Lego House

1 Os opostos se atraem


Notas iniciais
Dedicado a Ayume (Aphrodite Laclair) por ser minha fonte de inspiração sempre. Por ser minha melhor amiga, irmã, mãe e conselheira 24hrs por dia, sete dias da semana.
Reninha, eu te adoro.

Sejam legais comigo, por favor, é a minha primeira Angst e eu realmente me esforcei. Crítica é sempre bem vinda, mas por favor, que seja construtiva e na dosagem correta de boa educação.

Boa leitura.

Os opostos se atraem. As pessoas, os anúncios e os livros a meu redor cismavam em repetir essa frase como se fosse algo verídico e não, não é.

Você e eu éramos ridiculamente opostas. Tipo luz e escuridão, água e vinho, céu e terra. Nós éramos diferentes em tantos aspectos que eu sempre me indagava o porquê de, no fim de todas aquelas noites frias de dezembro, eu estar sobre os lençóis de sua cama, desfrutando da sua companhia e do calor dos seus lábios.

Você tinha aquela aparência de pessoa calma. Os cabelos escuros que caiam sobre os ombros fazendo voltas em si, como uma pequena cascata petrolífera. Os olhos acinzentados eram caídos e transmitiam a tristeza que eu sabia estar alojada em você. Gritava feridas que eu arduamente tentei cicatrizar. Uma total falha.

Seus sorrisos sempre eram acalorados e seu amor por livros lhe fazia parecer mágica.

Mas eu sabia quem você era de verdade. Seus olhos caídos demonstravam sua tristeza, mas sua voz transmitia maldade. Você era o ódio em pessoa, Kimberly, e eu era o amor. Por que sim, eu te amei. Eu te amei, eu te amo. E temo que essa seja minha realidade por todo o eterno

Eu tolamente acreditei que os opostos se atraiam, e que por sermos amor e ódio personificados, acreditei que seriamos felizes em nossas diferenças.

Não fomos. Não por muito tempo, pelo menos.

X

O amor é feito uma casinha de lego, você explicava pacientemente para uma das crianças que visitava a biblioteca toda segunda-feira. Eu sabia que estava dando atenção a ele pelo fato de ser uma das minhas crianças favoritas, pois você odiava crianças.

Odiava crianças, amava livros. Dividia amor e ódio até mesmo no serviço.

Ele é simples, mas complicado de construir. É frágil também, mas se você fizer direitinho, dificilmente se soltará.

Mas tarde sob a segurança do nosso quarto lhe indaguei sobre sua teoria e com ternura me respondeu que para si, nosso amor é feito de lego. Tão frágil feito você, mas em contraste absurdo, resistente feito eu.

X

Quando você me apresentava orgulhosa como sua namorada para seus amigos íntimos, era questionada se eu era "difícil de lidar". Claro, isso era comum. Eu também teria essa primeira impressão de mim mesma.

Nós éramos opostas afinal. Enquanto você transmitia a paz que não tinha eu ressonava toda a rebeldia que não me era tida. Os cabelos curtos e tingidos, as roupas escuras e os coturnos inseparáveis.

Lembre-se a disso? De quando me conheceu e queria distância de mais encrenca? De como riu da minha cara ao descobri que na realidade eu era apenas uma estudante de filosofia que escutava música clássica e queria a atenção dos pais?

O chiclete raramente largava a minha boca — na maioria das vezes apenas quando minha língua se ocupava com a sua, na verdade — e sair sem lápis de olho nem pensar.

Você dizia que meus olhos eram redondos e alegres, e que minha voz era sempre doce. Me fazia carinho na cabeça e repetia até que eu caísse no sono que, meu sorriso era o sol do seu mundo.

Eu amei você, Kimberly. Porque diferente de muitos, eu te via.

Não vejo mais.

X

Você, assim como eu, era um castelo de aparência que na primeira onda desabaria. E nós desabamos, você e eu. Feito uma casa de lego, unidas até desequilibrarmos.

Porque Kim, assim como cacos de vidro, não se pisa em peças de lego.

E você insistiu em pisar em mim.

Eu retribui.

Os opostos se atraem, eu concordo, mas por pouco tempo. E, depois de tanto nos machucarmos tentando encaixar duas peças desiguais, nós ficamos deformadas. Por isso sei que por toda eternidade amar-lhe-irei, afinal de contas só se esquece um amor com outro e Kim, não há peça que se encaixe nesse molde torto que você me transformou.

Nós nos atraímos, nós nos amamos, nos machucamos. Nós construímos moradia ao pé do maremoto e, no fim, viramos areia. Você e eu.

Você

,

Eu.

Notas finais
Olha a ozadia do final. Eu realmente não acho que deveria ter publicado isso, mas talvez a Ayume esteja certa e toda essa minha insegurança seja, na realidade, medo. De qualquer forma me diga o que você achou. ^-^

Eu não mordo gente, sério. (só um pouquinho, e só se me pedir também.)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!