Legado Lestrange II - Legacy
11 Please, Magical Person Who Takes Care of Karma...
Notas iniciais

Capítulo 11
Respirou fundo, com os ouvidos zunindo. Não aguentava mais escutar Clover gritar. Ela chorava implorando perdão, mas isso era uma coisa que Burton não parecia disposto a dar.
—Não se engane, Clover. Quando isso terminar você vai estar tão morta quanto ele. – rosnou Burton apontando para seu rosto. Damian respirou fundo fechando os olhos. Só queria beijar os filhos uma vez mais e escutar Alhena dizer que o perdoava, mesmo que ela não quisesse seguir sendo sua esposa. Sentiu outro chute nas costelas, mas nem reclamou. Era um castigo merecido. – Eu vou arrancar seu pau e se fazer engolir, Burke. Pra aprender a nunca mais mexer com a esposa de alguém... – Burton cuspiu em seu rosto, mas nem se deu ao trabalho de reagir. Era um homem morto. Um homem morto por pensar mais com a cabeça de baixo do que com a de cima... Só queria ver sua Lena mais uma vez antes de morrer... queria que ela não ficasse sozinha, que alguém cuidasse sempre dela. Queria que alguém cuidasse de Póllux e Castor e os ensinasse a serem bons garotos... garotos como Rasalas. Rasalas era a melhor pessoa que ele conhecia – Não vai falar nada? Não vai implorar por misericórdia? Vai simplesmente se conformar? – perguntou Burton antes de socá-lo novamente no rosto. Nunca tinha apanhado tanto. Se perguntou o motivo dele não usar a varinha de uma vez... mas ficou em silêncio. De olhos fechados, lembrando de Alhena, Castor e Póllux. Se desculpando mentalmente por não poder vê-los crescer, simplesmente por ter sido idiota. – Não tem medo de morrer? É isso? Ou acha que eu não vou te matar?
Damian deu um sorrisinho sujo de sangue.
—Se me matar, nunca mais vai recuperar o seu ouro. O ouro que você anda desviando do Ministério, roubando as pobres criancinhas órfãs de guerra... isso é baixo até pra você. – disse o olhando com insolência. Mas só serviu pra levar uma joelhada no saco.
Arfou sem ar e sentiu o chão acertar seus joelhos com força. Fechou os olhos novamente, com a testa no chão, morrendo de dor. Me perdoe, Lena... me perdoe por favor...
—Você é mesmo um moleque abusado. – rosnou Burton pisando em sua cabeça. É agora. Fechou os olhos e mentalizou Alhena, com os garotos no colo. Pensar neles o deixava mais calmo. Eles estavam são e salvos na Mansão Malfoy. São e salvos...— Eu deveria esmagar essa sua cabeça pelo verme que você é. – rosnou ele pisando com mais força em sua cabeça. Parecia que iria explodir. Fechou os olhos com mais força, ainda pensando na esposa e nos filhos. Eles estão bem. Estão a salvo na Mansão Malfoy. Nada de ruim vai acontecer com eles. — Mas se você não se dá nem ao trabalho de se importar... – ele tirou o pé de sua cabeça e Damian respirou fundo, perguntando se era agora que a maldição cruciatus iria vir. Estava pronto caso ela viesse. Mesmo assim não abriria a boca sobre o ouro. Era azarado para não falar, desde criança. Uma linda tradição de família... – Se você não vai se dar ao trabalho de implorar pela própria vida, eu vou ver você implorar pela vida alheia. – Aquilo o deixou verdadeiramente preocupado, mas continuou calado, olhando o chão. – Seu pai eu sei que não está no país. E sua mãe? Por onde anda? – Damian fechou os olhos pensando na mãe. A amava tanto, mas ela tinha morrido quando ele ainda era muito novo. Mas ainda se lembrava da voz dela e de como ela cantava pra fazê-lo dormir. Lembrava das histórias dela, de como ela sempre gostara de seu pai, mas como ele nunca tinha reparado nela, por ser apaixonado por outra garota... mas no final ele a amara muito, pois a única vez que viu o pai chorar tinha sido no enterro dela. – Não vai me responder?
—Minha mãe morreu há muito tempo. – rosnou sem ar.
—Ok. E sua adorável esposinha? Está em casa? – perguntou Burton. Damian negou com a cabeça.
—Minha mulher me deixou, idiota. O que acha que eu estava fazendo no Poison Apple aquela noite? – perguntou Damian de olhos fechados – Aquela ingrata dos infernos que me enrolou e me fez casar com ela por conta do meu dinheiro. – mentiu desesperado, com medo que Burton tocasse em sua esposa. Não deixaria que ele tocasse em um fio de cabelo que fosse dela.
—Eu acho que está mentindo, Burke. E o fato de estar mentindo para protegê-la só mostra que você realmente gosta dela. – sentiu um calafrio subir a espinha – Passou todo o tempo calado, mas resolveu abrir a boca pra falar mal dela? Acha que eu sou idiota? – Damian respirou fundo e sentiu a varinha de Burton pressionar dolorosamente sua têmpora – Eu vou atrás da sua mulher. Você não se divertiu com a minha? É justo que eu me divirta com a sua. – sua respiração acelerou de uma vez e uma onda de ira o tomou imediatamente. Tentou soltar os pulsos, mas não conseguiu – Mas antes, eu vou te torturar mais um pouquinho. Crucius.
*
Alhena estava olhando a janela. Estava caindo a maior chuva do lado de fora. Soltou um suspiro, escutando Póllux e Castor brincarem no chão, com suas risadinhas infantis, quando sentiu a aproximação de Draco. Ele a abraçou por trás e a beijou no ombro, mas ela se desvencilhou de uma vez.
—O que está fazendo? – perguntou o encarando e fechando a cara.
—Eu ia te dar bom dia... – respondeu Draco arqueando as sobrancelhas – O que houve?
Alhena deu as costas pra ele.
—Ontem. Ontem foi um erro... – murmurou sentindo-se extremamente culpada.
—Você acha? – perguntou ele ficando ao seu lado e lhe oferecendo uma xícara com chá de narciso.
—Você não? – perguntou ela.
—Eu tinha pensado que era o que você queria... – murmurou ele a olhando até um pouco frio – Você me pediu pra tomar Veneno de Fada com você... eu te avisei o que poderia acontecer...
Alhena soltou um muxoxo.
—Eu acho que... subestimei a bebida.
Draco finalmente deu uma risadinha.
—É... eu também... – ele a olhou de canto de olho – Eu achei que iria aguentar a barra...
—Você... você não estava com esperanças que... – ela o olhou – Eu e você?
Draco desviou o olhar, colocando as mãos nos bolsos do roupão.
—Não sei o que eu estava pensando, Lena... a bebida mexeu com a minha mente, tanto quanto com a sua...
Alhena acenou com a cabeça, em concordância.
—Eu amo meu marido... estou sentindo muita falta dele.
—Eu imagino. Damian é um cara muito legal... apesar de tudo. – murmurou Draco – Você... você vai contar pra ele? O que aconteceu?
—Vou. – respondeu ela.
—Mas ele não te contou sobre a Clover. Você descobriu todas as vezes, não foi?
—Do jeito que você fala, parece que isso aconteceu um milhão de vezes. – resmungou tomando o chá – Não vou devolver o erro com outro erro. Sem falar que eu deixei bem claro que... que tanto ele quanto eu estávamos livres pra fazer o que quiséssemos.
—Você quer de novo? – perguntou ele com um sorrisinho safado. Alhena o olhou e sorriu.
—Não acho que seja uma boa ideia. – respondeu.
—E daí? Ainda somos jovens e estúpidos. – respondeu ele – E você é livre pra fazer o que quiser, sabe? Principalmente ter más ideias...
Ela desviou o olhar para a janela. Para a chuva que acertava o vidro com força.
—Mas não vou conseguir lidar com as consequências disso, Draco. Eu não sei o que vai acontecer se eu me deixar envolver ainda mais por você... – ela o olhou assustada com a confusão de sentimentos que sentia – Eu estava louca pra fazer aquilo...
—Eu também. – riu Draco se aproximando.
—Eu sou casada!
—Eu também. Mas nós dois estamos em crise. Eu estou me divorciando, Alhena... Damian traiu você... ele é meu amigo, mas eu sou egoísta. Ele teve a chance dele e... e perdeu. Me dê uma chance agora. Por favor...
Ela se virou para a janela.
—Eu amo meu marido, Draco.
—Mas me ama também. – devolveu ele a acariciando no ombro – Eu sei que sim... – ele suspirou e a beijou na bochecha – Pense nisso, ok?
**
Rasalas abriu os olhos e mirou Pansy. Ela estava apagada, na cama. Se levantou sem saber o que fazer. Estavam na mesma cama, porque ela não queria ficar sozinha e ela tinha chorado a noite inteira. Não se arrependia de ter passado a noite com ela, ainda mais porque não tinha acontecido coisa alguma, mas...
Ele tinha furado com Daphne de novo.
Saiu da cama, só de cuecas, se perguntando o quão puto Damian ficaria por ele ter deixado que Pansy passasse a noite ali. Caminhou pelo corredor, ainda meio zonzo pelo sono, para ir até o quarto de Damian, mas notou que o quarto estava vazio. O amigo não teria dormido em casa?
Procurou pelos outros cômodos, mas não o encontrou. Achou aquilo estranho e foi até Pansy. Ela ainda dormia tranquilamente.
A afagou no ombro, carinhosamente, até que ela acordasse.
—Pansy... Pansy... levanta. Precisamos passar no Olivaras antes de irmos pro Ministério.
Pansy abriu os olhos, preguiçosamente, e se sentou parecendo completamente infeliz.
—Quantas horas? – perguntou ela.
—Seis e meia. Vamos.
Ela concordou e se levantou. Seus olhos passearam automaticamente pelo corpo dela, indo dos seios, para as coxas expostas dela. Assim como ele, ela estava só de roupa de baixo. Engoliu em seco e desviou o olhar.
—Podemos aparatar para minha casa primeiro? Eu não quero usar aquele vestido de novo, nunca mais. – murmurou ela. Rasalas concordou e a abraçou. Pansy o olhou surpresa e ele aparatou para a sala da casa dela. Pansy quase se permitiu sorrir – Você sabe que... você não pegou as suas roupas, não sabe? – perguntou ela o olhando nos olhos.
Rasalas não tinha se dado conta, na verdade. Ele riu meio sem jeito, sem se soltar dela.
—Eu... eu não me toquei... – murmurou acariciando a cintura dela.
—Você realmente... deveria colocar uma roupa... – murmurou ela desviando o olhar para o peito desnudo dele. Rasalas se arrepiou inteiro ao sentir as mãos dela lhe tocarem o peito – Eu... eu não quero... fazer algo... idiota... – murmurou ela o olhando nos olhos de novo.
Escorregou as mãos pela curva da cintura dela e suspirou, com a cabeça cheia de ideias erradas.
—Desculpe. – murmurou se afastando, ligeiramente envergonhado por estar excitado – Eu... eu não sei onde estou com a cabeça. – Pansy se abraçou e se virou para ir para o próprio quarto. Se xingou baixinho, se achando um idiota – Eu já volto, ok? – gritou para ela, sem querer segui-la. Mas ela não respondeu. Caminhou até o quarto dela e entrou, sem pedir licença. Pansy levou um susto e se virou escondendo os seios agora nus.
—Rasalas! Tem que bater antes de entrar! – ralhou ela.
Ele olhou direto para os seios dela. Seu pênis pulsou loucamente, sua mente divagou loucamente, seu corpo se eriçou loucamente.
Completamente insano.
Saiu e fechou a porta, respirando rápido e descontrolado. Onde estava com a maldita cabeça? Era um homem casado! Olhou para a mão onde a aliança costumava ficar.
—Pansy. Eu vou em casa, botar uma roupa e já venho te buscar, ok? – perguntou ele.
—OK! Mas bata antes de entrar! Seu mongol!
—Desculpe... mas se serve de consolo... você continua gostosa pra... – respondeu nervoso, mas logo se arrependeu. Precisava se controlar, cacete!
Aparatou para casa, trocou de roupa o mais rápido que conseguiu e deixou um bilhete para Damian, falando para que ele mandasse uma carta para dizer que tinha chegado, só por via das dúvidas.
Depois voltou para a casa de Pansy e esperou no sofá.
Os minutos passaram e Pansy apareceu vestindo o que ela normalmente vestia para trabalhar. A blusa social, uma saia de secretária e um sapato fechado de salto baixo. Nada fora do padrão. Foi pra junto dela e a abraçou novamente a segurando na cintura e foi para o Beco Diagonal. Levaram uns bons trinta minutos até que ela encontrasse uma varinha que parecesse perfeita para ela, mas ela parecia muito infeliz ao comprá-la.
—Não me leve a mal, querida... eu apenas gostava muito da outra... – murmurou ela para a varinha nova.
—Está falando com a sua varinha?
—Me julga, ok? – perguntou ela. Rasalas riu para ela e passou o braço ao redor de seus ombros.
—Nunca, Pansy. – Achou que ela iria sorrir, mas ela apenas pareceu triste. – Se importa se formos na Borgin&Burke? Eu quero ver se Damian está lá...
—Já estamos bem atrasados, Rasalas. – murmurou ela.
—Sempre chegamos na hora. Podemos nos atrasar durante um dia, ok? – perguntou pra ela. Pansy concordou e os dois foram até a Borgin&Burke. Mas assim que chegaram lá, ele notou algo estranho. Um aglomerado de pessoas, aos cochichos, olhando curiosas para a porta da loja.
Rasalas abriu caminho e ninguém tentou impedi-lo. Pansy veio logo atrás. Ele entrou e notou a prima de Damian conversando com os aurores. No chão tinha uma poça de sangue e vários objetos tinham se espatifado e caído no chão. Claros sinais de luta...
—Damian... – murmurou sentindo um frio na barriga. Lembrou-se do amigo se despedindo dele e lhe desejando boa sorte. Mas em seguida se lembrou de um dia, há alguns anos atrás, quando tinha tido uma certa conversa com ele.
“Eu te considero pra caralho, Damian... você é meu melhor amigo. Alhena é minha irmã de sangue e você é meu irmão de alma...”
“Você é o irmão que eu nunca tive...”
***
Damian estava jogado no chão, naquele quarto poeirento. Seu corpo inteiro doía mais do que ele jamais poderia imaginar. Estava há tanto tempo tentando soltar os pulsos que sentia a pele, onde as cordas o amarravam, em carne viva. Mas não podia parar de tentar. Ele ameaçara Alhena. Preferia morrer a deixar qualquer coisa acontecer com ela ou com Póllux e Castor. Fechou os olhos sentindo uma leve onda de pânico e praguejou baixinho por não conseguir se soltar.
—Droga. Droga. – disse chutando o chão. Fechou os olhos, angustiado. Precisava proteger Alhena. Só esperava que Draco pudesse mantê-la a salvo... se sacudiu de raiva tentando se soltar, mas só conseguiu machucar ainda mais os pulsos. Olhou ao redor, procurando por algo afiado. Foi quando viu um monte de cacos de vidro. Se arrastou até lá e soltou um grunhido ao se cortar com um caco. Só queria sua varinha. Era um completo bosta sem a varinha... girou o corpo em cima dos cacos de vidro, sentindo a pele cortar de leve e respirou fundo tentando pegar um caco maior. Ao conseguir se sentou e tentou cortar a corda. Nunca tinha tentado cortar uma corda mágica de conjuração daquele jeito. Só podia torcer pra dar certo. Rosnou de dor ao sentir o vidro cortar sua mão, mas continuou tentando cerrar a corda. Fechou os olhos pensando em Alhena, Póllux e Castor – Nunca mais na minha vida vou transar com outra mulher que não seja a Lena. A gente volte ou não. – rosnou tentando cortar o vidro – Damian burro! Burro! Por que raios foi fazer isso, seu estúpido? Agora eles estão e perigo e a culpa é sua. Sua! Puta que pariu, cacete! – praguejou sentindo dor. Sentia o vidro escorregadio e só podia imaginar que era porque provavelmente estava sangrando em cima dele – Por favor... corta, por favor... eu não ligo pro que acontecer comigo, eu só preciso impedir que Burton machuque a minha família. Só isso. Só isso... – murmurou desesperado, ainda movendo o caco, ignorando a ardência e a dor que sentia nas costas, braços e mãos – Eu só quero proteger a minha família... por favor... arrebenta. Pelo amor de Merlin, arrebenta... – mas a corda parecia tão firme quanto antes. Damian levantou o rosto, olhando pro teto, tentando não se desesperar ainda mais – Vaaaai... corta, inferno. – murmurou pensando em Alhena. Por um momento se lembrou daquele dia horrível, quando ele viu Pierre violentá-la nas estufas – Não posso deixar. Não posso. Corta, por favor, corta... por favor, por favor, por favor... – sacudiu as mãos e rosnou de dor, para depois soltar um grito, frustrado – Corta. Corta. Corta. Não por mim. Por eles. Por eles. Eu preciso ajudar meus filhos e a minha esposa. Corta. Salazar, Merlin, Voldemort, Grindewald, Abraxas... qualquer um que estiver me ouvindo, me ajuda aqui. Eu peço ajuda até pro fantasma do doido varrido do Dumbledore. Só arrebenta, corda escrota do caralho! PUTA QUE PARIU! – gritou angustiado – Eu juro que nunca mais na minha vida vou olhar pra outra mulher. Eu aprendi a lição. Agora arrebenta! Pessoa mágica que cuida do carma, não deixa a Alhena pagar pelos meu erros. Draco... não deixe ele tocar na minha Alhena, por favor... não deixa ele tocar nos meus filhos... – murmurou sentindo um nó na garganta. – Não deixe, Draco... não deixe... não deixa ele mexer com a minha família... deixa eu pagar a conta sozinho, por favor... por favor. – já não conseguia segurar o caco de vidro firmemente, então mordeu o lábio para segurá-lo com mais força. Sentia o vidro cortar seus dedos, mas finalmente sentiu a corda afrouxar. Chorou de alívio, mexendo os pulsos – Obrigado, obrigado... obrigado... – murmurou se soltando de uma vez. Largou o caco de vidro e quase chorou de dor ao desamarrar os tornozelos, que também estavam presos. Olhou as mãos trêmulas e muito feridas e fungou se perguntando onde estaria e como poderia voltar pra casa... precisava de ajuda. Precisava de ajuda.
****
Draco e Alhena estavam brincando com os garotos, conjurando borboletas, quando um elfo apareceu, parecendo agitado. Draco o olhou curioso e o elfo fez a típica reverência.
—Mestre Malfoy. Tem um homem querendo entrar. Ele é do Ministério da Magia e diz que precisa falar com a senhora Burke.
Draco olhou para Alhena, achando aquilo muito estranho.
—É o Rasalas? – perguntou curioso – O irmão gêmeo dela?
—Acho que não, mestre. Ele é mais velho.
—E esse homem não tem nome? – perguntou ainda achando estranho.
—Ele disse que não, Mestre.
Draco se levantou, achando aquilo realmente muito esquisito.
—Ele disse que não tinha nome? – perguntou de novo.
—Ele disse que era um inominável, meu mestre.
—Céus, elfo burro. Por que não disse de uma vez? – perguntou zangado – Vai esquentar as orelhas no forno, vai?
—Draco! Não precisa ser cruel! – disse Alhena se levantando – Ele não deve saber o que é um inominável, só isso.
Draco revirou os olhos.
—Ok. Então só bate a cabeça na parede até achar que eu fiquei feliz.
—Draco!
—Céus. Quanto sentimentalismo. É só um elfo. – ralhou ele.
—É um ser vivo que não merece ser desprezado.
Draco revirou os olhos e mirou o elfo, que tremia esperando a ordem definitiva.
—Ótimo. Vai... limpar alguma coisa, vai. – ele se virou para Alhena – Melhor assim?
—Melhor. – riu ela. Draco soltou um muxoxo e pegou a varinha.
—Fique aqui. Eu vou ver quem é esse cara e o que ele quer.
—Ele quer falar comigo, não é? – perguntou ela. Draco a olhou ainda desconfiado das intenções do homem desconhecido. – Eu vou ver quem é. Espera. – ela se levantou também e colocou as mãos próximas às suas orelhas.
—O que você...?
Mas Alhena ficou com os olhos brancos. Ela estava tendo uma visão ou algo assim. Foi quando sentiu-se puxado dali. Estava de pé, no portão e podia ver o Sr. Burton com dois colegas ali. Em seguida se viu puxado de volta.
—Esse cara... – murmurou Alhena.
—Isso foi muito louco. – murmurou meio zonzo. Alhena sorriu pra ele.
—Eu já vi um deles. O Rasalas o estava investigando por corrupção. Ele perdeu uma abotoadura num cofre que tinha sido esvaziado.
—Sabe quem é ele? – perguntou Draco.
—Não. Só sei que não é alguém legal. – respondeu ela.
Draco deu um sorrisinho desdenhoso.
—Ele realmente não é nada legal. É um homem bastante perigoso, sabe... sem falar que ele é o Sr. Burton.
—Burton? – perguntou Alhena esbugalhando os olhos – O marido da...
—Yep.
—E o que ele quer comigo? – perguntou Alhena cruzando os braços – Jogar na minha cara o que o Damian fez?
—Bem... talvez ele e a esposa não estivessem dando um tempo, ao contrário de você e do Damian. – brincou ele.
—Eu não quero falar com ele. – murmurou Alhena.
—Não precisa. Eu mando ele embora, ok? – perguntou ele a abraçando e a beijando na têmpora.
Alhena soltou um suspiro e Draco se virou, indo em direção à saída da Mansão. Estava com uma certa pulga atrás da orelha em relação a aquele homem. Caminhou até o portão e o olhou com desconfiança. Os homens que o acompanhavam eram ainda maiores que ele.
—Sou Draco Malfoy, no que posso ajudá-lo? – perguntou franzindo a testa. O homem revirou os olhos , impaciente, e tirou um distintivo do bolso.
—Pode começar nos deixando entrar, Sr. Malfoy. – respondeu ele – O sistema de segurança da sua casa é muito aborrecedor. Meus parabéns ao bruxo que o inventou.
—Aos bruxos. O que quer na minha casa? – perguntou olhando para o distintivo.
—Não vai nos deixar entrar para que possamos conversar?
—Não. – respondeu secamente – Sem ver um mandato primeiro? De jeito nenhum. – respondeu. No intervalo entre seu quinto e sexto ano, o Ministério vivia querendo revistar sua casa e ele já tinha aprendido que não deveria deixar ninguém entrar sem um mandato. Nenhum membro do Ministério, além do Ministro em pessoa, poderia exigir entrar em sua casa, sem uma autorização legal assinada pela Corte ou pelo ministro.
[n.a. – gente, os trocadilhos estarão em inglês para fazer sentido. Mas acho que eles são fáceis de entender]
—Escute aqui, garoto! – rosnou um dos acompanhantes de Burton – De acordo com o código de leis bruxas... – e ele começou a falar um monte de leis falsas tentando convencer Draco a abrir o portão. Mas ele apenas riu. Era serpente velha naquele jogo.
—Olhe, um pássaro... – murmurou Draco, fazendo os homens se virarem para olhar. – Aaaand it's gone. Just like the fuck I gave about this conversation... gone. – brincou ele.
—Como ousa falar com um homem do governo desse jeito, garoto? – perguntou o outro acompanhante. Draco apenas riu de novo.
—Desculpem o meu humor, senhores. – disse tentando parecer sentir muito – Desculpem, mesmo... eu estou com problemas com o meu intestino... sabem por que? Because I don't give a shit about this...
—What did you said? – perguntou Burton.
—I am very sick... – debochou Draco.
—Sabe com quem está lidando, garoto? Eu posso fazer da sua vida um inferno, sabia? Tem algo a esconder de mim, Sr. Malfoy? – perguntou o homem.
—Minha coleção de quanto eu dou a mínima pra vocês... espere... não é segredo. – debochou Draco – Have a nice day. – ele se virou e estava para sair, quando uma sensação esquisita o dominou. Todos os seus pelos da nuca se ouriçaram e ele olhou para trás. Mas os homens estavam recuando para desaparatar. – Mas que caralhos... – murmurou confuso, antes de dar de ombros e se virar. Voltou para dentro da Mansão e foi para junto de Alhena, Castor e Póllux. Alhena estava deitada de bruços no sofá, com as pernas flexionadas para cima, com os pés balançando distraidamente, enquanto ela seguia conjurando borboletas. – Lena. – ela o olhou curiosa – Não deixe a Mansão, em hipótese alguma, ouviu?
—Ok. Mas... por que?
Estava para falar sobre o estranho encontro com Burton, quando escutou a voz de Rasalas ecoar pela sala. Ele gritava seu nome, parecendo quase em pânico.
Draco e Alhena trocaram um olhar curioso e ambos foram para a sala de visitas, onde a lareira crepitava. A cabeça de Rasalas estava nas chamas e os olhou angustiado.
—Precisamos ir ai. É urgente. – disse ele.
—Ok. Podem vir. – respondeu Draco sem saber como iria encarar Damian depois de ter transado com Alhena. Sua mente estava meio confusa sobre o que ele queria no momento. Mas quando Rasalas saiu da lareira, ele não trouxe Damian. Ele trouxe Pansy – WTF! O que você está fazendo com... – começou ele, confuso.
—Não há tempo pra gente discutir. – cortou Rasalas. Pansy apenas limpava as cinzas que sujaram sua roupa – Você vai falar que não gosta dela, Lena, que ela é um monstrinho e eu vou mandar vocês se foderem. Pronto. – ralhou ele. Draco abriu a boca para contestar... mas depois notou que a conversa seria mais ou menos aquela mesmo – Lena. Você precisa localizar o Damian. – pediu ele.
—O que? Por que? – perguntou ela – O que houve?
—Ele desapareceu. Acho que ele foi sequestrado. Ele não apareceu em casa ontem e quando fui ver se ele tava na loja, os aurores estavam lá falando com a prima dele. E tinha sangue no chão. Sinal de luta. E a prima disse que ele não apareceu pra trabalhar!
Draco sentiu o estômago revirar e olhou para a amiga, que parecia atordoada.
—Quanto sangue? O suficiente para... para acharmos que... que ele...
—Não era muito sangue. – cortou Rasalas – Mas ele foi sequestrado, e está ferido... – ele soltou um suspiro – E provavelmente a culpa é minha.
—Por que raios... – começou Draco.
—Eu pedi pra ele investigar umas pessoas pra mim, muito perigosas e...
—Que pessoas? – cortou Draco.
—Charles Burton. – respondeu Pansy.
—Burton? – perguntou Alhena, olhando para Draco.
—Ele acabou de vir aqui. Queria entrar pra falar com a Lena. – disse olhando o amigo e Pansy – Vocês sabem o que ele queria?
—Você não deixou ele entrar? – perguntou Rasalas.
—Claro que não. Ele veio com dois outros caras com cara de assassinos. E eu sou sobrinho da tia Bella. Eu sei o que eu to dizendo. Eles não tinham mandatos, então mandei eles irem embora.
—Estou preocupada. – murmurou Pansy – Já passou da hora de avisarmos Potter, Rasalas.
O rapaz concordou.
—Lena. Onde o Damian está?
****
Alhena e Draco estavam de braços cruzados, no escritório de Rasalas e Pansy, que tinham ido procurar Harry. Alhena tinha entregado a memória com a localização do marido e agora esperava ansiosa, torcendo para que não fosse tarde demais.
—Não se preocupe, Alhena. Potter, o garoto maravilha, vai trazer Damian de volta. – murmurou Draco a abraçando.
—E... e se for tarde demais? E se matarem o meu Damian? – perguntou ela sentindo vontade de chorar – Céus, Draco...
Ela o abraçou de volta, atrás de conforto e ele suspirou.
—Vai ficar tudo bem, ok? – perguntou ele – Eu te garanto que vai...
—Como pode me garantir? – perguntou ela, sentindo os olhos encherem-se de água. Draco não respondeu a abraçando mais apertado e alguém abriu a porta. Alhena se soltou de Draco e se virou, esperando que fosse alguém com notícias de Damian. Mas era Daphne. Ela a olhou confusa e franziu a testa – Daph?
—Lena? Draco? O que estão fazendo aqui? – perguntou ela, segurando um envelope pardo nas mãos – Onde está o Rasalas?
—Foi atrás do Potter. – respondeu Draco – Aconteceu uma coisa...
—O que? – perguntou ela entrando e colocando o envelope na mesa de Rasalas, para encará-los preocupada – Vocês estão com cara de enterro. O que houve?
—Damian... – murmurou Alhena – Parece que ele foi sequestrado.
Alhena viu sua melhor amiga a olhar chocada. Daphne correu até ela e a abraçou apertado e ela sentiu que não poderia mais segurar o choro.
—Calma, calma... vai dar tudo certo, ok? – perguntou Daphne. Sentiu Draco abraçar as duas, protetoramente e mais alguém abriu a porta.
—Senhora Burke. Que bom que saiu do ninho. – todos olharam para frente e viram Burton entrar com seus dois comparsas. – Poderia fazer a cortesia de me seguir?
—Ela não vai a lugar algum com você. – rosnou Draco ficando entre as duas mulheres, mas Burton sorriu.
—Tudo bem, Sr Malfoy. Eu posso lidar com você primeiro. – riu Burton acenando para ele com a cabeça. Os dois brutamontes vieram na direção deles e Alhena viu Draco sacar a varinha – Draco Malfoy. Você está preso por obstrução de justiça, atrapalhar as investigações e por ser o maior suspeito do sequestro de Damian Burke.
—O que? – perguntou Draco.
—E dessa vez eu tenho um mandato. Então não piore a situação de vocês e não reaja. – riu Burton. Os brutamontes apontaram as varinhas para Draco, que não reagiu. Eles o desarmaram e usaram um feitiço para juntar os pulsos dele – Você vai ficar em Azkaban esperando pelo seu julgamento, numa cela especial. Levando em consideração seu anterior envolvimento com o grupo dos Comensais de Morte, não ficarei muito surpreso caso a prisão se torne seu lar permanente. – Burton se aproximou de Draco e o estapeou de leve no rosto – O que é uma pena... aquela mansão ficar vazia. Ou será que vai ficar com a sua amante?
—O que? – perguntou Alhena, abraçando Daphne com mais força.
—Eu sei que você está há algum tempo na mansão... estavam planejando dar um sumiço em Damian Burke para ficarem juntos? – riu Burton. Alhena largou Daphne e olhou para o homem completamente insultada.
—Está louco? Draco não fez nada disso! Ele não é culpado! – disse ela – E nós não somos amantes! – adicionou sem corar, apesar de ainda se lembrar levemente de Draco cantar aquela música do limpador de chaminés.
—Levando em consideração que sua família também esteve bem envolvida com o grupo dos Comensais de Morte, Sra. Burke... eu não acho que sua palavra valha alguma coisa... mas vamos. – Burton segurou seus pulsos, atrás de suas costas – Temos trabalho a fazer. Peguem a outra também. – adicionou ele.
—O que? Por que? – perguntou Alhena.
—Me solte, seu... – rosnou Daphne.
—Pra garantir que vão se comportar. Todos os três. – riu Burton a empurrando. Quando estavam saindo da sala, reconheceu a senhora de sua visão, a que tinha feito um desenho para Rasalas – Dido. Quem trabalha aqui é o lobisomem. Disfarce o nosso cheiro.
—Claro, amor. – riu ela entrando no escritório.
—E é melhor ficarem muito quietos. – rosnou Burton – Ou eu estuporo vocês. A lei está do meu lado.
—Que lei diz que pode disfarçar a nossa prisão, heim? – rosnou Draco. Mas Burton apenas sorriu sem responder.
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