Notas iniciais
Um capítulo mais tranquilo e sem dramas... principalmente depois do último ashuashaus Gente. To tão feliz. Tivemos 10 comentários de novo Espero que gostem. The treta has been planted hehehehe ♥

Capítulo 64

Rasalas estava sentado num banquinho em frente ao Legacy. Todos tinham combinado que não ficariam sozinhos em lugar algum, mas ele precisava daquele tempo. Aquele tempo para entender o que raios estava sentindo.

Nunca tinha se sentido tão solitário. Mesmo com seu caçula o chamando para brincar. Mesmo com Daphne conversando com ele. Mesmo que Pansy estivesse sempre com ele no trabalho. Mesmo que Harry o atormentasse o tempo todo querendo saber se tinham descoberto algo importante sobre a guerra: o que os bruxos iriam fazer, que missões precisariam cumprir, pra que lugar do mundo seriam enviados?

Mas... mas mesmo assim...

Engoliu em seco, olhando o Legacy. A placa de “FECHADO” em frente a porta. Aquela sensação que não veria a loja aberta novamente. Aquela loja era a vida de Alhena... ou ao menos tinha sido por muito tempo. Ver a loja fechada assim... parecia tão agourento...

Se sobressaltou quando sentiu alguém se sentar ao seu lado. Olhou, arrepiando-se, e notou que era seu pai...

A barba estava por fazer, ele tinha grandes olheiras nos olhos e parecia terrivelmente abatido. Os dois se olharam e então ele teve a certeza de que seu pai sentia a mesma coisa... soltaram um suspiro e voltaram o olhar para a loja, completamente infelizes...

Ficaram ali durante longos minutos. Tristes. Solitários... com o peito doendo. As pessoas passavam apressadas e assustadas pela rua, sem querer se demorar muito nos lugares. Ninguém parava para se sentar, fumar um cigarro ou ler o jornal. Todos queriam ir para casa o mais rápido possível...

Então, quando outra pessoa se sentou ao seu lado, se sobressaltou novamente. Era Damian, que parecia tão completamente desolado quanto seu pai. Os três se entreolharam e suspiraram, vencidos. Os três sentiram. Os três tinham entendido.

Ela não iria voltar pra casa... talvez Rigel voltasse... mas Alhena...

Alhena se foi...

*

O professor Fawley era simplesmente FODA!

Queria fazer um relatório para Harry, dizendo que ele era um homem malvado, que queria fazer uma lavagem cerebral com eles. Um homem cruel, que castigava os alunos e saia defendendo a causa puro-sangue.

Mas o Sr. Fawley não falava de política. Com ninguém.

Ele nunca era malvado, apesar de não ser exatamente gentil, como Lupin era. Lupin era – definição de Les – um velhinho fofo, que ela queria levar para casa, para colocá-lo sentado na prateleira. Mas Fawley era muito sério e frio. Sem evidentes favoritismos...

Mas ele era um bom professor. Ele explicava a mesma coisa quinhentas vezes se fosse necessário, cada vez de uma maneira diferente, até que todos os alunos aprendessem. Ele nunca perdia a calma, ele nunca descontava pontos, apesar de dar alguns, vez ou outra. Ele sempre se colocava à disposição para resolver qualquer dúvida e nunca tinha ouvido falar, de um aluno que fosse, que ele tenha colocado em detenção.

A Lufa-Lufa ainda sentia falta do professor Lothor, mas estava aceitando bem o professor novo.

—Ele só é muito anti social... ele não parece se relacionar com os outros professores. – murmurou Lyra.

—Claro, ele fez Turner ser demitida. Os professores, principalmente os chatos, devem estar se borrando de medo. – riu Les. – Mas ele é bem lindo, não é?

—É sim. – riu Lyra.

—Meninas... parem de sonhar com o professor. Principalmente você, Les... você tem que sonhar comigo. – riu Navi. Les apoiou os cotovelos na mesa e o olhou com um sorrisinho.

—Pra sonhar com você eu preciso dormir, sabe? Coisa que não costumamos mais fazer? Não a noite, pelo menos. – riu Les e os dois deram um beijinho – Então... vamos alugar um quarto para o Dia das Bruxas, no Endure? – perguntou ela.

—Claro. – respondeu Navi – Argh... podiam demitir o Binns também, não acham? – perguntou Navi.

—Completamente apoiado. – riu Scorpius – E então, meus dois pombinhos... – riu ele olhando para Cerce e Albus, que comiam de mãos dadas – Como vocês estão?

Navi notou que os dois pareciam abatidos, principalmente Cerce. A garota soltou um suspiro, pegou o material e saiu da mesa, indo em direção ao saguão de entrada.

—O que deu nela? – perguntou Navi.

—Hum... Cerce acha que a mãe morreu. – sussurrou Albus, tomando cuidado para que Dido e Prim não escutassem. Prim estava relativamente longe, com os amigos de ano, mas Dido estava mais perto, junto com a Profana Trindade.

—Por que ela acha isso? – perguntou Vince, franzindo a testa.

—Sei lá... mas eu fiquei meio assim... – murmurou Albus – Quando a mãe dela sumiu, ela sentiu sabe? Talvez a Cerce seja meio vidente... mas por conta do atual interesse do Ministério nos videntes, eu acho melhor não espalhar isso por aí. – explicou ele.

—Você tem um ponto... – murmurou Navi. Ele então olhou para Lupin, que conversava calmamente com o professor Fawley – Vocês acham que Lupin está investigando Fawley?

—Provavelmente. – sussurrou Albus.

—Tomara que não descubra nada... Fawley é um excelente professor... por mais que ninguém tenha conseguido fazer o obliviate... – murmurou Vince.

—É, mas o Fianto Duri foi fácil. Sem falar nas transmutações de carne. Estou me sentindo um metamorfomago agora. – riu Navi.

Todo mundo deu uma risadinha e concordou.

**

O dia do encontro finalmente tinha chegado.

—... e lembre-se, Potter. Ela demorou quase um mês pra aceitar o convite. Ela vai testar para ver se não é uma armadilha. Eu duvido que ela vá sozinha. Então vocês devem aparecer usando a chave portal que eu criei somente depois das três da manhã...

—Depois que você já tiver se divertido pra caramba entre as coxas dela? – perguntou Rasalas de mau humor. Draco revirou os olhos.

—Acredite, Rasalas. Estou fazendo isso por trabalho e não por lazer. – resmungou ele – E eu estou me sentindo um prostituto... eu realmente não gosto disso.

—Então não transe com ela. – pediu Rasalas.

—Parem vocês dois. Malfoy precisa fazer o que for necessário para que Rosier se sinta segura com ele. – ralhou Harry.

—Isso mesmo. – concordou Addie – E não se preocupe, Draco. Eu serei uma Evelyn Rosier muito melhor. – ela lhe deu uma piscadela e ele fez uma careta.

—Você é uma senhora de sessenta anos, não flerte comigo, prima... – resmungou ele fazendo os presentes darem risadinhas.

—Bem... te desejamos sorte, Malfoy. – disse Harry – Se tudo der certo, teremos uma boa refém e uma excelente substituta pra colocar no lugar dela.

Draco concordou passando as mãos pelas vestes, para alisá-las. Estava impecável e ele esperava que Rosier ficasse bêbada antes de ter a chance de tirar a roupa. Pegou a bengala que tinha pertencido a seu pai, ao avô e a outras seis gerações de Malfoy’s. Olhou para a peça soltando um suspiro, pronto para assumir seu personagem.

Ele iria saber onde estava Alhena. E seria naquela noite.

Usou a lareira para ir até o Ministério. Graças a sua relação com Rosier tinha ganhado acesso ao escritório dela, pela lareira. Usou um feitiço para tirar o pó das vestes e levantou o rosto. Sentiu um frio na barriga ao notar que Evelyn não estava sozinha, mas com três homens. Três homens que ele não conhecia. Olhou para ela e notou que ela não parecia feliz, na verdade, parecia estar um tanto triste e sem jeito. Fechou a mente com oclumência, por via das dúvidas e olhou confuso para a mulher.

—Eve? Eu vim...

—Draco Malfoy. – cortou um dos homens. Alto, cabeça raspada, com os olhos num meio termo entre o verde e o azul. Ele tinha um sorriso travesso e o queixo forte, por baixo da barba castanha e por fazer – Eu estava interessado em te conhecer, levando em consideração o investimento que está fazendo em nossa campanha... – riu ele se aproximando e esticando a mão – É um prazer finalmente conhecê-lo. Minha prima fala muito de você, com bastante entusiasmo.

—Prima? – perguntou confuso, olhando para Rosier, antes de apertar a mão do homem – Bem, não vejo problemas em investir no que eu acho certo... seu nome é?

—Hesse. Kevin Hesse. – respondeu ele.

—Prazer, então. Draco Malfoy. – disse calmamente. Depois olhou para os homens que estavam lado a lado com Rosier. Por um momento, ao olhar para eles, se lembrou dos seguranças de Pius Thicknesse, no Ministério – Temos algum problema aqui? – perguntou olhando para Rosier – Não vamos poder sair?

—Oh, longe de mim querer atrapalhar o encontro romântico de vocês... – riu Hesse – Mas eu devo garantir a segurança da minha prima.

Draco franziu a testa olhando pra Evelyn novamente.

—Segurança? – perguntou. Então fingiu entender algo que, na verdade, já tinha imaginado há eras – Entendi... ok, sem problemas. Completamente plausível. Só lamento que poderá acabar com o elemento surpresa que eu tinha planejado. – murmurou. Hesse deu um sorriso e deu de ombros.

—Infelizmente. – riu Hesse – Como iremos?

Draco sentiu um frio na espinha.

—Todos vocês vão? – perguntou.

—Naturalmente. – riu Hesse.

—E quem vai garantir a minha segurança?

—Oras, Sr. Malfoy. Não confia na minha prima? – riu Hesse.

—Claro. Não confio em você. – riu Draco, tranquilamente.

—Tem a minha palavra de que ninguém irá machucá-lo. – riu Hesse.

—Sabe qual o problema de aceitar sua palavra? Eu não conheço o valor dela. – retrucou Draco.

—Oh, querido. Por favor... – murmurou Evelyn, extremamente corada, vindo abraçar seu braço. Ainda estava olhando desconfiado para o suposto primo dela – Deixe Kevin fazer o trabalho dele, para podermos começar a curtir nosso fim de semana. – pediu ela.

Draco soltou um suspiro. Detestava fazer isso... andar em terreno frágil. Mas se queria que o plano desse certo, seria necessário. Suspirou pensando em Scorpius e em Draconis. Só podia esperar que aquilo não fosse uma armadilha...

Concordou com um aceno de cabeça. Foi quando Hesse sorriu de um jeito gentil e todos os pelos de seu corpo se arrepiaram. Como se o sorriso dele fosse agourento. Mas não tinha escolha. Pegou a chave portal (um bracelete antigo e gasto, sem muito valor) e a exibiu para todos. Cada um dos bruxos se esticou para tocar na chave portal e Draco suspirou.

—Casa de Praia. – murmurou. Sentiu aquela incômoda sensação de gancho no umbigo e logo estavam todos sendo teletransportados para sua casa de praia. Assim que colocaram os pés na areia, escutou o som do mar atrás de si. Não escondeu sua desconfiança, olhando atento para Hesse e seus homens. Aquele bruxo lhe causava calafrios... – Aqui estamos. – murmurou dando o braço novamente para Evelyn. Ela aceitou o braço e foram juntos até a porta da simples casa. Tinha sido um presente de casamento de seu pai para sua mãe e os dois adoravam passar as férias e feriados ali. Mas ele mesmo não visitava aquele lugar há muito tempo...

Abriu a porta e viu que estava tudo como tinha planejado. Um clima romântico tomava a pequena, mas luxuosa sala. A lareira estava acesa, velas aromáticas flutuavam. Uma música agradável tocava numa vitrola, o jantar estava soltando um cheiro delicioso, lá da cozinha. Uma mesinha tinha um vinho excelente com duas taças e o chão estava repleto de pétalas de rosas, guiando para o quarto.

A banheira deveria estar cheia delas também, com a temperatura agradável para um banho relaxante, afinal Rosier estava no trabalho. Ela iria querer um banho antes de jantar.

Soltou um suspiro e abriu caminho para os homens. Hesse deu uma risadinha desdenhosa e debochada, enquanto Rosier olhava para tudo completamente maravilhada.

—Oh, Draco... que perfeição! – sussurrou ela – Eu realmente lamento por isso.

—Eles só estão fazendo o trabalho deles. Eu entendo. – murmurou pegando a garrafa de vinho e as taças – Façam o que precisam fazer e caiam fora.

Hesse o olhou com um sorrisinho insolente e Draco sentiu aquele arrepio agourento mais uma vez. Lembrava que se sentia assim sempre que Pierre lhe sorria, desde o dia em que ele estuprara Alhena no quarto dela, pela primeira vez. E se lembrar daquilo não o deixava nem um pouco mais tranquilo...

—Vamos, rapazes. Averiguem tudo. Não queremos atrapalhar o encontro romântico da minha prima.

Os homens foram se espalhando pela casa e Rosier suspirou.

—Eu realmente sinto muito, Draco. Estou com tanta vergonha... – murmurou ela.

—Estamos em guerra, Eve. Não se preocupe. Eu entendo. – disse sorrindo galante para ela e lhe servindo o vinho – Não vamos deixar esse constrangimento necessário estragar a nossa noite, ok? Eles vão embora, certo?

—Bem... – ela aceitou a taça de vinho e olhou para o chão – Eles talvez precisem ficar do lado de fora, sabe? E talvez precisem entrar aqui de tempo em tempo, para ver se está tudo bem...

Draco deu uma risadinha.

—Parece até uma adolescente namorando pela primeira vez... – riu Draco brindando – Tudo bem, desde que não entrem no nosso quarto... eu não pretendo dormir cedo hoje... – riu ele.

—Nem eu... – garantiu Rosier antes dos dois bebericarem o delicioso vinho. Meia hora depois Hesse e os homens dele apareceram. Draco e Eve estavam conversando amigavelmente no sofá, ambos trocando olhares desejosos um para o outro... bem... ela o olhava desejosa... ele só a olhava, desejando que eles fossem embora de uma vez. Ainda bem que tinha feito a chave portal de Potter para o porão, que já estava abafado acusticamente – E então?

—Está tudo certo. Aparentemente Malfoy só está planejando se divertir entre suas coxas hoje. – riu Hesse e Rosier corou completamente.

—Uma das minhas várias intenções para hoje, Sr. Hesse... – disse o olhando com superioridade – Agora será que poderia deixar de ser inconveniente e ir embora? Ou pretende filar um pouco da minha comida também?

Hesse franziu a testa e se aproximou o olhando com atenção.

—Eu conheci uma pessoa que sempre me olhava desse mesmo jeito. – murmurou Hesse o olhando nos olhos, enquanto se aproximava. Draco se levantou sem cortar o contato visual e Hesse deu aquele sorrisinho que ele já tinha aprendido a não gostar – Sim... esse olhar arrogante, de nariz empinado, que só um puro sangue treinado para ser elite sabe fazer...

—Você é mestiço ou seus pais não te ensinaram a agir de maneira correta? – perguntou Draco com um sorriso cínico, ignorando o olhar assustado de Evelyn.

—Ah, eu sou puro sangue. Diretório Puro sangue alemão, na verdade... e eu fui ensinado a olhar assim pras pessoas também, senhor Malfoy... – riu Hesse e Draco riu com deboche – Mas sempre aparece alguém mais rico, alguém com uma linhagem ainda mais antiga. Sempre tem alguém melhor, te olhando assim, não concorda?

—Eu sou um Malfoy, Hesse... então não. – riu Draco – Eu estou no topo.

—É... já encontrei umas pessoas assim... no topo. E elas me olhavam do mesmo jeito que você está me olhando... mas... mas sabe qual é a desvantagem de se estar no topo, Sr. Malfoy?

—A lenda diz que só podemos descer. – riu Draco com desdém – Mas alguém na minha posição já aprendeu que isso é uma historinha para dar esperanças a aquelas famílias que não são lá tudo isso. – riu Draco e Hesse finalmente perdeu o sorriso, franzindo a testa. Draco sorriu vitorioso – E então, já estão de saída?

—É melhor se comportar, Malfoy... eu adoraria arrancar esse seu arzinho presunçoso, do mesmo modo que eu fiz com alguns traidores de sangue que passaram na minha mão. – rosnou Hesse. Draco fingiu-se de indiferente e Hesse soltou um assovio para seus homens – Vamos, rapazes.

Draco acompanhou Hesse com os olhos e suspirou aliviado quando ele foi embora.

—Sujeitinho agradável esse seu primo, não é? – perguntou com um sorrisinho para Eve, que o olhava em choque.

—Céus, Draco! Você é louco!? – ralhou ela entre o riso e o pânico.

—Oras. Como queria que eu agisse? – perguntou entrelaçando os dedos com os dela.

—Você não faz ideia da pessoa que ele é... – lamentou Rosier.

—Eu não dou a mínima pra quem ele é. – disse Draco – No momento, eu só ligo pra você, Eve... vamos... – disse a envolvendo ao redor da cintura – Vamos tomar um banho e relaxar, curtir a noite.

—Claro... – suspirou Rosier, derretendo em seus braços.

Tomaram banho juntos, por insistência dela, mas conseguiu evitar de partirem pra algo físico. Quis bancar o romântico, para que ela se abrisse. Do banho foram jantar. Do jantar foram para a sala, onde ele tocou piano. Rosier tinha o gosto de sua mãe para a música, então foi fácil de agradar. Depois se deitaram no tapete feito de pelo de graphorn, em frente a lareira.

Graças ao modo como estava guiando a situação, nem mesmo Evelyn estava louca para transar. Ela estava aberta a conversas e alguns beijos carinhosos e esporádicos. Então começou a contar sobre sua família, sobre a infância e tudo o mais. Ela contou algumas de suas próprias histórias de infância, quando ela e Kevin eram alunos na Durmstrang, ele um pouco mais velho que ela (Rosier era três anos mais velha que Draco), coisa de menos de um ano, então estavam no mesmo nível lá. Mas Hesse sempre foi melhor aluno, principalmente no quesito duelo.

—E ele estava sempre envolvido no clube de magia aplicada... nós meio que nos distanciamos e...

—O que seria “magia aplicada”?

—Eu não sei... era o grupinho dele. – respondeu ela – Todo o grupinho dele virou curandeiro. Eles eram fissurados em estudar a mente humana, sabe? – perguntou ela o olhando calmamente – Eles até fizeram alguns estudos com trouxas... mas só depois de terminarem a escola. A Durmstrang não permitia esse tipo de coisa... não depois de Grindelwald. – explicou ela.

Draco concordou com um aceno de cabeça.

—Ele já te machucou alguma vez? – perguntou calmamente.

—Como assim? – perguntou Rosier sem encará-lo – Ele é meu primo. Claro que não.

Draco soltou um suspiro. Se lembrou de uma certa cena, há muitos anos atrás... Quando Pierre estuprou Alhena nas estufas...

“-Você está bem? – lembrava de perguntar ao ver Alhena e Damian entrarem no Salão Comunal.

—Estou. – respondeu Alhena, do mesmo modo evasivo que Rosier tinha respondido – Eu estou cansada. Vou dormir. – ela engoliu em seco – Sozinha. – adicionou quando tentou segui-la.”

Se sentou a olhando com curiosidade, mas Rosier não olhou de volta.

—O que ele fez com você? – perguntou.

—Nada. – respondeu ela.

Draco suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

—Como quiser. – murmurou – Eu não vou te obrigar a responder... – murmurou Draco. Rosier se sentou, também, o olhando nos olhos.

—Por que acha que eu estou mentindo? – perguntou ela. Draco desviou o olhar, mirando as chamas e pensando em Alhena... céus, que saudades sentia dela... e era tão exaustivo entreter Rosier e ganhar a confiança dela... se sentia imundo pelas coisas que acabou fazendo na oportunidade de conseguir informações ou até mesmo de conseguir Rosier numa situação vulnerável... se perguntou se Alhena o aceitaria, mesmo depois de tudo o que tinha feito... – Me conte.

—Uma amiga minha uma vez... passou por isso. – murmurou lembrando de Alhena, completamente destruída... como um espelho quebrado. Lembrou que ambos pareciam espelhos quebrados... e com o passar do tempo, cada um ia catando os caquinhos e devolvendo-os para seu respectivo lugar... – Mas ela se recusava a falar a respeito. É algo... muito pessoal. – disse calmamente – Minha esposa quase passou por isso... quando foi capturada pelos comensais de morte, por conta do posicionamento dos pais dela... – Draco suspirou, se lembrando de quando Astoria finalmente concordou em falar sobre aquilo, muitos anos depois de estar casada com ele – Ela achou que seria estuprada por muitos deles... e quase foi, mas um dos comensais tinha uma filha de idade próxima a dela... e ele ficou imaginando que poderia ser a filha dele... de tantos homens ali, ele foi o único que se manifestou e disse que aquilo não iria acontecer... e como ele era forte no círculo, de fato não aconteceu, mas... mas foi por pouco. – Draco soltou um suspiro – Entende? Eu conheço esse rosto, de quem não quer falar a respeito de alguma coisa... e eu respeito isso.

Rosier soltou um suspiro e concordou.

—Kevin nunca tocou em mim, mas... – Rosier também olhou para as chamas – Eu sei que ele não é um homem de bem, sabe? Eu sei as coisas que ele faz.

—O que ele faz? – perguntou Draco, com os olhos cintilando de curiosidade.

—Ele é quem faz o... o Sangue de Profeta. Foi uma invenção dele... – murmurou Rosier.

—Hum... e daí?

—Você não faz ideia do que se precisa para fazer sangue de Profeta... – murmurou Rosier – O que nós estamos fazendo... o que eu estou... estou... apoiando... – murmurou ela parecendo desgostosa – Eu sei que estamos em guerra e que precisamos de medidas drásticas... que precisamos nos fortalecer para enfrentar os trouxas, mas... mas algumas vezes... eu me pergunto se... se mesmo em guerras... sempre há um limite a não ser ultrapassado? Meu primo me convenceu que não há, mas...

—Sempre há, Eve. – murmurou Draco – Estuprar uma garotinha para passar um recado para o pai dela foi um desses limites que não podem ser ultrapassados... – E graças a Merlin, Rabastan soube ver esse limite...

—É... mas... mas há muito em jogo, sabe? Não é sobre passar recados. É sobre sobreviver. – murmurou Rosier esfregando as mãos.

—O que ele está fazendo? – perguntou Draco. Rosier o olhou parecendo sentir muito e negou com o rosto.

—É confidencial. – murmurou ela.

Soltou um muxoxo, começando a se irritar, por mais que estivesse usando uma máscara de tranquilidade.

—Ele está usando videntes não está? – perguntou, já sabendo a verdade. Blackwater já tinha dito aquilo... mas ele não fazia ideia de que era Hesse quem estava controlando o esquema. Precisaria que a Ordem investigasse aquele cara...

Rosier o olhou surpresa.

—Como...?

—Eve, não insulte meu intelecto. Sangue de profeta. O Ministério está marcando videntes e metamorfomagos. E alguns videntes estão desaparecendo.

—Estão? – perguntou ela franzindo o rosto, o olhando com desconfiança.

—A irmã do meu cunhado. – murmurou Draco – Mesmo depois que Astoria morreu, nós não cortamos contato. Scorpius gosta muito dos primos... Alhena Burke. Já ouviu falar? – Se perguntava se sua voz tinha saído tão fria quanto imaginava.

—A-Alhena Burke? Não. Nunca ouvi falar. – murmurou Rosier – Eu... eu já volto. – ela estava para se levantar, quando a segurou pelo pulso e a deitou no chão.

—O que houve, Eve? – perguntou com os olhos frios. Cheio de desgosto. Puro desgosto... – Foi alguma coisa que eu disse? – perguntou entre dentes.

—Me solte. – exigiu Evelyn.

—Posso te contar uma história primeiro? – perguntou Draco a segurando com firmeza nos pulsos – Eu tenho uma amiga... daquele tipo de amizade que não se faz duas vezes na vida... – Draco bufou olhando os olhos de Rosier – Ela me salvou das minhas próprias trevas e eu a salvei das delas... eu casei com Astoria e ela se casou com o amigo do irmão dela... mas nós nunca deixamos de ser amigos... até que eu notei que o que eu sentia por ela não era só amizade... e eu guardei esse segredo comigo por anos... por dezoito anos. – sibilou apertando o pulso dela com mais força e Rosier o olhou assustada – E quando eu me declarei para ela, quando eu finalmente teria a minha chance com ela... o seu pessoal pegou essa minha amiga e a levou pra longe de mim... e algo me diz que Hesse sabe pra onde. O mesmo lugar pra onde levaram o irmão dela. Rigel Lestrange. Conhece?

—Ri-Rigel? – perguntou ela sorrindo nervosamente – Não... não sei do que está falando... eu preciso ir ao banheiro, Draco...

—Pra uma política corrupta você mente muito mal, Eve. – riu Draco segurando os dois pulsos dela com uma só mão, para em seguida pegar a varinha – Não dá pra usar aparatação pra cá. Muitos feitiços. Apenas chave portal, o que seu primo e os homens dele não tem. Você vai ficar aqui até que eu decida que é hora de você sair. Levariam horas para quebrarem todos os feitiços de defesa daqui. – rosnou Draco – Por isso, mesmo que eu faça você gritar... e eu vou fazer você gritar... ninguém vai te ouvir. Eu estou há meses nessa enrolação, Rosier e estou realmente sem paciência. Quem é o fiel segredo do lugar onde vocês enfiaram Alhena e Rigel Lestrange?! HEIM!?

—Eu não posso falar. Eles matam a minha sobrinha se eu falar.

—Eu não dou a mínima pra isso. – rosnou Draco colocando a varinha no pescoço dela – É o seu primo, o fiel segredo?

—Eu... eu não posso falar, Draco... – lamentou ela, parecendo prestes a chorar.

—Eu vou contar até três e usar uma azaração da verdade em você. Você vai gritar, mas vai falar todos os seus segredos pra mim.

—Não, por favor. Por favor... – lamentou ela

—Um...

—Eu imploro! Eu imploro, Draco. Você precisa entender...

—Dois...

—ELA É TUDO PRA MIM! ELA É PRATICAMENTE A MINHA FILHA. ELES A ESTÃO USANDO COMO REFÉM! POR FAVOR.

—Três...

—Não... eu não posso falar. Eu não posso falar! Lamentou ela.

—Alítheia.

Notas finais
E aí? HSuahsuasha Curtiram? Fawley é bom, não é bom? HSuahsua O que vocês acham? ^^ Prévia do próximo capítuloo (que é um capítulo sem dramas e tensão tbm "-Não, não, Srta. Young , não é isso que eu quero dizer. – o professor soltou um suspiro e olhou para cada um na mesa – Chega um momento na vida de todo Britânico que não dá pra ser evitado. E esse momento é a conversa do chá. – explicou Neville brandindo a varinha, conjurando alguns bules. Os alunos riram, achando divertido e curioso – Muito bem... vamos ver se vocês entendem das regras do chá."