Legado Lestrange II - Legacy
19 Taken
Notas iniciais

Capítulo 19
Navi sorriu para o primo.
—Vamos, vai ser divertido! – disse. Scorpius sorriu animado e Draconis revirou os olhos.
—Toda vez que eu deixo você me convencer a fazer qualquer merda, eu me arrependo depois. – resmungou ele.
—Vamos. Tenho certeza que dessa vez ninguém vai nos pegar. – riu Navi, animado, segurando a bomba-abelha que Póllux tinha dado de presente pra Draconis.
—Você sabe que se alguém for alérgico, pode morrer, não sabe? – perguntou Scorpius, um tanto nervoso.
—Não. O veneno é mais fraco que de uma abelha normal. – riu Draconis – Mas não quer dizer que vamos sair ilesos... – murmurou ele.
—É claro que vamos sair ilesos. É só sermos rápidos o suficiente! – disse Navi – Vamos. Não sejam uns bundões covardes.
Draconis suspirou e olhou para baixo, pela janela do segundo andar, onde um grupinho de alunos da Grifinória, incluindo Potter, aquele garoto insuportável com síndrome de Deus, estava passando o tempo, aproveitando o calor para se divertir do lado de fora do colégio.
—Ok. Joga a bomba. – disse convencido.
—Esse é o Draconis que eu gosto. – riu Navi mirando na cabeça grande de James Sirius Potter. A colmeia caiu certeira nele e as abelhas começaram a voar, raivosas, atacando os alunos da Grifinória. Nenhum deles conseguiu conter a risada.
—Olha a Weasley! Olha a Weasley! – gargalhou Scorpius apontando para a garota que rolava no chão, tentando se salvar das abelhas.
Navi caiu no chão gargalhando e Draconis ficou observando o pânico dos garotos para fugirem das abelhas. Ele se virou para os amigos e segurou-os pelos braços.
—Vamos sair daqui antes que peguem a gente. – disse apressado.
Os três correram para a torre do corujal e ficaram sentados nas escadas, chorando de tanto rir.
—Nós somos geniais. – riu Scorpius.
—Sem dúvidas. – riu Draconis.
—Eu sou o melhor. – riu Navi. – Afinal, foi minha ideia.
—Eu trouxe a colmeia! – ralhou Draconis.
—Mas ela teria ficado guardada pra sempre se não fosse por mim. Por isso, eu sou o melhor. – riu Navi. Draconis cruzou os braços e Navi sorriu vitorioso. Aquilo ensinaria Potter a não ficar agindo como se fosse o senhor do mundo. Não enquanto Navi Lestrange estivesse em Hogwarts. – Ei! Eu já disse que estou apaixonado?
Seus dois primos o olharam surpresos.
—Por quem? – perguntou Scorpius.
—Uma garota do seu ano. Lessa Young. – riu Navi – Vou falar com ela hoje.
—Ela é bem bonita. – riu Scorpius – Boa sorte.
—O que acha, Drac? – perguntou para o outro primo. Ele só deu de ombros.
—Só fique longe das minhas irmãs.
*
—Você realmente não se importa? – perguntou Damian, morrendo de frio. Alhena o beijou na testa, antes de lhe oferecer uma colher de sopa.
—Claro que não, Damian. Você está doente. – respondeu ela com ternura. Damian soltou um suspiro e sorriu – E ultimamente, o tempo inteiro... estou ficando preocupada, querido...
—Ainda bem que tenho você pra cuidar de mim. – riu ele. Alhena sorriu de volta.
—Claro, meu amor... você sempre cuidou de mim, não foi? – perguntou ela. Damian concordou com um aceno de cabeça e abriu a boca, se enrolando melhor no cobertor. Alhena lhe deu mais uma colherada e sorriu – Recebemos mais uma carta de McGonagall. Draconis e Navi estavam aprontando de novo e levaram mais uma detenção.
—Navi sempre convence Draconis a fazer besteira... basicamente como eu e seu irmão. Ele sempre me fazia entrar em detenção...
Alhena sorriu e concordou.
—Eu sei. Eu me lembro... eles dois são exatamente como você e Rasalas. E ainda levam Scorpius a aprontar com eles, mesmo o garoto sendo mais novo.
—É... – riu Damian suspirando. Ele abriu a boca e Alhena lhe deu mais um pouco de sopa. Ele engoliu sentindo a garganta doer e suspirou – Queria ver o Rasalas ganhar o prêmio de títulos.
—Não é certeza de que ele vai ganhar.
—Ok. Queria ver ele disputar um dos prêmios de títulos. – riu Damian.
**
—Draco, está pronto? – perguntou Astoria entrando no escritório do marido. Ele segurava o copo de whisky e parecia triste escutando aquela música horrorosa do limpador de chaminés – Ah, Draco... nós temos que ir. – Draco soltou um suspiro e sorriu sem alegria para ela. Por algum motivo, de tempos em tempos ele fazia aquilo e nunca explicava o porquê.
—Eu já estou indo, querida... – murmurou ele ficando de pé e virando o copo de whisky. Depois, com um aceno de varinha, ele desligou o toca discos e suspirou parecendo quase infeliz.
—Você não vai ficar assim o resto da noite, vai? Rasalas está concorrendo a um prêmio de título! – disse ela preocupada. Draco a olhou tristonho e suspirou.
—Desculpe. Eu... eu vou me recompor.
Quis perguntar pra ele o que tudo aquilo significava. Mas já estava cansada de perguntar aquilo e não receber uma resposta... se virou para sair, quando sentiu os braços de Draco envolverem sua cintura.
—Oh... – riu ao receber um beijo no pescoço.
—Eu te amo. – sussurrou ele. Astoria se virou e o encarou.
—Eu te amo, também. – riu o envolvendo ao redor do pescoço com os braços. Draco sorriu parecendo mais animado e a beijou.
***
O Ministério estava numa elegância sem fim. Rasalas estava de braços dados com sua esposa. Seu pai e sua mãe estavam juntos, sorrindo, enquanto conversavam com Lupin e Ted. Tia Addie estava lá também, com Nancy, a filha. Ela tinha sua idade e era muito, mas muito bonita e Adhara a empurrava para Draco sem se importar com o fato de que ele era casado com Astoria e que ela estava presente, apenas ocupada falando com os pais.
Tia Addie não gostava de Astoria. Falava que , palavras dela, o lindo primo maravilhoso dela merecia alguém mais gostosa. Como a filha dela, Nancy.
E Nancy olhava Draco com algum interesse também, mas pela primeira vez viu o amigo parecer sem jeito com uma mulher.
Uma mulher muito bonita.
Uma mulher muito bonita, sangue puro...
Uma mulher muito bonita, sangue puro e metamorfomaga.
Só podia imaginar o que raios se passava na cabeça de Draco Malfoy.
Nunca tinha visto o amigo trair a esposa, apesar de que ainda não estava convencido que Draconis não fosse filho dele, por mais que Alhena e Draco negassem veemente. Mas isso não significava que o amigo não dava umas risadas canalhas pra mulherada.
Pansy logo chegou e Draco a apresentou para Nancy, numa tentativa de desaparecer. E ele o fez mesmo. Cinco minutos depois parecia que Draco tinha desaparecido e Pansy e Romana estavam conversando com tanta intensidade que Rasalas não sabia se ficava lá pra ver no que ia dar, ou se procurava por Draco. Depois de praguejar por ser tão bom amigo, foi procurar o loiro, deixando que Nancy e Pansy ficassem conversando de maneira promissora, para trás...
Achou estranho o fato dele sumir e resolveu procurá-lo. Draco estava muito estranho. Muito tristonho. O seguiu para o elevador do Ministério, onde ele parecia estar tentando ir.
—Pretende se esconder de Nancy, ou marcou de se encontrar com alguém? – perguntou com um sorrisinho. Draco deu de ombros.
—Não estou com clima pra romances. – respondeu ele. – Sem falar que sou muito bem casado, obrigado. – adicionou ele dando de ombros.
—Vem... vamos pro meu escritório. Podemos conversar melhor lá. – disse Rasalas. Draco sorriu, concordando e os dois entraram no vão do elevador. – O que você tem? Precisa falar com alguém?
—Na verdade sim... – murmurou Draco olhando Rasalas – Eu... eu não aguento mais escon...
Mas algo muito estranho aconteceu. Um barulho horrivelmente alto ecoou e tudo pareceu tremer. As paredes racharam e a poeira começou a despencar do teto. Rasalas e Draco caíram juntos no chão e um barulho terrível de algo se partindo ecoou por todo lugar. Escutaram gritos e depois outra explosão.
E por fim, ficou tudo escuro e silencioso.
Se sentou, tossindo por conta da poeira e olhou para Draco. Ele estava desmaiado, pois um pedaço de pedra tinha caído em sua cabeça. Um filete de sangue escorria pela testa dele.
—Draco? Draco? – murmurou sacudindo o amigo. Mas então algo mais urgente o tomou – Meu Merlin... Daphne! Mãe! Pai! – disse se levantando. Socou o botão do elevador, mas ele não se moveu, nem a voz mágica disse alguma coisa. Sacou a varinha – Lummus... – as grades douradas do elevador estavam retorcidas e os escombros tinham bloqueado a passagem. Estava confuso. Muito confuso.
Se abaixou e pegou Draco no colo. Depois aparatou com ele, para o lado de fora. Aos poucos algumas pessoas foram aparatando. O chão tinha cedido e quebrado. O que antes tinha sido o Ministério da Magia, agora parecia apenas escombros.
As pessoas olhavam assustadas e ele pode ver trouxas se aproximando e olhando curiosos. Aquilo era estranho. A magia deveria fazer com que eles não viessem. Que eles os ignorassem... mas parecia que a magia protetora tinha se desfeito juntamente com as paredes do Ministério.
E os bruxos seguiam aparatando, confusos, feridos, causando algum pânico nas ruas. Largou Draco em qualquer lugar e foi procurar pelos pais, por Daphne, por Pansy e por Astoria. Ficou bons minutos nessa missão. Ao ver seus pais, correu até eles, para abraçá-los. Sua mãe estava ferida, com um corte feio na cabeça, mas seu pai estava desacordado, sangrando muito, com a traje a rigor empapado de sangue.
—Rabastan? Meu Merlin! Rabastan! – chorou sua mãe pegando a varinha. Rasalas se ajoelhou ao lado deles, chocado e, junto com a mãe, começou a curar Rabastan.
—Por favor, curandeira. Me ajude! – pediu um homem, desesperado – Minha filha! Minha filha está ferida.
—Só um momento. – chorou sua mãe.
—Não tenho um momento! Venha logo! Ajude a minha filha.
—Eu estou ajudando o meu marido. – disse sua mãe, mas o homem, no desespero, puxou a varinha. Rasalas o estuporou agilmente e voltou a atenção para o pai, que ainda sangrava muito.
—Rasalas! – chorou Daphne. Se virou e viu a esposa chegar, com um feio ferimento nas costelas. Um pedaço de metal tinha entrado nas costelas dela e ela vinha mancando – Me ajude. A Astoria... ela está presa. Eu não consegui tirá-la de lá.
****
Scorpius parecia muito infeliz. Draconis e Navi o olhavam com pena. A mãe dele tinha morrido, graças a uma explosão causada por um trouxa com alguma arma estranha, que explodia. O Profeta Diário já começava a fazer reportagens, falando sobre os perigos da tecnologia trouxa, fazendo os questionamentos: O Lorde das Trevas estava mesmo errado? Os trouxas são um perigo para a comunidade mágica?
Navi se enfurecia só de escutar as pessoas falarem que talvez o Lorde das Trevas tivesse tido razão. Aquele homem só tinha trazido destruição para o mundo bruxo. Apenas morte.
—Bem... talvez ele estivesse certo. – arriscou Draconis – Talvez fosse o preço a ser pago para nos proteger. Olha só o que os trouxas são capazes de fazer. Centenas de bruxos morreram. Poderiam ter sido os seus pais. – disse ele – Ainda bem que meu pai estava doente. Ai, nem ele e nem a minha mãe quiseram ir...
—Não devemos julgar a comunidade trouxa por conta de um maluco que fez merda. – ralhou Navi. Draconis deu de ombros.
—Scorpius. – escutaram a voz da meia irmã de Draconis. Rose Burton. – Eu realmente sinto muito... – murmurou ela.
Rose era muito, muito bonita. Ela estava na Corvinal e pelo que Draconis tinha dito, a mãe dela também morreu no acidente.
“Eu vou ter que aturar ela morando com a gente. Como se eu já não tivesse irmãos o suficiente.” Foi o que Draconis resmungou.
Navi não se importaria de ver Rose nos verões também. Ela era um colírio para os olhos. Branquinha com os cabelos negros e os olhos azuis faiscantes do pai dela... e aquela boquinha perfeitamente desenhada. Tinha uma puta quedinha por ela e Draconis vivia ralhando por isso.
“Se você se meter com a minha irmã, eu meto na sua.”
Então apenas ficou olhando Scorpius receber o abraço da garota.
—Ei, mana. Como você está? – perguntou Póllux... ou Castor...
—Estou bem, Cast. – respondeu ela soltando o amigo para se abraçar – Acho que a ficha só vai cair de verdade na hora de voltar pra casa, não é?
—Bem... sempre vai ser bem vinda na nossa casa, maninha. – disse Póllux, ficando ao lado do irmão gêmeo, que simplesmente era idêntico a ele.
Draconis revirou os olhos e comeu uma uva, dando de ombros e Lyra pulou nas costas dele.
—PRIMOOOOOO! – gritou ela. Draconis quase caiu pra trás. Eles estavam no terceiro ano, Lyra no segundo. – Sabe o que eu decidi?
—Não dou a mínima. – resmungou Draconis. Mas Lyra deu a volta nele e se sentou em seu colo. Navi revirou os olhos, voltando a tomar suco e notou que Albus olhava enciumado.
—Eu decidi que você é o garoto mais bonito do seu ano. E como eu sou a garota mais linda do meu ano, nós totalmente deveríamos namorar.
—Não. – respondeu Draconis.
—Mas primo. Vocês são os mais lindos. – debochou Navi – Depois de mim, é claro.
—Você é irmã do meu melhor amigo, Lyra. Nós já conversamos sobre isso! – ralhou Draconis. Mas Lyra sorriu travessa pra ele.
—Só um beijinho, priminho. Me ensina a beijar, vai? – perguntou ela e Navi caiu na gargalhada.
—Pega ela, Draconis. – riu Navi. Se ele pegasse Lyra, se sentiria livre pra paquerar Rose. Não a Weasley, credo... a Burton.
—Eu não. Lyra. Sai daqui! – resmungou Draconis ficando de pé, mas Lyra pulou nas costas dele.
—Vamos, priminho! Vamos dar uns beijinhos.
—Você é louca.
Navi começou a rir e até Scorpius riu um pouquinho. Lyra finalmente soltou Draconis e foi até Scorpius.
—Ok. Então eu vou dar um beijo em você, pra não ficar tão triste. – disse ela o segurando no rosto. Scorpius piscou surpreso e Lyra o puxou pelo rosto, o beijando lentamente, de maneira que sugeria que ela já andava beijando garotos por ai.
Scorpius corou muito, mas beijou Lyra de volta. E quando ela se afastou dele com um sorrisinho, ele sorriu bobamente, indo pra frente, como se não quisesse se afastar dela. Mas ela bagunçou os cabelos dele e saiu marchando, mostrando o dedo para Albus, que estava olhando zangado para a cena.
—Daddy issues? – perguntou Draconis com um sorrisinho.
—Falta de umas palmadas, isso sim. – riu Navi dando uns tapinhas nos ombros de Scorpius – Fala ae, cunhadinho.
—Ela só quer fazer ciúmes no Albus. – riu Scorpius, meio sem jeito. Albus cruzou os braços, soltando um muxoxo.
—Ela é uma idiota. Eu não gosto dela! Ela pode beijar quem ela quiser! – resmungou o garoto.
—Ei, não pode xingar a minha irmãzinha, Potter! – ralhou Navi pegando a varinha. Draconis deu uma risadinha e viu os irmão rirem também, mas ninguém riu mais do que Scorpius quando Albus começou a girar de cabeça pra baixo, no ar.
*****
Navi olhou para as duas gêmeas e soltou um suspiro. As duas olharam para ele e sorriram de volta, acenando com um sorrisinho. Ele sorriu de volta e levou um tapão na cabeça.
—Pode parar. Elas têm três irmãos mais velhos pra te azarar. – ralhou Draconis.
—Eu só tava olhando. Eu não me importo que você olhe pra minha irmã!
—Eu não quero olhar a sua irmã! Credo. – resmungou Draconis.
—Por que não? Minha irmã é bonita. – riu Navi – Só porque ela é insuportável, não quer dizer que você não pode dar uns beijinhos nela. – riu ele. Draconis revirou os olhos.
—Você é um idiota. Quer que eu pegue sua irmã só pra você poder pegar as minhas!
—Exatamente! – riu Navi.
—Eu vou te acertar um soco. Eu juro que vou! – ralhou Draconis.
—Com esses bracinhos finos? Eu duvido. – riu ele.
—Meus braços não são mais tão finos, ok? – resmungou Draconis.
—Ainda são menores que os meus. – riu Navi – Sério... como que você pode ter tanta irmã gostosa? É a Rose, as gêmeas... A Prim é bonita também... mas muito novinha.
—Como você pode ter a boca tão grande? – perguntou Draconis – Vamos. Temos aula agora. Binns.
Navi estremeceu e resmungou.
—Eu não acredito que esse cara ainda dá aula... deveriam arrumar um professor decente pra gente. – resmungou. Draconis deu de ombros e os dois saíram do Salão Comunal.
—Eu já falei que estou apaixonado? – perguntou Navi. Draconis revirou os olhos.
—Você sempre está apaixonado... e a paixão acaba no exato momento em que você transa com a pobre coitada da vez.
—Quer saber ou não quer saber por quem? – ralhou semicerrando os olhos.
—Você sabe que eu sempre quero saber por quem. – riu Draconis o olhando zombeteiro.
—Roxane Weasley. – riu Navi.
—Huuum... eu aprovo. Vai com fé. – riu Draconis.
—Marquei de me encontrar com ela na torre de Astronomia hoje a noite.
—E ela aceitou? Já? – perguntou o primo, parecendo surpreso.
—Draconis... parece até que não me conhece. – riu convencido.
Ao chegarem na sala, Navi deu um jeito de se sentar entre Draconis e Rose, que riu dele.
—Olá, meninos.
—Ooooi, Rose. Já disse o quanto está bonita hoje? – perguntou Navi. Rose deu um sorrisinho abatido e Navi sentiu Draconis chutar seu tornozelo. – Ai! – recebeu um olhar censurador do amigo-primo e soltou um muxoxo – Não posso nem elogiar mais?
—Draconis é muito protetor. – riu Rose.
—Eu sei muito bem. – resmungou Navi – Ele nem deixa eu te dar uns beijos. Acredita nisso? Ai! Draconis! – chutou o tornozelo dele, também e Draconis o empurrou e ele o empurrou de volta – Isso dói!
—É pra doer! Para de ficar dando em cima das minhas irmãs! Tem milhares de garotas na escola. Por que quer beijar logo as que tem parentesco de sangue comigo?
—Ela nem é sua irmã. Você é filho do tio Draco, esqueceu? – brincou ele.
Mas Draconis apelou de verdade. Nunca tinha feito aquela brincadeira na escola e assim que a soltou se arrependeu. Mas Draconis o socou assim mesmo. Caiu no chão, zangado e quando Draconis veio pra cima, para lhe dar outro soco, o socou primeiro.
Rolou pra ficar em cima dele e o socou de volta. De novo. De novo e de novo. Draconis parecia zonzo, mas ele o socou mais uma vez, sem pensar. Estava zangado por ter apanhado, só isso. Mas quando parou pra olhar a mão, que doía, levou um golpe no queixo. Desmontou no chão e sentiu os punhos do primo em seu rosto novamente.
Tentou segurar as mãos dele, enquanto escutava os alunos que já tinham chegado gritar:
—BRIGA! BRIGA! BRIGA! BRIGA!
Conseguiu jogar o primo pra longe e os dois se levantaram, se olhando furiosamente. Ambos finalmente lembraram das próprias varinhas e ambos as apontaram um para o outro. Navi estava pronto para começar o duelo, quando Rose entrou no meio.
—Parem com isso! – ralhou ela.
Olhou novamente para o primo, sentindo-se irado. Draconis o olhou com desgosto, guardou a varinha, pegou a mochila e a colocou no ombro. Ainda viu o primo limpar o sangue que escorria de um corte, antes dele sair da sala e o professor Binns aparecer atravessando o quadro.
—Bom dia. Em seus lugares. – disse o fantasma, sem um pingo de emoção. Navi olhou para Rose, que o olhou com censura. Ela pegou a própria mochila e trocou de lugar, para não se sentar perto dele.
Zangado, mudou de lugar pra ficar ao lado de Vince Goyle.
—Idiotas. – resmungou Navi, amuado.
—Que papo é esse de que o Draconis não é filho do pai dele? – perguntou Vince.
—Era só uma brincadeira. – disse sentindo o rosto latejar – Mas ele não tem senso de humor. Idiota, retardado. – resmungou zangado, tocando de leve onde Draconis tinha lhe acertado.
******
Draco estava bebendo seu whisky, olhando para as chamas na lareira, sentindo-se solitário. Com Astoria morta e Scorpius na escola, não havia nada que o distraísse de seus fantasmas do passado.
Então se levantou e pegou sua penseira. A colocou sobre a mesa e mergulhou a cabeça em suas memórias mais secretas. Viu o rosto contente de Alhena sorrir para ele, há muitos verões atrás. Ela usava um vestido branco, muito leve e parecia um cristal, ou um diamante, no meio de todo aquele carvão sujo que eram os comensais de morte. Ela era como uma fonte de luz naquela casa... queria ter notado aquilo antes...
Ficou se observando naquela lembrança, ele e ela, muito jovens, sob a sombra de uma árvore no jardim, ambos deitados na grama. Ele parcialmente em cima dela, completamente envolvido pelo beijo. Viu sua mão tocar a coxa dela, numa carícia e Alhena jogar a cabeça para trás, para que ele a beijasse no pescoço. Mudou a memória, indo para aquela noite onde ele e Alhena saltaram da Torre de Astronomia.
Mas aquilo era forte demais para assistir. Se obrigou a sair da penseira, se sentindo culpado por estar vendo aquelas lembranças quando deveria estar de luto por Astoria.
Estava de luto pela esposa, mas agora que ela não estava ali, se sentia cada vez mais tentado a ir atrás de Alhena e devolver suas memórias. Só não sabia o que iria acontecer. Como iria lidar com isso.
Tinham se tornado bons amigos, mas nem de perto o que costumavam ser.
Voltou a pegar a penseira e ficou assistindo a memória de seu casamento, mas seu peito doeu de maneira insuportável. Respirou fundo pegando o whisky novamente, quando um elfo apareceu e fez uma reverência. O olhou com desprezo esperando que ele dissesse o motivo de estar ali.
—Senhor, é a Sra. Burke. Ela gostaria de vê-lo.
Ficou um tanto surpreso e se perguntou o que ela queria. Sentindo um frio lhe subir a espinha, concordou com um aceno de cabeça.
—Traga-a aqui. – disse autoritário. O elfo concordou e desapareceu. Sem perder tempo, guardou a penseira e suspirou ficando de pé, bebendo o whisky. Os minutos passaram e finalmente Alhena entrou.
Ela já não era tão jovem e bonita como a Alhena que ele gostava de ver na penseira. Ela tinha engordado por conta dos sete filhos que tivera. Não estava gorda, mas magra certamente não estava. Fora de forma. Mas ela usava roupas elegantes, maquiagem e um penteado formal. Alhena sempre andava muito bem arrumada e isso disfarçava o fato dela já não ser tão jovem ou não ter mais um corpão.
Mas ele ainda a achava bonita. Ela ainda tinha os seios grandes, a cintura relativamente fina, o quadril bem marcado e uma bunda empinada, além dos olhos brilhantes e verdes, que apenas as filhas tinham puxado. A boca dela ainda parecia ter sido desenhada apenas para beijar, o nariz dela ainda era delicado e pequeno. Ela estava envelhecendo bem, essa era a verdade.
Draco colocou a bebida sobre a mesa, suspirando, e depois pegou um copo vazio.
—Olá, Draco. – murmurou ela. Ele soltou um suspiro.
—Whisky?
—Sem gelo, por favor. – murmurou ela. Draco concordou, servindo um copo e indo até ela. Alhena aceitou o copo e suspirou.
—O que te trás aqui? – perguntou ele. Alhena suspirou mais uma vez.
—Eu vim ver como você está. – respondeu ela – Eu não consigo parar de pensar no quanto você deve estar se sentindo só, aqui na Mansão...
Ele engoliu em seco e concordou com um aceno de cabeça.
—Assustadoramente silencioso... – disse ele – Sem Astoria ou Scorpius... essa mansão é grande demais...
—Por que ela é tão grande? – perguntou Alhena. Draco a olhou mais uma vez, a achando bonita.
—Ganhamos essas terras de um rei William alguma coisa. E fomos anexando mais e mais terras, comprando-as dos trouxas que moravam aqui perto... conseguimos um terreno imenso... na época os Malfoy tinham muitos filhos, cada um com suas famílias. Mas com o passar do tempo... fomos encolhendo, diminuindo... – ele soltou um suspiro, olhando o próprio copo – E eu terminei sozinho aqui...
Alhena o olhou carinhosa.
—Eu... eu preciso confessar algo egoísta. – murmurou ela. Draco a olhou curioso – Algo muito egoísta... mas... não quero que Damian fique sabendo...
—O que é?
Alhena sorriu triste, olhando para o líquido dourado em seu copo.
—Me conte algo egoísta primeiro? – perguntou ela – Para que eu fique mais... confortável?
Draco se perguntou o que ela poderia estar querendo falar. Soltou um suspiro e se sentou ao lado dela.
—Algo egoísta, você diz? – perguntou ele – Como o que?
—Eu não sei... – murmurou ela sem encará-lo.
Draco soltou um suspiro.
—Bem... qual o nível de egoísmo? Baixo, médio, alto, absurdo ou imperdoável?
—Pode ser o absurdo. – respondeu ela. Draco concordou com um aceno de cabeça e suspirou.
—Bem... se você ficar bêbada comigo, eu posso concordar em termos um segredo sujo, eu e você. – respondeu ele. Alhena revirou os olhos.
—Eu falo sério, Malfoy.
—Eu também. – riu ele. Alhena o olhou corada e sem jeito.
—Eu tenho medo do que seria imperdoável... – riu ela – Damian é seu amigo!
—Vai me julgar ou me contar seu egoísmo? – perguntou com um sorriso canalha. Alhena suspirou, desviando o olhar.
—Clover morreu na explosão que houve no Ministério. O marido dela morreu anos atrás em Azkaban... – Alhena fechou os olhos – A filha que o Damian teve com aquela mulher... ela vai vir morar com a gente e eu disse que não me importo, mas... – ela fez uma careta desgostosa – Vou ter que conviver com a prova de que ele me traiu... vamos dividir o mesmo teto. Ela e os meus filhos... – Alhena o olhou parecendo muito infeliz – Eu sei que ela é só uma garota. Ela só tem treze anos... mas... Ela é filha de outra mulher, com meu marido... céus! – ela fechou os olhos parecendo zangada, magoada, desgostosa – Eu sei que é egoísmo criar caso. Ela não tem mais ninguém. Damian é a única família que ela tem... além, é claro, dos nossos filhos, mas... – ela o olhou chorosa – Você entende? Como eu me sinto?
—Perfeitamente. – murmurou Draco pensando em Draconis.
Em como abriu mão dele para que o garoto tivesse uma família estável. Para que ele não tivesse que crescer escutando que era um bastardo. Para que Damian e Alhena não tivessem problemas entre eles... Draconis crescera em sua casa e se tornara um bom garoto, mas ele nunca o chamaria de pai, ele nunca seria seu amigo, ele nunca seria um Malfoy... Draconis amava Damian e tinha um carinho com ele maior do que todos os irmãos... ou ao menos era assim que enxergava. Se roia de ciúmes. Tinha vontade de falar a verdade pra todos... mas simplesmente não poderia... não poderia... não depois de tanto tempo...
—O que eu devo fazer? – perguntou ela – Eu conto para Damian como eu me sinto? Ele vai ficar muito chateado... ela é filha dele, eu gostando ou não e ela não tem mais pra onde ir... mas vai ser tão... tão doloroso tê-la lá em casa... Sem falar que Cerce e Dido não gostam nada dela.
—Por que? – perguntou ele franzindo a testa.
—Eu não sei... ciúmes, talvez... talvez tenham transferido a minha mágoa... eu não sei o que aconteceu... Eu só sei que elas não se gostam... elas mandaram cartas falando que não a querem lá em casa... minha família está virando uma bagunça...
—Família e bagunça são duas coisas que andam juntas, não é? Ainda mais numa grande como a sua... – murmurou Draco. Alhena suspirou e concordou – Eu acho que você precisa engolir o orgulho e a mágoa, Alhena... aquela garota não é culpada de nada... e ela não tem mais a quem recorrer. E você vai ter que fazer suas filhas fazerem o mesmo...
*******
Lyra estava andando pelo corredor, com Scorpius e Albus, seus dois grandes amigos. Tinha plena consciência de que os dois estavam zangados um com o outro e ela se perguntava se era porque ela tinha beijado Scorpius. Achava uma gracinha que eles tivessem combinado que nenhum deles iria beijá-la, tipo... nunca.
Então ela beijou os dois. Albus ela beijou escondido. Achava que Scorpius não sabia. Mas Scorpius ela beijara na frente de todo mundo, tentando fazer ciúmes em Draconis, mas ele não pareceu se importar. Ele era muito certinho, o Draconis. Muito comportadinho. Não fazia a menor ideia de como ele e Navi não se socavam mais vezes.
Navi era insuportável. Completamente insuportável. E agora até Draconis estava notando isso. Era uma brincadeira muito idiota Navi falar que ele era um bastardo. Ela via tia Lena e tio Damian. Eles pareciam tão unidos... não conseguia imaginar tia Lena traindo tio Damian. Não mesmo.
—Ei. O que vamos fazer hoje? – perguntou ela pros dois garotos – Temos que aproveitar que já é final de semana.
—Eu sei lá. Qualquer coisa. – resmungou Scorpius – Talvez eu pegue a vassoura pra treinar quadribol, afinal... – ele passou a mão pelos cabelos – eu sou o apanhador da Sonserina.
—Nunca vai derrotar James. – riu Albus.
—Cala a boca. Vou sim. – resmungou Scorpius.
Lyra revirou os olhos e viu Draconis andando sozinho, pelo corredor. Sorriu e correu até ele, para abraçá-lo. Draconis piscou surpreso e a abraçou de volta, rapidamente.
—Meu irmão machucou seu rosto. – ralhou ela passando o polegar pelos lábios bonitos dele – Por que não foi na Ala Hospitalar? O Sr. Fungus cuidaria rapidinho dos seus machucados.
Draconis suspirou e colocou a mão sobre a dela, emburrado.
—Madame Turner disse que era pro Sr. Fungus deixar nossos ferimentos se curarem sozinhos, porque envergonhamos a Sonserina. – resmungou ele.
Lyra soltou um muxoxo e o beijou rapidamente o lábio cortado dele. Apenas um selinho. Draconis a olhou surpreso e corou de leve.
—É só pra sarar mais rápido. – riu ela se afastando. Draconis sorriu arqueando uma sobrancelha e ela escutou umas tossidinhas atrás de si.
—Vai começar a beijar todo mundo agora, é? – perguntou Albus, com censura na voz.
—Eu beijo quem eu quiser! – riu Lyra voltando a andar, super contente consigo mesma. Escutou os meninos bufarem atrás de si e eles logo a alcançaram. Abraçou os braços dos dois e foram passear do lado de fora do colégio.
—Lyra. De quem você gosta mais? De mim ou do Albus? – perguntou Scorpius. Ela piscou surpresa para os dois.
—Gosto igual, dos dois. – respondeu ela.
—Então... você nunca vai namorar um de nós? – perguntou Albus.
—Não sei. Nunca é um tempo muuuuuuuuito comprido, não acham? – perguntou ela.
Os dois se olharam e deram de ombros.
—Eu não importo com qual de nós você vai namorar. – disse Albus – Desde que nós três continuemos sempre amigos. – adicionou ele.
—Eu concordou com o Albus. – riu Lyra – E você, Scorpius?
—Eu sei que vocês não vivem sem mim. – riu ele – Vamos ser sempre amigos. Sempre. – adicionou ele, calmamente.
Lyra os soltou e colocou a mão aberta, com a palma para baixo na frente deles.
—Juram?
—Eu juro. – disse Scorpius colocando a mão em cima da dela. Albus se aproximou, fazendo o mesmo.
—Eu juro também. Sempre seremos amigos! – disse ele.
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