Notas iniciais
Olá, amores! Quero fazer um pedido pra vocês! Como eu disse, eu já terminei LL2, vai até o capítulo 91 Agora já estamos no 84, faltam só mais sete capítulos. Vamos tentar chegar nos 800 comentários? Voltem nos capítulos anteriores e comentem, sei lá. Seria tipo um sonho chegar nos mil, mas acho que não vai dar ahsuahsua Mas em 800 acho que conseguimos! Com tantos comentários e recomendações, chamamos leitores pra fic e isso é muito bom. Recomendem a saga em grupos de fanfics, peçam pra amigos começarem a ler, pleaaase! Porque um dia eu pretendo publicar um livro (eu já tenho ele praticamente pronto, só estou revisando e arrumando mais alguns detalhes e juntando o $$ pra publicar) e quanto mais gente conhecendo a minha escrita, mais chances meu livro tem de ficar mais conhecido =D Então dêem essa ajudinha pra Tia Vênus, ok? Eu já plantei a árvore e já tive um filho. Só falta o livro preu zerar a vida ahuahsuashaus Bem... é isso! Obrigada por todos os comentários! Eu vou postar toda quarta feira agora, ou quando tiver 15 comentários ou recomendação ^^ Se tiver 12 comentários, eu posto Quarta e Domingo =D Então é isso! Espero que gostem do desenrolar da fic. E preparem o coração... porque vai ser tenso daqui pra frente.

Capítulo 84

Sentiu uma enorme dor nas costelas e gemeu baixinho. Respirou fundo, olhando para o lado e viu Loto, o olhar preocupadamente. Gemeu de novo, tentando se sentar, mas Loto não deixou.

—Fique parado. Você se machucou pra valer e não podemos ir no Mungus. – explicou ele – Eu e Rose somos os únicos versados em magia de cura, e não somos profissionais, então...

—O... o que houve? O Navi... ele...

—Ele tá bem. – riu Loto – Todo mundo está bem, até a Lyra, que tava sangrando, mas a Rose já arrumou tudo e garantiu que o bebê está bem. Navi se queimou um pouco, mas logo deve ficar cem por cento, ok? Assim como você. Então apenas descanse.

—O que houve? O que foi aquilo? – perguntou Draconis.

Loto sorriu e lhe entregou um jornal. Um jornal trouxa. A capa dizia que havia tido um ataque terrorista de um grupo Islâmico na parada gay.

—Aquilo não foi um ataque terrorista. Foram bruxos. – disse franzindo a testa.

—Te faz pensar a respeito de todos esses atentados que já aconteceram até hoje, não é? – perguntou Loto. Draconis respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça. Loto sorriu e lhe beijou a testa – Descanse, ok?

—Eu sonhei com a minha mãe. – murmurou ele. Loto o olhou curioso – Eu sonhei que me encontrava com ela... em um castelo... haviam duas delas e eu queria matar as duas... – engoliu em seco, assustado – O que isso quer dizer?

—Quer dizer que você anda tendo uns sonhos esquisitos. – riu Loto – Você não faria mal a uma mosquinha, Draconis.

—Faria sim. – murmurou segurando a mão do namorado – Eu tenho um lado mau também, sabe? – perguntou com um sorrisinho. Loto sorriu novamente e se deitou ao seu lado.

—É mesmo, Angel? – perguntou ele lhe chamando pelo nome de Drag. Deu uma risadinha, mas logo fez uma careta, sentindo dor – Você conseguiu quebrar quatro costelas. – riu Loto.

—Que maravilha. – resmungou ainda fazendo careta – Como vou trabalhar assim?

—Eu sei lá... eu posso te dar alguns entorpecentes...

—E ficar drogadão no trabalho? Não valeu. – disse rindo. Loto sorriu também e lhe beijou de leve.

—Fiquei com medo de te perder ontem... – confidenciou ele – Nunca mais me faz passar um susto desses ouviu? – ralhou ele. Draconis concordou com um sorriso, olhando o namorado com carinho.

—Eu te amo... – sussurrou pra ele. Loto sorriu o olhando com ternura.

—Eu também te amo, Drac...

*

Damian suspirou olhando o calendário. Faltavam dois dias para o início das aulas. Estava na cozinha, sozinho, escutando todos os filhos andarem de lá pra cá pela casa. Póllux e Castor ficavam cantando musiquinhas românticas para Draconis e Loto. Dido e Cerce estavam conversando com Rose sobre o curso dela, perguntando quando ela se tornaria uma Medibruxa oficial e Dido falou sobre ter ficado interessada na profissão.

Sorriu olhando para as três garotas que finalmente pareciam estar se dando bem... Alhena ficaria orgulhosas delas. Órion estava numa animação sem fim e disse que iria passar o dia em seu novo uniforme da escola, pois ele finalmente estaria entrando em Hogwarts. O garoto até tinha pegado um cachecol de Draconis e colocado, apenas para ter um acessório da Sonserina, já que o uniforme do primeiro ano não tinha nenhum detalhe das casas.

Prim olhava a janela de maneira sonhadora e um tanto triste. Os cabelos negros presos numa trança, como a mãe dela costumava pentear... Prim, mesmo tendo o cabelo preto, era a mais parecida com Alhena. Engoliu em seco olhando para sua menininha, sentindo um peso horrível no coração.

Mas já tinha enrolado o suficiente.

—Ei, molecada! – disse batendo palmas. Seus filhos, e Loto, olharam para ele – Eu tenho algo para mostrar pra todos vocês. Eu quero que fiquem muito comportados e quietos. – disse muito sério e todos olharam para ele – Nós encontramos a mãe de vocês. – foram muitas reações e uma chuva de perguntas, mas levantou a mão pedindo silêncio e todos se calaram, voltando a olhá-lo com atenção – Mas... mas a mãe de vocês... – ele engoliu em seco sem saber como falar, recebendo um olhar penetrante de Prim.

—Ela morreu? – perguntou a menina com a voz cheia de medo, denunciando que ela segurava o choro.

—Não. A mãe de vocês está viva. – disse e recebeu suspiros e sorrisos cheios de alívio. Respirou fundo – Mas ela não está bem. – explicou e todos ficaram muito sérios. Viu Loto entrelaçar os dedos com os de Draconis, que parecia em choque – Ela não se lembra de nada... ela não fala, ela... ela meio que... está ausente... está viva e apenas isso. – explicou e seus filhos olharam com dor no olhar, inclusive Castor e Póllux que sempre tinham uma piadinha pronta para tudo – Ela não vai reconhecer vocês. Ela... ela enlouqueceu, entendem... eu... eu sinto muito... – murmurou com um nó na garganta, vendo o olhar desconsolado de cada um de seus filhos – Eu sinto tanto... – escondeu o rosto com as mãos, envergonhado por ter que dizer aquilo. Alhena era sua esposa e era obrigação dele protegê-la e cuidar dela... mas ele permitira que aquilo acontecesse... foi por suas falhas que ela tinha saído de casa e ficado vulnerável... ele tinha falhado com ela... e por isso doía tanto falar aquilo para seus filhos. Sentiu alguém abraçá-lo e notou que era Rose. A abraçou de volta, o mais apertado que conseguiu, sem que fosse possível conter as lágrimas. Mais braços o envolveram. Cerce e Dido. Órion. Draconis. Póllux e Castor. A única que não veio foi Prim. Ela chorava sentada no sofá, em silêncio. Viu a caçula arfar e soluçar, para depois levantar e sair correndo para o próprio quarto. Se sentiu o pior pai da terra e Loto foi atrás da menina, para conversar com ela – Eu sinto muito... – murmurou mais uma vez, perdido em dor.

—Podemos vê-la, papai? – perguntou Rose – Por favor.

—Eu... eu vou trazê-la aqui... ela está escondida. – explicou arfando – A Resistência de Potter descobriu que queriam usar a sua mãe para experiências com bruxos... por isso precisamos mantê-la escondida. – explicou. Seus filhos foram se soltando e se afastando, fungando e dando apoio uns para os outros – Fiquem aqui, ok?

Todos concordaram em silêncio. Pegou a varinha e aparatou. Draco o esperava no salão principal da mansão. Membros da Armada andavam para lá e para cá, parecendo super ocupados. Alhena estava sentada ao lado de Draco, no piano, tocando sozinha uma musiquinha simples e fora de ritmo.

—Isso. Muito bem. – riu Draco, aplaudindo, quando ela terminou. Alhena sorriu para ele de maneira inocente e bateu palmas o imitando – Você vai ser uma excelente pianista. – adicionou ele. Draco o escutou se aproximar e sorriu – Lena. Olha só quem chegou.

Alhena se virou e sorriu se levantando. Ela veio correndo e pulou em seus braços, como se fosse uma criança. A abraçou a apertando contra si, mas ela se desvencilhou e o puxou pela mão, até o piano. Ela se sentou e começou a tocar novamente o olhando com expectativa. Draco sorriu orgulhoso, mas Damian estava triste. Ele queria sua esposa de volta... ele queria a mãe de seus filhos de volta. Por isso não conseguiu sorrir. Alhena notou que ele não parecia feliz, pois parou de tocar e pareceu ficar triste também.

—Não, não fique triste, meu amor... foi lindo... – murmurou fungando de leve. Alhena se levantou o olhando preocupadamente. Depois acariciou seu rosto de leve e ele a abraçou novamente – Eu vou levá-la... pra mostrá-la pros meninos. – murmurou.

—Eu sei. – disse Draco – Boa sorte, Damian... – murmurou ele.

Concordou com um aceno de cabeça e olhou para a esposa, que estava mirando-o com um olhar curioso.

—Vamos passear? – perguntou ele. Alhena concordou e se virou em direção à porta, como se estivesse indo para os pavões – Hoje vamos pra outro lugar. Vamos. – disse gentilmente entrelaçando a mão com a dela. Alhena o olhou curiosa e os dois foram até a sala de visitas. Jogou o flu nas chamas da lareira e murmurou – Residência dos Burke. – as chamas brilharam num tom verde esmeralda e os dois entraram, apesar de Alhena parecer assustada com a ideia. Seus filhos todos os esperavam com ansiedade. Loto tinha voltado com Prim, que parecia miseravelmente infeliz. Guiou Alhena até uma poltrona e se virou para os filhos. Póllux ficou de joelhos ao lado dela, a olhando tristemente – Alhena. Esse é Póllux. E aquele é Castor. Vem, Castor. – murmurou Damian. Castor se ajoelhou ao lado do irmão e Alhena olhou curiosa para eles.

—Oi, mamãe. – murmuraram os dois. Alhena sorriu olhando para eles e tocou a cabeça de Castor, como se procurasse alguma coisa na cabeça dele. Viu o lábio do filho tremer e ele começou a chorar olhando para ela.

—Mamãe... sou eu, Castor... lembra de mim? – perguntou ele. Alhena voltou a se sentar direito e olhou para ele serenamente – Mamãe?

—Ela não fala, Castor... – murmurou Damian. Póllux abraçou o irmão, que começou a chorar cabisbaixo, em silêncio. Os dois se levantaram e Draconis se aproximou com Rose – Alhena... esses são Draconis e Rose.

Alhena olhou para os dois, sem mostrar o menor interesse. Ela o olhou curiosa e suspirou.

—Mamãe... – murmurou Draconis se ajoelhando na frente dela – Vai ficar tudo bem, ok? – perguntou ele. Alhena suspirou e deu de ombros, sem dar muita atenção para ele. Rose soltou um soluço e os dois se afastaram. Cerce e Dido vieram de mãos dadas, já chorando e Alhena se levantou ao vê-las, para então abraçar Dido, que caiu no choro mesmo.

—Mamãe! – lamentou ela. Damian olhou curioso e Alhena se afastou para sentar novamente, sem parecer tocada pelo choro das duas – Sou eu, Dido. Você se lembra de mim? – perguntou ela, mas Alhena apenas a encarou com o mesmo semblante sereno de sempre. Cerce soluçou e Dido saiu da sala correndo e escondendo o rosto com as mãos.

Prim se aproximou e se ajoelhou aos pés da mãe, para deitar a cabeça no colo dela.

—Eu te amo, mamãe... – murmurou ela. Alhena suspirou e olhou para Damian, como se não soubesse o que fazer.

—É a sua filha Prim, Alhena. – disse baixinho. Alhena suspirou e olhou curiosa ao redor. Os olhos dela pararam em Órion, que a olhava timidamente. Alhena corou de leve e sorriu, se levantando. Ela desviou de Prim e andou até Órion, que a olhava com os olhos esbugalhados. – Esse é Órion, Lena. – murmurou Damian.

Mas Alhena não lhe deu atenção. Ela olhava atentamente para Órion, completamente focada nele. Então ela segurou o rosto dele entre as mãos e sorriu.

—Damian... – murmurou ela. Todo mundo piscou em choque.

—Órion, mamãe. Eu sou o Órion. – murmurou o menino. Damian andou até a esposa e a fez olhar para si.

—Eu sou o Damian, Alhena. Eu. Você lembra de mim? – perguntou afoito. Ela o olhou e fechou os olhos, desmaiando. A segurou firme e todo mundo ficou assustado – Está tudo bem. Isso acontece muito. – disse ele a pegando no colo – Acho... acho que foram muitos rostos de uma vez... – riu Damian – Eu vou colocá-la na cama, pra ela descansar, ok?

**

A casa estava num clima fúnebre. Póllux e Castor tinham saído, sabe-se lá pra onde. Draconis estava amuado, olhando a janela, querendo um tempo pra ele. Rose fazia o mesmo, no antigo quarto, onde Cerce e Dido também estavam se escondendo. Prim ainda estava chorando em silêncio, no sofá e Órion parecia não saber o que fazer ou pensar.

Loto soltou um suspiro e andou até o quarto da distinta Sra. Burke. Ela ainda dormia na cama. O Sr. Burke estava olhando a janela parecendo muito distraído. Loto deu dois soquinhos no batente da porta e suspirou. O sogro se virou e limpou uma lágrima da bochecha, rapidamente, com as costas das mãos.

—Oh, Loto. Desculpe te envolver nessa bagunça toda... – murmurou ele. Loto deu um sorrisinho olhando para a Sra. Burke.

—Está tudo bem... eu quero participar da vida do Drac nos bons momentos e nos difíceis também. – murmurou Loto – Apesar de que agora ele prefere ficar um pouco sozinho...

—Obrigado por ter lidado com a Prim... – murmurou Damian – Eu... eu estou me sentindo tão perdido agora, que...

—Está tudo bem... todos eles só precisam de um tempo. – murmurou Loto. Damian concordou com um aceno de cabeça – Ela vai melhorar? Ou vai ficar pra sempre assim? – perguntou olhando para ela.

—Eu não sei. – murmurou Damian – Ela já melhorou bastante. Você nem imagina como ela estava meses atrás. – murmurou ele – Nós a resgatamos pouco antes do natal. – adicionou ele. Loto concordou com um aceno de cabeça – Eu não acho que ela vai voltar a ser ela mesma... e... – ele respirou fundo – Algumas vezes eu preciso repetir pra mim mesmo que eu sou viúvo, sabe? Essa... essa pessoa, apesar de ser alguém maravilhosa... ela não é a minha esposa. – Damian colocou as mãos nos bolsos e olhou pela janela – Alhena morreu, por mais que Draco diga que não... alimentar esse tipo de esperança é doloroso demais, sabe? – Loto concordou com um aceno de cabeça e se sentou na ponta da cama, acariciando os cabelos da sogra.

—Ela era bem legal, a Sra. Burke... o pouco tempo que eu tive com ela... ela sempre foi muito gentil comigo... e ela me olhava como se soubesse que eu já estava caidinho pelo Draconis. – riu Loto.

—É mesmo? – perguntou Damian. Ele suspirou e voltou a olhar a janela – Alhena iria gostar de você... você é um bom garoto. – murmurou o sogro – E ela iria ir na casa dos seus pais falar poucas e boas pra eles por terem te tirado de casa. – adicionou ele fazendo Loto sorrir.

—Mesmo? – perguntou timidamente.

—Alhena era uma barraqueira algumas vezes. – riu Damian meio sem jeito – E sou eu quem está falando isso... – murmurou ele andando pelo quarto até pegar um retrato da esposa, que sorria para ele – Ela é linda, não é?

—Sim... – murmurou Loto.

—Eu lembro... do exato momento em que eu me apaixonei por ela... – riu ele olhando o retrato – Eu tinha acabado de descobrir que ela iria mudar de escola... então eu quis dar um beijo nela... porque eu sabia que ela era apaixonada por mim... e quando eu a beijei, eu soube, sabe? Que ela era a pessoa certa pra mim... que eu iria gostar dela pelo resto da minha vida... – Damian engoliu em seco e Loto sorriu achando aquilo bonito – Mas a verdade é que... – Loto piscou e olhou o homem, que tinha colocado o retrato da esposa virado para baixo – Eu estou cansado... estou há um ano, minguando... sem saber quando veria minha esposa de novo. E agora ela está assim... eu nunca mais vi minha esposa de novo, na realidade... e a última vez que eu a vi... ela estava me deixando... para talvez ficar com meu amigo. – murmurou ele. Loto soltou um suspiro, um tanto constrangido – Desculpe... desculpe... eu não deveria estar falando isso...

—Tudo bem. – riu Loto – Eu odiava o Draconis, sabia? – perguntou ele e Damian o olhou – Eu tinha inveja dele. Porque ele assumiu que era bi e não... não achava errado se assumir. E ele tinha apoio dos amigos dele e da família... e eu só sabia pegar no pé dele... eu fui muito cruel com o Draconis, até... até ele me tornar alguém decente. – murmurou Loto – Damian... – seu sogro o olhou – Eu vou ir falar com o meu pai... ver toda essa situação da sua família... só me deixa mais e mais angustiado, querendo me resolver com a minha... mas... se eu não aparecer em vinte e quatro horas...

—Não vá sozinho, Loto.

—Eu preciso. – murmurou ele – Não dá pra pedir a ajuda do Draconis agora. Não no estado dele... mas sério... se em vinte quatro horas eu não voltar... manda alguém atrás de mim... nem que seja pra pegar meu corpo morto. – riu tentando não parecer assustado com aquela possibilidade.

—Você acha que seu pai te mataria?

—Eu sinceramente não faço ideia. – murmurou Loto, se levantando. Ele andou até o sogro e lhe deu uns tapinhas no ombro – Força...

—Você também.

Loto se virou e saiu. Depois, ainda no corredor, aparatou. Não diretamente pra casa dos pais. Mas um pouco mais distante, para ter algum tempo para caminhar. Lembrou de quando era criança e brincava por ali. Soltou um suspiro, olhando o campo verde, que ondulava pelo vento. Soltou outro suspiro e continuou caminhando até sua casa. Viu o quintal com a grande árvore branca. Se perguntou se seu pai tinha devolvido sua corrente para lá.

Engoliu em seco, se aproximando da cerca, olhando com saudade de casa. Tinha um mês que tinha sido expulso. Um mês sem ver a mãe. Um mês se comunicando com a irmã apenas por cartas, porque ela fora proibida de vê-lo... acariciou a cerca, sentindo-se triste e solitário ali. Se sentindo um criminoso por ter voltado, quando seu pai dissera com todas as letras que ele não deveria voltar... nunca mais.

Escutou a porta se abrir e sua mãe o olhou em choque.

—Loto? – perguntou ela com os olhos marejados. Loto sorriu, do lado de fora e concordou com um aceno de cabeça. Sua mãe arfou, escondendo a boca com as mãos e veio correndo. Ela abriu a cerca de qualquer jeito e o abraçou chorando desolada – Oh, meu bebê... meu menino... que saudade. – lamentou ela se afastando para avaliá-lo com os olhos – Está muito magro. Você está comendo direito? Aposto que não!

—Eu estou bem, mamãe. – riu ele. Ela sorriu por mais que ainda chorasse e o abraçou de novo.

—Ah, meu filho... que saudade... que saudade... oh... Launet vai ficar louca quando souber que você está aqui... seu pai sabe que está aqui?

—Não. – murmurou tristemente. Sua mãe soltou um suspiro.

—Bem, não conte pra ele... LAUNET! – gritou ela o puxando para dentro – Vem, eu vou mandar os elfos fazerem sua sobremesa favorita! LAUNET, VENHA AQUI! – gritou sua mãe. Sua irmã apareceu no corredor assim que ele entrou em casa.

—Oh, Loto! – disse ela correndo para abraçá-lo. Sorriu contente ao vê-la e a abraçou apertado – Papai deixou você voltar?

—Ele não sabe que estou aqui. – murmurou. Launet concordou com um aceno de cabeça.

—Foi tão horrível, Loto. Eu nunca mais falei com ele e nem a mamãe. – disse sua irmã – Ele ameaçou nos bater e a nos expulsar daqui, mas nós nunca mais falamos com ele.

—Essa casa ficou terrivelmente vazia sem você, Loto. – murmurou sua mãe o afagando na cabeça – Você não pode ficar muito tempo. Seu pai está com os horários meio malucos no Ministério. Se ele chega e te vê aqui... – sua mãe o acariciou no rosto de novo – É o tempo de uma sobremesa e pronto.

—Não. Eu vim aqui pra ver vocês e pra enfrentar ele. – Disse Loto. Sua mãe e sua irmã olharam preocupadas para ele.

—Loto... – murmuraram as duas.

—Não. Eu preciso falar com ele. – disse determinado – Mas eu posso ser mimado por vocês duas mais um pouco. – disse com um sorriso.

Recebeu beijos da mãe e da irmã, que o fizeram se sentar no sofá.

—Eu quero saber, Loto. Como você está se mantendo? Aquele rapaz está te sustentando? – perguntou sua mãe, um tanto acanhada.

—Não. Eu consegui um emprego no Ministério. O cargo que eu sempre quis ter. – respondeu e sua mãe sorriu, assim como a sua irmã – O Draconis trabalha lá também, mas em outro andar. – Loto soltou um suspiro – Mãe... o Draconis é meu namorado e eu... eu amo ele... – murmurou constrangido – Eu acho que ele é o amor da minha vida...

Sua mãe respirou fundo, parecendo desconfortável com aquilo. Ela segurou suas mãos e o olhou nos olhos.

—Ele te faz feliz, meu amor?

—Muito. Nós estamos morando juntos. – respondeu. Sua mãe suspirou parecendo prestes a cair no choro.

—Que bom, meu amor... – ela engoliu em seco – Não é fácil pra mim, Loto... eu não... não fui ensinada a entender isso... mas eu vou tentar, tudo bem? E eu não vou te julgar. Eu só quero que... que você seja feliz. – explicou ela e Loto sorriu a abraçando – Só me explica uma coisa... – pediu ela se afastando – Você queria ter nascido mulher, é isso?

—Não. Eu sou homem, mãe. – riu Loto.

—Então ele quem queria ser uma mulher?

—Também não. Nós dois gostamos de homens e mulheres. E principalmente, nós nos gostamos...

—Mas como pode, Loto? Isso não faz sentido. – resmungou sua mãe parecendo perdida. O nariz pontudo dela estava vermelho e inchado e ela tinha um aspecto muito engraçado por isso.

—Mãe. Acontece que tanto pro Loto, quanto pro namorado dele... não importa a aparência. Não importa o gênero. Para eles... é tudo gente. – explicou Launet – Ele não ver par ou ímpar. Ele vê números.

—Isso é muito esquisito pra mim... – riu sua mãe parecendo sem jeito – Mas tudo bem, desde que você esteja feliz. – suspirou ela – E os pais dele?

—O pai dele quem alugou a casa pra gente. Ele é super gente boa. – riu Loto – A mãe do Draconis foi sequestrada... ninguém sabe do paradeiro dela. – explicou ele achando melhor esconder um detalhe ou outro sobre a família do namorado.

—Os Roffmore também sumiram. Os dois. – murmurou Launet – Lembra daquele casal de esquisitos que morava aqui perto? – perguntou ela – Ficou só o velho Roffmore, sozinho na casinha deles... ele fica repetindo que levaram o filho e a nora dele...

—Launet. Não devemos nos meter nessas coisas. – ralhou sua mãe – Não fique fazendo fofoca. Até onde sabemos eles podem ter ido viajar, ou até deixado o país por não serem tão puros sangues assim.

Loto soltou um suspiro e sua irmã deu de ombros.

—Eu acho que o papai quem mandou eles pro inferno. – riu Launet.

—Launet! Não diga isso. – ralhou sua mãe – Me fale mais sobre sua vida, Loto. Está gostando do seu emprego?

—Ah, sim. Eu não mexo tanto com animais quanto eu gostaria... por enquanto eu lido mais com alguma burocracia... algumas pessoas preferem mais esse ramo da coisa, mas eu quero sujar as mãos mesmo, sabe? Fiquei sabendo que teve uma família escocesa que estava contrabandeando ovos de dragão e eu vou ir com uma equipe fiscalizar... talvez eu contrabandeie ovos de dragão para minha casa. – riu ele.

—Isso seria demais. – riu Lana.

—Isso seria um absurdo! – ralhou sua mãe, mas ela logo sorriu ao ver que ele estava só brincando – Ah, Loto. Você sempre brinca desse jeito e eu sempre caio! – ralhou ela acariciando suas mãos – Mas... voltando a aquele outro assunto... vocês... vocês não podem ter filhos. Como vão fazer?

—No Canadá é permitido adoção por casais gays... vamos lá para adotar, eu imagino...

—Nossa. Já pensaram nisso? Tá séria a coisa, heim? – perguntou sua irmã com um sorriso feliz. Loto concordou sorrindo meio sem jeito.

—É...

—Mas e o sobrenome? – perguntou sua mãe, preocupada – Como vão fazer com o sobrenome?

—Vamos colocar Burke, oras. – riu Loto – Eu não tenho mais um sobrenome mesmo... – murmurou. Sua irmã bufou de leve e sua mãe o olhou tristemente.

—Oh, meu filho... você acha mesmo que isso vai dar certo? – perguntou sua mãe – E você tem certeza que... que é isso mesmo que você quer pra sua vida?

—Mãe. Eu amo o Draconis. – respondeu Loto – E sim, eu quero passar o resto da minha vida com ele.

Sua mãe suspirou e o acariciou na mão.

—Tudo bem... tudo bem... era só pra... pra ter certeza. Se é o que você quer... então tudo bem. Desde que esteja feliz. – disse ela com um sorriso cansado. A abraçou de novo e foi abraçado pelas duas mulheres. Sorriu feliz por estar novamente com elas e passaram bons minutos conversando.

Logo apareceu o elfo com uma torta deliciosa, com sabor de infância. Comeu com a mãe e a irmã e quando escutaram a cerca se abrir do lado de fora, todos perderam os sorrisos e ficaram tensos.

Ficou de pé, segurando a varinha nova e recém comprada com seu primeiro salário, dentro do bolso. Sua irmã fez o mesmo, ele notou. E para sua surpresa, sua mãe também. E então seu pai abriu a porta, entrando cabisbaixo e tristonho.

Mas assim que ele o viu, adquiriu um ar chocado. Ficaram se encarando por longos segundos. Seu pai cerrou o punho e colocou a mão em frente a boca, o encarando com os olhos esbugalhados. Respirou fundo e avançou um passo.

—Pai, precisamos conversar... – murmurou Loto. Seu pai o olhou dos pés à cabeça e soltou um muxoxo.

—Comendo a sobremesa antes do jantar? Quantas vezes eu tenho que brigar com você por isso? – perguntou ele. Loto piscou surpreso e seu pai bufou parecendo se aborrecer – Vai tomar um banho e se arrumar pro jantar, oras.

—Pai, precisamos conversar... – repetiu.

—Depois do jantar, que é quando dois homens conversam coisas sérias. – disse seu pai, colocando um ponto final naquilo. Ele entrou de vez na sala, lhe deu três tapinhas no ombro e então foi para dentro. Todos pareceram muito surpresos e tensos, mas logo houve um suspiro coletivo.

—Vai se arrumar pro jantar, Loto. – pediu sua mãe – Vou mandar os elfos separarem uma roupa limpa pra você...

—E eu vou guardar essa sua, pro caso do papai dar a louca de novo. – resmungou Launet.

Concordou e foi para seu antigo quarto, que, para sua surpresa, estava exatamente do jeito que se lembrava. Sentiu-se um pouco nostálgico com aquilo e suspirou tirando a blusa, a calça e a cueca, as jogando no chão de qualquer jeito, junto dos tênis e das meias. Levou a varinha para o banheiro e tomou um banho frio e longo. Estava um pouco assustado com o modo como seguiria o jantar... mas levaria aquilo a diante.

Quando saiu do banheiro, havia uma muda de roupa ali. Pegou a cueca nova, o par de calças e quando pegou a camisa, escutou um som metálico no chão. Seu estômago deu um salto e ele se abaixou para pegar seu colar. Acariciou a plaquinha com seu nome e a colocou no pescoço. Depois terminou de se arrumar e seguiu para a sala de jantar.

Todos o esperavam para comer.

Seu pai perguntou sobre seu emprego e Loto respondeu educadamente. Depois seu pai perguntou se o salário era bom e ele concordou. Conversaram um pouco sobre a guerra, sobre política, sobre o casamento de Launet, que ela não deveria mais enrolar, mas a irmã se recusava a falar a respeito, num ato de rebeldia. Seu pai comentou que o preço dos caldeirões tinha disparado e Loto concordou, pois Draconis reclamara disso outro dia. Mas achou melhor não falar a respeito do namorado.

Seu pai comentou o último jogo dos Tornados e Loto se lembrou de Draconis ter reclamado por achar que o jogo tinha sido obviamente roubado. Repetiu a opinião do namorado e o pai concordou novamente, sem saber com quem estava concordando.

Depois do jantar e de terminarem a torta, seu pai o chamou para o escritório. O seguiu, um tanto nervoso, mas determinado. Seu pai o olhou com severidade e suspirou.

—Você ama aquele rapaz? – perguntou seu pai.

—Amo. – respondeu com firmeza.

—E não há nada que te faça voltar atrás nesse seu modo de vida? – perguntou seu pai.

—Não.

Seu pai xingou baixinho, um tanto amuado.

—Eu posso, pelo menos, te pedir para não se vestir que nem um palhaço? Imagina o desgosto que sua mãe iria sentir se te visse daquele jeito, naquele lugar e com aquelas pessoas! – rosnou seu pai se referindo ao dia da parada LGBT – Eu não contei pra ninguém e sinceramente eu vou tentar esquecer o que eu vi naquele dia.

—Então, sobre aquilo... – murmurou completamente envergonhado.

—Eu não quero saber. De verdade. Eu não quero saber. – resmungou seu pai e Loto deu de ombros – Você... você acha que vai casar com aquele moleque?

—Eu espero que sim, pai. – riu Loto com um sorriso bobo e seu pai fez uma careta.

—Ok. Mas e quanto aos herdeiros? Por que você é meu único filho e sua mãe está velha demais para engravidar.

—Bem... eu imaginei que poderíamos adotar, mas o sobrenome seria do Draconis, afinal eu fui deserdado.

—Não foi bosta nenhuma. – rosnou seu pai. Ele respirou fundo e fez uma cara de desagrado – Já que faz tanta questão de nos envergonhar, que seja... você é teimoso que nem eu. Sei que quando põe uma ideia nessa cabecinha, não tem quem tire. – resmungou ele – Quando decidir que é hora de ter filhos, eu vou arranjar uma bruxa. Uma puro sangue e sem prestígio, que vai emprestar a barriga. E eu quero que seja você quem a engravide e vai ser o meu nome no bebê. Vai ser um Yaxley. E você vai fazer isso até ter um garoto, ouviu? – perguntou seu pai – O nome precisa continuar, ou você vai cortar aquela árvore, você mesmo. – ameaçou seu pai e ele engoliu em seco – Se me der um neto homem... – seu pai suspirou de novo – Eu vou aturar esse seu relacionamento e esse seu modo de vida. Vou tentar aturar seu... hum... noivo. – resmungou seu pai com desconforto – E prometo que vou ser um avô babão. – adicionou ele um pouco vermelho e Loto sorriu – E você volta pra família, herda meu cofre, a casa e tudo o mais. Nós temos um acordo?

—Eu vou precisar falar com Draconis primeiro. – riu Loto, um tanto sem jeito.

Foi quando ouviram a campainha tocar. Olhou pela janela meramente curioso e corou violentamente.

—Quem é?

—Hum... é o Draconis... – e ele parecia muito zangado.

—E o que ele está fazendo aqui? – rosnou seu pai. Loto fez uma careta e começou a se dirigir para a porta – Ele não deve entrar, ouviu?

—Prefere correr o risco de que os vizinhos nos vejam? – perguntou com veneno na voz. Seu pai bufou, com desgosto e coçou o nariz.

—Eu prefiro que ele vá embora. Enquanto não for certeza de que vocês vão mesmo se casar... eu não quero aquele depravado debaixo do meu teto. Você pode continuar morando com ele, mas eu vou contar pra todo mundo que vocês são só amigos e que estão...

—Invente a mentira que quiser, pai. Eu cansei de mentir. – respondeu abrindo a porta – Eu amo aquele cara. Conforme-se. Eu posso até concordar com isso que você me pediu, sobre herdeiros... mas vai ser do meu jeito e ao meu tempo. E não vai ser segredo pra ninguém. – adicionou ele. Saiu do escritório e foi para a sala, onde Draconis estava ao lado de Launet. Ele o olhou parecendo desesperado e veio correndo para abraçá-lo – Ei... tudo bem?

—Eu que pergunto! Você está bem? – perguntou Draconis o olhando dos pés à cabeça – Por que não me avisou que vinha? Quando eu fui perguntar pro meu pai de você e ele falou que você tinha vindo pra cá... – Draconis o olhou nos olhos – Nunca mais faça isso! Achei que...

—Drac... relaxa. Essa é a casa dos meus pais. Está tudo bem, ok? – perguntou abraçando o namorado, que estava um tanto trêmulo. Loto sorriu sentindo-se muito querido naquele momento. Draconis o abraçou de volta e os dois suspiraram – Eu falei com o meu pai... estamos tentando nos acertar...

—Como? – perguntou Draconis se afastando e olhando para a porta. Notou um certo nojo nas feições do namorado e olhou para trás, para perceber que o pai olhava da mesma maneira – Mentindo sobre nós?

—Não. – riu Loto – Nunca mais vamos mentir sobre nós. Eu prometi isso pra você, lembra? – riu Loto. Soltou um suspiro, entrelaçando os dedos com os de Draconis – Pai... esse é meu namorado. Draconis. Drac, esse é meu pai. – disse puxando o namorado para perto do pai. Os dois se entreolharam com puro desgosto – Que tal um aperto de mão? – Draconis desviou o olhar e sorriu zangado, dando a entender que era a última coisa que ele faria. Seu pai cruzou os braços dando a entender a mesma coisa – Vamos lá... pelo bruxinho aqui que vocês dois tanto amam... – riu Loto.

Draconis soltou um muxoxo e respirou fundo, o olhando amuado e Loto sorriu para ele. O loiro então estendeu a mão para o sogro, que ainda o olhava com desgosto. Mas este também acabou se dando por vencido ao olhar Launet e a esposa. Dando de ombros, seu pai apertou a mão de Draconis de maneira um tanto rápida demais, como se ambos quisessem terminar logo com aquilo.

—Você aceita um pouco de bolo, Draconis? – perguntou sua mãe.

—Não ele não quer. – rosnou seu pai. Draconis o olhou com pouco caso, ficando muito parecido com Scorpius.

—É. Não quero. – adicionou ele – Vai que tem algum tipo de vene... – o chutou de leve no pé e Draconis sorriu de maneira cínica, ficando mais parecido ainda com o meio irmão – Não, obrigado, Sra. Yaxley.

—Ok... – murmurou ela parecendo sem jeito. Loto deu um sorrisinho.

—Acho que já tivemos o suficiente por hoje, não acha? – perguntou Loto – Vamos pra casa?

—Vamos. Pra nossa casa. – sibilou Draconis e Loto viu seu pai fazer uma careta – Vem, amor. E nós vamos ter uma conversinha quando chegarmos em casa. – ralhou ele.

—Estou encrencado. – disse com uma careta para a irmã, que deu uma risadinha. Ela veio em sua direção para lhe abraçar e dar um beijo no rosto. Depois ela fez o mesmo com Draconis.

—Pega leve com ele, ok? – pediu Launet piscando para Draconis, que sorriu parecendo mais descontraído.

—Eu vou pensar no caso. – riu Draconis.

***

Estavam em seu quarto. A porta estava trancada, com uma gravata na maçaneta, do lado de fora, para que ninguém tivesse a péssima ideia de entrar. Navi estava cansado, mas Les estava num desejo insaciável.

—Amor... espere... eu vou ficar sem fluídos. – resmungou quando sentiu sua namorada começar a se enroscar contra seu corpo, num ritual bem conhecido pré sexo – Sério, Les... me dá uns cinco minutos preu descansar... – resmungou.

—Eu já te dei dez minutos, Navi. – resmungou ela mordiscando seu queixo.

—Eu não sou uma máquina, sabe? – perguntou sorrindo.

—Mas nós precisamos compensar por todo esse tempo que nós vamos ficar sem! – disse ela fazendo beicinho – Sabe quando vamos nos ver de novo? Só no natal!

Se lembrou que foi o tempo que levou para que Draconis desistisse de Rose para ficar com Yaxley. Sentiu um frio lhe subir a espinha e engoliu em seco.

—Ok. Ok... mas eu realmente preciso de uns cinco minutos e preciso beber um pouco de leite também. – disse se sentando. Soltou um suspiro e se levantou, para pegar uma toalha de rosto e enrolar ao redor dos quadris.

—Você vai na cozinha assim? – perguntou Les com um sorrisinho.

—Qual o problema? – perguntou coçando as costas onde Les o tinha arranhado na última transa – Tudo que deveria estar escondido, está escondido... ou tem alguma coisa pendurada e aparecendo por aí?

—É um pouco curto, né? – perguntou Les, com um sorrisinho.

—É... – riu Navi – Mas é rapidinho, eu já volto, ok? – perguntou passando a mão pelos cabelos molhados de suor.

Saiu do quarto e foi até a cozinha, mas notou que Draconis estava parado no final do corredor, olhando para a sala, com o olhar vidrado. Olhou para as calças dele e deu um sorrisinho. Draconis tinha o costume de usar calça moletom e não usar cueca em casa. Então era fácil de notar que ele estava gostando do que ele estava vendo. Se aproximou na ponta dos pés e Draconis não o notou se aproximar. Esticou o pescoço e viu Rose fazendo exercícios, enquanto escutava música com um headphone. Ela usava um top e um shortinho muito curto, que deixava seu corpo muito exposto, ainda mais pela posição que ela estava, de quatro, esticando a perna e a dobrando, para trabalhar os músculos do bumbum.

Draconis o olhou, mordendo o dedo, como se pedisse socorro. Olhou novamente para a amiga e sorriu aprovando a visão, dando uns tapinhas nas costas de Draconis.

—Pois é... né? – sussurrou.

—Merlin, me segura... – sussurrou Draconis. Rose terminou o exercício e ficou de joelhos, ainda de costas para eles, movendo a cabeça, para relaxar o pescoço. – Por que minha irmã precisa ser tão gostosa?

Fez uma careta e riu do primo, para então olhar novamente para as calças dele.

—Melhor esconder isso ai. – riu apontando para o volume nem um pouco discreto do primo. Rose se levantou e começou a se virar. No pânico, Draconis o puxou e o abraçou por trás, para tentar disfarçar. Sentiu o primo de maneira que não gostaria e desejou ter colocado uma cueca, uma calça jeans, e uma placa de ferro antes de vir para a cozinha – Eu mato você... – murmurou sentindo-se imensuravelmente desconfortável.

—Oi, gente. – riu Rose colocando o headphone ao redor do pescoço – O que estão fazendo? – perguntou ela parecendo rir, desconfiada.

—Eu estava indo para a cozinha... – murmurou Navi – Mas agora acho que eu vou precisar falar com um psicólogo, porque eu acabei de ser molestado. – resmungou e Draconis o puxou pela orelha. – Ai! ELE ESTAVA DE PAU DURO! FALO MEEEEESMO!!

—Cale a boca! – rosnou Draconis, quase em pânico. Rose deu uma risadinha e se aproximou olhando para o ex-irmão, ex-namorado.

—Eu vou tomar um banho. Sinta-se convidado. – riu ela passando pelos dois. Navi não se importou de olhar para trás, para a bundinha carnuda e redonda dela.

—Draconis... saia de trás de mim, por favor. – pediu calmamente e Draconis tossiu se afastando – Agora vamos fingir que esse momento nunca ocorreu e nunca mais falar a respeito disso, ok? Ok. – resmungou. Estava para entrar na cozinha, quando Loto abriu a porta, trazendo vários pães e tortinhas, que ele sempre comprava no fim de semana.

—Oi. – murmurou ele e Navi pulou para o lado antes que Draconis tentasse se esconder atrás dele de novo – Draconis?! – perguntou ele franzindo a testa.

—AH! OLHA SÓ COMO ELE ESTÁ! – ralhou Draconis completamente vermelho apontando para Navi, que o olhou indignado – Eu não tenho controle sobre isso aqui algumas vezes! – disse Draconis e Loto deu uma risadinha.

Olhou completamente indignado para o primo.

—Eu... eu não vou nem me dignar a responder... – resmungou indo para a cozinha.

—Eu vi a Rose malhando antes de sair pra comprar pão. – adicionou Loto com um sorrisinho e Draconis fez uma careta culpada – Não vem jogar a culpa no Navi... aliás, Navi. Belo bumbum. – adicionou Loto e o rapaz deu de ombros.

—Les elogia bastante. – disse simplesmente – Sério. Resolvam essa tensão sexual entre vocês três. Transem os três. Tenham um relacionamento a três. Sei lá. Mas nunca mais vem me encoxar com essa anaconda aí, Draconis. – ralhou indo para a cozinha, beber seu leite. Aproveitou para pegar uma das tortinhas que Loto tinha comprado. O primo e o namorado foram para o quarto e Navi ficou comendo e tentando recuperar as energias. Depois de beber uma caixa de leite e um pouco de suco... e um pão com creme cheese, Rose apareceu só de toalha, para beber água – Você mata o Draconis desse jeito. – disse com um sorrisinho. Rose deu um sorrisinho também, mas o dela era mais cruel que o dele – Sério... essa situação toda tem... 99,9% de chance de dar merda. Eu gostaria de deixar isso avisado. – adicionou. Rose soltou um suspiro e deu de ombros.

—Estou na minha casa, qual o problema? – perguntou ela – E não tem nada demais. Você está muito mais exposto do que eu.

—Mas ninguém tá na tentação de me comer... ou pelo menos eu assim espero... – riu Navi – Sério. Larga de ser má. Os dois estão felizes. Por que não malha no seu quarto?

—Qual o problema de malhar na sala? – perguntou ela calmamente – É mais arejado, tem mais luz e mais espaço. Sem falar que não tinha ninguém na sala. – adicionou ela – Se o Draconis não se aguenta nas próprias calças, não é culpa minha. Eu não saí arrumando namorados quando a gente terminou.

—Então é disso que se trata? Retaliação? – perguntou a olhando.

—Não. Se trata de... – Rose soltou um suspiro – Eu estou me cuidando. E é bom pro meu ego também. Eu fui trocada, sabe? Por um cara! Isso é escroto. Eu tenho cu também.

—Ok. Qual é a da fixação por cus, agora?

—E eu até tenho curiosidade sobre cinta pau. – riu ela brincando com uma tortinha – Mas de qualquer maneira, eu conheci um cara legal no meu curso. – riu Rose e Navi a olhou curioso – Não estou apaixonada por ele. Mas ele me chamou pra sair várias vezes...

—E quem é esse cara? – perguntou Navi.

—Jonas Creed. – respondeu ela – Ele era da Grifinória, lembra? Mais velho que a gente...

—Lembro. – respondeu Navi – Ele era um babaca.

—Ele não era um babaca! – ralhou e Navi a olhou – Ele só não gostava de vocês, porque vocês eram da Sonserina e viviam pegando no pé do James, que era amigo dele, oras. Ele é muito legal. Não é um deus grego, mas não é feio... – riu Rose – E nós temos um encontro hoje... – ela deu um golinho em seu copo de água e Navi a olhou de maneira censuradora – Que por um acaso é o nosso terceiro encontro... – adicionou ela – E eu pretendo que ele veja a minha calcinha hoje...

Navi a olhou boquiaberto.

—Eu não acredito. Vai transar com outro cara pra fazer ciúmes no Draconis.

—Draconis não sabe. – discordou Rose – Só você. – explicou ela largando o copo – E ele não precisa saber, na verdade, apesar de não ser exatamente um segredo. Mas eu também to subindo pelas paredes...

—Não era você que não precisava de homem, porque tinha um vibrador? – riu Navi.

—Eu menti. Eu sinto falta dos amassos, de ser jogada contra a parede, de me puxarem os cabelos e me morderem... sabe... essas coisas. – riu Rose – Bem. Deixa eu ir me arrumar.

—Se depilou? – perguntou de sacanagem e Rose piscou para ele.

—Estou carequinha.

E então ela saiu. Deu um sorrisinho e suspirou.

—Bem... hora de foder... – disse fazendo careta, imaginando que teria que ficar até o natal sem ver sua querida Les. Mas ela precisava se formar...

Caminhou até o quarto e sorriu arrancando a toalha, depois de fechar a porta.

—Céus, que demora. – ralhou Les, de joelhos na cama, o olhando com irritação.

—Desculpa. Mas em minha defesa, eu quase fui enrabado. Precisei superar o trauma para voltar aqui. – disse sorrindo. Les o olhou confusa – Longa história. Mas agora estou pronto. – disse colocando as mãos nos quadris, imitando a pose do Superman, fazendo Les rir.

Notas finais
Gente... esse Navi... Draconis, aguente-se nessas calças!!! Gente, não odeiem a Rose. Ela foi trocada por um cara... Isso é um puta golpe no ego. HSuahsuashaus Muito bem. Vamos pra prévia? "Sentiu um aperto no peito e um nó na garganta. Jogou o copo de whisky no chão e chorou desolado, como se a tivesse enterrado naquele momento. Caiu de joelhos socando aquela placa, inconformado – Por que te tiraram de mim? Oh, Alhena, por que você me deixou? Você era a minha vida. Você era tudo pra mim. Tudo... Então por que? Por que? – perguntou desolado olhando novamente para o nome dela – Eu ainda te amo tanto... eu quem deveria ter morrido. Não você! Não você... por que foi você? Por que Draco me curou? Eu não queria viver longe de você. Eu preferiria ter morrido naquele hospital. Eu preferiria ter morrido, Alhena. Por que ele não me deixou morrer? Por que? Por que?" Pesei a vibe? Sim, pesei a vibe. Sabem a caixa de lencinhos? Então... talvez não precisem, mas por garantia, dela ela ai por perto xD Beeeijos