A noite em Astúria parecia carregar um peso diferente, uma densidade que o vento que soprava das montanhas não conseguia dispersar. Quando Siena entrou no quarto de Arthur, não havia hesitação em seus passos. A porta se fechou com um clique suave, selando o mundo exterior e todas as suas regras e coroas.

​Arthur estava em pé junto à lareira, apenas com a camisa de linho entreaberta. Ele se virou, e o brilho nos seus olhos era a única luz que Siena precisava. Não houve conversa longa dessa vez. A urgência da descoberta mútua era um convite silencioso que ambos aceitaram no momento em que seus olhares se cruzaram.

​Ele deu um passo à frente, encurtando a distância. Siena ergueu o rosto, e o que começou como uma provocação de lábios roçando, finalmente se transformou no primeiro beijo.

​Foi um toque exploratório, quase casto no início, mas carregado de uma eletricidade que os fez estremecer. Para dois herdeiros criados sob o peso do dever, que nunca haviam permitido que ninguém chegasse tão perto, a sensação era avassaladora. O beijo mudou rapidamente; a curiosidade deu lugar a uma fome desajeitada e sincera. Eles não tinham técnica, não tinham experiência, mas tinham uma conexão que transbordava.

​Arthur envolveu a cintura de Siena com as mãos firmes, trazendo-a para perto até que não houvesse mais espaço entre eles. Siena entrelaçou os dedos nos cabelos da nuca dele, soltando um suspiro baixo contra os lábios de Arthur que parecia um misto de alívio e entrega.

​— Você... — Arthur murmurou entre os beijos, a voz falhando como nunca ocorrera em um campo de batalha — você não faz ideia de quanto tempo eu tentei não fazer isso.

​Siena sorriu contra a pele dele, subindo os beijos para o maxilar e a curva do pescoço.

— E agora que fez? Vai me dar uma ordem de prisão, Capitão?

​— Talvez — ele sibilou, a respiração pesada, conduzindo-a lentamente até a cama. — Mas a sentença seria você nunca mais sair deste quarto.

​Eles se deitaram entre os lençóis, os corpos se descobrindo com uma timidez que logo era vencida pelo desejo. Cada toque era uma novidade. Arthur tateava a curva das costas de Siena com uma reverência quase sagrada, enquanto ela descobria a força dos ombros dele, maravilhada com a realidade do homem que ela tanto provocara.

​Havia provocações, sim — risos baixos quando as mãos se perdiam ou quando o calor se tornava intenso demais para as palavras.

— Então é isso que o "Falcão" esconde sob a armadura? — Siena sussurrou, a mão deslizando pelo peito dele, sentindo o coração de Arthur martelar descontrolado contra sua palma.

​— E a "Loba" — ele rebateu, prendendo-a sob seu corpo, mas mantendo o peso sobre os cotovelos para não machucá-la — parece que finalmente encontrou algo que não consegue dominar apenas com palavras.

​O clima esquentou sob a luz das brasas. Beijos mais profundos, mãos que exploravam territórios desconhecidos com uma urgência crescente, mas mantendo a promessa daquela descoberta lenta. Não havia pressa para o fim, pois o meio — o sentir, o tocar, o descobrir o gosto um do outro — era o tesouro que eles haviam guardado sem saber durante toda a vida.

​Naquela noite, nos aposentos de Arthur, não havia uma princesa ou um capitão. Havia apenas dois jovens descobrindo que a intimidade era a maior liberdade que já haviam experimentado. E, entre suspiros e promessas mudas, Astúria ganhou um novo segredo, um que queimava mais forte do que qualquer lareira no castelo.