agora se deu conta que as mãos do elfo tocavam-lhe os joelhos, aquecendo o local, dando-lhe de certa forma, um apoio e segurança psicológica.
– Farei meu melhor para que não haja mais perdas... – Falou baixo Legolas. — Me preocupo que se estiver com os pensamentos longe, possa se tornar um alvo fácil e eu não consiga protegê-lo de todas as ameaças. – Ele apertou as mãos ali – Concentre-se em seu alvo, não esqueça porque aceitou participar dessa missão.
– Sim...
– Sei que é um pouco cruel, mas... não nos resta mais nada a fazer do que nos esforçarmos a sobreviver.
– Eu sei...
Legolas soltou um sorriso gentil, continuou.
– Vai ser um rei, deve ser forte... tenho certeza que dentro de si tem uma força formidável.
Aragorn sorriu meigamente, fato que fez Legolas olhá-lo mais atenciosamente.
– Obrigado, seu consolo está funcionando muito bem... sinto-me melhor.
O elfo levantou-se e segurou-lhe um dos ombros, deixando um sorriso gentil brotar em seus lábios, enquanto olhava para baixo. Suas orbes azuis nem sequer piscavam, Aragorn deixou suas orbes erguerem-se, enfrentando a face do outro, o luar tornava o verde de seus olhos mais claros, perfeitos como uma esmeralda.
Legolas deixou que do ombro, os dedos seguissem deslizando até tocarem a lateral do pescoço do outro, sua mão aquecia-lhe a região, ele sutilmente foi fechando a mão, apertando mais os dedos ali. Aragorn apenas o encarava, aquela face que sob a luz do luar parecia mais alva, ligeiramente prateada, aqueles fios claros, quase brancos. O cavaleiro tocou a mão do elfo que estava sobre si, bem levemente. Novamente o encarar, Legolas foi inclinando-se para frente, seus olhos enfrentavam os lábios do moreno, este seguia aceitando a investida do elfo, apenas contentando-se em engolir em seco, sentindo a boca carente, a língua mexer-se ali dentro, sutilmente ansiosa.
O elfo, no entanto, parou com os lábios a poucos centímetros do cavaleiro, deixando que sua respiração tocasse os lábios do outro, Legolas mantinha seus olhos quase fechados, sentia seu corpo afundar numa sensação deleitosa, que misturava prazer com excitação. Aragorn engoliu em seco denovo, sentindo o hálito quente do outro, foi então que ele seguiu até encostar neles.
As bocas colaram-se, ficando paradas, apenas trocando um calor específico devido ao contato. Ambos se encontravam com os olhos fechados, parecendo curtirem aquele momento, cada um da sua maneira, egocentricamente. Aragorn permitiu que a ponta da língua tocasse o meio da boca do elfo, este permitiu a invasão deixando seus lábios abrirem bem devagar, as pontinhas encostaram-se, roçando-se uma na outra, bem de leve, devagar, como se aquele fosse um terreno a ser explorado sem a menor pressa. Foi, neste instante, que Aragorn sugou a pontinha da língua de Legolas com os lábios, a puxando parcialmente para fora da boca, trazendo-a para sua própria boca, roçando sua própria língua nela, acolhendo-a ali.
Legolas segurou os ombros do cavaleiro, distanciando os lábios, mesmo que estes insistissem em ficar colados, fazendo um barulhinho baixo quando se descolaram. Ele ficou um tempo olhando para o outro, seus olhos perdidos naquele verde, sua cor favorita. O elfo engolira em seco, afagando a face do cavaleiro, gentilmente, com as mãos ali, a segurar-lhe as laterais da cabeça.
– É melhor descansarmos... — Disse o elfo com uma voz baixa, melodiosa, gentil e agradável como um carinho.
– Sim.
Legolas voltou-se e ficar de pé, mantendo um olhar carinhoso, mas entendera que o que aconteceu foi apenas consequência do estresse pelo qual estavam passando e que tal fato seria logo esquecido pelos dois.
A noite passara bem, regada a sonhos eróticos por parte do cavaleiro.
Aragorn ainda olhava pela janela, comentou baixo, consigo:
– Para ele, talvez, tudo tenha começado naquele instante... para mim, começou bem antes...
E soltou um longo suspiro, reaproximando-se da cama, deitando-se cuidadosamente ao lado de sua esposa, mas só agora se lembrara de que nem tomara banho, e como Arwen estava frágil, era melhor limpar-se ou ela poderia pegar alguma doença devido à sua sujeira. Sua própria cueca colava sutilmente nas nádegas devido ao gozo da noite anterior, colocado dentro de si.
– Nunca imaginei que eu que viraria a mocinha da relação.
Comentou seguindo até a banheira do palácio, lá estavam Faramir e Éomer banhando-se. Aragorn arregalou os olhos e quando pensou em retroceder os dois sinalizaram para que se aproximasse, o rei pensou que seria melhor, já que precisava mesmo falar com ambos.
– Oi, boa noite.
Comentou Aragorn retirando a roupa para logo adentrar ali.
Faramir encontrava-se sentado na borda, olhava na direção da água e apenas umedecia os pés, balançando-os ali. Já Éomer pareceu estudar cada pedaço do corpo do rei, encarando-o fixadamente, deixando um sorriso safado brotar-lhe nos lábios.
– Bem vindo, meu rei. — Retrucou o cavaleiro loiro.
O banho só estava começando.
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