Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
13 Gimli.
Depois dos feitos na aventura sobre a destruíção do anel foram realizados, praticamente todos voltaram para suas terras e puderam obter grande enobrecimento de seu nome e até proezas, além de facilidades e consequentemente, fama.
Com o anão, Gimli, não fora diferente. Imagem esta que fora um tanto manchada por seus antepassados ao se colocarem diante dos elfos como seres que nem sequer tinham um pouco de educação ou consentimento para com a cultura élfica, mostrando-se totalmente impermeáveis à influência que os rodeiavam.Menosprezos, agitações e discursos preconceituosos acompanhavam esta dura relação. Por isso, os dois grupos nem se esforçavam para que alguma coisa nascesse de sua interação, e consequentemente, cada um ficava "na sua", afim de evitar confrontos desnecessários.Na verdade, fator que ajudou fortemente, foi que os elfos eram mal vistos de forma geral, eram tidos como seres distantes, inacessíveis, completamente andróginos ou traiçoeiros. Segundo os anões, consistiam num grupo antipático e entediante. Para os humanos, como uma raça distante e prepotente. Para os hobbits, como seres fingidos e egocêntricos. Estes eram os principais motivos pelos quais, os elfos decidiram viver fechados sobre seus próprios grupos, e geralmente não se envolviam com outros grupos diferentes dos seus. Havia até mesmo um certo distanciamento entre as diferentes "raças" élficas, que variavam com o seu modo de vida e suas origens ancestrais, o que diminuíam ainda mais os grupos mencionados, acabando for formarem famílias pequenas com apenas alguns seguidores adotados.Os dias de paz traziam a esperança de novos destinos, e, através da convivência iniciada durante da guerra do Anel, alguns paradigmas tão enrraizados, começaram a ser vistos mais criticamente, e as relações diplomáticas entre os diversificados grupos, começaram a sofrer influência dos sobreviventes desta guerra. A união tão prezada por alguns, estava começando a se tornar possível, como por exemplo, Gimli estava indo para o Reinado de Aragorn visitá-lo, mesmo que ao chegar lá, já fora avisado que estava na companhia de seu fiel amigo, Legolas. O anão seguia a passos lentos, mas realmente sentia falta de seus dois amigos, fazia meses que não os via e realmente queria ir lá e abraçá-los pessoalmente.– Sou um anão macho. Abraçarei apenas Lord Aragorn, porque é um rei.Comentou sentindo dificuldade para subir uma discreta rocha.– Puta merda, havia me esquecido que o percurso era uma bosta!Comentou tomando um gole de água de seu cantil.– Minhas pernas ardem como se fossem varas pegando fogo... o calor do couro ta fodendo minhas veias.E seguiu resmungando, levando em suas costas, uma mochila com algumas lembranças da terra dos anões, alguns mantimentos para a viagem e seu inseparável machado, claro, afinal de contas, ele não saberia nunca o que poderia encontrar no caminho. Seguia cambaleando, sentindo os pés arderem em chamas, fato que o fez sentar-se.– Merda, merda... assim chegarei nunca.Reclamou mordendo um pedaço de pão com carne, uma guloseima preparada pela anã com a qual estava vivendo, ela queria até ir com ele, mas Gimli recusou prontamente.– Ora... aquela mulher, vai zuar com meu amigo orelhudo... já basta que eu o faça! Hahaha!E ria sozinho, brincando ansiosamente por chegar logo e ir vê-los.– Mas que droga...Olhou para o céu e viu que se tratava de uma chuva chegando. O ar tornara-se mais volumoso e agitado carregando folhas de florestas próximas e com elas, um pouco de terra ou areia. O anão esfregava uma toalha velha na face e nos olhos, sentindo-os arderem com o incoveniente vento.– Hum...Ele levantou-se devagar sentindo as costas doerem, voltou a ajeitar a mochila ali e começou a andar, agora, com o apoio de um galho cortado que usava como uma bengala para auxiliar na subida.– Mas que porra... aquela merda é Valfenda?Olhou adiante, lamentando não ter um bom senso de direção, suspirou profundamente apoiando ambas mãos na bengala improvisada.– E agora? Merda... raiva de não tem um orelhudo por perto...Lamentou pois realmente era Legolas que costumava guiá-los durante todo o trajeto.– Aquele elfo deve ter uma bússola no meio do rabo... merda...Ele colocou a bengala encostada numa rocha pequena enquanto parecia procurar um mapa na sua mochila.– Esqueci. Bem, caralho... não me resta alternativa.Comentou chupando um dos dentes, andava calmamente, na verdade, lerdamente, enquanto que usava um dos dedos para remover um pedaço de carne que ficara entre os dentes. Não demorou muito a se esgueirar pela rocha que rodeava Valfenda, chegou à entrada, tinha a respiração ofegante, sentou-se ali mesmo.– Onde está aquele tal Elrond... ?Ele olhou mais acima e pareceu observar aquela vegetação tão vasta, as árvores pareciam adornar a toda cidade, as flores formavam buquês que desciam pelas rochas e colunas.– Não são só as elfas que são lindas, Arwen que o diga.
Logo veio um cavaleiro recepcioná-lo, vestia um elmo e armadura.– Bom dia.– Bom dia, eu venho à procura de...Legolas o viu mais ao fundo e veio correndo em sua direção, o anão arregalou os olhos e quase agradeceu aos céus de haver um conhecido ali.– Não acredito!Disse o loiro parando diante do anão, o elfo estava prontamente vestido com sua roupa esverdeada, arco e flechas.– Pareceu adivinhar o que eu iria fazer.– Hum, deixa ver, caçar pássaros? Não... talvez, peixinhos... não não... talvez cortar árvores para fazer uma lareira enorme, porque, você sabe...O anão levantou o dedo indicador ao alto, parecia calcular algo.– A umidade do ar, consequência do bafo das árvores próximas, ou do sutil peido delas, está me dizendo que a chuva chegará em breve. Salvemos as árvores! Aonde estão os cobertores de palha entrelaçados?Legolas o olhava com um aspecto zangado, ouviu-o atentamente, mesmo que contrariado, e agora, tinha os braços cruzados.– Não muda mesmo... nunca mudará.– O que faz aqui, meu caro elfo? — Seu tom de voz era um tanto irônico e debochado.– Ia voltar ao reino de Aragorn.– Veio de lá? Não está mais estudando as aves e o cocô delas na floresta onde seu "amável" pai, reina?– Não não... nobre anão. Tenho algumas coisas menos importantes para resolver.Gimli era descendente direto de um dos anões que fora preso por Thranduil, fato narrado a altas doses de desgosto pelos antepassados.– Pois bem. Vamos?– Tenho fome, meu caro, onde está Elrond?– Senhor Elrond, Gimli.– Esse mesmo.– Ele não se encontra... O elfo se aproximou do anão falando mais baixo.– Eu não sei se poderia convidá-lo a entrar, afinal, este reino não me pertence.– É... essa é uma merda... ei você!O anão apontou para um elfo que pareceu tomar um susto com o fato.– Poderia, por obséquio...Olhou para Legolas, comentando baixo:– Falei certo?Legolas abafou uma risada.– Sim.– Pois bem, ei elfo!O elfo continuou encarando-o.– Poderia me arranjar um pouco de água?Legolas coçava a própria nuca, encabulado.– Só vocês mesmo para fazer esse tipo de coisa.– "Vocês"? Que isso, meu amigo... não desmereça minha herança... afinal, não está com as enormes bolhas nos pés que eu tô!O elfo trouxe-lhe a água, Gimli a pegou prontamente enchendo seu cantil.– Teria um pãozinho também, uma fruta, um peixinho?Legolas balançou a cabeça negativamente, não parecia acreditar.– Sim, um instante.– Até que enfim... elfos educados, que não nos prendem em masmorras...– Eu não ouvi isso, se dizer uma coisa assim novamente, te abandono aqui, aliás... não era aqui que queria chegar, não é?Disse o loiro ironicamente como se já soubesse a resposta.– Hum, não falarei mais, em boca fechada, não entra mosca.– Que nojo... – Enquanto ele vai buscar, aonde aquele elfo rei foi?– Diz ele que foi ver como Gandalf estava.– É eu soube... Gandalf e Frodo... – Sim.– Bem... fico imaginando como eles conseguiram tal feito...– ...– Você não?– Não.O anão virou-se para Legolas, ao perceber que este parecia esconder-lhe informações.– Como não? Você sempre sabe dessas coisas, dessas mutretagens...– Eles estão vivos, ao menos é isso o que importa.– Hum... aquela Arwen... Aragorn já se casou com ela? Estou levando presentes.– Ela morreu, eu acho... ele já considera isso fato.– Tem certeza?O elfo encarou o anão como se quisesse dilacerá-lo com o olhar, retrucou rudemente.– Sim, com certeza.– Está com ciúmes do amiguinho?Legolas se pôs a seguir para longe dali.– Ei! Elfo loiro, tava brincando! Ei!!! Espera, ele vai me trazer um peixinho!O elfo de Valfenda trouxe-lhe uma cesta com todos os itens que conseguiu arranjar: Frutas, bolinhos naturais, um pouco de doce.– Obrigado.O elfo sorriu-lhe, comentando baixo.– Sinto que meu Senhor Elrond não se encontre. Tenho certeza que ele faria o mesmo.– Gentil você.O anão levantou sua grossa sobrancelha, segurou a cesta e ainda encarava aquele outro ser.– És substituto de Elrond, quando ele não está?– Sim.– Ele está muito bem representado então.– Obrigado, és muito gentil e educado.– Tu és também.Mal Gimli saberia que aquele mesmo elfo se surpreendera anos atrás com a tamanha falta de educação de anões que os visitaram antes, no banquete, que atiraram alimentos por todos os lados, inclusive, quase o acertaram e que por medo, ele estava sendo gentil naquele momento.– Bem... conhece o Reino do senhor Aragorn?Uma flecha passou por entre os dois, Legolas já estava no topo da estrada e chamava o anão, era o seu último sinal.– Bem, tenho que ir. Um dia o levarei comigo... é lindo o reino lá.– Eu...eu não gosto de sair de Valfenda.– Ora, amigo... existe vida lá fora!– Eu sei mas... não me sinto... confortável...– Quando for, tenho a certeza que não irá querer voltar, confie em mim.– Si..sim... não é melhor seguir com seu amigo?– Tome.E o anão vasculhou a mochila e lhe entregou um pequeno enfeite forjado por ele mesmo, uma imitação de cavalo.– Adoro cavalos, embora não consiga cavalgar em um. Gostaria que ficasse com ele, afinal, gentileza, gera gentileza.O elfo pegou o pequeno enfeite o examinando, era impressionante os detalhes.– Meu nome é Gimli, amigo de Legolas e Aragorn. Um dia, vamos passear por aí. Essa rivalidade deve acabar.Outra flecha correu entre eles.– Bem, meu amigo está ansioso.– Sim... hihi...– Um bom dia para vocês.– O... Obrigado.E o anão seguiu na direção de Legolas.– Francamente, esse orelhudo loiro... não é fácil não. Se tiver frutinha aqui, nem vou dá-lo, vai morrer de fome... por ser apressado...E logo os dois estavam juntos cercando a montanha para finalmente seguirem o caminho certo. Gimli mal sabia que aquele jovem elfo, encarava-o atentamente e até subira num quarto mais elevado, para poder vê-los irem embora seguindo pelo vale mais adiante.– Gimli.O jovem elfo comentou baixo, olhando-os atentamente, até que sumiram de vista. Seu nome era Lindir.
Fale com o autor