Legado Lestrange II - Legacy
61 Team Work
Notas iniciais
Capítulo 61
Estava sentado no chão. Sua irmã estava deitada com a cabeça apoiada em seu colo, o olhar vazio e distante. Rigel soltou um suspiro a acariciando nos cabelos dourados, que começavam a ficar cheios de fios brancos... ele mesmo tinha ganhado alguns.
—O que pretende fazer quando sair daqui? – perguntou sonhadoramente, a acariciando nos cabelos, mas Alhena apenas suspirou – Eu pensei muito nisso... eu vou parar de correr atrás da Vick... vou falar pro Ted que eu o odeio e deixar de ser falso com ele... vou parar de vagabundear por ai... ou ao menos diminuir minhas gandaias... – soltou um suspiro – Vou parar de inventar desculpas todas as vezes que a mamãe me chamar para um almoço ou jantar... o mesmo vale pra quando o papai me chamar pra assistir alguma partida de Quadribol... – soltou um suspiro – Eu evito muito os dois, sabe? Sempre foi um saco viver à sombra do Rasalas... você já se sentiu assim alguma vez, mana? – perguntou a acariciando no rosto, mas ela não respondeu, olhando para o nada – Como se... como se nada que fizesse fosse chegar aos pés das coisas que ele faz? Papai sempre fazia as comparações... como Rasalas puxou o lado guerreiro dele... como ele era um bom duelista. Como ele era bom no quadribol. Como ele era inteligente... como ele conseguiu uma boa esposa, teve três filhos... como ele conseguiu aquele emprego dele, mesmo sendo um lobisomem... cacete. Eu me tornei um medibruxo... mas isso nunca foi nada se comparado ao grande Rasalas... Era impossível não ter inveja e ciúmes dele... eu deveria ser o caçulinha mimado... mas o Rasalas sempre foi o filho dileto... sempre... você já se sentiu deixada de lado por conta disso? – perguntou a olhando com curiosidade, mas novamente Alhena não respondeu. Apenas ficou olhando o nada, com os olhos vagos e nublados – Não vou tirar o mérito dele. O Rasalas é foda... talvez, quando sairmos daqui... eu tente passar mais tempo com ele... tentar me espelhar mais nele... talvez eu encontre alguém que me faça “tomar jeito”... apesar que eu vou ser sincero, mana... eu nunca me imaginei acordando ao lado da mesma garota várias vezes seguidas... minto... teve uma. A Vick. Eu tinha uma queda fodida nela, sabe? – perguntou suspirando – Mas mesmo com ela, eu sei que iria enjoar. Eu não nasci pra monogamia. Simples assim... – Rigel soltou um suspiro, passeando o polegar pela bochecha de Alhena – A irmã dela era louca por mim... a Dominique. Ted e Vick viviam querendo empurrá-la pra mim... – Rigel soltou um suspiro – Dominique é bonita também... eu tirei a virgindade dela quando eu estava no sexto ano e ela nunca mais parou de correr atrás de mim... Ou era o que eu pensava... até ela começar a dar em cima do noivo da irmã... algumas vezes eu me pergunto... será que ela queria me fazer passar ciúmes? – ele deu um suspiro e a afagou na bochecha – Eu fiquei com ciúmes, por incrível que pareça, mas não pelos motivos corretos... eu só não gostei que Dominique ficasse correndo atrás do Ted... eu gostava de tê-la aos meus pés... Sou cretino, eu sei. Eu não sou que nem você... que se casou novinha e foi sempre da mesma pessoa... – ele soltou um suspiro – Eu apostei com a Polaris uma vez... já tem alguns anos... nós apostamos sobre você trair ou não o Damian... Polaris tinha certeza que você e o Draco davam uns amassos vez ou outra... mas eu sempre apostei que você não fazia isso... eu estou certo? – mas ela seguia imóvel e muda – Polaris está certa? – mais silêncio – Vamos, mana... não me faz cantar pra você... eu nem sei a letra daquela música do Damian... – resmungou Rigel – Polaris me contou, que no dia do seu casamento... ela viu Draco te dando um beijo... é verdade? – mas ela seguiu sem responder... sem dar o menor sinal de que o ouvia. Estava completamente ausente – Isso explicaria o Draconis. Ele é a cara do Draco, sabia? Não sei se alguém já te falou isso... eu sempre fui muito distante da família... vamos, Lena... fale comigo. Qualquer coisa... – pediu amuado – Pense nos seus garotos. O mais velho é o Póllux ou o Castor? Eu nunca soube... – resmungou, mas parecia estar conversando com as paredes – Lena... eu preciso que você acorde. Que fale comigo... aparentemente a única mulher que tem aqui é a Emma... a Emma e você... e os caras querem... querem te usar para relaxar... eu preciso saber... o que eu faço com você... você quer que eu te mate? – perguntou com um nó na garganta – Eu sei que você já passou por isso e... eu não... não vou deixar que façam isso com você... mas... se eu te matar, eles me matam também... você é a maior vidente deles... mas não tem ninguém esperando por mim... digo... claro que tem... papai, mamãe, o Ras... mas não tem ninguém que depende de mim me esperando voltar, entende? Eu não ligo mais se eu morrer... mas... mas você... o que eu faço com você? Eu... eu deixo acontecer e então tiro as memórias? Isso pode causar muitos traumas. Você pode ficar cega do outro olho, pode até deixar de sentir as pernas... por conta de traumas assim... questões não resolvidas, principalmente traumas sexuais, causam danos severos ao cérebro... mesmo com um obliviate, eu não sei o que isso causaria em você... o que você iria preferir? Eu posso matar você e morrer depois, mana... só me diz... me diz o que você quer que eu faça... por favor... por favor... fale comigo, Alhena... me ajude aqui. Ajude seu irmãozinho, vai... – murmurou com um nó na garganta, ainda a acariciando na cabeça – Quanto mais eles sugam da sua cabeça, menos você fala... você não vai durar muito tempo... e não há nada que eu possa fazer pra te poupar disso... além de te dar misericórdia... então peça. Diga “me mate, Rigel” e eu te mato... vamos... por favor...
Mas ela não respondeu. Apenas ficou daquele jeito. Ausente...
Foi quando a porta abriu e Hesse entrou, junto de mais cinco bruxos. Abraçou Alhena, que não reagiu de forma alguma.
—Olá, Dr. Lestrange. – murmurou ele.
—Por favor. Ela não aguenta mais. Vai acabar matando ela... – murmurou. Hesse deu de ombros.
—Temos outros videntes. – disse ele friamente. A abraçou com mais força.
—Por favor. Eu te imploro... deixe que ela se recupere um pouco. O cérebro dela já está danificado. Precisa dar um tempo para que eu o arrume, ou ela... ela vai se tornar... inútil. Me deixe cuidar dela mais um pouco... por favor.
—Depois que sugamos uma determinada quantidade de soro, todos os videntes ficam inúteis. Mas eu admito que ela durou bastante. A coloque aqui em cima, Lestrange. – disse ele como se estivesse falando de algum bicho bobo, ou de um objeto. Não um ser humano...
—Por favor. Me dê... me dê alguns dias. Só alguns dias. Eu regenero o cérebro dela e ela vai poder produzir mais. Vocês terão mais tempo de produção. Podem até ter mais videntes... mas eles vão acabar uma hora. Eu posso aumentar o tempo útil deles. Por favor. Por favor... – murmurou angustiado. Alhena virou o rosto e viu Hesse com aquela enorme seringa. Sentiu o corpo da irmã ficar tenso e ela o apertou, com medo. Parecia uma criança assustada, se escondendo com as mãos. Como se sentisse segura, escondendo o rosto. Como se Hesse não fosse vê-la se ela não o visse. A abraçou com mais força horrorizado com o que tinha sobrado dela mesma. – Pelo amor de Merlin! Ela é uma bruxa. Ela é puro sangue! Nós somos Lestrange, seus hipócritas do caralho! Me deixa cuidar da minha irmã.
—Você acha que é a causa puro sangue que nos interessa? – riu Hesse se aproximando, com um sorrisinho divertido – Você acha que eu dou a mínima pro seu sangue? – ele negou com a cabeça, estalando a língua fazendo um som de negativa. – Não. Não me interesso nem um pouco se você, ou a vadia gorda da sua irmã tem sangue puro. – riu ele de um jeito amável – Eu não ligo nem um pouco. Eu ligo pro dinheiro que eu vou ganhar com isso. Eu ligo pro prestígio que eu vou ganhar com isso... e apenas isso. Você não é importante pra mim, Rigel. E nem a sua irmã. Sua irmã não passa de uma vaca leiteira. E quando o leite dela acabar, eu vou usar o que sobrar pra um churrasco. O mesmo vale pra você. No dia em que eu cansar de você... – ele sorriu gentilmente mais uma vez, o apertando na bochecha – Eu simplesmente estouro seus miolos e arranjo alguém menos irritante. Você entendeu? Ou precisa que eu desenhe?
—Vamos, Hesse. De um médico para outro. Se é só com o lucro que você se importa... então... então me deixa cuidar dela por um tempo. Você sabe que ela já não está mais produzindo a mesma quantidade de soro que antes. Me deixe curá-la, tratá-la... vai ser o melhor custo benefício. Por favor. – pediu novamente. Hesse coçou o pescoço, parecendo cogitar, enquanto Alhena tremia em seus braços, completamente fora de si.
—Quantos dias?
—Uma semana.
—Dois dias.
—Ao menos quatro. – implorou – Vai valer a pena. Eu garanto que vai. – murmurou a abraçando com mais força, tentando confortá-la.
—Hum... ok. Mas se ela não estiver melhor... eu vou arrancar um dedo seu... pra cada dia que você me fez desperdiçar... e só para que não fale que eu sou cruel... eu vou te deixar escolher os dedos que eu vou arrancar.
—Temos um trato. – disse engolindo em seco. Hesse riu com desdém e se virou indo para a porta.
—E se funcionar, você vai ensinar os outros doutores... vamos aumentar a produção de Sangue de Profeta!
*
Draconis terminou sua série de flexões e ajoelhou-se no chão, para recuperar o fôlego. Olhou para Vladimir que girava o braço, fazendo uma careta. Mas o professor de esportes apitou novamente e todos voltaram para a pose de flexões. Outro apito e todos fizeram mais dez repetições. Ao terminar, se ajoelhou de novo, com a testa suada, apesar do vento gelado que soprava.
—Muito bem, vermes. – rosnou o professor em alemão – Para o chuveiro. Vocês se exercitam como garotinhas. Me dá nojo olhar pra vocês!
Ele e Vlad se levantaram, seguindo os outros alunos do sétimo ano para os vestiários.
—Ele parece de bom humor dessa vez, né? – brincou Vlad e Draconis concordou com um sorriso – Olha, é a turma de estudos avançados. O Loto está lá, né?
—É. – disse sorrindo – Quer dar uma olhada nele?
—Vamos. Temos alguns minutos até termos que voltar para o castelo. – riu Vlad. Ele e Draconis avançaram pela grama gelada e se penduraram na grade, onde algumas garotas que estavam fugindo da aula de exercícios já assistiam a turma mais velha se exercitar. – Olha ele lá! – disse Vlad, apontando.
Draconis mirou Loto e sorriu. O amigo estava de regata e calça de treino por conta do dia anormalmente quente. Suado, com o rosto meio sujo e a camisa meio grudada no peito. Mordiscou o lábio achando-o sexy, mas logo adquiriu o controle de suas feições.
Ele e Rose tinham decidido terminar, afinal ficariam um ano sem se ver, já que provavelmente não voltaria para o natal. Iria ficar fazendo sua parte no plano de Potter para conseguir informações e tudo o mais. E como não podia nem receber ou enviar cartas, achou que não daria para namorar daquele jeito. Mas prometeram um para o outro que assim que ele voltasse pra Inglaterra, voltariam de uma vez por todas. Nenhum dos dois iria servir. Iriam pagar a multa e viver.
Então não seria traição se desse uma mordidinha em Loto, não é? Já fazia eras desde a última vez que tinham tido alguma coisa. Era muito difícil conseguir ter algo do gênero sem ser do sétimo ano. O sétimo ano era o mais liberal de todos e ele agora teria permissão para ir aos bailes. O primeiro seria no dia das bruxas. Mas não sabia se iria aguentar esperar... não vendo Loto daquele jeito...
Amava Rose. De todo o coração. E o sexo com ela era maravilhoso. Mas havia algo de especial em Loto também. Era até engraçado pensar nisso, já que eram amigos há pouco tempo... mas era como se sempre tivessem sido...
Estava pensando nisso quando Loto se virou e o olhou. Sorriu e piscou para ele. O garoto riu de volta, mas em seguida corou e olhou para o outro lado, como se tivesse emburrado. Deu um sorrisinho e suspirou.
—Está rolando um cliiiiima... – riu Vlad. Draconis sorriu e concordou.
—Ele fica se fazendo de difícil pra mim. – lamentou e Vlad deu um sorrisinho.
—Vamos, vamos tomar nosso banho.
—Ok.
Andaram para o vestiário e tiveram que esperar na fila para se lavar. Os minutos se passaram e a turma de estudos avançados apareceu. Notou que Loto tinha um corte feio na sobrancelha, então sacou a varinha e começou a curá-lo.
—Quem fez isso? – perguntou semicerrando os olhos.
—Eu me distraí. Foi culpa minha. – riu Loto.
—Se distraiu com que?
—Com a galera que estava assistindo nosso treino de duelos. – riu Loto de maneira cafajeste.
—As meninas? – perguntou fingindo inocência e Loto concordou com o mesmo sorriso.
—É... claro. Meninas... – riu ele – Então. Vamos fumar um cigarro antes do banho?
—E sair da fila? Vamos ser os últimos... – ele piscou e sorriu – Como eu sinto falta do meu cigarro, vamos. – riu se dando conta do que poderiam fazer se fossem os últimos a tomar banho.
Saíram do vestiário e encontraram o professor de exercícios fumando também, junto com o instrutor de duelos.
—Onde pensam que vão?! – rosnou seu professor.
Loto tirou um cigarro do bolso.
—Fumar. – respondeu ele lhe oferecendo um cigarro. Draconis aceitou e logo estavam os quatro conversando em alemão, sobre a guerra.
—Vocês são a favor, é claro. Certo? – perguntou o professor de exercícios.
—Desde que eu não precise me arriscar. – respondeu Loto dando de ombros e tragando o cigarro. Draconis concordou com um aceno de cabeça.
—Eu não acho sensato lutar contra eles. – murmurou – Os trouxas são loucos.
—Eu não acho. Acho que são mal compreendidos. – murmurou o professor de duelos e o de exercícios revirou os olhos.
—Você é um hippie, Igor.
—Talvez, mas não muda meu posicionamento. – respondeu ele – Todos tinham certeza de que os agoureiros davam azar e causavam a morte. Mas depois de um estudo correto descobriram que eles apenas previam quando ia chover. Nada mais do que isso.
—Ergh. Esses trouxas me dão nojo. Com sua estupidez irresponsável. Explodindo as coisas... alguém deve detê-los e finalmente o governo resolveu fazer algo a respeito.
Loto e Draconis se encararam e logo pegaram outro cigarro para acompanhar os professores. Ficaram uma boa meia hora de papo, enquanto os alunos saíam do vestiário.
—Nossa! Perdemos a hora! – disse Loto, fingindo surpresa, quando ninguém mais saía de lá.
—É mesmo. Nossa culpa. – resmungou o professor de duelos – Yaxley. Vá se lavar, você também, Burke. – ele brandiu a varinha e arrumou dois crachás para eles – Aqui está a permissão de vocês para andar por aqui fora do horário. Mas tentem não demorar muito.
—Certo. – disse Draconis dando de ombros e pegando o crachá. Loto jogou a bituca de cigarro no chão, pisando nela, e pegou o seu também. Os dois entraram no vestiário e Loto fechou a porta.
—E então... como está o seu namoro com a Rose? – perguntou ele tirando a camisa. Draconis o secou com os olhos.
—Nós terminamos, já que vamos ficar um ano sem...
—GRAÇAS A MERLIN! Vem cá! – disse Loto o empurrando contra a porta para beijá-lo. O beijou de volta, com suas mãos indo ágeis para o cinto dele – Digo, nada contra o seu namoro. Eu gostei da garota... – disse Yaxley passando a mão por seu corpo de maneira gostosa e tentando tirar sua camisa – Ela é bem bonita, inteligente, gostosa e gente boa, mas...
—Loto. – ralhou Draconis desafivelando o cinto dele. Loto o encarou curioso – Cale a boca. Não quero falar sobre ela agora!
—Oh. Claro. – riu Loto – Só estou falando que apoio o relacionamento de vocês. Só isso. – explicou ele. Draconis sorriu e concordou o puxando pela nuca, para beijá-lo novamente. Loto tirou sua camisa enquanto Draconis tirava as próprias calças – Vamos pro chuveiro. – pediu ele.
—Tá. Entra no boxe. – riu Draconis. Foram de mãos dadas para o boxe e usaram um feitiço silenciador nele. Voltaram a se beijar enquanto tiravam as cuecas, num desespero desengonçado. Loto o empurrou contra a parede, pressionando os quadris nos dele, ambos completamente loucos – Você em mim. – pediu ficando de costas.
—Ah... mas... ok. Mas depois inverte! – pediu Loto. Draconis deu de ombros e Loto o abraçou por trás.
Depois de muitos minutos naquilo, cada um foi para um boxe, se lavar.
—Ah... eu senti falta disso. – riu Loto.
—Eu também. – riu Draconis, passando o sabonete pela cabeça raspada.
—O que aconteceu que hoje você quis que eu te comesse? – perguntou Loto do outro boxe – Normalmente você não quer. É só você acabando comigo.
—Você gosta. – riu Draconis e Loto riu lá do boxe dele – Sei lá... deu vontade. – disse dando de ombros. – Acho que foi porque eu fiquei muito tempo sem... aí... – deu de ombros novamente e os dois ficaram quietos para terminarem o banho.
Quando saíram do boxe, ficaram se beijando mais um pouco, porque era bom beijar Loto. Mas isso apenas lhe deu vontade de aprontar de novo. O colocou de costas contra o armário e Loto deu uma risadinha.
—Não, Drac. Nós temos que voltar. – disse ele.
—Só mais uma, vai... – pediu dengoso, o beijando no pescoço, fazendo com que o amigo se arrepiasse – Só uma. A última. Sabe-se lá quando vamos ter essa oportunidade de novo...
—Se formos pegos?
—Vamos fazer valer a pena! – disse sorrindo – Vai, Loto, pela aventura.
—Ok, ok... o que você não me convence a fazer? – riu ele empinando a bunda – Mas se formos pegos, eu mato você.
—Mata nada, você me ama. – riu Draconis dando um tapinha na bunda dele. Loto deu uma risadinha e o olhou obliquamente, mas não disse nada. Deu de ombros e sorriu, se posicionando para o ato.
Que saudades estava daquilo... céus.
**
—Boa tarde. – disse o professor de Transfiguração. Seria sua primeira aula com ele. Navi respirou fundo, andando com Vince, tentando simplesmente não parecer suspeito. Tinha alguma experiência nisso, mas normalmente as pessoas sabiam que ele quem tinha aprontado as coisas – Sentem-se por favor. – adicionou ele secamente. Escutou algumas garotas da Corvinal darem risadinhas ao olharem o professor e Navi revirou os olhos por isso.
—O que foi? Não aguenta não ser o centro das atenções? – provocou Vince. Navi deu de ombros.
—Não é isso. Sem falar que agora eu sou um homem comprometido. Quanto menos for o centro das atenções, melhor.
—Uhum, tá. – riu Vince.
Ele e o colega sentaram dividindo uma mesa, enquanto o professor esperava, parecendo ligeiramente entediado. Quando a turma toda se sentou, o professor pegou a lista de chamada, chamando um por um e olhando no rosto de cada um, como se tentasse memorizar os rostos. Eram apenas sete pessoas na turma, então ele não teria tanta dificuldade.
—Florence Brontë.
—Presente.
—Adam Carter.
—Presente.
—Miranda Courtney.
—Presente.
—Vincent Goyle.
—Presente.
—Navi Lestrange.
—Presente.
—Molly Weasley.
—Presente.
—Bellatrix Zabini.
—Aqui!
Ele enrolou o pergaminho e então se levantou, pegando a varinha e dobrando as mangas das vestes.
—Boa tarde a todos. Essa é a disciplina de Transfiguração Avançada e meu objetivo é prepará-los para os N.I.E.M.s. Eu já trabalhei como avaliador tanto da prova teórica quanto na prova prática, então eu sei exatamente o que eles cobram todos os anos e como eles cobram todos os anos. Por isso asseguro que estarão em boas mãos... sim, Carter?
—O que aconteceu com o professor Lothor? – perguntou o único aluno da Lufa-Lufa.
—Ele resolveu deixar o país. Essa foi a informação que eu recebi. – respondeu o homem, com aquele mesmo semblante de quem estava entediado. Era um tom frio e sem emoção, que lhe causava desconforto. O professor Lothor costumava ser seu professor favorito, sempre fazendo piadinhas e com um entusiasmo sem igual para a arte de ensinar. – Muito bem. Se vocês puderem pegar aqueles pedaços de madeira ali. – ele apontou para uma pilha no canto da sala – Eu quero que vocês construam labirintos pra mim. Quanto mais complexos, melhor. Depois, vocês vão pegar um dos queijos que estão em cima da minha mesa e colocar dentro do labirinto. Em cima de suas mesas estão alguns botões. Transfigurem os botões em ratinhos e os coloquem no labirinto. Assim que eles aprenderem o caminho até o queijo, iremos para o ponto principal da nossa aula de hoje e das próximas três. – ele brandiu a varinha e a palavra “obliviate” apareceu escrita no quadro negro, junto com um desenho de um cérebro e algumas tabelas complicadas – Nosso objetivo de hoje é fazer o ratinho criado por magia se perder. Como não é uma criatura natural, a inteligência dele é limitada, o que torna o exercício mais fácil. Podem começar e qualquer dúvida, não hesitem em me chamar.
Navi olhou surpreso para Vince, que engoliu em seco.
—Eu morro de medo de ratos. – resmungou seu amigo.
—Eu também! – lamentou Brontë – Eles são tão nojentos... Navi, você conjura o rato pra mim? Nunca consegui conjurar ratos. Conjuro até um filhote de São Bernardo, mas ratos não...
—Ok, gata. – riu Navi indo até a pilha de madeira. Estava para pegar algumas tábuas, quando notou que o professor colava uma tabela com um sete bem grande em cima. Piscou, curioso, e notou que os nomes de todos estavam ali, formando uma tabela. Em cada linha, um nome. Em cada coluna, um número, formando uma sequência crescente – Professor. O que é isso ai? – perguntou curioso.
—No final da aula eu vou dar uma pontuação pra vocês. – explicou ele, pegando uma prancheta e uma pena – No final do ano, quem tiver mais pontos vai ganhar um prêmio.
—O que? – perguntou Trixie.
—Minha indicação para um curso de animagia. Claro, vocês não precisam aceitar. Serve só como incentivo. – explicou ele e toda a turma se entreolhou, parecendo absolutamente agitada – Afinal, é um curso muito difícil e numa turma de cem, apenas um se gradua, quando se gradua. E é muito difícil conseguir conquistar uma vaga, mas como eu tenho contatos no Ministério... – ele deu de ombros. Navi deu um sorriso completamente empolgado.
—Essa vaga vai ser minha. Eu sempre fui o melhor em Transfiguração! – disse animado. Mas Adam Carter, o aluno da Lufa-Lufa, seu maior rival na matéria, o olhou semicerrando os olhos.
—Vamos só ver, Lestrange! – disse ele com um sorriso animado.
—Como vai ser a distribuição de pontos? – perguntou Molly Weasley.
—Vou pontuar a qualidade e complexidade do labirinto, a qualidade da transformação do ratinho e a qualidade do feitiço obliviate. E não adianta tentar confundir o ratinho, eu vou ficar de olho. – disse o professor.
E seu preconceito com o homem foi embora.
Ao contrário da turma, que fez um labirinto quadrado, ele fez um redondo, cheio de caminhos sem saída. Fez de tudo para, além de complexo, ficasse bonito. No final ficou tão bem feito que ficou se perguntando se poderia levar pra casa e colocá-lo pendurado na parede.
Depois foi até a mesa do professor pegar o queijo. Colocou o objeto na extremidade oposta à entrada do labirinto e então conjurou seu ratinho. O deixou azul metálico, apenas porque gostava da cor e para se exibir, afinal, seu botão era laranja. Colocou o rato no labirinto e enquanto ele não aprendia o caminho, ficou estudando as tabelas do feitiço. Eram muito complicadas e exigiam algum conhecimento de anatomia e fisiologia neurológica, que ele simplesmente não tinha.
Ficou tanto tempo tentando entender como funcionava o feitiço, que quando se sentiu pronto para arriscar, seu rato já tinha achado o queijo, o comido e fugido, sabe-se lá para onde. Pegou outro queijo e fez outro ratinho. Esperou o rato desvendar seu labirinto, enquanto repassava as informações mentalmente. Quando o rato conseguiu, o pegou e o colocou novamente na entrada.
—Obliviate. – murmurou mentalizando o caminho-solução do labirinto. Seu ratinho guinchou, como se sentisse dor e ele fez uma careta, o desconjurando. Fez outro rato e tentou de novo, de novo e de novo. Mas no final da aula ninguém tinha conseguido, apesar que seu rato ter começado a pular como se fosse um coelho, por algum motivo qualquer.
—Muito bem. Continuaremos de onde paramos na próxima aula. Guardem seus labirintos naquele baú, não se esqueçam de escrever seus nomes neles. – disse o professor.
Saiu da aula completamente ultrajado com seu fracasso. Nunca tinha fracassado numa tarefa de transfiguração. Mas o fato de ninguém mais ter conseguido o acalmou.
Foi rapidamente para o salão comunal e encontrou Albus e Cerce abraçados no sofá, lendo juntos um livro de poções.
—Albus. Posso falar com você um momento?
—Hum? Ah, ok... – murmurou ele se soltando de Cerce, que suspirou o olhando ternamente – Eu já volto.
—Ok. – riu ela. Sorriu dos dois e foi para o dormitório, que estava vazio.
—Tive aula com o vice. – murmurou Navi.
—E então? – perguntou Albus parecendo nervoso – Meu pai me falou que na última vez que o Ministério escolheu um professor, foi um desastre e que a mulher era uma porcaria de professora.
—Ele é um excelente professor... – cortou Navi – Muito bom mesmo. E ele disse que vai ensinar a gente de acordo com as exigências dos N.I.E.M.s... então... então não sei muito bem o que reportar.
—O que vocês aprenderam? – perguntou Albus, calmamente.
—Obliviate. – respondeu dando de ombros.
Albus franziu a testa e concordou.
—Bem... realmente é uma magia perigosa e complexa, mas... mas bem... vocês estão estudando disciplinas de nível N.I.E.M.s... tem que ser difícil mesmo... – murmurou ele – Mas acho que você deveria falar com o meu pai assim mesmo. Você acha que ele fez algo suspeito?
—Sinceramente... não. – respondeu dando de ombros.
—Hum... bem... vamos esperar sexta feira, que eu tenho um horário duplo de Transfiguração. Vamos ver o que ele vai passar pra gente.
**
Damian abriu a porta e reconheceu Blackwater. A olhou com puro desdém e não a deixou entrar.
—Olá, Sr. Burke. Posso entrar?
—Não. – disse fechando a porta. Estava para se virar, quando ela tocou a campainha novamente.
—Não dificulte o meu trabalho, Sr. Burke. Eu recebo ordens para fazer algumas perguntas. Se você não cooperar, eu posso ir falar diretamente com seus filhos, em Hogwarts. – disse ela atrás da porta. Soltou um muxoxo, zangado e abriu a porta – Melhor, não é? – riu ela – Muito bem... – ela entrou e foi caminhando para sua sala – Você tem um filho que ainda não entrou na escola. Não é? – perguntou ela. Concordou com um aceno de cabeça – Onde ele está?
—Por que? – perguntou olhando com desdém para ela.
—Porque nós precisamos fazer um teste para saber se seu filho é um vidente. – respondeu ela – Se ele tem algum dom pra vidência... – Blackwater sorriu ternamente e encarando com um sorriso gentil – Você sabia que o cérebro dos videntes é diferente? Eles produzem substâncias que o cérebro normal produz em quantidades muito pequenas... sem falar que é capaz de captar coisas que um cérebro normal não capta... – sugeriu ela andando pela sala e pegando seu retrato de casamento com Alhena. Ficou em silêncio, sem saber o que esperar daquilo – Muitos estudos estão sendo feitos por conta dessas novas descobertas. Interessantes, não?
—Meu filho não é um vidente. – cortou Damian, sabendo muito bem onde ela queria chegar – Nenhum dos meus filhos é. – adicionou, apesar de saber que Draconis e Cerce tinham algumas características de vidência, mesmo que não se comparassem à Alhena – Algo me diz que esses estudos que mencionou podem estar relacionados com o desaparecimento da minha esposa.
—Claro que não, Sr. Burke. O Ministério não está raptando pessoas. Ainda mais puros sangues. – riu Blackwater – Já procurou nos departamentos trouxas sobre sua esposa? Talvez ela seja uma entre os centenas corpos não identificados depois de um ataque. Quem sabe? – perguntou ela. Damian sentiu um frio lhe percorrer a espinha, pensando na possibilidade.
—Não. Minha esposa não está morta. – disse preso a aquela esperança – E eu desconfio que a senhora sabe muito bem disso.
Blackwater riu com desdém e tirou um livrinho de dentro da bolsa.
—O senhor disse que nenhum de seus filhos puxaram o dom da sua esposa, mas... duas de suas filhas estão cursando adivinhação em Hogwarts. Devo dizer que fiquei chocada em descobrir que o senhor tem uma bastarda morando com você. – adicionou ela – Aqui está... na minha listinha. Cerce Burke e Rose Burton... se a bastarda é sua, por que ela não tem seu sobrenome? Eu fiquei curiosa.
—Eu não tenho a menor intenção de te responder isso. E as duas estudam por motivos de curiosidade. Nenhuma delas puxou o dom de Alhena... – Damian deu de ombros – Dizem que pula uma geração. A mãe do meu sogro tinha um dom pra adivinhar o futuro pelas cartas, apesar de não ser realmente poderosa como Alhena. Mas tenho certeza que a senhora já sabia disso.
Blackwater sorriu novamente, guardando o livrinho.
—O senhor está tão tenso. – riu ela – Por que acha que eu quero lhe fazer mal? – não respondeu, apesar de desconfiar que aquela mulher seria o diabo em sua vida. Ela soltou um suspiro e colocou a bolsa em cima da mesa – Está sozinho, Sr. Burke?
—Por que?
—Porque vou ficar lhe fazendo companhia até que traga seu filho. Eu preciso fazer esse teste. Vai ser aqui, na sua casa, diante dos seus olhos preocupados, afinal ele é menor de idade. – ela se sentou no sofá e cruzou as longas pernas, que ele acabou olhando, sem conseguir evitar – É uma ordem do Ministério. Não queremos ser taxados como insubordinados, não é? Eu não tenho o menor interesse em ir para Azkaban... – ela lhe lançou um sorriso travesso, enquanto ele tremia involuntariamente, se lembrando de sua pequena estadia naquele lugar. Ainda tinha pesadelos com aquilo. Sem falar que sua primeira ruga aparecera depois de Azkaban. Mais uma lembrança eterna da prisão – Então... sente-se, Sr. Burke. Vamos conversar um pouquinho. Eu adoraria me desestressar do trabalho... – ela tirou os sapatos e girou o pé. A olhou se perguntando o que ela queria dele. Ela poderia simplesmente voltar mais tarde... não era? Mas não criou caso e se sentou ao lado dela – Me diga, Damian. Posso te chamar de Damian?
—Não.
—Oras... vamos... eu sei que sua família oferece serviços com uma discrição impecável. É verdade?
A olhou desconfiado, mas suspirou. Tinha sido treinado para ser gentil com os clientes a vida inteira. Por isso foi simplesmente automático. Sua expressão aliviou um pouco e ele deixou de parecer desconfiado, ficando apenas ligeiramente sério.
—Sim. Nós fazemos isso. Quer comprar algo? Ou vender? – perguntou ele.
—Comprar. – respondeu ela. A olhou com interesse, se perguntando o que poderia ser. As pessoas compravam das mais variadas coisas com ele. Ela sorriu, mordendo o próprio lábio, e jogando o cabelo de lado. Piscou, surpreso e ela passou a perna por cima das suas, se sentando em seu colo – Quero comprar um pouco do seu tempo e atenção, Damian... – disse sorrindo, para depois o beijá-lo. Fechou os olhos, se lembrando que aquela tinha sido uma de suas maiores fantasias sexuais adolescentes. Mas ele era um homem adulto e casado. Jogou a cabeça para trás, descolando os lábios dos dela.
—Eu não sou um garoto de programa. – murmurou friamente. Ela sorriu para ele, rebolando de leve, mas ele não reagiu. – Você não quer fazer isso...
—Por que não? – perguntou ela lhe mordiscando o queixo. Suspirou levemente atiçado, mas sorriu com desdém.
—Eu tenho Horklump, senhora. Mesmo que eu quisesse fazer isso... o que realmente não é o caso, eu acabaria vomitando sangue em você... sem falar que Horklump causa impotência... a única mulher que sabe me deixar duro é a minha esposa e você não chega aos pés dela... então saia de cima de mim.
Blackwater deu uma risadinha o olhando nos olhos.
—Não vejo nenhum sintoma de Horklump no senhor. Sem tosse, sem respiração ruidosa, sem pontos nos olhos, sem manchas visíveis... será que eu posso procurar alguma evidência em lugares mais escondidos? – perguntou ela descendo a mão por sua barriga, em direção à sua bermuda. Segurou o pulso dela, com a respiração ofegante.
—Eu vou reportar isso ao seu chefe. Comporte-se e saia do meu colo, ou eu vou te tirar daí e não vou ser educado ao fazer isso.
—Eu tomaria cuidado com o tom, Sr. Burke. Eu sou uma agente do governo. Eu tenho autoridade para prendê-lo, sabe? – riu ela e ele teve certeza de que ela não estava mentindo.
—Ok. Fique a vontade pra me prender. Só saia de cima de mim. É o último aviso. – disse calmamente. Mas nem assim Blackwater pareceu ceder. Ela parecia realmente decidida a... a arrancá-lo das próprias roupas.
—E o que vão falar para o pobre Órion? Devo mandá-lo para o serviço social?
—Ele tem três irmãos maiores de idade, dois avôs e uma avó perfeitamente capazes de cuidarem dele... além de um tio.
—O lobisomem? Ele está na minha lista também, sabia? – perguntou ela – Seria realmente muito infortúnio que ele fosse obrigado a servir... sabe qual é o plano do Ministério para os lobisomens? – sussurrou ela em seu ouvido. Uma fúria gelada o tomou, mas ele ficou imóvel. Blackwater sorriu para ele e o tocou em suas partes sensíveis. Prendeu a respiração ao sentir o toque dela – Melhor assim, não é? – perguntou ela – Agora... vamos ver se a gorda da sua mulher é a única capaz de te chamar para uma brincadeira, Sr. Burke... e entenda... eu estou no controle aqui...
Ela se calou quando ele se virou e a deitou no sofá. A mulher tentou pegar a varinha, mas não deixou, dando um tapa na mão dela, derrubando a varinha no chão. Depois colocou as duas mãos no pescoço dela, como se fosse estrangulá-la. Blackwater o olhou com os olhos esbugalhados e segurou seus pulsos, tentando se livrar, mas ele não deixou.
—Você se sente no controle, Blackwater? – perguntou num sussurro – Agora, nesse instante? Você acha pode me fazer ficar quieto enquanto me ofende e ofende a minha mulher? Você acha que tem poder o suficiente... – ele apertou o pescoço dela e ela arfou – para fazer com que eu te solte? – ela arfou de novo, abrindo a boca, sem ar. A apertou por mais alguns segundos, a olhando furioso – Eu deveria matar você. Mas eu sei que tem muito mais que você pode me fazer... Fiddle!
Ouviu um estalo e seu velho elfo apareceu, fazendo uma mesura.
—Sim, mestre Burke?
—Vá na loja e diga que eu quero que Póllux ou Castor te entregue um pouco de veritasserum. – respondeu. A mulher o olhou horrorizada e ele tirou as mãos do pescoço dela.
—Como ousa, seu cretino? Você é um homem morto... – colocou a mão sobre a boca dela.
—Eu não sou de bater em mulher, mas por você eu abriria uma exceção. Eu não estou passando por um momento feliz, entende? – perguntou ele – E não se preocupe, você não vai se lembrar do que aconteceu quando eu acabar com você.
****
Estava nu, deitado na cama. Alhena estava sorrindo ao seu lado, também nua, ambos embaixo do lençol branco. Reconheceu sua cama do dormitório da Sonserina e isso o fez sorrir.
—Ei... estou com saudades suas... – murmurou se aproximando dela, deitando de lado, para entrelaçar os dedos com os dela – Onde esteve?
—Eu não sei... estou perdida. – respondeu ela.
—Eu vou te achar, ok? – perguntou se aproximando mais dela, com um sorriso terno no rosto. Alhena concordou com um aceno – E então vamos ficar juntos. Pra sempre... – murmurou beijando as costas das mãos dela. Alhena perdeu o sorriso e suspirou – O que? – perguntou confuso. Ela desviou o olhar e suspirou – Você... você escolheu o Damian?
—Draco... – murmurou ela, parecendo cansada. A olhou com carinho, morrendo de saudades dela – Quando ainda éramos jovens... antes de pularmos da Torre de Astronomia... eu conversei com Luna... ela me disse que eu e você tínhamos um en.
—O que é isso?
—Uma ligação... para toda vida. Você sempre será uma das pessoas mais importantes da minha vida... porque você foi a pessoa que mais marcou...
—É por isso que está aqui? – perguntou confuso.
—Sim...
—Você está realmente aqui?
—Estou. – respondeu ela.
—Ainda vai estar quando eu abrir os olhos? – perguntou. Ela o olhou e sorriu.
—Quer arriscar?
—Não... – respondeu se deitando em cima dela – Não arriscaria te perder de novo... se isso é um sonho, eu mato o desgraçado que me acordar... se isso é um sonho... quero dormir pra sempre...
—Você é romântico... estou surpresa... quando achamos que conhecemos as pessoas... – riu ela.
—É... – a olhou atentamente, querendo guardar cada detalhe dela – Eu sou discreto... fechado... apenas isso...
—Entendi...
—Alhena...
—O que? – perguntou ela.
—Onde você está? Eu quero te encontrar. Eu quero te trazer para casa...
Alhena parou de sorrir e suspirou.
—Eu não vou voltar pra casa, Draco. – murmurou ela.
—Vai sim. Eu vou conseguir te encontrar. Eu juro que vou. – murmurou a acariciando no rosto.
—Não, Draco... você pode até me encontrar, mas... nunca mais vai ter mais do que isso de mim...
—Por que? Você escolheu o Damian?
—Não tem nada a ver com o Damian, Draco... mas... mas com o que sobrou de mim, lá...
A olhou assustado e negou com a cabeça.
—Não. Eu vou te achar e te salvar. Eu já te salvei de trevas antes, lembra? – perguntou angustiado e ela sorriu para ele.
—Nunca mais vou esquecer...
Respirou fundo e colou a testa na dela. Alhena o abraçou ao redor do pescoço e ele suspirou a beijando apaixonadamente. Agora sim reconhecia o beijo dela. Carinhoso, tímido e doce. Muito doce. A olhou nos olhos verdes e sorriu, completamente entregue a ela.
—Eu amo você... – sussurrou.
—Mestre Draco... – disse Alhena. Piscou confuso com o tom de voz dela – Mestre. É importante. É muito importante. Acorde.
Draco abriu os olhos e se viu sentado na sala. Tinha cochilado no sofá. Piscou irritado e olhou para Yolo, que encolheu de medo.
—Eu juro que vou mandar você bater a cabeça na parede até eu me cansar de ouvir o barulho. – rosnou enfurecido. Não era de castigar Yolo, mas daquela vez tinha ficado realmente zangado.
—Desculpe, mestre... mas... mas é que... – o elfo tremia da cabeça aos pés.
—Fale de uma vez.
—É o mestre Burke. Ele está na lareira e...
—Mande-o pro inferno. – rosnou se levantando. Não acredito que aquele cretino me acordou desse sonho...
—Mas mestre... ele disse que é sobre a senhora Alhena.
Draco se interrompeu, piscando em choque, e se virou para Yolo.
—O que?
—Eu ainda devo mandá-lo pro inferno, senhor?
—Não, Yolo! Vá beber uma cerveja.
—Mas... mas ainda está cedo. Yolo é fraco com bebidas, mestre.
—Vá, tome todas, até vomitar e mande Dumdum limpar em seguida. – disse com um sorriso bem humorado. Será que a tinham encontrado? Será que aquele sonho tinha sido um sinal de que ela estava bem e que... que estaria voltando? Pra ele. Correu quase afoito, sem conseguir parar de sorrir. Se jogou na lareira da sala de visitas, colocando a cabeça nas chamas – Damian?! Está aí?
—Estou. – disse Damian, sentado no chão da sala dele – Vem pra cá. Eu vou precisar da sua ajuda.
—Ok. Eu estou indo. – disse agora ainda mais curioso. Se jogou na lareira e segundos depois saiu na dele – O que... houve? – perguntou vendo uma mulher amarrada e amordaçada no sofá, parecendo estuporada – Hum... Damian... eu... eu estou confuso agora.
—Essa mulher é do Ministério. Veio aqui em casa pouco antes da Alhena sumir. – respondeu Damian ficando de pé. Draco piscou e o olhou boquiaberto.
—Você sequestrou um agente do Ministério?!
—Ela está responsável por fazer o registro dos videntes. Talvez ela saiba sobre a Alhena. Você é bom com a maldição imperius, não é?
Draco o olhou em choque.
—Sim, mas...
—Eu não sou um inútil e eu não vou ficar feito um saco de estrume, parado, enquanto você faz... seja lá o que você está fazendo, para encontrar Alhena! – disse Damian – Eu quero a minha esposa de volta, Draco. E pra isso eu preciso de você.
—Hum...
—Eu sei que tivemos nossos desentendimentos... e eu sei que você está envolvido de alguma forma no grupo da resistência... mas eu apreciaria se isso aqui ficasse só entre nós. Seja o que descobrirmos aqui... você vai inventar uma história e falar que descobriu sozinho. Ok? Meu nome não pode ser envolvido. É péssimo para os negócios, tomar partido em disputas políticas...
Draco soltou um suspiro e olhou a mulher, ainda desconfortável com aquilo... mas então se lembrou do sonho e concordou.
—O que quer que eu faça?
—Que obrigue a cretina a tomar isso. – disse ele lhe mostrando um frasco. Como era um mestre de poções, logo reconheceu o soro da verdade – Depois a faça se esquecer que esteve aqui. Ou a faça pensar que eu transei com ela... ela queria isso antes que eu perdesse a paciência com ela.
—Hum... e você... tirou alguma casquinha? – perguntou curioso.
—Eu sou casado, Malfoy. – ralhou ele – Muito bem casado.
—Na verdade, você morreu... então seu casamento meio que foi anulado. Você precisa reafirmar os...
—Eu sei disso. Vamos logo. Não quero perder tempo. Tem gente ai fora esperando por ela. Blackwater não pode demorar muito.
—Certo. – murmurou sacando a varinha – Enervate. – murmurou. A tal mulher abriu os olhos, de uma vez, respirando assustada, olhando para os lados – Boa tarde. Imperius. – disse com um sorrisinho – Beba. – disse agitando a varinha e a soltando das cordas e das mordaças. Damian abriu o frasco, entregando para ela, e a mulher bebeu de uma vez. – Onde está Alhena?
—Não posso falar. Eu não sou o fiel segredo. – respondeu ela, calmamente, graças à poção e à maldição.
Draco e Damian se entreolharam.
—O que estão fazendo com ela? – perguntou Damian.
—A estão usando para produzir o sangue de vidente. – respondeu ela. Damian franziu a testa, confuso, mas Draco sentiu um calafrio, se lembrando da noite anterior, com Evelyn. Apertou o punho, furioso e olhou a mulher.
—Como assim, a estão usando? O que estão fazendo com ela? – perguntou semicerrando os olhos.
—Eu não sei. Apenas os medibruxos envolvidos sabem a receita. – respondeu ela. Draco olhou para Damian, que soltou um muxoxo.
—Quem é o fiel segredo do lugar onde Alhena está? – perguntou Damian.
—Eu não sei. – respondeu a mulher.
—E quem sabe?! – rosnou Draco, impaciente.
—Acredito que a Chefe da Corte saiba... – murmurou ela fazendo careta, sabendo que não deveria ter soltado aquela informação, mas não havia nada que ela poderia ter feito – Talvez o diretor do Mungus... ele está envolvido com a nossa causa.
Draco esbugalhou os olhos e mirou Damian, que parecia tão chocado quanto.
—O Dr. Travers? – perguntou Damian.
—Sim. Ele mesmo. – respondeu a mulher. Draco suspirou e olhou Damian de novo.
—E então?
—Qual é o plano de vocês? O que vocês pretendem com esse acordo? Com essa guerra? – perguntou Damian, franzindo a testa.
—A missão é acabar com os trouxas. – Murmurou ela. – Colocá-los em seus devidos lugares... sob nossos pés. – respondeu ela.
—Em quem vai usar o sangue de profeta? Aquilo tem algum efeito colateral negativo? – perguntou Draco. Damian o encarou curioso, mas nada disse.
—Apenas nos de maior confiança. – respondeu Blackwater – É um soro poderoso e difícil de se obter pelo o que eu escutei... e eu não tenho muitas informações sobre isso.
Draco soltou um muxoxo.
—O que você quer com meu filho? – perguntou Damian.
—Usá-lo como refém. – respondeu ela, estremecendo – Eu deveria seduzir você, mas, caso falhasse, deveria usar o garoto.
—Mas eu sou puro sangue! – disse zangado.
—Minha ordem foi controlar você. Os Burke são famosos pelo país por estudarem objetos trouxas para encantá-los. Você pode nos ser útil no futuro quando...
—Quando conseguirem as armas trouxas. – murmurou Draco olhando surpreso para Damian, que piscou.
—Eu não entendo nada sobre aquelas coisas! Nós encantamos eletrodomésticos! – disse horrorizado.
—Rosier disse que se tivéssemos um de seus filhos, você ficaria mais entusiasmado para aprender sobre as armas. – resmungou ela, sem poder evitar de falar. Damian rosnou e fechou o punho e Draco imaginou que ele fosse socar a mulher. Por isso o segurou.
—Calma.
—CALMA?!
—Calma. – repetiu o olhando nos olhos – Nossos filhos, em Hogwarts... eles estão a salvo?
—Com McGonagall, Longbottom e Slughorn lá, sim. – resmungou ela – Não podemos tirar os alunos da escola como gostaríamos. No máximo conseguimos colocar um dos nossos lá dentro.
—O tal vice diretor, citado no Decreto Civil. – resmungou Damian – O que mais você deveria fazer? Você vai fazer algo contra Rasalas? Você pode fazer algo contra ele?
—Não. Foi um blefe. – resmungou ela. Damian concordou com um aceno de cabeça, parecendo aliviado.
—O que mais você não deveria nos contar, Blackwater. – perguntou Draco. A mulher deu um sorrisinho.
—Vocês nunca mais vão ver aquela vaca gorda de novo. – respondeu ela – Não viva. Não sã...
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