Legendary
5 Operação cupido.
Notas iniciais
"Now if your arrow makes her love strong for me
I swear I'm gonna love him until eternity"
Já estava chegando perto da casa do meu pai quando tive uma boa ideia de comprar sobremesa para o almoço. Já eram quase onze horas e eu estava fazendo tudo bem lentamente para demorar chegar à casa da linda e perfeita família Chase. Passei numa padaria e comprei uma torta de limão que meu pai gostava muito e que Elizabeth, a bruxa de minha madrasta, tinha alergia. Confesso que adorava implicar com aquela megera também.
Estacionei em frente a casa bem conservada num bairro antigo e tranquilo de Oxford e peguei os presentes e a torta. Caminhei até a porta e toquei a campainha com o cotovelo, estando impossibilitada de utilizar as mãos. Frederick Chase abriu a porta esbouçando um belo sorriso. Os cabelos estavam ralos e já brancos, mas os olhos ainda demonstrava a energia de um jovem. Sorri para meu pai e entreguei para ele a caixa do relógio e a caixa da miniatura de avião.
– Feliz aniversário atrasado pai – cantarolei e o abracei.
– Annabeth, minha querida, como está? – ele perguntou, feliz em ver realmente. Abriu passagem na porta e me deixou passar.
– Eu estou bem, e você, papai? Me desculpe por não ter vindo no dia do seu aniversário, mas eu tive alguns testes na faculdade e o ensaio de teatro, depois ainda fui no hospital para o estágio...
– Tudo bem querida, não tem problema. Sei como você está se esforçando nos estudos – ele fechou a porta e foi se sentar no sofá para abrir os presentes. Me sentei ao lado dele e logo ouvi o barulho de passos na escada. Era a bruxa da Elizabeth.
– Olá Annabeth, não acha que está há uns dois dias atrasada não? – ela perguntou com aquela vozinha irritante de foca bebê sendo estrangulada.
– Me desculpe, Eliza – eu respondi, a voz afetada e a expressão envergonhada. Claramente era uma encenação – Às vezes eu me esqueço o quanto eu sou uma megera desculpada que precisa ficar sendo sustentada pelo meu marido.
– O que?! – a megera perguntou, arregalando os olhos.
– Annabeth! Você é impossível menina, não adianta falar na primeira pessoa – repreendeu meu pai.
Suspirei e revirei os olhos. Ele abriu os presentes e me agradeceu e beijou. Ele realmente ficou feliz pelo relógio, mas quando abriu avião disse que havia comprado um modelo igual há uma semana. É, eu não sabia, faz tempo que não venho aqui visita-lo. Engoli em seco e tento não voar no pescoço de Elizabeth – que fazia uma cara do tipo ‘viu que péssima filha ela é? E você ainda gasta dinheiro ajudando na universidade dela’.
– Tudo bem, pai, eu vou lá e troco por um modelo que o senhor não tenha.
– Pode ser – ele sorriu e voltou a guardar o avião dentro da caixa.
Os pirralhos idiotas, vulgo meus meio-irmãos gêmeos, desceram as escadas correndo, brigando e correndo como crianças idiotas que eles são. Malcom e Matheus são filos de meu pai e Elizabeth, eles são gêmeos e eu odeio eles desde que jogaram talco em meu cabelo numa festa de natal.
– Olha, a boboca da Annabeth está aqui – disse Malcom (eu acho) rindo e apontando para mim.
– Que idiota! A mamãe nem gosta dela, nem o papai – disse o outro rindo de se acabar. E ambos saíram correndo iguais uns retardados. Geralmente eu gostava de crianças, principalmente das que tem 5 anos, mas Malcom e Matheus são insuportáveis. Ninguém os repreendeu, o que me deixou com mais raiva ainda, mas estava me acostumando.
Respirei fundo e coloquei a caixa da torta de limão na mesa do centro de estar, me virando para papai e ignorando completamente Elizabeth em pé atrás dele no sofá. O que adiantava meu pai ser um homem tão bondoso se foi envenenado por aquela pilantra que só casou com ele por dinheiro?
Os gêmeos se sentaram no chão para ver desenho no tablet, mas boa parte do tempo eles ficavam me encarando fixamente, o que era bastante incomodo.
– Ontem eu encontrei o senhor Jackson na sala do reitor, Annabeth, nem me contou que ele voltaria – disse meu pai.
– Ele voltou ontem, pai. Nem eu sabia que ele iria voltar.
– Ah, mas vocês voltaram? Adoraria tê-lo como genro novamente – ele sorriu meio de lado, do jeito que sempre gostava de fazer quando falava algo bom para mim.
Frederick gostava muito de Percy... quer dizer, não no começo do namoro, mas simplesmente não conseguiu deixar a afeição pelo garoto de lado por muito tempo. Afinal, eu conheço Percy desde os quatro anos e meu pai me levava para o parquinho para brincar com ele e outras crianças. Frederick já conhecia Sally também, então as coisas foram bem fáceis para nós.
– Pai! Ele voltou ontem...
– E pelo visto não quer nada com você, já que nem avisou que voltaria – Elizabeth disse, se deliciando com o próprio veneno. Olhei para ela com cara de nojo e voltei minha atenção para meu pai, que não falou nada a respeito do comentário de sua esposa.
Respira fundo, Annabeth, não deixe que essa cobra use o veneno em você.
– Bem, podemos marcar um jantar aqui em casa, estou com saudades daquele garoto – disse Frederick, ignorando, como sempre, as alfinetadas da esposa.
– Hm, acho que não, ele tem medo de cobras – eu digo, ainda mais venenosa.
Era sempre assim quando eu ia para casa de meu pai, sempre esse inferno. Os gêmeos riram de algo, e acho que era da nossa conversa. Felizmente a empregada avisou que o almoço já estava servido e fomos almoçar, o que não foi a parte menos tensa daquele dia.
Eu odiava aquela cobra, já disse isso? Por isso preferi morar num apartamento com Silena.
Após comemos a sobremesa – o que também rendeu várias piadinhas de Elizabeth; ela sabia que eu comprei torta de limão porque ela era alérgica – eu me despedi de meu pai e sai daquela casa, logo sentindo um grande alivio ao entrar no meu carro.
Era tão bom sair daquela casa, ficar longe daquela família. Só que meu pai ainda estava ali, então eu ainda precisava visita-los sempre. Era um inferno. Liguei o carro e em vez de ir para meu apartamento no centro da cidade, fui para o campus da universidade de Oxford. Parei em frente a portaria e desliguei o carro, pegando o celular e mandando um sms para Thalia:
“Thalia sua puta, vamos sair, estou aqui fora te esperando”
Thalia só apareceu cinco minutos depois, com sua aparência de santa, sem maquiagem, com calça jeans e suéter. Os cabelos estavam presos em uma trança lateral e os olhos azuis estavam faiscando de raiva. Ela abriu a porta do meu carro com força e ficou olhando para frente emburrada.
– Thalia que porra que roupa é essa? – eu perguntei dando uma gargalhada exagerada.
– A porra da roupa que Hera me obrigou a usar. AQUELA VACA MALDITA JOGOU MINHAS ROUPAS FORA! – ela gritou e bateu no painel do meu carro com as duas mãos, depois fez uma careta e balançou as cabeças para os lados de forma agressiva.
– THALIA, SUA FILHA DA PUTA, PARA DE SOCAR MEU CARRO – eu gritei também, logo rindo ainda mais da cena.
Thalia era a filha do diretor da Oxford, Zeus, e ele e a família de Percy junto com a de Nico meio que mandava naquela cidade, o que era estranho, já que eu era melhor amiga dos três. Enfim, voltando ao assunto, Thalia era filha do diretor da Oxford e Hera, esposa de Zeus e madrasta de Thalia, sempre exigia que a garota se portasse e vestisse como tal, o que, obviamente, Thalia não fazia. A garota tinha um estilo punk, gostava de maquiagem pesada e cabelos bagunçados, sempre usava preto e spikes... esse tipo de coisa. E Hera ficava para morrer.
– ANNABETH! EU VOU COMETER UM ASSASSINATO! VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO – ela gritou com raiva. Passou as mãos no rosto com força, e se tivesse com maquiagem certamente teria borrado tudo.
Dei partida no carro, mesmo sabendo que não devia dirigir com Thalia alterada.
– Calma, Thalia, podemos ir comprar roupas novas agora – falei, agora mais calma da minha crise de riso.
– Não, eu consegui pegar minhas roupas de volta.
– Então por que diabos está vestindo esse lixo?! – perguntei, incrédula apontando para o suéter ridículo que a garota vestia.
– Por que Hera não pode saber por enquanto, se não vai jogar fora de novo, mas olha só – ela disse, fez uma pausa e tirou o suéter revelando a blusa do Green Day por baixo. – Thalia sempre está um passo a frente das madrastas recalcadas.
– Estou no seu clube. Elizabeth é cobra em pessoa.
– Pelo menos você não mora com ela – Thalia revirou os olhos e começou a batucar a janela do carro a medida que a paisagem ia passando. – Agora me fala tudo sobre a volta de Percy? Já levou o pobre coitado para o lado negro da força?
– Não, Thalia, céus, não! – dei uma risada, não querendo que acreditar no absurdo que eu ouvia – E cala a boca! Percy não pode saber sobre as bebidas, drogas e essas coisas. É nosso segredo...
– Que Nico, Luke, Silena, Bianca, Jason, fulano e ciclano sabem...
– E eu já parei com isso faz tempo, não vou voltar... por favor, me ajuda... não posso deixar Percy saber. Sabe como ele é, vai surtar legal.
Parei o carro numa vaga e saímos do mesmo, caminhando lentamente pela calçada até uma sorveteria. Pedimos um sundae de morango e esperamos sentada na mesa da calçada.
– É, ele é muito careta, não é possível alguém ser tão certinho assim – ela deu uma risada, mas depois me olhou séria – Se eu fosse você já ia procurar os podres dele. Tudo bem que você o conhece desde criança, mas ele ficou dois anos foras e você sabe como que a vida universitária é.
– Uma loucura – eu digo, dando um sorriso de lado sonhador. A garçonete apareceu e depositou as duas taças de sundae na mesa. Prontamente eu peguei o que aparentava ter mais (mesmo que minimamente) e ataquei o sorvete.
– Menos para os estudantes de medicina, que é o seu caso.
– Verdade, mal tenho tempo de viver – nós duas rimos, embora aquilo não fosse nada engraçado para mim. Minha vida era corrida. Ia quase todos os dias para a universidade e só voltava a noite, as vezes eu estagiava num hospital aqui perto e, quando me restava tempo, eu devorava livros e mais livros. Meus dias de liberdade eram sábado e domingo, pois uma vez eu fui parar no hospital por usar estes para estudar e trabalhar. Fiquei super sobrecarregada, não foi nada divertido. – E você é o Lukito?
– Nem fala daquele filho da puta – exclamou Thalia, lambendo a colher com sorvete.
– Ele é seu namorado – cantarolei, sorrindo de forma meiga e piscando os olhos várias vezes seguidas.
– Não, não é. Não me lembro daquele filho da puta ter me pedido nada – os olhos de Thalia faiscaram e sua voz era agressiva. Geralmente minha melhor amiga é realmente esse doce de pessoa mesmo.
– Ah, para, vocês estão juntos a muito tempo, talvez ele não vê necessidade de...
Thalia me olhou como se pudesse me matar com uma colherzinha de sorvete. Dei de ombros e fiz uma careta, voltando meus olhos para a taça de sorvete e tentando não ri. Era cômico e engraçadinho meu casal Thaluke (sim, eu criei um nome). Eles viviam entre tapas e beijos, mas era tão bonitinho encontrar Thalia quase chorando no banheiro da universidade ou dá dicas para Luke para ele não ficar nervoso quando for chamar aquela vaca pra sair. Eles precisam se casar, ter filhinhos e dois gatinhos chamados Bob e Bob Pequeno, super criativos.
– Se acalma Thalia – eu disse, comendo meu sorvete. Então algo veio na minha mente, uma ideia brilhante. Eu sou demais! O cupido que se prepare, pois está preste a perder seu cargo. – Vou ao banheiro, já volto.
Perguntei a atendente onde ficava o banheiro e fui para o local que ela me orientou. Entrei no mesmo, que era um cubículo nada agradável, e peguei meu celular no bolso, ligando para o imprestável do Luke.
– Lukito, amorzinho, estou muito chateada por você não ter pedido Thalia em namoro ainda, sei que ‘tá se cagando para enfrentar Zeus, mas deixa disso né – fiz uma pausa, enquanto o garoto me xingava do outro lado da linha nomes feios que não posso mencionar – Então, não te liguei para isso. A Thalia está com vergonha de te chamar para ir ao cinema, então, passe às 18 horas em frente a universidade que ela vai está te esperando. Não seja um idiota, Thalia é uma garota de ouro a gosta muito de você.
– Mas Annabeth eu...
– Tchau, Luke, vou falar para ela que você aceitou. Beijinhos – e desliguei a ligação. Dei um risinho maléfico e sai do banheiro.
Eu sabia que Luke iria, sempre que eu marco algo com uma pessoa eu não a deixo falar justamente para ela não dá desculpas para não ir. Voltei para a mesa onde estávamos sentadas e Thalia estava conversando animadamente com um loiro de olhos verdes. Ele claramente estava dando em cima dela, sorria de lado, mexia no cabelo e lançava uns olhares estranhos. Ele até que era bem bonito, só que parecia ser bem mais velho, tinha uma barba por fazer e o cabelo era curto. Não me lembrava dele, na verdade, acho que nunca o vi por aqui. Me aproximei deles e me sentei na cadeira ao lado de Thalia, passando o braço pelo seu ombro e olhando para o cara.
– Esse garoto está te atrapalhando, amor? – eu perguntei com a voz séria.
– Que porra... ? – começou Thalia, eu olhei para ela, ainda séria e depois para o garoto, que olhou assustado para mim.
– Thalia... é... ahn – o garoto ficou sem saber o que falar; o tom de sua pele adquiriu um rosado fofo e ele mexeu no cabelo de novo. Thalia tirou meu braço bruscamente do seu ombro quase quebrando aquela porra e me olhou furiosa enquanto se levantava da cadeira.
– Que porra é essa Annabeth? Tá me estranhando? Não gosto de vagina, querida! – ela fez o show dela toda revoltada. Dei uma gargalhada e me coloquei de pé também, deixando uma nota de cinco na mesa.
– Claro esse garoto fica ai dando em cima de você quando você é comprometida! – me defendi, cruzando os braços e com uma expressão sábia e adulta no rosto.
– Eu não estou dando em cima dela! – ele interveio, se defendendo. Ah, tadinho, sabe nem mentir. Não posso aceitar ver outra pessoa com Thalia sem ser Luke.
– Nós somos primos, Annie! – disse Thalia, agora rindo também.
– Aaaaah – eu exclamei, abrindo a boca num formato oval e fazendo uma expressão ingênua. – Nesse caso... incesto não é nada legal.
– Não mesmo, princesa. Eu sou Triton – ele disse, pegando minha mão e a beijando delicadamente. Ergui uma sobrancelha e botei minhas engrenagens para funcionar. Ele realmente lembrava um pouco o Percy.
– Triton Jackson? – eu perguntei e ele concordou com a cabeça.
É, realmente aquele era o meio-irmão de Percy. Até onde eu sabia, Triton era fruto do primeiro casamento de Poseidon, com uma mulher asquerosa chamada Anfritide, ele se separou e ela foi morar em Londres com o filho. Ai Poseidon se casou com a mãe de Percy e eles são felizes até hoje. O motivo de Triton está aqui eu desconhecia, mas também não era da minha conta.
– Ah, claro, você deve ser a namorada do meu irmão, Annabeth Chase, certo? Uma pena – ele comentou e eu corei.
Triton era charmoso até, características que Percy também tinha e que devia ter puxado ao pai. Mas claro que Triton nunca se compararia ao Percy, meu moreno era muuuuuuito mais gostoso com aquelas olhos verde-mar profundo, os lábios finos e macios, as mãos fortes com uma boa pegada... pera, se controle Annabeth.
– Bem, princesas, eu preciso ir. Foi bom te rever Thalia – ele disse para a prima, dando um abraço nela. Quando chegou na minha vez ele colocou a mão nas minhas costas e beijou minha bochecha com lentidão – E muito prazer em te conhecer, Annabeth. Espero te ver mais vezes.
Quando ele se afastou eu ainda podia sentir o perfume dele em meu nariz. Afastei o arrepio que senti com o ar quente da boca dele em meu ouvido e puxei Thalia para o carro.
– Anda sua lerda – continuei a puxar Thalia para o meu carro, tentando ignorar o fato de que o irmão do meu ex-quase-de-novo-namorado deu em cima de mim descaradamente. Thalia parou no meio do caminho e sorriu igual a um capeta que tá aprontando.
– O que foi isso agora?
– Foi porra nenhuma – eu respondi, entrando no carro. Thalia entrou também, rindo e continuou me encarando esquisito pela metade do caminho.
Por que eu ainda ajudava aquela vaca ingrata? Revirei os olhos, concentrando-me no meu plano de cupido. Eu só precisava convencer Thalia a ir no cinema ‘comigo’. Ai quem aparecia para busca-la seria Luke e não eu, e ela ficaria “mas que porra é essa? Vou matar a diva da Annabeth”, eles iam pro cinema juntinho e quando ela fosse pro apartamento dele: BAM, SURPRISE DA ANNABETH. Eu mal podia esperar.
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