Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
1 Elrond.
Os dias passavam devagar, quase parando. No mundo élfico, o tempo parecia demorar-se mais, como se estivesse preso a fios invisíveis.
O Senhor de Valfenda estava sentado numa cadeira que dava para uma enorme varanda. A varanda de seu quarto. Ele tinha uma esposa, uma elfa, linda, mas há dias ele não a procurava, o Senhor sentia-se encabulado, irrequieto, o que despertou o receio da esposa.
– Estou bem, querida.
Disse com a gentileza típica dos elfos e logo a mulher se retirava do recinto, percebendo que sua presença parecia incomodar seu Senhor.
E lá iam os dias, noites, observando cada nascer do sol, cada luar. Não sentia sono, apenas um incômodo que brotava-lhe no peito, o que seria? Se indagava constantemente.
Numa bela noite, Legolas o visitou, havia chegado com Aragorn, ambos estavam numa missão.
– Senhor, meu senhor.
– Oi, Legolas.
Elrond sorriu gentil. Legolas retibuiu se levantando, havia-se ajoelhado para cumprimentá-lo.
– Venho dizer-lhe que a missão está quase concluída.
– Entendo.
Elrond voltou-se a olhar pela janela, nesse momento, encontrava-se debruçado no parapeito de um enorme vitral, o qual tinha janelas em sua composição. O mais velho suspirou, um suspiro dolorido, vazio.
– Aconteceu alguma coisa, mestre? Parece... um tanto...
O loiro foi se aproximando, rodeando o seu Senhor, parando a um passo dele.
– Estou bem, não precisa se preocupar.
Sorriu gentil Elrond, que voltou a olhar pela janela.
– Eu não irei ceiar com vocês hoje, sinto-me indisposto, mas amanhã com certeza teremos uma boa refeição matinal juntos. Por momento, permita-me contemplar este luar.... "cinzento"....
Comentou baixo demorando-se na pronúncia da palavra, o que despertou a atenção do elfo loiro. Cinzento, a palavra ecoava-lhe nos pensamentos, pareceu-se distanciar-se e lembrar do manto esgarçado do Mago Gandalf. O Senhor sorriu, tapando educadamente os lábios, Legolas apenas o observava.
– Senhor, por acaso.. se refere ao mago Gandalf? O cinzento?
– Hum?
– Ele veio conosco. Ele e um Hobbit.
Elrond arregalou os olhos e Legolas obteve, na mesma hora, sua resposta.
– Sim, senhor.
Ao ver que o moreno ainda o olhava atortoado, resaltou pronunciando gentilmente algumas palavras.
– Mesmo assim, indisposto, não gostaria de vê-los? A sua presença e rápido abraço são muito contemplados pelo Cinzento. Já para Aragorn, acho que vossa presença já bastaria.
Disse resaltando uma certa irritação na última afirmação. Elrond percebeu e sorriu gentil.
– Entendo.
Os elfos tinham os sentidos muito apurados, cada sutil ranger de dentes, sua visão. Tudo era bem intenso, captavam o mais imperceptível sinal. Por isso, todos os elfos conheciam os segredos uns dos outros e entendiam os limites colocados por eles mesmos em suas relações interpessoais.
– Bem... devido a vossa deliciosa insistência, devo apresentar-me.
Elrond olhou para as próprias vestimentas por um tempo, depois olhou para o loiro que parecia examinar suas atitudes. Feito isso, o mais velho perguntou.
– Será que estou apresentável?
– Me parece perfeitamente apresentável, senhor.
– Obrigado.
Eles se cumprimentaram mais uma vez e ambos saíram dali para uma mesa que ficava no salão principal, era o salão onde costumava ocorrer as refeições. Tinha música élfica e lá estavam: Aragorn, Gandalf e Pinpin.
– Boa noite.
Disse o elfo de cabelos negros e sentando-se à mesa, mas antes de fazê-lo, Gandalf levantou-se se aproximando-se do Senhor de Valfenda e abraçou-o carinhosamente. Todos observavam com alegria tal ato, até a música pareceu entoar um tom diferenciado para aquele momento.
Gandalf sorria feliz, as rugas dos anos amontoavam-se em sua face, mas isto não pareceu incomodar o encarar de Elrond na direção de sua face. O Elfo mantinha uma postura mais formal, mas na verdade, seu coração acelerou bastante. Segredo que todos os elfos presentes guardariam para si.
O Velho sorriu dando um passo para trás, mas ainda mantinha uma das mãos num dos ombros do elfo, apertando-lhe gentilmente por cima da rica seda élfica. Elrond olhava-o com um sorriso ameno na face, sim, ele sabia o que aquilo significava, mas o Senhor estava irritado demais pelo desaparecimento do outro que simplesmente sentou-se em silêncio. O mago franziu o celho e forçou um sorriso gentil, sentando-se. O velho pensava consigo:
– "Demorei a vir vê-lo, mas devo admitir que tive excelentes motivos para isso. Não estou na flor da idade, precisei resgatar minhas forças com certa dose de magia sinistra. Me perdoe, meu elfo maravilhoso, também senti sua falta."
Gandalf mastigou um pedaço de cenoura ficando apenas a encarar o prato. Elrond o encarava fixadamente. Legolas sorriu e ofereceu um brinde para desfazer aquele clima tenso, que até mesmo os humanos e hobbits estavam começando a perceber.
Todos beberam e comeram e depois foram para o salão onde tinham uma boa lareira e ótimas e confortáveis cadeiras de madeira nobre. Legolas estava na varanda e parecia conversar algo com Aragorn, Pinpin estava conversando com duas elfas e contavam-lhes os feitos da batalha. E Gandalf estava numa cadeira à parte, olhava na direção da porta do recinto. Elrond parecia ordenar algumas coisas a alguns elfos. Feito isso, o moreno adentrou o local.
– Perdoem-me a demora. Orcs novamente estão nos limites de nossa cidade.
Todos consentiram com a cabeça e voltaram a fazer o que faziam antes, foi então que Elrond sentou-se diante de Gandalf, o Senhor olhou para os demais, que estavam longe o suficiente para não escutar-lhes a conversa.
– Conte-me, meu amigo, Gandalf.
– Meu Elrond.
O velho ajeitou-se na cadeira pegando seu cajado e apoiando-o ali perto, num móvel pequeno. Ele ajeitou suas longas mangas e deixou intencionalmente esposta suas mãos. Ele olhou-as e lamentou estarem tão velhas e enrrugadas, mesmo assim, o elfo as olhava sem ao menos piscar. Depois de alguns minutos, o Senhor de Valfenda, levantou as orbes encarando as do velho.
– Como foi estar todo esse tempo em missão?
– Extenuante, meu caro.
– E mesmo assim, recusas-te nossa bebida restauradora e nossa alimentação adequada.
– Devo dizer-lhe que tal fato, foi extremamente difícil para mim.
– Mesmo?
A voz do elfo resaltou-se nitidamente, adquirindo um tom de ironia, como se dizesse: "Mesmo? E eu, como acha que passei esses longos dias sem você aqui? Acha que foi fácil?"
– Sim.
Gandalf nem ousara encará-lo, sentia sua consciência pesada, e esta, martirizava-o. O Elfo pegou um chumaço de seu próprio cabelos e pareceu jogá-lo para trás, voltou-se ajeitando-se ali, na cadeira luxuosa que parecia uma poltrona rústica e cruzou as pernas, novamente voltando sua atenção ao velho.
– Aragorn e Legolas parecem se entender melhor que nós dois, meu caro amigo.
Gandalf olhou na direção dos dois que sorriam escancaradamente, e, nesta hora, pinpin comentou que tinha sono e que iria dormir. O mago consentiu e acenou se despedindo, depois de desejar uma boa noite para o hobbit. Ao vê-lo distante, comentou baixo.
– Sim, os jovens.... tudo é mais fácil.
– O que exatamente queres dizer?
– Estou velho..
Comentou o mago olhando na direção de Legolas e Aragorn, suspirou pesadamente.
– És tão jovem como o dia que o conheci.
Finalmente o velho olhou para o elfo e sorriu amargamente.
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