Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
22 Lindir e Gimli.
Gimli e Lindir passeavam pela cidade, distraiam-se com as pessoas, as lojas, brincavam ao observar costumes típicos de espécies diversas, fator que os faziam sorrir e debochar dos detalhes de cada um.
– Por que raios, os elfos tem que ter cabelos longos?
– A maioria. –Disse Lindir esbarrando-se propositalmente no baixinho, fato que fez o anão olhar de forma mal encarada para ele, porém o elfo sorria abertamente, aproximando-se de uma loja, pegando um chapéu florido e colocando-o na cabeça.
– Fiquei bonito?
– Agora podemos casar, minha noivinha.
– Uuuuiiii....
E o elfo devolveu o chapéu, voltando a seguir ao lado do anão, andando e conversando animadamente.
– Prefiro meus cabelos soltos, com sutis presilhas, ah... amo presilhas de marfim, já viu? – Disse parando diante do anão, gesticulando com as mãos como se visse uma sobre as palmas de suas mãos. – São tão alvas, como gemas prateadas.
– Tá... tá... chega de frescurite aguda, tô com fome...
– Mas já? Nem andamos tanto!
– Como não? Tô com minhas pernas doloridas...
– Não se preocupe, depois farei uma massagem... hihi...
O elfo sentia-se realmente feliz, acabando por agachar-se detrás de Gimli e abraçá-lo, puxando-o para si, o anão arregalou os olhos dando sutis tapinhas nos braços que o prendiam ao corpo do elfo.
– Aqui não! – Soltou um berro e ao ver que variados anões pareceram olhá-lo, falou mais baixinho. -Aqui não... me solta...
– O que tem de errado?
Gimli beliscou a mão do elfo que o prendia, fazendo que o mesmo desse alguns passos para trás e tocasse e região afetada.
– Gimli! Isso foi muito rude de sua parte.
– Que se dane, não sou palhaço de circo para chamar a atenção.
– Você se importa tanto com os outros, dá um tempo!
Resmungou o elfo ligeiramente irritado, apertando o passo e logo sumindo, Gimli tentou correr para alcançá-lo, mas foi em vão, acabando por se assustar quando Lindir reapareceu detrás de si.
– BÚ!
E acabou por abraçá-lo novamente, o anão se debatia, até que um beijo foi dado em sua bochecha.
– Eu te amo...
Foi sussurrado em um de seus ouvidos, Lindir, não conseguiu evitar, apertou mais o próprio corpo de encontro ao do anão, espremendo seu sexo nas costas do outro.
– Eu te amo... – Comentou com uma voz mais fogosa, lambendo-lhe detrás da orelha.
– Pare com isso!
Debateu-se o anão encabulado, sentindo o corpo retesar, reagir às investidas. O elfo levantou-se apoiando as mãos na cintura, apertava o saco de moedas que levava próximo de si, preso ao cinto de sua túnica élfica, comentou baixo.
– É, precisamos realmente comprar logo uma casa...
Olhava para os lados, vendo algumas a alguns quarteirões mais à frente, com placas de “vende-se”.
– Para lá tem cinco casas.
O anão olhou na direção, apenas pôde ver algumas árvores que pareciam adornar a rua, mas como sua visão era limitada, não conseguiu ver as casas que o elfo mencionara.
– Cinco?
– É... – O elfo olhou-o, soltou uma risadinha seca ao ver que o anão parecia esforçar-se para ver. – Para que possa enxergar, devemos andar mais alguns metros... muito alguns metros, Gimli.
– Quer me matar? Tô morto de fome, assim não aguento!
– Tá bem, tá bem, meu saquinho com estômago de dragão... vamos, ali deve ter algum lugar para comer, sinto um cheiro de cozido.
– Obaaa, tava quase desmaiando!
– Quer que o carregue? O leve nos braços?
– Dá um tempo, porra... ainda estamos na área dos anões, quando chegarmos à região élfica, você me agarra e pode até me estuprar na rua, afinal de contas, os elfos são tudo aboiolado mesmo.
Lindir apenas sorriu afagando os cabelos ruivos do anão, não reclamaria, aceitaria as limitações do outro, deduziu consigo mesmo que era normal que Gimli estranhasse já que era algo novo a ele, por isso relevava muita coisa.
– Certo, certo.
E logo chegaram a uma taberna, eles adentraram ali, Gimli logo se sentou chamando uma moça que servia, por acaso era a mesma elfa para a qual Lindir pedira informação anteriormente, ela o reconheceu, comentando animada:
– Oi elfinho fofo!
Lindir franziu os celhos e soltou um suspiro agoniado ao reconhecê-la, mas como era educado, comentou baixo:
– Oi, como vai?
Gimli apenas olhou para ele, depois para a elfa, vendo-a com um decote na altura dos seios, deixando-os consideravelmente à mostra, além disso, ela vestia uma minissaia aderida ao corpo. Depois de olhá-la de cima abaixo, o anão voltou a encarar Lindir, que o olhava calmamente, acabando por sorrir-lhe meigo. O anão se inclinou para Lindir, comentando baixo, mesmo que a tal fêmea encontrasse ainda próxima deles:
– Primeira vez que vejo uma elfa piranha, será que ela cobra quanto?
Lindir tocou a própria boca, escondendo-a, arregalou os olhos e só agora pôde perceber que Gimli estava com ciúmes, foi aí que Lindir levantou-se postando-se ao lado dela, segurando-lhe gentil por um dos braços. Gimli arregalou os olhos mantendo uma cara pasma, de horror. Lindir cochichou algo ao pé do ouvido dela, arrancando-lhe uma risadinha baixa. Uma humana que servia ali se aproximou da mesa, perguntando ao anão se já tivesse sido servido, Gimli demorou a ouvir-lhe a potente voz, por se encontrar anestesiado com a imagem que agora se formara diante de si. Lindir realmente parecia interessado naquela fêmea, fato que fez o anão engolir em seco, a mulher humana insistiu com uma voz mais alta e o baixinho pediu apenas cinco canecas de cerveja, e uma bandeja com coxas de galinha fritas.
Gimli acabou por depositar seus olhos levemente marejados na madeira rústica da mesa, fazendo uma fisionomia dolorida, só levantou os olhos quando percebeu que Lindir se reaproximava.
– Peguei todas as informações que precisava.
Disse o elfo mostrando um pedaço de papel e o balançando no ar. Gimli voou no papel o pegando afobado, lendo-o. Sim, reconhecera a letra do elfo, ela continuava linda, pensava antes mesmo de lê-lo e imaginava que ali estivesse o endereço da elfa, onde encontrá-la, mas ali só parecia ter o endereço de três casas. Lindir comentou calmo, baixo, vendo a bandeja com as coxas de frango frito serem depositadas na mesa junto com cinco canecos de cerveja.
– Ela disse que essas são as melhores localizadas na cidade e em melhor estado.
Gimli rasgou o papel em pedacinhos, Lindir segurou-lhe as mãos, mas o anão já havia feito grande estrago, o elfo falou alto, surpreso.
– Por que fez isso?!
– Escolheremos outras... essas eram horríveis.
No fundo, o anão sentia raiva e insegurança, se aquela elfa soubesse de onde Lindir estaria, ela poderia aparecer lá e dar em cima do menestrel, medo que fez o anão agir irracionalmente e tomar duas canecas seguidamente sem ao menos respirar. Tomada a segunda caneca, ele a bateu forte na mesa.
– Pi... Hic...hic! – Soluçou devido a ter engolido a bebida rapidamente. – Piranha élfica. – E logo entornou outro caneco.
Lindir apenas o observava com a face apoiada numa das mãos, mantendo um sorriso ameno na face, sim, pôde ver que se tratava do mais sincero e puro ciúme.
– Gimli.
– Si... Hic! Hic! Sim?
– Deveria beber mais devagar, assim pode se engasgar.
Dito isso, o elfo levantou a mão, a elfa logo veio de encontro para servi-los, fato que fez com que o anão olhasse para ela com os olhos arregalados, com a face mais assassina que poderia ter, por isso a jovem elfa pedira que uma humana se aproximasse e lhes servisse.
– Gostaria de um copo de água e... deixe-me ver... essa torta de legumes cozidos. Obrigado.
Afirmou o elfo voltando a olhar Gimli gentilmente, tocando-lhe uma das mãos, sorrindo-lhe.
– Bobo... você é o único em quem tenho interesse... E coma mais devagar senão pode te dar indigestão depois.
– Sim mamãe... por que não comprou aquele chapéu ridículo? Assim ela nem daria mole para você! – E o anão tomou um longo gole de cerveja.
– Aí que se engana... seria capaz de fazer mais sucesso não só com a elfa, mas com os elfos também.
Disse o menestrel olhando adiante, vendo que haviam três elfos loiros que pareciam encará-lo, Gimli engoliu em seco, retrucando baixo, cabisbaixo.
– Tomara que a comida chegue logo... quero ir embora.
Lindir posicionou uma das mãos na nuca do anão, afagando-a gentilmente, sem mais se conter depositou um dos braços nos ombros do anão, puxando-o para si, comentando baixo:
– Você é o único que mexe comigo, Gimli... aquele seu cavalinho... o levo sempre comigo como se fosse um tesouro... ele é tão importante para mim, nem imagina quantas noite eu dormi olhando para ele e sabe o porquê? Ele me fazia sonhar com você.
E deu-lhe um beijo doce numa das bochechas, o anão encabulou-se encarando a mesa diante de si, mas logo decidiu não mais resistir e deixou-se deitar a grande cabeça ali, num dos ombros do elfo.
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