Legendary
3 Meu paraíso.
Notas iniciais
"Can't take my eyes off you. You'd be like heaven to touch"
Eu estava tão nervosa e histérica que havia pedido para Percy conduzir o carro para mim; o moreno concordou de bom grado, me olhando de maneira estranha, mas teve até a sabedoria de não comentar sobre trêmulas mãos. Não poderia perder o controle de meu próprio corpo justamente agora.
— Acho que nunca te vi tão nervosa – ele comentou, por fim, enquanto colocava o cinto de segurança. Seus olhos encontraram os meus por longos e eletrizantes segundos; foi o suficiente para que meu sistema nervoso entrasse em pane. Ele deu uma risada gostosa e rouca, extremamente sexy e ligou o carro, dando partida.
Soltei o ar de meus pulmões o mais silenciosamente que eu pude e coloquei o cinto de segurança, mantendo meus olhos fixos no painel a minha frente. O que Silena diria disso? E Thalia e Luke? Céus... eles não iriam gostar nem um pouco de me ver com Percy novamente, não que ele tenha alguma culpa sobre o que aconteceu comigo, mas, bem, meus melhores amigos são pessoas estranhas. Geralmente são.
— Estou ficando realmente preocupado, seu sorriso sumiu desde que entramos no carro – ele disse com os olhos fixos na rua em que dirigia o meu carro. Ergui uma sobrancelha, ainda com os olhos cravados no painel. Percy nunca fora um cara observador e detalhista; teve uma vez que eu apareci com o cabelo com mechas pretas na nuca e ele nem percebeu. Eu ficava com muita raiva dele, pois nunca percebia a minha ironia, minha irritação, quando eu estava com raiva. E ali estava aquele menino, o meu eterno menino, prestando atenção que eu estava deixando de sorrir.
— Eu estou com medo – confessei, quase que roboticamente. Aquilo doía, aquelas palavras. Eu não devia falar aquilo naquele momento, havíamos acabado de nos reencontrar. Percy não demonstrou nenhuma expressão diferente, mas eu podia quase que ver sua cabeça funcionando, formulando algo calculado para dizer.
— Não vou dizer que sou o mesmo Percy, pois não sou. Mudei muito e amadureci, me arrependo de muitas coisas que fiz com você no passado e nunca, jamais, nada daquilo vai se repetir – ele parou o carro no sinal que acabara de se fechar e olhou para mim, que nada tinha para falar. Ele tocou minha bochecha com a palma da mão e olhou profundamente em meus olhos – Não vou de crucificar pelo o que você fez quando eu estava longe. Espero que você acredite em mim.
Balancei a cabeça positivamente, ainda não tendo encontrado forças para falar. Aquilo poderia ser verdade, ou não. Ficamos dois anos distantes, como saberia que o sentimento dele por mim estava forte o suficiente para aguentar todas as coisas banais que fiz nesse tempo?
Preciso esquecer disso, não é o momento certo para refletir sobre mudanças, eu precisava apenas sanar toda a saudades que eu sentia daquele moreno. A saudades que nenhuma droga ou bebida conseguia apagar. Só ele.
No caminho todo, enquanto conversávamos sobre sua volta, minha mente não parava de me mandar alertas. Ele está diferente, tudo está diferente! Ele vai te odiar!
Claro que todo o aviso fora devidamente ignorado para que tudo pudesse dar certo, pelo menos hoje.
Assim que chegamos ao meu apartamento me certifiquei se Silena ainda estava fora, então eu puxei Percy para meu quarto e encostei a porta. Ele sorria de uma maneira incrivelmente sexy, e eu fiquei extremamente feliz ao reparar que seu sorriso não mudou. Continuava portando aquelas promessas enlouquecedoras com um toque romântico, só que agora era dez vezes mais melhorado do que antes com todo aquele toque de maturidade e o estilo de homem mais velho.
Suas mãos prenderam minha cintura contra a porta, seus olhos encarando os meus com intensidade e desejo. Todo o meu corpo pareceu vibrar com sua aproximação. Meus olhos desceram para seus lábios rosados, tão convidativos e macios.
Todo aquele contato visual existente parecia apenas uma maneira de absorver o tempo perdido, ver os mínimos detalhes que foram mudados, dizer palavras que não conseguimos falar pela boca.
— Você é meu paraíso – ele sussurrou, passando a mão no contorno de meu corpo e subindo para meus seios. Eu queria responder, mas eu só conseguia encarar aqueles olhos esmeraldinos, tão claros que era possível contar as manchas mais escurecidas. – Você é meu paraíso e só deus sabe o quanto eu esperei para te ter novamente.
Ele me beijou e novamente ele estava em todo o lugar em meu corpo. Como se não existisse mais Annabeth ou Percy, mas sim um corpo só, fundindo em uma combustão, fazendo com que cada nervo provocasse uma onde de choque e prazer em todo o corpo.
Minhas mãos apertaram suas costas, trazendo-o mais para mim enquanto eu ofegava. Seus lábios desceram ao meu pescoço, distribuindo beijos e mordidas quentes que arrepiaram cada canto de meu corpo. Minhas mãos deslizaram até a barra de sua camisa, onde eu forcei para que a mesma levantasse até ela alcançar os braços de Percy; dei um sorriso de lado, um pouco debochado, e Percy levantou os braços, para que assim eu pudesse completar meu ato.
Sua blusa se juntou a um monte de roupas espalhadas perto do meu guarda-roupa e eu não me importava nem um pouco com aquilo.
– É muito sacrifício jogar as roupas dentro do guarda-roupa? – ele perguntou de forma extremamente sexy, de uma maneira ineditamente mandona, o que me deixou ainda mais excitada.
– É muito sacrifício andarmos logo com isso? – retruquei, com o mesmo tom, tentando ser um pouco mais sensual que ele.
Ele deu uma risadinha frouxa e atacou meus lábios novamente, nossas línguas entrando numa batalha enquanto suas mãos tiravam minha blusa. Separei meus lábios dos deles para que a blusa fosse eliminada e logo voltei a junta-los, mordendo o lábio dele com força.
Ele me pegou no colo e me jogou na cama. Não de um jeito tosco e homem das cavernas, mas como se eu pudesse quebrar a qualquer momento, ou sumir. Livrei-me rapidamente da minha saia e do short que vestia por baixo, pois já não aguentava mais toda aquela demora; e eu nem gostaria de saber o que Percy estava pensando de mim já que eu não era tão atirada quando namorávamos antes. Acho que a experiência faz isso.
Percy se inclinou sobre mim, beijando minha clavícula e fazendo um caminho até a minha barriga. Aparentemente ele estava gostando muito desse meu jeito, e até mesmo eu reparei que ele também estava diferente. Sua pegada estava mais forte, estava mais confiante. Experiente. Ok, Annabeth, deixa a última parte para lá.
Ele se sentou na cama e me puxou, fazendo-me sentar em seu colo enquanto ele retirava meu sutiã. Arranhei suas costas nuas e beijei seu pescoço, deixando ali as marcas que eu tanto gostava de deixar.
Não era como se nossos corpos não se conhecessem, mas eu sentia algo diferente.
Voltei a beija-lo com fervor e fui deitada na cama com delicadeza; Percy se desfez de sua calça e eu só pude sentir a excitação aumentando cada vez mais em mim. Suas mãos deslizaram de meus seios até minha intimidade, descendo minha calcinha até o joelho.
Novamente ali estava eu, sendo dele e ele sendo meu. Coisa que eu nunca pensara que aconteceria novamente.
...
Após uma tarde aproveitadora, havíamos acabado cochilando no tapete de meu quarto.
Eu havia colocado uma calcinha e uma blusa grande, assim como Percy havia vestido a calça novamente. Se continuássemos nus talvez não teríamos como parar e conversar (o que ao meu ver é totalmente inútil quando podemos fazer algo melhor com nossas bocas, e agora estou parecendo uma pervertida).
Mas tudo bem, nem quando fizemos a pausa para conversar nós dois conseguimos realmente conversar. Começamos um diálogo arrastado e maçante, até que o sono e o cansaço nos atingiram. Percy estava cansado da viagem e eu estava cansada de, hm, bem...
Nos aninhamos no tapete, meu corpo suado colado no dele, e fechei os olhos, aproveitando do seu cheiro. Era como um presente dos deuses tê-lo de volta para mim. Mesmo que eu não esteja apaixonada por ele, eu sabia que eu amava incondicionalmente. A atração física ainda existia, foi bem provado isto naquela tarde. A paixão seria questão de tempo.
Fui caindo gradativamente a inconsciência, até que eu acordei com a voz alta de Silena ecoando abafada.
— Nico, calma, não é como se Annabeth tivesse fugido... Não! Ela está aqui, o carro dela tá... Nico! Não! – sua voz estava distante e parecia estar sozinha, talvez falando ao telefone. Uma porta se fechou, deduzi que era a da entrada. Cocei as pálpebras com as duas mãos, me sentindo ainda cansada e sonolenta — Você devia começar a confiar mais nela...
Arregalei os olhos e me levantei do tapete. Ela estava vindo para meu o meu quarto. Era sempre seu destino quando Nico ligava para ela. Acordei Percy o puxando pela mão, o garoto levou um susto e continuou me encarando de forma preguiçosa enquanto bocejava. Usei toda a minha força e o puxei novamente, o garoto se levantou por fim e antes que qualquer palavra fosse dita eu o empurrei até o banheiro. Percy parecia totalmente confuso, embora estivesse aparentemente cansado demais para questionar algo.
— Velhos hábitos nunca mudam, está babando – eu disse enquanto usava minha força contra o corpo dele para que ele entrasse no banheiro.
— Ahn, hm, é – foi só o que ele disse, quase como um sonâmbulo.
Quando ele estava totalmente no banheiro eu dei um selinho nele e pedi para ele esperar ali por um minuto.
— Não estou insinuando nada, só acho que ela já superou... Foi o que ela me disse! – Silena continuou falando naquele tom tranquilizador que tanto me irritava. — Eu dou o recado. Tchauzinho, Nico!
Voltei para o quarto correndo e peguei as roupas jogadas no chão, enfiando no guarda-roupa e fingindo arrumar as coisas lá dentro. Segundos depois a garota abriu a porta. Seus grandes olhos azuis pareciam irritados, não sabia se era por causa de Nico ou pela bagunça de meu quarto. Talvez por ambos. Nem sempre eu fui uma pessoa desorganizada. Meu quarto sempre era bem limpo e arrumado, as roupas arrumadas por cores e tecidos, tudo bem organizado. Isso mudou um pouco quando o primeiro período da faculdade passou. Comecei a respirar os livros e trabalhos e esquecer do resto. Para mim, perder tempo arrumando roupa enquanto tenho que decorar milhares de coisa é uma perca de tempo.
— Annabeth, pela milionésima vez, será que pode atender as chamadas de seu namorado?
— Ele não é meu namorado – respondo rápido e na defensiva. Respiro fundo, tentando controlar a minha respiração. Eu sou uma ótima atriz, menos quando estou muito nervosa, o que é o caso. Pego uma blusa para dobrar e me viro para encarar minha amiga colega de apartamento.
— Tanto faz, é melhor ligar para ele, Nico está estressadinho – ela ajeitou o cabelo, fazendo uma careta para as roupas emboladas no quarta-roupa. Silena odeia todo o tipo de bagunça, ainda mais no guarda-roupa.
Espero que ela dê o surto de arrumação e comece a arrumar minhas coisas, mas ela apenas se mantem com a expressão neutra, quase que compassiva. Silena era uma pessoa bem imprevisível, mas ao mesmo tempo previsível. Complicado, realmente. Mas ela é a melhor colega de apartamento e amiga que eu poderia ter.
— Ok, vou ligar para ele... Acho que esqueci que iriamos jantar com Jenn e Caius — dou um sorrisinho sem humor, deixando claro que não estava a fim de puxar assunto. Sabia que aquilo não iria funcionar com Silena, a convivência faz isso. A garota continuaria a falar até quando ela quisesse. E Deus queira que ela tenha brigado com Charles, pois só assim ela mantem a boca calada, presa em seus pensamentos!
— Annie? – ela me chamou com cautela e de forma desnecessária, já que eu estava na frente dela.
— Sim?
Sem paciência por não estar conseguindo dobrar a blusa, eu a jogo de volta no guarda roupa, sentindo-me frustrada até. Ela iria perceber que eu estava nervosa. Eu não conseguia mentir quando tinha algo a ver com Percy. Quando ele estava no meu banheiro, ouvindo toda a conversa, após ter transado a tarde toda comigo.
— O Jackson está de volta – ela comentou, um pouco relutante. Dei um risinho sem humor e um pouco sarcástico. Eu era uma boa atriz, não era a toa que era a mais renomada no teatro de Oxford, se eu mantivesse a calma poderia conseguir fingir. Suspirei dramaticamente e me virei para o guarda-roupa, mexendo nas roupas lá dentro sem fazer algo exatamente. Só precisava esconder minhas mãos, elas sempre me denunciam.
— Eu sei. E dai?
— Não quero que aquilo aconteça novamente, e também tem o Nico, ele te ama...
— Si, nada daquilo vai acontecer de novo. Eu amadureci e tenho certeza de que Percy também. Eu sei, eu também o amo, mas eu e Nico não temos uma relação – eu não sabia o que falar sobre Nico, não havia palavras para explicar algo que nem estava claro para mim. Eu só sabia que eu amava aquele garoto, mas não conseguia explicar exatamente que tipo de amor era aquele. Provavelmente de amigo e nada mais que isso.
O chuveiro foi ligado e eu amaldiçoei Percy Jackson por fazer aquilo de propósito. É claro que ele estava ouvindo tudo. É claro que ele devia está furioso por eu não ter comentado de Nico. E é claro que a culpada sou eu. Ou talvez ele só não via problema de mostrar que já havíamos nos encontrado e que tudo parecia normal.
— Quem está ai, Annabeth? – perguntou Silena, com uma expressão totalmente desconfiada. Seus olhos azuis me analisavam assustadoramente. — Annie! Não acredito que ele está aqui! – ela disse num sussurro apressado e repreensor.
Silena tapou a boca com as mãos como se não acreditasse no que estava acontecendo, certamente minha expressão deve ter denunciado tudo. Droga, preciso trabalhar em mentir quando o assunto é Percy. Ela se aproximou de mim e tocou meus ombros com as duas mãos, sua expressão transbordava preocupação, mas eu sabia que Silena era quase a rainha do drama.
— Eu sei que ele foi tudo para você, mas ele te deixou... você seguiu em frente. Sua vida foi melhor depois disso, não acha?
– Não, não foi. Você nunca vai entender... eu não sou apaixonada por ele, é só que... eu... – as palavras não conseguiam sair e eu me senti uma inútil por isso. Me sentia como se uma avalanche tivesse acabado de me atingir e eu estivesse perdida numa imensidão de neve, sem saber que rumo tomar.
— Não chore – ela sussurrou, me abraçando — Eu quero o seu bem, sabe que sempre estarei aqui te ajudando. Não vou escolher por você, só quero que pense direito. Você está tendo uma terceira oportunidade de acabar com tudo.
Aquilo só fez com que meu peito doesse ainda mais. Por que todos falavam como se eu e Percy fossemos a pior coisa que poderia ter acontecido? Só eramos tão trágicos quanto Romeu e Julieta, tão ferozes quanto Páris e Helena, só que sem mortes.
— Só sei que tudo vai ser diferente, só não sei como vai ser de agora em diante – limpei meu rosto e sai de seu abraço. Forcei um sorriso para ela, que deve ter sido bem convincente, já que a morena sorriu de volta.
— Confio em você, converse com Nico e não esqueça do desfile. Acho que Percy já pode sair do banheiro – ela deu um risinho meigo e doce, que me fez meu coração quase doer. Me lembrei de todas as vezes que ela deixou de sair com Charles para ficar em casa comigo, tentando me animar após meu coração ter sido quebrado. Eu amava aquela garota, mesmo que me irritasse. — Eu te amo minha loira.
—E eu te amo minha morena.
Ela sorriu e caminhou em direção a saída do quarto, se virando e mandando um beijinho no ar para mim. Mandei outro para a garota e ela saiu do quarto, fechando a porta. Suspirei aliviada. Joguei-me deitada na cama, percebendo que meu coração ainda estava acelerado.
— Nico, hun? – Percy disse, saindo do banheiro vestindo apenas a calça. Seus cabelos estavam molhados, assim como seus ombros e aquela visão era realmente dos deuses, um pecado perfeito. Daquele jeito, ele ficava malditamente sexy. Me sentei na cama, o encarando séria — Quando iria me contar? Tudo bem, sem pressão nem nada. Mas ele é meu primo e melhor amigo.
— Eu e Nico não estamos namorando, Percy. Eu iria te contar, mas precisava esquecer de tudo por hoje... você não gostaria que um assunto desses estragasse nossa tarde, não é? – perguntei, de forma bem manipuladora. Todavia, era a verdade. Só a usei para me favorecer. Ele se aproximou da borda da cama e eu fiquei de joelhos, me inclinando para seu corpo e colocando as mãos em seus ombros molhados, sentindo o cheiro de sabonete.
—Vocês estão juntos, certo? E ele te ama. E você? – ele perguntou de maneira calculista.
— Não! – minha voz soou defensiva, algo que eu não gostaria para aquele momento.
— Mas? – Percy estava insistente. Engoli em seco, sentindo-me cada vez mais confusa com aquele Percy de atitudes calculistas e de jogo rápido.
— Eu estou apaixonada por ele, mas não o amo – eu disse, forçando a sinceridade a escapar pela minha boca. Preciso ser sincera, nenhuma mentira vai parecer cabível agora.
Ele desviou o olhar e o mesmo caiu justamente no painel cheio de fotografias. Tinha vários momentos bons, a maioria das fotos eram minha e de Nico. Tinha apenas uma de Percy, mas tinha Silena e Nico juntos, os únicos motivos de eu não ter a descartado. Foi preciso apagar Percy completamente da minha vida, até tentei colocar uma foto nossa no painel, mas toda vez que eu a via sentia o buraco em meu peito latejar.
Me afastei do corpo de Percy e me levantei da casa, sentindo minhas pernas doerem. O moreno tinha um irritante poder sobre mim: vetava qualquer capacidade de eu usar minha sagacidade. Não conseguia pensar em nada que realmente fizesse sentindo para resolver aquele problema, e sempre acabava num desespero na escuridão.
— Percy... Porque isso agora? Nós terminamos, esqueceu? Nico me ajudou muito e...
— Por que você não o ama? – ele me cortou.
Caminhei até a janela do apartamento e abri as cortinas, deixando a luz da lua banhar o ambiente. Na faculdade de medicina temos algumas aulas sobre psicologia, precisamos entender a cabeça humana e desvendar seus mistérios, então eu tinha uma vaga ideia do que passava na cabeça de Percy. Ele estava com sentimentos muito fortes, tivera muita expectativa em me ver, em voltar a ser como era antes (só que melhor), em poder reconstruir a vida comigo. Mas ele não estava psicologicamente preparado para saber que eu estava me relacionando com outro, mesmo que minimamente. Ele sempre viveu achando que era o único homem da minha vida, que era o único garoto que eu já me apaixonei. E mesmo com todo esse tempo, deve ser um choque para ele.
— Porque não há como amar duas pessoas ao mesmo tempo – meu coração batia muito rápido e o ar tinha dificuldade de chegar aos meus pulmões. Me manter no controle era o objetivo. Se eu fizesse isso, sabia que tudo ficaria bem.
— E há como está apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo? – ele desafiou, agora se virando para mim. Foi minha vez de desviar o olhar. Tudo menos encara-lo. Eu odiava quando faziam esse jogo psicológico, eu nunca conseguia escapar dele. Percy nunca soube jogar esse tipo de jogo, mas agora percebo que ele está bom até demais.
— Sim, mas não estou – por fim o encaro, decidida a não deixar que ele fique brincando com essas perguntas. Ergo um pouco o queixo, tentando transparecer a confiança que não tinha. — Você esperava por isso? Que eu ainda estivesse apaixonada por você?
— Não, mas também não esperava que você me estivesse com meu primo.
— Você me deixou, não importava com quem eu estivesse!
Ficamos em silêncio por algum tempo, nos encarando. Seus olhos pareciam me hipnotizar. Eu ao menos sabia como aquela briga havia começado, mas ali estávamos novamente. Num ciclo sem fim.
— Olha como já começamos! – eu disse, deixando uma única lágrima rolar — Brigando! Percy, você falou que ia ser diferente! Se for para ser assim é melhor você sair por aquela porta e não me procurar mais.
A expressão de Percy mudou, ficou mais suave, embora estivesse longe de ser relaxada. Ele pensou um pouco e se aproximou de mim, me abraçando e beijando minha testa. Soltei o ar de meus pulmões e o abracei também, sentindo ainda a dúvida em minha cabeça.
— Desculpe, não consigo imaginar você com outro... eu queria tanto que eu fosse o único na sua vida, mesmo que tenha relaxado quando fui pra Havard.
Decidi que deixaria aquilo passar. Percy havia acabado de chegar e já se deparara com um ambiente totalmente diferente. Fico imaginando quantas perguntas devem estar se passando na cabeça dele neste momento; não deve ser fácil. Melhor deixar aquilo passar realmente, pois se dependesse de mim aquilo seria uma briga sem fim. Eu preciso mudar nisso também. Não posso cobrar algo dele se também não faço.
— Tudo bem, mas saiba que o amor que eu sinto por você sempre esteve guardado – peguei sua mão e a coloquei em cima de meu coração. Ele sorriu e me beijou. — Que tal irmos a uma cafeteria?
— Adoraria, mas preciso ir falar com o reitor ainda – ele segurou minha cintura e me puxou para um beijo. Tudo dentro de mim se revirou, como se tivesse fora do lugar. Me lembrei de cada sonho que tive em que eu o beijava. De como eu sentia falta dos seus lábios — Mas amanhã te levo para almoçar, OK?
– OK.
Ele me beijou novamente, pegou sua camisa no chão e eu o levei até a porta. Apenas a fechei quando ele havia desaparecido de meu campo de visão, deixando-me sozinha com todos os sentimentos borbulhando dentro de mim.
Não tinha muita certeza sobre Percy, só sabia que eu precisava dele como sempre precisei. Acho que isso nunca mudaria.
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