Notas iniciais
Olá, meus amorecos!! Eu estou muito feliz com os comentários do capítulo anterior! *---* Vocês são maravilhosos, sério mesmo! Vontade de guardar cada um em um potinho! O que me deixa triste é saber que os comentários estão diminuindo, então peço que vocês comentem. Nem que seja pra falar que odiou. ;-; Sinto falta de alguns leitores. E acho que vocês perceberam que não respondi os coments do capítulo anterior. Pois bem, vou começar a responder assim que postar esse capítulo. Acalmem os ânimos ai. -q Nunca deixarei de responder ninguém, JAMÉ! Mas chega do meu momento depressão e felicidade (olhe só a bipolaridade (meu deus, rimou)), porque vou agradecer MUITO aos lindos, gostosos, gatos, elfos da minha vida que recomendaram!!! Cassiane Prado, Yellow, e Eduardo Ariedo, três lindos que merecem três beijos cada um! Eu amei demais cada palavra de vocês! Se sintam abraçados por mim, de verdade! Assim que li as recomendações me deu uma força do além para continuar escrevendo. Obrigada! Capítulo dedicado a vocês três. Eu sempre tento não falar muito aqui, mas sempre acabo tagarelando. Então, eu terminei esse capítulo a 15 dias atrás, mas ai eu li e falei... "Poxa, ficou um lixo. Vou adicionar mais coisas" e acabou que demorou mais pra adicionar do que qualquer outra coisa. Ah, sim, e um presente pra vocês! Pra quem ainda não sabe, postei um Spin-off sobre o Rheyn!! Sim, o pai da Lisa. Se vocês quiserem dar uma checada, aqui vai! Espero que gostem! http://fanfiction.com.br/historia/607105/A_Coragem_de_Rheyn/ É isso, boa leitura, amores! P.S: O capítulo ainda não foi betado, mas mesmo assim postei pra não atrasar muito. Depois eu corrigirei tudo que a beta apontar. :3

Tentar não se mover estava tornando-se uma tarefa extremamente difícil.

O que mais doía eram suas costas, por mais que estivesse deitada em um lugar relativamente confortável. Assim que retornou sua consciência e percebeu que algo molhado estava em sua cabeça, empenhou-se bem não se desesperar e não se mexer o máximo possível – até porque qualquer movimento poderia significar mais dor em sua coluna. Não sabia onde estava, mas sabia pelas vozes que definitivamente não conhecia aquele lugar. E por não conhecer, achou melhor continuar a fingir que estava adormecida.

Os sons que ouvia eram vozes, com toda certeza. Mas não sabia distinguir a língua que eles se comunicavam. Estava assustada, desolada e seria um eufemismo dizer que estava horrorizada. Abalada pela desordem – mental e física – do que havia acontecido. Quer dizer, aconteceu mesmo? Se não fosse pelos seus machucados e hematomas, não acreditaria em suas próprias lembranças. Mas a dor era real, e mais que isso: palpável.

De algum modo, quando Lisara recobrou a consciência e percebeu que não estava morta, a primeira coisa que pensou foi: Como? E então os olhos daquela criatura vieram em sua mente, e ela sentiu seu corpo tremer de medo. Estava com tanto favor que nem sequer tentou levantar-se e ver quem eram seus “enfermeiros”. Sabia que se abrisse os olhos, algo ruim poderia acontecer.

As pálpebras seladas serviam para tentar ajudá-la realmente a adormecer, mas o cansaço era vencido pelo medo; pela desconfiança de onde estava. Queria estar sonhando, queria que tudo fosse uma mentira, mas nada podia fazer a não ser pensar: como sairei dessa situação? E nenhuma ideia vinha em mente. Por mais que não quisesse admitir, pelo menos estar ali era melhor do que estar morta. Sem opções, permanecia ali, imóvel, esperando que alguma luz lhe viesse.

Um fato: eles a estavam ajudando a se curar. Sabia disso pois sentia o pano úmido sendo tirado e colocado de sua cabeça repetidas vezes, como se quisessem ter certeza que sua febre quase nula não iria retornar. Além das faixas que estavam em volta de sua coluna e de seu braço esquerdo, percebia que mais nenhuma parte do seu corpo doía tanto. Não sabia que erva eles tinham usado para curá-la, ou como colocaram seus ossos de volta no lugar, mas parecia mágica. E por fim, quanto pensou em tudo aquilo – principalmente sobre alinhar sua coluna novamente –, tentou não ficar vermelha de raiva quando se deu conta que eles tiveram que tirar suas roupas para examiná-la.

Realmente tentou, mas não conseguiu. Talvez por isso eles pensaram que sua febre aumentou e buscaram mais água para saná-la.

Mas não ousava abrir os olhos para saber quem era o anfitrião que a estava acudindo. Talvez não quisesse ver; talvez quisesse continuar fadada a escuridão que a acompanhava desde... bom, desde o incidente na colina. “O que foi aquilo?” perguntava-se mentalmente sempre que pensava sobre a situação que passou. Passou, isso. “Aquele dragão estava morto, não estava?” pensava quando sentia o calafrio ao se recordar daqueles olhos que pareciam fendas.

E ainda havia a dúvida do que faria após aquilo. Como escaparia daquele lugar. Como chegaria até Dormex e explicaria tudo aquilo aos seus oficiais. Seria uma falta de educação não agradecer àqueles que lhe tomaram conta, mas não sabia o que eles planejavam fazer após ajudarem-na com os ferimentos. Preferia recorrer à falta de educação do que ser devorada, ou talvez guilhotinada por outro rei. Ou servir como sacrifício a algum outro Deus que eles acreditassem.

Não queria morrer. Ainda tinha que levar a maçã, não é mesmo? Andrean jamais a perdoaria se esquecesse disso.

Pensando nisso, sua mente vez o favor de lhe poupar mais dores e ela adormeceu.

Quando voltou, as vozes tinham se calado. Devia ter se passado algumas horas, talvez duas. Mas tudo ficou quieto. Parecia que eles tinham algo mais importante para fazer a deixaram ali, só. Nem ao menos barulhos do lado de fora eram ouvidos. Lisara começou a se mexer e o raciocínio logo lhe disse a coisa mais óbvia a se fazer. Era hora de agir, e rápido.

Ao tentar se mexer, seu corpo repulsou e ela voltou ao estágio inicial, deitando-se na cama e sentindo uma dor latejante na altura de sua vértebra. Gemeu baixo, mas aquilo lhe deu a certeza: não havia ninguém ali. Com isso, ela ergueu seu braço direito – porque o esquerdo estava enfaixado e dolorido –, e tirou o pano de seus olhos, o jogando no chão. Demorou até sua pupila se acostumar com a luz fraca daquele lugar. Mas quando o fez, jurou que escutou um barulho nos arredores. Olhou, mas não encontrou nada.

Estava em uma cama improvisada e não muito limpa. Ao seu lado estava um pedaço de rocha, que dava suporte a uma pequena calamidade de chamas, mas o suficiente para iluminar todo o cubículo. E também havia ali um recipiente com um cabo com água, provavelmente o que usaram para umedecer o pano e colocar sobre sua testa.

Aquele lugar a fez lembrar dos dormitórios do campo de treinamento – mas aquele até que era um pouquinho mais confortável e acolhedor. As paredes não eram de metal, e sim de madeira e barro. O teto era também revestido por madeira e um pouco de palha, pelo que percebeu. Nada luxuoso. A confirmação: não deveria estar em outro reino, talvez na toca de um caçador do interior que se aventurou na floresta negra. Ou não. Não se lembrava do que aconteceu. Só de um corpo branco desafiando o dragão que a iria matar, a salvando. Mas... e depois disso?

Respirou uma, duas, três vezes antes de tomar fôlego para erguer cada músculo de seu corpo e pelo menos sentar-se na cama. O problema não era a dor em si, mas o acômodo por ter ficado horas ou talvez dias deitada. Não sabia quanto tempo ficou desmaiada.

Sentiu como se uma faca estivesse perfurando a região enfaixada assim que o fez, e colocou a mão sobre o machucado.

— Que maldição — murmurou baixinho para si mesma. A ferida não estava doendo tanto a ponto de não conseguir de mexer, mas ardia. Não sabia o que eles fizeram ali para que curassem tão rápido o ferimento, mas de qualquer forma, tinha funcionado.

A primeira coisa que buscou com os olhos foram suas espadas e sua bolsa, que também não estavam ali, depois, buscou com sua mão o seu colar. E se desesperou quando percebeu que ele também não estava ali.

Levantou o corpo da cama com algum sacrifício e começou a vasculhar, ignorando suas dores. Não poderia ir embora sem o seu cristal celestial e suas espadas, e principalmente, não podia ir sem o colar que seu pai lhe deu. Como faria se encontrasse algum empecilho em seu caminho? Sem chance! Teria que encontrar aquilo de qualquer jeito. Sabia que era uma atitude horrível vasculhar a casa de quem a tinha ajudado, mas estava tão desesperada que não se preocupou com isso.

— Onde está? Onde...? — dizia para si mesma, já com a paciência estourando.

Vasculhou a cama, os lençóis, o travesseiro que estava apoiada, até olhou dentro da sua própria roupa – que eles tinham até mesmo trocado, já que sua armadura já não estava mais ali. Abriu alguns armários de madeira que estavam do outro lado da parede, mas nada. Sua bolsa nem suas espadas estavam em nenhum lugar! Por fim, foi até a bacia onde se encontrava água e olhou dentro. Não para procurar bolsa e espadas, mas para vislumbrar o seu reflexo. Seu cabelo estava bagunçado e olheiras demarcavam seus olhos.

Não que ela se importasse com sua aparência, era só que...

— Está procurando por isto? — Ouviu uma voz atrás de si dizer.

Quando virou o corpo por reflexo para encarar o dono da voz, sentiu seu corpo ficar gélido e um calafrio passar por sua espinha.

Suas órbitas não foram em direção do colar que o ser segurava com uma de suas mãos, mas sim nos olhos dele. Olhos azuis muito claros. Eram quase cinzas, e poderiam ser admirados o resto da noite, se não fosse pela pupila. O formato era o mesmo do dragão que a atacou. O sangue ferveu e ela sentiu todo seu corpo esquentar.

Sua voz não saia, seu corpo não respondia, e ela sentiu um arrepio mortífero passar pelo seu corpo quando o garoto – ou seja lá o que ele fosse! – deu um sorriso de canto, mostrando seus caninos afiados.

Ela não reparou muito na aparência e nem desceu os olhos para notar em mais alguma coisa, pois seu instinto fez com que pegasse no cabo do recipiente com água e jogasse contra a face do garoto, acertando em cheio em sua lateral.

Ele quase caiu no chão pela força do baque, colocando a mão no seu rosto e soltou um gemido rouco, e Lisara não pensou em outra coisa a não ser sair dali o mais rápido possível, passando por um outro garoto mais baixo que ela, parecendo ter a aparência de uma criança. Seus olhos também não eram amigáveis, e isso fez com que as pernas de Lisara mexessem sozinhas, correndo para o desconhecido.

— O quê?! O que você fez com... Ei, volte já aqui! Você não pode sair assim! — O garoto gritou enquanto tentava entender o que acabara de acontecer.

Lisara não deu ouvidos. Continuou a correr com o máximo de fôlego e energia que ainda lhe sobrara. Ela não conhecia aquela floresta, e quando olhava para cima, a lua parecia muito mais próxima do que de costume. Sentia seu machucado doer, assim como seu braço esquerdo – justo o braço que utilizava a espada! Ela não poderia fazer muita coisa naquela situação senão fugir, embora estivesse cansada de correr dos perigos que certamente deveria enfrentar.

“Nem parece que foi treinada para encará-los, sua patética!” gritava interiormente consigo mesma.

Não havia questionamentos em sua mente no momento. Não pensou no motivo de dragões estarem ali em sua forma humana cuidando de si. Quer dizer, estavam mesmo cuidando? Eram mesmo dragões? Ela não queria pensar, só queria escapar daquela realidade o mais rápido possível.

A adrenalina fazia com que seus pés fossem ainda mais rápidos na corrida entre a vida e a morte, mesmo machucados pelos galhos e pedras no caminho. À medida que andou, ouviu barulhos e gritos, mas isso só a vez continuar a ir mais rápido. Não sabia quanto tempo iria aguentar fugindo, mas estava assustada o suficiente para sequer raciocinar sobre isso.

— Não a deixem fugir! — Ouviu o grito distante, e não precisava entender a língua deles para saber que disseram exatamente isso.

Conseguiu enxergar a luz da lua ao longe, percebendo que não haveria mais copas de árvores para camuflar-se e nem troncos para desviar. Conseguiu sair dali e continuou a correr mais alguns metros, até parar na borda. Sim, na borda. Não havia mais flores, pedras, galhos, terra, grama, e nem chão. Era como se tivesse chegado na borda da terra e, depois dali, era um precipício que não sabia para onde levava.

— Ah, meus deuses! — pronunciou assim que um grito estridente saiu de sua garganta quando chegou naquele lugar e escorregou. Se não estivesse olhando por onde ia, certamente teria caído.

Assim que parou na borda, sentiu suas pernas hesitarem e seu coração pulsar mais forte dentro do peito. Seus machucados doíam, seus pés estavam totalmente machucados, faltava saliva em sua boca e sua respiração estava descompassada. O que iria fazer? Eles iam achá-la! Tentou aproximar-se mais da borda para averiguar se a queda seria muito alta e viu algumas pequenas pedras caírem sobre as nuvens. Nuvens!

Ela ouviu passos virem e fechou os olhos com força quando algumas pessoas chegaram perto de si e pararam, prevendo o que aconteceria em seguida caso se aproximassem. Seus pensamentos voaram, e então ela olhou pra baixo. O pensamento lhe veio à mente: qual morte seria pior?

— Mantenha-se parada aí, sua... — O menino menor que parecia uma criança se aproximou gritando. Ele estava extremamente vermelho e com uma expressão brava. — Sua infratora de regras!

Pensou se realmente sentia-se ofendida com aquele insulto.

E também pensou se realmente aquela criança se tratava de um dragen. Tinha o cabelo de uma coloração loira bem clara, com alguns fios brancos mesclados. E os olhos eram tão gélidos e brancos que podia jurar que congelaria só de olhá-los. Mas aquela ofensa realmente pareceu muito séria para o garoto. Uma garota se aproximou dele, mas Lisara não reparou muito em suas feições.

Deu um passo para trás assim que o viu, ameaçando dar outro e acabar logo com aquilo.

— Não se aproximem! — Lisara clamou, colocando um braço pra frente e a outra foi até sua barriga, apoiando-a ali. — Eu quero de volta as minhas espadas e minha bolsa! Agora!

Lisara não pularia. E se o fizesse, contava que a queda fosse baixa o suficiente para não repensar na ideia de pular e se arrepender quando estivesse no ar. Na sua cabeça, ela só estava blefando para que conseguisse suas armas e assim pudesse realmente ameaçá-los. Ela encarou a garota a tempo de ver o olhar dela virar-se para direita.

Tarde demais.

Sentiu o baque do seu corpo caindo no chão e um corpo sobre si, prendendo seus braços bem atrás de suas costas. Seu rosto estava amassado contra a grama daquela região, e sentiu sua coluna doer um pouco. Tinham a pegado.

— Isso! Agora você vai sofrer as consequências por ter quebrado as regras! — Com certeza era o garoto quem falava, a ofendendo de sua maneira enquanto dava um sorriso satisfeito. Até parar e olhar para quem segurava Lisara no chão. Seu sorriso se desmanchou rapidamente. — Mas a culpa é toda sua! Por sua causa ela quase fugiu! Já falei pra você fazer as coisas direito e seguir o que combinamos!

— Oleg, você ficou de vigia, era sua função pará-la. Foi o que combinamos. — A voz que falava era suave, mas ao mesmo tempo grossa e rouca. Perigosa. Lisara soube que era a mesma voz do garoto que a tinha “devolvido” o colar minutos atrás, e que agora estava a deixando presa no chão, inclinando um pouco de sua força sobre si.

O garoto que parecia ser uma criança fez uma expressão inconformada. Pareceu mesmo muito ofendido, e até falou devagar.

— Você está querendo dizer que eu descumpri a própria regra que eu mesmo formulei? É isso mesmo? — Estava semicerrando os olhos e até alongando as mangas de sua blusa, mas ao contrário do que normalmente acontecia quando as pessoas estavam com raiva, ao invés dele ficar vermelho, tornou uma coloração azulada.

— O quê? Não estou conseguindo te ouvir — respondeu o outro, sem se importar muito. Ele tinha entendido muito bem, mas preferia não entrar nesses assuntos com alguém tão perturbado com regulamentos quanto Oleg.

Oleg iria retribuir a ofensa, estava pronto para partir para cima do amigo e lhe fazer pagar pelo que tinha dito, mas a garota ao seu lado o interrompeu e apontou para Lisara antes que ele começasse uma briga desnecessária, como se quisesse avisar que a ruiva ainda estava presente ali.

— S-saia... saia de... de cima de mim — disse Lisara com dificuldade e raiva eminente na voz, enquanto se mexia por baixo das pernas do rapaz.

Estava odiando aquilo, e sua maior vontade era levantar e dar mais um soco na cara daquele ser, mas dessa vez, para deixar uma deformidade pro resto da vida.

— Oh, é mesmo. — Ele colocou as mãos fixas na dela e prendeu-a enquanto a ajudava a levantar, de modo que ela não pudesse ver seu rosto. — Agora que ninguém vai mais escapar, vamos andando.

Ela continuou de costas para ele, enquanto ele a coordenava por todo o caminho. Achou estranho o fato de não terem colocado amarras, e nem tampado seus olhos. Mas achou que era mesmo porque, de qualquer jeito, não conseguiria fugir e eles não estavam preocupados em mandá-la para casa. A princípio ela se recusou, não mexendo o corpo de maneira nenhuma, mas o garoto que a empurrava era mais forte, e por mais que se debatesse, de nada adiantava.

— Você é bem imprudente, hm? — sugeriu ele enquanto caminhava. — Deixou até o Oleg bravo.

Não respondeu. Por que responderia? Não queria conversar com pessoas que a curavam e depois a deixavam em cativeiro, como se estivessem brincando com sua vida. E ainda não tinha certeza se eles eram mesmo dragens ou humanos. Bem que, questionava até mesmo a primeira opção: como era possível dragões comportarem-se daquele modo? Quer dizer, eles deveriam ser mais ofensivos e assustadores. Tudo bem, eles eram. Mas vendo de perto...

Com isso, perguntou-se se realmente aqueles eram dragões ou uma nova raça.

De qualquer modo, não se falava com sua caça.

“Então por que motivo ele estava tentando conversar comigo?”

— Do que você está falando? Você vive quebrando regras e tirando minhas coisas do lugar, seu insuportável. — O garoto da frente, a criança de cabelo claro, ainda falava, exalando raiva.

O que estava atrás de Lisara apenas deu um riso baixo.

Enquanto caminhava de volta para a sua cela junto com seus amáveis hospedes, notou que tinha percorrido até uma boa distância enquanto corria. Também percebeu que a vegetação daquele lugar era estranha. As árvores pareciam todas brancas ou cinzas, e as folhas ao invés de serem verdes, tinham uma coloração avermelhada e dourada. Não sabia se era só sua imaginação, ou se aquela era outra floresta que pregava peças. Na verdade, não sabia onde estava.

— Onde eu estou? — questionou. — Que lugar é esse?

— Se quiséssemos que você soubesse, já teríamos dito — respondeu o que estava atrás de si.

E assim que ele terminou de falar, a floresta acabou e chegaram a um campo aberto que Lisara nem ao menos tinha percebido que existia, por tamanha euforia enquanto corria. A grama novamente não era verde, e parecia até fazer seus pés arderem, já que estava descansa. Era como se aquela grama de alguma forma queimasse. Quando conseguiu olhar o horizonte, viu que bem no fundo, havia uma montanha coberta de gelo e neve. Era um lugar estranho. E o que tornava tudo mais estranho era ter uma “borda”.

Seria aquele o fim de Sactrum?

Depois de passarem pelo campo com Oleg apressando, porque aparentemente não gostava muito daquela grama, chegaram até uma pequena casa. Parecia improvisada, como se tivessem a feito de última hora, mas ao mesmo tempo parecia muito velha e quase caindo aos pedaços. Eles entraram e a morena indicou um banco para que Lisara se sentasse. Ela tinha a pele mais escura, um moreno muito bonito. O cabelo era ondulado e descia até a cintura. Os olhos cristalinos verde-água eram calmantes e tranquilizadores – sua expressão era de alguém muito pacífica. E nenhuma palavra saia de sua boca.

Lisara sentou-se onde a mulher indicou. Embora realmente não quisesse, não havia opções. E ficou quieta, com o rosto virado para parede. Negava-se a encarar qualquer uma daquelas pessoas pelo seu orgulho exacerbado.

— Não vai nem pedir desculpas? — O mais novo perguntou, e Lisara continuou quieta. — Além de quebrar regras é uma mal-agradecida. Olha só o problema que você trouxe, Ragh!

Ragh. Era esse o nome do de cabelo branco, o mesmo que prendeu Lisara sobre o chão e estava atrás de si, a conduzindo.

— Lisara — ele disse seu nome, e ela foi obrigada a virar-se, e quando o fez, percebeu que o rosto dele estava bem próximo. Próximo demais. Ela se afastou e seu rosto ficou vermelho de raiva e frustração. “Como esse maldito sabe meu nome?!” — Se você se comportar e escutar, poderá ter todas as respostas das suas perguntas.

Sua sobrancelha ergueu-se, mas ela manteve-se quieta. Ao notar a aparência dele, viu que os cabelos brancos dele desciam até um pouco abaixo do pescoço. Sua pele era branca, mas seu pescoço era inteiramente coberto por um tipo de pano ou lenço cinza. Mas ela decidiu não encarar os olhos. Toda vez que o fazia sentia seu corpo ficar gélido. Talvez pelo medo, talvez porque era como se ele drenasse todos os sentimentos assim que a encarava. Mas ela ainda estava com um pé atrás.

O que diabos aqueles seres queriam dela? Por que ela?

— Nós não vamos te machucar. Estaria morta se não fosse Aghna. — afirmou enquanto apontava para a morena ao seu lado, que deu um pequeno sorriso, mas novamente, não falou nada. — Deveria estar grata.

A confirmação veio quando ela balançou a cabeça positivamente, como se estivesse concordando.

— O que querem de mim? Não vou contar nada pra vocês! Não importa o que fizeram por mim! Eu não pedi por isso! — cuspiu as palavras, elevando o tom de voz.

Não importa o que fizessem, não iriam roubar nenhuma informação dela. Preferia morrer do que dar qualquer coisa a qualquer uma daquelas criaturas.

— É uma perca de tempo! Não digam que não avisei! — Mais uma vez Oleg disse, perdendo a paciência e virando-se, indo até a entrada do lugar e sumindo, como se não quisesse continuar ouvindo aquela conversa.

Ragh pareceu não se importar, e continuou a encarar Lisara com seus olhos.

— Nós apenas queremos informações. E também estamos dispostos a dá-las, caso seja necessário. — E foi ai que Lisara ergueu uma sobrancelha.

“O que está tentando me dizer? O que pretende?” pensou.

Ela não estava entendendo mais nada. O que ela, uma guerreira sem potencial nenhum que apenas herdou o sobrenome do pai tinha a ver com aquelas criaturas asquerosas? O que elas poderiam propor de bom, sendo que só causavam o mau e a discórdia? Não acreditava naquelas aparências. Elas eram falsas. Mas tratou de calar-se e finalmente encarou os olhos daquele dragen. Mostravam clareza e determinação.

Lisara tentou espantar qualquer sentimento de si e fechou o cenho. Por fim, perguntou quase em um murmúrio:

— O que você quer afinal, dragão? — perguntou com os olhos semicerrados.

— Nós queremos voltar para casa. E você tem a chave para que isso aconteça.

Faltam três dias para o fim do teste.

Notas finais
E aaaaai, meus amores? O que a Lisa tem que eles tanto querem? O que significa tudo isso? Estão curiosos quanto as nossas três novas figuras? -q Bom, o próximo capítulo vai ser grande! E também creio que será um dos meus preferidos! Me contem o que acharam e façam suas apostas nos comentários! Logo responderei os do cap anterior! Obrigada a quem leu, e bom feriado, viu?? E EU SÓ QUERO DIZER QUE EU TENHO QUE FICAR VIVA ATÉ DIA 22 (PRÉ ESTREIA DE AVENGERS!), então não me deem muitos infartos nos comentários! IUASHIUASHASHU MENTIRA, podem me fazer pular pela janela, fico morta-viva mas vou. USAHUAHS É isso, amores! Beijos e até os coments! COMENTEM, por favor. ç.ç P.S: O capítulo não foi betado (a beta está corrigindo ainda e depois irei editar), então não se preocupem com erros. Eu revisei bem, mas qualquer coisa me avisem pelos coments.