Notas iniciais
EBAAAA! Mais cinco comentários!!! =D Vou fazer só mais uma vez. 6 comentários = mais um capítulo Eu espero que vocês gostem! Beijos! #PartiuLer

Capítulo 5

Daphne soltou um muxoxo vendo a tal Clover. Lembrava que não gostava dela por tabela, já que Damian a estivera usando pra esquecer Lena na época de escola. Só não se lembrava que ela era tão bonita. E com um corpão de dar inveja. Pode ver que Alhena se sentiu bastante intimidada ao vê-la.

Ficaram as três fingindo observar as pequenas “mudinhas” que estavam “aprendendo como ficar caladas da maneira correta”, até que Clover se levantou para ir ao banheiro. As três trocaram um olhar ansioso e seguiram a tal mulher, mas quando estavam para entrar, Daphne segurou as duas e entrou sozinha.

Ela andou até o espelho, mexendo no cabelo, como se só quisesse arrumar o visual. Clover saiu do boxe e foi lavar as mãos, e Daphne a olhou com os olhos semi cerrados.

—Eu sei o que você fez. – murmurou ela. Clover a olhou parecendo confusa – Eu sei sobre você e Damian Burke.

Clover então corou violentamente e encarou Daphne, intimidada.

—Quem é você? Ele te contou? – perguntou ela.

Daphne desviou o olhar, recebendo uma confirmação. Ele tinha mesmo traído Alhena.

—Não importa como eu sei. – respondeu – Como pode fazer isso? Ele é casado. Você é casada...

—Não interessa... foi só uma transa. Não vai acontecer de novo. – murmurou a mulher, cabisbaixa – O que foi uma pena. Ele é muito bom de cama. De onde você conhece ele?

Daphne apertou o punho, sentindo raiva. Como ela tinha coragem de falar aquilo, daquele jeito?

—Ela é minha irmã. – disse Astoria entrando no banheiro – E eu compro com os Burke’s há anos.

—Ah. Então foi você. – riu Clover – Não saiam espalhando isso por ai, ou meu marido mata o Damian, ouviram? Eu não quero colocá-lo em problemas.

—Como você teve a coragem de fazer algo assim tão desprezível? – perguntou Daphne – Ele tem filhos, sabia?

—É. Ele me falou. – murmurou ela cruzando os braços e olhando triste para as duas – Dois anos e meio, não é? Gêmeos... – ela suspirou – A esposa dele deve ter ficado bem orgulhosa.

—Pois é... imagina como ela vai ficar ao saber que você transou com o marido dela!

—Foi só uma vez... e foi... – ela parou de falar e soltou um muxoxo – Sabe o que? Não é da conta de vocês!

—É sim! A esposa dele é minha amiga. – ralhou Daphne – E nesse momento a minha vontade é de correr e contar pro corno do seu marido! – rosnou ela, fazendo com que a mulher adquirisse um ar preocupado – Quem sabe assim ele acabava com a sua raça e com a do Damian também. Aquele cachorro.

—Não! Não contem pro meu marido! – pediu a garota, se desesperando – Ele me mata. Ele mata o Damian. Eu não estou exagerando!

—Ótimo. Menos um cretino na face da... – começou Astoria.

—Está tudo bem, gente. – murmurou Alhena entrando no banheiro.

—E quem é você? – perguntou Clover, mas então ela engasgou – Alhena? Alhena Lestrange?

—Meu nome é Alhena Burke. – retrucou Alhena avançando até Clover – E você transou com o meu marido. – adicionou ela.

—Espere. Não foi por... – ela começou, mas Alhena fechou o punho e a socou com força no olho. A mulher girou no próprio eixo e caiu no chão, tonta. Alhena tinha um braço forte, desde os tempos de escola.

—Piranha. – rosnou Alhena dando as costas para ela e saindo do banheiro, magoada e furiosa.

—Lena. Onde você vai? – perguntou Daphne correndo atrás dela.

—Eu vou pra casa.

—Nós vamos com... – começou Astoria, mas Alhena a cortou.

—Eu quero ficar sozinha. Eu preciso conversar com o Damian quando ele voltar.

*

Escureceu e Damian colocou a placa de “fechado” na porta. Depois suspirou e se sentou na poltrona, se perguntando se o tal Burton iria demorar pra chegar. Soltou um suspiro e ficou a esperar até que o maluco psicopata aparecesse.

Quando o sininho da porta tocou, ele olhou para o lado e notou que Clover tinha entrado, junto do marido e mais um homem e uma mulher. Se levantou e notou que os homens traziam um baú de madeira capaz de conter um homem dentro.

—Aqui está, Burke. – disse Burton – Preciso disso muito bem escondido, ouviu? – perguntou ele. Damian evitou de olhar para Clover e usou a varinha pra fazer o baú flutuar.

—Eu já volto. Fiquem ai. – disse firme. Entrou para a parte do estoque e abriu o armário mágico que levava para o escritório secreto de Slytherin*. Com magia fez o baú passar pelo armário e o escondeu dentro do escritório. Então voltou para loja, murmurou o feitiço e o armário voltou a parecer um inocente armário de elixires. Suspirou e voltou-se para onde as pessoas esperavam. Todos pareciam relativamente ansiosos – Prontinho. – disse calmamente – Está bem guardado. Metade do valor agora e a outra metade quando vocês retirarem o baú. Para cada dia de atraso, dez por cento do valor total será aplicado como multa. Temos um acordo?

—Claro. – respondeu Burton – Vamos. Temos mais o que fazer. Foi um prazer negociar com você, Sr. Burke. – disse Burton apertando sua mão com firmeza. A mulher desconhecida lhe entregou um saco com moedas de ouro, que Damian conferiu. Quando viu que estava tudo correto, chamou o elfo e entregou para ele.

—O prazer foi todo meu, Sr. Burton.

—Sr. Burke. – chamou Clover. Damian sentiu um frio na barriga, mas manteve o sorriso gentil no rosto para olhá-la – Conheci sua esposa hoje a tarde. – riu ela animada – Alhena continua linda. Qual é a loção capilar que ela usa?

Damian sentiu o estômago se retorcer, mas manteve a máscara gentil de vendedor.

—É mesmo? Hum... se eu não me engano... ela usa as poções estéticas da Zamora’s Potions. O verde. – ele sorriu – Eu lembro porque sempre brinco que ela compra o verde pra combinar com os olhos dela.

—Sim. – riu Clover, enquanto o marido a olhava impaciente – Nós conversamos um bocado, eu e a sua esposa. Junto com umas amigas dela... uma delas dá aula comigo, de etiqueta... – ela se virou para o marido – Qual é o nome dela? Uma magrinha...

—A Sra. Malfoy? – perguntou Burton.

—Isso. Astoria Malfoy com a irmã. – riu ela.

Damian entendeu o recado e sentiu um tremendo medo de voltar pra casa.

—Ela é adorável, a Sra. Malfoy. – disse com falsa tranquilidade – Mas bem... eu preciso fechar a loja, senhores. Eu estou louco pra chegar em casa. O dia hoje foi corrido, ainda bem. – riu ele e o grupo sorriu animado – Muito lucro.

Todo mundo saiu da loja e Damian foi trancando tudo sentindo a corda no pescoço. Não queria ir pra casa. Não queria. Mas não podia fugir de Alhena. Simples assim.

Aparatou pra frente de casa e sentiu o coração acelerar. Teria que explicar tudo. Será que Clover tinha explicado? Que tinha sido um reles acidente? Caminhou desesperado, achando a casa muito silenciosa. Engoliu em seco e foi no quarto de Póllux e Castor.

Mas ele estava vazio.

Sentiu uma pontada no peito e entrou no quarto, olhando ao redor. Abriu os armários, as gavetas, tudo. Mas não tinha uma peça de roupa dos filhos que fosse. Recuou alguns passos, chocado, morrendo de medo.

—Alhena... ALHENA! – gritou desesperado atrás dela. Foi para o quarto dos dois e notou que estava meio vazio também – Não... não... não... – murmurou desesperado. Abriu o armário dela e revistou as gavetas e notou que estavam todas vazias também. – Não... Merlin... eu posso explicar, Alhena. Por favor, não... – engoliu em seco. A imensa sensação de vazio que sentia o assustava mais do que tudo. Ela não iria nem dar a chance de se explicar? Não acreditava nisso.

Saiu de cima da cama, procurando por alguma pista, mas não encontrou nada.

Foi até a lareira e gritou o endereço de Rasalas. Depois meteu a cabeça nas chamas. Viu Daphne do outro lado, tomando alguma coisa com a irmã.

—Daphne. Onde está a Alhena? – perguntou desesperado.

Daphne o olhou com desprezo e jogou uma panela cheia de água nas chamas, cancelando a ligação mágica. Se viu em casa, com a cara molhada, mas não desistiu. Colocou mais flu e falou o endereço dos sogros. Mas foi Rasalas quem apareceu.

—Ras. Eu preciso falar com a sua irmã. Ela está ai? – perguntou desesperado. Rasalas o olhou enojado. Ele sabe também— Ras... não é o que você está pensando!

—Cale a boca, Damian. – murmurou Rasalas – Vá embora. Minha irmã te procura depois, quando ela estiver com vontade.

—Rasalas. Eu sei que parece que...

—O que? – perguntou Rasalas –Agradece que fui eu quem te viu e não o meu pai. Você não faz ideia do que meu pai queria fazer com você. Alhena chegou aqui completamente em prantos.

—Ela está ai? Deixa eu falar com ela.

—Ela não está aqui.

—Então onde está?

—Não interessa. – rosnou Rasalas também cancelando a ligação mágica. Damian se sentou desesperado, sem saber a quem mais perguntar.

Foi quando pensou e notou que era bem óbvio a terceira opção. Com desgosto jogou o flu novamente na lareira e disse o endereço de Draco.

—DRACO! DRACO! – gritou desesperado. Draco apareceu e o olhou friamente.

—Olá, Burke. – murmurou ele.

—Alhena. Eu preciso falar com ela. Ela está ai? – perguntou em completo pânico.

Draco respirou fundo.

—Ela está e eu só vou deixar você entrar porque você não vendeu a poção para Astoria. Pode vir. – disse Draco.

Damian sorriu aliviado e pulou nas chamas. Logo estava na sala de visitas dos Malfoy. Olhou para Draco, desesperado, mas feliz por ter encontrado alguém que lhe desse uma chance de se explicar. Quem diria que seria logo ele.

—Onde ela está? – perguntou Damian.

—Você realmente transou com a Clover? – perguntou Draco o olhando com decepção.

—Sim, mas...

—Pare. – disse Draco – Eu não me importo com as suas justificativas. – murmurou o loiro – Alhena está na outra sala, mas eu vou ficar por aqui pra dar privacidade pra vocês.

—Obrigado, Draco. Muito obrigado mesmo. – murmurou Damian – Eu te devo uma... – Draco deu de ombros e se sentou na poltrona, parecendo abatido e Damian se lembrou que ele e Astoria estavam se divorciando. Engoliu em seco se perguntando se Alhena iria querer o mesmo. Por que raios não contara pra ela? E porque Astoria tinha que abrir a boca? Ela não tinha nada que contar para Alhena. Caminhou até a outra sala e fechou a porta da sala de visitas. Alhena estava sentada no sofá e parecia muito séria – Lena?

—Oi, Damian. – murmurou ela friamente.

—Você nem vai me deixar explicar? Tirou tudo de casa... onde estão os meninos? – perguntou ele, desesperado.

—Estão dormindo. – respondeu ela – Draco tem muitos quartos vazios nessa mansão. Ele não se importou em me emprestar um.

—Pra que? Você... você não precisava ter... ter ido embora. – murmurou sentindo-se sem chão.

—Quando pretendia me contar sobre Clover? – perguntou ela se levantando. Foi quando notou o quanto o rosto dela estava vermelho. Desviou o olhar, completamente envergonhado – Você ao menos pretendia me contar? Ou queria que a sonsa aqui nunca soubesse? – Damian suspirou sentindo-se completamente amedrontado. Não conseguia nem encará-la nos olhos – Achou que poderia simplesmente jogar isso pra debaixo do tapete que tudo bem? – perguntou ela – Responde, Damian! – mas ele não tinha respostas. Apenas ficou calado, sem saber o que falar – Por que escondeu isso de mim?

—Eu tive medo... de você não entender... – murmurou fechando os olhos.

—Não entender o que? Que a nossa vida de casado te deixa entediado? – perguntou ela.

—Não! Eu amo a nossa vida de casado! – disse ele.

—Então por que me traiu?

—Não... não foi por querer, Lena. – murmurou ele – Teve... tive um pequeno acidente. Na loja.

—Ah. Você transou com ela na loja? – perguntou ela.

Damian concordou com um aceno de cabeça.

—Mas... eu não queria transar... e eu só conseguia pensar em você!

—Ah. Que grande consolação. – rosnou ela – E depois de transar com essa mulher... você veio pra casa e fingiu que nada tinha acontecido.

—Mas, Lena... eu só transei com ela por causa de um acidente. Tinha uma caixa com Sinos de Baco... você sabe o que são Sinos de Baco? – ela o olhou com desprezo – Então. São umas bolinhas, sabe. Que te deixam meio descontrolado... e caíram várias... era como se a gente tivesse tomado amortentia e um afrodisíaco extremamente potente... eu tentei pegar um antídoto, mas... mas não deu tempo entendeu? Eu... eu não queria! – murmurou ele. Ela ainda o olhava com desprezo – Você tem que entender. Foi mais ou menos o que Pierre fez com você. Da primeira vez. Você nem sabia o que estava acontecendo, não era...? – Alhena o estapeou com tanta força que ele até viu estrelas.

—Não ouse... usar Pierre contra mim, aqui.

—Mas foi a mesma coisa! – disse desesperado. Ela precisava entender... precisava.

—Eu tentei me explicar pra você assim que eu acordei. Quantas chances você teve de me falar? Heim?

—Eu... eu tentei compensar, Lena... esses últimos dias... eles não foram ótimos?

—Eles foram compensações, Damian. Nada mais que isso... – murmurou ela – Eu estou tão decepcionada com você... Você não faz ideia do quanto.

—Me perdoe, por favor.

—Eu acho que deveríamos dar um tempo.

—Um... um tempo? – perguntou ele, aterrorizado – Como assim, um tempo?

—Eu acho que não deveríamos nos ver por um tempo. Você pode pegar o Póllux e o Castor nos domingos, que é seu dia de folga, mas eu os quero de volta na segunda de manhã. Eu os pego na sua casa na segunda de manhã... acho melhor...

—Nossa. – corrigiu ele, sentindo um aperto no peito – É nossa casa, não minha. Você é minha esposa! – Alhena olhou para a própria mão e tirou o anel de casamento do dedo. – Não, Lena. Por favor, não faz isso. – murmurou avançando até ela e segurando-a pelos pulsos. A beijou na testa repetidas vezes – Por favor. Não faz isso. Fica com ele. Nós não vamos terminar. Eu me recuso a me separar de você! Pensa o tempo que precisar, mas por favor, por favor... – murmurou com um nó na garganta – Volta pra casa... pega os meninos e volta comigo pra casa, eu faço qualquer coisa, Alhena. Vocês são a minha vida, por favor... não faz isso comigo... por favor. Por favor... eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa. É só me pedir. Só não sai da minha vida. – estava tão aterrorizado que nem se preocupou em não chorar.

—Você transou comigo, mais de uma vez, depois de ter transado com ela... sabe o quão suja eu me sinto?

—Me perdoe, pelo amor de Merlin. – chorou desesperado a abraçando desesperado.

—Você me traiu, Damian e não me contou. Depois de tudo o que aconteceu com o Draco e com o Rasalas... você simplesmente continuou me fazendo de idiota... e se aproveitou de mim...

—Eu fiquei com medo. Eu fui covarde. Me perdoa, por favor... – ele se afastou para segurá-la no rosto e olhá-la nos olhos – Eu te amo, Alhena... eu te amo tanto... eu só... eu errei. Eu fiz errado, mas nunca mais vai se repetir. Eu prometo. Eu juro!

—E como eu posso confiar em você depois disso? Você mentiu pra mim, Damian. Mentiu. Você me enganou e me usou. E ainda tentou minar minha amizade com Astoria. Tem noção do tanto que isso foi escroto?

—Eu estava desesperado!

—Você planejou, Damian. Você planejou como me enrolar. Céus. Você ameaçou a Astoria.

—Ela me ameaçou primeiro!

—Porque ela queria que você me contasse a verdade! – disse ela se desvencilhando dele – Mas você planejou e esquematizou. Queria que eu perdesse a confiança nela. Queria que eu deixasse de ser amiga dela. Pra encobrir o seus podres. E no final, eu tive que descobrir por outras pessoas o que você fez. Sabe o quanto eu me senti idiota escutando Clover falar o quanto você é bom de cama? Ou quando Astoria me falou que você não era digno de confiança, porque você tinha me traído. E eu ainda defendi você dela! Falei que você nunca faria isso... eu te defendi, porque eu fui tão idiota... – ela jogou a aliança no chão e Damian sentiu que seu mundo estava prestes a ruir. – Que eu me recusei a ver que você tinha mentido pra mim. O jantar. O vestido... foi tudo um planinho para me agradar, pra compensar...

—Mas eu não quis transar com ela. – disse desesperado – Eu só... só não sabia como contar... achei que fosse melhor você não saber... entende? – perguntou tentando sorrir, desesperado. Ela precisava entender. As bochechas estavam molhadas e ele sentia as pesadas lágrimas caírem por seu queixo – Pra quê te contar se... se não significou nada? Se foi só um acidente!

Alhena o olhou com censura e deu as costas pra ele.

—Eu não vou nem me dignar a responder isso. Vá embora.

—Lena... por favor. Reconsidere... – pediu desesperado, ficando de joelhos – Olhe pra mim. Olhe pra mim. Eu estou implorando, Alhena. Não me deixe, por favor. Não me deixe. Só não me deixe, por favor... – chorou desesperado abraçado a ela, ainda de joelhos. Mas Alhena se desvencilhou.

—Você vai passar aqui amanhã pra pegar as crianças? – perguntou Alhena com o rosto duro como marfim. – Ou quer levar elas ainda hoje? Porque elas já dormiram.

—Não, Lena. Volta pra casa comigo. A gente conversa melhor lá. Vamos... vamos... não me deixe por favor...

—Eu já deixei, Damian. E sinceramente... eu não me imagino voltando. Não depois disso.

—Mas, Lena! Eu não quis! – disse desesperado.

—FODA-SE SE NÃO QUIS! – gritou ela perdendo o controle pela primeira vez e o olhando parecendo irada. – Você escondeu isso de mim. Você mentiu pra mim. Você armou contra Astoria pra fazer com que eu não confiasse nela! E você transou comigo logo depois de transar com essa mulher, achando que fosse a coisa mais natural do mundo.

—Não... não... Lena... por favor.

—Vai embora, Damian, ou eu vou chamar Draco pra te tirar daqui.

—Volte pra casa comigo, Lena. A gente conversa amanhã... quando a cabeça esfriar, ok? A gente... a gente conversa amanhã...

—Nós não vamos conversar amanhã e nem depois de amanhã. Eu não sei quando nós vamos conversar. – rosnou ela o olhando com desprezo – E no papel eu ainda posso ser sua esposa, mas saiba que a partir desse momento, agora... eu me considero solteira. Assim como você. Sinta-se livre pra se esfregar na vadia que desejar. Boa noite, Burke.

Ela se virou para sair.

—Estrelinha, por favor...

Mas ela não se virou. Ela subiu as escadas e foi embora.

Damian respirou fundo, ainda de joelhos no chão e então desmoronou de uma vez. Chorou desesperado e socou o chão repetidas vezes. Só parou quando Draco apareceu e colocou a mão em seu ombro.

—Eu sinto muito, Damian... mas você precisa ir embora. – murmurou Draco.

—Eu a amo, Draco. Eu a amo demais... ela é meu mundo... e ela me deixou... ela me deixou... ela me deixou... – chorou desesperado, balançando pra frente e para trás – Merlin... o que eu fiz... o que eu fiz? Eu perdi a Lena, Draco. Eu pedi a minha mulher... eu perdi...

Draco se ajoelhou ao seu lado e passou o braço por seus ombros.

—Eu te entendo... eu acabei de perder a minha também... mas foi ela quem agiu pelas minhas costas, Damian e acredite... não é nada bom.

—Mas eu não quis transar com aquela mulher! Foi um acidente...

—Mas será que você é idiota? – perguntou Draco – Se você tivesse chegado em casa e se explicado e pedido desculpas... ela teria ficado zangada e chateada? Claro. Mas ia passar. Ela ia entender e vocês estariam bem. Mas você armou contra ela, cara. Você mentiu. Você manipulou... e fez isso com a sua própria esposa. Tem noção do quão canalha você foi?

—Eu estava com medo! Será que ninguém me entende? – perguntou desesperado.

—Eu sei o que é fazer merda por conta de medo, Damian. Mas isso não te absolve. Isso te transforma num moleque e a Lena não quer um moleque. Ela quer um homem. E você não foi isso. Você foi um garoto assustado e colocou todo o seu casamento a perder... e ainda envolveu minha esposa nisso... sabe o quanto eu quero te socar agora?

Não conseguiu nem responder. Talvez merecesse o soco. Arfou e voltou a chorar, mas Draco o fez se levantar e andar.

—Fala com ela, Draco. Você é amigo dela... faz ela voltar pra casa... por favor... por favor.

Mas Draco apenas jogou flu na lareira e falou o seu endereço.

—Alhena já está em casa. – respondeu o loiro antes de jogá-lo no fogo.

***

Rasalas estava sentado em sua mesa, quando Pansy colocou uma caneca com chocolate quente fumegante ao seu lado.

—Tome. Você precisa.

—Você está tentando me seduzir? – perguntou ele a olhando de soslaio.

—Sim. Chocolate quente é minha arma secreta. – riu ela se sentando na mesa e cruzando as pernas – Como foi? Conversou com Daphne? Acho que não. Ainda tá com cara de enterro...

Rasalas soltou um suspiro e pegou a caneca.

—Alhena descobriu que o Damian estava traindo ela.

—O QUE? – perguntou Pansy, chocada.

—Pois é. – resmungou Rasalas provando do chocolate quente.

—Mas será que vocês não sabem ficar numa boa? É sempre um problema! – ralhou Pansy – O que Damian tem na cabeça?

—Merda. – resmungou Rasalas – Ele é meu melhor amigo... mas eu não sei como agir... ele traiu a minha irmã... – soltou um suspiro – Alhena estava completamente destruída no sábado. Foi horrível...

—E você pretende fazer alguma coisa?

—Me controlar pra não quebrar a cara de pau do Damian. É o que eu posso fazer. Não vou me meter nisso. – Rasalas se levantou e soltou um suspiro – Eu já tenho os meus próprios problemas. – Rasalas suspirou e tirou os pergaminhos que Alhena tinha lhe mandado do bolso – Nossos dois invasores de cofre. Conhece? – perguntou mostrando os pergaminhos para Pansy. Ela os estudou por alguns segundos e suspirou.

—A mulher. Dido Shafiq. – respondeu ela – O cara eu nunca vi.

—E o que você sabe sobre essa Dido Shafiq?

—Que ela trabalha na Suprema Corte dos Bruxos. – resmungou ela – Ela é alto escalão, Rasalas. Nada comparado ao que a gente encontrou até agora... melhor avisarmos os aurores... ou ao menos Shacklebolt.

—Nós não temos nada concreto, Lena. Adivinhação é um dom impreciso. Não poderemos prendê-los com base em uma visão da Lena.

—Não acha arriscado para nós ficar correndo ainda mais atrás disso? – perguntou Pansy – Quero dizer... nós não recebemos pra isso, sabe?

—Sei. Eu sei... mas eu quero ao menos saber quem é esse cara.

—Hum... – murmurou Pansy bebendo seu chocolate – Nós podíamos... talvez... – ela caminhou até a mesa e procurou alguns documentos. Demorou quase um minuto até que encontrasse o que procurava – Aqui... olhe. – disse ela lhe entregando um documento.

Era sobre um baile para arrecadar fundos para os órfãos de guerra.

—Quer dar uma festa? Aqui no Ministério? – perguntou Rasalas – Por que?

—Porque assim poderemos descobrir quem é esse cara e então poderemos pedir a investigação do cofre dele.

—Eu acho que não vai adiantar pedir para investigarem o cofre dele... pelo que Alhena disse, conseguiram subornar os duendes.

Pansy praguejou baixinho.

—Então... nada de festa? – perguntou ela olhando o documento. Rasalas sorriu divertido.

—Bem... acho que as crianças realmente precisam desse baile. – riu Rasalas pegando a varinha e assinando o documento – E eu quero um nome pra esse cara. Venha com um vestido bonito caso ele seja solteiro, heim?

—Depende. Você vai seduzir Dido?

Rasalas a olhou com um sorrisinho.

—Bem. Eu e Daphne estamos dando um tempo, então eu meio que estou solteiro... e eu sempre quis traçar uma mulher mais velha, também. – não estava falando aquilo gratuitamente. Era apenas um teste. Um teste para ver como Pansy iria reagir, mas ela fez como ele imaginou que ela faria. Ela revirou os olhos e o olhou zangada.

—Cresça, Rasalas. Vai botar em risco a relação com a mulher da sua vida por conta de uma mulher desconhecida? Por uma foda? Dá até pra defender os chiliques da Daphne depois dessa! – ralhou ela. Pansy estava para se virar, quando ele a segurou pelo pulso e a puxou pra mais perto. Muito perto. Sorriu pra ela e a abraçou sabendo que não estava errado sobre Pansy. Ela realmente era uma pessoa confiável e não o monstro que Daphne, Alhena, Draco e Damian viviam falando que ela era.

—Eu sabia que ia falar isso, sua bobona.

Sentiu os braços dela o envolverem num abraço também.

—Estava me testando, não é?

—Eu devo isso à Daphne, eu acho. – murmurou Rasalas.

—Ok. – murmurou ela o abraçando com força. Ficaram abraçados por mais alguns segundos, afinal ele estava meio carente, sentindo falta de Daphne. Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro de perfume de Pansy. Ela soltou um suspiro e se aconchegou mais no peito dele, o acariciando nas costas – Eu não sabia que um abraço podia ser tão gostoso...

—É verdade, não é? – perguntou um pouco mais confortável.

—Estou atrapalhando? – perguntou uma voz vinda da porta. Rasalas não soltou Pansy, pois saberia que isso o faria parecer culpado, mas ela tentou soltá-lo. Ele olhou para Daphne, que estava de braços cruzados na porta, o olhando magoada – Devo voltar mais tarde, ou qualquer coisa assim?

Rasalas suspirou e largou Pansy, que estava corada, olhando dele para Daphne, parecendo simplesmente preocupada.

—Daphne, foi só um abraço.

—Uhum... um bem comprido e gostoso, não é? – perguntou ela.

—É. – resmungou Rasalas sentindo o sangue ferver. Há tempos não ficava zangado daquele jeito – Foi um ótimo abraço. Estou sentindo falta de calor humano, ainda mais depois que você me expulsou de casa!

Escutou Pansy bater na própria testa.

—Ah... entendi... – riu Daphne – E então foi procurar calor humano com ela.

—É. A gente está fodendo. É isso que você quer ouvir? – perguntou zangado. Ela o olhou chocada.

—Como é? – perguntou Pansy, lá de trás.

—Sim. Eu e a Pansy estamos fodendo. O dia inteiro. – ele apontou para dentro da sala – Normalmente em cima daquela mesa, com os aviões de papel batendo na minha cabeça, porque a gente acha excitante o risco de sermos flagrados pelo Ministro da Magia, sabe? Então estamos transando desde o primeiro momento que começamos a trabalhar juntos e depois, como eu sou um grande canalha, eu ia pra casa e fodia você. Porque eu não presto. Eu sou um filho da puta egoísta que nunca se importou com ninguém além de mim mesmo. E não se preocupe, Daphne. Eu só estou zangado agora porque você interrompeu o que iria ser uma excelente foda e porque você me tirou de casa. Eu não sinto a sua falta. Agora vá embora que eu tenho trabalho pra fazer. Vou ter que comprar outra casa agora, não é? Por que não aproveita e leva o Blair pra transar com ele na nossa cama? Não seria a primeira vez, não é?

Daphne tentou estapeá-lo, mas ele a segurou no pulso. Ela tentou se soltar, mas ele não largou. Se olharam furiosos por alguns segundos, sem cortar o contato visual.

—Me larga.

—O que foi, Daphne? Eu só falei o que você queria ouvir. Ou não era isso que você queria que eu falasse? Porque quando eu falei que nunca tinha te traído e que nunca te trairia, e quando eu disse que eu te amava e que você era a mulher da minha vida... – ele negou com a cabeça, com um sorriso furioso no rosto – Não adiantou muito, não é?

-Rasalas... pega leve... – murmurou Pansy lá atrás.

—Não se meta. – rosnou olhando a amiga, que cruzou os braços, desviando o olhar.

—Ok...

—Vá embora, Daphne. – disse Rasalas – Porque eu não estou disposto a conversar com você sobre qualquer coisa que seja. E pelo que eu me lembro, eu não devo olhar na sua cara. Eu devo me esconder debaixo da saia da minha mamãe, não era isso? – Ele soltou a esposa, que o olhou magoada. Ela se virou e estava prestes a ir embora, quando ele falou. – Eu vou buscar o resto das minhas coisas hoje à noite. A casa é toda sua, Greengrass.

—Rasalas. Você está exagerando. – disse Pansy, aflita. Daphne não olhou para trás. Apenas sibilou.

—Como quiser, Sr. Lestrange.

Ela saiu andando e Rasalas voltou pra dentro do escritório, batendo a porta.

—Como não fazer as pazes com a esposa. Um guia prático com Rasalas Lestrange. – debochou Pansy. Ele socou a parede, furioso.

—Ela não confia em mim. Depois de tudo. Ela não confia em mim. – rosnou ele, magoado.

Pansy soltou um suspiro e deu uns tapinhas na mesa em que estava sentada.

—Rasalas, meu amor. Senta aqui pra tia bater um papinho com você. – brincou ela daquele jeito todo dela. Rasalas soltou um muxoxo e se sentou na mesa, amuado. – Sabe quantas mulheres iriam tratar o seu problema lupino com tanto amor e gentileza quanto Daphne? – sentiu um frio lhe subir a espinha – No início, quando você ainda não tinha aprendido a se controlar, Daphne ficava completamente roxa com o modo como você a apertava. Você a machucava e a assustava, mas ela sempre era apenas sorrisos pra você. Porque ela sabia que você não fazia de propósito. Emilia ficava horrorizada e perguntava: Ele está te batendo? Olha só isso! Como você deixa ele fazer isso? – Pansy soltou um suspiro – Eu não sabia que você era um lobisomem, então eu ficava meio chocada, sabe. Mas eu te garanto que, mesmo se eu soubesse do seu problema, mesmo eu... – ela soltou um suspiro – Eu não sei se conseguiria ficar com você sem nem mesmo pedir um tempo pra me acostumar com a ideia. Daphne simplesmente não saiu do seu lado em momento algum. Você deveria dar mais crédito ao esforço que ela fez. Você admitiu ser um lobisomem pra escola inteira. Daphne ficou tão mal vista como você e ela nunca se importou com isso. Ela estava simplesmente feliz porque estava com você.

—Chega, Pansy. Por favor. – murmurou triste. Ele suspirou se sentindo um bosta – Eu faço isso quando estou zangado, eu falo merda. – resmungou cruzando os braços.

—É... mas Daphne não é a sua irmã, que está com você desde que você nasceu, nem a sua mãe, que sempre vai te amar infinitamente, independentemente de qualquer coisa. Ela é sua esposa e ela pode realmente desistir de você se você não tratá-la direito. Então deixa eu te falar. Escuta a voz da sabedoria aqui, ok? Pelo menos você ainda escuta. – riu ela o afagando nos cabelos – Quando você for pra casa hoje, você vai todo bonito, cheiroso e arrumado, com a maior cara de cão sem dono do mundo...

—Foi um trocadilho planejado?

—Não. Saiu sem querer... Rasalas, o ponto não é esse! – ralhou Pansy e os dois começaram a rir – Você vai pedir desculpas e falar que somos apenas amigos, que eu nunca dei em cima de você e que eu não te dou permissão pra contar o nosso segredo, porque eu simplesmente não gosto mais dela. – disse Pansy – E pode falar que nós fizemos um voto perpétuo se quiser...

—Não quero mentir pra Daphne. O motivo é simplesmente eu ter palavra, Pansy. E ela melhor do que ninguém deveria saber disso.

—Sua esposa está assustada, Rasalas. Ela com certeza sabe que o Damian traiu a Alhena. Agora descobre que a gente está trabalhando junto há mais de mês e você manteve isso em segredo... ela está preocupada. Assustada, com medo. Afinal... – Pansy sorriu balançando a cabeça, fazendo os cabelos no rabo de cavalo irem de um lado para o outro – Eu sou uma delícia, fala sério.

Rasalas piscou e sem conseguir evitar olhou para os fartos seios dela, concordando com um aceno de cabeça.

—Uhum... – murmurou meio distraído com o decote dela.

—Rasalas! Você está secando meus peitos!

—Hum? – ele a olhou e corou com fúria, saindo de cima da mesa dela e indo para a própria – Desculpe. Foi um ato falho. – murmurou envergonhado.

Pansy pareceu constrangida e se sentou em sua própria cadeira, voltando a ler os relatórios.

****

Damian estava na loja, trabalhando nos fundos, porque era impossível pra ele sorrir. Estava conferindo um carregamento de veneno de acromântulas que tinha chegado quando escutou passos. Imaginou que era Helena e não se deu ao trabalho de olhar. Soltou um suspiro triste e continuou com a contabilidade.

—Ei. – era Blair. Se virou e olhou o amigo – Draco me contou o que houve. Eu vim ver como você está...

—Estou numa merda. – resmungou terminando de conferir a entrega – Está tudo ok, senhor Anguis. – murmurou para a cabeça na lareira – Mandarei nosso elfo fazer o pagamento imediatamente. Fechamos em cem mil galeões, certo?

—Isso mesmo. É sempre um prazer fazer negócios com você, Sr. Burke.

—O prazer é meu. Pig! – disse chamando o elfo da loja, que apareceu imediatamente – Aqui está a transação.

—Sim, mestre Damian.

O elfo desaparatou e Damian soltou outro suspiro, caminhando pela loja.

—E então... você quer me contar a sua versão dos fatos?

—Eu transei com Clover Burton. – resmungou ele – Por conta de uns Sinos de Baco que eu deixei cair no chão. Não um. Um monte. A gente passou a tarde inteira transando e eu não tive coragem de contar pra Alhena, mas ela descobriu. Foi isso. – Damian se sentou no sofá – Então ela foi embora e levou nossos filhos com ela. Eu deveria ter ido passar o dia com eles ontem, mas estava tão deprimido que não consegui sair da cama. Só levantei hoje porque meu pai foi atrás de mim pra saber o motivo de eu estar atrasado. Então ele notou que Alhena e as crianças não estavam lá e me deu o dia de folga.

—O que está fazendo aqui, então?

—Porque eu iria me enforcar se ficasse em casa sem ocupar a cabeça. – respondeu simplesmente – Mas bem... aqui tem veneno de acromântula de sobra, sabe?

—Se quer se envenenar, Damian, vamos encher a cara hoje. Eu e você. Como nos bons e velhos tempos de Hogwarts. Podemos até chamar o Draco e o Rasalas que também estão na fossa...

—Rasalas me mata se botar o olho em mim. Ele é o irmão super protetor da Alhena, lembra? – perguntou amuado.

—Ok... e o Draco?

—Eu não sei... Draco e Lena são super amigos também. Eu não acho que ele vai querer beber comigo.

—Bem. Não custa tentar... mas estamos combinados? Nós dois? Bloody Mary? A gente se encontra lá quando você fechar a loja.

Damian soltou um suspiro e concordou dando de ombros.

O dia passou num marasmo sem fim, por mais que tivesse muitas coisas pra fazer, muitos artigos pra avaliar, maldições pra desfazer, artefatos pra datar, coisas pra testar e poções pra fazer. No final do dia estava realmente precisando de uma bebida, então pegou o casaco, o chapéu e se despediu da prima para ir até o Bloody Mary.

Ao chegar notou que Draco realmente tinha vindo. E ele parecia completamente destruído. Damian se sentou com os dois amigos e notou que Draco estava parecendo tão na fossa quanto ele.

—Olá. – murmurou.

—Oi. – murmurou Draco. Ele soltou um suspiro – Eu fui no Ministério pegar os papéis, mas assim que cheguei na seção eu... eu simplesmente voltei pra casa. Eu não consegui... eu não quero me divorciar da Astoria...

—Então não se divorcie, oras. – resmungou Blair.

—Mas... ela não quer ter filhos! Eu sou o único Malfoy da minha geração. Meu pai não vai mais ter filhos. Se eu não tiver um herdeiro, a família morre! – explicou ele.

Blair fez uma careta.

—É... Astoria deveria saber que ela teria a pressão de te dar um herdeiro... – murmurou Blair.

—É. Ela deveria saber. Mas não sabe. E ela tentou comprar uma poção pra ficar infértil. Pelas minhas costas! – ele bebeu um grande copo de whisky de fogo de uma só vez e o bateu na mesa com força quando ele ficou vazio – E eu já tinha passado horas com ela no Mungus por ela tentar fazer isso antes e ter dado errado. Ela não tem a menor consideração por mim.

—Gente... – começou Blair.

—A menor consideração? Alhena foi embora de casa e levou meus filhos sem nem deixar que eu me despedisse deles! – ralhou Damian – E ignorou tudo o que eu fiz por ela a semana inteira!

—Pessoal... – veio Blair de novo.

—Astoria quebrou metade da mobília e ainda me machucou no processo. Eu fiquei com um puta galo na testa por conta dela! – rosnou Draco.

—É, mas... – começou Blair.

—E Alhena foi morar com você! – ralhou Damian. Blair estava para falar alguma coisa, mas Draco disse primeiro.

—E qual o problema? Nós somos amigos.

—Vocês transaram antes da gente voltar. – ralhou Damian. Draco corou furiosamente.

—Ela te contou isso? – perguntou ele em choque.

—Contou.

—Bem... pelo menos ela não guarda segredinhos sujos de você, não é? Ela é honesta.

—Honesta? – perguntou Damian, zangado – Ela confessou uma das escapulidas dela. Ela não perdeu a virgindade comigo. Foi com você, não foi?

—Você tirou a virgindade da Astoria. Do que está falando? – perguntou Draco, zangado.

—Vocês nunca tinham tido nada! – ralhou Damian – Eu tenho rolo com a Alhena desde o nosso terceiro ano!

—Calem a boca, cacete! – rosnou Blair – Eu não chamei vocês aqui pra lavarem a roupa suja, ok? Eu não quero saber quem vocês foderam, ou quem fodeu a mulher de quem e nem quero saber se vocês chifraram ou se levaram chifre. Vocês estão solteiros agora e eu quero beber e me divertir com os meus amigos que foram estúpidos para se casar prematuramente. Será que eu posso? – perguntou ele zangado.

Draco e Damian se encararam por um momento e deram de ombros.

—Ok. Não vamos ficar uns contra os outros. – murmurou Draco – Bro Code. (n.a. — algo como: código dos manos, dos amigos)

—É. – concordou Damian aceitando um copo de whisky que Blair lhe oferecia. – Não vamos falar das nossas esposas. Vamos apenas... beber e relaxar. Eu preciso disso.

—Você ainda faz essas piadinhas sobre o Bro Code, Draco? – riu Blair e Draco o olhou parecendo ofendido.

—Piadinhas? – ele deu um tapa na mesa – O Bro Code não é piada! Ele é um livro sério, um manual a ser seguido para que o mundo de amigos funcione de maneira que...

—Você comeu a ex-namorada do seu amigo e irmã de outro amigo. – cortou Damian – Você quebrou o Bro Code.

—Eu quebrei o Bro Code. – lamentou Draco deitando a cabeça nos braços – Mas eu não fui o único. Blair quebrou com Daphne e você quebrou com Pansy. E isso causou problemas pra todos. É por isso que eu escrevi o Bro Code, e encadernei. Eu iria dar para meu filho, quando ele estivesse com idade pra compreender a importância e profundidade de uma relação entre Bros... mas Astoria arruinou isso... – Draco soltou um suspiro triste e depois sorriu animado, levantando o copo, num brinde, como se nada o tivesse abalado – Talvez eu dê para Póllux e Castor quando eles crescerem. Eles serão o futuro do Bro Code...

—Isso mesmo. Isso mesmo. – riu Blair – Olha só. O quarto solteiro está chegando.

Damian sentiu um frio lhe percorrer a espinha e se virou. Rasalas se sentou na última cadeira vazia.

—Enche o copo, Blair. Sem gelo. – resmungou Rasalas.

—Claro. – riu Blair e Damian desviou o olhar, sem saber o que falar.

—Damian, eu vou só falar... – começou Rasalas.

—Nós prometemos deixar as diferenças de lado aqui, Rasalas. Somos todos amigos. – disse Draco.

—Eu imagino, mas eu tenho que falar. – resmungou Rasalas e Damian o olhou sem jeito. – Escuta aqui. Nesse momento eu não sou o seu amigo. Eu sou o irmão da Alhena. E você é um cretino, filho da puta, e eu quero estripar você inteiro, seu babaca escroto.

—Eu imagino... – murmurou Damian.

—Mas como seu amigo... – Rasalas suspirou e colocou a mão em seu ombro. – Eu realmente sinto muito. Eu sei como se sente... de alguma maneira...

Damian sorriu e deu uns tapinhas nas costas do rapaz.

—Agora você já é o nosso amigo Rasalas, né? – perguntou Draco.

—É... eu só queria passar uma mensagem. – riu Rasalas.

—Ok. O irmão da Alhena acabou de passar aqui. Que cara esquisito. Ele chegou, pediu bebida e começou a falar de estripar... cruzes. – riu Draco, arrancando risadinhas de todos.

—Obrigado, Rasalas. Eu sinto muito por você e por Daphne... – murmurou Damian.

—É... eu também. – respondeu Rasalas – Acho que eu me casei muito cedo.

—Todos nós. – resmungou Draco – Onde estávamos com a cabeça? – perguntou ele virando mais um copo de whisky, para enchê-lo de novo. Blair chamou a garçonete e pediu mais uma garrafa – Hidromel! Hidromel! – gritou Draco – Quero dizer... eu praticamente esperei ela terminar a escola e então nos casamos. E eu não pedi pra ela fazer os testes padrões. Eu precisava saber se ela era fértil antes. E ela não é. Que tipo de demente casa com uma mulher sem saber se ela pode engravidar?

—Bem... essa era uma dúvida que eu não tinha. – resmungou Damian.

—Você foi descuidado. – murmurou Blair.

—Não fui. Eu só não imaginei que ela iria ganhar resistência ao chá de lua depois da azaração que Rasalas deu nela. Mas nós só descobrimos isso quando ela já estava grávida e o curandeiro viu a mancha esverdeada na perna dela.

—Pobre Lena... nunca vai se livrar daquelas manchas. – murmurou Rasalas.

—Melhor do que estar morta. – riu Blair.

—Eu não vejo problema. A Alhena ainda tem as pernas bonitas. – disse Draco – Eu queria que a Astoria fosse mais encorpadinha. Ela é magra demais. – resmungou ele.

—Eu gosto das magrinhas... – suspirou Rasalas bebendo seu whisky – Apesar de...

Todos olharam para ele e ele fez uma careta.

—O que? – perguntou Draco.

Rasalas virou seu whisky e se serviu com o Hidromel que a garçonete tinha trazido.

—Eu passei a tarde reparando na Pansy hoje...

—Ah, não. Isso não! – ralhou Draco – Não acredito nisso, Rasalas! Pansy não presta!

—Ela presta sim! – resmungou Rasalas – Ela está me dando a maior força. Se ela souber que eu estou aqui no lugar de ir lá me resolver com a Daphne...

—Acredite. Pansy nunca é bem intencionada. – resmungou Damian que nunca se esqueceria da poção do amor que ele tinha certeza que era obra dela.

—Vocês não conhecem a Pansy como eu.

—Eu conheço a Pansy como você, Rasalas. Todo mundo do nosso ano conheceu. O Damian então... repetidas vezes. – riu Draco.

—Não é disso que eu estou falando. Ela é super legal, super competente. Uma amiga muito leal. Com excelentes conselhos. Eu só não tenho gana de seguir... porque eu estou envergonhado e não quero olhar na cara da Daphne...

—Por que? – perguntou Damian.

—Gente... a gente tinha combinado que não iríamos ficar falando sobre isso. Por que não bebemos todas no lugar de ficar chorando por dor de cotovelo? – perguntou ele, zangado.

*****

Estava trocando a fralda de Póllux, na casa de Daphne. Astoria estava lá, bastante deprimida, assistindo a um filme na televisão. Levando em consideração o clima em que estavam, obviamente era um filme de comédia romântica e Daphne e Astoria estavam fungando e chorando.

Mas ela não tinha chorado ainda e nem pretendia.

Alhena beijou a cabeça do filho e suspirou o abraçando com carinho. Castor estava dormindo, chupando o dedo e ela não podia deixar de notar o quanto eles pareciam com Damian. Os cabelos escuros, os olhos claros, a sobrancelha... não via nada de si mesma neles, apesar de sua mãe insistir que tinham o mesmo nariz.

Colocou Póllux no colo e foi dar a mamadeira pra ele, já que Damian tinha insistido em desmamar os dois, provavelmente porque ele sentia vontade de voltar a brincar com seus seios. Nunca devia ter cedido a esse pedido. Sempre dissera que amamentaria até que os dois completassem dois anos, mas com um ano e pouquinho já não os amamentava mais. E seu leite já tinha secado e não havia nada que pudesse fazer.

Se sentou ao lado de Daphne e voltou a assistir o filme, escutando as amigas fungarem enquanto tomavam sorvete de vanilla. Soltou outro suspiro se perguntando como Damian estaria, mas logo se repreendeu. Não pensaria nele. Não mesmo.

Continuaram em silêncio, até que o bebê caiu no sono. O colocou no cercadinho no quarto ao lado, junto do irmão e sorriu maternalmente para seus dois anjinhos que dormiam calmamente chupando o dedinho. Se perguntava como que Damian tinha tido a coragem de não ir vê-los... talvez estivesse deprimido demais pra isso. Não acreditava no que Astoria tinha dito, sobre estar aproveitando a recém solteirice.

Voltou para a sala e respirou fundo brandindo a varinha.

—Hidromel? – perguntou Daphne.

—Não bebo desde que engravidei. – resmungou tirando a tampa e dando um gole direto do gargalo.

—Eu ainda não acredito que seu irmão me deu um bolo. Ele disse que viria catar as coisas dele, sabe? – perguntou Daphne, esticando a mão para pegar a garrafa.

—Talvez ele não tenha dado conta. – murmurou Alhena – Parece tão definitivo fazer isso... tirar suas coisas daqui pra...

—Por que foi pra casa do Draco, Alhena? – perguntou Astoria. Alhena a olhou surpresa – Por que não foi pra casa da sua mãe?

—A casa já está cheia lá. Meus avós, meus pais, meus irmãos, o Rasalas, inclusive... ai teria que espremer mais eu, Póllux e Castor. – Alhena suspirou – Eu nem vejo Draco direito se quer saber. Eu trabalho o dia inteiro e quando eu volto pra Mansão, ele está trancado no escritório dele. Quando ele sai de lá, eu já fui dormir.

—Draco está se dedicando à alquimia... – murmurou Astoria – Ele é muito bom nisso, diga-se de passagem...

—Não se preocupe. Eu e Draco não estamos afogando as mágoas um com o outro. Eu faço isso com vocês. – murmurou se deitando no colo de Astoria, que sorriu timidamente.

—Desculpe a pergunta... é só que... bem... – ela soltou um suspiro – Eu posso estar me divorciando dele, mas... – Alhena sentiu os dedos da amiga lhe acariciarem os cabelos – Não é como se eu pudesse esquecer Draco Malfoy de um dia para o outro.

—Eu quero foder. – resmungou Daphne. Alhena e Astoria sorriram olhando pra ela – Vou comprar um vibrador trouxa. Igual ao daquele outro filme que a gente assistiu.

—Será que é bom? – perguntou Astoria, sorrindo – Eu estou sentindo falta também... eu e Draco estávamos em crise, por conta dos abortos... e então começamos a brigar... – ela suspirou – Já faz uns dois meses que eu não sei o que é sexo...

—O que? – perguntou Daphne, em choque – Eu piro se fico tudo isso sem sexo. E você, Alhena? – perguntou ela.

Alhena suspirou.

—Eu transei com o Damian no dia em que eu saí de casa... – murmurou tristemente – Duas vezes, diga-se de passagem...

—Ai, que horror... ele transou com aquela mulher e depois transou com você? – perguntou Astoria. Alhena concordou e pegou a garrafa novamente.

—Yep... – murmurou dando um belo gole.

—Você deveria transar com outro cara. – riu Daphne.

—Esse é o pior conselho que você poderia dar, Daph. – riu Astoria.

—Eu me senti muito bem quando fiquei com Blair depois que descobri que Rasalas estava com Granger, quando me deu todas as dicas de que gostava de mim. – riu ela – Rendeu até um namoro. De um ano, diga-se de passagem.

—Recheado de crises de insegurança e ciúmes da sua parte. – ralhou Astoria.

—Como não ter. Já viu como Blair é?

—Hum... fui casada com Draco Malfoy?

—Eu sou a corna, lembra? – resmungou cruzando os braços.

—É. Mas eu acho que Draco já deu suas puladas de cerca também. – disse Astoria – Depois que eu perdi o primeiro bebê... – adicionou ela – Ele ficou bem distante e voltava muito tarde pra casa, da rua... eu acho que ele arrumou um caso, mas eu estava tão ruim que...

—Que aceitou? Que absurdo, Astoria! – ralhou Daphne.

—No dia em que você perder um bebê você vai entender. É traumático.

—É... traumas nos fazem fazer coisas imbecis... eu sei como é. – murmurou se referindo a ir procurar Pierre nas estufas e deixar Damian preso, por achar que conseguiria lidar com o francês sozinho.

As três suspiraram e olharam a televisão, tristemente.

—Não! Chega! – ralhou Daphne pegando a varinha e desligando a televisão. Depois ela se levantou e olhou pra elas – Nós vamos nos arrumar e sair. Nos divertir. Não vamos necessariamente nos agarrar com o primeiro que aparecer. Vamos sair pra ouvir boa música, ver uns homens bonitos e receber algumas cantadas. Nós somos lindas, independentes e jovens! Vamos! Levantem, levantem.

—Mas Daph... e meus filhos! Eu não posso sair e deixar eles ai!

—Eu tenho dois elfos que podem muito bem cuidar dos dois. Ainda mais porque eles já mamaram, já dormiram e eles costumam dormir a noite toda, não é?

—É, mas... – murmurou olhando culpada pra porta.

—Escuta! Você já dedicou tudo de si pra eles. Eles não vão se importar se dedicar uma noite pra si mesma, ok? Vamos lá. Na Salvage, pegar os vestidos mais bonitos e ir pra alguma boate trouxa, beber todas, dançar a noite toda e nos divertir. Porque nós merecemos!

—Eu concordo com a minha irmã. – riu Astoria se levantando e se esticando toda – Menos com a parte de ir pra uma boate trouxa... Por que não vamos num estabelecimento bruxo?

—Porque podemos encontrar nossos maridos lá. E eu não estou com vontade de ver meu futuro ex-marido recebendo uma dança de Pansy Parkinson, obrigada. – resmungou Daphne.

—Você sabe que ele não está com ela, não sabe? – perguntou Alhena. Daphne soltou um suspiro e a olhou triste.

—Eu... eu pensava que não, mas... mas depois de hoje, Lena. Eu não sei mais... seu irmão falou umas coisas horríveis pra mim, marcou de vir aqui, eu imaginei que poderíamos tentar nos acertar... mas ele simplesmente não veio e não deu nenhuma justificativa... eu não faço ideia do que ele pode estar fazendo agora e sinceramente eu estou com medo de descobrir.

Alhena olhou para a amiga com empatia e a abraçou. Daphne a abraçou de volta, mas logo as duas se separaram.

—Bem... o que estamos esperando? Vamos lá. – disse com um sorriso nervoso no rosto. Não se lembrava mais como era ser solteira.

Notas finais
Rasalas! Pare de secar os peitos da Pansy! E então? Estão gostando??? =D O Bro Code... Ele ainda vai aparecer aqui novamente ahsuahsuashu xD Comentem, ok? Quero muito postar o próximo capítulo!!!! xD Mas só com seis comentários agora!