Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
12 Gandalf e Frodo.
O tempo passava bem devagar dentro da caverna. O elfo escolhido para administrar o ritual observava atentamente a dinâmica que ocorria ali. Frodo fora o primeiro a acordar, o hobbit, sentou-se e olhava para os lados sentindo sua cabeça dolorida, sua visão também encontrava-se comprometida, embaçada, mas logo virou-se para o lado e pôde observar o mago, que parecia ainda adormecido. O pequenino levantou-se devagar sentindo as pernas dormentes, o elfo veio de encontro, comentando baixo.
– Acho melhor conversamos lá fora.– Cer..certo.O hobbit o acompanhou e sentou-se num pedaço de rocha ali perto, a noite imperava no horizonte e o pequenino sentia frio, fato que fez com que o outro lhe entregasse uma espécie de manta para aquecer-se.– Sinto-me estranho. — Comentou Frodo. — Passou quanto tempo?– Seis dias.– Legolas voltou aqui?– Não. Ele não pôde fazer isso... parece que... não querem levantar suspeitas, mas não se preocupe. Cuidarei de vocês.– Te deixaram sozinho cuidando de nós dois?– Sim, mas sou um elfo forte.Comentou o jovem elfo sorrindo, Frodo também sorriu.– Entendo. — Comentou o hobbit. — Gandalf deve acordar logo.– Ele apresentou uma aura diferente da sua dias atrás.– Como assim?– A aura dele é prateada, já a sua, tem tom alaranjado.– Deve variar com a raça... eu acho. — Frodo encolheu-se, achava melhor pensar isso do que algo pior. Cor prateada lhe lembrava os espíritos que o cercaram quando estava com a posse do anel. — "Gandalf não pode morrer..." — Pensou o pequeno.– Vou buscar mais água, se ele acordar, tente cuidar dele.– Sim. Obrigado.E o elfo se desceu dali a passos rápidos.– Para não levantar suspeitas... o que está acontecendo? O Hobbit se levantou bisbilhotando dentro da caverna, curioso.– Acordo logo, Gandalf. O clima na terra média está realmente estranho, só você consegue entender essa confusão toda...E o pequeno ajoelhou-se ao lado do seu mais fiel amigo, logo após Sam, claro. Frodo lembrou-se do outro hobbit que tanto o ajudara, da despedida de ambos, dele chorando abertamente.– Sam...O hobbit deixou um sorriso ameno brotar-lhe na face, voltando a olhar o mago.– Parece que... todos nós estamos carentes, meu amigo. Prevejo... mudanças...O hobbit levantou-se olhando para o mago por cima de um dos ombros.– Levantar suspeitas... o que ele quis dizer?Frodo saiu dali e viu o elfo voltar com um cantil.– Tome.– Ei, me esclareça... que suspeita é essa? Ameaça de uma nova guerra?Eles sentaram-se ao redor de uma lareira que o elfo acendia devido ao tempo esfriar, o elfo deu de ombros e uma voz, interrompeu o diálogo.– Não, meu amigo.– Gandalf!O pequeno correu na direção do mago, sem se importar com o fato de deixar cair ao chão a manta. O mago segurava-lhe os ombros, olhando para baixo.– Pequeno, mas forte, Frodo. Acordaste antes de mim, meu amigo?– Si..sim!– Haha... sabia que são mais fortes do que pensava... cof cof!Gandalf teve que se sentar num tronco ali perto, o ar era difícil de sugar, como se seus pulmões estivessem adormecidos e gelados, ele tossia compulsivamente, mas logo parou tomando um longo gole de ar.– Eu também senti isso, já irá passar. Toda as costas formigam, não?O Elfo levantou-se parando ao lado dos dois.– Ficaram mortos por aproximadamente três dias, normal a respiração ser difícil. Eu observei cada gesto, cada sinal... e foi exatamente três dias sem respirarem.– Ainda bem que Elrond não estava aqui, ele teria tido um filho.O elfo levantou uma das sobrancelhas sem entender, Gandalf apenas balançou uma das mãos no ar, como se dizesse, "Não se preocupe em entender o que eu disse". Elfos, pensou o mago, nunca entendem o que dizemos nas entrelinhas.– Então, meus amigos... podemos ir? — Perguntou o mago.– Acho melhor esperarmos amanhecer. Senti cheiro de orcs próximo do riacho que peguei a água. Disse o elfo oferecendo um copo com a bebida ao mago que engoliu um pouco, mas logo o líquido escorreu-lhe pelos cantos da boca, por esta estar dormente ainda. Gandalf a secou prontamente.– Eles devem nos alcançar se passarmos pelo riacho, eram uns quinze... não sei se conseguirei dar conta de todos eles, sozinho. Eles estão ainda a uma distância considerável... não devem chegar até amanhã.– Entendo, meu jovem elfo. Descansaremos por hoje então...Gandalf levantou uma das mãos, alguma luz branca parecia brotar-lhe na palma.– Realmente, preciso descansar mais um pouco, minha magia ainda está... fraca para ser invocada.– Gandalf, eu ficaria alguns dias sem usar magia, se fosse você. — Comentou Frodo.O mago afagou a cabeça do hobbit que estava sentado ao lado de si e o olhava, dizendo com uma voz gentil:– Mas temos orcs a encarar, meu amigo... e pelo que vejo, não virão nos buscar.– Posso fazer o seguinte... ir à Valfenda e buscar reforços.– Não, meu caro, demoraria dias e tempo é o que menos temos agora.
– ...mas eu correria, acho que chegaria em algumas horas.– Acredite, amável jovem... nunca conseguiria fazer o percurso apenas com horas, mas em dias. E eu tenho percebido que o número de orcs têm aumentado novamente...O mago levou uma das mãos ao próprio queixo, parecia pensativo.– Será que forças das trevas estão novamente planejando...– Como assim? — Perguntou o hobbit.– Nada, meu amigo, confirmarei antes de preocupá-lo. Bem...O mago levantou-se cambaleando, fato que o elfo ali presente teve que socorrê-lo. Gandalf empurrou-o bem de leve.– Estou bem, deixe esse velho andar, meu jovem.E o mago deu uns passos com as mãos detrás do corpo, ele desceu um pouco a serra depositando seus frágeis pés na relva. Levantou os olhos e pôde observar a lua, com as estrelas, o céu estava limpo, não iria chover. Lembrou-se de seu amado, soltando um longo suspiro. Depois de um tempo, virou-se olhando para os outros dois.– Hora de dormir, crianças... vamos, vamos. Amanhã será um longo dia.E todos entraram na caverna para descansar, agora, como seres vivos realmente. Os dois deitaram-se com exceção do elfo que permaneceu de pé, próximo da entrada da caverna, se acaso algum problema aparecesse, ele logo despertaria e seria o primeiro a sofrer o ataque, protegendo os dois renascidos.– Elrond escolheu você a dedo, não?O elfo virou-se olhando-o levemente surpreso.– Por que diz isso? Temos muitos guerreiros notáveis... não sou o único.– Sim, claro... não quis dizer exatamente isso.O mago quase resmungou algo, mas conteve-se. Depois de uma pausa, continuou:– Foi um elogio, meu caro.– Hum... obrigado.Frodo sorriu para Gandalf, este levantou as sobrancelhas e balançou a cabeça brincalhão, no melhor estilo, eles nunca entendem nada mesmo, o hobbit entendeu e sorriu, comentou baixo:– Penso se Sam está bem... deve estar realmente preocupado.– Sim...O mago estava deitado agora e o pequeno encontrava-se ao seu lado, observava-o vendo que também parecia lembrar-se de algo.– Pensando em alguém específico, Gandalf?O mago olhou na direção do elfo, suspirou, finalmente comentou calmamente:– Ninguém em particular.Frodo olhou para o elfo, voltou-se para Gandalf e sorriu-lhe:– Entendi o que quis dizer.– Sim, meu amigo, disso, tenho a certeza.– A saudade deve ser tamanha...– Os dias não foram exatamente bem aproveitados, meu pequeno amigo.– Nem eu os aproveitei...O hobbit deitara-se de frente para o teto, assim como o mago, olhava aquelas estalactites de rocha e pôde ver que aquela caverna deveria já ter sido fonte de águas ou ficado submersa em algum momento.– Era torturante... ver o Sam e...– Não poder interagir com ele.– Exato. Sentiu-se assim também, Gandalf?– São os novos tempos, meu amigo... os novos tempos.– Agora poderemos... interagir. Ansioso?– Sim... — disse o mago com ar ainda distante. — Mas acho que ele se virou muito bem sem mim.– Co..como assim?– Sam abriu mão de outras coisas ou pessoas por sua causa, Frodo. Nem todos fazem isso.A imagem de Thranduil veio-lhe à mente, o mago agitou-se e deitou-se de lado, de costas para o pequeno.– Gandalf.– Sim?– Não fique assim, tenho a certeza que cada um mostra o que sente de uma forma diferente, mas no fundo... todos sentem igualmente. E...O elfo saiu dali observando a paisagem, tentava verificar que não havia ameaça externa. Ao Frodo perceber a saída dele, comentou mais relaxado:– Tenho a certeza que o Senhor Elrond sente tanto por você, quanto o Sam sente por mim.Gandalf ainda permanecia de costas, tinha uma expressão abatida, apática.– Tem mesmo, meu amigo?– Desde quando errei, Gandalf?– Penso se deveria ter permanecido morto... ou ao menos resgatado apenas meu pequeno amigo.– Gandalf, não fale esse tipo de coisa!O hobbit se sentou acanhado, tocando um dos ombros do velho, apertou ali, o balançando devagar.– O que o senhor Elrond o fez?– Escute, Frodo, nem tudo é um mar de rosas como é com os hobbits, nem todos têm pensamentos puros e humildes... são sinceros e dão valor às coisas pequenas da vida.– Gandalf... falando assim, só está confirmando a velha crença que eu tinha em relação a elfos...O mago sentou-se olhando-o curioso.– Qual?– Que no fundo se consideram melhores que os outros, que sempre procuram se destacar do restante do mundo, que não se importam com nada a não ser beber licor e comer frutas. Se consideram tão acima que simplesmente respondem com "sim" ou "não" quando lhe pedem conselhos... Bilbo me disse.– Desculpe, pequeno... não queria que pensasse essas coisas... — Comentou o mago com uma voz opaca, tocando-lhe um dos ombros.– Mas pelo que está me dizendo...– Esqueça o que disse... o mundo não é perfeito e ponto final.– Se está realmente incomodado com o Senhor Elrond, deveria dizer-lhe... mesmo ele sendo um elfo.– Vou ouvir seu sábio conselho, meu amado pequeno.– Sim.– Vamos dormir, amanhã será um longo dia... verás o Sam e... eu...O mago apertava a grossa barba numa das mãos, pensaroso. Frodo continuava olhando-o curioso e interessado no que dizia:– E você?– Hum... nada, nada.– Hahaha... é, meu amigo... desejo boa sorte.– Co...como assim?– Ora, você sabe... que "eles" têm muita disposição.– Ora... Frodo... obrigado por lembrar. — Disse o mago ironicamente.– Hahaha.. ao menos eu e Sam temos a mesma sintonia.– Sorte sua, meu amigo pequeno, agora... vamos dormir.– Eu acho que vocês dois... ficam muito bem juntos. Tô sendo sincero.Gandalf respirou o ar profundamente e soltou um longo suspiro.– Pena que nem todos concordam com você.– Porque...pensa, Gandalf, Elrond já teve os filhos, tem herdeiros... fora deixado pela esposa... quem seria contra que ele se envolvesse com uma pessoa que tanto ama e fosse feliz ao menos uma vez durante milênios?– Como acha que ele foi triste durante tanto tempo?– Basta reparar-lhe em sua moradia, uma coisa que hobbits percebem, é o calor de um doce lar e o dele só demonstra sua extrema solidão. Acho que fazes um favor ao Lord Elrond ficando com ele, sendo-lhe um "amigo" leal.– Bem posto, meu caro... O mago olhou para os lados, lamentou não ter um cachimbo para fumar um pouco.– Agora, dormimos?– Sim.E logo se deitaram, mas se deram as mãos e sorriam amigavelmente.– Obrigado por tudo, Gandalf.– Eu que agradeço meu amigo bolseiro.E a noite passara bem. O elfo acabara dormindo do lado de fora da caverna.
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