Legado Lestrange II - Legacy
35 Unforgivable
Notas iniciais

Capítulo 35
Rasalas olhou para o filho mais velho, sentindo-se extremamente zangado. Daphne estava furiosa também. Mas assim que viu o filho, notou que tinha algo muito estranho...
Navi, SEMPRE que aprontava alguma coisa, ficava com aquele olharzinho irritante de quem não dava a mínima. Mas daquela vez ele parecia miseravelmente infeliz. Ele não levantou os olhos para eles, tampouco. Apenas ficou sentado, com um semblante derrotado, olhando para os próprios joelhos. Sabia que alguma coisa deveria ter acontecido. Ou seu filho estava mais do que arrependido, ou algo muito estranho estava acontecendo.
—Sr. Lestrange. Sente-se, por favor. – pediu McGonagall. Daphne se sentou, furiosa, mirando o filho. Nas cadeiras ao lado estavam dois garotos, também da Sonserina, e de pé, atrás deles, estavam os pais deles. Não reconheceu um deles, mas o outro era o irmão mais velho de Theo Nott, um amigo do tempo de escola. – Sinto que o que aconteceu foi muito sério.
—Eu quero falar com o meu filho em particular, Minerva. – disse Rasalas.
—Em particular nada! – ralhou Daphne – O que raios você tem nessa sua cabeça, Navi? Magia negra? Na escola?! Você atacou um aluno com magia negra?! Onde raios você aprendeu isso? Comigo e com o seu pai não foi! – disse ela quase chorando de nervosismo.
—Magia negra, contra meu garoto, que estava tranquilo no próprio dormitório! – rosnou o Sr. Nott – Ele não deve apenas ser expulso dessa escola, como também deve ser preso!
Rasalas sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha.
—O que esperar de um pária? – cuspiu o outro senhor. Rasalas engoliu em seco – Gente da sua laia não deveria procriar, Lestrange! – rosnou ele – Seu filho é tão problemático quanto você. Com certeza deve ter algum deficiência mental!
Rasalas quis abrir a boca para recrutar, mas não conseguiu. Apenas baixou os olhos, embaraçado com a situação.
—Sr. Rowle, por favor. Se contenha. – ralhou McGonagall.
—Eu sinto muito por qualquer coisa que meu filho tenha feito. – murmurou Rasalas. Navi o olhou chocado – Mas eu o conheço. Ele não faria algo gratuito assim.
—Navi tem um grande histórico de infrações de regras dessa escola, Sr. Lestrange. Eu não teria tanta certeza de...
—Brincadeirinhas. Algumas de péssimo gosto, admito. Mas se meu filho realmente usou magia negra, ele, com toda certeza... você teve um motivo, não teve, Navi? – perguntou Rasalas, desesperado.
Navi o olhou parecendo quase assustado, mas concordou.
—Eles machucaram o Drac. – explicou ele – Por preconceito, sabe? – perguntou ele baixando o tom de voz – Eles passaram de todos os limites. Eles até ameaçaram o Scorpius... eu precisei, pai...
Rasalas olhou para o filho e soube com toda certeza de que Navi tinha sido provocado ao extremo.
—Eles machucaram o Sr. Burke, Rasalas? E como? – perguntou McGonagall friamente.
—O Burke passou a mão no meu pau. – disse um dos garotos com muita tranquilidade. Rasalas e Daphne olharam em choque pra ele – Eu não gostei e bati nele. Burke é um depravado promíscuo. – Rasalas notou um sorrisinho cruel e discreto no rosto do outro garoto.
—Viu? Meu filho foi molestado por aquela outra aberração!? – rosnou o Sr. Nott, colocando a mão no ombro do filho – Eu quero os dois expulsos dessa escola.
—Não foi isso o que aconteceu! – disse Navi – Scorpius estava lá.
—Então chame o Scorpius.
—E eu estava lá no dia em que espancaram o Draconis e o Vince. E eles estavam apenas conversando.
—Eu não fiz nada disso. – retrucou o garoto Nott – Ele é um mentiroso, McGonagall.
—Fala sério, professora. Não lembra como o Draconis estava no ano passado?! Todo roxo? – perguntou Navi, fechando a cara – Eu fiquei furioso quando descobri o que eles tinham feito com o Drac. Então eu perdi a cabeça e azarei o Nott. Scorpius me segurou e tentou me fazer ficar calmo. Mas eu só estava tentando mandar um recado.
—E que recado seria esse, moleque? – perguntou o Sr. Rowle.
—Que eles não devem mais tocar num fio de cabelo dos meus amigos. – rosnou Navi – O time da Sonserina... – ele respirou fundo – Encurralou Draconis. Disseram que se ele não fizesse o que eles mandassem, Rowle iria enrabar o Scorpius. Então eles...
—Está mentindo! – disse o garoto que provavelmente era o filho de Rowle.
—Acho que sua escola está completamente fora de controle, McGonagall. – disse Rasalas friamente – Eu quero meu sobrinho aqui, imediatamente, assim como Scorpius. Eu quero a versão dos dois.
—Eu concordo que a escola está completamente fora de controle. – disse Nott – Aberrações como o seu filho e seu sobrinho não deveriam estudar aqui.
—Sr. Nott! – ralhou McGonagall.
Foi quando a porta abriu. Rasalas se virou e viu a professora de DCAT chegar com vários alunos, entre eles Draconis e Scorpius. McGonagall olhou confusa para os alunos e a professora se adiantou.
—Estamos lidando com vários exageros aqui, McGonagall. – disse a professora – Navi não usou uma maldição imperdoável. Apenas azarou Octavius com um pinchiver. Certamente dói, mas nem chega perto de um cruciatus. E ele fez isso por conta de uma briga no vestiário. Conte pra eles, Draconis.
Rasalas viu seu sobrinho avançar um passo, parecendo constrangido.
—Eu... hum... dei em cima de Octavius... e ele me deu um soco, porque... hum... eu passei dos limites. – resmungou Draconis – Mas eu pedi desculpas e nos acertamos... Navi deve ter entendido errado... nada mais do que isso. – Draconis soltou um muxoxo – Scorpius pode confirmar a minha... – ele soltou um suspiro, sem encarar ninguém – versão dos fatos.
Rasalas olhou para Scorpius, que apenas concordou com um aceno de cabeça, mesmo que parecesse emburrado.
—Foi isso mesmo, Octavius? – perguntou Nott. O garoto olhou para a professora de DCAT, que o olhou de maneira penetrante.
—Eu... eu posso ter confundido as azarações. – disse o garoto.
Ficou um terrível momento de constrangimento na sala da diretora.
—Eu posso falar com meu sobrinho e filho um momento? – perguntou Rasalas – A sós.
Madame Turner colocou a mão no ombro de Draconis e o olhou com alguma frieza.
—Eu não vejo problema. – sibilou ela – Não é como se ele fosse te dar outra versão dos fatos, não é, Sr. Burke?
—Claro que não. – disse o garoto.
Rasalas franziu o cenho e olhou para Navi, que parecia estar completamente confuso.
—Eu já volto, McGonagall. – disse Rasalas pegando no ombro do filho e no do sobrinho, para guiá-los para fora da sala. Desceram a escada em espiral e se afastaram um pouco do gárgula – Então. O que diabos está acontecendo?
—Eu não sei. Eu usei cruciatus naquele idiota e eu falei que ia matar todo mundo se mexessem com Drac de novo. – disse Navi parecendo novamente consigo mesmo, apenas um pouco mais sério – Que papo foi esse de você dar em cima do Nott? Aquela foi a pior mentira que...
—Aquela é a verdade. – discordou Draconis – Eu sou veado, esqueceu? – perguntou ele olhando zangado pra Navi – Um bastardinho veado. Suas palavras. – adicionou ele.
Rasalas abriu a boca em choque e viu que o filho corou.
—Eu já pedi desculpas por isso.
—E eu nunca disse que te perdoei. – retrucou Draconis.
—Você me chamou de pária! – devolveu Navi, fechando a cara.
Rasalas soltou um muxoxo e puxou os dois pela orelha o mais forte que conseguiu. Os dois resmungaram, ficando nas pontas dos pé, tentando em vão aliviar a dor.
—Eu não quero saber o que vocês andaram latindo um pro outro. Eu quero que peçam desculpas. Vocês são primos. – disse, mas Navi e Draconis ficaram calados. Os sacudiu de leve e os dois, gemeram de dor mais um pouco – Peçam desculpas agora mesmo.
—Desculpa! – disse Navi – Desculpa, Draconis! Desculpa!
Largou o filho e olhou para Draconis. O sobrinho o olhou zangado e tentou se desvencilhar, mas não o soltou.
—Me larga, tio. Eu vou contar pro meu pai! – ralhou ele.
—Seu pai está no Mungus de novo, Draconis. – falou baixando a mão, apesar de não soltar a orelha do sobrinho. Draconis o olhou, em choque – Ele não está nada bem. O fungo do Horklump voltou a atacar, agora de maneira mais agressiva. E eu tenho certeza de que seu pai ficaria muito decepcionado se ele soubesse que você chamou seu primo de pária. Você mais do que ninguém deveria saber o quanto é horrível o preconceito que as pessoas têm com a gente.
Rasalas soltou o sobrinho, que começou a massagear a orelha. Draconis baixou o olhar e falou a contra gosto.
—Não deveria ter dito aquilo. – resmungou ele. Por enquanto iria servir.
—O que Nott fez com você? Não minta pra mim. – disse muito severo. Draconis o olhou zangado.
—Navi não vai ser expulso, nem preso. Não está satisfeito?
—Não quero que Navi se safe com uma mentira. Ele tem que aprender a lidar com as consequências dos atos dele. Agora... o que Nott fez?
—Não interessa o que ele fez. – rosnou Draconis se virando – Eu não vou falar sobre isso.
Ele estava para se afastar, quando Rasalas soltou um muxoxo.
—Sua mãe foi estuprada quando ainda estava no colégio. – disse de uma vez. Draconis se interrompeu e olhou para trás, em choque – Eu, seu pai, Draco, Blair, Vince e Greg... e Avery também. Nós pegamos o desgraçado que fez isso e demos um fim nele. Ele ainda está no Mungus. Nunca vai se recuperar. E eu não me arrependo nenhum pouco do que a gente fez e é por isso que eu entendo completamente se Navi tiver perdido a cabeça. Você sempre foi um irmão pra ele. – disse olhando o filho, que baixou a cabeça, levemente constrangido – Mas sua mãe só começou a melhorar e superar, depois que se abriu pra nós e... principalmente... se abriu pro melhor amigo dela.
—O meu pai? – perguntou Draconis. Rasalas desviou o olhar. Não deixava de ser.
—Exatamente. Seu pai sempre esteve lá pra ela, sempre a ajudou e ela se permitiu ser ajudada. – voltou a olhar para o sobrinho – Não afaste as pessoas que querem te ajudar, Draconis. E principalmente, não dê as costas pra sua família. Sua família nunca vai dar as costas pra você.
Draconis engoliu em seco, mas se virou e saiu andando. Navi cambaleou até a parede e soltou um suspiro.
—Foi tudo culpa minha... – murmurou ele.
—O que aconteceu? – perguntou calmamente.
—Estão molestando ele. Por ele ser bi. – Rasalas abriu a boca em choque – Eu sempre protegi ele. Os alunos, mesmo os mais velhos, tem algum medo de mim... – murmurou ele – Eu e ele tínhamos um acordo. Sempre que eu não fosse voltar pro dormitório, eu tinha que avisar, pra ele não ficar sozinho, então usávamos uma sala secreta, pra ele ficar, sem que viessem mexer com ele... mas eu quis usar a sala... pra... pra transar com a irmã dele... – Navi fungou e os olhos dele encheram-se de água – Eu fui muito egoísta. Eu sabia que o Drac não queria que eu transasse com a irmã dele. E eu transei assim mesmo, sem pensar nele e enquanto eu fazia isso... ele ficou sozinho no dormitório e os garotos acharam ele, bateram nele e... bem... – Navi passou as costas das mãos nas bochechas – Eu sei lá. Mas acho que foi algo muito sério. Porque agora ele não fala mais comigo. A gente brigou tão feio, pai... – lamentou Navi – Ele estava fora de si e me chamou de pária. E eu chamei ele de gay e de bastardo, só pra doer. E quando ele se virou pra ir embora, eu azarei ele pelas costas e ele caiu em cima de uma barra de ferro... eu podia ter matado ele... – Navi fungou de novo e olhou as próprias mãos – Eu não sei o que deu em mim. Eu fiquei tão zangado. Eu nem pensei. Só fiz... e agora ele... ele não fala mais comigo, pai... ele é meu melhor amigo... mas ele me odeia. Eu sei que ele me odeia... e eu já pedi desculpas... eu tentei de tudo... mas... mas ele me odeia... – Navi se curvou pra frente e soltou um soluço – Eu não acredito que eu estraguei tudo... foi tudo culpa minha... foi tudo culpa minha e... e quando o Scorpius disse o que o Nott fez...
—O que o Nott fez? – perguntou Rasalas se aproximando e abraçando o filho ao redor dos ombros.
—Ele disse que se o Draconis não... não pagasse um pra ele... eles iriam machucar o Scorpius... porque o Scorpius tentou defender o Drac, entende?
—Pagasse um...? Eles queriam que o Draconis chupasse...? – murmurou horrorizado.
—É. – confessou Navi, com o rosto vermelho – Eu fiquei tão puto. Tão possesso... porque... porque quando isso aconteceu, eu deveria estar lá com ele, mas eu estava... – ele fez uma careta – Eu estava me pegando com a irmã dele, mesmo que ele já tivesse falado que não queria que eu ficasse com ela... afinal, eu não quero nada sério com ela... mas eu coloquei uma maldita foda na frente da minha amizade e então... então tudo deu errado. O Draconis só se fodeu, quase que o Scorpius também... e eu... eu perdi a cabeça e torturei Nott... disse que se ele chegasse perto dos meus amigos, eu ia matar todo mundo... – Navi respirou fundo e o olhou com os olhos injetados de dor – E eu não menti, pai. Se eles tocarem no Drac, ou no Scorp, ou em qualquer amigo meu... eu vou pra Azkaban, mas eu mato eles. Eu sei matar e eu sei que eu tenho coragem.
—Quem te ensinou esses feitiços, Navi? Não fui eu. – disse tentando parecer mais calmo do que realmente estava.
—Foi... – ele engoliu em seco – Eu pedi pro vovô me ensinar. – murmurou ele – Eu queria saber... depois do que aconteceu no dormitório uma vez... foi uma guerra. Todo mundo se azarando, pra valer... o Drac apanhou tanto que nem dava pra reconhecer a cara dele... eles tentaram machucar a Cerce e a Dido... e a Prim! A Prim tava no primeiro ano... mas ficou todo mundo louco... eu precisava aprender... então pedi pro vovô me ensinar e ele ensinou... e eu aprendi tão fácil... – murmurou seu garoto, parecendo até assustado – Foi de primeira... como se eu já até soubesse... vovô falou que está no meu sangue... somos guerreiros... por isso sou bom em azarações, em transfiguração em feitiços... porque eu nasci com o dom pra duelar... – ele se calou parecendo ficar triste – Talvez eu tenha algum tipo de problema mesmo... que nem o pai do...
—Você é completamente perfeito, Navi. – disse Rasalas abraçando o filho, que estava do seu tamanho – Os problemáticos são aqueles garotos, que estão machucando seu primo. Eu vou falar com Alhena. Draconis não pode ficar nessa escola... não desse jeito.
Navi o olhou parecendo perdido, mas em seguida fungou.
—Ele não fala mais comigo... mas... mas mesmo assim... eu vou sentir falta dele... – Navi engoliu em seco – Já brigou assim com alguém, pai? Como eu conserto as coisas?
Rasalas suspirou e sorriu.
—Pergunte no Natal para tia Pansy. Ela é especialista em consertar relacionamentos... e não se meta em mais confusão, Navi...
O garoto concordou, soltando um suspiro. O filho o abraçou mais uma vez e Rasalas sorriu para ele.
—Obrigado, pai... desculpe por tudo isso...
—Está tudo bem. – murmurou.
*
Draconis se escondeu na Torre de Astronomia. Não queria nem saber como seria quando os mais velhos fossem fazer a retaliação. Com certeza teria retaliação. Se encolheu como um menininho assustado, desejando simplesmente desaparecer. Fugir daquela realidade cretina.
Soltou um suspiro e colocou a mão no bolso. Enrolou a erva na seda e acendeu o baseado de salvia. O fumou inteiro, se sentindo meio mole e zonzo. Mas ainda não era o suficiente. Pegou mais erva e mais seda para fazer outro. O fumou inteiro também, vendo as paredes se moverem. Estava quase alucinando. Colocou a mão no bolso e tirou um pó verde.
Sorriu bobamente e pegou um livro qualquer. Colocou o pó com cuidado no livro e o enfileirou desenhando uma linha verde no caderno. Respirou fundo, pegando o caninho fino de metal. Depois o colocou no nariz e o usou para cheirar o pó verde, que era pó de fada.
Era muito amargo, muito. Então fez uma careta. Era a primeira vez que usava aquilo. Piscou por alguns momentos e sorriu sentindo-se muito bem. Verdadeiramente bem. Deu um grito de euforia, sentindo-se super animado e confiante de que tudo ficaria melhor a partir daquele momento. Se levantou e ficou em pé na janela da torre. Um vento forte bateu contra seu rosto, o fazendo sorrir. Apesar de frio, parecia que seu corpo estava em chamas e o vento gelado lhe causava uma grande sensação de prazer.
Gargalhou fora de si, lá em cima, sentindo-se o dono do mundo. A janela dançava e ele precisava se segurar com força para não cair lá de cima. Gritou de euforia de novo, sentindo-se muito bem consigo mesmo. Sua cabeça girava, pesada, e ele quase caiu. Riu de si mesmo, achando aquilo engraçado.
Foi quando escutou alguém abrir a porta. Nem se virou. Não se importava. Não se importava com nada. Apenas aquela sensação deliciosa que estava sentindo. Só aquilo era importante.
Sentiu alguém puxá-lo pela roupa. Braços fortes o seguraram e ele gargalhou de novo, achando graça.
—Está louco? – ralhou Yaxley – Te procurei pelo castelo intei...
Mas não deixou que ele terminasse. Apenas o beijou, completamente louco. Yaxley o empurrou e lhe deu um tapa no rosto, mas não doeu. Seu corpo estava numa loucura de sensações. As cores começavam a brilhar de maneira diferente. Será que Yaxley era metamorfomago? Isso explicaria o motivo dele estar verde brilhante.
—O que foi, papai? – perguntou com um sorriso bobo no rosto, completamente chapado – Não quer que eu seja a sua puta hoje?
—O que você usou? – perguntou Yaxley, sem seu típico jeitinho travesso.
—Está pesando a minha “vibe”, mestre... vamos curtir. Vamos... – disse completamente fora de si – Eu quero que faça o que quiser comigo. – disse colocando os braços pra cima.
Yaxley soltou um muxoxo e colocou as mãos em seus bolsos.
—Pó de fada... e aqui tem pontas de baseado... você fumou narciso, losna ou salvia?
—Não importa. O que importa é que eu estou bem. – riu Draconis abrindo as calças. Yaxley o olhou chocado – Vem, Loto. Vamos brincar. Vai dizer que não quer?
Yaxley o olhou faminto e negou com a cabeça, o colocando novamente dentro da calça.
—Você precisa de um banho. – disse o garoto.
—Só se tomar comigo. Vamos chamar o Vince. Fazer um sexo a três. – riu fechando os olhos, com a cabeça pesada. Sentiu os braços de Yaxley o puxarem e o colocarem de pé.
—Vamos, Drac. Eu vou cuidar de você. Você não está bem.
—Eu estou perfeitamente bem. – discordou rindo muito. Yaxley passou seu braço ao redor de seu ombro e os dois saíram da Torre de Astronomia – Minhas coisas... – resmungou aos tropeços.
—Eu volto pra buscar depois, ok? Só vamos cuidar de você primeiro. Não quero te ver assim... – murmurou Yaxley – Você é minha puta e eu não quero você usando essas coisas sem pedir minha autorização primeiro. – ralhou ele. Draconis gargalhou daquilo.
—Eu vou me drogar até morrer. Talvez assim não vejo meu pai morrer. Eu não quero ir no enterro dele.
—Por que seu pai iria morrer agora? – perguntou Yaxley enquanto os dois cambaleavam pelos corredores.
—Porque ele está com Horklump. – riu Draconis, completamente fora de si.
Yaxley parou de andar e o olhou em choque. Ele agora estava muito sério e Draconis decidiu que o preferia com a cara de abusador, com aquele sorrisinho travesso.
—Eu sinto muito por ouvir isso. – murmurou ele – Deve ser muito difícil a sua situação... mas eu duvido que o seu velho iria querer que você se destruísse desse jeito.
—Oh, pare. Está parecendo o Navi. – resmungou Draconis.
—Então, no fundo, há um pouco de sabedoria no Lestrange. – riu Yaxley o pegando de maneira mais confortável – O que você precisa fazer é ser forte pela sua família e pelo seu pai...
—Tenho dois irmãos mais velhos que podem ser fortes no meu lugar. – resmungou zonzo.
—Nenhum filho é substituível, Draconis... seus irmãos não vão substituir você. Não fique drogado desse jeito, ainda mais sozinho. Você poderia ter morrido. Poderia ter ficado louco e pulado da janela. Poderia ter tido uma overdose... Imagina como seus pais iriam ficar. – ele fez uma pausa e parou de andar para olhá-lo, muito sério – Você poderia ter mandado seu velho pro cemitério mais cedo.
Baixou os olhos ainda zonzo, tentando pensar naquelas palavras. Sabia que elas tinham um significado importante, mas não conseguia interpretar o que ele disse. Apenas riu completamente chapado.
—Você é tão bonito. – disse o beijando no rosto e Yaxley olhou ao redor, choque.
—Não faça isso. Está louco? – ralhou ele.
—O que vamos fazer hoje? Vai começar meu tratamento de choque?
—Não. – respondeu Yaxley – Agora você vai pra cama, esperar sua lombra passar. – respondeu ele.
—Você está muito chato. – resmungou Draconis. Yaxley finalmente deu um sorriso – Ei. Vamos cantar! Você vai ser meu novo Bro... então precisamos cantar “Eu Posso Ser Um Minúsculo Limpador De Chaminés, Mas Eu Tenho Uma Vassoura Enorme”. – Yaxley deu uma risadinha.
—Não... realmente não.
—Vamos! É fácil. – riu Draconis – Olha só. The chimneys were dirty at Mrs. McFry's (As chaminés estavam sujas na Sra. McFry) – cantarolou achando graça de si mesmo. Olhou com expectativa para Yaxley, que revirou os olhos, com seu típico sorriso travesso no rosto.
—And I'll grant they were worse down at Molly O'Clue's (E eu garanto que estavam piores lá na Molly O’Clue)... – cantou ele, fazendo Draconis rir.
—But the chimney sweep said, with a gleam in his eye (Mas o limpador de chaminé disse, com um brilho em seus olhos)... – continuou e o olhou esperando que ele continuasse.
—"I've got a great tool here for… (“Eu tenho uma ótima ferramenta aqui para...)
—…cleaning the fluuuuuues..." (...limpar a poeeeeeeeeeeeira…”) – cantaram juntos, antes de caírem na gargalhada.
Foram cantando durante todo o percurso até as masmorras. Yaxley quem disse a senha e os dois caminharam até o Salão Comunal.
—O que está fazendo com ele, Yaxley!? – perguntou Navi.
—Cale a boca, Lestrange. – rosnou Draconis e Yaxley o jogou no sofá – Ele é meu novo Bro.
—Novo o que? – perguntou Yaxley, ainda rindo. Navi o olhou boquiaberto.
—Esse idiota faz bullying com você! – disse Navi, indignado.
—Fazia quando eu era um anormal que gostava de pirocas. – disse Draconis abraçando uma mochila qualquer, que estava ali no sofá. Fechou os olhos, se sentindo muito bem ainda, mas agora levemente cansado – Mas agora eu estou me tratando e não vou ser mais anormal.
—Do que está falando? – perguntou Lyra. Mas não respondeu sua cabeça ficou muito pesada. Ficou flutuando, e achou que estava em sua vassoura.
Percorreu o campo de quadribol, depois todo o terreno de Hogwarts. Mas então sua vassoura sumiu e ele despencou, caindo na água fria. Gritou de susto e de frio, seu corpo doendo muito. Abriu os olhos e se viu dentro do boxe do banheiro. Estava só de cueca, fedendo a vomito. Seu nariz ardia mais do que tudo. Seu peito estava doendo tanto que parecia que tinha sedo pisoteado ali.
Gritou de susto, se abraçando de frio.
—Calma. Calma... você passou mal... – disse Navi, que também estava só de cueca, o abraçando embaixo da água do chuveiro – Mas eu to aqui, ok?
—Onde está o Yaxley? – perguntou zangado. Não queria que Navi cuidasse de si – Me solta. Eu estou bem! – disse. Mas assim que se desvencilhou de Navi, descobriu que seu corpo era pesado demais e caiu no chão, batendo a cabeça com força. Tudo girou e ele estava sendo seco. Alguém passava a toalha em seus cabelos, enquanto outro alguém tentava enfiá-lo em uma calça moletom.
Tudo girou e ele acordou se sentindo como se estivesse numa terrível ressaca. Seu travesseiro estava sujo de sangue, provavelmente de seu nariz. Sabia que cheirar pó de fada fazia o nariz sangrar muito. Xingou baixinho por conta da dor de cabeça e tentou se sentar, mas estava pesado demais.
—Drac? – perguntou uma voz sonolenta. Olhou para o lado e viu Navi. O primo estava sentado numa poltrona ao lado de sua cama e sorriu com a cara amassada – Está melhor?
—Parece que fui atropelado por uma quimera. – resmungou pressionando a cabeça – Caralho... estou muito ruim... – resmungou sentindo vontade de vomitar. Sua cabeça doía, seu nariz doía e seu peito doía.
—Seu nariz está sangrando de novo. Espera. – murmurou Navi lhe apontando a varinha. Sentiu um vento engraçado nas narinas e soube que o rosto deveria estar limpo agora. Ficaram num silêncio constrangido por alguns minutos, com Navi ao seu lado.
—Por que está cuidando de mim? – perguntou zangado.
—Porque um Bro cuida do outro.
—Você não é mais meu Bro. – disse friamente.
—Mas você é meu. – retrucou Navi – Por mais que não goste. – adicionou ele. Navi soltou um suspiro e se sentou mais confortavelmente na poltrona – O que você usou?
—Não é da sua conta. – disse engolindo em seco. Ele transou com a minha irmã... logo com Rose... e estou zangado com ela também... nunca mais falei com ela.
—Eu imagino que tenha sido pó de fada... mas não foi só isso... ou você teria ficado pulando até desmaiar de exaustão. Mas você vomitou, começou a sangrar pelo nariz e pelas orelhas, sem falar que ficava rindo de tudo, que nem um idiota, então eu acho que você misturou duas coisas... ah. E o Albus buscou suas coisas na Torre de Astronomia. – Draconis se virou na cama, ainda zangado com tudo. Fechou os olhos, se preparando para dormir. – Você quer um pouco de água? A gente trouxe suco de amora pra você. Eu sei que é o seu favorito. Qual que você prefere? Tem que beber...
—Você não cansa? – perguntou Draconis se sentando, por mais que seu corpo parecesse não estar preparado pra isso – Me deixe em paz. Mas que saco! – ralhou descendo da cama. Tudo girou novamente e ele quase desmaiou. Sua visão enturvou, mas sentiu as mãos fortes de Navi o segurarem – Me larga.
—Você consegue andar sozinho?
—Pare de ser legal comigo. – rosnou zangado. Navi sorriu gentilmente e negou com a cabeça.
—Você é meu irmão, Drac... e os Lestrange’s cuidam sempre um do outro.
Draconis respirou fundo e se virou, zangado. Mas sua pressão caiu de um vez e ele simplesmente desmaiou. Acordou mais uma vez na cama. Olhou para o lado e viu Navi sentado na poltrona, dormindo de boca aberta. Ele tinha dormido o vigiando... engoliu em seco e se virou na cama, ainda mais irritado. Queria que ele simplesmente desistisse. Seria mais fácil...
**
—Muito bem, Sr. Lestrange. Dez pontos pra Sonserina. – disse Madame Turner – Estão dispensados.
Guardaram as varinhas e começaram a arrumar o material. Rose olhou para o meio irmão e notou que ele parecia muito cansado, com grandes olheiras sob os olhos. Ele se virou sem falar com ela ou com Navi e simplesmente deixou a sala, parecendo muito apressado.
—Oh, finalmente é sexta feira. Amanhã tem Hogsmeade! – riu Sarah Wood, da Grifinória, parecendo muito contente. Soltou um suspiro e estava para sair, quando mirou Navi. Ele parecia profundamente deprimido. Trixie Zabini falava com ele, tentando animá-lo, mas ele não parecia muito interessado no papo. Foi até os dois e sorriu para ele.
—Ei... como você está? – perguntou gentilmente. Navi soltou um suspiro.
—Ele ainda não está falando comigo.
—Ele está sendo um idiota. – ralhou Trixie – Quer que eu fale com ele do meu jeitinho especial?
—Não! – ralhou Rose, corando de leve. Navi e Trixie a olharam confusos – Ele só vai ficar mais zangado se o manipular desse jeito. – disse tentando dissimular o próprio ciúmes – Temos que dar um tempo pra ele esfriar a cabeça. – murmurou.
—Então. Alguém tem que perguntar. – riu Trixie. Rose a encarou levemente intimidada. Toda vez que via Trixie, lembrava dos filmes americanos, na casa do tio Ras, onde as malvadonas da escola prendiam as nerdzinhas nos armários e saíam rindo por isso – Você e seu irmão... o que tá rolando?
—Oooi? – perguntou corando de novo – Como assim? O que quer dizer?
—Que vocês são, tipo assim... muuuuuito possessivos um com o outro. Tudo bem que vocês dois são absolutamente sexys, mas... incesto já é sacanagem, meu bem.
Rose a olhou tentando se fazer de ofendida. Pensou em algo inteligente para responder, mas decidiu pelo silêncio. A olhou como se ela tivesse dito algo completamente repulsivo e absurdo (se fosse parar pra pensar, era mesmo...) e se virou.
—Ei, Rose. Trixie só estava brincando! – disse Navi. Mas não se virou.
Estava muito corada e tinha medo que se denunciasse. Então apenas continuou andando. Não esperou pelos dois. Estava decidida a falar com Draconis. Já tinha passado da hora. Ela não ia ficar atrapalhando a amizade dos dois. Não mesmo.
Quase correu pelos corredores até ver as costas largas de Draconis. Apressou-se mais ainda e ficou de frente para ele. Recebeu um olhar gélido e em seguida foi ignorada, quando ele desviou para retomar o próprio caminho.
—Está sendo infantil, Draconis! – disse seguindo-o. Mas ele seguiu a ignorando – Por que está com raiva de mim? O que eu fiz pra você? – mas ele não respondeu. Apenas seguiu andando, com a expressão fechada. Ele parecia simplesmente furioso – Draconis, fale comigo, por favor. – mais silêncio –Eu vou ficar te seguindo até você falar comigo! – disse determinada. Ele a olhou com um sorrisinho desdenhoso e deu de ombros.
Bufou zangada, mas não mudou de ideia. Ficou seguindo o meio irmão, tentando convencê-lo a falar qualquer coisa que fosse, sem tocar no assunto beijo-super-errado que os dois tinham tido. Quando Draconis atravessou um espelho, para ir para a Casa da Árvore, finalmente pensou em parar de segui-lo.
Voltar para o lugar onde tinha perdido a virgindade, com Navi... e com Draconis ao seu lado...
Mas respirou fundo e o seguiu. Ele tinha parado de andar e se recostado no corredor, como se estivesse esperando ela se decidir. Os dois se encararam por um momento e ele lhe deu as costas, voltando a andar para dentro da sala. Engoliu em seco, se perguntando o que ele iria dizer... ou se ele iria dizer... respirou fundo, seguindo-o pelo corredor estreito, sentindo o coração bater acelerado.
Por um momento se lembrou da tarde que passara com Navi ali. Quando ele tinha finalmente feito com que cedesse. Não tinha sido ruim. Tinha sido ótimo. Navi foi muito carinhoso e antencioso, parecendo muito determinado a fazer com que fosse bom para ela. E ele foi bem sucedido, talvez por ter muita prática no assunto.
Sem falar que não havia nenhum tipo de culpa em se permitir ser tocada por ele. Ele não era seu parente de sangue, nem em primeiro e nem segundo grau... em grau nenhum, na verdade... Ele era seu primo por consideração, apenas... e entre bruxos, isso não significava coisa alguma.
Beijar Draconis também tinha sido maravilhoso. Era como respirar depois de prender a respiração por tempo demais... mas era tão, tão, tão errado. Tipo... ele era seu irmão. Seu confidente e melhor amigo... mas irmão. Mas mesmo assim, a boca dele ainda a hipnotizava desde que dera um beijo nela. E tinha feito isso mais de uma vez... era só beber um pouquinho para deixar a moral de lado e querer beijá-lo de novo.
Por que ele precisava ser meu irmão?
Entraram na Casa da Árvore e Draconis jogou a mochila no chão.
—Foi aqui que transou com ele, não foi? – perguntou Draconis, finalmente lhe dirigindo a palavra. E a voz dele estava num gelo assustador. Ele nunca tinha falado com ela naquele tom. Parecia até tio Draco, quando ele ficava zangado.
Lembrava-se de uma vez, quando ainda era bem nova... Quando estava passando o final de semana com o pai... estavam na Mansão Malfoy, brincando de correr e Navi entrou no laboratório de alquimia de tio Draco. Todos acabaram entrando lá, quando eram proibidos de fazer isso. Scorpius estava quase em pânico por estarem ali. E pra piorar Navi acabou quebrando algum objeto qualquer, que ela nunca descobrira o que era.
E tio Draco entrou em seguida e ralhou com Scorpius. E o tom de voz dele era exatamente o mesmo do de Draconis.
—Qual o problema? Somos solteiros. – disse desviando o olhar do dele. Draconis deu uma risadinha desdenhosa e zangada e concordou.
—Realmente. São mesmo. E são as duas pessoas mais egoístas desse mundo. – rosnou ele a olhando com os frios olhos azul cinza. O mesmo tom dos olhos de Scorpius... exatamente... o... mesmo... tom... – Você sabe que eu... – ele engoliu em seco – Você sabe como eu me sinto em relação a você. Então você corre pros braços do meu melhor amigo?! Logo o Navi?! – perguntou ele magoado – Se estava tão desesperada pra transar com alguém, que transasse com qualquer nerd babaca da sua casa. Mas você escolheu logo o Navi. Foi pra me magoar? Foi pra que? Eu não entendo o que passa nessa sua cabeça...
—Draconis. Nós somos irmãos! – disse aflita – Eu... eu precisava... tirar você da cabeça... e eu tinha uma queda pelo Navi. Eu já tinha te dito isso.
Draconis deu uma risadinha desdenhosa e começou a tirar a gravata.
—É... você tinha. – riu ele, parecendo quase furioso. O encarou sentindo-se culpada, como se o tivesse traído, mesmo que isso não fizesse o menor sentido – E eu sou livre pra me agarrar com quem eu quiser, afinal... – ele tirou a gravata e a jogou no chão com violência – Nós somos irmãos e aquele beijo que a gente deu não significou nada. É isso que você quer dizer, não é? – ela desviou o olhar, sem saber o que responder. Mas então ela perdeu o ar, quando ele começou a tirar a camisa. Meu santo Merlin... por que ele está tirando a cabeça...? Digo! Camisa... camisa... ele está tirando a camisa e eu estou olhando completamente apaixonada pro peitoral dele... céus, eu amo o quadribol – Você não liga pra quem eu fico, não vai ligar se me ver com outra pessoa, afinal somos apenas irmãos, não é? – ele a olhou ainda parecendo zangado, mas ela não conseguiu responder. Só conseguia olhar pra barriga tanquinho dele. Já tinha visto o irmão sem camisa antes, mas agora parecia ainda mais... ROSE, PARE DE OLHAR PARA O CORPO ESCULTURAL DELE!— Você não se importa caso eu deixe outra pessoa me beijar, não é? – perguntou ele. Eu arrancaria a língua da cretina... não... não posso pensar isso... meu Merlin... reage, Rose. Sai correndo, estupora ele, grita, desvia o olhar... oh, meu, Merlin, ele está tirando o cinto! Por que ele está tirando o cinto? E por que ele tem que ter essas entradinhas sexys!? Não. Não posso pensar nisso. Ele é meu irmão. Ele é meu irmãozinho, maravilhosamente sarado. Alguém, por favor, me estupore...— Rose, por que está tão vermelha? – perguntou ele jogando o cinto no chão e tirando os sapatos com os pés mesmo – Não é como se estivesse olhando algum garoto que você gostasse. Eu sou apenas o seu irmão. Não é isso o que você estava falando? – ela o olhou nos olhos, completamente vermelha. Ele sorriu parecendo agora mais convencido do que zangado e então ele desabotoou a calça. Ela engoliu em seco e recuou um passo, encostando as costas na parede. Draconis veio se aproximando e ela precisou gastar toda sua concentração para não olhar para o corpo bem feito dele – Algum problema, irmãzinha? Por que está tão vermelha? Não é a primeira vez que me vê assim. – ele escorregou a alça de sua mochila por seus ombros e ela caiu no chão fazendo barulho. Depois ele tirou a parte do casacão do uniforme também. Não conseguiu se mexer, apenas engoliu em seco, sem saber o que fazer, o que pensar, o que falar. Seu cérebro tinha decidido parar de funcionar... e céus, ela era uma Corvinal. Ela não era nada sem o cérebro... apenas uma garota completamente faminta pelo corpo do irmão. E Draconis agora estava desfazendo o nó de sua gravata azul e cobre. Nenhum dos dois disse nada. Apenas ficaram se encarando, enquanto ele se livrava daquela gravata. Mas quando ele começou a desabotoar sua camisa, ela finalmente conseguiu reagir.
—O que está fazendo? – perguntou se surpreendendo por não ter nem gaguejado, apesar da pergunta ter saído muito baixa. Draconis sorriu e terminou de tirar sua blusa, deixando seu sutiã azul escuro aparecer.
—Estou provando um ponto, Rose. – respondeu ele a prensando contra a parede. Ele segurou sua mão e mordiscou um de seus dedos, a olhando nos olhos. Em seguida ele guiou sua mão para seu peito, barriga e barra da calça. Então ele a largou ali e apenas a olhou nos olhos – O que quer fazer? – perguntou ele.
Aparentemente ir pro inferno, porque estou prestes a pecar pra valer...
Draconis se curvou, encostando o nariz no dela. Engoliu em seco e fechou os olhos, desistindo de lutar contra aquele impulso louco e completamente errado. Mas ela estava pouco se fodendo pro quanto aquilo poderia ser errado. Apenas queria ser beijada, tocada e amada por ele. Se aproximou dele, louca para encerrar a distância e escutou o irmão dar uma risadinha desdenhosa e se afastar.
Abriu os olhos novamente, confusa, e notou que ele a encarava com um sorriso satisfeito.
—O que foi?
—Eu estava provando um ponto. Provei. – riu ele recuando e indo até o sofá – Você ficou com o Navi pra me esquecer? Pra ocupar a cabeça com outra coisa? Mas não se preocupou em nenhum momento em pensar como eu iria me sentir. Você me beijou nas últimas duas vezes. Você. E nas duas vezes você me deixou sozinho naquele quarto, fazendo com que me sentisse um lixo. E na segunda vez eu deixei bem claro. Eu disse com todas as letras... que eu queria você. Mas então você correu pro meio das pernas do Navi. – ele desviou o olhar, parecendo magoado e triste – Começo a entender Cerce e Dido, sabe? Nenhuma garota ou garoto me magoou tanto quanto você e eu coloco o Navi nessa. – Draconis se levantou novamente e com um aceno de varinha as roupas dele foram voando de volta pra ele – Você e o Navi podem pegar o arrependimento de vocês e fazer o que quiser com ele... o Navi ao menos me pediu desculpas. Você não teve coragem nem disso... é por isso que eu... – ele voltou a colocar a blusa, apesar de não abotoá-la – estou fulo da vida com você. Navi se desculpou comigo no dia. Você esperou uma semana pra vir tentar falar comigo. E pra dizer que eu estou sendo infantil. – ele abotoou a calça e a olhou com desdém – Então... passar bem.
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