Legados do Fogo

4 III — Fenda


Notas iniciais
*Desvia das pedras* Opa! Primeiro, oi, né? Eu sei, eu sei, eu demorei muito para atualizar a fanfic... Quase um mês! Pelas estrelas, que horror. Eu peço meus sinceros perdões por isto. Eu acabei ficando com um bloqueio quando estava chegando ao ápice desse capítulo que vocês irão ler. Tinha tudo na mente, mas simplesmente não conseguia escrever. Sabe quando tudo o que você escreve parece ruim? Então! E como vocês devem me conhecer o suficiente, sabem que eu sou perfeccionista, só consegui escrever o finalzinho uns dias atrás, depois de assistir Hobbit. Eu poderia ter postado antes, mas não sairia na qualidade que vocês merecem. Logo, espero que o tamanho e o texto em si recompense a demora. Mais uma vez, meus perdões. O próximo eu tentarei atualizar o mais rápido possível, promessa de escoteiro. Mas, deixando isso de lado, poxa, como eu fiquei feliz! Primeiro, alguns fantasminhas resolveram aparecer, e isso me deixou pulando de felicidade! Os comentários então, minha nossa! Vocês são uns amores. Digo e repito: sou a autora mais sortuda por tê-los comigo. O que me deixou um pouquinho cabisbaixa, porém, é ver que o número de comentários diminuiu, e alguns que comentavam sempre se foram. Cadê vocês, pessoal? Não me abandonem! Aah, e claro, agora os agradecimentos especiais para os lindos que me fizeram chorar por suas recomendações mais que fofas! Kaliel o domador de fogo, Bloom, Sami Chan, Lia Vargas, WhoDvorak e Kalish (mais conhecido como namorido) este capítulo inteiro é dedicado imensamente à vocês e suas habilidades magníficas que me fizeram sorrir por cada palavra! Obrigada, obrigada, obrigada mesmo!!! Não tenho nem palavras para agradecer a cada elogio, obrigada, MUITO obrigada! Sou totalmente grata ao carinho de cada um de vocês! 12 recomendações, gente... Eu não poderia ser alguém mais feliz! De verdade, obrigada!!! Meu muito obrigada a todos que continuam aqui comigo! É uma honra escrever para vocês! Significa muito pra mim! Um agradecimento especial para a Holly, que betou este capítulo! Pedi a ela por conta do atraso, e ela foi super rápida! Muito obrigada, minha flor! Não sei o que seria de mim sem você! Sua lindaaa! Sem mais enrolações, vamos ao capítulo!

A lua minguante era um mau presságio, em sua luz pálida e gélida. A terra parecia morta e imóvel, abandonada pelos deuses que um dia prometeram protegê-la. Mas todos sabiam de quem era a culpa, e de como aquelas criaturas levaram o frio entre os mundos. Agora estavam ali, prontos para banhar a terra de vísceras e sangue. O prelúdio já havia começado, e Lisara não podia abandonar alguém capaz de lhe dar as informações necessárias para confirmar que o que viu mais cedo era o fim dos tempos, como imaginava. A noite passou muito rápido, e Lisara, depois de ter feito o que podia pela loira e colocar algumas armadilhas simples em volta do local para que pudesse acordar caso alguém tentasse matá-la ou pegar seu cristal vermelho, conseguiu dormir um pouco.

Os machucados expostos pelo corpo de Alina eram visíveis por conta das manchas de sangue em sua roupa. O mais estranho era que o cristal que foi dado a ela ainda estava consigo. Seja quem for, quem a atacou não buscava eliminá-la; tinha-o feito por pura maldade. Lisara havia conseguido – com muito esforço, de fato – arrastar o corpo da garota para debaixo do tronco de uma grande árvore, o único lugar seguro que achara.

Alina parecia doente e quase sem vida; o corpo frágil e repleto de cortes, o rosto estava amarelo e frouxo, e a respiração, difícil. Necessitava de cuidados médicos imediatamente, mas como poderia carregá-la até onde os oficiais pudessem tratá-la? A realidade era que nenhum estava verdadeiramente se importando com a vida dos que qualquer um ali. A morte estava à espreita, trazendo consigo o frio e a calamidade das chamas.

Quando a luz do dia chegou, Lisara mal conseguiu vê-la. As copas das árvores eram tão densas que parecia sempre escuro. E a neblina que sempre ocupava aquela área não ajudava. Não podia ver a mais de oito metros a frente por conta do nevoeiro branco que persistia em ficar ali. Ela levantou-se e espreguiçou-se, e tomou cuidado para buscar alimentos, mas tomou a decisão de não procurar alimentos naquela floresta; nada ali era confiável. Conseguiu tomar um pouco de água depois de coá-la em sua blusa e fervê-la – improvisando uma fogueira depois de ficar a parte da manhã inteira tentando acendê-la – também dando um pouco para a Alina, para pelo menos molhar os lábios dela. Lembrou-se que havia algumas frutas em sua bolsa e agradeceu mentalmente quando percebeu que também tinha as mesmas na bolsa da Alina. Mas não pegou, deixou lá para que, quando ela acordasse, pudesse se alimentar também.

De súbito, a garota começou a tremer e ranger os dentes. Lisara estava do seu lado, e percebeu pelo barulho do ranger dos dentes.

— Está com frio? — perguntou Lisara, embora soubesse que nenhuma resposta sairia da boca da loira. — Eu não tenho um cobertor aqui, mas...

Uma das qualidades de Lisara era a importância que dava ao bem-estar do próximo, mesmo não admitindo ou não reconhecendo isso em si mesma. Tirou sua proteção corporal e em seguida uma de suas blusas que a aquecia naquela noite e colocou sobre o corpo da garota. Agora havia três preocupações em sua lista: a pedra que precisava achar, o cristal que não podia-se quebrar, e a vida de alguém que mal conhecia.

Não tinha noção do tempo, mas sabia que já era fim da tarde, quase de noite. Barulho de animais rastejando, e até mesmo de corujas podiam ser ouvidos, embora não muito nitidamente. A floresta estava gélida, trazendo um ar fúnebre e que dissipava qualquer coragem. E embora estivesse mesmo frio, Alina precisava mais de conforto do que Lisara, e a última reconhecia isso.

Mas se continuasse daquele jeito, Alina não passaria de dois dias.

Absolvida de culpa logo pela manhã, Lisara deixou a companheira machucada em cuidados da própria floresta, vasculhando o lugar com cuidado para que encontrasse alguma planta medicinal que curasse seus machucados, ou que pelo menos os aliviasse. A noite havia sido horrível, e mal tinha conseguido dormir por conta da tremedeira do corpo. De fato, daria qualquer coisa para ter um pouco de paz e um bom sono, mas estava fora de cogitação.

— Como era mesmo aquela planta que servia como erva medicinal? Se o Andrean estivesse aqui... — desabafou para si mesma, sentando-se em um galho de uma árvore, exausta.

— Se eu estivesse ai o quê?

Virou-se a tempo de ver Andrean com os braços cruzados, com um sorriso de orelha a orelha. Arregalou os olhos e os pés da ruiva moveram-se sozinhos, querendo correr logo em direção dele e lhe dar um abraço – ou talvez um tapa por não ter aparecido antes. Aparentemente ele estava bem, sem nenhum machucado ou sequela de que lutou com alguém.

Lisara sentiu um alivio tremendo ao ver nos olhos do amigo o aconchego e a bondade que necessitava no momento, e pelo tamanho prazer de vê-lo, não conseguiu dizer uma palavra. Suas pernas automaticamente foram de encontro ao seu amigo, um pouco desengonçada. À medida que se aproximou, porém, percebeu que a face dele estava mudando.

Suas pernas ficaram bambas e prenderam-se no chão quando a ruiva deixou seus olhos fixos nas íris verdes-oliva de Andrean, que estranhamente estavam se modificando para um azul muito claro. Quer dizer, desde quando ele conseguia fazer aquilo?

— Andrean? — chamou seu nome, já não tendo tanta certeza se aquele era mesmo seu amigo.

As pupilas de Andrean se tornaram mais estreitas, e a cor de seus cabelos adquiriram uma cor próxima do branco. Sua pele começou a escorregar de seus músculos, como se estivesse em baixo de uma fogueira e estivesse derretendo, dando lugar à escamas. E só então Lisara notou no que ele estava se transformando.

Não ousou tocar em sua espada – esqueceu-se completamente da existência dela –, tamanho susto da imagem que estava a sua frente. E a escuridão só ajudava a tornar aquilo tudo ainda mais assustador e tenebroso.

Aquilo não era possível. Não deveria ser.

Ele era seu amigo. Não era um dragão e muito menos o que viu de manhã cedo. Mas o branco de suas escamas não enganava.

Os calcanhares dela viraram-se e começou a correr desesperadamente para a primeira direção que seus olhos puderam identificar. Não se importou com os galhos batendo em seu corpo e lhe machucando, queria apenas escapar daquilo o mais rápido possível e tirar aquela visão de seus pensamentosa. Estava assustada, e um medo cresceu dentro de si. Um medo que nunca havia sentido antes.

Um medo que seu pai provavelmente nunca sentira.

Sua respiração abafada e suas pernas a estavam levando para caminhos desconhecidos. Com uma pressa fora do normal e sem observar por onde andava, sentiu seu pé direito escorregar em um tronco de uma árvore, e seu corpo rolar por uma colina cheia de arbustos e galhos que arranharam todo seu corpo, até que este parou, imóvel no chão.

Sentiu dores e machucados arderem por toda sua epiderme, e seus músculos retesaram com a sensação que aquilo estava lhe causando. Quando colocou as mãos no chão e tentou se levantar, apoiou-se em uma árvore e respirou profundamente, olhando para trás e percebendo que ninguém a estava perseguindo. Mas o que lhe causou um arrepio na espinha foi a falta de peso que estava em seu bolso.

O cristal. Não poderia perdê-lo!

De súbito a preocupação com Andrean e o dragão branco ficaram em segundo plano.

— Não, não, não, não! — repetiu para que se convencesse de que não tinha perdido o seu bem mais precioso no momento.

Agachou-se no chão e o desespero em sua mente fez com que vasculhasse todos os cantos da grama, tateando toda sua extensão enquanto, de quatro, subia a colina que tinha acabado de cair, e pouco se importando com seus cortes e machucados, a adrenalina estava fazendo o favor de sedá-los. Subiu até que visse uma ponta do cristal refletido pela luz vermelha como conhecia. Correu até lá e colocou finalmente as mãos naquele pequeno objeto, se jogando no chão e suspirando.

— Graças às estrelas — sussurrou e suspirou, deixando o cristal em seu bolso novamente.

Fechou os olhos, finalmente sentindo a agonia em sua pele e em sua mente. Andrean não poderia ser um dragão. Não o seu amigo... Não a única pessoa em quem confiou em toda a sua vida. Forçou as pálpebras e deu um tapa em si mesma, para que segurasse as lágrimas que estavam quase a cair de seus olhos.

— Não era o Andrean, Lisara. Era só uma ilusão. — Motivou a si mesma a acreditar no que dizia.

Antes que pudesse se movimentar, uma mão lhe tocou a boca e o nariz de forma brusca. Sentiu sua respiração começar a se esvair e o ar faltar em seus pulmões, e tentou se debater o máximo que podia ao perceber que aqueles membros não queriam lhe fazer bem, e sim tentar desacordá-la para, provavelmente, pegar seu cristal e desqualificá-la do teste.

Mas não era só aquilo.

Ele tentou passar a mão em seu corpo – e mal conseguia, já que o corpo dela se debatia demais – enquanto dizia coisas que estavam despertando a ira e o fogo que existiam dentro da garota. Por fim, quando entendeu as segundas intenções, uma adrenalina fora do normal cresceu dentro de si, e sentiu cada músculo do seu interior formigar.

— Fique quieta e torne as coisas mais fáceis, garota — resmungou a voz masculina, tentando segurar a ruiva.

A ira de Lisara se manifestou quando ela, por fim, vendo que ele não iria soltá-la tão facilmente, deixou-se relaxar o corpo um pouco. Até que ele aproximou-se um pouco do rosto dela.

— Você entende rápido — disse o rapaz, deixando um suspiro escapar de seus lábios. — Agora, deixe-me brincar um pouco com você, e não ligo se você gritar, ninguém vai te ouvir.

Ele não seria perdoado. Pretendia matá-la após tocar em seu corpo, e isso Lisara não permitiria, mesmo que perdesse um dedo ou até um braço no ato, não permitiria. Relaxou o corpo e quando o garoto manteve suas atenções voltadas em alguma parte de seu corpo, ela lançou a cabeça para frente, fazendo com que batesse forte na cabeça dele, e por questão de impulso, a soltasse.

— Fique longe de mim, seu imundo! — gritou, aproveitando para pegar qualquer galho que lhe apareceu e bateu o mais forte que podia na cabeça dele.

Não sabia seu nome, e nem recordava-se de sua aparência, mas fez questão de guardar seus traços para que comentasse a algum dos oficiais esse incidente. Isto é, se aquele imundo sobrevivesse à floresta.

Não ficou ali para saber o que aconteceria com o garoto, apenas cuspiu no chão ao lado dele e começou a correr colina acima. Estava tão perturbada emocionalmente que nem lembrou-se de quebrar o cristal dele para que ele não tivesse mais chances de se tornar um paladino. Mas não necessitaria, já que, assim que os oficiais soubessem o que ele tentou fazer, teria a devida punição. Sentia sua testa doer um pouco, mas nada que não passasse dali algumas horas. Parou de correr quando deu-se por vencida pela falta de fôlego, e encostou-se em uma árvore, apoiando-se em seus joelhos e passando a mão em sua testa.

— Essa floresta... — disse entre a respiração rápida. — Maldita.

Parou para sentar-se um pouco e tentou se recordar dos fatos, dos olhos de Andrean se transformando, do corpo branco... Mais problemas em sua lista. Aquele dia estava parecendo cem, pelo tamanho dos perigos que passou apenas em algumas horas. E Andrean... Andrean certamente não poderia ser um dragen. Dizem que os dragões só comem carne. Como seu amigo conseguiria digerir tantas frutas? E ainda por cima se declarando um pseudo vegetariano.

Levantou-se e percebeu, abaixo de si, uma planta meticulosa, bem no lugar onde estava sentada. Ela conhecia aquela planta de algum lugar, mas o que poderia...

— Ai está você! — Ela pegou a planta com um sorriso e um brilho no olhar. Era justamente aquela que poderia ser usada como erva medicinal. — Agora posso levá-la até a...

E agora, com a erva em mãos, se deu conta que não fazia a mínima ideia de como voltar.

Bateu em sua própria testa e caiu no chão novamente, exausta, furiosa consigo mesma e despenteando ainda mais seus cabelos. A floresta era como um labirinto, as árvores te enganavam e trocavam de lugar. Nunca mais conseguiria achar Alina. E ela morreria. E a culpa era toda de Lisara. Não conseguia sequer salvar alguém, como poderia salvar a si própria e, futuramente, todas as pessoas nas quais se importava?

— Maldita! Maldita! — dizia em um coro, repetindo diversas vezes. — Sua. Floresta. Maldita!

Após algumas horas tentando achar o caminho, outras descansando o corpo, e mais algumas irritando-se pelo seu desleixo, percebeu que já estava amanhecendo novamente. Sentou-se, cansada, exalando fúria. Até finalmente parar de se culpar por ser tão idiota, e se atentou ao chamado florestal. Estava exausta, seu corpo doía em todas as partes raladas. E sem ao menos perceber, quanto fechou os olhos e sentiu seu corpo relaxar pela exaustão, os sonhos invadiram sua mente.

Era como se viajasse na floresta e fosse apenas um espectro. As imagens ficavam difusas e as vozes de todos pareciam mais abafadas, embora a audição alcançasse o dobro da distância habitual. Os sons de espadas se chocando eram frequentes, e Lisara se viu andando sozinha, perdida para onde seus pés a estavam levando. Viu algumas árvores retorcidas que pareciam se mexer, e certas vezes, até murmurar.

Depois de caminhar um pouco, reconheceu o lugar em que estava. E perto da grande árvore, Alina não estava mais lá. Subitamente ouviu um grito. Um grito longo, e feminino. Tinha certeza que não era de Andrean dessa vez, mas já o ouviu antes. Pensou duas vezes antes de segui-lo, mas assim o fez quando a curiosidade falou mais alto. Correu o máximo que pode para o lugar de onde vinha, e ao ver Alina no chão, mais uma vez, e um homem tentando protegê-la de outrem, Lisara pensou em esconder-se atrás de uma árvore, mas, aparentemente, eles não a estavam vendo.

— Vou repetir mais uma vez — disse o homem em pé, aparentemente sem nenhuma espada em mãos. Sua voz era intimidadora, e ele pausou as palavras para falar. — Onde ela está?

— Ela não sabe! Não está com ela! Deixe-a em paz! — gritou o garoto, abrindo os braços para proteger a loira.

Lisara curvou o cenho e fechou um pouco os olhos, mas reparou quem era o garoto que protegia Alina. Como não reconhecer o semblante e os olhos esverdeados de Andrean quando este estava morrendo de medo, mas disposto a correr risco de vida por alguém? O verdadeiro Andrean.

— Eu não me lembro de ter dirigido a palavra a você — disse o homem, enquanto virava a cabeça lentamente para Andrean, e seu olhar era assustador. Lisara não se recordava de ter visto em nenhum momento pelos campos de Dormex. Ele, então, com fúria tomando conta de si, se aproximou de Andrean lentamente. — Você quer tanto assim morrer, humano estúpido?

“Humano estúpido?”, pensou Lisara consigo mesma.

— E-eu... — gaguejou, dando um passo para trás pelo medo. — Eu já disse! Não estamos com a Zoltan!

Os pensamentos de Lisara não tinham outra coisa a não ser quem era aquele homem com cabelos escuros e pele morena. Em seu braço estava uma cicatriz, mas uma cicatriz que tinha forma. Parecia uma chama... Algo que nunca tinha visto em sua vida. Definitivamente ele não era do exército de Sactrum. Seu tom era ameaçador demais, e, embora não pudesse ver seus olhos, sabia que eram assustadores e ferozes pelo modo como Andrean o encarava.

Mesmo de longe, Lisara pôde ver o semblante do homem fechar-se e, aparentemente, ele perdeu a pouca paciência que estava tentando ter. Ela não viu o movimento, mas assim que terminou de piscar, o homem já estava com o pescoço de Andrean nas mãos, prendendo seu corpo em uma árvore e jogando sua espada longe. Agora o Ostwald estava completamente indefeso, pronto para ser levado para outro mundo, se quem o atacava assim quisesse.

Lisara, com toda a pressa que podia, tentou correr para o local, mas era como se uma barreira a impedisse de prosseguir. Gritou várias vezes o nome do amigo, mas sua voz não saía.

O homem aproximou seu rosto o suficiente de Andrean, que tentava buscar ar o quanto conseguisse.

— Está me tratando como tolo — murmurou em um tom alto. — Acha que eu não sinto o cheiro?! Está aqui, está com ela... A filha daquele maldito...

A ruiva sentiu seu corpo tremer. Ele falava dela? Andrean também pareceu perceber o que ele verdadeiramente procurava, e provavelmente havia confundido Lisara com a Alina. Mas não havia qualquer semelhança entre elas! Como poderia confundi-las daquele modo?

— Lis... Lisara...? — Foi tudo o que Andrean conseguiu dizer, antes de seus olhos serem tomados por espanto e fúria. — Você... não vai conseguir... eu não vou deixar que a mate...

Lisara, que estava atenta a tudo, arregalou os olhos e sentiu sua respiração vacilar junto ao seu corpo, que tombou ao chão. Ela não estava com pedra nenhuma! Por que estavam a procurando? Por que a queriam morta? Por que matar seus amigos? Suas esperanças estavam perdidas. Não queria ver a morte do seu amigo mais precioso, não queria ver seu sangue escorrer. Nunca em sua vida quis presenciar este momento. Sentiu suas mãos começarem a tremer, e apertou-as, balançando a cabeça negativamente e se sentiu uma inútil. Queria impedir, queria que fosse apenas um pesadelo, ou uma ilusão causada por aquela floresta.

"Alguém o ajude, alguém... Por favor..."

Quando abriu os olhos, vacilante, após ouvir um gemido rouco sair da boca de alguém, viu com clareza o líquido escarlate pingar, escorrendo das roupas negras que o ser em questão possuía. E arregalou os olhos, colocando a mão na frente da boca. As lágrimas já não podiam ser evitadas.

Mas o sangue não era de Andrean.

De último momento, viu que a loira, mesmo sem forças cambaleando, pegou na espada de Andrean que o homem havia jogado e a enfiou com a pouca força que tinha em um ponto próximo de sua barriga. Ela não aguentou mais e tombou no chão, mas com um olhar voraz dirigido ao homem.

No mesmo momento ele largou o Andrean, que caiu no chão e tossiu várias vezes, respirando todo o ar que lhe faltou e ainda buscando mais, rastejando para longe daquele homem e deitando-se no chão, aparentemente zonzo e sem forças para sequer falar.

— Isso doeu, sua vadiazinha irritante. — O homem rosnou e virou-se, mais irritado do que antes. Ele tirou a espada de seu interior, como se esta não tivesse feito nada.

Alina não pareceu surpresa, apenas tentava se afastar do homem esgueirando-se no chão e colocando seu corpo para trás. Lisara estava preocupada e sentia o coração bater cada vez mais forte, enquanto se sentia uma completa inútil. Como ele não poderia estar morto? Chegou a conclusão rápida de que ele não era um homem, afinal. Era definitivamente um dragão em sua forma humana. E dragões, mesmo se atingidos em alguma parte de seu corpo, no máximo sentiam apenas dor. Aquela espada não teria efeito nele.

— Sinto ainda mais prazer em te matar, agora que não vejo mais utilidade para mim. Como será sua carne? Quem eu devoro primeiro? — ele dizia em voz alta, com um sorriso sarcástico no rosto, andando calmamente até sua presa.

Lisara, repleta de raiva e vendo Alina tomar em seus movimentos até não ter mais forças para se mexer a não ser esperar pela morte, sentiu sua respiração acelerar, e ficou de pé, afastando-se um pouco de onde estava. Faria de tudo para atravessar aquela barreira, nem que a solução fosse a força bruta. Nem que tivesse que amassar seu corpo para chegar até o outro lado. Se ele queria a ela, assim a teria. Seria tempo suficiente para Andrean pegar Alina e fugir.

Mirou bem, até que, por ironia do destino, ou talvez porque este adora pregar peças, viu algo brilhar em meio a grama. Embora estivesse aterrorizada pela cena a sua frente, pareceu que tudo ficou em pausa quando olhou atentamente para aquela pedra em questão. Tinha certeza, disseram que ela saberia quando visse, mas não podia acreditar que era a Zoltan. E como o ditado dizia, apenas para os necessitados ela apareceria. Lisara largou o que estava fazendo no mesmo momento e foi até o chão, pegando a pedra, mas não para ficar consigo, e sim para jogá-la o mais longe possível para atrair a atenção daquele que já estava com a lâmina posicionada para matar Alina.

Contanto, assim que Lisara pegou na pedra, o homem – ou melhor, o dragen – cessou completamente seus movimentos. O momento pareceu parar, até mesmo o vento deixou de soprar, e Lisara olhou fixamente para ele, que voltou seu corpo aos poucos, e encarou nada mais, nada menos, que ela mesma, como se pudesse enxergá-la. Na verdade, ele definitivamente podia enxergá-la. E não só a ela, como a pedra em suas mãos. Ele a olhou atentamente, e esqueceu-se completamente de Alina e Andrean.; naquela situação, eles não seriam problemas.

Os anseios de Lisara alarmaram-se e cada músculo de seu corpo tremeu com o olhar daquela criatura sobre si. Seus olhos eram de um tom amarelo, e assim como vira anteriormente, suas órbitas pareciam fendas. O cabelo caia em cascata sobre seus olhos, e Lisara se viu perdida ali, tremendo de medo, e entendendo a sensação que Andrean sentiu ao olhá-las: uma sensação de perda, de sofrimento, como se todos os seus medos viessem à tona. E permaneceram assim, parados, encarando um ao outro por longos segundos, até as árvores e todo aquele cenário começar a se dissolver, deixando de ser a realidade que conhecia.

A última coisa que viu foi o dragen mostrar todos os seus dentes pontudos em um sorriso maldoso e irônico, antes dela finalmente acordar e encontrar diante de si uma escuridão igualmente parecida com aquela em que viu nos olhos do dragen. E não só isso, como a pedra em suas mãos lhe deixaram claro que a escuridão daqueles olhos logo a alcançaria.

Mas dessa vez, não haveria barreira para impedi-la de atacar, ou morrer tentando.

Faltam seis dias para o fim do teste.

Notas finais
É, eu sei, parei bem na parte interessante, muahahahaha! Well, espero que tenham gostado da Lisa respondendo-os, pois agora creio eu que será o Andrean novamente. Eu espero cada um de vocês nos comentários, preciso saber se ficou bom, e tudo mais. Fantasminhas, que tal fazerem uma aparição pra mim? Iria me deixar muito feliz! Ah, sim, eu vou fazer um tipo de joguinho. Façam-me uma pergunta nos comentários, uma curiosidade que queiram saber da história, sobre algum personagem, e eu deixarei as respostas de uma ou duas perguntas nas notas iniciais do próximo! :3 Beijos, meus queridos! Até os coments! E por favor, se não for pedir demais, apareçam. :( Não tenho o direito de cobrar nada de ninguém, mas senti falta de algumas pessoas no capítulo anterior! TAT P.S: Quem ainda não entrou no grupo da fanfic, apareça por lá! É um lugar para todos nos divertirmos e falar sobre a LDF, livros em geral. Espero cada um de vocês lá! https://www.facebook.com/groups/832928456746049