Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
16 O acerto de contas.
Os dias se passavam lentamente em Valfenda, cidade reconhecida também como Vale de Imladris. O senhor dos elfos se chamava Elrond, dizia em um livro de mais de seis anos. Fruto do reconhecimento de variados povos em relação à presença onipresente do lord em muitos lugares da terra-média.
No entanto, a tão conhecida sabedoria de Lord Elrond estava aos fiascos recentemente. Guiado pelo seu coração nobre e gentil, permitia que outros povos lhe exigissem fatos e tarefas que eram um tanto árduas àquele mestre.Seus sentimentos mais sinceros recorriam em aceitar somente o que sentia por aquele mago, a seu ver, decrépito, conclusão que chegara depois de refletir duras horas em uma varanda confortável de Valfenda.Eles doíam-lhe no peito, tudo que provinha daquele outro homem, lhe doía e percorria pela pele como se fosse uma lâmina afiada a cortar-lhe.Ainda lembrava-se de quanto era feliz sem conhecê-lo, de como as coisas pareciam em seus devidos lugares: A relação com Thranduil, Galandriel... até mesmo Thorin, aliança conseguida a duras penas depois de visitá-lo diplomaticamente algumas vezes a posteriori.Esses eram os sacrifícios, daquele, como era tido: Sábio da Terra-média... e eis que surge nada menos que Gandalf, para balançar-lhe as pegadas e fazê-lo perder seu trajeto.Fator não percebido pelos que o rodeiavam, pelo simples fato, do senhor de Valfenda, não permitir que outros olhassem detrás de sua máscara perfeita, de harmonia, paz e hospitalidade, mas esta, era fingida, porque no fundo, nínguem melhor que ele mesmo, para saber como era ter uma fogueira em larva incandescente no peito, grilhões de pedra a prender-lhe os tornozelos e os pulsos, mas ele os aceitava e não reclamava. Gandalf, era o culpado, apenas Gandalf, pensava o elfo.Seguindo por um extenso corredor, parou os passos ao se postar diante de uma porta aberta. Olhou para dentro dela, pôde observar Frodo deitado, dormindo, parcialmente coberto por um lençol de seda. Uma elfa tocava-lhe a testa e logo ela se colocava a molhar um pano numa tijela e expremer-lhe para logo recolocar sobre a testa do hobbit. A elfa, ao ver seu senhor, sorriu-lhe, Elrond contentou-se a apenas dar-lhe um consentimento com um balançar da cabeça.Ele prosseguiu pelo corredor e bem mais ao fundo, há uns cinco quartos adiantes, ele entrou ali, em silêncio, até o barulho de seus passos eram silenciosos, fechou a porta e puxou cuidadosamente uma cadeira, postando-se ao lado de uma enorme cama, onde o mago ali descansava.Sentou-se, ajeitando-se ali, cruzou as pernas e entrelaçou os dedos sobre o joelho que se encontrava mais acima, ficou a encarar o descanso de seu melhor amigo."Meu amigo, como disse, sempre foi assim e sempre será. Nossas existências são tão breves... porque raios elfos se prenderiam àqueles que duram um “piscar de olhos”?" — A frase mencionada por Gandalf instantes antes, dançavam nos pensamentos do meio-elfo. Elrond permitiu-se soltar um longo suspiro, este, dolorido como uma agulhada no peito. – "Prender-nos" — Pensou o sábio. — "Sim, Gandalf, você conseguiu isso... um reles humano." Calmamente, ele voltou-se parcialmente o tronco para um móvel próximo, pegou um livro e começou a lê-lo em silêncio. Falava sobre fábulas humanas, contos que se costumavam contar a crianças humanas, realmente, recentemente, Elrond se colocara a ler esse tipo de literatura, andava mais obsecado por esta realidade a tão ponto de renegar as obras élficas mais ancestrais que tinha e que tanto adorava antes. Concentrado, levou um leve susto quando um subordinado bateu-lhe três vezes na porta, bem baixo para finalmente abrí-la.– Meu senhor?– Sim?– Tens visita.– Agradeço, já vou.E ele leu o último parágrafo da fábula, marcando a página com uma folha seca, fechou o livro recolocando-o sobre sua cintura e fitou novamente aquela face, ali, próxima a si.– Quem deve ser, Gandalf?Comentou baixo, desanimadamente, para finalmente levantar-se. O mago abriu apenas um dos olhos, ao ver que o Senhor havia saído, ele ergueu o tronco parcialmente olhando na direção da porta.– Nem faço idéia. — Retrucou baixo, o mago.Dotado de uma curiosidade excessiva, mas de uma cautela também no mesmo nível, resolveu aguardar um tempo, ainda deitado, caso o Senhor de Valfenda retornasse logo.Elrond se dirigiu a uma sala, soltou um dolorido suspiro ao ver que se tratava de Thranduil.– Fico feliz que tenha se animado em me ver, Senhor de... Valfenda.Elrond se surpreendeu com seu próprio descuido ao permitir que aquele outro Senhor, percebesse sua fadiga e desânimo.– Tenho tido dias difíceis, numerosos e... — Dizia Elrond aproximando-se de uma bandeja, derramando um pouco de licor e tomando um gole — Pesarosos, aceita?– Não, obrigado.Thranduil andou calmamente em direção àquele outro lord, comentou baixo, encostando-se parcialmente no móvel de madeira maciça onde estava a bandeja. Ao fazer isso, este cruzou os braços mantendo um sorriso ameno na direção do outro.
– Não consegues imaginar a surpresa que tive ao saber que estavas com gandalf e Frodo aqui, vivos.Elrond depositou a tulipa de cristal na bandeja, levantando uma das sobrancelhas.– Apelou para o meu amado filho, my lord?– ...Depois de um tempo, o Senhor respondeu, ainda sem encarar o elfo.– Não me deixou alternativas, meu rei.– Não? Como não? Achei que tínhamos um acordo... — A voz de Thranduil era amena e melodiosa, expressava uma calma que parecia se dissipar no ar.– Eu sei... mas aceitei-o por desespero. Finalmente Elrond encarou-o, este não recuou e suas pupilas azuis enfrentavam as do meio-elfo.– Achas por acaso que também não estou desesperado? És meu único amigo, claro... — Thranduil balançou a cabeça algumas vezes, como se aquilo que iria dizer fosse óbvio — Depois de meu filho.Voltou a olhar o outro, Elrond posicionou-se diante do elfo loiro retrucando baixo, já expressamente sem paciência, sim, sem paciência, fator considerado impossível, agora se concretizara.– O que quer, Thranduil? Me punir?– Já estou fazendo isso... desde aquele mago monstruoso, a meu ver, nasceu sob a face da terra-média e que tal nascimento foi tomado do conhecimento de vós, minha presença tem funcionado como um laxante para vossa felicidade, meu senhor.O elfo loiro deixou um sorriso sádico escapar-lhe pela boca.– Eu sabia que o mago lhe odiaria mais e mais... se eu aceitasse a orgia que pediram para que fizesse. Não és o único que pensa, meu senhor...– Por isso... aceitou se "deitar" com um humano... para... envenenar a minha relação com...Thranduil se desencostou dali, dando um empurrão em Elrond que o fez recuar alguns passos para trás. O elfo loiro tinha uma agilidade muito superior ao Senhor de Vanfenda, e ele iria, melhor que ninguém, aproveitar-se disso.– Você disse... relação? — Thranduil mantinha uma face sádica, que misturava deleite com deboche. — Relação?– Sim...– Hahaha, só me faltava essa.– Thranduil, achei que pudéssemos ter uma conversa apropriada e educada.– Sim, teremos.O elfo loiro estava parado diante de Elrond, seus olhos o encaravam sem ao menos piscar.– Sim,... — sua voz novamente se tornara macia como um veludo — Teremos.Postou a mão direita no peito do outro, o empurrando na direção de uma cama.– Acha que pedi para que me recebesse aqui porquê? Elrond caíra sobre a cama e o pai de Legolas subiu ali, depois de retirar as botas e jogá-las num canto qualquer, ações que tomaram apenas milésimos de segundos. Thranduil andava sobre a macia cama, vestindo uma calça feita a partir de algodão com elastano, que aderia-se perfeitamente ao seu bem torneado corpo, ela tinha uma tonalidade acinzentada, corria-lhe da cintura até o calcanhar, apertando-se sutilmente ali. Thranduil andou a passos silenciosos e lentos, sim, ele queria que o outro o visse, até ficar com os quadris na altura da cintura do outro, olhava-o "de cima", tocando-lhe o meio do peito com a sola de um dos pés, ele não estava com sua coroa, seus fios dourados espalhavam-se pelos ombros, escorrendo como sutis cachoeiras douradas. O elfo colocou ambas mãos sobre a própria cintura, olhava para Elrond como se ele fosse apenas um ser asqueroso, um verme. Thranduil conseguia manter um ar superior melhor que ninguém.– Vai me humilhar...– Melhor que isso. — Retrucou o elfo, lambendo demoradamente os lábios. — Irei puni-lo duplamente, por ter usado...E o elfo loiro permitiu-se cair ali, sobre o vestre do outro, segurava-lhe pelo colarinho puxando Elrond para si, este o encarana com uma expressão fria, singela, áspera.– Meu amado filho, nesse seu plano ridículo.– ... realmente...Elrond tocou-lhe a face, a face que fora atacada pelas cobras, serpentes venenosas numa guerra. O elfo loiro deixou a face pender e apoiar-se sobre a palma, revirando bem de leve os olhos, como se estivesse tendo um prazer imenso naquilo.– Deixei-o muito tempo sem o devido agrado diplomático.– Achas que cederei tão depressa?Elrond deixou um sorriso ameno brotar-lhe, Thranduil correspondeu e finalmente dobrou os braços permitindo que ambas bocas se tocassem, no entando, o elfo apenas acomodou os lábios mornos e úmidos bem supercialmente e quando Elrond foi envadir-lhe, o elfo recuou voltando a encará-lo.– ... Os olhos do Rei das Florestas Negras expressavam uma profunda carência e pior que isso, mostrava que ele, melhor que ninguém, queria negar o que sentia pelo outro e odiava ter esse sentimento que teimava em permanecer. O pai de Legolas ainda lembrava-se das épocas que ele e aquele outro compartilhavam juntos, viajavam juntos, dividiam conhecimentos e tradições, sorriam e cansavam de encarar tanto nasceres e poeres do Sol. Elrond entendera que a agressividade do outro, só demonstrava sua completa solidão e ele mesmo sabia bem como era essa sensação, de completo abandono.– Thranduil... espero um dia que me desculpe.Um tapa foi dado na face de Elrond, mas logo seu queixo foi pego com certa força e o beijo voltou a acontecer. Gandalf encontrava-se ao lado da porta e podia assistir tudo por uma brecha, pela porta estar semi- aberta, o mago mantinha uma das mãos sobre os lábios e seus olhos encontravam-se arregalados.
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