Legado Lestrange II - Legacy
59 The Young's
Notas iniciais
Capítulo 59
Greg, Rasalas, Draco, Damian e Blair foram todos juntos para o alistamento. Todos ainda estavam na idade de servir então não havia muito o que fazer. Havia uma fila gigantesca ali, apenas de homens. O alistamento feminino seria em outro dia. Póllux e Castor tinham vindo com Damian, que estava completamente desconfortável ao lado de Draco.
—Então... vocês estão estranhos. – murmurou Greg – Não são mais amigos mesmo?
Damian e Draco fizeram uma expressão de desagrado e olharam para lados opostos comicamente ao mesmo tempo. Rasalas revirou os olhos e o grupo continuou andando. Depois de minutos numa fila, eles foram chamados para uma sala, cheia de medibruxos.
—Muito bem. Puros sangue de um lado. O restante do outro. – disse um medibruxo e Rasalas abriu a boca em desagrado.
—O que... – ia reclamar, mas levou um cotovelada de Draco, que negou com a cabeça.
—Sim? – perguntou o medibruxo.
—Estamos curiosos. – disse Draco daquele jeito arrastado que ele sabia fazer – O que será considerado puro sangue? Três gerações de bruxos?
—Exatamente, senhor...?
—Malfoy. Draco Malfoy. – respondeu ele de maneira arrogante.
—Oh, Sr. Malfoy. O senhor está dispensado. – riu o medibruxo.
Foda mágica!
—Por que? – perguntou Damian Burke.
—Os membros do restaurado Diretório Puro Sangue estão automaticamente dispensados. – disse o medibruxo – Uma compensação por todo esforço histórico que essa comunidade dispensou cuidando de nossas tradições.
—Oh. Que bom que finalmente fomos reconhecidos. – Riu Draco – Eu sou um Malfoy, ele é um Lestrange e esses três são Burke. Esperaremos lá fora.
Algumas pessoas resmungaram, indignadas e os cinco saíram, acenando para Blair e Greg. Ao chegarem do lado de fora, Rasalas soltou um muxoxo.
—Vão mandar só os mestiços pra guerra! – sibilou ele.
—Quer um meio melhor de acabar com os mestiços? Extremamente diplomático e por amor à pátria. – riu Draco – Vão fazer os “inimigos” lutarem entre si... genial.
—Não acredito que está defendendo isso! – ralhou Rasalas.
—Não estou defendendo. Estou falando que foi uma boa estratégia. – riu Draco – Eu preciso voltar pra casa. Tenho que me arrumar para me encontrar com a Rosier. – adicionou ele colocando a língua pra fora, fazendo uma careta de nojo. Damian piscou algumas vezes e olhou para ele.
—Por que vai se encontrar com Rosier? – perguntou ele.
—Damian não está nos esquemas? – perguntou Draco com um sorrisinho cínico.
—Não sei... Harry não falou com você, Damian? – perguntou Rasalas.
—Não. Por que ele deveria? – perguntou Damian – E você não me respondeu, Malfoy. Não me diga que arrumou um encontro só porque Lena... Lena foi...
—É basicamente por isso mesmo, Damian. – riu Draco, com desdém – Sequestraram a Alhena. Ninguém sabe onde ela está e nem com quem está. Eu não vou ficar sentado no canto, chorando, por ser um completo saco de estrume. Eu vou descobrir o que aconteceu com ela e vou trazê-la de volta.
—Draco está dando em cima da nossa mãe? – perguntou Castor.
—Eu acho que sim... – respondeu Póllux – Cacete, a gente nunca fica sabendo de nada.
—Draco não só está dando em cima da sua mãe, como ele é o motivo por ela ter saído de casa! Se não fosse por você nada disso teria acontecido, Malfoy! – rosnou Damian.
—O fato de você ser um completo babaca egoísta não significou nada, não é mesmo?
—Escutem aqui vocês dois! – rosnou Rasalas perdendo a paciência. Seu rosto adquiriu um aspecto selvagem e assustador e Draco e Damian calaram a boca – Eu estou de saco cheio disso. Vocês dois fizeram merda. Vocês três fizeram merda, se contarmos com a Alhena. Mas não é hora pra ficar apontando o dedo e jogando culpa. É hora de ficarmos unidos.
—É fácil pra você falar. Não foi com a sua esposa que ele transou! – rosnou Damian. Póllux e Castor se entreolharam, em choque.
—Cresce, Damian. Faz dezoito anos e vocês estavam dando um tempo. – defendeu-se Draco.
—Draconis é filho do Draco? – perguntou Póllux.
—Tudo faz sentido agora... – riu Castor – Papai e mamãe arrumaram bastardos na mesma época.
—Clássico. – riu Póllux – Aquele cabelinho platinado nunca me enganou...
—Até onde eu me lembro, você sempre ficava puto quando se lembrava que eu tirei a virgindade da Astoria. Na época do colégio!
—Pois é. E sabia que eu gostava dela. Quem é você pra me julgar?!
—Vocês não eram casados!
—VOCÊS ESTAVAM DANDO UM TEMPO!
—NÓS NÃO ESTÁVAMOS DANDO UM TEMPO!
—VOCÊ TRANSOU COM OUTRA!
—ELA NÃO ERA AMIGA DA ALHENA!
—E ISSO MELHORA AS COISAS?!
—É CLARO QUE MELHORA!
Rasalas rugiu novamente e sacudiu os dois pelas golas da camisa.
—Calem a boca, seus imbecis! – rosnou puxando os dois um para perto do outro – Aqui não é lugar pra falar sobre isso. Na verdade... não existe lugar pra falar sobre isso. – Rasalas olhou para Damian, que olhava furioso para Draco – Você foi um babaca e traiu a Alhena e tramou pra ela não descobrir. – depois ele olhou para Draco – E você foi um babaca por ter transado com ela quando ela estava num momento vulnerável! Vocês dois são babacas. Ponto! Agora parem de ficar nesse choro pela minha irmã, puta que o pariu! Estou de saco cheio disso. Vocês ficarem discutindo não vai trazer ela de volta. Então cresçam!
Draco e Damian se aprumaram, arrumando as vestes, olhando com ressentimento um para o outro.
—Pai, podemos zoar o Draconis por ser filho do vizinho? – perguntou Castor. Damian o olhou parecendo muito ofendido.
—Castor, não fale assim. Está jogando o chifre do nosso pai na cara dele. – ralhou Póllux, apesar dos dois estarem rindo. Rasalas revirou os olhos, desistindo de manter a paz e Draco engasgou tentando não rir. Ele até tossiu pra tentar disfarçar, olhando para o outro lado.
—Tecnicamente não foi um chifre. Eles estavam dando um tempo. Por isso papai arrumou a Rose. – disse Castor.
—Ainda assim, não é legal jogar isso na cara das pessoas, irmãozinho. – disse Póllux – Digo, não é como se o papai tivesse agido feito um idiota desde que descobriu isso, destratando o Draconis, quando a mamãe aceitou a Rose numa boa, engolindo o próprio orgulho e aceitando criar a garota como se fosse filha dela.
Damian abriu a boca, chocado, mas Castor discordou.
—Mais ou menos, né? Mamãe transou com o amigo do papai... e ela pode ter sido legal com a Rose, mas nunca foi uma mãe pra ela...
—Então... vocês podem calar a boca?! – ralhou Damian puxando a orelha dos dois, que riram em meio aos gemidos de dor.
—Damian. – disse Draco. Rasalas soltou um muxoxo – Vamos agir como dois adultos, ok? – perguntou ele – Eu peço desculpas pelo meu descontrole. Eu sei que traí sua confiança, eu sei que foi um puta vacilo meu. Mas aconteceu. Do mesmo jeito que você traçou a Deshayes, do mesmo jeito que você não acreditou que a Lena não tivesse te traído com o Pierre. Foi um erro babaca meu e eu peço desculpas. E você não é obrigado a me perdoar. Só para de fazer escândalo por ai sobre isso. Você está prejudicando a reputação da sua esposa fazendo isso. – Draco respirou fundo e encarou Damian, que soltou um muxoxo e as orelhas dos filhos.
—Ok. Desculpe por ser um ingrato e por ter destruído as memórias da Alhena, só pra te atingir. Eu fui infantil e babaca. Mas eu não te perdoo por ter beijado a Alhena de novo! – rosnou ele.
—Ok. Eu não te pedi desculpas por isso. – disse Draco – Trégua? – perguntou ele estendendo a mão.
Damian soltou um suspiro.
—Eu nunca vou ser seu amigo de novo. Mas sim... trégua. – respondeu ele apertando a mão de Draco.
—Eu não faço questão que volte a ser meu amigo. Eu sempre fui amigo dela e não seu. Eu sempre te achei um completo...
Mas Rasalas deu um tapão na nuca do loiro e ele calou a boca.
*
—Só falta uma semana pras férias acabarem, por que, meu Merlin?! – lamentou Navi. Ele e Draconis estavam passando um tempo num campo de futebol. Navi arremessava uma bola e Draconis a agarrava, com facilidade.
—Nem me fale. Você ao menos vai ficar perto de todo mundo. Eu vou ficar sozinho na Durmstrang. – resmungou o loiro jogando a bola de volta para Navi, que a pegou com agilidade.
—Por que não volta pra Hogwarts? Podemos dar uma de espiões secretos juntos. – riu Navi jogando a bola de volta e Draconis quase a perdeu.
—Não dá. Eu preciso juntar gente lá na Durmstrang pra nos apoiar. E como é o meu último ano, é meio importante o apoio da galera de lá. – disse jogando a bola de volta, que Navi a agarrou.
—Acha que vai conseguir alguma coisa? Lá só deve ter gente perversa... só maluco das trevas... – riu Navi jogando a bola de uma mão para a outra.
—Sabe, é o que pensam da Sonserina. – riu Draconis – Existem uns malucos das Trevas... claro... mas não é todo mundo. – riu ele. Navi concordou, dando de ombros e jogou a bola de volta.
—Eu vou conhecer os pais da Les, hoje a noite. – murmurou ele.
—Mesmo? Que legal! Estão juntos pra valer, mesmo, então?
—Cara. Ela é a mulher da minha vida. – riu Navi – Sabe a responsa que é, encontrar a mulher da sua vida assim tão novo?
—Sei.
—Sabe? – perguntou ele e Draconis deu uma risadinha.
—Sei que deve ser uma grande responsabilidade. Isso que eu quis dizer. – riu ele, pensando em Rose. Navi deu de ombros e jogou a bola novamente, que Draconis agarrou.
—O pai da Les é um cretino, até onde eu sei... ele bate na mãe dela. – murmurou Navi.
—Mesmo? Que tenso... – murmurou Draconis – Não se mete nessa treta, heim? Eu sei como você gosta de se meter no problema dos outros, não faz isso dessa vez...
—Eu sei, eu sei... – murmurou Navi se sentando no chão e Draconis se aproximou, com a bola nas mãos, se sentando na sua frente – Mas eu tenho medo de algum dia ele bater na Les... eu não sei se vou aguentar não me meter... se ele encostar um dedo que seja na minha namorada, ele é um homem morto.
—Pode crer... – riu Draconis.
Foi quando escutaram estampidos. Os dois se viraram e viram quatro homens se aproximando, com a roupa dos Inomináveis. Franziu o cenho, se perguntando o que eles faziam ali. Olhou de soslaio para Navi e os dois ficaram de pé.
Os homens se aproximaram, mas não falaram nada, ficaram conversando uns com os outros, os olhando com desconfiança.
—Vamos embora? – perguntou Draconis.
—Vamos. – respondeu Navi – Aparata pra minha casa.
—Ok.
Pegaram as varinhas e aparatam. Ainda deu tempo de escutar um dos homens gritar um “espere”, mas não ficaram para ver no que ia dar. Ao chegarem na casa de Navi, entraram, achando aquilo tudo muito estranho.
—E o lance da sua mãe? O que tá rolando? – perguntou Navi, curioso – Seu pai vem chorar aqui em casa, no ouvido da minha mãe quase todo dia. – riu ele. Draconis deu de ombros.
—Basicamente... meu pai andou agindo de maneira meio... meio chata, saca? Por conta... da minha paternidade. – murmurou fechando a porta da sala – E parece que teve algum rolo com um obliviate que o tio Draco lançou na minha mãe e no meu pai, antes de eu nascer, pra ninguém saber que eu era filho dele... e meu pai pegou as lembranças dela e...
—Pera. Seu pai... o Damian? – perguntou Navi.
—É, pô... o Draco é só o Draco... tipo. Amo o cara, mas meu pai é meu pai, porra. – riu Draconis e Navi riu também.
—Ok, o que o paizão fez com as memórias da tia Lena?
—Ele ficou com ciúmes e destruiu elas.
Navi o olhou em completo choque.
—Ele fez o que?! – perguntou ele.
—Pois é... mas mamãe é vidente e começou a se lembrar. Ai foi tirar satisfações com o Draco... e os dois tiveram um lance... que ninguém quis me explicar direito o que foi e eu não faço questão de saber... e então minha mãe não sabe de quem gosta mais e saiu de casa pra se decidir... e não voltou ainda.
—Só... que barra, cara.
—BASTARDINHO! – gritou Póllux aparecendo da cozinha.
—E o Póllux sabe, aparentemente... – resmungou Draconis.
—Você jura? – perguntou Navi dando uma risadinha. Castor logo apareceu, vindo da cozinha também.
—Meu meio-irmão-que-gosta-de-fazer-amor-com-o-bumbum favorito! – gritou Castor.
—Olha só. Não é mais segredo pra ninguém! – riu Draconis aborrecido. – E eu não faço amor com o bumbum, vai se foder.
Mas seus irmãos o abraçaram do mesmo jeito.
—Relaxa, Drac. Você sempre vai ser um Burke pra gente. – riu Castor.
—É, cara... a gente te ama. – riu Póllux.
—Eu sei que me amam. Como não me amar? – perguntou Draconis, esmagado pelos dois.
—Olha só... ele tá metido igual ao pai dele. – ralhou Póllux o soltando.
—Esses Malfoy’s... – censurou Castor.
—Vão a merda! Eu não sou um Malfoy! – ralhou Draconis.
—E qual o problema de ser um Malfoy, Drac? – perguntou Draco saindo da cozinha, o olhando com os olhos semicerrados. Por algum motivo ele estava vestido como se fosse ir para um baile, ou qualquer coisa assim.
—Ah, oi, Draco. – murmurou sem jeito.
—Nenhum, Malfoy. Mas ser um Burke é muito melhor. – resmungou seu pai, também saindo da cozinha.
—Quem mais vai sair dali de dentro? O Ministro? – perguntou Navi, baixinho, franzindo a testa.
—Há... vá sonhando, Burke.
—Vão pra um quarto vocês dois. Usem o meu, se quiserem. Só ponham um jornalzinho em cima da cama antes, ok? – ralhou Rasalas, também saindo da cozinha.
—Nos sonhos dele. – resmungou Draco – Como estou? Pareço que vou conquistar alguém assim? – perguntou ele girando nos calcanhares.
—Tá pinta, tio. Vai sair com a tia Alhena? Eu to meio confuso pelos atuais acontecimentos. Ela deu um pé na bunda do tio Damian mesmo? – perguntou Navi.
—Sutil como um bombarda. – riu Póllux enquanto Castor dava risadinhas. Draconis viu seu pai fazer uma careta cheia de aborrecimento enquanto Draco tentava ficar sério.
—Não. Não vou ver Alhena... – disse ele e então ele pareceu ficar desanimado – Bem... eu preciso ir. Me desejem sorte e que ela fique bêbada rápido.
—E que ela não tente arrancar suas roupas no restaurante, como aconteceu lá no Ministério. – riu tio Rasalas. Draco soltou um muxoxo e seu pai deu uma risadinha.
—Então o senhor Malfoy está mesmo transando com a Rosier? – perguntou ele.
—Eu não estou transando com ela. – ralhou Draco – Nós tivemos um momento de coito, puramente profissional, na intenção de arrancar informações e garantir que eu me infiltre no círculo íntimo dela.
—Muito íntimo, pelo o que eu notei. – debochou seu pai e Draconis olhou confuso para Navi, que deu de ombros – Se fosse eu, eu seria o canalhão, mas como é você... puramente profissional...
—Pensei que estávamos em trégua! – ralhou Draco.
—Eu não sabia que você estava trepando com todo mundo enquanto tenta roubar a minha esposa.
—Eu não estou tentando roubar a sua... ok, eu estava. – riu Draco – Mas em minha defesa...
—Draco, você tem dois segundos pra sumir da minha casa. – rosnou tio Rasalas – Um...
—Fui. – riu Draco desaparatando.
—Cara... eu sei que é a minha mãe,.. mas eu tô achando isso uma comédia. – riu Castor.
—Sim, comédia... Muito engraçado. Sério... muito. – ralhou seu pai com sarcasmo – Principalmente a parte em que sua mãe foi sequestrada e ninguém sabe se ela está viva ou morta.
E então todos ficaram em absoluto silêncio.
—É o que?! – perguntou Póllux – Nós realmente nunca ficamos sabendo das coisas! – ralhou ele.
—Mamãe foi sequestrada? – perguntou Draconis – Por que?
—Não sabemos. – respondeu seu tio Rasalas – Mas por via das dúvidas, ninguém mais sai sozinho, ok? – perguntou ele olhando para Navi.
—Então você vai ter que me deixar na casa da Les. Eu vou conhecer os pais dela hoje. – disse Navi.
—E alguém precisa buscar a Cerce... ela foi num encontro com o Albus e...
—O QUE?! – perguntou Lyra se levantando do sofá. Nem tinha visto que ela estava ali antes – Cerce e Albus? Como assim, Cerce e Albus?! Eu achei que eles só estivessem bêbados ontem!
—Cerce está bebendo? – perguntou seu pai, fechando a cara.
—Dia do Veneno de Fada. – disse tio Rasalas sem nem mudar de expressão e seu pai meio que deu de ombros.
—Ok. Ponto.
—Qual o problema? – perguntou Navi – Cerce gosta do Albus há séculos. – disse ele limpando as unhas com um sorrisinho cruel – Não vai me dizer que está com ciúmes, Lyra.
—Eu não estou com ciúmes, seu idiota. – ralhou ela jogando uma almofada na cabeça do irmão – Eu só acho que eles não tem nada a ver com o outro.
—Como não? São dois cabeça de vento, certinhos, cercados de pessoas vadias, enquanto eles preferem estudar e se dedicar para o futuro deles. – disse Castor – Eu acho o casal chato perfeito.
—Mas ela é bonita demais para ele. – disse Póllux.
—Não falem como se ele fosse feio! Albus não é feio! – ralhou Lyra e Navi abriu o maior sorriso do mundo.
—RABS! – gritou ele.
—OI?! – perguntou o garoto, lá do corredor.
—CORRE AQUI!
Logo Rabastan e seu irmão caçula apareceram com feições curiosas.
—O que? – perguntou Órion.
-LYRA TÁ APAIXONADA PELO ALBUS! – gritou Navi. Lyra abriu a boca, horrorizada, mas os cabelos dela mudaram de verde para rosa choque. Órion e Rabastan caíram na gargalhada e começaram a cantar aquela música sobre duas pessoas se beijando embaixo de uma árvore, enquanto corriam ao redor do sofá. Logo Póllux, Castor e Navi estavam fazendo o mesmo, enquanto Lyra gritava para que eles parassem com aquilo.
Se aproximou de seu pai e de Rasalas, com os braços cruzados.
—E ai estão nossos valentes soldados, que vão dar o sangue para derrubar o Ministério... – riu Draconis. Damian e Rasalas deram risadinhas, achando graça, e ficaram todos observando Lyra tentar acertar os garotos com sapatos e almofadas.
**
Navi tocou a campainha da casinha simples, surpreso. Não imaginava que Les morava numa vizinhança tão feia e suspeita, muito menos que morava no que ele carinhosamente queria chamar de barraco. Mas prometeu a si mesmo que diria que era tudo lindo.
Les abriu a porta, com um sorriso radiante no rosto. Sorriu para ela, lhe oferecendo uma rosa azul brilhante, que ela aceitou logo antes de pular em seus braços para lhe dar um beijo apaixonado.
A beijou de volta, já querendo levá-la para o quarto. Mas sabia que não estava lá pra isso.
—Estão todos te esperando! – disse ela, animada e o puxando pra dentro.
—Todos quem?
—Meu irmão, meus pais e meu avô... mas ele é meio louco, não presta atenção nele. – riu ela. Notou que ela estava usando um vestidinho prateado e ele achou o máximo, já que prata era a cor de sua família. – Vem.
—Ei.
—O que? – perguntou ela.
—Você está linda. – disse sorrindo. Les sorriu de volta e o beijou de novo. A prensou contra a parede e os dois acabaram se esquecendo do que deveriam fazer. Ficaram naquele amasso relativamente comportado, quando escutaram uma tossidinha.
—Hum Hum... – Sentiu os cabelos da nuca se arrepiarem e soltou Les, completamente corado. Nunca tinha conhecido o pai de uma namorada (até porque Les fora a única namorada que já tivera), mas tinha certeza que aquela não era uma boa maneira de começar – Posso saber quem é você?
—Ah, Navi Lestrange, Sr. Young. – respondeu apertando a mão dele. O pai de Les piscou, como se não o tivesse visto antes.
—Lestrange? – perguntou ele.
—Isso mesmo. – respondeu. O sogro o olhou com os olhos faiscantes e então mirou a filha, que desviou o olhar.
—Oras... Lessa nunca falou que o namorado era um Lestrange. – riu ele. Navi arqueou a sobrancelha, se perguntando se aquele cara iria começar a puxar seu saco – Muito bom, filha, ainda mais em tempos como esse. – sentiu ainda mais antipatia pelo homem, que o estava julgando pelo seu sangue, mas assim que o homem o olhou, sorriu contente, como se nada o fizesse mais feliz do que aquele elogio – Vamos? Quero te apresentar para a família.
—Claro. – riu Navi fingindo empolgação. Les soltou um muxoxo, entrelaçando seus dedos com os dele e os três foram até a apertada salinha de jantar, que aparentemente também era a sala de estar. Tudo muito pequeno e apertadinho, apesar de limpinho e organizado.
—Pessoal, esse é o namorado da Les. Navi LESTRANGE! – disse ele. Navi começou um duelo interno, extremamente difícil, contra a vontade de revirar os olhos. Apenas continuou sorrindo, como tio Damian fazia na loja, quando aparecia um cliente – Um garoto rico e bem nascido. O que mais um pai poderia querer para a filha?
—Que tal a felicidade dela? – resmungou baixinho e Les deu um sorrisinho.
—Acredite, ele não liga muito pra isso. – resmungou ela de volta.
Mas os dois riram e Navi foi cumprimentar a sogra.
—Olá, Sra. Young. Prazer. – disse calmamente.
—O prazer é todo meu. – riu ela – Então você é o Navi... Les fala muito de você, sabia? – perguntou a mãe de Les. Navi piscou e olhou para a namorada, que estava sorrindo, se sentando ao lado do irmão.
—Espero que bem. – riu ele.
—Claro, sempre muito bem. – concordou ela. Navi então foi até o cunhado e o cumprimentou.
—Quanto tempo, Navi. – riu ele.
—Não é? Cortou o cabelo, cara? Você tinha o cabeção. – disse sorrindo e o cunhado soltou um suspiro.
—Eu vou ter que servir no exército da Aliança Anti-Trouxa. – murmurou ele. Navi sentiu o estômago dar um salto e ficou constrangido de ter feito o comentário – Mas relaxa. Tá tudo bem. Eu acho que fico melhor assim, de cabeça raspada. Eu tinha um arzinho muito hippie, sabe?
Navi deu um sorrisinho sem jeito e foi até o avô de Lessa, que parecia simplesmente o homem mais idoso que ele já tinha visto.
—Olá... eu sou o Navi...
—Então você é o vermezinho que anda trepando com a minha netinha?! – rosnou o velho e Navi deu uma risadinha enquanto a família de Les parecia encolher de vergonha.
—Uhum, muito prazer. – disse apertando a mão do velho, que o olhou desconfiado.
—E você ao menos tem um cacete decente pra isso?!
—Olha... ela nunca reclamou. – riu Navi e Les caiu na gargalhada.
—É um cacete bem potente, vovô.
—Então tudo bem. Não quero moleque broxa namorando a minha neta, não.
—PAPAI! – ralhou a mãe de Les e Navi caiu na gargalhada.
—Pode ficar tranquilo, então. – riu Navi – Adorei seu avô. Um doce. – disse se virando para a namorada, com um sorriso verdadeiro no rosto. Já tinha encontrado o parente favorito.
—É claro que vocês estão brincando, não é? – perguntou o sogro enquanto Navi se sentava entre o velho e Les – Vocês não tem idade pra estarem transando.
—Não? – perguntou olhando para Les – Isso não tava no contrato.
—Estava nas letras miúdas. Ninguém mandou não ler. – brincou ela.
—Droga. – brincou entrelaçando os dedos com os dela.
—Hunf. Muito bem. Não pense que só porque a gente é pobre, você pode sair fazendo besteira com a minha filha. Ou eu juro que entro na justiça e faço vocês casarem... o que não seria tão ruim, não é, amor? – perguntou o pai de Les para a esposa, que corou de leve.
—Milton... não fale assim. Ele vai achar que é verdade. – riu ela, sem jeito.
—E quem disse que eu não estou falando sério? – perguntou ele antes de cair na gargalhada – O que pretende fazer da vida, Lestrange?
Navi respirou fundo, achando o sogro uma pessoa muito desagradável.
—Não sei ainda. – respondeu – Sou muito bom com transfiguração e duelos... pensei em ser auror, mas eu não acho que vou conseguir N.I.E.M.s em poções alto o suficiente pra...
Mas o sogro explodiu numa gargalhada e ele o olhou confuso.
—Um Lestrange? Auror? Essa é boa.
—E qual o problema?! – perguntou levemente insultado.
—Nenhum problema, garoto. Nenhum. – riu ele – Eu só estava brincando. – o homem brandiu a varinha e conjurou uma garrafa de hidromel. Navi notou que todo mundo pareceu ficar tenso com aquilo.
—Hum... querido, por que não deixa pra beber depois que o Navi for pra casa? – perguntou a Sra. Young.
—É, pai... não precisa beber agora. – pediu Reno (seu cunhado).
—Oh, parem de chatice... como se eu não fosse beber uma dose com o meu genro! Aqui. Pegue um copo, Lestrange. – riu seu sogro. Navi notou que todo mundo parecia meio preocupado e ele imaginou que o homem deveria ser igual sua avó. Se começasse a beber, não parava – Um brinde ao casal!
Navi aceitou o copo, constrangido e soltou um suspiro. Brindou com o sogro e os dois beberam. Ele um gole grande, seu sogro o copo inteiro. E logo depois ele voltou a encher o copo.
—Querido...
—Miranda, trás o jantar. Lestrange deve estar com fome. – disse o sogro com autoridade e Miranda concordou com um aceno de cabeça.
Ficou tentando acompanhar o sogro na bebida, mas isso se mostrou impossível. Quando finalmente matou seu copo, ele já tinha matado a garrafa e o jantar ainda nem tinha chegado.
O homem conjurou outra garrafa e Navi escutou Les soltar um muxoxo de desaprovação.
—Então, Lestrange. Quais os seus planos com a minha filha? – perguntou o sogro.
—Bem... – Navi olhou para o pai da sogra e sorriu – Eu devo dizer que gosto das ideias dele... qual é o nome do seu avô?
—Benjen. – respondeu Les.
—Isso. Eu gosto da ideia do Benjen. – riu Navi.
—Eu falo sério, moleque. – rosnou seu sogro e Navi se perguntou se ele estava tentando ser intimidador. Notou que todos, incluindo o velho, tinham encolhido novamente.
—Ok... meus planos são... me divertir pra cacete e... caso dê certo, quem sabe?
—Eu acho bom mesmo. – rosnou seu sogro e a Sra. Young colocou o jantar na mesa. Tinha cheirinho de comida caseira e isso fez seu estômago roncar barulhentamente – Se vai namorar a minha filha, tem que levar a sério. – o homem bufou bebendo mais da garrafa – Eu trato todo mundo aqui em casa de maneira muito militar. Todo mundo fica na linha aqui. Tenho certeza que foi por isso que gostou da Lessa, não é?
Navi respirou fundo e sorriu.
—Ah, sim. Eu adoro a compostura dela. Não se encontra com facilidade uma garota com o bom comportamento dela. – disse sorrindo, se lembrando do boquete que ela lhe fizera na cozinha de sua casa, enquanto deveriam estar tomando conta de Rabastan e Órion.
—Pois é. Não se fazem mais boas moças de família como antigamente. Mas aqui em casa é assim. Se sair da linha... – e então ele deu um tapão na mesa, fazendo todo mundo pular de susto. Foi quando decidiu que estava de saco cheio daquele homem – Me fale sobre você, Lestrange.
—Ok... – sorriu pegando um pedaço de bife e olhou para o sogro – Eu gosto de transfiguração e duelos, como já disse, estou no time de quadribol, na posição de artilheiro... hum... tenho dois irmãos mais novos. Uma garota e um garoto... meu avô era um comensal de morte, meu pai é um lobisomem, eu sei fazer as três maldições imperdoáveis e torturei um babaca mais velho que eu, na escola, por ele ter batido no meu primo. – disse tranquilamente, cortando seu bife – E se alguém encostar um dedo na minha namorada... – então socou a mesa, como o sogro tinha feito, deixando de sorrir e o olhando feio – Não vai ser nada bonito... não se mexe com um Lestrange sem perder um pouco de... pele. – todos ficaram em constrangido silêncio e então ele sorriu colocando um pedaço de bife na boca – Ah, e eu adoro música trouxa... noooossa, esse bife está uma delícia, Sra. Young.
Os Young todos o olhavam sem jeito, menos Les, que parecia mais feliz do que nunca.
—O-obrigada... – murmurou sua sogra, enquanto ele comia completamente satisfeito por seu sogro ter murchado na cadeira.
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