Notas iniciais
Gente... a internet aqui tá uma merda... não sei se vou conseguir postar, mas vamos lá ahsuahsaus Olha... pros mais calejados, esse capítulo é tenso e feels... pros sensíveis... peguem a velha amiga de vocês, a caixinha de lencinhos ahsuahsausha Eu acho esse capítulo super importante =P Mas vamos logo! Se tiverermos mais 10 comentários, teremos capítulo no Domingo. Se não tivermos, o próximo sai na quarta feira! ♥ Beeeijos! Titia ama vocês!

Capítulo 68

—Eu quero ver. – rosnou Rabastan. Rasalas negou com o rosto.

—Deixe os medibruxos terminarem de...

—Eu quero ver, Rasalas. – rosnou seu pai, parecendo assustadoramente com Rigel. Não aguentaria ver mais alguém em sua família louco daquele jeito. Draco estava sentado num banco, massageando a mão machucada, com ódio no olhar. Damian parecia simplesmente derrotado. Mas seu pai parecia louco. Louco – Saia da minha frente. – E Rasalas saiu. Havia uma hierarquia ali. Rabastan era o patriarca da família. Ele era o Lestrange mais velho. Não era como os Burke, que passavam a coroa antes do mais velho morrer. A última palavra era de Rabastan e ele queria ver a filha. Abriu a porta e viu os medibruxos avaliando a mente dela, com penseiras e varinhas apontadas para a cabeça dela. Mas Alhena nem parecia estar ali. Ela tinha um ar muito sereno, mas ao mesmo tempo vago, perdido, distante. Um jarro vazio e sem conteúdo. Engoliu em seco e se aproximou dela, mas Alhena não pareceu notar – Saiam. – disse para os medibruxos, que simplesmente não contestaram. E isso lhe deu uma certeza alarmante. Não havia o que ser feito. Engoliu em seco e quando os bruxos saíram, deixando-o a sós com a filha, finalmente deixou a expressão fria e controlada de lado. Ele era apenas um pai, desesperado, com o que quer que tivesse acontecendo com sua filhinha querida – Alhena... – chamou angustiado – Você pode me ouvir? – mas ela não respondeu. Ela nem mesmo reagiu. Nem mesmo parecia tê-lo notado. Engoliu em seco e fungou de leve – Meu amor... você está ai? Por favor, me dá um sinal de que pode ao menos me ouvir? – segurou a mão dela com carinho – Aperte se conseguir me ouvir. – mas ela não apertou. Apenas continuou olhando a parede, sem responder, sem reagir. Sentiu um imenso aperto no peito – Por favor, Alhena... não faz isso comigo... não faz isso... responda. Você é uma mulher forte. Você não deixou que eles quebrassem você... fale comigo. Me dê um sinal de que pode me ouvir... por favor... – mas ela não reagiu. Rabastan pressionou os lábios, inconsolável. Pegou o rosto de sua filha entre as duas mãos e soluçou, desesperado. Ela estava tão magra. A pele estava mole e ela parecia muito mais velha do que ela realmente era. Os cabelos estavam quebradiços, brancos e opacos, os lábios cortados e ressecados. Os braços dela tinham roxos que denunciavam que tinham a segurado com força ali. Ela foi maltratada, isso era óbvio de ver. Que terríveis maus tratos sua filha teria passado? – Eu sinto muito, Alhena... – lamentou Rabastan se sentindo inútil. – Eu deveria proteger meus filhos... mas isso aconteceu com você, Rasalas virou um lobisomem e pelo que tudo indica Rigel ficou louco... eu falhei com todos vocês? – perguntou olhando nos olhos vagos da filha, que não reagiram.

A soltou, respirando fundo, tentando se conter, se controlar. Mas estava muito difícil. Engoliu em seco e secou o rosto antes mesmo que as lágrimas descessem de fato. Olhou uma última vez para a filha, que não parecia ter consciência de coisa alguma, e então saiu da sala. Rasalas o olhou aflito e Rabastan respirou fundo, se fazendo de forte.

—Seu irmão. Onde está o seu irmão?

—Não fale com ele ainda, pai. É ainda pior do que a Alhena. – murmurou Rasalas – Ele está completamente fora de si...

—Onde está o seu irmão, Rasalas? – perguntou rispidamente. Por um momento se lembrou do modo como o próprio pai falava e se deu conta de que não era muito diferente dele, afinal.

Rasalas engoliu em seco e o guiou para outro corredor. Andaram até outra sala, onde entraram sem fazer barulho. Ted Lupin estava lá, olhando Rigel, que estava todo remendado, com uma tipoia no braço, falando com Lupin, com um sorriso sinistro no rosto.

—Não vai me agradecer? – perguntou Rigel, colado ao vidro.

—Pelo que? – perguntou Ted.

—Por matar Emma. – respondeu Rigel – Ela roubou o celular da Vick, sabia? Como ela está, diga-se de passagem?

—Eu não posso falar com você. – resmungou Ted. Nenhum dos dois tinha visto Rabastan e Rasalas na porta.

—Mas não há nada que diga que eu não possa falar com você. – ele soltou um suspiro e deu uma risadinha – Ei, você já escutou aquela do membro da Ordem da Fênix... com vidro quebrado no estômago? – perguntou Rigel tamborilando os dedos no vidro.

—Não estou no clima para piadas, Lestrange. – rosnou Lupin. Mas Rigel sorriu de um jeito que parecia Rodolfo...

—Quando eu contar uma piada, é melhor você prestar atenção... – aconselhou Rigel – Ou você pode acabar perdendo a frase de efeito. – ele deu uma risadinha, passando a língua nos lábios – Você poderia até acabar sendo a frase de efeito... – riu ele e Ted respirou fundo – Não, não tema, não precisa ficar com medo. Somos amigos, não é? Eu gosto de você. Mais do que o último que ficou me vigiando... ele não tinha senso de humor... mas você tem, não tem, Ted?

Rabastan cansou de ficar na porta e entrou de uma vez. Rigel o olhou e sorriu.

—Saia. – disse para Lupin. O rapaz engoliu em seco e saiu junto com Rasalas.

—Olá, papai. – riu Rigel colando a testa no vidro. Rabastan pegou a varinha, desfez o feitiço, de campo de proteção e Rigel deu um sorrisinho – Você já teve ideias melhores, papai.

—O que você fez com a sua irmã? – perguntou apontando a varinha para ele. Rigel sorriu e levantou a cabeça, expondo o pescoço.

—Você vai me matar? Vamos. Vamos. Adoraria ver isso. – riu ele parecendo absolutamente empolgado – O que vai fazer, papai? Matar seu caçulinha? – perguntou Rigel se aproximando – Ou talvez um pouco de cruciatus... eu conheço bem a maldição. Fizeram tanto em mim por ter deletado a mente de Alhena que eu acho que alguma coisa aqui estragou, sabe? – perguntou ele cutucando a própria têmpora – Quer saber o que eu fiz com Alhena... antes posso falar o que fizeram comigo? O senhor vai adorar esses caras. – riu Rigel e Rabastan engoliu em seco – Lembra quando você era Comensal de Morte? As coisas que você e seus amigos faziam? Então. – riu Rigel o olhando com um sorriso empolgado e os olhos completamente insanos – Foi bem parecido. Eles nos prendiam e nos torturavam. Faziam isso até que a gente implorasse para morrer, sabe? E então, quando não tínhamos mais vontade de viver, eles ameaçavam as nossas famílias. Você, mamãe, Lena, Rasalas e Polaris. Até os meninos... todo mundo. Assim eles garantiam que nós iríamos cooperar. – Rigel deu outro passo para frente, com um sorriso terrível no rosto – E então, eles pegaram uns trouxas e mandaram a gente foder a mente deles. Apagar tudo. De maneira irreversível, porém dolorosa. Como um cruciatus... mas muito, muito pior... mais rápido e permanente. – Rigel começou a andar para os lados, o olhando com atenção – E então eles trouxeram a Alhena. Eles prendiam ela numa cama e enfiavam uma agulha na região do canal lacrimal... e então eles extraíam um pouco de soro... claro, algumas vezes eles erravam e vinha um pouco de cérebro. Era aí que eu entrava. Eu tinha que manter o cérebro saudável, para que continuasse produzindo o soro. – Rigel deu uma risadinha – Bons tempo... bons tempos. Porque eu aprendi a cuidar dela. Eu aprendi. Eu e Alhena, cuidávamos um do outro, dávamos esperanças um para o outro. Dizíamos: eles vão nos achar. Eles vão nos tirar daqui... – Rigel deu outra risada, quase histérica – Vocês davam esperanças aos seus prisioneiros? – Rigel sorriu com deboche – Mas então, tinha esse cara, que era como o chefe deles, sabe? E só tinham homens lá... e você sabe como são os garotos... – riu Rigel passando a mão nas calças, se massageando de maneira pervertida – E Alhena era uma mulher bonita. Eles começaram a olhar. Eu notei. É claro que eu notei... mas chegou um momento em que eles não aguentaram mais. Então eles levaram ela para outra sala. – Rigel sorriu e Rabastan engoliu em seco – Ah, você vai gostar dessa parte – riu ele lhe apontando o dedo com um sorriso divertido – Eles tentaram trepar com ela, mas ela lutou. Alhena sempre foi e sempre será uma Lestrange... e nós somos guerreiros... não é isso que você sempre falava? – riu Rigel – Mas o chefe não gostou e decidiu que era hora de... domesticar Alhena. E ele fez ela andar por toda a instalação nua... enquanto ele ia perguntando quem iria querer fodê-la no dia seguinte. Ele me deu o saco de galeões. Eu contei depois. Cento e dois galeões. Um galeão pela boceta dela e dois pelo rabo dela. Sim... – Rigel soltou um suspiro – Muitos pagaram para mais de uma foda, sabe? Mas Alhena não queria passar por isso. Então ela me pediu pra apagar a mente dela... e eu fiz. Eu apaguei tudo. Transformei ela naquilo. Ela não sente, ela não absorve... nada mais do que... – ele desenhou um corpo violão no ar com a mão boa – Uma casca bonita. E então os homens vieram. O chefe primeiro, afinal ele era o chefe. E ele me fez assistir, papai. – riu Rigel sorrindo de maneira demente – Eu vi ele foder a minha irmã de todas as maneiras que ele podia imaginar... eu teria imaginado mais umas três outras posições, mas ele não pediu minha opinião... – disse ele dando de ombros e Rabastan apertou o punho, completamente enojado e furioso – E então... veio o próximo, e o próximo e o próximo. E eu assisti a cada uma das várias performances. Mas como eu estava muito quieto, lá pelo vigésimo... o chefe achou que eu estava confortável demais. Então eu fui torturado ao lado dela, enquanto eles a estupravam de novo e de novo e de novo. E quando tudo terminou, eu apanhei. Apanhei até apagar... foi quando tudo começou a fazer sentido na minha cabeça e as pessoas começaram a me chamar de louco. – riu Rigel – Eu sou um Lestrange... por isso eu comecei a matar cada um daqueles loucos. Mas eu não terminei, papai... ainda faltam alguns e eu vou caçar cada um deles...

—Você não está em condições de caçar quem quer que seja, meu filho. – murmurou Rabastan, horrorizado com tudo o que tinha escutado.

—Acredite, papai... eu estou melhor agora do que nunca... então me deixe sair... – riu Rigel – E eu vou fazer o chefe chorar. – riu Rigel se aproximando com aquele sorriso horrível no rosto. Parecia Rodolfo falando do Lorde das Trevas em Azkaban... com aqueles olhos esbugalhados e o sorriso sádico – Eu dou conta. Você precisava ter visto como eu cuidei deles, papai. Foram tripas para todos os lados... você sabia que quando a gente mata alguém, a pessoa se borra toda? – perguntou Rigel rindo desvairadamente, como se tivesse contado uma boa piada – Algum deles começaram a cheirar melhor depois que eu acabei com eles... aaaah... o senhor teria ficado orgulhoso. Eu acabei com eles. Eu os fiz gritar. – Rigel sorriu de novo – Os dois últimos que eu matei, eram irmãos. Os irmãos Tûk. Eu amarrei um deles e conjurei uma naja na frente dele. Então eu disse pro outro... “se você quiser salvar o seu irmão...” ele estava amarrado também, é claro... – riu Rigel revirando os olhos com aquele sorriso horrível, o rosto que uma vez fora tão bonito, agora desfigurado por cicatrizes que provavelmente nunca iriam sair – Em conjurei um garfo e entreguei pro outro irmão e falei: “se quiser salvar o seu irmão, tudo o que tem que fazer é arrancar os dois olhos com esse garfo... e colocá-los em cima da mesa...”, mas ele não teve coragem, a cobra matou o irmão dele e eu... eu o explodi em seguida... mas eu me arrependi... fiquei todo sujo de merda, depois. – disse ele o olhando obliquamente, antes de cair na gargalhada. Rabastan recuou um passo e engoliu em seco – Você achou que nunca iria pagar pelo que fez com os Longbottom, não achou? – perguntou Rigel com um sorrisinho – Quando eu estava no sétimo ano, eu perguntei pro professor Neville o motivo dele me detestar tanto... e ele contou o que você fez com eles. Depois eu perguntei pra mamãe e ela falou também... não me diga que tinha achado que já tinha pago só porque o Rasalas virou um lobisomem. – riu Rigel e Rabastan olhou para baixo – Você deve estar cheio de dilemas não é? – perguntou seu caçula andando ao seu redor, falando mansamente, com aqueles olhos loucos e o sorriso horrível – “Por que minha causa puro sangue me faz sangrar tanto?” – perguntou Rigel antes de rir de novo – Não se preocupe. Eu achava que tudo era sobre sangue... mas não era. O chefe me esclareceu... é sobre dinheiro, papai. Se fosse sobre sangue, Alhena não teria ido pra rodinha tantas vezes, não é...? – mas não aguentou mais aquele comentário maldoso do jovem. O empurrou contra a parede e ele gargalhou – E agora? Estou de castigo? – perguntou ele com deboche antes de gargalhar.

—Você ficou louco... – murmurou com um aperto no coração.

—Você também. Estamos cada vez mais parecidos, papai. – riu Rigel – Então me mate de uma vez, ou me deixa ir... eu tenho trabalho para fazer. Homens pra caçar... – Rigel o olhou com aquele sorriso terrível – Eles vão chorar, papai. Eles vão chorar... – riu ele – Eles não vão ter a dignidade da Lena, de aguentar tudo de cabeça erguida... ah, não... eles vão quebrar... como eu... e então eles vão morrer.

*

O natal estava chegando.

—Eu posso levá-la pra casa, pro natal? – perguntou Damian.

—Não acho sensato, senhor Burke. Sua esposa não vai poder sair mais daqui. Ela é um perigo para si mesma e para a sociedade. – explicou o médico – Infelizmente... esse quarto será a casa dela...

—Não há nada que vocês possam fazer? Pra ela melhorar? – perguntou Draco – Eu pago qualquer tratamento que...

—Eu tenho dinheiro, Malfoy, obrigado. – rosnou Damian, mas logo se abrandou. Draco estava um caco. De todos, ele fora o único que nunca tinha perdido as esperanças de encontrar Alhena sã e salva – Nós não precisamos do seu dinheiro... – murmurou calmamente e Draco desviou o olhar, inconformado.

—Eu realmente sinto muito, Sr. Malfoy e Sr. Burke, mas... mas o quadro dela é irreversível. O cérebro dela foi completamente destruído. Apenas as funções mais básicas ainda funcionam... como respirar, piscar e engolir. Ela não reage nem mesmo a estímulos de dor. Ela não sente medo, ela não reconhece nada... sem falar que está cega de um olho. Sua esposa morreu, Sr. Burke. Aquilo ali é só uma casca... seria completamente compreensível se... se quisesse dar poção do morto vivo para ela e então alguma poção que termine de desligar o corpo dela...

—Mas de jeito nenhum! – ralhou Draco.

—Alhena não iria querer viver desse jeito. – murmurou Damian.

—Não! Você não vai deixar que terminem de matar ela! – rosnou Draco.

—A decisão é do senhor, Sr. Burke. Já que é o marido dela. – explicou o medibruxo – Eu acho que seria menos cruel que...

—Não! – rosnou Draco – Disseram o mesmo pra você, quando era você naquela cama! – disse Draco, parecendo desesperado – Por favor, Damian, por favor. Não faça isso. Eu te... eu te... eu te imploro... – lamentou Draco olhando para a porta do quarto dela – Não deixem que terminem de matar ela... se você não quiser mais o trabalho... eu... eu assumo. Eu me responsabilizo por ela... – disse ele o olhando com visível desespero. Damian soltou um suspiro.

—De qualquer maneira, ela não vai viver muito mais tempo. – disse o medibruxo um tanto acanhado com o comportamento descontrolado de Draco. Damian apenas olhou o medibruxo, sentindo-se imensuravelmente triste – Levando em consideração a condição mental dela... como ela está completamente desligada do mundo, os órgãos dela vão começar a falhar aos poucos... como alguém em coma, sabe? O corpo vai morrendo aos pouquinhos, afinal ela não é mais capaz de fazer nada. Ela não come sozinha, ela não pode ir ao banheiro sozinha, ela não tem nenhum tipo de resposta. Provavelmente ela nem mesmo escuta ou enxerga.

Foi horrível escutar tudo aquilo.

—Eu vou continuar pagando o quarto dela. – disse Damian respirando fundo – Eu não vou dar essa poção pra ela... deixe... deixe que o tempo a leve...

Draco o olhou parecendo muito agradecido, mas o medibruxo não gostou nada de ouvir aquilo.

—Mas, senhor Burke. Levando em consideração o alto número de pacientes que chegam todos os dias, ainda mais agora que...

—Eu não ligo. Eu estou pagando, não estou? Ou você me deixa levar minha mulher pra casa, ou ela vai ficar aqui até que o corpo dela resolva parar de funcionar. – disse Damian, muito calmamente. O medibruxo soltou um muxoxo contrariado e saiu praguejando. Damian e Draco se entreolharam por um segundo e suspiraram ao mesmo tempo – É... acho que... acho que nenhum de nós...

—Não. – ralhou Draco – Eu não desisti dela. Ela vai voltar. Eu sei que vai. – insistiu ele, teimosamente.

—Eu queria ter a sua fé, Malfoy... – murmurou Damian – Eu olhei no fundo dos olhos dela... não tem nada ali. Só vazio.

—Não está vazio! – insistiu Draco, alarmado – Nós vamos trazê-la de volta... deve... deve ter alguma coisa que... que a gente possa fazer. – insistiu ele.

—Não há, Draco. – murmurou Damian.

—Então porque não concordou com o medibruxo? – perguntou ele

—Porque eu... como eu iria explicar pros nossos filhos que... que eu matei a mãe deles? – perguntou engolindo em seco e respirando fundo, cruzando os braços, sentindo um nó na garganta.

Draco engoliu em seco e concordou com um aceno de cabeça.

—Eu... eu posso... falar com ela? Um pouco? – perguntou ele. Damian deu de ombros.

—Ela não está lá, Draco. É só um corpo vazio.

—Não interessa. Eu converso com os quadros da Astoria até hoje. – resmungou Draco.

—Mas eles ao menos acenam e sorriem. Alhena nem vai saber que você está lá.

—Não importa, ok?! Não importa.

—Faça como quiser, Malfoy. Quem está se flagelando é você. – resmungou Damian. Draco concordou com um aceno de cabeça e entrou no quarto no exato momento em que Rasalas dobrou o corredor. Damian suspirou olhando o amigo e voltou a olhar para o chão.

—Cara... que dia de merda. – murmurou ele – Deixei meu pai pra falar com o Rigel...

—Como está seu irmão?

—Completamente pirado. – murmurou Rasalas – Eu tinha esperanças de salvar pelo menos um deles... mas... mas eu perdi os dois, Damian. – murmurou seu melhor amigo com dor na voz. Damian o abraçou, lhe dando tapinhas nas costas e Rasalas suspirou – Qualquer um teria ficado louco se tivesse passado pelo que ele passou.

—Eu não sei se quero saber... – murmurou Damian – Envolve a Alhena e no momento eu... eu não aguento mais sofrimento... no momento eu... – Damian soltou o amigo e suspirou, sentindo-se perdido – O que eu vou falar pros garotos? O que eu vou falar pra Prim, meu Merlin... – lamentou ele se jogando no banco – E pro Órion? O que eu vou falar pro Órion? Ele... ele é só um garotinho... ele vai fazer onze anos, Rasalas... e a mãe dele nunca vai vê-lo entrar na escola... – Damian soltou um soluço – E... e Draconis não vai ter Alhena na formatura dele... e nem Cerce e nem Dido... e nem Prim... meu Merlin o que eu vou falar pra Prim? O que eu vou falar pra Prim? – perguntou desmoronando naquela cadeira, com as frustrações e o cansaço escorrendo de vez pelos seus olhos – O que eu vou fazer, quando meus filhos tentarem falar com Alhena e ela... e ela não ouvir... ela... ela nem...

—Eu não sei como vou falar pra minha mãe, também... – murmurou Rasalas, parecendo super infeliz.

—Céus... o que a dona Emily vai passar... – lamentou Damian se curvando e chorando. Rasalas fungou, chorando em silêncio também – Deveria ter sido comigo. Eu já estou doente mesmo. Mas... mas Alhena não... ela não...

—Você não é vidente, Damian... – murmurou Rasalas – Mas eu te aconselho a... a tomar cuidado com os seus filhos... algum deles tem o menor sinal de que é um?

**

Albus acordou ao sentir o abraço de Cerce. Se virou na cama, para olhá-la e notou o quanto ela estava gelada e o quanto tremia.

—Cerce? Tudo bem? – pergunto preocupado. Cerce negou com o rosto, se abraçando e tremendo. Logo ele notou que Dido estava na cama também.

—Albus... nós... Cerce disse que você tem um espelho... – sussurrou Dido, parecendo preocupada, enquanto a irmã dela apenas tremia, com o rosto molhado pelo choro – Podemos fazer uma pergunta pro seu pai? Ou então você faz... quando tiver tempo?

—O que foi que houve? – perguntou Albus – Você viu alguma coisa, Cerce?

Cerce concordou com um aceno de cabeça.

—Eu vi Draconis... e... e ele estava rodeado de trevas e... – ela fez uma careta de choro – E então... – ela engoliu em seco – Algo horrível vai acontecer com o meu irmão, Albus. Você precisa pedir pro seu pai falar com o James, por favor. – implorou ela. Albus concordou se sentando.

—Está muito tarde... amanhã eu falo com ele, pode ser? – perguntou abraçando Cerce. Dido soltou um suspiro e sorriu.

—Você cuida dela pra mim? – perguntou Dido. Albus concordou com um aceno de cabeça – Obrigada, Albus. Eu vou ver se a Prim está bem...

—Ok... – murmurou abraçando Cerce com carinho. Dido saiu da cama e foi andando em passinhos silenciosos para fora. Albus soltou um suspiro e fechou as cortinas, para em seguida olhar a namorada – Fica calma, ok? – murmurou Albus. Cerce concordou se aconchegando a ele.

—Me desculpe, Albus... eu fico te incomodando com... com tudo isso e...

—Não se preocupe... você é minha namorada. Pode me incomodar com o que quiser. – murmurou ele a abraçando – E eu sei que faria a mesma coisa por mim. – murmurou. Cerce concordou, o abraçando apertado e a cortina voltou a se abrir.

—Ok, trégua. – rosnou Lyra olhando os dois com visível preocupação – O que vai acontecer com o Draconis? – perguntou ela.

—Eu não sei... mas... mas vai ser algo... algo muito ruim. – lamentou Cerce.

—De onde você saiu? – perguntou Albus, em choque.

—Da cama do Scorpius. – disse Lyra e Albus a olhou chocado – Ah, pare com isso. Não estamos nos agarrando. A gente ficou batendo papo até que eu caí no sono... já aconteceu altas vezes, ok?

—Rose não iria gostar disso. – ralhou Albus.

—Draconis não iria gostar nem um pouco de você estar dormindo com a irmã dele quando ela aparenta estar completamente vulnerável. – riu Lyra, cruzando os braços, com um arzinho vitorioso. Albus soltou um suspiro vencido.

—Touché...

***

Draconis acordou no meio da noite, depois de um pesadelo. Respirou ofegante, olhando para os lados. Todo mundo dormia. Respirou fundo, tentando acalmar a mente. Tinha sido apenas um sonho ruim. Apenas um sonho ruim...

Mas seu estômago revirava sem parar. Pegou um casaco e as pantufas, sem suportar ficar ali. Precisava conferir se ele estava bem. Se levantou e saiu do dormitório, sabendo que poderia ser castigado por fazer aquilo... mas... mas simplesmente precisava sair dali.

Andou pelos corredores gelados, morrendo de frio. Pulou a janela do Saguão de entrada e foi caminhando pela neve gelada até o navio. Xingou várias vezes e se odiou ainda mais vezes por estar fazendo aquilo. Mas precisava saber se Loto estava bem.

Odiava seu dom premonitório, principalmente por não saber usá-lo. Por não poder controlá-lo... e odiava quando as visões vinham sem que quisesse. Precisava aprender a se disciplinar... se soubesse que essa porcaria de dom tinha passado para ele, teria feito adivinhação... ou ao menos teria pedido alguns conselhos para a mãe.

Interrompeu o próprio passo, sentindo-se triste, lembrando que tinha sentido a mãe morrer. Nunca tinha tido uma sensação tão escrota em toda sua vida.

Engoliu em seco e levantou o olhar para o navio. Suspirou e continuou andando, com a neve fofa batendo em suas canelas. Depois de longos minutos de caminhada, entrou no navio pela escada de corda que tinha lá. Torceu para que não tivesse nenhum professor ou monitor ali e rumou para a parte interna do navio. Sabia onde era o quarto de Loto. Ele tinha um armário de vassouras, que chamava de quarto, só pra ele. Quando chegou no lugar, tremendo de frio e molhado, sacou a varinha e usou um feitiço não verbal para abrir a porta.

Entrou silenciosamente e fechou a porta atrás de si. Em seguida ascendeu a luz da varinha e viu Loto dormir enrolado no cobertor de peles, numa rede capenga. Soltou um suspiro, se achando idiota por ter se deixado levar por um sonho bobo. Estava para sair e ir embora, quando Loto fez uma careta por conta da luz e acabou acordando.

—Quem está ai? – resmungou ele cheio de sono.

—Eu... – sussurrou Draconis. Loto xingou baixinho e acendeu a lamparina do quartinho.

—O que raios está fazendo aqui? Quer ficar de castigo? Ser expulso? – ralhou Loto.

—Eu... eu tive um... um pesadelo e... – resmungou Draconis se sentindo ainda mais idiota. Loto se sentou na rede e xingou baixinho – Eu só queria saber se estava tudo bem.

—Eu estou bem. – resmungou Loto coçando os olhos inchados pelo sono. Draconis concordou com um aceno de cabeça e se virou – Não saia agora. Quer ficar doente? Estamos no meio da noite. – ralhou ele – Vem pra cá. Amanhã de manhã eu te empresto umas roupas... – resmungou ele.

—Ok... – murmurou constrangido – Mas eu vou ter que tirar as calças... elas molharam. – resmungou.

—Não sabe um feitiço secante? – provocou Loto e Draconis deu de ombros – Não ouse fazer um feitiço secante. Tire essas calças e venha pra cá, agora! – ralhou ele, fazendo Draconis rir. Obedeceu e correu para a rede do colega, que praguejou – Filho da puta! Que pé gelado, meu Santo Merlin! – ralhou ele – Tá parecendo um defunto!

—Desculpe... eu estava andando na neve, lembra? – riu Draconis. Loto sorriu e pegou a varinha, que estava enrolada nos fios da rede. Depois ele conjurou um grosso par de meias felpudas e as entregou.

—Põe isso, pelo amor de Merlin. – ralhou ele. Draconis concordou e colocou as meias, para em seguida entrelaçar as pernas com as dele, para se esquentar. Loto os cobriu com a coberta e os dois suspiraram – Você é muito bestão de ter vindo aqui, só por conta de um pesadelo... aposto que tinha segundas intenções.

—Não tinha... eu só fiquei preocupado... – murmurou Draconis – Eu... eu acho que... que sou meio vidente, mas ainda não sei diferenciar previsões de sonhos comuns e...

—Shhhh... – murmurou Loto colocando o dedo em seus lábios – Não fale isso pra ninguém, ok?

—O que?

—Sobre você ser um vidente... me prometa que não vai contar pra ninguém... – pediu Loto. Draconis suspirou e concordou.

—Eu confio em você... – murmurou simplesmente. Loto suspirou e o abraçou.

—Mesmo assim... não conte... não conte pra ninguém, nem pros seus irmãos, nem pros seus pais, nem pro Navi... ninguém... ok? – perguntou Loto.

—Preocupado? – perguntou com um sorriso.

—Sim. – respondeu Loto – Se alguém tocar em um fio de cabelo seu... se tirarem você da minha vida, pra te enfiar num buraco, para fazer sabe-se lá o que... eu... eu ficaria louco. Eu teria que matar todo mundo pra te pegar de volta.

—Oh, você faria isso por mim? – riu Draconis – Eu duvido.

—Eu faria sim, oras! Somos amigos. – ralhou Loto o olhando com atenção – Você seria a minha única razão... pra entrar nessa guerra... você e minha irmã... – murmurou ele. Draconis sorriu para Loto.

—Não vão me pegar... – prometeu ele – Não vou contar pra ninguém, ok? – sussurrou baixinho, segurando a mão de Loto, que suspirou, fechando os olhos, cheio de sono.

—Pra ninguém... – murmurou Loto. Draconis fechou os olhos, pronto para dormir – Drac... hipoteticamente falando... – murmurou Loto – Se eu saísse desse quarto de mãos dadas com você... quais as chances de você namorar comigo?

Draconis deu um sorrisinho.

—Levando em conta que você nunca teria coragem... zero por cento.

—Hipoteticamente falando. – ralhou Loto, ainda de olhos fechados.

—Altas chances... – murmurou sentindo um frio gostoso na barriga.

—Ok... mas é só hipoteticamente falando. – ralhou Loto e os dois deram risadinhas – Boa noite, Drac...

—Você está hipoteticamente apaixonado por mim?

—Uhum... hipoteticamente... completamente apaixonado por você... idiota. – resmungou Loto parecendo estar quase dormindo de novo. Draconis soltou um suspiro e o abraçou.

—Você é muito importante pra mim, sabia? – perguntou Draconis. Loto deu um sorriso bobo e o abraçou também.

—Vai dormir, Drac... e me deixe sonhar com meu mundo hipotético... trate de sonhar com isso também e pare de ter pesadelos, seu bestão.

—OK... – ficou em silêncio por alguns minutos – Loto...

—Hum? – perguntou ele meio acordado, meio dormindo.

—Você sabe o que é um en? – perguntou baixinho. Loto soltou um suspiro e falou com a voz cheia de sono.

—É o que me impede de te estuporar nesse momento, Drac. Vai dormir.

Notas finais
Hipoteticamente... ahsaushaus Aiai, Loto... ♥ Muito bem. Let's Go Prévia! Pra quem leu When We Were Young, tem easter egg na prévia shaushausha "-Ok, escutem aqui! – ralhou McGonagall – Eu não quero nenhuma cena vulgar, ninguém tirando a roupa e muito menos qualquer apresentação com conotação sexual, ouviram?! Os alunos olharam confusos, entre si, sem saber o motivo daquelas recomendações... mas Lupin corou se lembrando de sua época de escola, quando Addie e Sirius ultrapassaram todos os limites do bom senso, no último show de talentos que Hogwarts tinha decidido fazer. Lembrava que os dois acabaram praticamente pelados naquele dia..." É o capítulo do discurso. E como eu quero muitos comentários, vou colocar outra prévia! =D Draco falando com a Lena ♥ "Você sonhou alguma coisa? Eu sonhei com você... que estávamos passeando perto da fonte dos pavões... – disse com um sorriso, afagando a mão dela – Eu sonhei que passeávamos lá... você estava usando aquele vestido branco que você costumava usar... quando a gente era jovem e estúpido, lembra? – perguntou com um sorriso no rosto – E... e eu... – soltou um suspiro – Eu fiquei escutando sua risada no sonho e foi... foi tão bom... – murmurou – Será que... você poderia rir pra mim? – perguntou timidamente." Será que ela responde? ♥ Beeijos! Vejo vocês no domingo, se tudo der certo... E antes que eu me esqueça. #TeamJonSnow! #DieRamsey