Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
3 Gandalf e Elrond.
O jovem Gandalf nem conseguia dormir, esperto como era, pegou a quantia certa de moedas que pagasse o tal cajado, que por sinal, fora feito por ele mesmo. Já o restante do dinheiro, usaria para comprar roupas, botas, uma bolsa de pano e pagar o guia que o levaria.
No dia seguinte, o garoto acordou às quatro da madrugada, levantou-se intencionalmente antes de seu chefe, pegou suas coisas, pagou e saiu dali para nunca mais voltar. O garoto pensava consigo que sorte dera ao ter um homem que pareceu do nada em sua miserável vida para ajudar-lhe.Ele seguia pelas ruas de barro da cidade, sendo que em algumas partes tinham calçamento de pedras trabalhadas à mão. O jovem parou perto de uma senhora que estava abrindo uma loja de mantimentos para viagem.– Bom dia, senhora. Conheces algum guia? Preciso encontrar o noroeste de Valfenda.– Sim, meu pequeno, fale com aquele senhor mais adiante, ele trabalha com isso.– Obrigado, aliás, tens pão e mantimentos? A loja já abriu?– Sim! Entre, meu jovem.Gandalf não deixou de perceber que quando se tinha dinheiro, tudo era bem mais fácil, que por estar com roupas novas, calçando botas, todo o tratamento era bem diferenciado, pois aquela mesma senhora nem o reconhecera, antes, ela o menosprezava e o havia tratado como rato em outros momentos.Comprado as coisas, ele se despediu e foi conversar com o homem.Foram cinco dias de caminhada. Passaram por lagos, florestas, pântanos, montanhas rochosas. O jovem pensava consigo:– "E aquele elfo miserável disse que nem demoraria tanto..."Neste instante, passavam por Valfenda, Gandalf não deixou de notar a grandiosidade do lugar, era lindo, mesmo à distância. Depois de ficar quase que uma hora olhando na direção, o jovem comentou:– Nós iremos à Valfenda?– Não, não vamos.– Mas por quê?– Os elfos são amistosos com estrangeiros ou desconhecidos, deve-se ter alguém que nos anuncie, caso contrário, levarás uma flechada bem na testa... conheço muitas histórias e até conheci um homem que morreu assim.– Nossa... mesmo?– Eles fingem ser gentis, mas são traiçoeiros, tomara que nunca tenhas que conviver com um.– Co... como assim?– Eles se consideram superiores, donos da verdade, pergunte aos anões... você verá o que lhe contarão...– Mesmo? Mas...– Jovem, não se deixe cair na lábia deles e também, eles duram séculos, além dos elfos homens serem um tanto afrescalhados.– Afrescalhados...– É... parecem mocinhas... todo mundo que não é elfo concorda.– Haha...Gandalf achou graça, realmente. Ele lembrou-se da face amigável de Elrond, embora ele tivesse sido gentil apenas consigo, ao lembrar que o mesmo elfo foi um tanto sério e ligeiramente rude com os subordinados.– "Será que ele gostou de mim? Será que é um afrescalhado? Mo... mocinha...?"O homem percebeu que o garoto parecia segui-lo com os pensamentos longe.– Menino, me escute..– Hum?– Já conheceu algum elfo?– ... por que queres saber?!E Gandalf, com sua tradicional rabungisse apressou os passos e logo sentiu um cajado bater-lhe na cabeça. O garoto desmaiou. O mago ancião olhou para o homem o dispensando.– Esse menino...E o mago ancião viu o papel que pareceu voar do jovem e parar-lhe na mão. Estava escrito "Ensine", mas as letras mudaram-se e tomaram outra forma: Ass: Elrond.– Hum...O mago dobrou cuidadosamente o papel, invocou algo que fez o menino flutuar e foi carregando-o para sua casa, ao chegar lá, outro jovem os recepcionou. O mago ancião o reprimiu:– Saruman, já terminou a lição?– Ah, mestre, não... quem és?– Termine a lição que saberá. Este é indicação de Elrond.Disse o velho colocando Gandalf numa cama e o cobrindo. O velho retirou-lhe as botas e pôde ver que os pés sangravam, ele os enfaixou e comentou baixo:– Elrond continua com excelente olhos para magos...– Elrond?!– Isso, Saruman. O senhor de Valfenda.– Nossa!!– Agora, vá fazer sua lição.– Sim, mestre... uau!E o menino sentiu uma pontada de inveja, voltou a escrever num caderno e encarando Gandalf ao longe.Três dias passaram e só nesse, que Gandalf acordou, isto devido ao seu extremo cansaço.Foram cinco anos de árduo treinamento, Saruman, por estar mais tempo, foi liberado antes, já Gandalf continuou o treino por mais alguns anos.– Gandalf, estou velho...– Mestre, não diga isso.– Logo partirei desta terra, mas lembre-se de agradecer àquele que o indicou. Elrond conviveu comigo alguns anos em batalhas, é um bom homem...Antes do velho acabar, Gandalf o interrompeu:– Um elfo, senhor.– Homem, Gandalf... logo verás que esta distinção entre raças não ajuda em nada, cof cof...O Mago ancião estava deitado, frágil, tossia bastante.– Mestre.Gandalf segurava-lhe uma das mãos.– Só esperava ver meu amigo mais uma vez.– Elrond?– Deves chamá-lo de senhor Elrond, ele é o rei de Valfenda.– ....Gandalf arregalou os olhos, o ancião sorriu e continuou.
– Pelo jeito ele não lhe disse, viu como és gentil e...– ...– Humilde... acredite, ele é um bom amigo... verás que não há nada melhor do que conviver em paz com todos, sem menosprezá-los... nunca se sabe quando... cof! cof!... se precisará de ajuda de algum deles.Gandalf consentiu com a cabeça.– Mestre, irei buscar seu remédio.– Sim, obrigado.Gandalf estava triste, aquele mago era como o seu pai, mas se assustou ao ver um elfo aparecer à porta.– Onde está?– Hum?Só agora Gandalf, nos seus 17 anos, pareceu reconhecer que se tratava do mesmo elfo que o indicou, Elrond não mudara absolutamente nada! O mesmo rosto, cabelos, adornos.– Elron...– Por favor, Gandalf, me diga.– No quarto.O Elfo seguiu apressado, deixando dois subordinados tomando conta da entrada da casa. Gandalf levou o remédio num copo, porém o deixou cair quando viu que o elfo segurava firme uma das mãos do mago, sendo que o ancião parecia imóvel. Gandalf se posicionou ao lado do elfo, tocou-lhe um dos ombros. Elrond olhou para o mago e Gandalf o olhou. O silêncio, a dor e o amor se misturaram naquele instante.– Ele... está em paz agora. Estava sofrendo há dias...Elrond não comentou nada, apenas observava o ancião.– Ele pediu para ser cremado. O elfo, ainda em silêncio, levantou-se, pois havia se ajoelhado próximo da cama, comentou aproximando-se de uma janela, tinha sutis resquícios de lágrimas em seus olhos.– Os humanos... duram tão pouco.– Sim.– ...A face abatida do elfo, incomodava o mago novato.– Tentei vir antes, mas... Valfenda estava em guerra com a fronteira que estava sendo invadida.Gandalf não deixou de pensar:– "Cinco anos guerrilhando? Arranje uma desculpa melhor elfo rei."– Como estás?Disse o mais velho em tom amargurado, sentia o peito dolorido pela perda.– Estou bem. depois que ele morresse, pretendia ir à Valfenda agradecê-lo... mas... você agora... já está aqui... então...– Volte comigo para Valfenda, Gandalf.– Como?– O que acabou de ouvir. Venha comigo.Embora o verbo tenha sido usado no imperativo, a voz de Elrond conservava certa amabilidade, gentileza, era como se Gandalf lhe fosse alguém muito importante, que deveria ser tratado com todo capricho e respeito.– Mas...– Não gostaria que me fizesse uma desfeita.– Então...Gandalf lembrou por uns instantes da fala do guia, mais tarde pensou em confirmar os boatos, mas sua curiosidade por conhecer a cidade era bem grande, por isso ele aceitou.– Sim.– Agradeço. Ordenarei que realizem a cremação. Venha.Elrond saiu da casa e subiu em seu cavalo, ofereceu uma das mãos para Gandalf e o mago novato subiu também.– Homens, quero que cremem o corpo. A casa agora pertence ao meu amigo, Gandalf.– Sim, senhor.Feita as ordens, o elfo olhou para O cinzento por cima de um dos ombros, que logo consentiu com a cabeça.– Vamos.E logo colocaram-se a seguir na direção da cidade. Chegando lá, um grupo considerável de elfos vieram recebê-los, Elrond desceu do cavalo, seguidamente de Gandalf.– Habitantes de Valfenda, gostaria de apresentar-lhes meu mais recente amigo, mago Gandalf.Gandalf sentiu vontade de rir, quando lembrou-se das palavras do guia, não deixando de pensar:– "Pronto, agora que me conhecem, não levarei flechada na testa."O mago observava a todos que o cumprimentavam sorrindo, eram amáveis, dóceis, de uma educação e etiqueta impecáveis, todos bem vestidos, com sedas adornadas com fios de ouro ou prata, tanto os homens como as mulheres tinham cabelos longos, traços andróginos. E só agora, Gandalf pareceu fixar-se na face do seu amigo de cabelos escuros, este lhe correspondia, com um sorriso bobo na face.– "Mocinhas? Será mesmo? Mas... e estas mulheres?"– Bem, Gandalf, deves estar com fome, cansado... venha, serás bem vindo em minha morada.Disse o elfo apressando-se logo e sendo seguido pelo mago. O dia, embora a tragédia tivesse ocorrido mais cedo, parecia diferente, calmo, ameno, tranquilo. Gandalf, neste momento, vestia uma roupa de algodão levemente cinza, tinha um cinto de couro marrom na cintura. Mesmo com 17 anos, já tinha uma barba negra cheia, os cabelos eram ligeiramente curtos, quase na altura dos ombros. Ele se observava no espelho e penteava os fios negros, quando uma elfa apareceu chamando-o para a ceia. Ele a seguiu e logo estava sentado a uma mesa farta de frutas e legumes, com jarras e copos cheios de uma espécie de licor adocicado e delicioso. Elrond ao perceber que o jovem parecia inebriar-se com a bebida comentou baixo:– Espero que esteja gostando da hospedagem.Gandalf sorriu-lhe sincero, nem sabia como agradecer-lhe, aquele elfo o havia salvado, lhe dado uma profissão e agora, cuidava de si como um mentor dedicado. Sua alegria era tamanha que nem conseguiu encontrar as palavras apropriadas, sentia-se realizado, satisfeito, gostava realmente do amigo, com todo o seu coração. O sorriso sincero e transparente em seu rosto encheu de amor o coração do líder que propôs um brinde ao mais novo convidado. A refeição ocorreu feliz, com música e muitas afirmações alegres, resultando numa união pacífica, cooperativa e acolhedora.Depois de todos estarem satisfeitos, foram se dirigindo aos seus aposentos para uma merecida noite de descanso. No entanto, Elrond e Gandalf ficaram ali, numa sala próxima, sentados e conversavam animadamente.
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