Legado Lestrange II - Legacy
55 What I Do With My Life
Notas iniciais

Capítulo 55
—Meu Merlin, qual foi a última vez que nos reunimos todas pra beber? – perguntou Emília.
—Se eu fui chamada é porque o negócio foi feio. – riu Pansy.
—Alhena, o que houve? – perguntou Daphne.
Alhena soltou um suspiro bebendo muito da garrafa de hidromel.
Depois ela suspirou e se virou para as amigas. Estavam todas na casa de Emília, pois Greg tinha saído com Draco (ela torcia para que Draco não falasse sobre aquilo com ele). E como os dois filhos dela estavam passando o dia na casa dos amigos, a casa era só delas. Mas mesmo assim estavam no quarto de Emília, todas sentadas na cama, de maneira nostálgica.
—O negócio foi feio mesmo. – riu Pansy – Eu posso tentar adivinhar? Envolve um certo loiro de nariz fino? – Alhena cuspiu o hidromel e olhou chocada para Pansy – Eu sou ótima nisso. – riu ela.
—Como? – perguntou Alhena.
—OH MEU DEUS! VOCÊ TRAIU O DAMIAN!? – perguntou Daphne, em choque, ficando de quatro na cama.
Alhena se deixou cair na cama.
—Eu e Draco nos beijamos.
—Afe, eu aqui achando que vocês ‘tavam transando até na lua. – riu Emília – Eu sempre achei que você e ele iam ficar juntos.
—Fala sério. Ela encucou que o Damian era o homem da vida dela e insistiu nisso por menos sentido que fizesse. – ralhou Pansy – Mas o Damian até que melhorou bastante. – adicionou ela dando de ombros.
—Eu não acredito, Lena! Como você deixou isso acontecer?! – perguntou Daphne, em choque.
Alhena soltou um suspiro cansado. Damian voltaria aquela noite e ela precisava tomar uma decisão definitiva. Mas sozinha só conseguia pensar em Draco Malfoy e ela não queria tomar uma decisão sem refletir muito antes.
Então contou sobre o obliviate e o que tinha descoberto que Damian tinha feito. Contou sobre como tinha esquecido de tudo sobre Draco e como assim mesmo ele voltara a conquistar sua amizade e voltaram a ser tão próximos quanto antes. Contou sobre todas as vezes que Draco estivera lá para ela depois que ambos casaram e contou sobre como começou a ter visões, durante anos sobre ela e Draco, sem nunca entender do que se tratava.
Até o dia anterior, quando se lembrou de coisas o suficiente e foi tirar satisfação com ele. Então contou como ele sorriu feliz de poder acabar com aqueles segredos. Como ele se declarou para ela e como ela, num momento de raiva, loucura, confusão e desejo, simplesmente o beijou.
—Não foi iniciativa dele. Foi minha! Eu quis. Eu! – disse horrorizada.
—E como foi beijar o Draco? – perguntou Emília – Pareceu errado?
—Não. Digo... foi errado... mas... mas foi... – ela sorriu feito boba – Meu Merlin, foi maravilhoso... eu não devia estar sorrindo, caramba! – ralhou escondendo o rosto com as mãos – Mas eu não consigo parar de pensar nisso.
—Ela está apaixonada. – riu Emília.
—Nop. – riu Pansy – Ela está amando. Ela ama o Draco há anos, mas sempre achou que era só uma amizade muito especial. – riu ela – Mas agora tem tesão envolvido, não é, gata? Tudo se complica quando tem tesão envolvido.
—Nem me fale. – lamentou Alhena.
—E o que mais aconteceu? Vocês transaram? – perguntou Daphne.
—Não. Eu ia ir embora, mas... mas então... – ela suspirou – Draco está doente. Ele começou a passar mal.
—Descobriu sobre o Horklump? – perguntou Pansy e Alhena a olhou em choque de novo – Ops... falei mesmo. O Rasalas me contou. – Ela deu de ombros e olhou para Daphne, que parecia levemente indignada – Draco também, na verdade. Ele ficou doente tentando criar o soro que ajudou o Damian. Como ele está, diga-se de passagem?
—Bem melhor que o Draco. – respondeu surpresa.
—Não acredito que o Rasalas não me contou isso! – ralhou Daphne.
—Não fique brava. Ele só me contou porque eu descobri e ele confessou que sabia. – riu Pansy – Ele estava guardando um segredo do Draco. E o Draco só me contou porque eu sou madrinha do Scorpius. Ele quer que eu me prepare pra ser tutora dele caso ele morra antes do garoto completar dezessete anos. – explicou Pansy – Então, você estava para ir embora... – voltou Pansy a olhando com um sorrisinho – Quando ele começou a tossir e você não aguentou deixar ele morrendo sozinho e voltou pra cuidar dele.
—Basicamente. – murmurou Alhena – Eu ajudei o Draco a tomar banho... não me olhem assim! Eu não fiz nada! – ralhou corando absurdos dos olhares divertidos de Pansy e Emília e do olhar censurador de Daphne – Depois eu o coloquei na cama e fiquei com ele pela noite, pra ajudá-lo a dormir, aliviando o pulmão dele. Eu sempre fazia isso com Damian...
—Draco deve ter adorado... – riu Emília – Ele ama ser mimado e ama que cuidem dele... ter você cuidando dele deve ter sido ótimo, não é? Ele te ama pra caramba.
—Ele te disse isso? – perguntou Daphne.
—Ele contou pro Greg, que me contou. Mas nem precisava. Francamente, amiga. É só prestar atenção pro jeito que ele olha pra você. Ele suspira sempre que você passa. Ele sorri sempre que você sorri. E ele fica sem jeito sempre que você e Damian tem um pouco mais de intimidade um com o outro. É tão óbvio...
—Basicamente. – riu Pansy – Posso fumar, amiga? – perguntou ela pegando a caixa de cigarros.
—Ok. Joga as cinzas aqui. – respondeu Emília lhe entregando o cinzeiro.
—Valeu.
—Mas e então. Algo mais? – perguntou Emília.
—Draco falou que vai tentar me reconquistar... mas que vai me dar um tempo pra pensar em tudo... mas eu não tenho tempo. Eu tenho que lidar com o Damian... e eu estou tão zangada com ele!
E então contou sobre o que ele fez com as suas memórias, apesar de já ter contado isso, e contou como ele passou a tratá-la, a tratar Draco e o Draconis.
—Até o Drac? – perguntou Pansy, pasma – Que babaca.
—Mas eles se arrumaram antes do Damian viajar.
—Foda-se. Draconis é filho dele. A porra pode ter sido do Draco, mas pai é quem cria. Já pensou o chilique que ia ser se você começasse a tratar a Rose do mesmo jeito? – perguntou Pansy – E porra... Draconis ama o Damian. Dá até inveja. – resmungou ela – Apesar que os meus são pequenos. Se eles não me amarem que nem o Draconis ama o Damian, vão levar sova todo dia... é brincadeira, pare de me olhar assim, Daphne.
—Hunf.
—E o que mais? Você disse que ele tá escroto com o Draco. Ele sabe que o Draco ficou doente na tentativa de salvar a ingrata alma dele?
—Sabe... eu acho que sabe, na verdade... – murmurou Alhena – E vocês não acreditam no que ele falou pra mim.
—Quem? O Damian? – perguntou Daphne.
—É... ele...
E então contou que Damian tentara sabotar sua amizade com Draco, do mesmo jeito que tinha feito com Astoria. Pansy revirou os olhos e Emília soltou um muxoxo, mas Daphne ficou horrorizada.
—Damian não aprende mesmo? Eu vou lá tirar uma boa duma satisfação com ele e... – ela rosnou socando a própria mão – Eu não acredito nisso!
—Pois é... mas tipo. Damian não é um monstro. Nós temos mais de vinte anos de casados... tivemos um casamento maravilhoso... claro, algumas coisas não deram tão certo, mas... mas ele me fez feliz e eu sinto que não posso simplesmente falar: você cagou no pau. Vá a merda e não me olhe nunca mais! – soltou um suspiro, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha – Ele é o pai dos meus filhos e Órion e Prim ainda são muito novos...
—Oh, amiga... eu realmente sinto muito. – lamentou Daphne – Eu nunca tive uma briga dessas com o Rasalas depois que o Navi nasceu. Claro, a gente briga, que casal não briga? Mas nada tão sério assim...
—Eu devo dizer que eu sei o que é ser traída. Não é nada legal. – murmurou Emília – Eu já peguei Greg com outra pessoa... foi só uma vez, ele se arrependeu, eu perdoei e o nosso casamento ficou numa boa. Hoje eu sei que estamos super bem, mas... mas é foda... você deveria abrir o jogo com ele.
—Você ainda quer beijar o Draco? – perguntou Pansy.
—Quero. Não deveria querer, mas... mas sério! – ela perdeu o jeito cheio de culpa, adquirindo um ar irritado – Eu devo tá na menopausa, porque eu to parecendo uma garota adolescente, com os hormônios em fúria...
—Deve estar sendo difícil... ainda mais com o Damian com Horklump. Reza a lenda que a vassoura quem tem Horklump não sobe. – riu Pansy.
—E quando sobe, não dura. São tipo... dois minutos de sexo, ele goza e já era. – lamentou ela – O Damian era tão bom de cama... mas agora dá até preguiça quando ele quer transar. E eu sei que ele se esforça muito pra me agradar. A gente tenta preliminares... mas se ele goza, mesmo que num boquete, ele não endurece mais e eu fico na mão, literalmente...
—Meus pêsames. – riu Pansy – Bem... por que não tenta outros métodos? Minha esposa não tem um pênis, mais eu estou completamente satisfeita sexualmente falando.
—Sei lá. Eu não ia querer que o Greg chegasse a boca perto de mim quando as crises de tosse aparecem o tempo todo. Vai que ele começa a cuspir sangue na minha colega? Eco. – riu Emília.
—Gente. Eu não preciso de conselhos sobre isso. Eu preciso que vocês me ajudem a decidir o que fazer da minha vida! Por que eu realmente não sei.
—Ok. Vamos fazer o seguinte. – riu Pansy ficando de joelhos na sua frente – Vou te fazer uma série de perguntas e você responde com a primeira coisa que vier a sua mente. Fecha os olhos.
—Ok.
—Hum... Azul ou vermelho?
—Azul.
—Café da manhã ou almoço.
—Almoço.
—Animal favorito?
—Um tigre.
—Comida favorita?
—Cervo.
—Posição sexual favorita.
—Eu por cima.
—Irmão favorito?
—Rasalas.
—Amiga favorita.
—Daphne.
—Bebida favorita?
—Mel de Salamandra.
—Claro ou escuro?
—Claro.
—Damian ou Draco?
—Draco... Damian... não sei!
—Há! – riu Pansy – Draco primeiro. – riu ela.
—Ok. Isso não adianta. Eu não quero tomar uma decisão no impulso. – ralhou Alhena – Eu tenho que colocar tudo numa balança...
—Pra que? Pra ficar com Damian ou Draco por gratidão? Pff... eles merecem mais do que isso. – disse Pansy – Escute, Alhena. Você não tá escolhendo por qual time de quadribol você vai jogar ou... ou pra quem você vai emprestar algo que você julga precioso. Você está entregando seu futuro. E não pode ser pra alguém que você é grata, mas não sinta mais tudo aquilo. Se Draco te fez sentir dúvidas... então ele merece muito crédito. Você precisa pensar no que te faz amar o Damian e no que te faz amar o Draco. Depois você vê o que te faz querer esganar cada um... e então você pesa isso. Qual deles você faria feliz e seria feliz ao mesmo tempo. É isso que importa. Ok. Você tem filhos pequenos. Mas eu te garanto que por mais que seja difícil pra eles ver os pais se divorciando, muito pior é ver os pais brigando. E eu te garanto. – Pansy tragou o cigarro duma vez e amassou a bituca no cinzeiro – Damian vai virar o homem mais perfeito da face da terra quando você falar pra ele que você se lembra de tudo e que sabe de tudo. Ele vai fazer de tudo pra não te perder... porque ele te ama. Todo mundo sabe disso... mas saiba que Malfoy ama você também. E você vai ter que escolher um e conviver com essa escolha. – Pansy deu um suspiro e a olhou nos olhos – Olha... se quer um conselho. Eu acho que você já conversou o que tinha que conversar com Draco. Agora você faz o mesmo com Damian. E então você deve deixar os dois de lado um tempo. Viajar, ir morar com alguém, em algum lugar onde nenhum dos dois vá te achar... e então você vê de qual deles você sente mais falta. E ai você toma sua decisão. Porque você está certa de não querer tomar essa decisão no impulso. Seria loucura e idiotice mesmo.
Alhena engoliu em seco e concordou.
—Todas de acordo com a Pansy? Eu concordo. – disse Emília. Todas olharam para Daphne, que soltou um suspiro.
—É... eu espero que você se acerte com o Damian. Eu adoro o Draco, mas... mas eu acho que você e o Damian deveriam ficar juntos... mas eu acho super válida a ideia da Pansy.
—Ok. Você vai ficar na minha casa. – disse Pansy – Vocês deveriam deixar o Damian sozinho pra pensar nas merdas que ele faz. Quem sabe ele aprende de verdade, porque, puta que o pariu. Tá foda de defender, viu?
*
—Onde está a sua mãe? – perguntou Rose deitada no peito de Draconis. Loto já tinha ido pra casa, assim como Navi e Les, então só estavam os dois, deitados em sua cama, apreciando da companhia um do outro.
—Eu não sei. Deve ter saído com a minha tia... – disse Draconis dando de ombros. Rose suspirou e o abraçou.
—Ontem foi tão divertido... e o Navi e a Lessa? Tão fofos.
—Estou feliz por ele... – riu Draconis – Ele é louco por ela. – Rose suspirou concordando – O papai já te contou sobre o lance que sentimos quando encontramos a pessoa da nossa vida?
—Do negócio na barriga? – perguntou ela, sorrindo.
—É... – riu ele a acariciando nas costas nuas. Rose sorriu e concordou com um aceno de cabeça – Você sentiu comigo?
—Senti. E você? Sentiu comigo?
—Sim... – murmurou sorrindo – Sabe a responsabilidade que é? Encontrar a pessoa da sua vida assim tão jovem?
—Acho que só temos ainda mais tempo pra sermos felizes juntos. – riu ela. Draconis deu um sorriso e a beijou nos lábios – Mas não vamos ficar falando como se fôssemos casar. Vamos curtir. Sem pressão, ok? Já vamos ter que lidar com essa guerra...
—É. – riu Draconis se sentando – Meu pai me contou que não é meu pai... eu te falei, né?
—Você falou. – riu ela – Ficou chorando no ombro do Navi durante meia hora ontem, falando que não era um Burke. E o Navi ficou chorando com você, falando que ele já sabia, mas que te amava assim mesmo... vocês dois são o maior bromance que eu já vi na vida. Ficamos eu, a Lessa e o Loto esperando vocês terminarem de chorar um no ombro do outro.
—Eu e o Navi estávamos muito bêbados. – resmungou passando a mão na cabeça raspada – Sabe... eu estou pensando... em abrir o jogo pro papai. Sobre a gente.
—Não! Tá louco?!
—Mas... mas ele sabe que não somos irmãos... – murmurou.
—Somos irmãos de criação, Drac... – murmurou ela.
—Mas... é que eu não gosto de mentir pra ele. E ele sabe que eu estou transando com alguém. E ficou triste por eu esconder isso dele...
Rose soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça.
—Mas não conte. Ainda não, ok? – pediu ela. Draconis concordou com um aceno de cabeça.
—Um dia talvez?
—Talvez. – concordou ela.
**
—Céus, Draco. Acorda! – ralhou Greg. Draco o olhou de maneira sonhadora e o amigo revirou os olhos – Você ao menos está escutando o que eu estou falando?
—Não. – respondeu Draco – Desculpe. O que você estava dizendo?
—Ok. O que foi que houve pra você estar desse jeito? – ralhou Blair – Conheceu uma mulher?
—Não... – riu Draco suspirando e brincando com o canudinho em seu copo de suco de uva.
—Duvido. Certeza que é mulher isso ai. – ralhou Blair – Tá com a cara de pastel típica de quem está apaixonado.
—Estou? – perguntou sem conseguir não sorrir. Pensou em Alhena e nos beijos que tinham dado. Não conseguia pensar em outra coisa. Sentiu um frio na boca do estômago e sentiu o braço se arrepiar novamente. Deitou a cabeça na mesa do bar e sorriu contente e bobo para os dois amigos, que se entreolharam.
—O caso é sério. – murmurou Greg.
—Muito. – concordou Blair – Quem é? Quem te deu um chá de boceta desse?
—Eu não transei com ela. – disse sorrindo, pensando em Alhena e em seu maravilhoso sorriso, em seus lindos olhos verdes, seus lábios carnudos, sua voz macia, seu cheiro envolvente... soltou um suspiro e sorriu feliz de novo.
—Merlin. Ela é veela, né? – perguntou Greg – Draco? Draco?!
—Hum? – perguntou voltando a si. Tinha divagado de novo.
—Céus. Eu nunca vi ele assim! – riu Blair – Quem é ela?
—É segredo por enquanto. Não sei se vamos dar certo... mas... mas eu estou esperançoso... – murmurou brincando novamente com o canudinho – Merlin, eu estou agindo que nem um tapado. – disse sorrindo e passando as mãos nos cabelos – Mas eu não consigo parar de sorrir... simplesmente não consigo. – disse com aquele sorriso bobo no rosto. Seus dois amigos concordaram com um aceno de cabeça.
—O que ela fez pra te deixar assim? – perguntou Blair.
—Ela existiu na minha vida. – respondeu Draco.
—Eu falo sério! Isso não é normal. – ralhou ele – Logo agora que você tinha superado a morte da Astoria e estávamos voltando a sair pra pegar mulher... você me aparece apaixonado? Não fode, Malfoy!
—É mais forte que eu. Se um dia você se apaixonar, vai entender. – ralhou Draco, sem conseguir parar de sorrir.
—Então está mesmo apaixonado? – perguntou Greg.
—Estou. – respondeu Draco – Perdidamente apaixonado...
—É a Lena? – riu Greg, mas Draco fingiu não ouvir, olhando sonhadoramente para o nada – Draco! Draco! Ele está impossível.
—Damian sabe que você está perdidamente apaixonado pela esposa dele? Por isso que ele estava tão puto da vida com você, quando ele saiu do hospital?
—Primeiro, eu nunca disse que estou apaixonado pela Alhena. – resmungou Draco, apesar de ainda estar sorrindo – Em segundo lugar, Damian estava puto comigo porque ele é um idiota ingrato. Eu salvei a vida dele. Ele deveria lamber os meus sapatos.
—Se não é a Alhena, quem é? – perguntou Greg.
—Não disse que não era ela. – riu Draco com um sorrisinho cínico.
—Ah! Eu odeio quando ele faz isso! – ralhou Greg e Blair deu uma risadinha.
—Trixie falou da festa que você vai dar na sua casa. Ela está louca de alegria. – riu Blair mudando de assunto.
—É... Scorpius quem está organizando. – murmurou casualmente – Eu nem estou prestando atenção em nada...
—Nós notamos isso. – ralhou Greg – Quem é, Draco? A gente conhece?
Draco soltou um suspiro, se perdendo em devaneios... estava andando num terreno perigoso. Iria ficar terrivelmente magoado e sofreria horrores se ela escolhesse Damian. Mas ela não iria escolher ele, iria? Não depois de tudo. Ela iria entender que deveriam ficar juntos... sorriu mais uma vez, imaginando a alegria de acordar todos os dias ao lado dela. Sorriu, sorriu e sorriu, suspirando. Foi quando notou que seus amigos o estavam chamando.
—Desisto de conversar com ele. – Resmungou Greg.
***
—Cresça, Damian. Esse é o melhor conselho que eu posso te dar. – ralhou seu pai enquanto passeavam pelo acampamento de caça – Sua esposa não é uma garota. Ela é uma mulher. E mulheres não gostam de moleques. Mulheres gostam de homens. – disse ele – E isso, pelo que eu entendi, você não foi.
—Eu sei que não. Mas... mas é que eu amo tanto a Alhena... eu tenho medo de perdê-la, entende? – perguntou Damian – Eu preciso de um conselho. Eu não sei o que fazer... eu estou tão intimidado por tudo. Sempre que eu vejo Malfoy eu... eu sinto que não posso competir com ele!
—É claro que pode competir com ele. Foi você quem casou com ela, não foi?
—Porque ele não quis lutar por ela. – resmungou Damian colocando as mãos nos bolsos – Eu falo sério. A amizade deles me intimida e... e quando eu descobri toda a verdade, sobre o Draconis, sobre eles estarem morando juntos naquela época. Eu sei que eu errei com a Clover, pai. Eu sei disso. Mas... mas a Alhena foi morar com ele. Ela levou meus filhos pra casa dele e transou com ele e então engravidou... – Damian suspirou – Eu sei que eu errei e eu quero que tudo volte ao normal. Eu só demorei um pouco pra... pra assimilar tudo isso... mas... mas é foda ver os dois juntos, entende? Eu e Clover não convivíamos. Eu não obrigava Alhena a ir comigo para as festinhas de aniversário da Rose e eu não ia nas festas da Clover. Eu via Clover apenas no momento de buscar a Rose e de deixar ela depois. E só. Alhena é amiga do Draco. Eles são melhores amigos. E isso... cacete... isso é assustador pra mim. Pode soar infantil. Eu posso estar agindo feito moleque, mas... mas é mais forte que eu. Eu não sei o que vou fazer se eu ver os dois juntos, cheios de segredinhos e cochichos como eles sempre foram.
—Você deveria ser mais grato ao Malfoy. Ele salvou sua vida. – murmurou seu pai.
—Ele levou minha mulher pra cama, sabendo o quanto eu gostava dela. E não foi só uma vez que ele tentou, porque uma vez Alhena fugiu de lá justamente por ele estar sugerindo que os dois deveriam transar... mas eu acabei estragando tudo e ela voltou pra lá. – resmungou Damian – Eu quero a minha mulher. Eu amo a Alhena... e eu superei o lance do Draconis. Ele é meu filho. Ele é mais meu filho do que qualquer um dos meus filhos de sangue. Ele é mais próximo de mim do que Órion, que é meu caçulinha... e eu o amo. Finalmente consegui parar de olhar pra ele e ver uma traição. Agora eu olho pra ele e vejo o meu garoto. E eu olho Alhena e vejo a mulher da minha vida... mas... mas Draco... Draco não dá pra engolir ou perdoar. O que você faria se seu melhor amigo transasse com a sua mulher?
—Eu mataria o desgraçado. – respondeu seu pai calmamente – Mas meus tempos eram outros. Eu nunca transaria com uma mulher que não fosse a minha também.
—Oh, pai. Não me venha com essa também. – resmungou Damian.
—Eu vou. Eu venho com essa até o fim dos meus dias. Eu venho com essa há dezoito anos quando você me falou que arrumou um filho fora do casamento. Eu amo Rose. Ela é minha netinha querida. Ela é inteligente, esforçada e uma boa menina. Mas é uma bastarda e eu acho um absurdo que você tenha deixado isso acontecer.
—Mas não acha um absurdo o que Alhena fez?
—É claro que eu acho um absurdo. Mas, mais absurdo ainda é você colocar o nome do bastardo na nossa parede.
—Não vejo absurdo nenhum nisso. Ele é meu filho, não é? – perguntou com um sorrisinho.
—Oras. Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Você pode amar ele como se fosse seu filho, mas ele não é do nosso sangue!
—Pare, pai. O Burke da vez sou eu e Draconis vai ficar naquela parede tanto quanto Castor, Póllux e Órion. – disse calmamente – Meu problema é com Malfoy e Alhena...
—Hunf.
—Sério, me ajude aqui. – pediu soltando um muxoxo – Eu amo aquela mulher, pai. Não quero perdê-la. Nunca passou por uma crise dessas com a mamãe?
—Passei. – murmurou seu pai – Teve uma época que eu achei que ela tinha arrumado um amante. Ela estava esquiva, fria... me ignorando. Até que um dia eu a flagrei fazendo as malas. Ela ia me deixar. Nos deixar.
—Por que? – perguntou chocado.
—Ela tinha descoberto do Horklump e não queria que nós a víssemos morrer. Mas eu não a deixei ir... e quando ela morreu eu estava ao lado dela, que é o que um marido deve fazer. Que é o que a sua esposa fez todo esse tempo. E se você acha que Malfoy é um motivo pra você ficar agindo feito um imbecil com ela... eu vou achar que o imbecil é você. Ela te ama, Damian. Mas se você ficar mentindo pra ela... amor nenhum resiste a mentiras. Ou você a perdoa pelo que ela fez anos atrás, assim como ela te perdoou... ou você a deixa ir.
—Não posso deixá-la ir. – murmurou – Eu não vivo sem ela...
—Antes deixá-la ser feliz com outro do que fazê-la infeliz até que a morte os separe. – murmurou seu pai – E você sabe que precisa confirmar seu casamento, não sabe?
—O que? – perguntou Damian, franzindo a testa.
—Eu tive que confirmar o meu umas três vezes. Os votos são até que a morte os separe... você morreu e voltou, filho. A magia que os une se rompeu. Você precisa chamar um homem pra reafirmar o rito.
—Oh... – Damian sorriu e concordou – Caralho! Eu tive a ideia perfeita, pai!
—Eu tenho medo dessas suas ideias perfeitas. Normalmente você é um idiota. – resmungou seu pai. Todo mundo era idiota pra ele, então não se deixou abalar pra isso.
—Não. Eu vou falar com a Alhena e vou abrir o jogo, antes que ela descubra. Eu vou falar que foi tudo culpa minha... eu vou ser um homem de verdade.
—Curiosamente bom... prossiga.
—E eu vou... vou engolir meu orgulho e vou... vou até pedir desculpas pro Malfoy.
—Pera... eu me perdi em algum momento do seu raciocínio.
—Eu estou com vontade de estrangular o idiota. Mas minha raiva por ele não é maior que o meu amor por ela. Então eu vou pedir desculpas, agradecer por tudo e assumir meus erros... e então eu vou pedir Alhena em casamento novamente.
—Curiosamente muito bom. Quem diria que você não é um idiota tão grande assim.
—Eu sou seu filho, no fim das contas. – riu Damian e seu pai lhe deu uns tapinhas nas costas.
—Não que isso signifique alguma coisa. Eu sou o rei dos idiotas.
—Que nada. Você é a melhor pessoa do mundo. – disse abraçando o pai, que o abraçou de volta.
—Eu espero que você se acerte, meu filho... eu tenho muito orgulho de você. – murmurou seu pai – Algumas vezes você é um idiota... mas quando você é bom em alguma coisa, você é o melhor... eu vejo você com seus meninos e morro de orgulho.
—Só sou um pai bom pra eles porque tive o melhor pra me servir de exemplo. – riu Damian.
Seu pai lhe deu um sorriso contente e concordou com um aceno de cabeça.
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Estava exausto. Olhou para a foto de sua família e engoliu em seco. Já estava tentando salvar a mente daquele trouxa há semanas, mas ele tinha tido “zero” melhora. Ele era o último neurologista que sobrara. Todos os outros tinham desistido. Bruxos melhores do que ele, inclusive... mas não queria se convencer de que não poderia salvar aquele homem...
Mas uma hora até mesmo Rigel Lestrange precisava jogar a toalha... não havia o que ser feito. A mente daquele coitado estava permanentemente destruída.
Se afastou dele, olhando seu fracasso. Aquela nova maldição era irreversível. Era essa sua conclusão. Olhou para o rosto de sua irmã mais velha, na foto que tinham colado na parede, para que não se esquecesse o motivo de não poder se recusar a colaborar.
—Fique a salvo, Lena... eles vão ir atrás dos videntes em breve... – murmurou sombrio.
A porta então se abriu e ele viu Emma entrar. Ela lhe lançou um sorrisinho e cruzou os braços.
—E então? Desistiu?
—Desisti. – rosnou. Sentia um absoluto rancor por ela. Emma Rosier, a sobrinha da Chefe da Corte dos Bruxos. A mulher que o sequestrara, o fazendo de idiota. A melhor foda de sua vida... bem... estava pagando o preço, não é? Puta nenhuma trabalha de graça.
Emma sorriu para ele e o apertou nas bochechas.
—Graças. Já estava ficando chato.
—O que acontece comigo agora? Vocês vão me matar? – perguntou ele. Emma deu um daqueles adoráveis sorrisinhos dela, nos quais ele tinha vontade de dar um soco, e negou com a cabeça.
—Você é mais valioso vivo. Um puro sangue, de pedigree. Inteligente, forte e habilidoso... mas que infelizmente consegue resistir à maldição Imperius... nós vamos arrumar alguma coisa pra você fazer. E não se esqueça que em breve teremos boa parte de seus sobrinhos na nossa mira. Todos em idade escolar... por isso, comporte-se. – ela piscou de maneira irritante e ele sentiu-se tentado a azará-la – Vamos, querido. Você vai ir para outra sala.
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