Legado Lestrange II - Legacy
63 The Countdown
Notas iniciais
Capítulo 63
—Ok, agora acompanhe a luz da varinha. – pediu Rigel. Alhena o fez, obedientemente. Ela estava sentada na maca onde normalmente era obrigada a deitar na hora que vinham sugar os fluídos de seu cérebro. Normalmente eles faziam isso uma vez por dia, mas agora eles vinham uma vez a cada três, o que era menos horrível – Cara. Eu sou bom! Eu sou muito bom... Eu mereço uma promoção. Caramba. – riu ele contente – Seu olho esquerdo voltou a responder. Eu acho até que posso fazer você enxergar relativamente bem com ele de novo. – disse ele colocando a varinha no bolso e pressionando sua testa com os polegares – De um a dez, quanta dor sente quando eu faço isso? – e então ele apertou.
—Não sei... dois. – respondeu. Rigel sorriu feliz e concordou com um aceno de cabeça.
—Bom, muito bom. Você está bem, Lena. Vamos testar as suas memórias, ok? Me diga o nome dos seus pais, dos seus irmãos e dos seus filhos. – disse ele.
—Meus pais são Rabastan e Emily Lestrange, o nome de solteira da minha mãe era Valentine. – ela fez uma pausa – Meus irmãos são Rasalas, Rigel e Polaris... – ele concordou com um sorriso – E meus filhos são Castor, Póllux, Draconis, Rose, Cerce, Dido, Prim e Órion... – e o sorriso de Rigel vacilou.
—Você sabe que Rose não é sua filha, né? – perguntou ele, franzindo a testa.
—Ela não saiu de dentro de mim, mas é minha filha sim, oras. – retrucou. Rigel sorriu e a apertou na bochecha.
—Você é muito boazinha, maninha. – riu ele – Ok. Agora vamos aos testes mais difíceis. Quando é seu aniversário de casamento?
Abriu a boca para responder... mas simplesmente não se lembrou.
—Hum... – franziu a testa tentando lembrar, mas simplesmente não conseguiu... lembrava do dia. Lembrava de estar nervosa, muito nervosa. Lembrava que tinha até pensado em fugir, completamente em pânico... lembrava que Damian confessara que tinha vomitado de nervoso antes do Rito e que Rasalas ameaçara matá-lo se ele cogitasse fugir. Mas o dia, a data...
—Relaxe. Está tudo bem. Em que ano você se formou?
—Eu não me lembro... – murmurou franzindo a testa.
—Quando é o seu aniversário? – perguntou Rigel.
—Eu... eu não sei. – lamentou ficando ainda mais triste.
—Ei... calma, ok? Essas coisas vão voltar com o tempo. No máximo você vai ter que reaprender algumas coisas. Mas você não esqueceu das pessoas... só sua noção temporal que está um pouco...
Mas a porta se abriu e Rigel calou a boca. Alhena sentiu um calafrio ao ver Hesse entrar na sala junto com seus cinco guarda costas. Para seu alívio Hesse não trazia uma agulha, então ele provavelmente veio ver como ela estava. Somente isso...
—Lestrange... você realmente faz milagres. – riu Hesse se aproximando. Alhena olhou para aquele homem com profundo desprezo. Rigel, que já estava acostumado com as revistas, fez como sempre fazia. Largou a varinha em cima da mesa e recuou cinco passos, a puxando com ele. Hesse se aproximou, com um sorriso gentil. Aquele falso sorriso gentil que ele fazia logo antes de fazer algo perverso – Vamos, Alhena. Eu tenho algo pra você. – disse ele – Lestrange, você fica ai.
—Mas eu sempre devo acompanhar meu paciente... – murmurou Rigel, parecendo desconfiado.
—Mas quando ordenarmos o contrário, você obedece, Lestrange. Você precisa sempre obedecer. – disse Hesse. Rigel engoliu em seco, baixando a cabeça e Hesse a puxou com firmeza pelo braço – Vamos, Sra. Burke. – riu Hesse. Alhena olhou preocupada para o irmão, que a olhou de volta da mesma maneira. Mas não teve outra opção além de obedecer. Três dos homens de Hesse a acompanharam, mas dois ficaram na sala com Rigel (e ela notou que eles estavam um tanto aborrecidos com isso). Sentiu um calafrio e não gostou nada daquilo. Teve um péssimo pressentimento e isso a deixou com medo, por mais que escondesse isso por baixo de uma máscara de indiferença – Então, Alhena. Como está se sentindo?
—Vá direto ao assunto, Hesse. Meu conforto é a sua última preocupação. – disse de maneira arrogante. Hesse deu uma risadinha e concordou com um aceno de cabeça.
—Mas você sabe como nossa sociedade vive de aparências, não sabe? – perguntou ele. Não respondeu. Apenas o seguiu até o final do comprido corredor, onde notou ter um escritório, com uma tina grande de água. Hesse a soltou e se sentou numa poltrona vermelha, soltando um suspiro. Escutou o trinco da porta, quando um dos seguranças de Hesse a trancou. Um calafrio subiu sua espinha e ela respirou fundo – Muito bem, rapazes. Deem um banho nela. Eu a quero bem limpinha para começarmos a brincar. – riu Hesse. E então ela entendeu o que ele quis dizer com isso. Sentiu as mãos de um dos brutamontes segurar seu braço e tentar tirar as vestes que usava (roupas de algodão simples e sem cor, muito encardidas. Uma blusa e uma calça).
—Não! – rosnou se contorcendo. Acertou um soco com toda a força no homem que tentou lhe despir e uma cabeçada no nariz de quem a segurava. Não iriam fazer isso. Não mesmo. O terceiro homem a abraçou ao redor da cintura. E quando o homem que tinha acertado a cabeçada tentou se aproximar, o chutou nas bolas o mais forte que conseguiu. O homem caiu de joelhos no chão e ela levou os braços para trás, para cravar as unhas no rosto do homem que a segurava – Me larga! – gritou furiosa. O homem gritou também e a soltou, para segurar o próprio rosto. Alhena correu até a escrivaninha e pegou um castiçal para se defender. O homem que socara sacou a varinha e ela prendeu a respiração. Estava desarmada. Não tinha como se defender daquilo. Os outros dois também sacaram a varinha, mas ela não largou o castiçal. Iria lutar contra aquilo até que não tivesse mais forças. Foi quando alguém segurou seu pulso.
—Senhores... não podemos azarar nossa pequena Alhena... pode prejudicar a produção de soro, lembram? – ralhou Hesse muito calmamente – Largue o castiçal, Alhena... coopere e vai ser tudo mais prático.
—Eu não vou cooperar. – rosnou olhando para ele. Hesse sorriu parecendo se divertir e olhou para seus homens. Um ainda estava suando de dor por ter acertado seus países baixos. O outro estava com a face completamente rasgada por suas unhas e o terceiro tinha um belo nariz torto e quebrado.
—Você é uma guerreira, Alhena. Eu gosto disso. – riu ele. E então ele apertou seu pulso num ponto que doeu horrores. Seus dedos perderam a força e ela largou o castiçal – Conhece os chamados pontos de pressão? São pontos no corpo humano que, quando pressionados da maneira correta... podem causar muita dor... – explicou ele tranquilamente enquanto ela tentava fazer com que ele a soltasse – Fique de joelhos agora.
—Não! – rosnou.
—Ok. Eu espero mudar de ideia. – disse Hesse tranquilamente e então ele apertou com mais força. Gritou de dor e seus joelhos simplesmente cederam. Sentiu os dedos dele se enroscarem em seus cabelos de maneira dolorosa e ele abriu o zíper da calça – Chupe, Alhena, por favor. – disse ele com um sorrisinho divertido. Virou o rosto, enojada daquilo e ele encostou a cabeça do pênis em sua bochecha – Eu pedi pra chupar, Alhena. – disse ele calmamente, puxando seus cabelos de maneira dolorosa.
—Se colocar isso na minha boca, vai virar tão mulher quanto eu. – ameaçou o olhando nos olhos, com um olhar determinado e completamente livre de medo. Hesse sorriu parecendo se divertir. Estava morrendo de medo, mas sabia que se transparecesse, ele iria se excitar mais. Era assim com Pierre. Então lutaria até não ter mais forças e não mostraria medo. Não daria esse gostinho, mesmo que se sua luta resultasse em derrota.
—Eu gosto desse seu olhar desafiador, Alhena. Porque eu gosto de quebrar as pessoas. – riu ele – Mas tudo bem... eu tenho uma ideia melhor. Eu vou esperar até amanhã. – disse ele se guardando novamente e a soltando. Depois ele se agachou, para ficar frente a frente com ela – Quando formos retirar sua cota de soro... e então, quando você estiver fora de si, como sempre fica... – ele segurou seu rosto com a mão a forçando a olhar para ele – Eu vou foder você até cansar... e depois ele vai foder você até cansar... – disse Hesse a obrigando a olhar para um dos guarda costas – E depois ele e depois ele... e quando nós quatro cansarmos de foder você... o que pode levar algum tempo, afinal estamos aqui há meses... – ele deu uma risadinha e a obrigou a olhá-lo de novo – Eu vou te oferecer para cada médico dessa instituição e você vai passar por isso como uma bonequinha, porque não vai conseguir reagir. – riu ele. Seu coração batia acelerado e suas mãos estavam insensíveis. Começou a se lembrar daquela vez, com Pierre e seu corpo inteiro estremeceu, mas seu rosto seguiu impassível – Eu já te vi sem sua máscara, Alhena. Eu sei que tem medo de mim. Eu sei... – sussurrou ele a olhando nos olhos – Eu sei que você apenas finge muito bem esse seu olhar arrogante, superior e desgostoso... porque sua vontade agora é de chorar... mas é orgulhosa demais pra ceder... e eu gosto disso... – ele sorriu parecendo muito feliz – E é por isso que eu vou adorar te foder e te ver chorar amanhã. Será que você vai se lembrar depois, quando seu irmão arrumar seu cérebro de novo? – ele passeou a mão livre por seu pescoço e a apertou ali de leve. Depois ele se levantou a puxando para cima, para que se levantasse também. Ele a guiou e a prensou contra a parede e suspirou olhando para ela – E eu acho, que depois que cada homem nessa instituição foder você, eu vou te foder de novo, quando você estiver lúcida... – ele deu aquele sorriso gentil dele, que lhe causava calafrios – Eu mal posso esperar por amanhã, e você?
Então ele a soltou e sorriu daquele jeito gentil. Ela sorriu de volta, com fúria.
—Rasalas vai te encontrar... e ele e meu pai vão matar você dolorosamente... e eu vou amar assistir. – disse num sussurro carregado de ódio. – Damian e Draco vão fazer você chorar e eu vou amar escutar... – Em seguida cuspiu no olho dele. Hesse recuou um passo e sorriu limpando o rosto. Depois ele a olhou sem mudar de expressão. – E eu vou adorar ouvir você pedir desculpas quando for minha vez de te machucar... porque você vai implorar, Hesse. Vai implorar e eu vou rir. Rir muito.
—Eu adoraria vê-los tentar. Mal posso esperar também. – sussurrou ele. E então, rápido demais para que reagisse, ele colocou as duas mãos em sua blusa e a rasgou ao meio. Se abraçou escondendo os seios e ele sacou a varinha fazendo com que sua calça rasgasse também. Se viu nua na frente dele, completamente nua. O olhou desgostosa e arrogante, novamente. Não demonstraria medo. Não choraria. Seria forte e frígida. Hesse a empurrou novamente contra a parede e a fez descruzar os braços. Sentiu a mão dele passear sob seu seio, sentindo-se enojada, mas não reagiu. Apenas o olhou com desgosto. Ele passeou o polegar pela auréola rosada de um de seus seios e suspirou – Que peitão gostoso que você tem... – ele suspirou – Vamos, Alhena. Na tina. Tome um banho. Já faz semanas que não toma um. Não queremos que pegue uma infecção.
—Eu não me importo de pegar uma infecção. – sibilou. Hesse sorriu de novo e a puxou bruscamente pelo cabelo. Então acertou seu osso esterno com os nós dos dedos. Sua respiração travou completamente. Seu diafragma simplesmente parou de funcionar. O olhou surpresa e ele sorriu.
—Já foi asfixiada alguma vez? Eu posso esperar você desmaiar se quiser. E então começaremos hoje o que eu prometi para amanhã. Então... entre na água e eu te deixo respirar de novo.
Não viu alternativa. Cambaleou até a tina e entrou na água morna. Segurou o pescoço, sem ar e em pânico, quando sentiu uma pancada nas costas e finalmente conseguiu puxar o ar.
—Impressionante, Dr. Hesse. – disse um dos guarda costas. Hesse se acocorou do lado de fora da tina, pegou uma esponja e jogou um pouco de poção higiênica nela.
—Interessante, não é? O que podemos fazer tendo algum conhecimento de anatomia... – riu ele passando a esponja delicadamente contra suas costas.
—Eu me lavo sozinha! – rosnou se afastando dele e o olhando com desprezo. Hesse sorriu e lhe entregou a esponja.
—Se lave direitinho.
Se limpou, porque afinal a sujeira estava incomodando mesmo. Mas era terrível sentir os olhares famintos daqueles homens em cima de si. Hesse pegou um pouco de loção capilar e afundou sua cabeça na tina, para que molhasse os cabelos. Mas ele a deixou muito tempo embaixo da água e ela começou a se perguntar se ele iria simplesmente afogá-la. Mas quando estava prestes a desmaiar, ele a puxou para cima. Respirou desesperada e ele riu parecendo se divertir às suas custas.
Sentiu as mãos dele passarem a loção capilar em seus cabelos e massagearem seu couro cabeludo já dolorido. Era simplesmente nojento o toque dele. Repulsivo. Quando ele quase a afogou de novo, para enxaguar seus cabelos, acabou engolindo água e tossindo desesperadamente, fazendo os homens rirem.
Hesse se levantou e lhe conjurou uma toalha, que ela pegou e se enrolou, para esconder a nudez daqueles homens que pareciam estar loucos para avançar. Notou que todos eles estavam extremamente excitados, a olhando com desejo e isso a assustou profundamente, por mais que fingisse que não.
—Muito bem, Alhena... é hora de voltar para sua cela. – riu Hesse – E se preparar para amanhã. – não engoliu em seco. Apenas respirou fundo e empinou o nariz, o olhando com superioridade. Hesse sorriu e abriu a porta do escritório. Passou pelos homens, que a acompanhavam famintos. Nem ao menos olhou para eles. Apenas passou direto. Mas assim que atravessou a porta, sua toalha foi puxada com brusquidão e ela se viu nua novamente – Sem pressa, Alhena. Eu quero fazer a propaganda da diversão de amanhã. Quero todos ansiosos para sua performance. – riu ele. Sentiu um frio lhe subir a espinha assim que ele disse aquilo.
—O que vai fazer, chefe? – perguntou um dos guardas. Hesse sorriu parecendo se divertir.
—Ei, todo mundo! – gritou Hesse e as portas foram se abrindo aos poucos, com as pessoas aparecendo para espiar. Homens de jaleco, como Hesse. Todos olharam para ela com interesse... Alguns homens gargalharam, outros coraram. Outros reviraram os olhos. Mas a maioria a devorou com o olhar – Essa aqui é Alhena Lestrange Burke! E ela vai entretê-los amanhã. Quem estiver interessado só precisa pagar uma quantidade simbólica... – ele fez uma pausa e a olhou com aquele sorriso odioso – Diga, Alhena. Quanto você acha que sua boceta vale? – o olhou com puro desgosto. Puro ódio. Não conseguiu responder, mas ele já tinha a resposta – Eu acho que um galeão é o suficiente... – riu ele – Isso mesmo. Um galeão pela boceta puro sangue dela. Dois por esse rabo delicioso! – e então ele lhe deu um tapa muito forte na bunda, que provavelmente deixaria uma marca roxa. Respirou fundo, olhando para frente, tremendo de ódio – Ande, Alhena. Desfile pra nós.
Respirou fundo. Não tentou se esconder. Não iria mostrar medo. Mostraria que ele não a quebraria, por mais ilusória que aquela ideia fosse. Mas não daria esse gostinho a ele. Empinou o nariz e olhou para o final do corredor, onde sua cela ficava. Respirou fundo mais uma vez enquanto muitos homens a olhavam. Alguns tocavam suas partes baixas, ficando excitados com sua visão. Outros simulavam o momento do estupro, movendo os quadris.
Então começou a andar, de cabeça erguida e nariz empinado. Não correu. Não chorou. Não desviou o olhar. Não deixou que vissem sua vergonha e seu medo. Não deixou que vissem o quanto aquilo era horrível.
Escutou algumas provocações. Uns elogiavam seu corpo, outros faziam promessas para o dia seguinte. De como iriam se satisfazer nela. Mas não os olhou, não se deixou abalar... apenas andou. Um passo de cada vez. Quando Rigel abriu a porta no final do corredor, viu o choque no olhar dele, mas não deixou que nem isso a quebrasse.
Cabeça erguida, Alhena. Como tia Bellatrix faria... pensou calmamente.
As gargalhadas seguiam e os homens começaram a atirar galeões contra ela.
Não vou deixar que eles notem meu medo. Eu vou passar por eles sem me abalar. Eu sou uma Lestrange. Eu sou uma Burke por casamento. Não vou dar esse gostinho a eles...
—Se eu pagar cinco galeões, posso foder a boceta dessa gostosa agora? – perguntou um homem qualquer.
—Não, mas vai poder foder a boceta dela cinco vezes amanhã. – respondeu Hesse coletando as moedas, as colocando numa sacola. Não quis prestar atenção em quantas moedas parecia ter ali.
—Então vou pagar uns dez galeões. – riu o homem.
Mas não entrou em pânico. Se manteve firme. Completamente firme. Apenas olhando nos olhos do irmão, utilizando-o como um objetivo a alcançar... mas aquele corredor parecia simplesmente infinito...
Se lembrou, sem conseguir evitar, da última vez que Pierre a estuprara. Tinha sido a pior das vezes, porque ele não quis o modo tradicional. Ele a obrigou a se curvar sobre uma mesa e abriu suas nádegas com as mãos, forçando o caminho para lá de uma vez. Tinha sido uma dor tão horrível que ela chorara durante todo o momento. E quando ele terminou, sua bunda sangrava horrivelmente.
Respirou fundo tentando afastar aquela memória horrível, mas seu cérebro já danificado começou a lhe pregar peças, como se fosse um ser tão cruel e malvado quanto todos aqueles homens ali. Não via mais os rostos deles. Só via Pierre, em todos os cantos. Aquele sorriso horrível que ele tinha. Aquela mania de exigir que gritasse que estava gostando... e principalmente aquela maldita frase dele que simplesmente não conseguia esquecer.
“Você tem uma boquinha de algodão, Alhena...”
Mas mesmo assim, mesmo com tudo isso, não parou de andar. Não chorou. Não baixou a cabeça. De nariz empinado, com um olhar arrogante e superior. De cabeça erguida... terminou o maldito percurso e quando chegou em seu irmão, ele já tinha tirado o próprio jaleco para cobri-la.
Ele a guiou para dentro, com o rosto contorcido pelo ódio e a abraçou.
—Acabou. Acabou. – sussurrou ele. Não tinha certeza se ele dizia aquilo pra si mesmo ou pra ela... porque ela sabia que não tinha acabado... ainda iria começar. Aquilo tinha sido uma simples e horrível prévia do que ainda estava por vir.
Escutou algumas palmas e virou o rosto, sem mudar de expressão.
—Estou impressionado. – riu Hesse – Você é mesmo fantástica, Alhena... a cada momento que passa eu fico mais ansioso por amanhã. Pra vê-la chorando, pra vê-la quebrada... pra vê-la despida desse seu olhar arrogante. – ele suspirou – Se prepare... porque eu vou foder você e seu irmão vai assistir.
Sentiu seu irmão abraçá-la com mais força ainda.
—Não... qualé, Hesse! Tenha um pingo de civilidade!
—Cale a boca, Lestrange. Ou eu vou colocar seu rabo na roda também. Você tem um rosto bonitinho... talvez alguém aqui se interesse pelo seu rabo. – riu Hesse – Tenham uma boa noite. Vamos pessoal.
E então ele esperou que os outros homens saíssem para fechar a porta.
Alhena se abraçou se cobrindo com o jaleco do irmão, que parecia em choque. Os dois se olharam durante alguns segundos e Rigel lhe deu as costas para ir até a mesa. Ele pegou a varinha e a olhou com os olhos brilhantes, cheios de medo.
—Lena... você... você quer que eu te mate? – perguntou ele. Piscou surpresa com a pergunta dele. Imaginou que quando Hesse fosse embora, não conseguiria ficar em pé. Imaginou que simplesmente desabaria no chão e choraria de desespero, morrendo de medo pelo dia seguinte, assombrada por seus traumas passados... – Ou... ou você prefere que eu... eu faça um obliviate em você depois... depois que eles terminarem? O que você prefere, Lena. Eu faço. – lamentou ele.
Alhena engoliu em seco, baixando o olhar, sentindo-se estranhamente em paz... tinha sonhado com Draco. Sonhou que ele prometia que viria salvá-la. Sonhou que ele lhe dizia aquelas três palavras que tinham virado sua vida de pernas pro ar... mas tinha sido apenas um sonho...
Ninguém viria buscá-la. Como poderiam? Não faziam a menor ideia de onde ela estava. Não faziam a menor ideia de quem era o fiel segredo... eles estavam longe de vir resgatá-la... e ela não queria estar ali quando o dia seguinte chegasse.
Mas talvez Rigel... Rigel tinha uma chance de sobreviver. Precisavam dele vivo, saudável e lúcido, para que continuasse trabalhando. Rigel tinha chances de ser resgatado. Ela tinha esperanças que sim.
Mas para ela era o fim. Ela não seria estuprada de novo... não deixaria que Hesse a visse chorar. Não daria o gostinho a nenhum deles. Mas... mas se Rigel a matasse... eles ficariam furiosos. Rigel seria castigado, punido, talvez morto... e ela não deixaria que ele morresse apenas para lhe prover misericórdia. Ele era seu irmão caçula e ela iria cuidar dele...
Porque seu avô lhe ensinara que os Lestrange cuidavam uns dos outros. Por isso Rasalas sempre a protegera e ela o protegera de volta...
Então olhou para seu irmão caçula, que tremia de tristeza e ansiedade. Olhou para ele e deu um sereno sorriso. Sabia o que precisaria fazer. Talvez machucassem Rigel um pouco... mas nada de demais. Soltou um suspiro e o olhou nos olhos cinzentos, tão iguais aos de Rasalas.
—Não me mate, irmãozinho. – murmurou ela.
—Quer que eu tire suas memórias então? Depois? – perguntou ele baixando a varinha. Alhena negou com um aceno de cabeça e suspirou, determinada e decidida.
—Levante a varinha, Rigel. – pediu – Eu não posso morrer fisicamente... ou eles matam você e eu não posso deixar isso acontecer... mas... mas eu gostaria que você destruísse a minha mente... – pediu calmamente e Rigel a olhou em choque – Destrua tudo. Não deixe nada pra eles.
—Lena...
—Não deixe que eles me façam chorar. – pediu – Que eu não passe de uma casca vazia, para que eles suguem até a última gota de soro... mas que eu não dê o gostinho a eles de sofrer. Apenas uma casca vazia, Rigel. Eu sei que você consegue.
Rigel a olhou chocado e os olhos dele se encheram de água.
—Não... isso... isso é cruel demais, Lena... eu não posso fazer isso. Eles... eles vão tirar proveito de você do mesmo jeito e... e vão me fazer assistir... – lamentou ele.
—Não se preocupe. – murmurou ela – Eu não vou sentir nada. Eu vou estar morta... será apenas um corpo sem consciência... nada mais do que isso... faça, por favor...
Rigel a olhou agitado, com medo e nervoso.
—Mas... mas e se eles vierem nos salvar, Lena? – lamentou ele – O que eu vou dizer pro papai? Ou pro Rasalas? O que eu vou dizer pros garotos ou... ou pro Damian? – perguntou ele, com uma lágrima lhe descendo a bochecha – O que eu vou falar pra Polaris?
—Que me fez um favor. – respondeu.
—Se eu fizer isso, Lena... não... não vai ter volta... não vou poder desfazer... você vai morrer... pra sempre. Entende?
—Sim. Faça. – disse calmamente. Estranhamente calma. Estranhamente em paz. Rigel engoliu em seco e andou até ela para abraçá-la, o abraçou de nova e sentiu o irmão soluçar.
—Eu amo você, Lena. – chorou ele. A voz dele ecoou em sua mente e foi como escutasse Damian falando isso... e Rasalas... e seus pais... e Polaris... e Draco...
—Eu também te amo... – sussurrou querendo falar isso para cada um deles. O abraçou apertado e Rigel soltou um lamento meio barulhento.
—Eu sinto muito, Lena... eu sinto muito... – chorou ele.
—Não sinta. – sussurrou para ele.
—O que eu falo... pra todo mundo? – perguntou Rigel.
—Diga que eu os amo... mas simplesmente não poderia passar por tudo aquilo de novo. – sussurrou. Rigel a soltou e limpou o nariz na barra da manga da camisa. Ele a olhou completamente infeliz e angustiado – Diga pros meus filhos que eles vão precisar ser muito fortes. Diga pra Rose que eu a amo como a uma filha também. Diz isso pra ela, ok?
—Ok... – chorou Rigel.
—Diz pra Daphne que... que ela é a melhor amiga que alguém poderia desejar... – murmurou.
—Tá.
—Diz pro papai e pra mamãe que eu os amo demais...
—Vou dizer... – lamentou ele.
—Diz pra Polaris que eu sinto muito por não poder fazer o vestido de casamento dela, mas que Dido fará um ainda mais bonito do que eu poderia fazer. Diz pra ela que eu quero que ela seja muito feliz.
—Vou dizer...
Alhena respirou fundo e engoliu em seco.
—Diz para Pansy que eu a perdoo de todas as coisas que ela aprontou comigo. As que ela confessou e as que ela não confessou e que... que eu a considero uma boa amiga, muito leal. – Rigel concordou com um aceno de cabeça – Diz pra Emília que eu sinto muito que o tempo nos tenha afastado tanto... mas que ela ainda é minha amiga querida. – Ele concordou – E diz pro Damian... – ela respirou fundo – Que eu... que eu sinto muito por tudo isso... diz pra ele que... que eu o amei até o meu último segundo. Ok?
—E pro Draco?
Alhena soltou um suspiro.
—Diz pro Draco que eu o amo também... – murmurou – E que eu sempre vou estar com ele... e diz que... que se eu pudesse... eu pularia com ele de novo.
—Pularia? – perguntou ele.
—Ele vai entender. – murmurou sentindo-se um pouco triste com a perspectiva de nunca mais ver o sorriso de Draco Malfoy novamente – E diz pro Rasalas... pra ele tomar muito cuidado e pra ele ajudar o Damian a cuidar dos meus filhos... ok? Diz pro Rasalas que a maior alegria que eu tive na minha vida, depois dos meus filhos, foi nascer poucos minutos depois dele... passar tanto tempo da minha vida ao lado dele... ele me fez forte. Ele me fez ser o que eu sou hoje... então diz pro Rasalas tudo isso, ok?
—Ok...
—E Rigel?
—O que?
—Eu estou muito orgulhosa de você... você é um homem fantástico. Quando você sair daqui, porque vão te salvar... você... você vai ter o mundo. Todos vão saber o seu nome... e o papai e a mamãe vão falar que você é o maior orgulho da vida deles, porque você foi forte e você resistiu e sobreviveu. Você é um verdadeiro Lestrange, entendeu?
O rosto de seu irmão caçula se contorceu numa careta de choro e ele se escondeu com uma mão, chorando copiosamente. Depois de quase um minuto, ele respirou fundo e lhe apontou a varinha.
—Está pronta?
Fechou os olhos. Respirou fundo.
—Conte até dez e faça. – pediu determinada, fechando os olhos.
—Ok... – murmurou ele, parecendo completamente infeliz – Um...
Se lembrou de correr pelo Salvage, a boutique de Madame Greengrass, de mãos dadas com Daphne e Rasalas. Se lembrou de se esconder entre as roupas e comer às escondidas os doces da dispensa da loja. Podia jurar ouvir a risada dos dois ecoar ao seu redor.
—Dois...
Se lembrou da primeira vez que viu seu pai, em Azkaban... tão desesperado para se conectar... mas ela não lhe deu chance... seu coração estava muito cheio de rancor para isso. Se lembrou de anos mais tarde, quando ele a levara com ele... quando ficou escondida na Mansão Malfoy... lembrou das madrugadas em que ficaram conversando, trocando histórias... a cada noite ele era mais e mais o herói que Rasalas jurava que ele era quando eram crianças. Se lembrou do homem forte que seu pai era, sempre tão dedicado e leal ao que ele acreditava.
—Três...
Lembrou de todas as vezes que sua mãe rodara a noite trabalhando para arranjar o que comer para eles. Lembrou de toda a admiração que sentia por ela, por ela ser tão esforçada para dar uma boa vida para ela e Rasalas. Lembrou de como sua mãe passou a sorrir de verdade, depois que se casou com seu pai... e de como sonhava com o dia que sorriria daquele jeito ao encontrar o homem que iria amar até o fim de seus dias...
—Quatro...
Lembrou-se de Draco, entrando em seu vagão, ameaçando roubar seus doces. Aquele rosto fino, tão pequeno e tão magro, perto de Vince e Greg... depois se lembrou de como desmaiara de vergonha quando ele lhe ofereceu o braço naquela festa na casa dele... e de como ficou fantasiando que ele lhe daria um beijo naquela noite... lembrou-se de quando se tornaram realmente amigos, quando se beijaram na Mansão Malfoy... quando viravam a noite às escondidas, conversando sobre tudo depois de terem os beijos mais quentes e ousados que tivera até ali. Lembrou de todas as vezes que cogitou se entregar a ele por completo, mas acabou por não fazer...
Se lembrou de quando ele a protegera em Hogwarts, sendo seu mais íntimo amigo... seu melhor amigo. Lembrou de todos os beijos carinhosos na testa. Todos os abraços reconfortantes e todas as palavras acalentadoras... lembrou quando ele implorou para que ela não se jogasse da Torre de Astronomia, porque ele não seria capaz de viver sem ela...
—Cinco...
Se lembrou de quando pulou com ele daquela mesma torre tempos depois. Se lembrou de fazer amor com ele no lago, sob a luz das estrelas... se lembrou daquele momento mágico e intenso que nunca tinha tido igual com ninguém. Depois se lembrou daquela noite de loucura e veneno de fada, quando os dois fizeram Draconis. Irresponsabilidade, vontade, amor, loucura e egoísmo... tudo aquilo misturado na bebida verde... por um momento pode jurar escutar aquela música do limpador de chaminés. Por um momento escutou a risada arrastada de Draco...
Por um momento se lembrou do último beijo que dera nele, quando o puxou pela gola, completamente confusa... quando o beijou tão intensamente que achou que desapareceria nos braços dele....
“Eu te amo demais...”
Sim... se lembrou dele dizer isso... se lembrou com carinho daquelas palavras...
—Seis...
Se lembrou de Damian... da primeira vez que o vira, já no castelo. Conversando timidamente com Rasalas. Se lembrou do dia em que ele lhe beijara naquele jogo da garrafa, a deitando no chão. Depois quando ele a beijara antes de ir para a Beauxbatons... quando ele prometeu que namorariam quando ela voltasse...
Se lembrou de vê-lo antes daquele baile onde tudo desandou... quando viu no rosto dele que ele sentira tanta falta dela quanto ela dele. Quando tudo o que queria era que ele a puxasse e a beijasse ali mesmo... quando imaginou que sua vida seria um romance... por um lado foi mesmo... talvez recheada de tragédias, mas Damian fora seu príncipe encantado...
Se lembrou de quando o beijou no dormitório, quando ele prometeu que se ela não se casasse com ele, ele jamais casaria com outra mulher...
Se lembrou, é claro, do dia em que escutara ele cantar Vira-Tempo para ela, pela primeira vez... quando teve a sensação de que o coração iria pular para fora de seu corpo de tão agitado que estava. Se lembrou dos beijos dele tão apaixonados, tão desesperados dela. Todo carinho e amor que ele transbordava ao olhar e sorrir pra ela. Ninguém nunca tinha lhe dado sorrisos e olhares tão doces quanto Damian...
—Sete...
Se lembrou de sua primeira e desengonçada vez com ele... e depois de muitas outras vezes... como aquela quando voltaram, no dia em que Hogwarts foi invadida... quando ele falou tantas vezes que a amava e ela lhe disse o mesmo...
Se lembrou de cada valsa, de tantos “eu te amo, Estrelinha”. Se lembrou de tantas noites dormindo ao lado dele, abraçada a ele, sentindo-se tão feliz e satisfeita... Lembrou do sorriso dele, do cheiro e da voz tão linda e melódica...
Se lembrou dele de joelhos, em frente ao lago, lhe pedindo em casamento, dias depois que ela confessou estar grávida... se lembrou do dia de seu casamento, quando disse o “sim” mais importante da vida de ambos...
Mas acabou lembrando do momento em que a deixaram sozinha, logo antes da cerimônia, para que tivesse um momento a sós consigo mesma... apenas sua daminha de honra estava lá. Polaris, ainda tão pequenininha naquele vestido formal. Lembrou-se que estava num pânico tão grande que decidiu fugir. Chegou a se levantar. Chegou a abrir a porta para escapar... mas Draco estava do outro lado. Ele a levou para dentro do quarto e disse que ficaria tudo bem, porque ela e Damian se amavam. Mas ela estava tendo um ataque de nervos e Draco lhe roubou um beijo, que simplesmente a deixou em estado de choque. Não tinha sido um beijo cheio de luxúria. Apenas um selinho casto. Uma brincadeira, para fazer com que calasse a boca.
“Você o ama, Lena. Não corra dele se ele te ama também...”
Nunca contara aquilo pra ninguém. Nem pra Daphne, nem pra Rasalas e nem ninguém. Nunca nem tinha comentado aquilo nem mesmo com o próprio Draco. Eles fingiram que nunca tinha acontecido... afinal tinha funcionado. Ela se casou e não se arrependeu disso. Nunca.
—O-oito...
Lembrou dos partos de cada um de seus filhos, onde Damian estivera presente em todos, segurando sua mão, lhe trazendo segurança. Lembrou-se do mais difícil de todos, o parto de Póllux e Castor. Depois o de Draconis, que foi bem mais tranquilo. Cerce e Dido quase morreram no parto delas, porque Cerce ficou enrolada no cordão umbilical, mas tudo deu certo no final... Prim nasceu tão rápido que nem chegou a sentir dor... Órion foi tão simples que nem mesmo chamou o curandeiro. Quando sentiu que era o momento, mandou um elfo para Damian, que voltou pra casa e fez o parto ele mesmo...
Sete filhos. Cinco partos... os cinco momentos mais emocionantes de sua vida... escutar o chorinho pela primeira vez de cada um deles... se lembrar daquilo ainda fazia com que sentisse um frio no estômago e um calor no peito...
Se lembrou de Rose. Aquela garotinha que desprezara por anos, mas que aprendera a suportar, a gostar e a amar. Se sentia um pouco sem jeito com ela, mas gostaria que a garota soubesse que ela a amava como a uma filha... como se ela fosse a gêmea de Draconis... queria ter tido a coragem para falar aquilo para ela. Sabia que significaria muito pra menina... mas confiava que Rigel diria...
—Nove...
Se lembrou dos três irmãos. Rigel, Polaris... sua boa amiga Polaris... nunca imaginou que ficaria amiga dela. Não com a diferença de idade tão grande... mas a vida tem dessas... Rigel era o mais distante. Sempre tão ocupado em viver a loucura de sua vida particular... mas agora ele era seu único amigo e salvador...
E é claro, lembrou-se de Rasalas. Tinha tanta coisa para se lembrar dele... uma vida de lembranças. Desde quando tinha pesadelos e ia para a cama dele, se esconder, até quando cresceu e ele lhe abraçava para lhe confortar pelo que tinha acontecido com Damian.
Pensou com extremo carinho no irmão. Em como ele sempre a protegera, como sempre fora ciumento... como passou mais de um ano tentando descobrir um meio de salvá-lo da morte que tinha previsto para ele... lembrou-se de como ele conseguiu lidar tão graciosamente com a licantropia.
Tão forte, tão corajoso, tão insolente... tão ele mesmo...
Se perguntou se ele sentiria... quando ela partisse... afinal, eram gêmeos... tinham vindo ao mundo juntos, praticamente... perguntou se ele sentiria quando ela partisse antes dele.
—Dez...
Abriu os olhos e viu o brilho azul acinzentado da varinha do irmão vir em sua direção, rápido como um flash. Azul acinzentado... como os olhos de Draco...
E aquela acabou sendo a última coisa que pensou.
*
Rasalas abriu os olhos e se sentou, sentindo o coração bater acelerado. Daphne acordou, o olhando assustada.
—Está tudo bem? – perguntou ela. Negou com a cabeça, colocando a mão no peito, respirando ofegante, sentindo-se absurdamente vazio, sozinho... – Rasalas?
Se curvou na cama, sentindo um medo terrível. Um medo absurdo. Um medo que não cabia em si... passou as mãos nos cabelos e sentiu o rosto molhado. Estivera chorando durante o sono.
—Não foi nada... – murmurou sentindo-se completamente triste. – Foi... foi só um pesadelo...
**
Albus acordou ao sentir alguém abraçá-lo por trás. Abriu os olhos, sonolento e notou que era a namorada.
—Cerce? É você? – perguntou confuso, só pra ter certeza. A garota concordou com um aceno de cabeça e o abraçou dando um soluço – O que houve? – mas ela negou com a cabeça, chorando baixinho – Me conta... o que aconteceu?
—Eu sonhei com a minha mãe... – chorou ela. Ele entendeu e a abraçou, deitando com ela – Ela veio se despedir de mim...
—Foi só um sonho... volte a dormir, ok?
Ela engoliu em seco e concordou com um aceno de cabeça... mas ela chorou até o sol nascer...
***
Socou a parede com tanta força que sua mão começou a sangrar sem parar. Mas não ligou. Continuou socando, de novo e de novo.
—Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! – dizia sem parar a cada soco. Logo sentiu alguém segurá-lo e puxá-lo.
—Burke! Está louco?! – ralhou um professor – Olha o barulho que está fazendo! Você deveria estar na cama! Sabe que horas... – mas Draconis o olhou com tanta dor no olhar que o professor se assustou – O que houve, Draconis?
Soluçou, desolado, sozinho... longe da família e dos irmãos... simplesmente abraçou o professor e caiu no choro, completamente incapaz de se segurar...
****
Abraçou Emily com o rosto molhado pelas lágrimas... fungou nos cabelos dela, sentindo-a ressonar de leve. A beijou na nuca e chorou baixinho, mergulhado em dor em tristeza.
Tinha sentido... tinha sentido...
—Emily... – sussurrou para ela, mas Emily não acordou – Nossa filha se foi... nossa garotinha se foi... Merlin, por que...? – chorou Rabastan abraçando Emily com força e chorando baixinho no cangote dela. Suas lágrimas se misturando aos fios brancos da esposa. Tentou chorar em silêncio, para que Emily não acordasse... mas era simplesmente difícil – Nenhum pai deveria passar por isso... – lamentou baixinho – Meu deus... devolva a minha garotinha... me leve no lugar dela... mas deixe Alhena viver... – chorou aos sussurros, numa prece que ninguém ouviu...
*****
Abriu os olhos. Tinha sonhado com Alhena. Se sentou achando a cama grande demais. Olhou para o leito vazio e passou a mão no lugar onde ela costumava dormir.
—Volte pra mim, meu amor... por favor... – sussurrou Damian, sentindo-se triste.
Sua porta se abriu e ele viu Órion entrar, coçando os olhos.
—Papai... posso dormir com você? – perguntou o garoto.
—Claro, filho... vem. – murmurou. Órion veio correndo e o abraçou, fungando – O que houve? – perguntou carinhosamente.
—Não sei... tive um pesadelo... – murmurou seu caçula.
—Com que você sonhou?
Mas Órion negou com a cabeça, como se tivesse medo de que... se contasse... o pesadelo seria real.
******
—Eu te amo... – sussurrou ela. Sorriu lhe beijando os lábios macios. Alhena fechou os olhos, com um sorriso sereno.
—Eu também te amo... – sussurrou de volta – Eu vou te achar, Lena... eu vou salvar você.
Alhena sorriu de volta, mas então suspirou.
—Acho que não, Draco... você não vai mais me alcançar... eu estou longe demais agora... – sussurrou ela.
—Não importa... confie em mim, ok? Vamos voltar a ficar juntos. Eu prometo... – disse a alisando no rosto. Alhena sorriu e se sentou na cama.
—Eu sempre vou estar com você... sempre... – prometeu ela – Mas eu não acho que você vai me achar, Draco...
—Escute o que eu digo! Ou por acaso não confia em mim? – perguntou com um sorriso convencido – Eu irei até o fim do mundo pra te trazer de volta pra mim.
Alhena sorriu e suspirou novamente. Ela parecia tão calma. Tão tranquila... tão... tão serena...
—Eu confio em você... eu pularia com você daquela Torre novamente... todas as vezes que você me pedisse... porque eu sei que você sempre iria me salvar... você nunca me deixaria cair...
—Não mesmo. – disse se sentando e a acariciando no rosto – Porque eu te amo...
Alhena sorriu e o beijou com carinho nos lábios.
Foi tão real, que abriu os olhos. Estava sentado em sua cama, sentindo os lábios dormentes. Piscou confuso e olhou para o lado, mas obviamente estava sozinho.
—Mais um sonho... só mais um sonho... – murmurou sozinho.
Mas se era só um sonho... por que se sentia tão...
Tão só.
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