Notas iniciais
OIEEEE! Ebaaa! 10 comentários^^ Aqui vai um capítulo mais lombrado que o Rigel Lestrange, gente. Hehehehe xD Espero que gostem! Ele está cheio de easter eggs e de informações importantes e subliminares. Vamos ver se vocês reconhecem cada personagem antes deles se identificarem =P Beeeijos! ps.: Terminei de escrever a fic! Então comentem sem parar!! =D

Capítulo 83

Andava sozinha por corredores infindáveis. Escadas subiam e desciam, de cabeça para cima, para baixo, nas paredes e em lugar nenhum. Degraus que não tinham onde começar ou terminar. Tudo era muito confuso. Levava em mãos uma travessa de prata com um lindíssimo jogo de chá. A mais cara cerâmica, com os mais belos desenhos. Seus passos ecoavam por toda aquela arquitetura estranha. Usava seu vestido de boneca, se perguntando quando algum cliente chegaria.

Atravessou uma porta e se encontrou no Salvage. Se lembrava dali. Passara muito tempo ali. Vultos bem vestidos passavam por ela, sem que a notassem. Sua mãe estava ali em algum lugar, assim como seu irmão e suas amigas. Sabia que eles estariam ali. Era onde eles sempre estavam, por mais que nunca os visse. Seu irmão deveria estar escondido em alguma caixa, sua mãe deveria estar costurando alguma saia, suas amigas deveriam estar lá dentro, no estoque, ajudando a organizar as coisas, ou colocando o uniforme para ajudá-la a servir o chá. Estava cheio aquele lugar.

Tantas pessoas...

Todas feridas, logo notou. Semi mortas, como ela.

Soltou um suspiro e foi em direção ao senhor que estava sentado ali perto. Ele segurava uma bengala com a cabeça de dragão, roupas impecáveis, cabelos ralos e brancos, um ar severo e os olhos brilhantes e prateados. Se aproximou e sorriu timidamente.

—Aceita um chá, senhor? – perguntou sem encará-lo de fato. Era assustador encarar as pessoas...

—Sim. Tem mel? – perguntou ele acenando com a cabeça.

—Sim, senhor. – respondeu, de maneira cortês. Ela lhe entregou a xícara e lhe serviu o chá. Depois colocou o mel – Quando estiver bom...

—Está bom. – disse ele severamente.

Se virou, intimidada com a presença dele, quando a porta se abriu e todos os clientes giraram, como que aparatando dali. Se virou, encarando a figura que entrava. Um homem muito bonito, com os mesmos olhos do senhor que tinha acabado de servir. Ele era o único que não tinha fugido quando o homem entrou.

Encarou o recém chegado. Ele usava uma máscara de baile, roupas muito antiquadas, apesar de elegantes, uma cartola muito bonita e vinha acompanhado de uma mulher loira, com um vestido vitoriano e uma máscara fazendo par com a dele.

Engoliu em seco, intimidada pelos dois, mas andou até eles para oferecer o chá.

—Olá, pequena. – riu o rapaz, com um sorriso bonito e cativante. Fez uma mesura, constrangida e respirou fundo, erguendo a travessa.

—Aceita um chá, senhor?

—Não, pequena. Eu agradeço, mas não. – riu ele – Você está atrasada, sabia? – perguntou o homem. Piscou confusa e negou com a cabeça.

—Estou onde deveria estar.

—Não. Você está presa. – riu ele – Somos prisioneiros de guerra, sabe? – riu o homem se acocorando e a olhando com um sorriso travesso – Olhe ali. O coelho branco está te esperando.

A garota se virou, confusa, e viu um garoto da sua idade, na casa dos oito anos. E ele realmente estava fantasiado de coelho branco. Mas podia ver os cabelos negros dele e os brilhantes olhos azuis.

—Está muito tarde! – disse ele se virando e indo para a loja.

—Pra onde ele vai? – perguntou confusa.

—Você precisa buscá-lo. Vá pegá-lo. – riu o homem. Se virou para encará-lo, confusa.

—Quem é você? – perguntou curiosa.

—Eu? Eu sou o Diabo. – riu o homem – Corra, menina. Corra...

Se assustou com aquilo, porque a loja começou a pegar fogo. Num instante, tudo estava em chamas. Olhou para o homem e o rosto dele refletia as chamas. Não era mais um rosto com um sorriso bonito. Era um rosto assustador, cheio de cortes e cicatrizes.

Correu assustada, por onde o coelho tinha fugido. Se perguntou se suas amigas e seu irmão estariam por ali, mas não os encontrou. Não encontrou ninguém. Então entrou onde os vestidos ficavam, com a intenção de se esconder entre eles. Correu, correu, correu e correu, sem nunca encontrar o fundo. Não se lembrava da loja ser tão grande.

Estava quase perdendo o fôlego, quando seu pé não encontrou o chão. Gritou de susto e escorregou por uma superfície lisa, que descia, descia, descia e descia.

Caiu em uma sala que não conhecia. Se levantou, assustada, olhando ao redor. Havia uma mesa, um piano e nenhuma porta ou janela. Olhou para o teto e não viu a passagem por onde deveria ter caído. Respirou fundo, assustada e escutou o som das teclas do piano. Olhou para ele e viu outro garoto da sua idade. Os cabelos eram da mesma cor dos cabelos de sua amiga, assim como os olhos azul brilhante dela. Mas havia nele algo que lembrava seu irmão, por mais que tivesse orelhas de rato.

—Ei! Onde eu estou? – perguntou assustada. Mas o garoto pulou para fora do piano, pegou um biscoito em cima da mesa e o comeu, parecendo desesperadamente assustado. Para sua surpresa, ele foi encolhendo, encolhendo e encolhendo, até ficar pequenino o suficiente para passar por uma pequena portinha, que ela não tinha visto antes – Espere! – pediu ela. Mas o menino não esperou, fechando a portinha ao passar. Se deitou no chão e olhou a portinha, sem entender coisa alguma. Abriu a pequena e olhou pelo pequeno corredor, vendo o menino-rato correr para longe – Espere, por favor! Como eu saio daqui? – gritou, mas o menino rato não parou. Ficou de joelhos, soltando um muxoxo – Mas que coisa... – se levantou, ainda confusa e andou até o piano. Soltou um muxoxo e foi até a mesinha, onde tinha uma tigela cheia de biscoitos. Estava mesmo com fome. Pegou um deles e mordiscou. Tinha gosto de chocolate e canela e... doce de leite. Delicioso. Foi quando sentiu algo estranho em sua barriga. Fechou os olhos, sentindo-se tonta e quando o mal estar passou, os abriu novamente para descobrir que tinha ficado pequena, como o menino rato. Achando aquilo tudo muito estranho, abriu a portinha e entrou. Atravessou o corredor escuro, sem conseguir enxergar nada e logo caiu em um buraco. Gritou assustada, pois tinha medo de cair. Não sabia nenhum feitiço que poderia impedi-la de se machucar. Iria cair e morrer.

Foi quando caiu no céu. E do céu, caiu na água. Nadou para cima, em busca de ar e notou que estava num imenso lago. Sentiu algo pegajoso enroscar-se em sua cintura e isso lhe arrancou outro grito. Era um tentáculo. Uma lula gigante. Sentiu o animal levantá-la e colocá-la na parte rasa do lago. Engoliu em seco, tremendo muito, e saiu da água, querendo saber como voltaria para casa.

Olhou para frente e viu uma imensa floresta, mas antes dela, havia um enorme cogumelo. Tão grande que seria possível subir nele. De fato, havia alguém no cogumelo, fumando um aparelho estranho, que soltava bolhas ou fumaças coloridas, vez ou outra. Era um homem, num saco de dormir, que o deixava parecido com uma enorme lagarta. Ele era moreno, com os olhos castanhos e um sorrisinho travesso. Os cabelos curtos e castanhos e as sobrancelhas largas.

—Você chorou bastante, não é? Deve ter sido, pra ter enchido todo esse lago... – riu ele antes de sugar da mangueira do aparelho. Depois ele soprou um monte de fumaça roxa. A garota engoliu em seco e se virou para encarar o lago.

—Esse lago foi feito das minhas lágrimas?

—De todas as lágrimas do seu coração. – concordou o homem.

—Quem é você? – perguntou confusa.

—Oras... eu sou eu. – riu ele tragando de novo – E você? Quem é você?

—Eu sou eu também, imagino. – resmungou franzindo a testa – Onde eu estou?

—Aqui. – riu o homem. Soltou um muxoxo.

—Será que pode responder às minhas perguntas direito?

—Estou respondendo. – riu ele – Talvez você quem não esteja perguntando da maneira correta. – sugeriu ele – Qual é o seu nome? – Abriu a boca para responder, mas não achou resposta. Piscou confusa, tentando se lembrar, mas simplesmente não conseguiu – Viu? Quem é você para cobrar de mim se nem sabe quem você é?

—Eu... eu sou eu. – resmungou cruzando os braços – Qual o seu nome?

—Que diferença faz? – perguntou ele – Se você não sabe o próprio nome, de que vai adiantar saber o meu? Talvez devesse descobrir o próprio nome, antes de tentar descobrir o dos outros.

A garotinha bateu o pé no chão, zangada, mas depois deu de ombros.

—E como eu faço isso?

—Essa é uma excelente pergunta. – riu o homem lagarta, parecendo se divertir. Ele sugou da mangueira com vigor, fazendo com o que o aparelho fizesse um som de bolhas, relativamente engraçado – Você precisa encontrar as figuras do seu baralho. – respondeu ele.

—Que baralho?

—O que está no seu bolso, é claro. – riu ele.

Piscou, surpresa e colocou as mãos no bolso do avental. De lá tirou um baralho de tarô, mas as cartas estavam em branco.

—O que eu faço com isso? – perguntou ela.

—Ache as figuras. – riu o homem – Os dois príncipes, as duas rainhas, a justiça, o enforcado, o lobo, a fada, o guardião, o anjo, o sábio, a temperança, a morte, o soldado, o gato, o diabo...

—Eu já achei o diabo. – disse de supetão.

—Então ele já está aí? – perguntou o homem lagarta.

—Não. – murmurou ela olhando as cartas – Mas tem você! – disse sorrindo e lendo a carta – Loto Yaxley. Esse é o seu nome!

—É... esse é o meu nome. – riu ele – Boa sorte, senhora. Vai precisar.

—Senhora? Por que senhora? Eu sou só uma menina! – disse achando graça dele. Mas Loto deu um sorrisinho e se deitou em seu cogumelo.

—Vindo de alguém que não sabe quem é, sua opinião sobre si mesma não vale muito, não acha?

—Você é muito chato! Eu vou descobrir quem eu sou e vou vir aqui esfregar na sua cara! – ralhou.

—Ok. Estarei esperando, senhora! – riu ele tragando mais uma vez para fazer um monte de bolhas.

A garota soltou um muxoxo e se virou, para ir andando até a floresta. Engoliu em seco, um pouco assustada, afinal estava sem o irmão. Suspirou com um pouco de medo e continuou andando. Seguiu a estrada, até chegar num ponto onde ela se dividia em vários caminhos. Uma placa estava ali para assinalar, mas estava toda em branco.

—Eu me perdi. – resmungou fazendo bico.

—Pra onde está querendo ir? – perguntou uma voz. Se virou e viu um homem com orelhas e rabo de gato, com um enorme sorriso.

—Você é o gato! – disse contente.

—Sou? — perguntou ele se escondendo atrás da árvore. Estava para se aproximar, quando a mesma voz veio de outra árvore, do outro lado.

—Tem certeza? – perguntou ele. Se virou e viu o gato em outra árvore, com o mesmo enorme sorriso. Os olhos azuis, os cabelos negros, o queixo quadrado e com um furinho charmoso. Ele era tão bonito... – Qual é o seu nome?

—Eu não sei, ok? – perguntou ela, irritada – Qual é o seu?

Mas o gato riu e se escondeu atrás de uma árvore para aparecer em outro lugar.

—Se o nome é meu, por que você quer saber? – perguntou ele.

—Porque sim! – respondeu, mas antes que o alcançasse, ele se escondeu atrás de uma árvore, para aparecer em outro lugar.

—Isso não é uma resposta. – riu ele – O que me diz de um enigma? – perguntou o gato, se escondendo atrás de uma árvore e aparecendo em cima da copa de outra árvore.

—Se você acertar, vai saber.

—Está bem! – disse decidida, ligeiramente irritada com a mágica dele de desaparecer e aparecer em outro lugar.

—Certo. Minha mãe é uma rainha. – riu ele – De uma nação guerreira. Mas meu pai era um deus. – ele se escondeu e apareceu em outro lugar.

—O meu pai não era deus. Ele era um rei! – riu o gato.

—Era deus ou rei? – perguntou confusa, mas o gato voltou a se esconder para aparecer em outro lugar.

—Nossa mãe tinha o nome parecido com o seu. – riu o gato.

—Mas eu não sei o meu nome.

—Isso é problema seu, não nosso. – riu ele se escondendo.

—Eu sou imortal! – ele se escondeu de novo e apareceu em outro lugar.

—A morte está chegando pra mim? Eu não sei. E você?

—Mas se você é imortal, como a morte pode estar chegando? – perguntou confusa, mas o gato riu e voltou a se esconder, para aparecer atrás dela.

—Meu pai nos tornou estrelas. Sempre unidas. Para que não ficássemos separados pela morte. – riu o gato – Estamos na mesma constelação que você, mamãe.

—Mamãe? – perguntou a garota, mas o gato sorriu e voltou a correr, para se esconder. Ela pegou as cartas e pensou a respeito daquilo – Essa é a lenda... dos... dos dois gêmeos... Póllux era filho de Zeus, enquanto Castor era filho do rei Tíndaro! – disse se lembrando – Eles são duas estrelas da constelação de gêmeos!

—Isso mesmo. – riu um gato saindo de trás da árvore – Eu sou Póllux Burke.

—E eu sou Castor Burke! – riu o outro gato. Os dois andaram até que ficaram lado a lado e ela notou que Castor tinha os cabelos curtos

—Pra onde eu preciso ir? – perguntou vendo na carta do gato surgir o desenho dos dois, com seus respectivos nomes.

—Por que está tão preocupada com isso? – perguntou Castor – Qualquer caminho serve pra quem está perdido.

—Isso mesmo. – riu Póllux – Por que não escolhe qualquer um? Só evite esse aqui. – disse ele apontando para um caminho qualquer – Você não está pronta pra ele ainda.

Acenou positivamente e escolheu um outro caminho qualquer.

—Pra onde esse caminho leva? – perguntou.

—Para o palácio de Cristal. – respondeu Póllux – Cuidado com esse caminho. As flores podem ser um tanto malvadas com quem não sabe o próprio nome.

—Mas... – se virou para os gatos e notou que eles ficavam invisíveis – Ei! O que está acontecendo?

—Esperamos você, mamãe... do outro lado. – disseram ao mesmo tempo

—Parem de me chamar de... – mas eles já tinham sumido – Mamãe... – resmungou. Soltou um muxoxo e se virou para o caminho – Um palácio de Cristal? Isso parece ser interessante.

Se colocou a caminhar, guardando suas preciosas cartas no bolso. Caminhou por uma densa floresta escura. As árvores eram enormes e cheias de frutos, mas decidiu não comer. Vai que encolhia de novo, ou ficava gigante? Era melhor não comer enquanto não saísse dali.

Seguiu a estrada até uma colina, onde pode ver o lindíssimo Palácio de Cristal. Sorriu animada com tão bela estrutura. Foi correndo e tropeçou nos próprios pés. Xingou baixinho, se levantando, e voltando a correr. Logo viu vários pontinhos azuis, dançando no horizonte. Quando se aproximou o suficiente, notou que eram pessoas. Tomou fôlego e se aproximou mais. Quando chegou muito perto, notou que eram todas garotas, todas mais velhas que ela, com seus quinze ou quatorze anos. As garotas pararam de dançar e ela notou que os vestidos delas pareciam ser botões de rosas.

—Olá. – murmurou constrangida.

—Merlin. Que ervinha é essa daí? – perguntou uma das mulheres. A garota corou com o olhar de desgosto dela.

—A roupa dela é horrorosa. – riu outra.

—Demais. Eu não usaria isso nem que a outra opção fosse morrer. – concordou outra.

—Esse é meu uniforme, ok? – perguntou fazendo bico.

—Saia daqui, ervinha! Ou será que tem nome? – perguntou a primeira flor, que parecia ser a líder delas.

—Eu tenho um nome sim. – ralhou a garota.

—É mesmo. E qual é? – perguntou ela.

—Não é da sua conta. – ralhou.

—Vamos ver se não é! – riu a flor. As três se aproximaram dela e começaram a puxar seu vestido, na intenção de rasgá-lo.

—Não, me soltem! Me soltem! – pediu assustada.

—Vamos ver o que tem por baixo das pétalas? – perguntou ela – Você não é nada perto de mim! Saiba que eu sou a flor favorita do Príncipe de Ouro! Ouviu? Você não vai roubar meu príncipe de mim!

—Não! Não quero roubar ninguém! – respondeu assustada. Conseguiu se desvencilhar das flores e correu para a floresta, arranhada e com o vestido muito rasgado. Correu com um nó na garganta, querendo que seu irmão estivesse ali para lhe defender, mas estava sozinha, na floresta escura. Tropeçou novamente e caiu no chão, ralando o joelho. Foi quando escutou um rosnado. Olhou para trás e viu dois olhos vermelhos, na sombra – Quem está aí? – o rosnado aumentou e ela sentiu ainda mais medo. Se levantou, voltou a correr e escorregou em um barranco, batendo a cabeça e por fim desmaiou.

Quando acordou, imaginou que deveria estar na Salvage novamente e que tudo não deveria passar de um sonho estranho. Mas quando abriu os olhos, se viu numa pequena cabaninha de madeira. Sentiu um cheiro gostoso de comida e se sentou, assustada. Olhou ao redor, sem reconhecer onde estava e notou que não estava mais com seu vestido. Se enrolou melhor no lençol e sentiu vontade de chorar, querendo sua mãe e seu irmão. Mas estava longe deles...

—Acordou, finalmente. – riu alguém. Levantou os olhos e notou que tinha um rapaz ali. Ele deveria ter seus quinze anos. Ele era muito bonito, com os cabelos castanhos ondulados, os olhos num verde piscina, o queixo furadinho e um sorriso gentil – Como se sente?

—Onde estou? Onde estão as minhas roupas? – perguntou e notou que sua voz estava diferente.

—Aquelas roupas não cabiam mais em você. Então eu as tirei. Afinal estavam bem rasgadas e sujas, de qualquer maneira. – riu ele se sentando ao seu lado enquanto mexia numa sopa – Você cresceu. – adicionou ele.

—Cresci?

—Sim... uns três anos, eu acho. Logo vai crescer mais. – adicionou ele – Sabe como são esses adolescentes. Esticam de uma vez. – riu ele lhe oferecendo uma colher cheia de sopa – Eu soube que procurava por mim, então resolvi te ajudar.

—Quem é você?

—Eu sou o Lobo. – riu ele e ela abriu a boca para comer da sopa, que na verdade estava muito gostosa – E você, quem é?

—Eu ainda não sei. – respondeu o olhando desconfiada – O Lobo não é mau?

—Mau? – ele perguntou, franzindo a testa e lhe oferecendo mais sopa – Eu cuidei dos seus machucados, te salvei das flores e estou te alimentando. Por que acha que eu sou mau?

—Os Lobos são maus. – murmurou desconfiada.

—Não. Eles não são bem compreendidos. Nós matamos para sobreviver, é verdade... mas toda serpente não faz o mesmo? E você é uma serpente, não é?

—Sou?

—Claro que é. – riu ele lhe afagando o rosto – Aqui. Coma tudo. Eu vou trazer umas roupas para você, ok? Coma tudo. – murmurou ele lhe beijando no rosto – E quando você crescer mais um pouco... – ele suspirou com o rosto bem perto – Nós vamos nos divertir. Eu prometo.

Engoliu em seco e ele se levantou. Pegou a tigela de sopa e se colocou a comer. O Lobo lhe trouxe uma caixa e lhe lançou uma piscadela, antes de se afastar.

—O que é isso?

—Suas roupas. Eu já volto. Não saia daí. – disse ele.

Comeu toda a sopa e então abriu a caixa. Havia uma linda capa vermelha, de cetim brilhante. Sorriu achando-a bonita. Depois notou um vestidinho bonitinho, com a saia em forma de botão de rosa, como a das flores malvadas, só que negra e de veludo. Também tinha um belo par de botas que iam quase aos seus joelhos. Sorriu e se vestiu, mesmo que não houvesse uma calcinha. Imaginou que o Lobo não teria motivos para ter uma calcinha... mas também se perguntou o motivo dele ter um vestido daqueles.

Deu de ombros e foi até um espelho. Foi quando levou um susto. Não parecia mais ter oito anos, mas treze. Ainda era gorducha e o vestido não ficou tão bonito quanto tinha ficado nas outras flores. Soltou um muxoxo e desejou emagrecer. Assim o Lobo poderia achá-la bonita.

Andou pela cabana e viu que havia um garoto a espiando pela janela. Ele tinha orelhas de coelho!

—Coelho Branco! – disse animada.

—Ops! – resmungou o coelho, que logo saiu correndo.

A garota saiu da cabana, correndo atrás dele, tentando por tudo alcançá-lo, esquecendo completamente de que o lobo não queria que ela saísse.

—Espere! – gritou para o coelho – Por favor, me espere! – pediu correndo pela floresta. Logo encontrou a estrada, que novamente se dividia em vários caminhos, mesmo que não fosse o mesmo caminho onde tinha encontrado os gatos. Suspirou, se perguntando por qual o Coelho Branco tinha fugido. Decidiu por um caminho qualquer e se colocou a andar. Foi quando escutou o som de galopes. Se virou, esperando ver cavalos e eles logo apareceram.

—Auto! – gritou um homem muito alto, forte e musculoso – Quem ousa cruzar o caminho do Príncipe de Prata?

A garotinha engoliu em seco e olhou para o tal príncipe. Ele estava encapuzado, com uma roupa que lhe causava calafrios. Lembrou que seu pai usara roupas assim e ele tinha sido preso por isso. Todos os homens e mulheres usavam aquela roupa. Aquela capa negra, com máscaras prateadas.

—Qual o seu nome? – perguntou uma voz arrastada. Imaginava ser o príncipe, afinal ele tinha uma coroa em cima do capuz.

—Eu não sei o meu nome. – murmurou intimidada. O príncipe a olhou de cima a baixo e desceu do cavalo. Ele era bem mais alto que ela, por tanto ele se curvou para olhá-la.

—Ainda não cresceu o suficiente. O outro Príncipe sabe que está andando por aqui? – perguntou ele.

—Não... eu nem sei quem é o outro príncipe... – murmurou assustada.

—Não pode andar por esse caminho sem um guardião. Você está indo ver o Enforcado? – perguntou o Príncipe de Prata.

—Hum... estou. – disse dando de ombros. Precisava mesmo encontrar o enforcado.

—Então vai precisar disso. – disse o príncipe lhe entregando seu baralho. Ele ficou de joelhos a sua frente – Não as perca de novo e tome cuidado com falsos amigos, ok?

—Meu baralho! Como o conseguiu? – perguntou surpresa.

Mas o príncipe negou com a cabeça. Olhou para os olhos dele, por debaixo da máscara e encontrou olhos azuis cinza a olhando de volta.

—Não precisa ter medo de cair... – murmurou ele – Tome. Um presente meu pra você. Para que não se esqueça de mim. – ele lhe entregou uma caixinha de música e lhe afagou na bochecha – Tome muito cuidado. A Rainha Branca te espera. Não vá ver a Rainha Vermelha antes da Branca. Nem procure a Morte. Você não está pronta para a Morte...

—Quem é a morte? – perguntou confusa, segurando a caixinha de música.

—Alguém muito importante para nós... mas você ainda não está pronta. Venha me ver quando crescer. Eu vou te mostrar como sair daqui. – ele se levantou e foi até o próprio cavalo – Se você vai ver o Enforcado, deveria procurar o Guardião primeiro. Ou então... – ele suspirou – Tia Bella. Leve-a até lá. Você sabe o caminho.

—Sim, meu querido. – riu uma das figuras encapuzadas.

—E Vince, dê o seu cavalo para a pequena flor.

—Mas... e eu vou ficar a pé? – resmungou um homem.

—Vai. Desça do cavalo. Anda! – ralhou o príncipe. Vince xingou baixinho e obedeceu, ajudando a garotinha a subir em seguida – Boa sorte, minha jovem dama. – disse o Príncipe. Ele virou o cavalo e os outros o seguiram, com exceção da mulher que ele tinha deixado com ela. Ela tirou o capuz e a garota viu que ela era uma mulher muito bonita, de cabelos negros, encaracolados, olhos azuis e uma expressão arrogante.

—Você vem? – perguntou ela.

—Sim... – respondeu.

As duas começaram a cavalgar, descendo cada vez mais, pela estrada. Escutou o som do mar e um frio congelante. Logo chegaram numa praia e Bella soltou um muxoxo.

—É por ali que ele está. – respondeu ela.

—O Enforcado... ele... ele está em Azkaban. – perguntou surpresa. Bella a olhou com desdém e concordou.

—Ele se recusou a fugir. – murmurou ele – Está preso em luto e tristeza, porque não pode proteger sua família... – explicou ela – Você precisa tirá-lo de lá, ou ele vai morrer.

—Como eu vou entrar? Tenho que nadar até lá? Vou me afogar.

—Oras. Você é uma bruxa ou não é? – ralhou Bellatrix.

—Eu não sei. Eu não sei quem eu sou. – murmurou tristemente. Bellatrix soltou um muxoxo descontente e sacou a própria varinha, abrindo o mar ao meio, fazendo um caminho até a enorme prisão.

—Agora vai.

Engoliu em seco, se perguntando se a mulher iria matá-la afogada. Mas decidiu ir. Galopou pela areia molhada, vendo a sombra dos animais aquáticos pelo reflexo da água. Somente quando chegou na enorme construção triangular, que o mar voltou a se fechar. Engoliu em seco e desceu do cavalo, para subir os degraus. Subiu, subiu e subiu, sentindo um enorme frio de doer os ossos. Quando chegou na recepção, viu um esqueleto com um livro e uma pena.

—Quem é você? – perguntou ele.

—Hum... eu... eu não tenho nome. Eu vim ver o Enforcado. – disse timidamente.

—Sem nome, não pode entrar. – resmungou o esqueleto.

—Mas eu sou uma enviada do Príncipe de Prata.

—E qual é o nome dele? – perguntou o esqueleto.

—Oras, eu não sei. Eu não perguntei. Eu preciso entrar. – resmungou.

—Sinto muito. Mas sem um nome você não pode entrar. – resmungou o esqueleto. Então pensou no único nome feminino que conhecia.

—Eu me chamo Bellatrix.

—Bellatrix o que? – perguntou ele.

—Hum... Bellatrix... Yaxley. Bellatrix Yaxley.

—Esse nome não existe.

—Existe sim. Se é o meu nome, então existe! – resmungou. O esqueleto bufou e coçou a cabeça, parecendo confuso – Me deixe entrar! Ou o príncipe vai ficar sabendo disso!

O esqueleto bufou de novo e apontou para a porta. Andou até ela e a abriu, entrando num túnel frio, úmido, cheio de teias de aranhas, com os ratos do tamanho de gatos, correndo de um lado para o outro. Levantou a saia do vestido para que não sujasse e seguiu o caminho.

Na última cela, lá do fundo, tinha um homem, muito triste e cabisbaixo, com o rosto magro e encovado. Os olhos prateados e tristes, cansados. Os cabelos castanho avermelhados, rajados de branco. Andou até ele e notou que ele se parecia bastante com o seu irmão.

—Você é o Enforcado? – perguntou olhando para ele. O homem piscou e a olhou, surpreso e sorriu, parecendo aliviado. Ele se jogou contra as grades, que desapareceram. Então ele a abraçou muito apertado.

—Você está bem? – perguntou ele com dor na voz – Oh, minha filha, eu sinto tanto... tanto. – murmurou ele.

Foi quando entendeu. O empurrou, enojada e magoada.

—Você é meu pai?

Ele concordou com um aceno de cabeça.

—Você cresceu tanto... está tão bonita.

—Qual é o seu nome? – perguntou franzindo a testa.

—Eu sou Rabastan Lestrange. – respondeu ele e ela ficou feliz por finalmente ter alguém com respostas que faziam sentido – Vamos. Vamos sair daqui. – pediu ele a abraçando. Sentiu uma sensação engraçada no umbigo e se viu numa casa muito bonita.

—Seja bem vinda, senhorita. – disse um homem. Sentiu o corpo inteiro se arrepiar e olhou para o lado, para a voz – Eu sou o Lorde das Trevas, senhor desse castelo. E você será a minha vidente.

Era um homem muito esquisito. Na verdade, nem parecia um homem. Tinha apele acinzentada, os olhos vermelhos e o nariz era um buraco com duas fendas.

—O que?

—Não se preocupe, querida. Vai dar tudo certo. – riu seu pai – Vamos. – ele a puxou pela mão e a levou para um quarto – Você vai ficar aqui. Ainda precisa crescer.

—Crescer? – perguntou confusa – Mas eu já cresci.

—Não o suficiente. – explicou seu pai – Mas em breve você vai ter idade pra saber tudo.

—Qual é o meu nome?

—Eu te dei um sobrenome. Não é o suficiente por enquanto? – perguntou ele.

—Lestrange? – perguntou ela.

—Isso. É um senhor sobrenome. – riu seu pai. Ele se levantou e saiu do quarto, a deixando sozinha. Respirou fundo e pegou seu baralho e sua caixinha de música. Colocou a caixinha em cima da cama e olhou as cartas. O Enforcado tinha aparecido, assim como o desenho de seu pai e a legenda “Rabastan Lestrange”.

—Ok... eu já consegui algumas cartas. Mas eu preciso das outras. – murmurou se deitando na cama. Soltou um suspiro e procurou pela carta do Lobo. Estava lá, por mais que o nome dele ainda estivesse faltando. O Príncipe de Prata estava igual – Eu não posso perder mais tempo. – disse se levantando. Guardou as cartas em uma das pétalas do vestido, mas deixou a caixinha de música ali. Depois saiu da salinha e foi até a sala de visitas. Se lembrava que ali tinha uma lareira. Suspirou, pegando o flu e o jogou nas chamas.

—Pra onde você vai? – perguntou uma voz vinda de sua esquerda. Era Póllux.

—Não deveria sair. – concordou Castor – Está a salvo aqui, mamãe.

—Eu não sou sua mãe. Eu só tenho treze anos, ok?! – perguntou zangada. Os gêmeos sorriram e desapareceram em seguida. Soltou um muxoxo e entrou na lareira.

Apareceu em um castelo. Não sabia onde estava. Só que várias pessoas em lindos vestidos em forma de flor terminavam de se arrumar.

—Vai ser o baile do século. – riu uma delas.

—Com certeza. E falaram que o Príncipe de Ouro vai estar lá. – riu outra garota.

—Eu preciso ir! – disse afoita, e as garotas olharam para ela com sorrisinhos debochados.

—Você não tem idade ainda. Precisa crescer. – riu uma delas. Os olhos esverdeados, cabelos escuros e compridos, com um busto farto.

—Isso mesmo. É só uma criança. – riu a outra, com uma peruca branca e engraçada. Ela era gorduchinha, apesar de não parecer insegura por isso – Crianças não podem ir.

A terceira garota era bem magrinha, com os seios pequenos, cintura fina, loira e os olhos azuis. As duas primeiras garotas saíram e a pequena Lestrange tentou segui-las. Mas a porta não permitiu.

—Você não escutou? Crianças não podem ir ao baile! – ralhou a porta.

Soltou um muxoxo e cruzou os braços.

—Você não pode ir assim para o baile. – murmurou a garota. Se virou para encará-la e recebeu um sorriso gentil.

—Quem é você?

—Não se lembra de mim? – a garota se aproximou e segurou suas mãos – Crescemos juntas, lembra? Se escondendo entre as roupas... somos amigas.

—Você é a minha amiga! Da Salvage. É a filha de Madame Greengrass! – disse surpresa – Você cresceu! Por que eu não cresci? – perguntou amuada.

—Qual o meu nome, Lena? — perguntou ela.

—Lena? – perguntou confusa.

—É como eu te chamava, lembra? – perguntou a garota lhe afagando o rosto com muito carinho – Minha pequena e querida Lena... – a garota arfou e suspirou – Eu senti tanta sua falta...

Lena engoliu em seco e concordou. Estava com saudades também.

—Daphne... – murmurou com um nó na garganta – Eu estou perdida.

—Está tudo bem. Eu sou sua Fada Madrinha, ok? – perguntou Daphne a puxando para a frente de um espelho – Olhe. Como você é linda. Você só precisa crescer.

—E como eu faço isso? – perguntou confusa.

—Feche os olhos. – sussurrou ela em seu ouvido. Obedeceu e sentiu uma vertigem na barriga – Agora abra os olhos. – sussurrou ela. Obedeceu novamente e notou que estava mais velha. Da idade da amiga. E agora usava um vestido azul e não em forma de flor. O vestido era azul escuro, com detalhes em prata. O dragão serpentiliano da casa Lestrange bordado com diamantes na saia. Usava ainda uma manta bonita, prateada, ao redor dos ombros e uma máscara de baile – Perfeita para conhecer seu príncipe encantado.

—O Príncipe de Ouro? – perguntou ela.

—Sim, oras. Ele é o seu príncipe. Não deixe que a Pansy te convença do contrário, ouviu? – ralhou Daphne.

—Como assim? – perguntou confusa.

—Você vai entender quando crescer mais um pouco... mas agora vá. Você não pode crescer tudo de uma vez também.

Lena suspirou e saiu do quarto, já que a porta finalmente deixou. Saiu pelo corredor, sem saber exatamente para onde ir. Foi andando pelos corredores, achando-os levemente familiares. Subiu um lance de escada e logo se viu num enorme salão. Olhou para cima e notou que o teto era encantado para espelhar o céu, que no momento estava muito bonito e estrelado.

Todos dançavam no salão, parecendo muito entretidos nisso. Olhou para os lados, mas ninguém parecia notá-la. Todos passavam por ela como se não existisse. Suspirou sentindo-se solitária e sentiu alguém abraçá-la ao redor da cintura e seu rosto ferveu com isso.

—Olá... – murmurou uma voz masculina – Não pude notar que está sozinha, senhorita. Qual é o seu nome?

Aquela voz fez com que todos os pelos de seu corpo se arrepiassem. Se virou e o olhou nos olhos. Ele usava uma máscara de baile e belíssimos trajes a rigor. Os cabelos negros, o rosto quadrado, os olhos muito azuis. Suspirou olhando para ele, sentindo o coração acelerar.

—Eu... eu não sei o meu nome. – murmurou ela engolindo em seco. O rapaz sorriu e lhe beijou a mão.

—Tudo bem... mas você tem nome de estrela... disso eu não tenho dúvidas... posso te chamar de Estrelinha? – perguntou ele. Lena sentiu o coração bater acelerado, o corpo todo tremeu involuntariamente – Sabe... esse segundo... esse precioso segundo... quando eu te reencontrei depois de tanto tempo... esse é definitivamente o segundo mais longo da minha vida. – riu ele – E eu nunca vou esquecê-lo e você? – negou com o rosto – Estrelinha... minha doce Estrelinha... eu senti tanto a sua falta. Não vá embora nunca mais... – pediu ele segurando seu rosto. Sentia-se quente e perdida, no meio de todas aquelas pessoas, com aquele garoto lhe dizendo aquelas coisas. Não sabia lidar com o momento, afinal, completara quinze anos há poucos minutos... – Dance comigo... agora e para sempre? – pediu ele.

Concordou com um aceno de cabeça e Once Upon a Time começou a tocar. O olhou em verdadeiro pânico e sorriu sem jeito.

—Eu não sei dançar...

—Não tem problema. – ele sorriu e colocou a mão em sua cintura, enquanto segurava sua mão com a outra – Eu te ensino. – sussurrou ele.

Então dançaram. Dançaram e dançaram. O sorriso dele era maravilhoso. Fazia com que seus joelhos tremessem. Ficou dançando olhando para ele, completamente derretida e entregue a aquele sentimento confuso, intenso, novo e verdadeiro.

—Lena. Lena. – olhou para o lado e viu sua Fada dançando com um rapaz também mascarado – Não se esqueça. Se você não estiver no seu quarto à meia noite, ficará presa para sempre e nunca mais poderá voltar para casa.

Concordou em silêncio e olhou para o rapaz.

—Quem é você? – perguntou para ele. Mas ele não respondeu. Apenas sorriu... apenas fechou os olhos. Apenas se aproximou e tocou seus lábios com os dele. O beijou, nervosa e trêmula e tudo girou ao seu redor. Estava numa cama com ele a lhe beijar de maneira apaixonada. O abraçou forte, completamente feliz, sem querer sair dos braços dele. Nunca mais... nunca mais...

—Eu te amo, Estrelinha... – sussurrou ele em seu ouvido.

—Qual é o seu nome? – perguntou notando que estava nua com ele na cama. Ele sorriu.

—Não lembra de mim? – perguntou ele calmamente – Eu te beijei na casa do Draco, lembra? Eu te deitei no chão e seu irmão brigou comigo... e depois... eu te beijei na minha casa, não se lembra? Eu prometi que quando a gente se visse de novo, iríamos namorar... – ele suspirou e a olhou com carinho, retirando sua máscara – Eu sinto tanta a sua falta, Estrelinha...

Retirou a máscara dele e o olhou com muita atenção.

—Damian? – perguntou emocionada. Ele concordou e sorriu. Achou que iria chorar, mas ele não lhe deu tempo para isso. Apenas a beijou completamente apaixonado e sedento dela. Se lembrava. Se lembrava dele. De suspirar por ele, de sonhar com ele... de receber as cartas dele... de lê-las antes de ir dormir, para que fosse capaz de sorrir naquela escola horrível. O beijou de volta tão apaixonada e desesperada por ele e quando ele a amou, nem doeu. Foi apenas amor, carinho e cumplicidade – Eu sinto sua falta. – murmurou.

—Eu também... – murmurou ele – Me diz que vai ficar aqui... comigo. Pra sempre.

Ela se sentou e o olhou triste.

—Eu não posso... eu preciso descobrir as outras cartas. Eu preciso voltar pra casa.

—Por que? – perguntou ele – Não pode ficar aqui comigo? Aqui pode ser nossa casa. Essas lembranças felizes... nosso pequeno mundo perfeito. – ele se sentou e a beijou nos lábios – Só meu e seu. – sussurrou ele colando a testa com a sua.

—Não acredite nas mentiras dele! – ralhou uma voz feminina. Piscaram confusos e a cortina da cama foi aberta de uma vez. Olhou para o lado e viu a garota que tinha visto mais cedo. A super peituda – Não escute esse cretino, Lena! Ele não presta!

—Ora, Pansy. Me deixa em paz, ok? – resmungou Damian.

—Ele ao menos te contou sobre as outras duas? – perguntou Pansy.

—Que outras duas? – perguntou Lena, confusa.

—Eu falei que você não iria roubar meu príncipe de mim! – rosnou a flor que tinha visto no dia em que encontrara o Lobo.

—Você! Mona! – murmurou se lembrando.

—Sim. Eu e o Príncipe transamos, sabia? Antes de você! – ralhou ela. Lena olhou para Damian, que desviou o olhar, parecendo culpado.

—E não se esqueça que eu estou grávida do Príncipe. – riu outra mulher. Uma de olhos cinzentos, cabelos negros e muito, muito bonita – Eu sou a Princesa de Ouro e você não é uma flor. Você não está autorizada a ficar com o Príncipe.

—O que? – perguntou confusa.

—Vamos, Lena. – disse Pansy. Ela moveu a varinha e o lençol grudou em seu corpo, adquirindo o formato de um vestido branco – Você precisa sair daqui e voltar pro seu quarto.

—Não, Lena. Me deixe explicar. – pediu Damian se levantando. Olhou magoada para ele.

—É Lestrange, pra você. – rosnou.

Pansy a puxou para outro quarto, enquanto as flores a xingavam. A Princesa olhava de longe. O Príncipe não a seguiu. E Pansy a jogou na lareira, onde ela caiu, caiu e caiu.

Sentiu medo e quando finalmente parou de cair, estava novamente na Mansão. Caiu nos braços de um rapaz loiro, de olhos azuis cinza, aquele tom bem familiar.

—Não precisa ter medo de cair. Eu estou aqui pra te segurar, ok? – perguntou ele.

—Estou farta de romances! – resmungou se desvencilhando dele e indo para o chão.

—E pra onde você vai? – perguntou ele a seguindo com um sorriso travesso.

—Não é da sua conta. – ralhou ela.

—Podemos nos divertir um pouco? – perguntou ele.

—E como? – perguntou zangada. O rapaz sorriu se divertindo e a puxou pela mão, a levando para um curral com vários pavões albinos, tão grandes quanto cavalos – Nossa... são lindos... brilham como patronos.

—É mesmo, não é? – perguntou ele – Gostaria de passear comigo?

—Está bem. – disse animada. O rapaz a ajudou a montar e os dois caminharam por lugares muito bonitos e diferentes. As flores viravam borboletas, para voar, e voltavam a ser flores quando pousavam. Sorriu achando tudo muito bonito – Qual o seu nome? – perguntou para ele. O rapaz sorriu e a olhou de forma travessa.

—Você não se lembra?

—Não.

—Bem... teremos tempo para isso, ok? – perguntou ele – Vamos voltar agora?

—Quero passear mais um pouco.

—Por que?

—Porque estou chateada com o Príncipe de Ouro.

—O que ele fez?

—Ele é casado! E não me contou! E ele me beijou e fez muitas outras coisas comigo, sendo casado! – disse indignada. O rapaz soltou um suspiro.

—Isso é horrível. – ele parou o pavão e suspirou de novo – Já encontrou o outro príncipe? O Príncipe de Prata?

—Sim.

—E o que achou dele? – perguntou o rapaz.

—Ele é bem gentil. Eu gostei dele... mas o outro príncipe era gentil também. Então não sei se posso confiar em príncipes. – resmungou.

—Você deveria procurar a Rainha Branca. – murmurou o rapaz. Lena soltou um suspiro e bateu em seu pavão, de leve, com os calcanhares – Onde você vai?

—Vou procurar as outras cartas!

—Lena!

Se virou. Ele já estava longe, mas a olhava com preocupação

—Não me deixe, ok? Eu não vou aguentar se você me deixar...

-Eu vou voltar! – disse. Mas o rapaz continuava melancólico.

Se virou e continuou indo em seu pavão, pela estrada. Andou pela floresta que se formava, observando como tudo era muito diferente do normal. As folhas eram azuis, os frutos eram prateados e o céu, pelo pouco que podia enxergar, era cor de rosa. Era tudo meio maluco, certamente. Continuou cavalgando, até que alguma coisa acertou sua cabeça com força. Caiu do pavão, que correu para longe.

Piscou zonza e sentiu alguém puxá-la pelos cabelos.

—Eu mandei você não sair de lá, não mandei, Chapeuzinho?! – rosnou uma voz conhecida. Olhou para o lado e viu o Lobo a colocar contra uma árvore – Eu mandei você não sair! Por que me desobedeceu?!

—Desculpe. – murmurou assustada. O Lobo a cheirou e rosnou.

—E agora tiraram a sua virtude! Eu queria ter tirado a sua virtude! Quem fez isso? Quem?!

—O Príncipe de Ouro! – respondeu assustada.

—Ah... eu soube que uma ladra roubou o coração dele. Foi você? – perguntou o Lobo, furioso.

—Não...

—Está mentindo! – gritou ele – Aquele Príncipe maldito ousou me roubar... eu vou roubá-lo também.

—Espere! – pediu assustada enquanto ele rasgava seu vestido feito do lençol – Não! Espere!

—Cale a boca! – rosnou o Lobo a colocando de costas – Diz o meu nome, sua sem valor.

—Me solte.

—Quem sou eu? – rosnou ele em seu ouvido.

—Por favor, não me machuque. – pedia, mas toda vez que ele lhe encostava, parecia queimar.

—Qual é o meu nome?

Então se lembrou dele.

—Jacques, por favor... Jacques Pierre... não me machuque. Não me machuque.

—Eu vou. E você vai gostar. E você vai querer mais. Porque você é minha, Chapeuzinho.

—Solte. – rosnou uma voz familiar. Jacques a soltou e ela caiu no chão, pegando as próprias roupas e se enrolando da melhor maneira que conseguiu. Um cavaleiro de armadura tinha aparecido. Ele sacou uma espada e lutou contra Jacques, que se transformara num lobo. Por um momento achou que o homem na armadura iria perder, mas ele também se transformou num lobo. Mas um muito maior e mais forte. Ele partiu Jacques ao meio e quando fez isso, o corpo dele se transformou em cinzas e fumaça. Lena respirava assustada, olhando para o lobisomem, que se aproximava. Ele se destransformou, voltando a virar um homem de armadura e a ajudou a se levantar – Você está bem?

—A-acho que sim... ele me machucou um pouco, mas... mas está tudo bem.

—Oh, mana... – sussurrou ele lhe abraçando e ela reconheceu a voz dele. O abraçou de volta, caindo no choro, pois sentira extrema saudades dele.

—Rasalas. Me ajude. Eu estou perdida.

—Eu sei. – murmurou ele – Mas infelizmente eu não posso te tirar daqui. – murmurou ele a soltando – Eu sou um reles Guardião.

Piscou, surpresa e pegou seu baralho, que convenientemente estava logo ali.

—Você é mesmo o Guardião. Rasalas Lestrange. – disse mostrando a carta e seu irmão sorriu – Desde quando você está de olho em mim?

—Desde o baile. Eu estava com Daphne, lembra? Nós nos casamos. – explicou ele.

—Oh... – lembrava vagamente apenas – Ok... pra onde eu devo ir, Ras?

—Eu não sei... Faltam muitas cartas ainda? – perguntou ele.

—Sim...

—Bem. Você deveria procurar pela nossa mãe. Ela está preocupada com você. – respondeu ele. Lena piscou em choque e concordou.

—Onde ela está? – perguntou. Rasalas voltou a se transformar.

—Suba. Eu te levarei até ela.

O passeio pareceu levar eras. Mas finalmente chegou numa pequena casinha. Muito simples e arrumadinha.

—Mamãe está aqui? – perguntou.

—Sim. – respondeu Rasalas – Boa sorte, Lena... eu estou com saudades. Volte logo.

—Ras... espere... – murmurou se virando para o irmão – E se eu precisar de ajuda?

Rasalas sorriu, mesmo em sua forma lupina.

—Você vai conseguir dar um jeito. Você sempre deu um jeito. – riu ele.

E então ele se desfez, no vento.

Lena soltou um suspiro e se virou, para entrar na casa. Era exatamente como se lembrava. A sala pequena, a cozinha pequena. O corredor que dava para o banheiro, o quarto que dividia com Rasalas e, mais ao fundo, o quarto da mãe.

Abriu a porta e a encontrou.

—Mamãe... – murmurou com os olhos cheios de água. Sua mãe abriu os braços e ela correu para abraçá-la – Mamãe... me ajude. Eu estou perdida.

—Eu sei, meu amor... – murmurou – Mas você precisa voltar sozinha. – explicou ela – Pegue suas cartas. Eu sou a Temperança. – murmurou ela.

—Você? – perguntou surpresa. Sua mãe concordou com um aceno de cabeça.

—Você precisa de uma roupa – murmurou ela. Sua mãe sacou a varinha e conjurou para si outro vestido. Um preto, com um espartilho muito bonito, que fazia com que seus peitos parecessem estar para pular para fora – Você precisa ajudar o Príncipe de Prata, Alhena. – explicou sua mãe e ela finalmente se lembrou de seu verdadeiro nome: Alhena Valentine Lestrange – Ele precisa da sua ajuda.

—Eu não estou em condições de ajudar quem quer que seja, mamãe... eu estou quebrada.

—Não diga isso, meu amor. Todos nós podemos ajudar os outros, por mais quebrados que estejamos. – garantiu ela – Vá pela lareira. Ele precisa muito da sua ajuda.

Concordou e guardou suas cartas em uma bolsa (agora com a carta Emily Valentine – a Temperança). Se encaminhou para as chamas, que já estavam esverdeadas. Estava de volta à Mansão. O Príncipe de Prata estava deitado no chão, parecendo muito ferido.

—Majestade! – disse surpresa. Ele a olhou, parecendo muito fraco e apontou para um quadro em branco. Ela notou que o chão estava cheio de pequenas peças, como se fossem quebra cabeças.

—Estou quebrado... – murmurou ele.

Se levantou e começou a montar o quebra cabeça, colocando as peças no quadro na parede. E quando finalmente terminou de montá-lo, notou que formavam a figura do garoto loiro, que lhe mostrara os pavões. Se virou para olhá-lo e ele tirou a máscara.

—Você... é o garoto dos pavões... – murmurou ela. Ele concordou e sorriu.

—Obrigado. – murmurou ele – Você viu minha Princesa? – perguntou ele.

—Não. – respondeu Alhena, ficando de joelhos.

—Sequestraram a minha Princesa... a trancaram em uma torre... eu preciso muito... resgatá-la... você poderia me ajudar?

—Mas... mas eu preciso completar minhas cartas. – murmurou, ansiosa.

—Eu te ajudo com as suas cartas também... mas... por favor. Você é a única pessoa que eu confio, Lena. – murmurou ele.

—Mas... mas eu não tenho mais magia. Eu estou fraca, Majestade.

O Príncipe de Prata sorriu e lhe puxou pela nuca, para lhe beijar. Sentiu a sensação de cair e logo se viu de mãos dadas com ele, despencando de uma Torre.

—Está vendo aquilo? – perguntou ele apontando para a Torre.

—Estou.

—Sempre que estiver perdida... é só ir até lá. Você conseguirá todas as respostas ali. – prometeu ele.

—Podemos ir agora? – perguntou.

—Ainda não. Você precisa crescer mais um pouco. – explicou ele e, quando estavam para atingir o chão, simplesmente flutuaram gentilmente até a grama – Você está bem, Lena?

—Sim. – murmurou com o coração acelerado.

—Já sabe quem sou eu?

—Draco... Draco Malfoy. – respondeu com um sorriso. Ele concordou e a beijou novamente. O beijou de volta sentindo uma montanha russa de sentimentos. Mas logo o empurrou.

—Sua Princesa. Você já tem uma princesa! – disse sentindo-se culpada por aquele momento.

—Ela está morta. – explicou Draco.

—Você é viúvo? – perguntou surpresa.

—Sim... eu e o outro Príncipe. Somos ambos viúvos.

—Mas... mas eu vi a Princesa Clover! Eu vi. E ela estava grávida! – disse confusa. Draco sorriu para ela, a acariciando no queixo.

—Há quanto tempo foi isso?

—Não faz muito tempo!

—Eu acho que isso foi há eras, Lena. – riu ele – Olhe. Você já é adulta. – riu ele conjurando um espelho. Se olhou e notou que já estava mesmo. Já tinha mais de vinte – Você teve dois filhos como Príncipe de Ouro, lembra? Os Gatos?

—Póllux e Castor? – perguntou confusa.

—Sim. E teve um comigo também. Se lembra? – perguntou Draco. O olhou, confusa.

—O que?

—Isso mesmo. Você teve um filho meu. Se lembra? Quando eu disse que queria que fosse minha... e só minha? – perguntou ele.

—Eu... eu não me lembro de nada disso! Eu nunca tive filhos! – disse agoniada.

—Você precisa ver a Rainha Branca. – riu Draco – Nós dois precisamos. – adicionou ele – Vamos.

O seguiu pelo gramado e logo reconheceu o lago e o cogumelo, onde Loto Yaxley fumava.

—Loto! – disse. Loto a olhou curioso e sorriu.

—Você cresceu. – riu ele – Olá, Sr. Malfoy.

—Olá, Yaxley. Nós vamos precisar de um pedaço dos seu cogumelo.

—Tudo bem. É só pegar. – riu Loto.

—Está pronta para conhecer a rainha branca? – perguntou Draco. Alhena respirou fundo e concordou. Ele tirou um pedaço do cogumelo e o dividiu em dois – Pronta?

Ele lhe entregou uma metade.

—Pronta...

E ficou tudo escuro.

Quando voltou a enxergar, estava deitada numa cama. Parecia a Mansão de Draco. Se levantou da cama, curiosa e foi até a porta. Girou a maçaneta e saiu do quarto. Olhou para os lados, sem saber o que esperar de tudo aquilo.

—Onde você vai? – perguntou uma voz. Pulou de susto e olhou para trás. Se perguntou se estava de frente para um espelho... porque estava se vendo.

—Quem é você?

—Essa é uma boa pergunta, não é? – perguntou sua cópia. Foi quando notou que ela usava um vestido muito elegante e uma coroa na cabeça.

—Você... você é a Rainha Branca? Isso não faz sentido!

—Por que? – perguntou a Rainha, se virando e saindo do quarto.

—Porque você sou eu. E eu não sou uma rainha. – disse confiante.

—Não é? – perguntou a Rainha Branca – Por que?

—Oras! Porque não.

—Bem... há controvérsias. – riu a Rainha – Você está querendo voltar para casa, não está?

—Sim.

—Por que?

—Oras! – ralhou colocando as mãos na cintura – Eu preciso. Meu irmão e meus pais esperam por mim.

—Só eles?

—E meus amigos. – disse pensando em Damian, Daphne, Pansy, Emília, Draco e todos os outros.

—Quem mais?

—Não sei.

—Então não poderá voltar. – respondeu a Rainha lhe levando até a janela. O cenário era bem diferente daquele que se lembrava – Está vendo aquele lugar escuro ali? – perguntou ela.

—Sim.

—Você encontrará o Soldado, a Justiça, o Anjo, o Sábio e a Morte por lá. E o pior de todos também.

—Quem?

—O Profanador. – respondeu a Rainha – E ali... – ela apontou para outro lugar. Um que parecia mergulhado num mar vermelho de flores – A outra Rainha está lá. – explicou a Rainha Branca – Você precisará enfrentá-la também.

—Por que? – perguntou assustada.

—Porque precisamos enfrentar nossos pesadelos, Lena. – riu a Rainha Branca. – Não podemos simplesmente esquecê-los... precisamos enfrentá-los e vencê-los e enterrá-los... definitivamente... simplesmente não pensar neles não irá ser definitivo.

Alhena soltou um suspiro.

—Pra onde eu vou primeiro? E onde está Draco? – perguntou preocupada – Ele estava ferido.

—Ele está ferido. Ele está doente. – riu a Rainha Branca – E ele está morrendo.

—O que? Não! – disse assustada – Ele não pode morrer!

—Você quer falar com ele? – perguntou a Rainha Branca.

—Quero. Por favor. – pediu angustiada. A Rainha Branca sorriu e começou a andar. Subiram as escadas e entraram num quarto, que estava vazio – Onde ele está? – perguntou.

—Você precisa falar com ele em sonho, Alhena. Mas não fique demais e não fale demais... ou... ou poderá se perder para sempre. Ele não está mais no mesmo mundo que você.

—Mas... por que?

—Porque esse Draco que você sente falta, não é o Príncipe de Prata. – explicou a Rainha – O Príncipe de Prata é apenas uma projeção. É a imagem que você tem dele. Aquela pessoa que sempre está lá pra te ajudar, quando você está perdida. – explicou a Rainha – O Príncipe de Ouro é aquele que sempre vai te embriagar de amor, mas que por conta disso, sempre irá te magoar mais do que qualquer outro. Porque você acaba esquecendo da humanidade dele. E quando ele erra, te fere mais do que qualquer coisa.

—Ele mentiu pra mim!

—Eu sei... e eu sei que doeu. – murmurou a Rainha – Acredite... mas eu também sei o quão maravilhoso foi. E é por isso que você tem tanto medo de tentar de novo com ele. Você já sofreu tanto não é? – concordou com um aceno de cabeça – Mas Draco nunca a magoou desse jeito, porque você nunca deu a ele uma chance de estar na posição de Damian. Draco não é perfeito. Ele também falha. Ele não está sempre lá, não é? Isso explica o Lobo. Isso explica o Diabo. E isso explica todo esse mundo. Isso me explica e explicará a Rainha Vermelha.

—Ele nunca me magoou assim. – insistiu.

—Não. Mas não pense que ele não magoaria. Ele é passível a falhas, assim como Damian, assim como Rasalas, seu pai, Rigel, sua mãe e você mesma. Ninguém é perfeito, sabe?

Alhena concordou com um aceno de cabeça.

—Eu... eu quero vê-lo. Eu preciso vê-lo de verdade.

—Ok. Deite-se lá. Mas saiba que será o sonho dele. Ele quem guiará tudo.

—Está bem. Draco nunca me magoaria. – disse confiante.

Se deitou e fechou os olhos. Quando abriu, viu que estava tudo escuro e que Draco dormia ao seu lado. Sorriu olhando para ele, achando-o bonito. O acariciou nos cabelos, notando o quanto ele tinha envelhecido... ele já era um homem e não restara nada de menino nele.

Tudo ao seu redor foi mudando. O quarto de Draco se tornou a cama do dormitório da escola. Lembrava que tinha dormido com ele várias vezes, naquela época. Suas roupas sumiram, assim como as dele e ele abriu os olhos. Draco a olhou e sorriu, parecendo aliviado.

—Ei... estou com saudades suas... – murmurou ele se aproximando mais, deitando de lado, para entrelaçar os dedos com os seus – Onde esteve?

—Eu não sei... estou perdida. – respondeu ela.

—Eu vou te achar, ok? – perguntou ele se aproximando ainda mais, com um sorriso terno no rosto. Concordou com um aceno e sorriu – E então vamos ficar juntos. Pra sempre... – murmurou ele beijando as costas de suas mãos. Alhena perdeu o sorriso e suspirou – O que? – perguntou ele, confuso. Ela desviou o olhar e suspirou – Você... você escolheu o Damian?

—Draco... – murmurou ela, sentindo-se cansada. Se lembrou de uma vez, há muito tempo, quando Luna Lovegood disse que ela e Draco tinham uma ligação profunda e eterna um com o outro. Se lembrava que algum tempo depois daquilo, Draco pulou com ela da Torre de Astronomia – Quando ainda éramos jovens... antes de pularmos da Torre de Astronomia... eu conversei com Luna... ela me disse que eu e você tínhamos um en.

—O que é isso?

—Uma ligação... para toda vida. Você sempre será uma das pessoas mais importantes da minha vida... porque você foi a pessoa que mais marcou...

—É por isso que está aqui? – perguntou confuso.

—Sim...

—Você está realmente aqui?

—Estou. – respondeu ela.

—Ainda vai estar quando eu abrir os olhos? – perguntou ele. Ela o olhou e sorriu.

—Quer arriscar?

—Não... – respondeu ele se deitando em cima dela – Não arriscaria te perder de novo... se isso é um sonho, eu mato o desgraçado que me acordar... se isso é um sonho... quero dormir pra sempre...

—Você é romântico... estou surpresa... quando achamos que conhecemos as pessoas... – riu ela.

—É... – ele a olhou com tanto carinho e devoção, que fez seu rosto corar. Parecia que ele queria decorar cada detalhe seu, naquele momento – Eu sou discreto... fechado... apenas isso...

—Entendi...

—Alhena...

—O que? – perguntou ela.

—Onde você está? Eu quero te encontrar. Eu quero te trazer para casa...

Alhena parou de sorrir e suspirou.

—Eu não vou voltar pra casa, Draco. – murmurou ela convencida daquilo. Nunca conseguiria sair dali...

—Vai sim. Eu vou conseguir te encontrar. Eu juro que vou. – murmurou ele a acariciando no rosto.

—Não, Draco... você pode até me encontrar, mas... nunca mais vai ter mais do que isso de mim...

—Por que? Você escolheu o Damian?

—Não tem nada a ver com o Damian, Draco... mas... mas com o que sobrou de mim, lá...

Ele a olhou assustado e negou com a cabeça.

—Não. Eu vou te achar e te salvar. Eu já te salvei de trevas antes, lembra? – perguntou ele angustiado e ela sorriu.

—Nunca mais vou esquecer...

Respiraram fundo e colaram as testas num ato de carinho. Alhena o abraçou ao redor do pescoço e ele suspirou a beijando apaixonadamente. O beijou de volta, num beijo carinhoso, tímido e doce. Muito doce. Sentia tanta falta dele... tanta... se separaram por um segundo e ele a olhou nos olhos sorrindo, completamente entregue.

—Eu amo você... – sussurrou ele, se transformando em areia.

Se sentou de uma vez e viu que estava deitada ao lado do Príncipe de Prata, novamente no castelo da Rainha Branca. Podia notar a diferença dele para Draco. Draco parecia real. Ele tinha rugas, ele tinha um olhar cansado. Ele parecia humano. Mas o Príncipe parecia sobrenatural. Ele tinha um brilho estranho e era completamente perfeito. Jovem, saudável e cheio de vigor.

—Não me deixe. – pediu ele – Fique aqui comigo, pra sempre. – murmurou ele a puxando pela cintura – Não volte praquele mundo de dor. Você já sofreu demais e eu quero que você fique bem. Eu quero cuidar de você, Lena... fique aqui, por favor.

Se levantou e o deixou para trás.

—Eu... eu preciso voltar. – disse decidida. Andou até a porta e a abriu, dando de cara com o Príncipe de Ouro. Engoliu em seco o olhando.

—Por que precisa ir embora? Por que precisa voltar? – perguntou ele a fazendo andar de costas, para dentro do quarto, novamente – Podemos ficar aqui pra sempre. Nós fomos feitos um para o outro. Você é a garota dos meus sonhos. – murmurou ele.

—Não posso. – murmurou sentindo alguém abraçá-la por trás.

—Fique com a gente, Alhena. – pediu o Príncipe de Prata.

—Para sempre. – concordou o Príncipe de Ouro – Podemos ficar juntos... sem nunca sofrer.

Respirou fundo, tentada a ficar naquele mundo de fantasia...

—Vai doer demais quando acordar. Não quero que sofra, Lena. Me deixe cuidar de você. – pediu o Príncipe de Prata.

—Parem com isso! – disse se desvencilhando dos dois – Vocês são ilusões. Eu preciso sair daqui. Como eu saio daqui?! – perguntou angustiada.

—Você quer mesmo saber? – perguntou uma voz fina. Se virou e viu Luna Lovegood.

—Céus... quem é você? – perguntou confusa.

—Oras. Eu sou a Luna.

—Mas qual a sua carta? – perguntou franzindo a testa.

—Ah, nenhuma. Eu sou apenas a Luna.

—Carta Lua, talvez? – sugeriu o Príncipe de Ouro.

—Ela é louca, vamos mesmo perder tempo com isso? – perguntou o Príncipe de Prata revirando os olhos.

—Não sou uma carta. Não sou da sua mente, Lena. Eu sou apenas a Luna. – riu Luna. Alhena olhou para a cama e piscou.

—Luna... DiLua? – perguntou confusa.

—Sim. Eu vim aqui te ajudar. – explicou ela.

—Mas... mas como você veio aqui? – perguntou confusa. Luna apenas deu de ombros – Ok, como pode me ajudar.

—Você precisa... ver a Rainha Vermelha. A Rainha Branca faz doces ilusões, para que você consiga sorrir. Mas a Rainha Vermelha é cruel e realista. Ela vai te falar a verdade. De como sair daqui.

—Ok. – disse decidida.

—Não vá. – pediu o Príncipe de Ouro – Fique aqui. Lá... lá é horrível!

—Isso mesmo. Só há dor e sofrimento lá. – concordou o Príncipe de Prata – Fique.

Mas respirou fundo e atravessou a porta.

Deixou a Mansão, pegou um dos pavões e foi a galope para o mar de rosas escarlates. Precisava voltar pra lá, para a realidade, apesar de não saber o real motivo de tudo aquilo. Queria muito voltar, estava com extrema saudade de alguém... mas não era seu irmão, não eram seus pais... não eram Draco ou Damian... era alguém mais.

—Ainda não se lembra, mamãe? – perguntou Póllux voando de vassoura ao seu lado.

—Que feio. – riu Castor. Alhena olhou para os dois e sorriu.

—É de vocês que eu estou com saudades... eu tive filhos com Damian, eu me casei, não foi?

—Bingo! – disseram os dois – Você está indo atrás dele desde o início.

—O Coelho Branco? – perguntou.

—Bingo! – responderam juntos, antes de desaparecerem. Soltou um suspiro, concordando com eles.

Galopou e galopou, mas logo notou que alguém se aproximava.

—Olá, pequena. – riu o Diabo, também num pavão, mas este era colorido.

—Você! – disse ela, surpresa.

—Eu. – riu ele – Já se lembra de mim?

—Não. – respondeu ela – Pra onde você está indo?

—Ah, eu gosto de dor e sofrimento. Ou isso, ou eu estou caçando o Profanador. Você o viu? – perguntou ele.

—Não...

—Ele virá atrás de você. Não o enfrente, Lena. Você não pode com ele. Não mesmo. Você já descobriu quem você é?

—Eu sou Alhena Lestrange. – disse com confiança.

—E qual a sua cor? – perguntou ele retirando a cartola – Majestade?

E então ele virou várias cartas de baralho, sendo levadas pelo vento. Por um momento quis parar o galope, mas no lugar disso, acelerou.

Finalmente, depois de muito tempo, chegou no mar de rosas. A medida que seu pavão avançava, notava que as patas dele ficavam sujas de vermelho, como se estivessem manchadas pelas flores. Estas, pareciam molhadas e encharcadas e quando seu pavão pisava nelas, soltavam um barulho estranho, como se estivessem sendo espremidas.

Logo viu o castelo da Rainha Vermelha. Notou que era bem parecida com a casa de seus avós. A Residência Lestrange... só era bem maior.

Desceu do pavão e entrou no castelo. Não havia ninguém lá. Todas as janelas estavam fechadas, a luz era pouca e não havia decoração. Era tudo simplesmente vazio e assustador. Engoliu em seco e foi caminhando, ainda escutando os pedidos dos Príncipes em sua mente. Eles não queriam que ela viesse.

—Coelho... você está ai? – perguntou chamando por ele.

—Quem é você? – perguntou uma voz. Notou que havia um espelho, no corredor. Andou até ele e viu uma garota bonita, de olhos azuis e cabelos dourados. O nariz pequeno e bem desenhado, com o corpo curvilíneo e um rosto bem feito.

—Olá. Eu me chamo Alhena. Quem é você? – perguntou confusa.

—Eu sou uma prisioneira. – murmurou a garota – Me tire daqui, por favor?

—Como? Você é uma carta? – perguntou confusa.

—Eu não sei.

—Ei. Lena! – escutou outra voz. Uma conhecida – Senhora, por favor. Me tire daqui. – andou até ele e notou que era Yaxley, que estava preso em outro espelho – Eu não posso ficar aqui. Eu vou me casar. – murmurou o rapaz.

—Desculpe, mas... mas como eu te tiro daí? – perguntou confusa.

—Mamãe. – chamou outra voz conhecida. Engoliu em seco e notou que havia outro espelho. Correu até lá e viu que era Castor, preso do outro lado – Por favor, mamãe... me tire daqui.

—Oh... eu... eu não sei como! – disse tentando atravessar o espelho.

—Ei! Me ajude, por favor! – engoliu em seco sentindo os cabelos da nuca arrepiarem – Por favor.

Correu até o próximo espelho e olhou com os olhos esbugalhados.

—Você é a Princesa de Ouro! – disse confusa – Mas você está morta...

—Ei, Alhena. – se virou. – Lembra de mim?

Engoliu em seco.

—As... Astoria? – perguntou confusa – Não... não é possível.

—Você manda um recado para o Draco? – perguntou ela.

—E um para Rose! – disse a Princesa de Ouro.

—E um para a minha irmã. – murmurou a garota que estava presa.

—Não... isso não está acontecendo! – disse pressionando a própria cabeça. – Isso não está acontecendo!

—Isso não está acontecendo. – repetiu uma voz. Abriu os olhos e viu a si mesma, parecendo extremamente triste. Usava uma coroa de rubi e um vestido vermelho escarlate, cheio de camadas – Mas pode vir a acontecer... Aqui fica o futuro, o passado, o presente e os seus medos... todos juntos

—Não... eu não entendo... Você é a Rainha Vermelha... por que se parece comigo? – perguntou confusa.

—Porque eu sou você. Eu sou sua parte forte. A que lida com a dor. A que sofreu. A que sabe de todas as verdades. – explicou ela – Você não está pronta para saber a verdade. Nunca vai estar. Você é tola como a outra Rainha. A Rainha Branca. Que prefere ficar vivendo entre doces ilusões. Eu não sou assim. Eu sou infeliz, frígida, rancorosa e, acima de tudo, forte. Dura. Firme. Eu sobrevivo. Você se arrasta... e a Rainha Branca sonha...

—Por que essas pessoas estão presas? – perguntou confusa.

—Porque a Morte as tocou. – respondeu a Rainha Vermelha.

—E... e quem é a Morte? – perguntou engolindo em seco. A Rainha apontou para alguma coisa atrás de si. Se virou com um frio lhe subindo a espinha e viu Draco. Pareceu Draco por um momento. Mas notou que ele era mais forte, mais alto... e ele tinha os olhos totalmente negros, completamente dominados pelo ódio – Quem é você?

—Eu cuidei dele, Lena... – riu outra voz, saindo de trás da parede. Engoliu em seco, sentindo um calafrio. Sua cabeça doeu, a Morte bufou e o homem que saiu da parede ficou ao lado do rapaz – Eu estou cuidando dele... isso tudo, vai acabar em sangue.

—E você... quem é você? – perguntou assustada.

—Ele é o Profanador. – murmurou a Rainha Vermelha – Meu marido.

—O que? – perguntou horrorizada – Não. De jeito nenhum. Ele... ele é mau!

—Sim, ele é... mas ele me dobrou. – murmurou a Rainha Vermelha.

—E quem é aquele garoto?

O Profanador, um homem alto, forte, careca, com um sorriso gentil, colocou a mão no ombro da Morte, que bufou novamente.

—Mate, Draconis. – sussurrou ele. O tal Draconis pegou a varinha, apontando para ela.

—Oh, nada disso! – riu o Diabo, ficando entre ela e a Morte – Corra, maninha. A coisa vai ficar feia.

—Rigel? Você é o Diabo?

—Eu achei que era meio óbvio. – riu ele – Eu te trouxe pra esse inferno e eu não posso te ajudar a sair. Mas eu deixei a janela aberta. Você só precisa abrir e voar. Então saia daqui. Eu lido com a Morte e com o Profanador. Estou acostumado com isso. – riu ele de maneira psicótica – Siga o anjo.

—Que anjo? – perguntou confusa. Foi quando sentiu alguém segurar sua mão. Uma garotinha de seus doze ou treze anos – Lisian?!

—Olá. Vamos? Eu vou te tirar daqui, ok?

—Vá, Lena. – riu Rigel – Ei, garoto... eu já te contei aquela do bruxo... com caco de vidro no estômago?

Mas tudo girou e agora ela estava no Beco Diagonal.

—Que confusão... – murmurou horrorizada.

—É... mas agora você já conseguiu muitas cartas, não é? – perguntou Lisian – Você sabe pra onde tem que ir? – perguntou ela.

—Não... – murmurou assustada – Você sabe?

—Talvez seja hora de voltar pro início... – murmurou ela – Alguém ainda está te esperando lá.

Alhena ficou de pé, se lembrando do Salvage.

—Meu... meu avô me espera. – murmurou e o pequeno Anjo concordou – Eu vou falar com ele.

—Alhena. Se você puder passar um recado para o Draco... – murmurou o Anjo.

—É claro. – disse sorrindo para a pequena.

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Anotou o recado dela e foi andando pelo Beco Diagonal, até encontrar o Salvage. Soltou um suspiro e entrou, notando que ele não estava mais pegando fogo. Seu avô ainda estava lá, segurando sua xícara. Andou até ele e se sentou ao lado do ancião.

—Por que não está atrás do espelho? – perguntou confusa.

—Eu morri dormindo. – murmurou ele – Em absoluta paz. – adicionou ele.

—Esse não é um lugar de paz... esse é o inferno. O que faz aqui? – perguntou confusa.

Seu avô sorriu para ela e lhe afagou a bochecha.

—Porque eu senti falta da minha doce netinha. Você ainda vai passar por muita coisa... sua cabeça ainda precisa se recuperar. Você precisa fazer as duas Rainhas e você mesma e todos os fragmentos espalhados por aí, se unirem novamente... e só assim você vai conseguir voltar pra sua família, Alhena.

—Eu... eu não sei se consigo, vovô. – murmurou soltando um suspiro – Eu estou tão cansada.

Seu avô sorriu e bateu a bengala no chão três vezes. O Salvage se desfez, como que virando milhares de borboletas. Piscou surpresa e olhou ao redor. Estavam num campo florido. Ainda estava sentada num banco, ao lado do avô. Mas podia ver a si mesma de mãos dadas com Damian, enquanto observavam várias crianças correndo pelo campo. Póllux e Castor já grandes, conversando entre si, sob a sombra de uma árvore. Draconis e Rose brincavam no chão, colhendo flores e rindo um para o outro. Cerce e Dido brincavam num balanço, junto de Prim, enquanto Órion corria vestido de coelho, porque era páscoa. Escutou a risada de todos eles e suspirou emocionada.

—Eu sou o Sábio, Alhena... me diga... Não dá um ânimo escutá-los brincar? – perguntou seu avô. Concordou com um aceno de cabeça e sentindo um grande nó na garganta – Posso te mostrar algo meu?

—Claro, vovô. – murmurou. Ele bateu a bengala no chão, três vezes e todas as pessoas sumiram. Agora via seu avô, muito mais jovem, sentado ao lado de sua avó, também muito jovem, enquanto eles observavam duas crianças brincarem. Um menino de seus seis ou cinco anos, sendo levado nas costas por um mais velho, com seus treze ou quatorze anos – É meu pai e tio Rodolfo? – perguntou surpresa. Seu avô concordou.

—Eu amo essa lembrança... assim como Rodolfo e Rabastan amavam. – suspirou seu avô – O Lorde das Trevas transformou meu filho mais velho num monstro, mas nem sempre foi assim. Ele já foi um garotinho feliz, sabe? Ele amava Rabastan de uma maneira pura e muito bonita. – murmurou seu avô. Soltou um suspiro, observando os dois meninos brincarem.

—Ei, Rodolfo. Vamos ali. Deixe seu irmão um minuto! – chamou uma garota muito bonita, de cabelos negros.

—É Bellatrix? – perguntou ela.

—Sim. – respondeu seu avô.

—Não. Eu prometi que passaria o dia com o Rabastan. – riu Rodolfo, com um sorriso bonito e cativante – Não é, maninho? – perguntou ele. Rabastan o abraçou, parecendo muito feliz.

—Eba!

—Quantas cartas faltam, Alhena? – perguntou seu avô.

—Duas. A Justiça e o Soldado. – respondeu. Seu avô deu um sorriso.

—Boa sorte.

—Onde eu vou encontrá-los, vovô? – perguntou confusa.

—Dentro da sua mente. O Soldado encontrará no futuro... ele derrotará a Morte. – explicou seu avô – E a Justiça... bem... eu realmente espero que você a encontre... nossa família realmente precisa disso...

—Vovô...

O vento bateu e levou aquela paisagem embora. Olhou para o lado e viu que até mesmo seu avô havia desaparecido. Estava só, num campo seco e acinzentado. Soltou um suspiro e sentiu um nó na garganta.

—Alguém me ajude... – murmurou fechando a mão, com força – Eu estou muito perdida... – murmurou, para em seguida cair num choro desesperado.

Notas finais
E aí? O que acharam? hhehehehe ^^ Espero que tenham gostado =D Bem lombrado, né? ^^ Ok. Prévia! "Mas Alhena não lhe deu atenção. Ela olhava atentamente para Órion, completamente focada nele. Então ela segurou o rosto dele entre as mãos e sorriu. —Damian... – murmurou ela. Todo mundo piscou em choque." Eeeeita! Ela falou! Ela falou!!! O que será que está acontecendo?! Prévia2 "-Tudo bem. – riu Loto – Eu odiava o Draconis, sabia? – perguntou ele e Damian o olhou – Eu tinha inveja dele. Porque ele assumiu que era bi e não... não achava errado se assumir. E ele tinha apoio dos amigos dele e da família... e eu só sabia pegar no pé dele... eu fui muito cruel com o Draconis, até... até ele me tornar alguém decente. – murmurou Loto – Damian... – seu sogro o olhou – Eu vou ir falar com o meu pai... ver toda essa situação da sua família... só me deixa mais e mais angustiado, querendo me resolver com a minha... mas... se eu não aparecer em vinte e quatro horas... —Não vá sozinho, Loto. —Eu preciso." OMFG! LOTO! NÃO FAÇA BESTEIRA, LOTO!!!!!! E aí? Próximo capítulo será emocionante! Então comentem!