Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
21 Retorno do Rei.
Gandalf finalmente deixou os olhos pesarem e acabou por dormir. Seu lorde ainda o fitava ali, próximo, e quando se deu conta que o outro finalmente estava descansando, afastou calmamente a mão de sua face, respirou profundamente e se levantou dali. Iria tomar um banho demorado, com direito ao melhor perfume de Valfenda, queria deixar sua própria pele macia, sedosa, cheirosa, ou seja, impecável. Lavaria também os cabelos, massageando-os, passando o melhor extrato de sementes que possuía para lhes dar a sedosidade tão almejada.
O lorde parecia se preparar para um encontro excepcional, perfeito, parecia se preparar para algum rei ou duque, para recepcionar alguém muito importante, mas na verdade, queria ficar o mais lindo e perfeito que já conseguira, afinal de contas, só haviam motivos para comemorar.
Gandalf estava ali, ao seu lado, vivo, melhorando a cada segundo, logo deduziu que o mesmo recuperaria seu desejo, suas vontades humanas e másculas, por isso, deveria estar preparado, pronto para dar-lhe o melhor banquete que podia, um banquete especial, que sempre lhe preparava, embora aquele fosse um tanto diferente para melhor.
Aragorn acordara depois de uma sutil soneca, piscou os olhos algumas vezes, só dando-se conta agora que estava devidamente vestido e debaixo de uma frondosa árvore. O jovem sentou-se olhando mais adiante e pôde ver seu amigo, elfo, o qual cuidava dos cavalos dando-lhes algumas cenouras. Enquanto os alimentavam, ele afagava-lhes a crina, parecendo se deliciar com o contato gerado.
– Vocês são lindos... – Retrucou o elfo, olhando mais adiante, para o rio onde ocorrera tudo.
O cavaleiro não deixara de notar a beleza que aquela imagem lhe causava, sim, os elfos eram seres perfeitos, fortemente ligados à natureza, realmente pareciam parte inseparável dela. Finalmente, depois de alguns minutos, Legolas voltou a face para o moreno, sorrindo-lhe gentil, Aragorn correspondeu, sentindo uma sensação de paz no peito.
Neste momento, o elfo andava calmamente de encontro ao outro, trazendo seguro em uma das mãos, as amarras dos cavalos, e, estes o acompanhavam obedientemente.
– Dormiu bem?
Perguntou o loiro abandonando as amarras para postar-se diante do rei, agachando-se ali. Ele já estava pronto para partir, devidamente preparado, com seu típico armamento já em suas costas.
– Sim. – Aragorn dobrou uma das pernas, levando uma das mãos à própria nuca, permitindo que a cabeça pendesse para frente. – Você não? – Levantou o olhar encarando o elfo.
– Não... estou bem.
Disse o elfo levantando-se, olhando numa direção, parecendo observar a paisagem.
– Dormi durante muito tempo?
– Um pouco. – Disse Legolas levantando uma das sobrancelhas.
– Quanto? – Aragorn sentia uma sutil dor de cabeça, imaginou que tivesse sido algumas horas, já que todo seu pescoço doía.
– Umas três horas, aproximadamente. – Comentou o elfo olhando-o por um tempo, para logo voltar a encarar a paisagem. – Parecia exausto. Tem dormido direito?
Aragorn soltou uma risadinha seca, como ele iria dizer que costumava dormir pesadamente sempre depois do sexo e que inclusive, até costumava ser assaltado quando se deitava com prostitutas por causa dessa sua peculiaridade? O jovem respirou profundamente, levantando-se, ao sentir uma das pernas dormentes, encostou-se numa árvore ali.
– Bem, devemos prosseguir.
– Não acho necessário.
– Como não, Legolas?
– Meu pai não se encontra mais em Valfenda.
– E?
– Não temos mais motivos para prosseguir. Deves voltar ao seu reino.
– Mas devemos verificar se Gandalf está bem, não é? – Retrucou o moreno afastando-se da árvore, levando uma das mãos ao joelho da perna dormente, acabando por inclinar-se para frente e fazer uma feição de dor.
– Precisas voltar, meu amigo.
– ...
– Eu prosseguirei até lá, depois de confirmar que Gandalf está bem, eu lhe enviarei um subordinado para avisá-lo. Penso que devo voltar ao meu Reino, meu pai tem razão... se eu demorar muito a ir...
Uma brisa aproximou-se, o calor aumentara, seria uma tarde quente.
– Meu pai irá artazaná-lo. – O elfo voltou seu olhar para o moreno, retrucando baixo: — Está realmente bem?
– Sim, só é um pouco de dormência... devo ter dormido em cima da perna.
– Consegue cavalgar assim?
– Dou meu jeito.
Disse o rei dando uns passos para frente, mancando um pouco, agora, ele tinha ambas as mãos na cintura, olhava para o amigo e parceiro por cima de um dos ombros.
– Está bem então... me avise se estiver tudo correndo bem, mas me faça um favor... peça para Gandalf ir a Gondor o quanto antes – Deu uma sutil pausa – Claro se ele estiver melhor, gostaria muito de falar com ele.
– Certo. Deixe comigo. Tome.
E o loiro entregou-lhe a amarra de um dos cavalos, feito isso, saltou de forma a parar sobre o outro equino, acenou e logo colocou-se a seguir para Valfenda. Aragorn o observava distanciar-se, acenando. Ao ver que o elfo sumira de vista, pensou consigo:
– Gandalf irá me orientar nessa coisa... ele é um mago inteligente, vivido... ele deve saber dessas coisas...
O moreno andou até o rio, agachou-se próximo de sua borda, olhava a água cristalina e levou uma das mãos à própria cabeça afagando de leve os cabelos ondulados e castanhos.
– Que loucura.
Disse levemente abafado por tocar os lábios com a palma da mão.
– Droga.
Levantou-se depositando as mãos na cintura, ainda observava o rio.
– Se Legolas se casar... e eu também... como ficaremos? Será o fim para nós dois?
Ele sentiu um aperto no peito, realmente, o cavaleiro não queria isso.
– Bem, preciso acertar algumas coisas com Faramir. Depois penso nessa baboseira toda de casamento. — Refletido, ele postou-se sobre o cavalo, voltando ao seu reino.
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