Legendary

6 Furacão e Tempestade


Eu havia acabado de chegar do apartamento de Luke, o que não pegava muito bem pra mim porque o Nico morava lá também, mas só espero que Percy não descubra porque se não vai dar merda. Enfim, eu fui lá deixar um presentinho para meu casal favorito que há essa hora deveria está agarradinhos na última cadeira do cinema. Digamos que eu arrumei o quarto de Luke para ele. Bem, coloquei velas, tirei aqueles lençóis nojentos e botei uns limpinhos e bonitos, joguei pétalas de rosas em tudo quanto é canto, deixei a banheira preparada para um banho com sais e pétalas, deixei uma música ambiente tocando... enfim, eu preparei tudo, pois eu sou diva demais e quero ver minha amiga feliz com aquele babaca. Vai que após uma noite louca de sexo Luke não decide tomar vergonha na cara e botar um nome de vez no relacionamento confuso deles...

Quando cheguei ao apartamento, me deparei com o silêncio. Num pleno sábado à noite e Silena ainda está dentro dos muros da Oxford, deixando-me totalmente solitária. Poderia ligar para alguém, Nico, Percy, Camila... não sei, qualquer pessoa, mas optei em estudar.

Sim, sei, deprimente estudar no sábado. Estava péssima em muitas matérias da faculdade e digamos que o curso de Medicina não era a coisa mais fácil do mundo. Juntando com a minha falta de concentração... Bem, só consigo fazer as coisas com algum auxílio.

Ritalina, no caso.

Depois de tomar um banho demorado e vestido roupas quentinhas, eu caminhei até a cozinha e preparei um sanduiche. Peguei uma garrafinha de água na geladeira e rumei até o meu quarto. Gostaria de comer mais alguma coisa, mas infelizmente ainda estava enjoada do almoço de hoje com a vaca de minha madrasta.

Ajoelhei-me no chão e peguei um cofre cinzento de baixo da cama. Ele era simples, mas tinha uns detalhes de fios dourados bonitos que se entrelaçavam formando flores sobre a superfície cinzenta. Sentei-me na cama com o cofre no colo e coloquei a senha em números, era o número do aniversário de Percy de forma bem confusa. Ele nasceu no dia 18/08 e a senha do meu cofre era 1088. A porta foi destravada e eu a abri, conferindo o conteúdo intacto e organizado dela.

Entre alguns maços de cigarros, camisinhas, garrafas de vodca estava um frasco pela metade de Ritalina. Peguei dois comprimidos e os joguei na boca, entornado a água da garrafa na minha boca logo em seguida. Respirei fundo e fechei os olhos, agora só esperar alguns minutos para que o efeito do remédio começasse a fazer efeito, depois era só estudar.

A campainha tocou e eu praguejei alguma coisa qualquer, fechando o cofre e o jogando embaixo da cama impaciente, já que o barulho da campainha estava tocando sem pausa, como se alguém tivesse colado super bond na porra do dedo no interruptor só pra encher a minha paciência.

Corri até a porta com raiva e abri a mesma como um furacão. Antes que eu pudesse gritar e xinga-lo de tudo qualquer nome que se passou pela minha cabeça o moreno me atacou. Suas mãos apertaram minha cintura me empurrando para dentro e seus lábios avançaram no meu. Meu corpo relaxou ao sentir sua língua contra a minha, ao senti-lo ali comigo. Ele fechou a porta com o pé e continuou a andar para trás até cairmos no sofá e rimos iguais a uma hiena deficiente. Quer dizer, eu, porque a risada de Percy era gostosa e contagiante.

– Sai seu gordo – eu reclamei, empurrando seu peitoral para longe, já que ele havia justamente caído em cima de mim. Mudando de ideia logo em seguida, eu puxei a gola da camisa dele e o beijei novamente. Dá para ignorar o peso dele desde que eu sinta seu abdômen definido.

– Bipolar – ele disse, sorrindo enquanto me beijava. Apertei a bundinha dele, e ele deu um pulo. Que bunda gostosa, oh céus. Ele se levantou do sofá e eu senti meus pulmões começarem a funcionar direito novamente.

Levantei-me também e o abracei beijando seu pescoço e mordendo. Segurei cada um de seus braços com uma das mãos e continuei a morder e lamber seu pescoço, subindo devagar até sua orelha, percebendo que o local se tornou um ponto fraco para ele.

– Você desapareceu o dia todo, fiquei preocupado – ele disse quase num sussurro.

– Fui visitar meu pai depois sai com Thalia – eu respondi, continuando a beijar lentamente o pescoço dele, o torturando.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Percy segurou minhas coxas e me ergueu no ar; tive que entrelaçar minhas pernas em sua cintura para não cair e segurar firme em seu pescoço. Minhas costas bateram com força na parede e eu gemi de dor. Os lábios de Percy desceram para meu pescoço, chupando forte o local, o que me fez gemer algo desconexo, talvez um palavrão. Suas mãos apertaram minha coxa forte e depois uma bateu na minha bunda, subindo pela minha cintura e parada no meio seio. Arranhei sua nuca, suspirando enquanto inclinava a cabeça para o lado para que ele pudesse beijar meu pescoço melhor. Arfei quando ele apertou meio seio mais forte por cima da regata.

Deixei meus pés caírem no chão e parei em pé, estabilizada com a ajuda de Percy. Balancei a cabeça e me concentrei em seus olhos esmeraldinos. Tão bonitos e abertos, acolhedores, profundos. Ele parecia uma versão melhorada do garoto que havia me deixado. Já eu... Bem, eu estava mais para uma vadia, um sepulcro caiado. Tão belo por fora, promissor, mas por dentro estava podre. Cheio de segredos, mentiras, manipulações. Sem dúvidas eu não o merecia, embora eu seja egoísta o suficiente para confessar isso.

– O que foi? – ele perguntou, passando a mão na minha bochecha. Fechei os olhos para sentir seu toque. Balancei a cabeça novamente e abri os olhos. – Eles estão sendo legais com você? – ele perguntou.

– Ahn?

– Seu pai, sua madrasta...

– Não, tudo está pior do que antes – suspirei e peguei a mão de Percy, me sentando no sofá. Nossa, que ótimo, Annabeth, você acabou de estragar o clima, estava tão bom... ai céus, eu preciso do corpo dele, e dele, claro – E com você?

– O de sempre, família feliz e Triton de bagagem. Não sei o que aquele babaca está fazendo aqui – Percy revirou os olhos; eu sabia que ele não gostava o do irmão dele, a situação era bem complicada. Triton era o filho mais velho e Percy era o mais novo, mas era do casamento legitimo de Poseidon, então ocasionalmente ocorriam brigas de quem assumiria a empresa.

Eu contaria que encontrei o irmão dele hoje à tarde? E que, pior, o mesmo havia dando em cima de mim em frente da prima deles? Eu sei que Percy já tem ódio o suficiente do irmão, então eu não quero arrumar mais confusão para eles. Mas, e se eu não contar e ele descobrir por outra pessoa? Não seria nada legal, ainda mais do jeito que Percy é... ou era.

Aliais, Triton era gostoso pra caramba também, não tanto quanto Percy. E, céus, acho que aquela família tem um gene muito, mas muito bom mesmo, pois Poseidon não fica muito atrás não, quando ele era mais novo era quase uma cópia de Percy. Triton era mais velho e mais experiente, será que era melhor de cama do que Percy? Hm, duvido, mas sei lá. Annabeth, será que pode parar de pensar merda?!

– Annabeth?

– Hun?

– Você está me assustando – Percy fez uma careta e repuxou o canto dos lábios num sorriso brincalhão.

– Por que? – pisquei, saindo do transe das questões sobre Triton que, na verdade, eram irrelevantes. Deviam ser.

– Você está estranha, me encarando de um jeito estranho, agitada. Sua mão não para de se mexer por um segundo – ele pegou minha mão, a prendendo entre as deles. A mão dele estava q uentinha e me dava uma sensação de paz. Dou um sorrisinho nervoso e me levanto, o puxando junto comigo.

– Eu estou bem. Que tal cozinharmos? Posso fazer, hm, macarronada. Só sei fazer isso. Pois bem, eu iria estudar, mas acho que posso deixar isso para depois. Eu estava estudando sobre o cérebro humano. Você sabia que a maioria das pessoas só usam um lado do cérebro? Geralmente é correspondendo o lado da mão que escreve. Tipo, somos destros, então usamos mais a parte direita do cérebro... embora eu ache que a Emma não use nenhum. Percy, pode pegar o macarrão no armário? – eu disse enquanto pegava as panelas, botava a água, ligava o fogão e fazia outras milhares de coisas ao mesmo tempo, numa velocidade e habilidade suspeita. Era automático, eu tinha a necessidade de falar, conversar e mexer as mãos, ficar parado era simplesmente insuportável, precisava manter minha concentração em algo.

Percy segurou meus braços com firmeza, me parando, seus olhos me encarando com intensidade. Dei um sorriso grande e ergui uma sobrancelha. Os olhos deles eram tão bonitos e intensos, um mistério que eu nunca conseguia decifrar totalmente. As bordas deles eram um pouco azuladas e iam caindo para um degrade verde claro.

– Hm, gentleman, não pode esperar para depois do jantar? – dou um risinho, jogando a franja para o lado com charme.

– Quantos litros de café você tomou?

– Ahn, 500 ml de um expresso muito gostoso – cantarolei. Era mentira, mas eu não me importava.

– Nunca mais faça isso, você fica estranha. Na verdade, pode até fazer quando fomos transar – ele segurou minha cintura e beijou suavemente meus lábios, daquele jeito inglês que ele nunca deixaria de ter. Aposto que deve ter derretido o coração das meninas de Havard.

Aquilo não deixou meus pensamentos muitos felizes, mas tentei fingir que nada tinha acontecido. Ainda não havia me acostumado com a ideia de saber que lá ele ficou com outras garotas, assim como eu fiquei com outros garotos aqui. Muitos.

Ele se separou de mim e eu indiquei onde ficavam os mantimentos.

– Então, o que você quis dizer exatamente com aquela mensagem? – ele perguntou, me entregando o pacote de macarrão.

Fiquei quieta por um momento, concentrada em jogar a pasta dentro da água fervente.

– Eu não quero acreditar ainda que tudo vai ser igual. Quero acreditar que vai ser diferente, quero começar do zero – dou uma risadinha sem humor e jogo a embalagem vazia de macarrão no lixo – Nesses dois anos, eu percebi que o meu erro foi achar que estar ao seu lado já bastaria. Sabe, quando estávamos namorando não ligávamos muito para certas coisas, como o futuro, filhos, empregos. Mesmo sempre sermos tão sérios com nossa vida, nunca paramos para saber como ia ser. Pensávamos que apenas estar um ao lado do outro já era tudo, mas na verdade não era. Antes de fazer a casa precisamos preparar o terreno.

– Esqueci-me do quanto você é inteligente com as palavras, mesmo quando tomou meio litro de café – ele sorriu de lado. Ele caminhou até a mim e segurou minha cintura, encostando nossas testas – Tudo mudou, Annie, não somos mais o mesmo. Nunca mais vou te abandonar, nunca mais vou deixar de ter ouvir, nunca mais vou fazer as promessas estúpidas que eu fazia.

– Percy, isso já é uma promessa – dou um risinho sem humor, virando-me e abrindo a geladeira. Peguei todos os ingredientes necessários para fazer o molho e comecei a jogar tudo dentro de uma panela no fogo.

– Ok, isso vai ser mais difícil do que eu pensava.

– Nunca é fácil.

– É, nunca é fácil com você.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Minha mente trabalhava rápido, pensando no melhor caminho. Percy estava perfeito, um verdadeiro britânico, muito melhor do que quando ele morava aqui. E eu, bem, já disse sobre mim. Minha conclusão de tudo é que não mereço ninguém e que era injusto com meu moreno. Desliguei a panela da massa do macarrão e deixei a massa escorrer. Percy me observava de longe, encostado na parede.

– Eu falei com Nico hoje, ele parecia muito bravo.

– Ele disse o por quê?

– Luke me disse que ele estava puto por você estar se autodestruindo. Algo assim. Vai me explicar ou terei que insistir?

Percy disse tudo num tom casual, no final deixando o tom um pouco mandão que eu tanto gostava... na cama, não aqui. Na verdade, eu odiava que mandasse em mim. Respirei fundo e passei a mão nos cabelos. Ok, que mentira posso inventar nessa situação? Virei-me para Percy e cruzei os braços, mantendo a expressão inexpressiva. Eu realmente não conseguia me manter parada por muito tempo e estava começando a ficar com medo de Percy suspeitar... era só ligar pontinho com pontinho, mas Percy não era muito ligado nas coisas.

– Acho que você não tem que achar que já manda em tudo depois de dois anos longe – eu disse duramente.

Percy pareceu magoado com o que eu disse, mas eu apenas me virei e remexi uma colher dentro da panela do molho. Senti algo sufocante em meu peito; eu odiava mentir para ele, odiava o ferir com minhas palavras, mas tenho certeza de que isso é menos do que a verdade iria lhe causar.

– Não estou achando que mando em tudo, só gostaria de saber se isso tem algo a ver comigo.

– Não, não tem nada a ver com você, feliz?

– Por que está agindo assim?

– Agindo assim como?! – gritei, me virando com a colher apontada para ele.

Percy estreitou os olhos, com a testa franzida. Ok, agora eu estava passando uma imagem de louca. Abaixei a colher e a deixei na panela, relaxando minha expressão. Eu precisava me acalmar, mas Ritalina e Percy Jackson é uma coisa que mexe realmente com meu metabolismo e agora eu percebi que a combinação dos dois era extremamente perigosa.

– Vou ao banheiro – ele anunciou, com a voz sem um pingo de alteração.

– Use o do meu quarto.

Minha respiração estava acelerada e eu não sabia que merda estava fazendo, mas meu cérebro apenas fazia o que queria. Fui até a pia e lavei o rosto... já sei, eu preciso vomitar. Bem, uma ótima solução! Desliguei o fogo do molho e joguei o macarrão lá dentro. Minhas mãos continuavam em movimentos até Percy chegar fazendo um escândalo e muito, muito irado.

– É isso que você está tomando, Annabeth?! São essas merdas de pílulas? Annabeth, olhe pra mim! – me virei assustada.

Mas eu fechei o cofre... como ele... bem, não sei, talvez não tenha fechado direito.

Os olhos de Percy pareciam um furacão, pior do que os tornados que eu já tinha isto na TV. Ele parecia com bastante raiva e preocupação, embora gritasse comigo. Ele estava nervoso, pois a garotinha que ele conheceu desde criança estava se drogando.

O pote de Ritalina estava em sua mão, e ele balança ele a minha frente, esperando uma resposta.

– Elas não fazem mal algum! – meu tom foi defensivo e também alterado.

– Aaah, não?! Olhe como você está! Aposto que tomou umas dessa hoje! Você está completamente alterada, agressiva e hiperativa! Eu vou jogar isso fora, e aqueles cigarros também. Annabeth! Cigarro! – ele fez uma pausa e balançou a cabeça negativamente, como se não acreditasse naquilo – Desde quando você fuma e bebe?!

– DESDE QUANDO TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO! DESDE QUE EU ESTOU ME MATANDO PARA PASSAR A CADA SEMESTRE NA FACULDADE! DESDE QUE EU ME APAIXONEI POR NICO! DESDE QUE VOCÊ SE FOI!

Sai correndo da cozinha, chorando e soluçando. Não foi muito maduro de minha parte, mas eu não queria aguentar sermões. Silena e Nico já me deram o bastante. Pego minha bolsa no sofá e abro saiu do meu apartamento. Percy apareceu na sala, com a expressão surpresa.

– Sou o pior erro que você pode ter na sua vida, então se livre quando tem escolha. Afinal, você ficou longe por 2 anos, mais 20, 200 anos não vai fazer diferença!

Então eu sai tempestuosamente de meu apartamento. Deixei a porta aberta para não perder segundos preciosos tendo que fecha-la. Entrei no elevador que graças a Deus estava ali, talvez apenas me esperando para entrar. Apertei o botão do térreo mas aquelas malditas portas não foram rápidas o suficiente. As mãos de Percy agarrou a borda, impedindo-as de se fecharem e ele se jogou dentro do cubículo. Suas mãos seguravam meu rosto, fazendo-me encara-lo.

– Annie... Annie... me desculpe, eu não sabia que você estava passando por tudo isso... me desculpe – ele sussurrou com uma calmaria incrível. – Eu vou te ajudar... mas por favor, pare de usar essas coisas.

Como se a situação não fosse suficientemente humilhante, eu comecei a chorar. Percy me abraçou forte e beijou minha cabeça.

– Percy... me perdoe. É sério, eu estou tentando mudar, mas cada vez está mais difícil... eu não queria te contar, porque você iria me odiar.

– Nunca irei te odiar, Annabeth... agora vamos subir, ver um filme porque você precisa descansar.

Concordei com a cabeça e assim que a porta do elevador se abriu, Percy clicou no botão correspondente ao meu andar.

Entramos novamente no meu apartamento e ele me deixou sentada no sofá vendo desenho enquanto ele terminava de preparar macarronada. Comemos com um clima tenso entre a gente, e depois vimos metade de um filme.

– Percy... você pode jogar aquele cofre fora?

– Sem problemas... não se preocupe com isso agora, durma.

Encostei minha cabeça no ombro dele e fechei os olhos. Não sei dizer qual hora ele se levantou para ir embora, só sei que acordei mais tarde com a voz de Silena me acordando para ir para a cama. Sonolenta, limpei toda a bagunça que havíamos feito e fui para o quarto dormir. O cofre havia sumido. Suspirei e me sentei na cadeira em frene da escrivaninha. Estava com sono, mas a necessidade era estudar.

Notas finais
OI GENTE DESCULPA A DEMORA!!! peço desculpa, juro que vou tentar ser menos preguiçosa Não tenho nada para comentar porque já falei tudo nas notas de Unbroken ai to sem coisa para falar HUEHUEH Muito obrigada a todos que estão comentando! Até o próximo capítulo, beijos.