Notas iniciais
Esse capítulo já estava agendado pra quarta feira, mas eu vou ter que postá-lo AGORA! Sabem porquê? Porque a Lais (que foi uma das primeiras a shippar Dralena... se não tiver sido a primeira...), essa linda, diva e maravilhosa, fez uma linda recomendação pra Legacy!!! Uhuuul! Obrigada, Lais! Esse capítulo é pra você (você provavelmente vai gostar dele hsaushaushau, escolheu o momento certo pra recomendar!) Beeeeijos! Eu, sinceramente, não sei o que vocês vão pensar desse capítulo hehehe! Mas eu espero que gostem! Beeeeijos! ^^

Capítulo 85

Draco e Damian olhavam para Alhena, que estava dançando com a cortina do quarto, que ela mesma tinha arrancado.

—Devemos nos preocupar? – perguntou Damian.

—Que nada. Ela parece estar se divertindo. – riu Draco.

—Mas ela nunca mais falou nada! Ela chamou nosso caçula de Damian e então ficou muda de novo. – resmungou Damian – E agora está com essa mania louca de dançar com tudo quanto é coisa.

Draco deu um sorrisinho.

—Como se sente agora que seu caçula foi pra escola e agora você mora sozinho naquela casa? Ah, não, espere... você não sai mais da minha casa...

—Vou ficar em casa pra que? – resmungou Damian – Minha mulher tá aqui, tenho dois filhos trabalhando na minha loja, o outro já mora sozinho... tenho mais é que ficar com ela, mesmo.

—Hum... – Draco soltou um muxoxo.

—Você está incomodado porque não fica mais sozinho com ela, não é?

—Eeeeeu? Não... que isso. – resmungou Draco e Damian fechou a cara.

—Você está pedindo uma surra, Malfoy.

—E você está pedindo para ser expulso da minha humilde residência, Damian. – riu Draco, fazendo-o revirar os olhos – Ela cansou de dançar com a cortina. – Damian olhou para a esposa, que agora apenas girava no mesmo lugar, com os braços abertos.

—Eu não aguento vê-la assim... eu me pergunto se Alhena iria preferir que eu desse uma poção do Morto-Vivo pra ela...

—Não seja estúpido. Ela está adorável, melhorando mais e mais. É claro que ela não quer que você ferre com tudo. – ralhou Draco – Lena! – disse o loiro. Alhena parou de girar, mas cambaleou um pouco no mesmo lugar, perdendo um pouco do equilíbrio – Quer tocar piano? – perguntou Draco. Alhena negou com a cabeça, fazendo uma careta, franzindo o rosto. Draco sorriu de um jeito meio bobo e muito diferente dele mesmo e Damian fez uma careta por achar a esposa infantil demais. Queria sua esposa de volta, não aquela pessoa ali... Alhena parecia uma criança de três ou quatro anos, só que muda – Vamos, vamos tocar o piano. – Ela bateu o pé no chão e negou com o rosto – Quer ver os pavões, então? – perguntou Draco. Então Alhena sorriu e correu até Draco, para puxá-lo pela mão e guiá-lo para fora.

Damian soltou um muxoxo, sabendo que Draco era muito mais jeitoso com ela do que ele. E isso o irritava profundamente. Tinha criado oito filhos, deveria saber lidar melhor com ela, mas simplesmente era doloroso demais ver sua esposa daquele jeito. Alhena sempre fora tão madura. Tão velha demais para a própria idade.

Soltou um suspiro e se sentou num sofá, ignorando o pessoal da Armada, que andava de um lado para o outro, falando sobre mortes, ataques, situações políticas, feridos, etc. Não estava com saco para prestar atenção.

Ficou se lembrando do passado, quando Alhena era sã. Daqueles bons anos ao lado dela...

Soltou um suspiro e se levantou pegando a varinha. A rodou entre os dedos e aparatou para sua loja. Conversou um pouco com os filhos, averiguou se estava tudo bem e quando constatou que estava, se virou para sair, mas uma cliente entrou.

Logo a reconheceu como a tal garota amiga da filha de Blair, a que Navi não gostava muito. Ela sorriu para Póllux, que sorriu completamente derretido para ela.

—Olá, Póllux. Mamãe me pediu para comprar mais daquela loção. Ela realmente gostou muito. – riu ela.

—Claro. Fico feliz que minha futura sogrinha gostou. – riu Póllux olhando completamente bobo para a loira. Damian olhou para Castor, que levantava a gravata, como se estivesse fingindo estar se enforcando.

Deu um sorrisinho e saiu da loja, tentando se convencer a fazer aquilo. Já tinha pedido a opinião de Draco e a de Blair, assim como a de Daphne e a de Polaris. Só não tinha tido coragem de perguntar para Rasalas. Se sentia um traidor por isso, mas simplesmente tinha vergonha de tocar no assunto com ele.

Todos tinham dito que ele não precisava ficar se sentindo culpado. Todos tinham dito que Alhena iria entender, se ela estivesse em situação de entender o que quer que fosse...

Já tinha quase um ano que recuperaram Alhena... ou ao menos o corpo dela. Porque aquela simplesmente não era sua esposa.

Foi caminhando pela Travessa do Tranco até chegar em frente ao Poison Apple...

—A maior merda que eu fiz na minha vida foi aqui. – sussurrou olhando o bordel. Lembrou-se de Clover e engoliu em seco. Depois se lembrou de Rose. Não tinha sido de tudo ruim, no fim das contas. Mas mesmo assim... teria sido tudo menos traumático se não tivesse dormido com Clover – Mas eu não teria Draconis e Rose... – murmurou suspirando. Engoliu em seco. Olhou para sua mão esquerda, para sua aliança de casamento. Engoliu em seco de novo, se lembrando daquele dia. O dia do “sim”. O dia em que vira Alhena vir para ele, toda de vermelho, ao lado de Rabastan. Com a barriga da gravidez já aparecendo... Respirou fundo retirando a aliança pela primeira vez em todos aqueles anos. Desde que Alhena a colocara em seu dedo há mais de vinte anos atrás. Olhou a inscrição da aliança. Alhena Burke. Ela não ia melhorar. Todos tinham dito aquilo. Todos se conformaram com aquilo. Menos Emily, que afinal era a mãe dela, e Draco... sabe-se lá porque motivo. Sabia que Alhena não iria melhorar. Se a tivessem encontrado antes, talvez... mas demoraram demais. O cérebro dela não iria melhorar. Ela nunca mais seria sua Alhena Burke. Ela seria sempre aquela pessoa demente de quem Draco tinha uma devoção infinita para cuidar. Engoliu em seco, fechando os olhos. – Eu jurei... eu jurei até que a morte nos separasse, Alhena... ela nos separou quando eu morri. – murmurou apertando a aliança em sua mão – E algo ainda mais cruel nos separou ainda mais quando Rigel fez aquilo com você... e agora estamos em lugares diferentes... é impossível de alcançarmos um ao outro. – Engoliu em seco e abriu a mão, olhando sua aliança – Eu ainda amo você. Eu nunca vou deixar de amar você. Mas é hora de aceitar a realidade, meu amor. É hora de dizer adeus... – murmurou olhando novamente para o Poison Apple – Aquela visão que eu tive no dia que a escola foi invadida não estava errada, no fim das contas. Eu vou ficar velho sozinho... sem você. – murmurou guardando a aliança no bolso.

Entrou no bordel, pagou uma mesa. Bebeu sozinho por um tempo e pediu uma dançarina. Uma bonita mulher morena apareceu e dançou para ele, de maneira sensual. Depois de enrolar e tomar coragem, engoliu em seco e perguntou quanto ela cobrava pelo programa. Ela lhe deu o preço. Respirou fundo e concordou. Pagou. Foi para um quarto e deixou que a mulher o despisse.

—Como vai ser, senhor? – perguntou ela.

—Não fale. – pediu ele. A mulher concordou tirando a pouca roupa que usava. Deixou que ela o entretivesse. Depois fez o que tinha vindo fazer, mas o fez pensando na esposa e em como era melhor com ela, mesmo com aquela garota sendo mais jovem e uma profissional. E quando terminou acabou a chamando de Alhena, mas a garota não ligou. Se vestiu, sentindo-se mal, pois era a primeira vez que transava com outra mulher além de Alhena em pelo menos dezenove anos... a última fora Clover... saiu do bordel e foi para casa tomar um banho. Depois pegou um whisky de fogo e foi para a Sala das Placas. Olhou para o nome de seu pai, ao lado do de sua mãe. Seu pai tinha o nome escrito em preto, por ainda estar vivo, mas o nome de sua mãe estava escrito em letras brancas. Soltou um suspiro e olhou o nome de Alhena, logo ao lado do seu – Adeus, Alhena. – murmurou pegando a varinha e apontando para a placa. O nome da esposa foi ficando cinza e logo ficou branco também. Sentiu um aperto no peito e um nó na garganta. Jogou o copo de whisky no chão e chorou desolado, como se a tivesse enterrado naquele momento. Caiu de joelhos socando aquela placa, inconformado – Por que te tiraram de mim? Oh, Alhena, por que você me deixou? Você era a minha vida. Você era tudo pra mim. Tudo... Então por que? Por que? – perguntou desolado olhando novamente para o nome dela – Eu ainda te amo tanto... eu quem deveria ter morrido. Não você! Não você... por que foi você? Por que Draco me curou? Eu não queria viver longe de você. Eu preferiria ter morrido naquele hospital. Eu preferiria ter morrido, Alhena. Por que ele não me deixou morrer? Por que? Por que? – perguntou inconformado. Chorou mais alto já que não haveria quem o ouvisse. – Me perdoe, meu amor... me perdoe... – murmurou de joelhos olhando para o nome dela ao lado do seu. Segurou o próprio peito, angustiado – Eu quero você de volta... mas aquilo não é você... não é... – soltou um soluço – O que eu faço, Alhena? – perguntou perdido. Olhou para todos os nomes em todas as placas – O que eu faço? – engoliu em seco. Olhou para o nome de Alhena e fungou. Lembrou do último beijo que deram, no dia em que ela foi embora. Lembrou do sorriso dela, do cheiro dela, do sabor dos lábios macios. Do perfume dos cabelos e do doce som da voz dela. Lembrou do curandeiro falando sobre os cuidados que teriam que fazer nela. Dos remédios que ela deveria ter que tomar, porque ela estava com uma doença sexual, fruto de algum estupro que ela sofreu. Um dos muitos, de acordo com Rigel. Era a primeira vez que pensava naquilo. Não gostava de pensar sobre, então simplesmente não o fez. Mas agora aquele pensamento o atingiu com força. Tinham estuprado Alhena quando ela era prisioneira. Se perguntava se fora antes ou depois de Rigel deixá-la daquele jeito... se perguntou qual das hipóteses era mais doentia. Tirou sua aliança do bolso e pensou que, talvez, ela ficar daquele jeito fosse até uma bênção. Ela jamais se lembraria da violência que tinha passado. Ficou rodando a aliança nos dedos, sentindo-se imensuravelmente triste. Sentindo que tinham lhe tirado o que tinha de mais precioso na vida. – Não seja egoísta... – murmurou pra si mesmo, olhando para a aliança – Você tem oito filhos... Órion só tem onze anos... – murmurou sentindo-se infeliz. Engoliu em seco lamentando sua miserável vida. Se colocou de pé e respirou fundo. Olhou mais uma vez para o nome pintado de branco de Alhena. Tocou a caligrafia tão bem feita dela, passeando os dedos pelo “B” de Burke que ela tinha escrito. Soltou um soluço se lembrando daquele dia. Aquele dia em que ficara tão nervoso. Tão nervoso que chegara a vomitar. Por mais que todos dissessem que ele parecia sereno... ele não estava com medo de estar se casando com a pessoa errada. Estava com medo dela mudar de ideia. Ele sempre soubera... desde o dia em que a beijara, logo antes dela ir para Beauxbatons... ele já sabia desde ali que nunca mais amaria outra pessoa como viria a amá-la. – Eu te amo, Estrelinha... – sussurrou com a cabeça encostada na placa – Merlin... eu te amo tanto... por que você me deixou? – perguntou desolado. Engoliu em seco e se afastou da placa secando o rosto com a manga da camisa. Fungou e pegou a varinha, enquanto guardava a aliança no bolso da calça. Soltou um suspiro e aparatou de volta para a Mansão Malfoy. Atravessou o portão e foi até a fonte dos pavões. Alhena segurava um filhote de pavão e sorria como uma criança com um filhote. Draco olhava para ela com um olhar tão cheio de carinho que sentiu-se envergonhado por estar sem aliança. Por mais que Alhena já não tivesse mais a dela. O primeiro nome que ela falou... em quase um ano... foi o meu... olhou para a loira, profundamente triste. Ela colocou o filhote de pavão no chão e se levantou com um sorriso inocente no rosto. Draco se levantou também e a abraçou a beijando na testa e Alhena o abraçou de volta por apenas uns dois segundos, antes de soltá-lo e voltar a brincar de correr atrás dos pavões. Se despediu mentalmente de Alhena, decidido.

Foi quando Draco o olhou de maneira questionadora. Soltou um suspiro e pegou a aliança, a olhando com tristeza. Draco o olhou e deu um passo em sua direção. Damian respirou fundo e deixou a aliança cair no chão. Draco o olhou em choque e Damian suspirou aparatando de volta para casa.

Acabou.

*

Draco engoliu em seco olhando a bonita aliança de casamento de Damian. Alhena tirava um cochilo no sofá, afinal ela tinha tido uma tarde agitada. Olhou para ela soltando um suspiro. Sabia o que aquilo significava. Ele tinha desistido. Tinha perdido as esperanças. Nunca imaginou que Damian, logo Damian, um dia perderia as esperanças. Aquilo o deixou um pouco assustado... até mesmo um tanto pessimista. Se Damian tinha desistido também... será que estava mesmo se iludindo?

Soltou um suspiro e guardou a aliança do amigo no bolso. Depois foi até Alhena e a pegou no colo. A levou para o quarto dela e a deitou na cama. Depois se deitou ao lado dela.

—Eu vou esperar, Lena. Não na esperança de ser seu amante. Mas na esperança de ser seu amigo. Eu só quero minha melhor amiga de volta... – murmurou soltando um suspiro e a acariciando no rosto – Então volte. Nem que seja pra voltar pra ele... só volte, ok? – perguntou. Alhena soltou um suspiro e abriu os olhos. Ela sorriu para ele e o abraçou – Ei... ok... – disse sorrindo e a abraçando de volta. Sentiu a loira suspirar e suspirou também, caindo no sono rapidamente.

Estava na Mansão. Alhena estava de pé, em frente à janela. Se aproximou dela e a abraçou por trás.

—Você deveria fazer o mesmo que ele. – murmurou ela.

—Não vamos passear hoje? – perguntou mudando de assunto.

—Não. Não quero. – murmurou ela – Eu queria que ele fizesse isso. O olhar dele pra mim... ele estava sofrendo tanto... mas... mas agora que ele desistiu...

—Ele vai se arrepender. Porque você vai voltar. – riu Draco a beijando no ombro – E então eu e ele vamos começar uma guerra ferrenha por você. – disse em tom de brincadeira, apesar de aquilo ser uma verdade absoluta.

—Tempos difíceis estão por vir. – murmurou Alhena – Eu, Draco... Eu vejo todos os dias. Eu estou presa aqui, mas eu consigo ver que coisas horríveis vão acontecer. – ela se virou e o olhou angustiada – Proteja meus filhos. Esqueça meu corpo, Draco. Não é minha mente lá. É outra coisa. Mas por favor. Se me ama mesmo, como sempre diz que ama... por favor, cuide dos meus filhos. – pediu ela.

—O que você viu? – perguntou Draco. Ela engoliu em seco.

—Eu vi a morte, Draco. E ela tinha seus olhos.

—Como assim?

—Eu gostaria de te mostrar...

—Então mostre. – pediu. Alhena engoliu em seco e segurou sua mão. Tudo mudou, estavam em um castelo. Num corredor cheio de espelhos. As paredes de pedra cinza escura, como as masmorras ao redor do Salão Comunal da Sonserina. Olhou para Alhena, que abraçou seu braço. Tinha alguém, no final do corredor – Quem é aquele?

Ele ia se virar...

—Draco! Acorde! – disse Pansy. Draco praguejou piscando e olhando para Pansy – Onde está Alhena?! – perguntou ela.

—Está... – ele olhou para o lado e viu o leito vazio – Merda! – rosnou se levantando de uma vez – Merda! Ela fugiu enquanto eu cochilava.

—Precisamos encontrá-la! – disse Pansy com pânico na voz.

—Mande todo mundo procurar pelo castelo... digo, mansão... Manda um elfo me avisar se a encontrarem. Mande Yolo me encontrar. E diga para ele não falar o nome dela.

—Pra onde você vai?! – perguntou Pansy. Mas Draco não respondeu ele foi correu para a Sala de visitas e olhou o flu. Alguém tinha usado o flu.

—Ah, não... – murmurou aparatando para o Caldeirão Furado. Correu até a esposa de Longbotton – Anna! Longbotton! – disse angustiado. Ela o olhou curiosa e ele perguntou em voz baixa – Alhena. Você viu Alhena? – perguntou desesperado.

—Não... mas estamos com muito movimento hoje. – murmurou ela –Merlin, ela fugiu?

Mas não respondeu. Saiu correndo para o Beco Diagonal, olhando para todos os lados. Correu até uma mulher qualquer e a segurou.

—Desculpe, por favor! Você viu uma mulher loira, bonita, na casa dos quarenta anos? Ela usava um vestido azul escuro. – disse angustiado.

—Não, acho que não.

—Ok, obrigado. – murmurou desesperado. Foi parando as pessoas e perguntando, enquanto ia para a Travessa do Tranco. O coração acelerado. Pra onde ela teria ido? Arrombou a porta do Legacy e a procurou ali, mas parecia que não entravam ali há meses. Saiu desesperado, pela rua, perguntando se tinham visto alguém com as características dela. Foi quando viu a Borgin&Burke. Engoliu em seco e entrou. Castor o olhou parecendo aliviado – Ela... ela está aqui?

—Sim. – riu ele – Está lá atrás, com o Póllux.

—Graças a Merlin... – murmurou sentindo os joelhos perderem a força.

—Ela veio pela lareira.

—Direto pra cá? – perguntou Draco. Castor concordou. – É pra cá que ela está tentando vir? – perguntou confuso. Se levantou e foi para os fundos. Póllux estava conjurando bolhas em forma de passarinhos para Alhena, que gargalhava batendo palmas. O filho mais velho dela parecia estar prestes a cair no choro e Draco soube exatamente o porquê...

Aquela era a brincadeira favorita dos gêmeos, quando eles eram pequenos... Sabia porque perdera as contas de quantas vezes conjurara bolhas em forma de passarinhos para os dois.

—Oi, Draco. – murmurou Póllux com um visível nó na garganta – Ela realmente gosta disso... – riu ele enquanto ela estourava as bolhas – Né?

—É... – murmurou sentindo-se triste.

—Papai veio aqui. – murmurou Castor ao seu lado – Ele estava um caco... – adicionou ele – Ele deixou o nome da mamãe branco... na Sala das Placas...

—E o que significa isso? – perguntou Draco.

—Que ele se considera viúvo. – explicou Póllux – Ou talvez... divorciado. Acho menos pesado. – adicionou ele – Cinco minutos depois que ele foi embora, a mamãe apareceu, parecendo procurar por alguma coisa... por ele, imagino.

Draco engoliu em seco e tirou a aliança de Damian do bolso. Soltou um suspiro e a colocou em cima de uma mesa.

—Devolva praquele idiota. – resmungou e Alhena o olhou, finalmente. Ela sorriu e correu até ele o pegando pela mão, para levá-lo até um armário – Hum... Lena... eu não posso entrar aí com você.

—Não pode mesmo. – riu Póllux – Esse armário só é usado pela nossa família. É um dos nossos cofres.

Draco olhou para o armário e depois para Alhena.

—Lena, vamos para casa. – disse pra ela. Alhena negou com a cabeça e tentou entrar no tal cofre. A segurou ao redor da cintura e a puxou de volta – Não pode, Lena.

Alhena tentou se desvencilhar e então desabou, desmaiando. A segurou com firmeza e suspirou.

—Ela está bem? – perguntou Póllux.

—Sim... acho que a aventura foi demais pra ela. – resmungou Draco a pegando no colo – Até mais, meninos. Eu preciso ir. Não é seguro pra ela, ou pra vocês, ela ficar zanzando por aqui.

**

—Estou com saudades da Les. – resmungou Navi – Já faz mais de um mês...

—Seus pais sabem que você pediu a garota em casamento? – perguntou Loto fumando na janela. Draconis estava fazendo flexões e Rose tinha saído com Creed, apesar de ter dito apenas que iria sair com o pessoal do curso.

—Nhe... eles andam ocupados demais. Eu conto no natal, quando a gente for convidar nossas famílias para uma gigantesca Ceia de Natal em família. – riu Navi. Draconis ficou de pé movendo os ombros e então pegou o peso que tinha comprado com seu primeiro salário – Cara, ok. Você já está exagerando.

—Eu gosto de malhar. Me desestressa. – resmungou ele bufando enquanto levantava a haste de ferro com dois enormes pesos – Vocês... estão... sabendo... que... a Rose... vai ter... que cozinhar... tudo? – perguntou ele com algum esforço.

—É meio que sacanagem a gente chamar a família toda, ainda mais com a família de vocês sendo gigantesca. Só o Draconis tem dois pais. – brincou Loto. Navi deu uma risadinha e Draconis quase se esmagou com o peso – Vou convidar só minha irmã. Meus pais vão passar o natal com a família do noivo dela. Ela meio que quer fugir disso.

—Lana... bem... vinda... – bufou Draconis se exercitando.

—Como está a sua irmã, Navi? – perguntou Loto.

—Bem, eu acho. Quem seria louco de mexer com ela? – perguntou Navi simplesmente despreocupado. Sabia que Scorpius, Albus, Dido, Cerce e Les acabariam com a raça de qualquer um que mexesse com ela.

—Ela vai mesmo dar o bebê? – perguntou Loto. Navi deu de ombros.

—Sei lá. – murmurou dando de ombros – Aparentemente sim.

—E como seus pais estão lidando com essa coisa toda? – perguntou Loto.

—Mamãe e Lyra não estão conversando direito... mas o papai está levando numa boa, até. – Navi soltou um suspiro e corou de leve – É uma menina.

—Pensei que os Malfoy não tinham filhas. – riu Loto e Draconis largou o peso para descansar.

—Nunca imaginei que Scorpius e Lyra acabariam juntos... ele tava tão apaixonado pela Rose... – murmurou o loiro.

—Talvez seja um tipo de carma... – riu Navi – Roses serem trocadas por vadias. – adicionou ele com um sorrisinho cruel.

—Nossa... precisamos de um antídoto pra esse seu veneno, heim?! – ralhou Draconis.

Loto corou de leve e sorriu.

—Draconis... eu tava pensando... a gente podia economizar pra viajar, o que acha? – perguntou Loto. Navi sorriu adorando a ideia.

—Nossa! Eu boto fé. Vamos no Natal, ou no próximo verão, que eu levo a Les e... – ele olhou para Loto que parecia meio sem jeito – E você estava falando numa viagem só você e o Draconis... – riu Navi – Ops.

Viu o casal trocar um olhar constrangido e Loto suspirou.

—Podíamos viajar nós quatro. Uma viagem de casais. – riu Loto – Podíamos fazer a Rota das Trevas. – sugeriu ele – Albânia, Alemanha, Egito, Rússia e Brasil.

—Que romântico. Uma viagem de casais, para aprendermos magia negra? – riu Navi – Pode contar comigo.

—Não necessariamente “magia negra”. – discordou Draconis – A Rota das Trevas é para aprender magias de defesa também. Tanto atacar quanto se defender. – Draconis flexionou o braço, exibindo o bíceps inchado. Seu primo finalmente estava mais forte que ele – Mas não acha que teremos problemas pra deixar o país? – perguntou o loiro – Por conta da guerra e talz...

—Somos do Diretório. Podemos fazer o que der na telha. – riu Loto.

—Les não é... – murmurou Navi.

—Mas já é sua noiva. Você só precisa oficializar que eu garanto que ninguém vai pegar no seu pé. Ainda mais com você fazendo o curso para auror.

Navi suspirou, concordando. Estava trabalhando no Departamento de Execução de Leis, algumas categorias a baixo de seu pai. Estava louco para o curso de auror terminar. Mas levaria pelo menos três anos.

—Vamos mesmo fazer isso? – perguntou Draconis, com um sorriso animado – Caramba... seria foda! – riu ele.

—Sim. – concordou Navi – Vai ser louco. – adicionou ele.

—Eu vou pesquisar quanto que essa viagem normalmente sai e em quanto tempo dá pra fazer. – disse Loto, animado. Navi concordou com um sorriso divertido.

—Ok, vou guardar meu dinheirinho suado com carinho, afinal, eu vou ter que bancar a Les também. Ela ainda vai estar desempregada quando a gente for... – riu ele – Ah, que saudades da minha mulher. – resmungou revirando os olhos, sentindo mesmo muita saudade dela...

***

Lyra já estava com um barrigão...

Albus olhava para a barriga dela com apreensão, enquanto Scorpius fazia o que ele deveria estar fazendo.

—Coma isso, Lyra. É bom pro bebê.

—Scorpius. Eu odeio beterrabas... e não. Não me olhe assim. – ralhou ela.

O natal estava chegando e muita coisa estava diferente. Les e Lyra estavam comportadas, sem aprontar, fumar, beber ou transarem. Scorpius estava no mesmo barco, mas era mais por Lyra do que por qualquer outra coisa. Mas Albus sabia que ele não tinha superado Rose Weasley, que também não o tinha superado.

Mas Scorpius não soubera respeitar a decisão dela de esperar para transar depois de se casarem... Scorpius tinha alergia à palavra casamento... então não estava tão surpreso com a reação dele.

Cerce estava achando, como todo mundo, que o filho de Lyra era de Scorpius. Como Scorpius falava pelos cotovelos que era o bebê dele, Albus decidiu não desmentir. Lyra não iria ficar com o bebê, de qualquer maneira, e já tinha um casal Russo interessado pelo bebê dela. Afinal ele era metade Lestrange e... “metade Malfoy”.

Apesar de Scorpius não ter desistido de tentar fazer Lyra mudar de ideia sobre colocar o bebê na adoção.

Dido e Gale finalmente estavam namorando, apesar de apenas Gale parecer verdadeiramente entusiasmado. Ele parecia querer passar cada minuto de seu dia com Dido, que parecia levemente estressada com aquilo. Mas era a primeira vez que Gale não era o pau mandado de alguém, então ele simplesmente precisava seguir alguém, e esse alguém era a namorada.

Era até um pouco triste e vergonhoso.

Ele e Lyra não eram mais amigos... ou ao menos achava que não. Ela não falava com ele a menos que fosse absolutamente necessário. Por culpa por ter traído a namorada, não tentava melhorar a situação e Scorpius simplesmente tinha desistido de fazer o trio funcionar novamente... então o sétimo ano da Sonserina estava diferente do esperado.

Antes eram a dupla Albus e Scorpius. A dupla Lyra e Les. A dupla Cerce e Dido. O trio Joseph, Gale e Lance. Mas agora era um quarteto formado por Dido, Albus, Cerce e Gale (e ele estava até ficando bastante amigo do rapaz), o trio Scorpius, Les e Lyra. E por fim a dupla Joseph e Lance, que eram simplesmente dois babacas. O estereótipo de pessoa que fazia com que ele tivesse medo de ir pra Sonserina, quando estava para ir para a escola pela primeira vez.

Mas quando a noite chegava, ele e Scorpius voltavam a ser uma dupla. Quando Lyra ia para o quarto com Les e Albus não precisava se sentir constrangido com a presença dela. Era quando Scorpius lhe soltava alfinetadas por não estar ajudando Lyra.

—Se ela me pedir algo, eu vou fazer. – ralhou Albus – Mas ela quer tanto a minha presença quanto eu quero a dela.

—Eu concordo. – riu Scorpius – Vocês dois querem voltar a ser com eram antes... mas nenhum dos dois sabe lidar com isso, ou como fazer isso. Mas eu cansei de repetir isso. – riu Scorpius colocando o pijama – Se vocês não estão interessados em se ajustarem, não serei eu quem vou convencê-los do contrário. Isso é problema de vocês.

Albus soltou um suspiro e deu de ombros.

—Eu nunca deveria ter bebido naquela festa. Não sei como Cerce conseguiu me perdoar. Sério mesmo. – resmungou sentindo-se culpado – Ela simplesmente falou pra deixarmos pra lá e continuou sendo simplesmente... a Cerce.

—Sente falta do sexo? – riu Scorpius.

—Merlin, me mate. – resmungou Albus – Como eu sinto falta... mas Cerce tem medo de transar. Ela meio que... – ele soltou um suspiro – Bem, ela não gosta de intimidade demais... antes era difícil aguentar, mas agora que eu já fiz, é impossível. – resmungou – Ela tem vergonha, ou nojo, sei lá, de me masturbar!

—Oras. Você precisa masturbar ela primeiro. – riu Scorpius o olhando como se fosse óbvio – Fica mais confortável pra ela se você já tiver feito. Céus, Albus... livro texto.

—Que raios de livro texto?! – perguntou com um sorrisinho – O mais esquisito da face da terra. – adicionou enquanto Scorpius dava um sorrisinho.

—Bem. Eu falo sério. Você precisa fazer primeiro... ai ela vai se sentir mais confortável pra fazer em você. Explica pra ela que dói muito quando você fica excitado e não se alivia. Conversa com ela, coisa e tal.

—Funcionou com a Rose? – perguntou Albus.

—Não, porque ela não quis conversar. – ralhou Scorpius – Ela simplesmente falou: se não vai me respeitar, não vamos dar certo. – disse ele falando com uma irritante voz fina, numa pobre imitação da ex-namorada – E ela não deixava eu tocar ela também. A Rose parecia ficar travada demais. Acho que é porque o pai dela é um doente, neurótico, ciumento e problemático... sei lá. – adicionou ele com um sorrisinho.

—Você já superou a Rose? – perguntou, apesar de saber a resposta. Scorpius soltou um suspiro e baixou a cabeça.

—Eu nunca me apaixonei por alguém. – disse ele – E o que eu senti por ela foi... foi absurdo. Foi um sentimento que me fez enfrentar meu pai até destruir a nossa relação, sabe? E não poder ficar com ela me deixou em conflito tão grande comigo mesmo que... – ele passou a mão pela cicatriz horrível do pulso – Eu tentei me matar porque meu pai não queria falar comigo, mas também tinha um pouco a ver com ela também... não ser livre pra amar quem eu amava... – Scorpius soltou um suspiro, sorrindo zangado – Um maldito Romeu e Julieta, sabe? Mas só eu quem quase morreu...

—Ela está sentindo sua falta também. – disse. Sabia, afinal ela era sua prima e amiga – Ela morre de ciúmes da Lyra.

—Porque está sendo idiota. – ralhou Scorpius – Eu não sinto nada pela Lyra. Ela é minha amiga e eu mataria por ela. E ela está grávida... – Scorpius baixou o tom de voz, falando num sussurro – Do meu melhor amigo... – Albus engoliu em seco – Como não ficar super protetor com ela? – Scorpius deu de ombros – Ela é tão amiga minha quanto você. Simples assim... bem... talvez não... eu transaria com ela e não com você. Então não é o mesmo nível de amizade...

—Vocês estão transando? – perguntou curioso.

—Eu não me importaria, mas ela perdeu o tesão. – disse Scorpius dando de ombros – Os hormônios deram uma trégua e ela está desconfortável com o próprio corpo, então... então não.

—E... e como está o bebê? – perguntou desconfortável.

—Está bem. É uma garota, sabe? – riu Scorpius – Se eu conseguir convencer Lyra de ficar com a criança, eu queria chamá-la de Virgo. Virgo Malfoy. – riu Scorpius.

—Mas... mas ela não é realmente uma Malfoy.

—Draconis é um Burke. Pai é quem cria, oras. – riu Scorpius dando de ombros – Eu sei que Lyra vai se arrepender se ela der o bebê...

—Eu não acho que vai. – murmurou Albus e Scorpius o olhou curioso – A Lyra sabe o que ela quer. – Albus soltou um muxoxo.

—Cerce sabe que o bebê é seu? – perguntou Scorpius e Albus corou – Eu imaginei. Ela pode até ter te perdoado por ter traído ela com a Lyra... mas se ela descobrir que é seu... você está lascado.

—Eu nunca disse que não era meu. Apenas não desmenti você. – resmungou Albus.

—Não torna a coisa mais correta, sabe?

****

—E aqui está o veritasserum. Está ficando difícil de encontrar, então eu estou tendo que fazer. Mas demora mais de mês para ficar pronto. – explicou Damian entregando uma caixa de madeira para Potter – E ali está o suprimento de loções de murtisco.

—Ótimo. Estamos com muitos feridos. – disse Potter lhe entregando o ouro. Damian guardou tudo em uma sacolinha e concordou.

—Sempre um prazer fazer negócios com você, Potter.

—Triste saber que você está fazendo negócios com o outro lado também. – sibilou Potter e Damian sorriu.

—Sabe como é. Tomar partidos é ruim pros negócios. Eles sabem que eu faço vendas pra vocês também, mas não ficam choramingando por isso em todas as negociações.

—É porque eu tenho escrúpulos, ao contrário deles e de...

—Ok, Potter. Aceite que o nosso mundo funciona desse jeito. Sempre funcionou. – Ralhou Pansy revirando os olhos – Obrigada, Damian. Nós vamos precisar de mais poção Mata-Cão. – explicou ela.

—Por que? – perguntou ele.

—O Ministério lançou uma horda de lobisomens numa vila trouxa, para fins de extermínio. Conseguimos deter boa parte do estrago, mas alguns trouxas foram infectados.

—Rasalas.. – murmurou ele, mas Pansy negou com a cabeça.

—Ele não era um dos lobisomens. Foram os que estão sendo obrigados a servir. – explicou ela.

—Ok. – murmurou aliviado. Foi quando sentiu alguém abraçá-lo por trás. Soltou um suspiro triste, sentindo o perfume de Alhena – Olá, Alhena. – murmurou se virando. Alhena o abraçou de novo – Eu também estava com saudades... – murmurou a afagando nos cabelos. Tinha quase um mês que não a via. Com a guerra, estava fazendo muitas viagens e vendendo muita coisa. A loja nunca tinha lucrado tanto. Olhou para a mulher, que simplesmente não o soltava – Eu... eu preciso ir, Lena... onde está o Draco?

—No laboratório dele. – respondeu Daphne, cruzando os braços – Eu estou cuidando da Lena hoje. – explicou ela. Damian corou de leve e desviou o olhar – Draco teve uma crise de tosse e ele voltou a ficar preocupado. Passou o dia enfiado no laboratório, com medo do Horklump ter voltado.

Damian estremeceu, dando graças por ter se curado totalmente daquela doença maldita.

—Hum... ok... eu preciso ir. Até mais... – disse tentando se desvencilhar de Alhena, mas ela se recusava a soltá-lo – Hum... Daphne, me ajuda aqui?

Daphne o olhou com desprezo, como sempre fazia desde que ele desistira de esperar que Alhena melhorasse. Todo mundo tinha o direito de fazer aquilo, menos ele, aparentemente... soltou um muxoxo, mas a amiga puxou Alhena.

—Vamos, Alhena, vamos passear na neve. – disse Daphne, mas Alhena negou com a cabeça o olhando com os olhos tristes – Ele está ocupado, Alhena. Vamos. – insistiu ela e Alhena negou novamente, parecendo prestes a cair no choro.

—Hum... eu já vou... – murmurou Potter saindo de fininho com a caixa de veritasserum.

—Vamos, Lena. Damian precisa ir embora. – disse Daphne, com doçura e Damian suspirou.

—Daphne. Está tudo bem. – murmurou e Alhena veio correndo para abraçá-lo – Eu fico aqui um pouco, com ela, ok?

Daphne o olhou com os olhos semicerrados e deu de ombros.

—Ok. Eu vou estar na sala de visitas, com Gina. – explicou ela olhando Alhena com carinho – Se comporte, ok? – pediu ela para Alhena, que concordou com um aceno de cabeça.

Daphne suspirou e se virou, indo embora e Damian abraçou sua ex esposa por alguns segundos.

—Então... vamos ali pro sofá? – perguntou sem jeito. Alhena concordou e segurou sua mão com firmeza, como se tivesse medo que ele fugisse, ou qualquer coisa assim. Andaram até o sofá e ela se sentou ao seu lado, para em seguida deitar-se com a cabeça em seu colo. Suspirou olhando para ela – Ei... como você está? – ela entrelaçou os dedos com os dele, pousando suas mãos sob a barriga, o olhando com atenção – Draco está cuidando direitinho de você? – perguntou carinhosamente, a afagando nos cabelos com a mão livre. Alhena o olhou longamente e se sentou novamente – O que foi? – ela o abraçou novamente e ele suspirou – Eu também estava com saudades.

—Saudades... – sussurrou Alhena, de maneira insegura. Piscou surpreso e a olhou em choque – Saudades... – repetiu ela o abraçando de novo. A abraçou mais apertado e suspirou – Saudades... – ela disse mais uma vez e ele a beijou no topo da cabeça.

—Isso... saudades... – murmurou a afastando para olhá-la nos olhos – Você sabe quem eu sou? – perguntou para ela. Alhena concordou com a cabeça – Quem eu sou? – ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu falar. Ela produziu alguns sons desconexos e então o lábio dela virou, numa careta de choro – Ei, está tudo bem, ok? – perguntou a abraçando. Alhena começou a chorar em seus braços e ele respirou fundo – Está tudo bem, não chore, ok? – ela concordou com a cabeça, soltando um soluço.

—Saudades... – murmurou ela de novo.

Sentiu a mulher abraçá-lo com força, para em seguida desmaiar. Suspirou cansado daquilo. Era horrível vê-la daquele jeito. Preferia não fazê-lo. Tinha diminuído o ritmo das visitas, até ficar um mês inteiro sem vê-la. Sabia que ela estava segura e que bem cuidada e nunca sozinha, por isso não se preocupava tanto. Sem falar que ele não sentia falta alguma dela. Sentia falta de sua esposa e essa pessoa ele sabia que tinha morrido.

Suspirou e a pegou no colo, a levando para o quarto dela. A cobriu com o pesado cobertor, afinal estava fazendo bastante frio. Suspirou observando-a dormir. Tão linda... sempre tão linda...

Por um momento se lembrou de um dos filmes que Prim mais gostava quando era mais nova... A Bela Adormecida. Acariciou Alhena no rosto e suspirou. Olhou para trás e viu que não havia ninguém ali. Por isso se curvou e a beijou nos lábios. Um beijo casto e comportado, claro.

Mas então Alhena abriu a boca e o beijou de volta. Apenas com os lábios. Abriu os olhos e se afastou. Ela o olhava com um sorriso.

—Lena? – perguntou se sentando na cama. Alhena se sentou também e puxou seu rosto para lhe beijar de novo. Por um momento se deixou levar e a beijou de volta, mas então a segurou nos braços – Lena?! Você... é você mesmo?

Ela piscou, lhe olhando daquele jeito bobo e infantil.

—Saudades... – murmurou ela. Damian suspirou, triste e se levantou.

—Eu tenho que ir. Seja uma boa menina e fique aí, ok?

Ela concordou com um aceno de cabeça e se deitou, fechando os olhos.

Saiu do quarto e fechou a porta escondendo a boca com a mão. O que significava aquilo?! Suspirou confuso ainda sentindo os lábios macios dela contra os seus. Engoliu em seco e andou decidido até o laboratório de Draco. Abriu a porta e flagrou o colega semi nu, em frente a um espelho. Damian riu sem jeito e Draco revirou os olhos pegando as calças.

—Não te ensinaram a bater? – ralhou ele.

—O que está fazendo?

—Vendo se tinha alguma mancha violeta... – murmurou Draco parecendo assustado – Estou tossindo muito.

—Chama-se gripe. Acontece com a maioria das pessoas quando o tempo esfria. Estamos no natal, lembra? – perguntou com um sorrisinho. Draco soltou um suspiro vestindo a camisa.

—É... eu sei, mas... – ele engoliu em seco – Sabe como é...

—Sei.

—Viu Alhena? Tinha tempo que você não aparecia. – disse Draco com um pouco de acusação na voz. Damian suspirou se escorando na parede.

—Vi sim... ela... ela falou.

—Ela fala algumas vezes. – disse Draco – Coisas simples... normalmente repete algo que já disseram para ela. – explicou ele sem grande entusiasmo, colocando um casaco.

—Ela me beijou. – adicionou Damian e Draco piscou surpreso – Ela me beijou. – repetiu sem saber como se sentir a respeito. Draco engoliu em seco e o olhou.

—Como foi o contexto da coisa?

—Eu a coloquei na cama, porque ela tinha desmaiado. Eu a beijei na testa e ela segurou meu rosto e me beijou na boca.

—Mas... mas só um selinho? – perguntou Draco.

—Não foi um selinho... mas não foi um beijo de língua... um meio termo.

Draco concordou fechando a cara, mas em seguida ele suspirou.

—Bem... deve ser um sinal de melhora.

—Ela já tinha beijado alguém?

—Não. – respondeu Draco – Ela só abraça bastante. – Damian concordou com um aceno de cabeça – Não está usando aliança.

—Não... – murmurou Damian – Eu... eu desisti, Draco.

—Mas veio aqui falar comigo. – riu Draco – Ainda tem esperanças. Qual o problema em admitir isso?

Damian suspirou e deu de ombros.

—Eu preciso ir.

—Covarde. – riu Draco e Damian revirou os olhos – Faça como sempre fez. Deixe os outros fazerem o trabalho por você e depois volte só para colher os frutos.

—Eu não vou voltar para colher os frutos, Draco. Fique a vontade para fazer isso. – disse dando as costas para o loiro.

—Já te ocorreu que talvez não seja o que ela quer?

—Bem, se ela quiser vir atrás de mim, se ela melhorar, o que eu duvido muito... – Damian soltou um suspiro – Eu ficarei imensuravelmente feliz... mas eu não vou ficar tendo esperanças. Eu desisti, Draco.

Notas finais
Ai, gente... e então? Tentem não odiar o Damian ou o Albus, ok? xD Vamos pra prévia? =3 "Minutos mais tarde a irmã de Loto apareceu. Uma menina muito bonita, de olhos violetas, cabelos escuros e pele morena. Loto a abraçou feliz, a girando no ar e ela pareceu igualmente feliz por reencontrar o irmão. —Era com essa Yaxley que você deveria estar trepando, Draconis. – ralhou Rabastan e Navi se engasgou com uma rabanada no meio da gargalhada." Prévia 2 "Jacques chegou depois, com um imenso peru recheado, para ajudar na ceia. Ele olhou muito feio para Loto, mas acabou soltando para Rabastan: —Pelo menos o problema é do Malfoy e não do Damian. —O que quer dizer com isso? – perguntou Rabastan e Draco corou, completamente desconcertado. —Oras. Ninguém te contou que Draconis é um bastar... —PAPAI! – ralhou Damian e Rabastan olhou horrorizado para o neto e depois para Draco, que parecia terrivelmente nervoso. —EMILY! – gritou Rabastan e Emily saiu de perto da nora, parecendo confusa – Eu tinha razão. Ele é do Draco. Você me deve duzentos galeões e aquele outro negócio que eu não posso falar em público." Prévia 3 "-Ele tá te zoando, pai. Ele não é gay. – riu Polaris. Então ela falou no ouvido do rapaz, mas alto o suficiente para que a escutassem, de maneira que deixava bem claro que ela tinha muita certeza do que estava falando – Eu sei muito bem. – então ela se endireitou com um sorriso sacana no rosto – Eu vou pegar uma bebida. Ah, oi, Rose! – riu ela se afastando e deixando Reno Young encarar Rabastan Lestrange sozinho. Ex comensal de morte. Um dos membros do esquadrão da morte de Lorde das Trevas. O jovem riu constrangido e encarou os Lestrange. —Em minha defesa, seu neto está quase transado com a minha irmãzinha ali no sofá. – riu Reno. —Você é quem pra achar que pode se envolver com a minha filhinha?! – perguntou Rabastan parecendo simplesmente indignado." Todas as prévias envolvendo o Rabastan ahsuahsua xD Vamos lá! Comentem!!!!