A noite em Astúria estava sufocante, mesmo com o vento gélido que soprava lá fora. Siena atravessou os corredores com passos que não eram de uma princesa, mas de uma mulher em fuga. Quando abriu a porta do quarto de Arthur, ela não bateu; ela entrou como se estivesse buscando o último rastro de oxigênio de um mundo que a asfixiava.

​Arthur estava parado ao pé da cama, retirando a túnica militar. Ao vê-la, ele travou. O rosto de Siena estava pálido, os olhos dilatados, e o peito subia e descia em uma respiração curta e desesperada.

​— Siena? O que...

​— Eu não consigo mais, Arthur! — Ela interrompeu, a voz falha, quase um grito sufocado. Ela levou as mãos ao peito, apertando o tecido do vestido. — Eu não aguento mais esse teatro. Não aguento sorrir para o Cardeal, não aguento dançar com você como se fôssemos estranhos, não aguento deitar naquela cama fria e sentir o silêncio me devorar. Eu preciso de você. Eu preciso que você me tire desse gelo antes que eu desapareça!

​Arthur jogou a túnica no chão, o mármore de sua expressão desmoronando em uma fração de segundo. Ele atravessou o quarto em dois passos largos, segurando o rosto dela com as mãos trêmulas.

​— Você acha que eu estou seguindo em frente? — Ele sibilou, os olhos escuros de uma fome antiga. — Eu morro um pouco a cada vez que te vejo e não posso te tocar. O ar falta nos meus pulmões toda vez que você sai da sala. Se isso é um teatro, Siena, eu sou o pior dos atores, porque minha alma está gritando por você a cada segundo.

​Não houve mais palavras. O abismo que os separava nos últimos meses foi fechado em um beijo violento e urgente. Foi um encontro de lábios que carregava toda a mágoa, a saudade e o desejo reprimido. Siena o puxou para si, as mãos agarrando os cabelos da nuca dele, enquanto Arthur a prensava contra a porta fechada, as mãos descendo possessivas por suas curvas.

​A urgência era absoluta. O mundo lá fora — a coroa, o clero, o destino do reino — deixou de existir. Naquele quarto, restavam apenas dois seres humanos famintos um pelo outro. Arthur começou a abrir os laços do vestido de Siena com dedos impacientes, enquanto ela puxava a camisa dele, querendo sentir a pele quente que visitava seus sonhos.

​Quando o vestido deslizou pelo corpo dela, caindo aos pés, Arthur parou por um breve segundo, admirando-a sob a luz bruxuleante das velas. Ele a pegou no colo, levando-a para a cama com uma força que fazia o coração de Siena disparar.

​Eles se entregaram um ao outro sem reservas. Cada toque era uma descoberta, cada carícia era uma compensação pelos meses de inverno. O beijo desceu pelo pescoço dela, fazendo-a arquear as costas e soltar um gemido baixo que ele abafou com a própria boca. As mãos de Arthur, calejadas pelo aço, eram agora instrumentos de uma ternura ardente na pele macia de Siena.

​Fizeram amor com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode nunca chegar, ou que pode trazer novas muralhas. Era uma dança de corpos que se conheciam pelo instinto, uma sincronia de respirações e sussurros. Arthur a possuía como se estivesse reivindicando o que sempre foi seu, e Siena o recebia com a entrega de quem finalmente encontrou seu porto seguro.

​— Só você — ele murmurou contra a pele dela, o suor brilhando sob a luz do fogo. — Sempre foi você.

​— Me queima, Arthur — ela implorou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Me faz esquecer quem nós somos.

​Naquele momento, o Capitão e a Princesa foram incinerados pelo desejo. O que restou foram apenas o Falcão e a Loba, unidos em um abraço que desafiava Deus e os homens. O suor, os gemidos abafados e o calor intenso transformaram o quarto em um santuário de pecado e redenção. Eles se perderam um no outro, atingindo o ápice de uma paixão que nenhum cardeal ou rei poderia apagar.

​Quando o silêncio finalmente retornou, eles permaneceram entrelaçados, as peles ainda quentes, o cheiro de amor misturado ao de lenha queimada. O gelo havia derretido por completo, e embora o mundo lá fora continuasse perigoso, dentro daqueles lençóis, eles eram, pela primeira vez em muito tempo, verdadeiramente livres.