Legado Lestrange II - Legacy
27 Please, Talk To Me!
Notas iniciais

Capítulo 27
Draconis saiu do quarto, ainda bêbado. Caminhou com as pernas bambas até a cozinha, para beber água. Lá encontrou sua meia irmã e ela usava um baby doll de nylon preto, muito revelador. Revelador demais. Engoliu em seco, sabendo que teria que se masturbar mais tarde e depois se recriminou por ter tido um pensamento nojento daqueles.
Merlin. Ela é minha irmã! IRMÃ! Qual o meu problema?
Mas assim que ela se virou, e o olhou surpresa, ele esqueceu o quão errado aqueles pensamentos eram. Podia ver perfeitamente o contorno dos bicos dos mamilos dela pelo baby doll e aquilo era sexy demais...
—Oi. – riu ela, meio embriagada.
—Mana... – riu ele – Água... – adicionou lutando para não olhar para os seios dela. Não podia olhar os seios dela... céus, como queria olhar os seios dela...
—Eu também... – riu ela, mostrando um copo de água. Draconis foi até o filtro e pegou um pouco de água, bebendo de uma vez.
—Bem... noite...
—Hoje foi tão bom, não foi? – perguntou ela. Draconis concordou e os dois foram para o corredor. Achou que ela iria para o quarto dela, mas ela o seguiu até seu quarto. Soltou um suspiro e quando se deitou em sua cama, só de calça moletom, Rose se deitou ao seu lado, o abraçando. Engoliu em seco novamente. Estava desesperado. Fechou os olhos, decidido a não se mexer. Não se moveria naquela cama até ela se levantar – Então... você e a Casañas...
—Pois é... – riu ele – Ela é muito legal.
Aquilo era uma verdade incontestável. Ela e as amigas dela eram muito legais, assim como os amigos dela também. Todo mundo tinha algum tipo de preconceito com a Lufa-Lufa. Falavam que era a casa dos manés... mas ele estava aprendendo que era a casa das pessoas decentes... pessoas que não tinham sonhos pornográficos com a própria irmã...
Ou ao menos ele imaginava que não.
—Não pode me deixar de lado por conta dela, heim? – riu ela.
—De jeito nenhum... – murmurou engolindo em seco, se arrepiando quando ela passou o dedo em sua barriga – Você é minha irmãzinha.
—Isso mesmo. – riu ela. Sua irmã soltou um suspiro e se deitou de bruços, levantando os pés, os sacudindo lentamente no ar. Podia ver perfeitamente o formato da bunda dela, deliciosamente tentadora. A imagem de sua irmã de quatro, o olhando com aqueles olhos grandes e azuis veio de uma vez e ele se xingou mentalmente mais uma vez – O Navi já falou de mim alguma vez? – perguntou ela.
Draconis piscou e a olhou surpreso, sentindo um frio lhe subir a espinha.
—O que?
—O Navi... tipo... – ela se sentou nas próprias pernas e os olhos dele foram direto para o vale entre os seios dela. Se sentou também, pegando o travesseiro para esconder a ereção, sentindo-se sujo. Controle-se, idiota. Controle-se!— Ele é tão lindo... eu sei que ele é o maior galinha e que não leva ninguém a sério. Já quebrou mais corações do que regras da escola e isso é algo a ser levado em consideração... mas... – Draconis engoliu em seco, completamente enciumado. Ciúmes era “ok”, certo? Querer proteger sua irmã de garotos mal intencionados, como seu primo e melhor amigo, era completamente normal, não é? – Talvez... – ela deu de ombros – Bem... nós somos amigos e praticamente primos... será que ele... não sei... poderia me levar a sério?
Draconis respirou fundo, imaginando Navi usufruindo daquele corpo escultural que estava na sua frente. Era justo, não era? Ainda mais depois do que tinha feito com a irmã dele e a ex namorada... a única garota que ele tinha levado a sério na vida...
—Eu não sei. – riu Draconis – Young fodeu o Navi, completamente. – riu ele.
—O que raios aconteceu entre eles? – perguntou ela.
—Bem... eles namoraram. Namoraram quando a maioria dos garotos ainda não pensam nas garotas. – riu ele – Eles namoraram do segundo ano, até o quarto e fizeram tudo o que poderiam fazer... a Lessa é... – ele coçou o queixo – Muito aberta a novas experiências... – riu ele. Rose o olhou curiosa – Ela está disposta a tudo, sabe? Não encana com nada... e o Navi meio que não gosta de regredir sexualmente. Mas nenhuma garota é igual a Lessa... – Bem... talvez a Lyra, mas ela não conta pro Navi, afinal ele não é um pervertido maluco que se masturba pensando na própria irmã— Então ele meio que... e isso é uma interpretação minha... fica procurando a Lessa em todas as mulheres com quem ele tenta algo. Mas ele nunca vai achar a Lessa em outra garota que não seja a Lessa... então ele enjoa e parte pra outra. E apesar disso, as garotas insistem em tentar algo com ele. Então seja esperta.
—Por que eles terminaram, quando obviamente ele não superou ela? – perguntou Rose.
—Porque ela superou ele. – riu Draconis – A Lessa meio que... prefere da outra fruta. Mas você não soube disso por mim. – adicionou quando sua irmã fez uma expressão chocada.
—Meu Merlin... eu nunca imaginaria isso... – riu ela.
—Pois é. – riu ele. Os dois ficaram num silêncio constrangido por alguns momentos, até que ela voltou a falar.
—Mas então você acha melhor eu não me arriscar?
—Você está apaixonada por ele? – perguntou Draconis.
—Eu gosto muito dele e... – mesmo que estivesse escuro, ele pode notar a cor avermelhada tomar conta das bochechas dela – Bem... – ela riu sem jeito – Ele é muito bonito... e fica fazendo essas insinuações pra mim e... poxa... despertou algum interesse... mas... mas eu não estou assim... apaixonaaaada por ele, entende?
Draconis concordou, ainda completamente enciumado.
—Navi não... – ele suspirou e soltou um muxoxo – Eu não colocaria a mão no fogo pelo Navi, quando o assunto é mulher. Se você quiser se arriscar, é uma escolha sua... mas vai meio desconfiada dele e não deixa ele te convencer a... bem... você é virgem?
—Sou. – riu ela – Isso é um problema? – perguntou ela.
—Não... ou talvez... não perde a virgindade com ele... – disse fazendo careta.
—Eu nunca nem beijei um garoto. – adicionou ela.
—Está brincando. Você é linda! Como ninguém nunca...?
—Bem... eu tenho um primo e três irmãos mais velhos e intimidadores na Sonserina, sabe? – riu ela – Sem falar que eu ando mais com vocês do que com os meus colegas de casa... e os garotos do meu ano são... tipo assim, muuuuuito tímidos, saca?
—Então você nunca beijou alguém? – perguntou chocado. Rose negou com a cabeça – Mas... quer saber como é? – ela corou de novo – Tipo... eu posso... é só... – ele sentiu o rosto ferver – Dizem que dá pra treinar com um copo e um pedacinho de gelo. Ai você tenta pegar o gelo com a língua... – riu tentando consertar. Rose sorriu meio sem jeito.
—Por um momento achei que você estava querendo me beijar.
—Não. Que isso! – disse sem jeito. Imagina...— Seria completamente esquisito.
—Bem... não completamente... – riu ela o olhando meio travessa – Só metade.
—Bem... é... – murmurou cogitando a possibilidade novamente. Será que ela deixaria?
—Bem... mas como é? Beijar?
—Ah... é bom. – riu ele – Você sente um monte de diabretes na barriga. Sente frio e calor ao mesmo tempo e... por um momento... – ele olhou para os lábios carnudos e rosados dela – Por um momento só existe você e... e essa outra pessoa, então... você... – ele engoliu em seco e Rose se aproximou sabe-se lá o porquê – você quer se afogar nessa pessoa e... fica se perguntando o gosto... que tem... e...
—Mas se você já está beijando... então normalmente já sabe o gosto... – sussurrou ela bem pertinho. – Não é? – perguntou ela, muito baixinho. Draconis concordou com um aceno de cabeça, engolindo em seco – Que gosto tem a sua boca? – perguntou ela.
—Eu... eu não sei... – murmurou ele, olhando os lábios dela – Queria saber o gosto da... sua.
Rose se aproximou mais um pouco e tocou os lábios com os dele, num selinho quase inocente. Seu corpo todo se arrepiou e ele soltou um suspiro cheio de satisfação. Quis puxá-la para perto, mas teve medo do momento acabar. E sabe-se lá o desastre que seria quando o momento acabasse...
Então abriu a boca só um pouquinho, massageando os lábios dela com os seus. Sentiu, porém as mãos da irmã em seu rosto e ela o puxou mais para perto. Tentou manter a mente sã... mas o que tinha de são naquele momento? Estava beijando a própria irmã... aquilo era tão errado... era o mais errado que poderia viver...
Mas céus, como era bom.
Sua mão foi até a cintura dela e a puxou mais para perto também. Soltou um suspiro novamente chegando à conclusão que a boca dela tinha gosto de amora... e ela tinha cheiro de rosas, como o nome sugeria... e a pele era tão macia quanto pétalas... aveludada. Era isso... ela parecia de veludo.
Então aprofundou o beijo mais um pouco, colocando só pouquinho de sua língua na boca dela. Rose correspondeu e ele sentiu a língua dela tocar a sua. A puxou mais um pouquinho e inclinou o corpo para frente, a deitando na cama. Estava para aprofundar mais ainda o beijo, quando ela ficou tensa e o empurrou, chocada consigo mesma.
Os dois se olharam em completo choque.
—Não grite... por favor, não grite... – pediu desesperado. Ela parecia completamente assustada com o que tinham feito. Céus, como não ficar? – Desculpe... eu... foi o hidromel... me desculpe, Rose... só não grite, por favor. – Ela pulou para fora da cama, soltando um soluço, escondendo a boca com as mãos – Por favor... fale comigo...
Mas ela lhe deu as costas e saiu correndo do quarto. Draconis se jogou na cama, furioso consigo mesmo. Como poderia ser tão imbecil? No que estava pensando?!
Ela era sua irmã. Aquilo era completamente errado...
Bem... não completamente... só metade...
—Merda. – murmurou fechando os olhos.
*
Draco estava em seu escritório, murmurando feitiços para o caldeirão. O líquido rosado foi se condensando e condensando. Mais e mais. Franziu a testa, concentrado e secou a testa com a manga das vestes. Continuou murmurando o feitiço até que o caldeirão secou e uma pedra cor de rosa, num tom bem escuro surgiu ali.
A analisou com cuidado e a fez flutuar até o círculo rúnico. A massa alquímica estava em embaixo. Ele murmurou mais alguns encantamentos, movendo a varinha em movimentos circulares e a massa alquímica foi se enrolando na pedra. As runas brilharam e lá estava o ovo.
Soltou um suspiro, se perguntando se aquele iria sobreviver. Já estava na tentativa número... ele olhou para sua agenda de anotações... tentativa número quinhentos e vinte e dois. Soltou um suspiro, sentindo a cabeça doer de leve.
Pegou o ovo com as mãos e o levou para outro caldeirão, onde teria que ficar mergulhado por um tempo. Depois pegou a adaga de prata e a olhou. Todos os livros que tinha lido falava das propriedades mágicas do sangue. Mas todos diziam que era perigoso. Homúnculos feitos com sangue normalmente eram agressivos...
Mas todos os outros que tentara fazer tinham simplesmente desfeito. O núcleo que tinha inventado era muito estável, desde que o homúnculos não fosse muito complexo. Mas queria um homúnculo complexo. Qual era a graça de ter uma água viva? Era um ser vivo? Sim. Mas ainda assim, era inútil.
Furou a ponta do dedo com a adaga de prata e ficou observando a gota vermelha de sangue. Soltou um suspiro e negou com a cabeça. Não seria ele a inventar algo perigoso. Colocou o dedo furado na boca, sentindo o gosto férreo na língua. Soltou um muxoxo, convencido a não tentar aquilo. Precisava de outro catalisador... mas o que?
Talvez sangue de unicórnio? Não... não daria certo. Qualquer coisa com sangue de unicórnio dava errado.
Soltou outro muxoxo, ainda sugando a ponta do próprio dedo e pegou uma poção essencial. Soltou um suspiro. Aquilo teria que servir. Colocou algumas gotas no caldeirão e voltou a murmurar mais alguns feitiços de estabilidade. Acrescentou um pouco mais de poção quodpod para evitar que tudo explodisse.
Depois suspirou. Precisava de um tempo para absorver. Tiraria dali na lua cheia, depois usaria um feitiço para aprisionar a luz da lua e adicionaria no experimento.
Escutou alguém bater na porta, mas ignorou. Se fosse Antom, ele simplesmente entraria. A porta de fato abriu, mas pelos passos não era Atom. Era Scorpius. O garoto ficou calado e ele não falou também. Ficou olhando para seu experimento, como se ele fosse a coisa mais interessante da face da terra.
Os minutos se passaram desconfortavelmente, sem que Scorpius abrisse a boca. Por fim, vencido, se virou para ele. O garoto parecia amuado e tristonho.
—Eu... – começou ele. Mas Draco não estava com humor para conversas. Apenas se virou e foi guardar seus ingredientes para poções. Foi quando notou que sua losna e seu murtisco tinham acabado. Precisaria comprar mais – Eu mandei uma carta para a Rose. – murmurou Scorpius. Draco não reagiu. Seguiu guardando suas coisas em silêncio. Poderia usar a varinha para isso, mas quis demorar. – Eu disse que não quero nada com ela. – adicionou Scorpius. Seguiu em silêncio, tentando fingir que não ligava. Ele que fosse falar com o túmulo de Astoria, afinal, ele era um nada perto dela – Está satisfeito agora? – perguntou o garoto. O quão burro será que ele podia ser? De que adiantava ir bem nas matérias e ser um completo demente? Bufou, zangado e continuou ignorando Scorpius. Terminou de guardar suas coisas e tirou o jaleco – Papai... já faz quase uma semana que não fala comigo... por favor... me desculpe, ok? – pendurou o jaleco no cabide e então passou pelo filho, como se ele não estivesse ali. Sentia uma mão gelada ao redor do coração, mas estava frustrado com tudo – Pai. Por favor. Pare de ser tão dramático. – ele era o dramático? Ah, ok... saiu do escritório e soltou outro muxoxo.
—Antom. – chamou. O fantasma surgiu imediatamente – Mande os elfos prepararem uma roupa pra mim. Eu vou na Travessa do Tranco e no Gringotes.
—Sim, mestre. – disse o fantasma, desaparecendo numa neblina.
Caminhou até a porta da mansão, onde o elfo já o esperava, segurando seu casaco e seu chapéu.
—Tenha um bom passeio, mestre Malfoy. – disse o elfo fazendo uma reverência.
Colocou o casaco e o chapéu. Estava para girar a maçaneta, quando escutou a voz de seu filho.
—Não saia por essa porta sem falar comigo. Por favor. – pediu ele. Draco respirou fundo e o olhou o mais friamente que conseguiu. Scorpius parecia mesmo consigo... mas ele era parecido com Astoria também. O modo como o rosto dele denunciava o modo como ele se sentia era igual ao dela. Podia lê-lo com facilidade. Ele nunca seria um bom oclumente... precisaria ensinar isso para ele depois... quando a raiva e a mágoa passassem – Diz que me desculpa, por favor. – se virou, sabendo que estava sendo muito cruel com o garoto. Mas estava muito magoado também. Ele dedicara sua vida a aquele garoto. Tinha rodeado ele de amor, carinho e ternura. Tentara fazer dele uma pessoa melhor, mais aberta, mais amorosa e gentil... e recebera apenas alfinetadas, acusações... o “eu te odeio” que ele tinha lhe dirigido ainda fazia seu coração sangrar. Pai nenhum deveria escutar um “eu te odeio” do filho. Soltou um suspiro e girou a maçaneta – Pai. É meu último aviso. Não sai dessa casa... – seu filho soltou um soluço e a voz dele saiu engasgada – sem falar comigo. Se você não falar comigo eu... eu... – o garoto soluçou de novo e avançou um passo segurando sua manga – por favor...
Puxou o braço e saiu, fechando a porta. Engoliu em seco, completamente infeliz e aparatou em seguida.
Foi até a loja de ervas, comprar mais murtisco, losna e outros ingredientes que estavam para acabar. Depois foi no Gringotes pegar algum ouro. Resolveu andar pelo Beco Diagonal, para espairecer, e acabou olhando a vitrine da loja de vassouras.
A Shooting Star tinha lançado uma vassoura nova e estava maravilhosa.
—Scorpius iria gostar... – murmurou sem pensar.
Soltou um suspiro. Sempre que seus pais brigavam, seu pai comprava um presente para sua mãe, para pedir desculpas. Aprendera a fazer isso com Astoria e normalmente funcionava... então entrou na loja. Comprou a nova vassoura, que estava realmente bonita. Scorpius iria ficar feliz. Poderiam até dar uma volta pelo jardim, brincar de caça ao pomo, como faziam quando Scorpius era mais novo e Astoria estava viva. Já fazia muito tempo desde que voara. Voar com seu filho poderia ser uma boa maneira de quebrar aquele gelo horrível. De deixar as desavenças pra lá.
Mas se iria comprar uma vassoura nova, teria que comprar um kit de quadribol novo também. Escolheu um bem bonito, se perguntando se o filho iria gostar. Provavelmente iria. Entregou a chave do cofre e esperou receber o recibo. Estava mandando embrulhar para presente quando sentiu algo puxar a barra de sua calça.
Olhou para baixo e viu seu elfo. Corou de vergonha, completamente constrangido. O que raios ele estava fazendo ali? Olhou furioso para a criaturinha, que soltou um soluço.
—Mestre. O senhor precisa voltar pra casa, mestre! – guinchou o elfo – Aconteceu algo muito ruim.
—O que raios está fazendo aqui, imbecil? – rosnou irritado e envergonhado por seu elfo ter saído da mansão sem sua permissão. O dono da loja até deu uma risadinha. Provavelmente estava pensando que era um incompetente que não sabia gerenciar o próprio elfo doméstico. Céus, que constrangimento... mandaria aquele maldito elfo bater a cabeça na parede até sangrar.
—Mestre... o jovenzinho estava quebrando tudo no quarto. Ele estava completamente fora de controle! – choramingou o elfo. Draco ficou ainda mais furioso. O elfo saiu da mansão para vir falar que Scorpius estava fazendo bagunça? Ele tinha perdido o juízo? – Mas então ficou tudo silencioso e Yolo quis saber o que aconteceu... e... e então... – Draco sentiu uma coisa ruim no peito. Uma sensação de que algo muito errado estava acontecendo. E quando o elfo levantou as mãozinhas pequenas, mostrando o sangue, achou que iria cair no chão.
—O que aconteceu, Yolo?
—Muito sangue, mestre... o jovenzinho está muito... – ele engoliu em seco – proibiu Yolo de vir falar com o senhor, mas... mas Yolo precisou desobedecer, perdão mestre...
Draco não esperou a vassoura, ou qualquer outra coisa. Apenas aparatou para casa, desesperado. Correu escada acima, em pânico, já que não dava para aparatar direto para o quarto. Tentou abrir a porta do quarto de Scorpius, mas ela estava trancada. A arrombou com um feitiço e entrou louco de preocupação.
Olhou ao redor, vendo a bagunça e os vários objetos quebrados, mas não o encontrou.
—SCORPIUS! – gritou sentindo o coração bater acelerado. Aquela mão gelada apertou seu coração com força. Olhou para os lados e viu a porta do banheiro. E no chão havia uma mão pálida e imóvel – Não... – murmurou sentindo um pânico sem igual. Tropeçou nos próprios pés e correu da melhor forma que conseguiu. Scorpius estava deitado no chão, sem camisa, apenas com aquela calça horrível, folgada e cheia de bolsos que ele tanto gostava. E os pulsos dele... céus... era tanto sangue. – Meu Merlin... não... – olhou para o rosto dele e notou o quanto estava pálido – não... não... Scorpius... filho... – murmurou em choque. Seu coração parecia ter parado de bater, seu cérebro parecia ter parado de funcionar. Ficou de joelhos olhando para aquilo. Quando finalmente entendeu o que estava acontecendo, gritou de desespero puxando os próprios cabelos. Céus... era tanto sangue. Colocou dois dedos no pescoço dele, tentando sentir pulsação, mas não sentiu nada. As pontas de seus dedos estavam frias e insensíveis... pegou a varinha, com as mãos muito trêmulas, e tentou fechar os cortes no pulso, mas estava tão nervoso que não conseguiu. Gritou desesperado novamente e pegou seu garoto. Ele ficou mole em seus braços, sem absolutamente força alguma. Gelado. Pesado... imóvel. Gritou de novo sem entender como aquilo podia estar acontecendo. – SCORPIUS! SCORPIUS! – mas o menino não respondeu. Ele tinha avisado. Tinha avisado que se ele saísse... – Não... meu garoto, não... – murmurou sem conseguir enxergar o rosto dele, devido à água que já se acumulava em seus olhos – Me leva, meu deus... mas não leva o meu garoto... o meu filho... o meu filhinho... meu deus, Scorpius... fala comigo, pelo amor de deus... não faça isso comigo... – murmurou completamente perdido. Olhou para os lados, sem saber o que fazer, o que pensar. Estava em completo choque. Seu corpo inteiro tremia muito. – YOLO! – escutou o estalar quando o elfo apareceu, tremendo e com as orelhas extremamente queimadas, pois deveria estar se castigando por desobedecer – No meu escritório. Uma caixa vermelha. Cheia de bolinhas vermelhas. Trás pra mim, rápido!
—Sim, mestre. – disse Yolo antes de aparatar. Draco abraçou Scorpius, se assustando com o quanto que ele estava gelado.
—Meu filho... abra os olhos, Scorpius... abre os olhos... olhe pra mim, por favor... – murmurou desesperado acariciando os cabelos loiro platinados dele. Mas Scorpius simplesmente não reagiu. O beijou desesperado na testa e chorou desconsolado. – Eu te amo tanto, filho... não me deixe... céus... me levem... eu já vivi... ele é só um garoto... meu deus... ele é só um garoto... e é minha culpa... é minha culpa... Astoria me ajude... o nosso garoto... – beijou o filho na testa de novo – Astoria... ele está morrendo... Scorpius... fala com o papai, Scorpius... por favor. Por favor... – chorou desconsolado. Mas Scorpius ficou calado, imóvel e gelado. – YOLO! CADÊ VOCÊ, SEU DESGRAÇADO?!
“Papai... já faz quase uma semana que não fala comigo... por favor... me desculpe, ok?”
Draco abraçou o filho com mais força.
“Pai. Por favor. Pare de ser tão dramático.”
—Aqui, mestre! – guinchou o elfo trazendo a caixa. Draco a abriu com as mãos trêmulas e colocou três pílulas sanguíneas na boca do filho. Com a varinha o fez engolir.
“Está satisfeito agora?”
—Scorpius... por favor... volta pra mim... – murmurou infeliz. Completamente infeliz.
“Não saia por essa porta sem falar comigo. Por favor.”
—Mestre... os pulsos dele estão sangrando muito. – murmurou Yolo. Draco não conseguia reagir. Seu único instinto naquele momento era chorar a abraçar seu filho. Mas Yolo começou a se mover, pegando tecidos e amarrando nos pulsos de Scorpius.
“Diz que me desculpa, por favor.”
—Meu deus... é minha culpa... é minha culpa... é minha culpa... é minha culpa... – ficou murmurando, abraçado ao corpo inerte e pequeno de Scorpius.
“Pai. É meu último aviso. Não sai dessa casa... sem falar comigo. Se você não falar comigo eu... eu...”
“por favor...”
“EU ODEIO VOCÊ!”
Olhou ao redor e pegou a varinha.
—Episkey... – murmurou para os pulsos dele. Eles fecharam minimamente – Enervate... enervate... Scorpius... Scorpius... – chamou desesperado – Não me deixe... pelo amor de Merlin... não me deixe aqui... sozinho...
—Mestre... ele precisa de um curandeiro... – guinchou o elfo... Draco concordou com a cabeça, sem saber exatamente com o que estava concordando.
—Scorpius... Scorpius... – chamou novamente – Fala comigo, Scorpius...
—O Mungus, mestre. Ele precisa ir para o Mungus...
Mas Draco só conseguia olhar para seu filho. Tão gelado, tão pálido. Tão assustadoramente imóvel. Se curvou sobre ele, chorando desconsolado. Ele estava morto. Seu filho estava morto... e a culpa era sua. Exclusivamente sua. Soluçou e arfou, infeliz, em pânico, desesperado... beijou o garoto na testa novamente e o olhou o acariciando no rosto.
—Scorpius... por favor... por favor... Scorpius... Scorpius...
Mas o garoto continuou imóvel. Gritou mais uma vez, sem saber o que fazer.
—Mestre. Mestre, por favor. Ele precisa ir pro Mungus. – insistiu o elfo – Por favor, mestre. O senhor tem que levar o jovenzinho pro Mungus, ou ele vai morrer.
Draco concordou com a cabeça novamente, sem prestar atenção.
—Scorpius...
—MESTRE! – gritou o elfo, desesperado. Draco o olhou, finalmente vendo o elfo na sua frente – O Mungus, Mestre. Ele precisa ir pro Mungus.
—O-ok... – murmurou vendo que aquilo fazia sentido. Pegou a varinha e aparatou para o Mungus. Agarrou a primeira pessoa que passou. Estava completamente ensanguentado e isso pareceu assustar as pessoas. – O meu filho... ajude o meu filho... – pediu ainda completamente atordoado.
No momento seguinte estava sentado num banco. As mãos trêmulas e sujas de sangue estavam em cima dos joelhos. Há quanto tempo estava ali? Engoliu em seco, fechando os olhos. Se ele estivesse morto, se mataria também. Não fazia mais questão de viver se Scorpius morresse.
Abriu os olhos novamente, olhando para as mãos. Céus... era tanto sangue... olhou para si mesmo e notou o quanto estava sujo de vermelho. Soltou um soluço e caiu em prantos, desesperado. Se lembrou com clareza do dia em que ele nasceu. Tão pequenininho e cor de rosa, gritando a plenos pulmões, como se quisesse anunciar ao mundo inteiro que tinha chegado.
Lembrava de ter desmaiado assim que o curandeiro mostrou o bebezinho ensanguentado e sujo para ele. Depois só se lembrava de sorrir, zonzo, porque tinha tido um filho homem. Lembrava de todos o parabenizarem. Um filho homem...
Em seu sexto ano Alhena tentara lhe ensinar a fazer um patrono. Mas ele nunca tinha conseguido. Mas uma semana depois que Scorpius nasceu, ele tentou de novo. A sua lembrança feliz foi a primeira vez que o segurou no colo. Aquele bebezinho tão pequenininho e delicado. Tão lindo. Tão perfeito. Simplesmente perfeito.
E pensando naquilo conjurou a serpente prateada. Scorpius o fez um homem melhor. Um bruxo melhor.
Se lembrou de trocar a primeira fralda dele e ser acertado por um jato de coco.
Se lembrou de quando ajudou o garoto a dar os primeiros passinhos e como gritou de alegria quando ele andou sozinho. Lembrou de dormir com ele, no sofá, simplesmente porque tinham brincado demais e ele tinha ficado com preguiça de se levantar e ir para a cama.
Se lembrou de voar com o garoto pela primeira vez. O quanto ele gostou e fez festa. Com a gargalhada dele ecoando em seus ouvidos.
Lembrou de quando ele teve um pesadelo, na primeira noite em que voltaram para a mansão. Lembrou do filho pedir com os olhos marejados para dormir com eles. Ele agarrou seu pijama, com as mãozinhas infantis, morrendo de medo daquela casa enorme. Mas o acalmou quando disse que ficaria tudo bem, porque “o papai está aqui”...
Chorou ainda mais alto, completamente desconsolado. Sentia um frio no peito. Era como estar em Azkaban. Seu pai ficou preso durante um ano lá. E aquele sentimento horrível que sentia quando ia visitá-lo era exatamente o mesmo. Aquela depressão. Aquela sensação de nunca mais seria feliz.
“Ei, papai. Eu não quero ir pra Hogwarts. Eu quero ficar aqui com você. Você é esperto. Me ensina você.”
“Papai. Eu dei um beijo na Lyra. Ela vai ser minha namorada.” Ele disse aquilo quando ainda tinha uns seis ou sete anos. Tinha achado tanta graça...
“Papai, entrei pro time da Sonserina. Eu vou ser o apanhador, igual a você.”
“Papai.”
“Ei, papai.”
“Papai...”
“Ei, pai.”
“Agora não, pai. Tô ocupado.”
“Pai. Hoje não vai dar. Eu já marquei de sair com o Albus.”
“Deixa pra próxima, pai. Eu vou sair com o Albus e a Lyra.”
“Afe, pai. Para de ser tão dramático.”
“EU ODEIO VOCÊ!”
“EU ODEIO VOCÊ!”
“EU ODEIO VOCÊ!”
“EU ODEIO VOCÊ!”
“EU ODEIO VOCÊ!”
—Sr. Malfoy?
Levantou a cabeça de uma vez e olhou o medi-bruxo. Ele estava muito sério. Se levantou com as pernas bambas, olhando para o homem com desespero.
—Ele... como? Como ele está? Ele está vivo, não está? – perguntou com um nó terrível na garganta. O curandeiro soltou um suspiro.
—Ele está vivo. Mas não está estável ainda. – Respondeu o curandeiro. Draco sentiu um imenso alívio e ao mesmo tempo um grande medo – Você deu pílulas sanguíneas pra ele?
—Sim.
—Bem... isso o manteve vivo. Ele perdeu muito sangue. – Draco concordou com um aceno de cabeça, torcendo as mãos, ainda muito sujas de sangue seco – O senhor quer vê-lo? – Concordou novamente. O curandeiro então o guiou para o quarto.
Escutou a porta fechar atrás de si. Caminhou até o filho e o olhou desconsolado. Céus. Scorpius era mesmo tão pequeno? Ele tinha aquela pose sempre descontraída e travessa. Talvez por andar sempre com Navi e Draconis, que eram mais velhos, ele tivesse adquirido aquele jeitão que o deixava mais velho também. Mas agora que ele estava desmaiado, Draco notou o quanto seu filho parecia pequeno, magro e vulnerável. Ficou de joelhos na frente da cama dele e chorou, sem se conter. Chorou de maneira barulhenta, sabendo que Scorpius tinha toda razão. Era um completo nada se comparado com Astoria.
—Eu fiz meu filho tentar se matar... – murmurou no meio do choro – Eu fiz isso acontecer... eu... me perdoe, meu filho. Me perdoe. – murmurou desesperado.
Segurou a mão pequena e magra do filho e a beijou repetidas vezes. Só queria que ele abrisse os olhos. Só isso.
Mas como ele não abriu, chorou. Chorou até cair no sono, ali, de joelhos, ao lado da cama dele.
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