Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
29 Te amo.
Notas iniciais
Aquele humano e o elfo seguiam a passos vagarosos pela cidade, assim que passaram pelos portões, alguns soldados vieram de encontro, pegando os cavalos e cumprimentando o rei, que lhes sorriu fartamente, mesmo que seu coração estivesse despedaçado, ao ver aquele elfo ali, longe de si, olhando-o magoado, ainda nitidamente ferido, mas que disfarçava isto com um sorriso gentil nos lábios ao ver que Aragorn era tão amado pelo seu povo.
O moreno parou de cumprimentar os soldados, mesmo que por alguns instantes e focalizou a face do loiro, os olhares se encontraram demoradamente e o tempo pareceu parar. O espadachim levou uma das mãos à própria cabeça e teve a impressão que o rosto de Legolas tomara outra forma, a face do amante, do outro elfo, da Cidade das Alegrias. Este, veio à sua mente, ajoelhado, sorrindo-lhe deleitoso, empurrando-o na cama e chamando mais dois amigos, também élficos a participar dos afagos realizados no nobre cavaleiro.
Quando Aragorn se deu conta, estava com três elfos sobre si, todos loiros e eles manuseavam seu corpo como se estudassem detalhadamente um mapa, um tocou-lhe o falo, outro lhe devorava a boca e outro lambia-lhe uma das mãos para logo direcioná-la ao seu membro endurecido. Aragorn se dissipara nas sensações, dividira-se de tal forma que se perdeu, partindo-se em vários pedaços como um cristal se despedaçando no chão.
O colar de Arwen se despedaçando veio à sua mente, fagulhas de cristais que brilhavam ao tocar o chão, assim seguiu sua visão enquanto encarava o outro, a poucos metros de si, dissipando-se, tornando-se nebulosa, sem contornos, misturando cores e formas como uma obra de arte, rompendo assim, com a realidade e gradativamente seus sentidos foram abandonando-o ao ponto que foi lentamente caindo na direção do chão, suas pernas dobravam-se lentamente, permitindo que todo ele fosse descendo, sem demora, em direção ao solo.
Legolas arregalou os olhos correndo em sua direção, agachando-se ali, segurando-o nos braços ao retirá-lo dos braços de seus soldados.
– Aragorn! Aragorn! Aragornnnn!!!!!!!
Berrava alucinado, trêmulo, ansioso. E foi neste instante que um homem, ao ouvir os berros angustiados do príncipe, se aproximou, medindo a temperatura e contando a pulsação do cavaleiro. O elfo observava o homem desconhecido com os olhos arregalados, a boca aberta e a respiração suspensa. Olhava como se visse a própria morte ali, diante de si, não, aquilo não poderia estar acontecendo, pensou o elfo ficando pálido e suando frio.
– Ele está apenas cansado, completamente exaurido, ser rei não deve ser fácil. – Disse o homem levantando-se – Ele precisa descansar, isso é puro cansaço.
– Tragam uma maca ou qualquer coisa que nos ajude a... – Disse o elfo.
Antes mesmo do elfo terminar de falar, um dos soldados segurou o lorde nos braços e o elfo o acompanhou atentamente, caminhando ao seu lado e em instantes, ambos estavam em um quarto, sendo que o elfo ficando a olhar fixadamente para o homem que amava, diante de si, semiconsciente, lhe segurando uma das mãos.
Gimli e Lindir ofereceram seus apoios, mas Legolas nem os respondera, permanecendo em silêncio, atento a cada sinal demonstrado pelo cavaleiro.
– Sei que vai se recuperar, eu sei... és forte como um touro. – Disse o elfo gentil, tocando a testa do moreno, afastando alguns fios ondulados dali, ajeitando-os detrás de uma das orelhas. – É, tudo vai ficar bem... – Seus olhos umedeceram, e ele, engoliu em seco.
Apertou os olhos, permitindo que lágrimas descessem por ali, na mesma proporção que mordia nervosamente os lábios, fazendo-os quase sangrar, avermelhando-os.
– Aragorn...
Mordia o lábio inferior fortemente e acabou por depositar a cabeça no peito do outro, ouvindo-lhe o coração, sua expressão era nitidamente dolorida, magoada, deprimida.
– Por que foi para aquele lugar?
Levantou a face voltando a olhá-lo, sentiu um pico de ciúme do que poderia ter acontecido, afinal de contas, o que fora tão extenuante a ponto de fazê-lo desmaiar?
– Foi procurar sua noiva lá?
Retrucou zangado, aproximando-se de uma janela, olhando através dela, ainda mantendo a face dolorida, machucada. No quarto só haviam os dois, por escolha do elfo que ordenara que fosse assim, ele dera a desculpa de que Aragorn precisaria de todo silêncio possível, mas na verdade, queria ser o primeiro a ser visto pelo rei, queria ser o primeiro a ter suas respostas, a pressioná-lo e entender o que realmente acontecera e o porquê.
– Logo lá? Ou...
O elfo engoliu em seco, ainda olhando pela janela e mantendo os braços cruzados.
– Foi buscar distração?
Franziu os celhos se reaproximando da cama, seus olhos mostravam raiva, a mais contida e pura.
Legolas respirou profundamente, levando ambas as mãos aos próprios ombros, as aproximou de seu pescoço abrindo o colarinho de sua roupa, seguiu desabotoando cada item de sua vestimenta élfica, permitiu-se expor o peito, os braços. Agora, abria o próprio cinto, descendo-lhe a calça e retirando as botas.
Pelo fato da cama ser de casal, ou seja, ter um tamanho consideravelmente grande, ele puxou parcialmente o lençol, depositando um dos joelhos na cama, sentou devagar ali, sem mexer muito o colchão ou fazer barulho, foi chegando-se ao outro, abraçando-o, deitando-se ao seu lado de forma a ficar de frente para ele. Tocou a cabeça no travesseiro olhando aquela face adormecida, novamente levou a mão ali, alisando com a ponta dos dedos, a barba mal feita, permitiu-se sorrir.
– Vou aquecê-lo com meu calor... desejaria tanto transmitir-lhe minha energia...
Acomodou uma das bochechas sobre um dos ombros do cavaleiro, fechando os olhos, deixando um sorriso bobo brotar-lhe nos lábios.
– Te amo... – Sussurrou baixinho.
Pelo fato dos dois não terem dormido na noite anterior, ambos acabaram literalmente “apagando”, sendo que Aragorn já esperava esse “apagão”, ele conhecia o próprio corpo, sabia que precisaria dormir, já que perdera as contas de quantos gozos os elfos conseguiram extrair dele, eles pareciam sedentos pelo seu orgasmo, tomando seu “néctar” como algo realmente maravilhoso, lambendo-lhe o falo variadas vezes, sugando com força sua cabecinha inchada ou então sentando com toda vontade do mundo sobre sua ereção e eles só pararam porque Gandalf, depois de um certo tempo, invadiu o quarto e ordenou que fossem embora.
O moreno foi o primeiro a despertar, piscou os olhos algumas vezes ficando a encarar o teto. O reconhecia, pertencia ao seu quarto. Sutis imagens de rosas e flores dançavam em algumas partes dele, imitavam uma espécie de estilo barroco, cuja paisagem pintada imitava a movimentação real dos elementos, preservando-lhes o movimento.
Ele respirou profundamente, lembrando-se de sua última memória, da voz de Legolas ecoando em alto e bom som em seus tímpanos, engoliu em seco acabando por sentar-se, novamente a dor de cabeça que sempre sentia depois do sexo, soltou uma sutil bufada e finalmente se deu conta que em sua enorme cama, sob a qual se quisesse caberia quatro homens, havia mais alguém além de si.
Seu quarto era enorme, parecendo um grande salão, era dotado de uma janela grande, que seguia do teto ao chão, parcialmente coberta por uma vidraça, sobre ela havia uma grossa cortina, felpuda, dotada do melhor cetim e camurça que havia ali, em seu reino. Mais próximo da entrada, tinha uma pequena lareira, com duas poltronas estilo rococó, com um grandioso tapete de urso branco entre elas. Tinha muitos móveis rústicos, envernizados, enfeites de escudos e espadas pelas paredes, algumas espadas cruzavam-se sinalizando a coragem e a vida de batalhas e sobre seu corpo havia um lençol de seda estilo indiano, no qual se encontrava muitos ornamentos tricotados e costurados à mão.
Com a face jogada para frente, sentindo a terrível dor de cabeça, respirou novamente bem fundo, levantando com certa dificuldade o crânio que teimava em latejar.
– Aqueles elfos...
Soltou um longo suspiro, sentindo um incômodo na cintura, todo seu quadril doía como se tivesse feito um exercício pesado, suas costas estavam também assim, os braços levemente mais moles do que o comum.
Finalmente olhou para o lado e pôde ver as costas de Legolas, seus fios dourados espalhavam-se pelo travesseiro, as tradicionais tranças que fazia, encontravam-se agora, parcialmente desfeitas. O elfo mantinha uma respiração calma, lenta, como se ainda estivesse embalado em sonhos tranquilos.
Aragorn se voltou parcialmente para o outro, deixando com que o quadril apoiasse sobre uma das pernas, dobrou um dos braços apoiando o cotovelo na cama, enquanto que uma das mãos pegou um chumaço do cabelo do loiro e ele sugou com vontade aquele cheiro.
– Ahhh...
Resmungou soltando um longo suspiro, o cheiro de Legolas era bem diferente daqueles outros elfos, eles fediam a um perfume adocicado, mal o cavaleiro sabia, que o mesmo era excitante e funcionava como afrodisíaco, já o seu fiel amigo e companheiro, cheirava a terra molhada, um sutil cheiro de mato fresco, tipo capim limão.
– Que diferença...
Mantinha um sorriso amoroso nos lábios, afagando aqueles fios macios, que pareciam de ouro, entre os dedos, mas logo os soltou ali, sobre a fronha, visando não acordá-lo.
Aragorn levantara-se dando uma longa espreguiçada, pensou por alguns instantes em como Legolas o levara até ali, aproximou-se da janela, debruçando-se parcialmente ali, apoiando ambas as mãos em seu peitoril, dando uma longa olhada lá para fora, mantendo uma expressão calma, sutilmente alegre, já que parecia que tudo ia se acertar, ele ainda não tinha certeza disso, mas tudo parecia apontar para esta direção.
Sorriu mais uma vez olhando para o loiro por cima de um dos ombros, vendo-o parcialmente, mas se assustou quando viu que ele o olhava. Virou-se prontamente, encostando parte das nádegas na borda da janela, mantendo as mãos apoiadas ali, para trás.
– Er... oi... meu amigo. – Sorriu sem jeito, levemente encabulado.
Legolas levantou parcialmente o tronco, depositando o mesmo sobre um dos braços dobrados.
– Sente-se melhor?
– Sim. – Disse o moreno encarando por uns instantes, a paisagem fora dali, mas logo voltando-se ao elfo.
Só agora Aragorn pôde ver que Legolas estava nu, debaixo do lençol, ele não conseguiu disfarçar sua surpresa arregalando os olhos.
– Calma, não aconteceu nada. – Disse o elfo, sentando-se e encarando um ponto diante de si. – Eu só lhe transmiti um pouco de calor, só isso. – Ainda não encarava o outro.
O elfo levantou-se dali, fato que vez o moreno voltar-se de frente para a janela e olhar a paisagem, num ato respeitoso. Legolas sorriu, levantando uma das sobrancelhas.
– Fico feliz que esteja se sentindo bem... – Depois de vestido, aproximou-se do moreno tocando-lhe a cintura e disse cochichando num dos ouvidos. – Pois temos muito que conversar.
– Sim. – Disse o espadachim sentindo o hálito quente do outro em seu pescoço e logo se seguiu um beijinho estalado, ali, em sua nuca, fato que o fez inclinar a cabeça para frente e soltar um sutil gemido.
Legolas apertou o corpo de encontro com o outro, abraçando-o pela cintura, puxando-o para si.
– Sabe... você gosta... sempre gostou de brincar com meus sentimentos...
Disse o elfo distanciando-se um pouco apenas o suficiente para segurar um pouco de cabelo do moreno com uma das mãos, puxando sua cabeça para trás. Ele sussurrou novamente ali, próximo de sua orelha:
– De me arrancar dor... – Deu uma longa lambida ali, seguindo por todo contorno, continuou – Não sei que deleite tem em fazer isso...
Deu uns três passos para trás e sentou-se na cama, cruzando as pernas e apoiando ambas mãos ali, olhava-o atencioso, com os cabelos ainda cuidadosamente desfeitos, desalinhados, caiando-lhe pela fronte e pelas laterais, tanto do rosto quanto pelos ombros.
Aragorn engoliu em seco, deleitava-se com aquela imagem, o elfo não cedera, continuando a investigação para tirar as dúvidas que tanto o incomodava.
– O que foi fazer naquele pulgueiro?
Aragorn se desencostou da janela e batia com as mãos nos bolsos da calça, parecia procurar algo.
– Por acaso, procura uma garrafinha?
– Isso.
– Está ali. – E o elfo apontou para um móvel dali.
– Aquela garrafa é para... quando fizermos, “aquilo”, sabe...
Legolas sorriu demoradamente, deixando a cabeça pender para um dos lados.
– Quando eu “entrar” em você. – Continuou provocador, apertando sutilmente os olhos, deixando-os adquirir um ar mais malicioso.
– Bem... serve como lubrificante, é isso.
– E você viu se funciona? Você testou? – Perguntou o elfo cínico, como se já soubesse da resposta, balançava um dos pés, mantendo as pernas cruzadas.
– Testaram para mim. – Disse com a face virada para um dos lados, suas orbes focalizando a paisagem, sem encarar o outro.
– Entendo. Testaram... foi mais de um então.
Aragorn engoliu em seco e respirou profundamente, parecia prever uma briga, voltou a olhar o outro, mostrando uma sutil insegurança.
– Legolas, foi só uma espécie de treino... eu não tenho culpa se os elfos... se aquele elfo chamaria os amigos...
Legolas levantou-se parando diante do outro, mantendo ambas as mãos na cintura, olhava-o com uma fisionomia possessiva, cheia de raiva e parecia fazer uma força tremenda para segurá-la dentro de si.
– O que queria? – Disse com os olhos arregalados, as palavras saíam com dificuldade por se encontrar rangendo os dentes. – Jogar xadrez? Que eles o chamassem para jogar xadrez?!
– Des...culpe... – Aragorn disse arrependido, expressando dor. – Eu... sabia que não deveria ter ido e...
Legolas voltou-se ficando de costas.
– Que seja! – Disse num solavanco só – Eu não tenho direito de lhe exigir nada! – Batia nervosamente um dos pés no chão, enquanto que suas mãos apertavam sua própria cintura, cravando os dedos ali. – Aliás, sou apenas outro macho, que nem pode casar contigo ou te dar filhos!
O elfo postou-se diante de um móvel, apoiando ambas as mãos ali, com o corpo apoiado sobre os braços esticados. Mantinha a face abaixada, dolorida, tinha a respiração pesada, amargurada, cortante.
– Legolas...
– Case-se logo, tenha filhos... – Olhou para o moreno com uma face abatida. – Eu... – Voltou a olhar para frente. – Continuarei te amando... mesmo assim. – Se desencostou dali, virou-se para Aragorn, cruzou os braços mantendo sobre a boca uma das mãos, tinha uma fisionomia de choro, de puro amargor. – É nosso destino, sabe... aceitar esse fardo. – Pressionou os olhos com a ponta dos dedos, ainda sentindo o coração doer.
O moreno o encarava pasmo, paralisado, não sabia o que dizer.
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