Legado Lestrange II - Legacy
78 Papa, Don't Preach
Notas iniciais

Capítulo 78
Estava fazendo um dia bastante ensolarado. Draconis olhou para o céu e sorriu sentindo calor pela primeira vez em muito tempo. Logo viu Vlad chegar com as feições cheias de preocupação.
—Cara. Eu simplesmente não consegui fazer aquela última questão e você? – perguntou ele.
—Eu acho que, por incrível que pareça, vou conseguir meu N.I.E.M em Transfiguração. – riu Draconis e Vlad o socou no braço.
—Você é muito nerd. Como pode? Inteligente, rico e... – Vlad lhe deu um tapão nas bolas, sem aviso e Draconis perdeu o sorriso, caindo de joelhos no chão, completamente sem ar – pirocudo. Esse mundo é muito injusto. Levando em consideração todas as duas qualidades, você, no mínimo, não deveria saber nem contar! É a justiça cármica do universo!
—Vlad... pro seu bem, é melhor você não estar mais aí quando eu conseguir levantar... – murmurou segurando as bolas. Mas Vlad não deu muita bola, apenas rindo.
—Que voz fina essa sua, Drac.
—Eu MATO você! – rosnou tentando se levantar, mas não conseguiu. Então ficou deitado, encostado numa pedra, segurando as bolas, suando frio.
—Ei. O que houve? – perguntou Harley chegando e se sentando ao lado deles.
—Seu irmão me bateu... nas bolas. – resmungou Draconis. Harley deu uma risadinha e suspirou.
—Eu não acredito que terminamos a escola. Finalmente estamos formados.
—Ainda não, maninha. Temos que passar pela formatura. – riu Vlad – Dizem que é um dos lugares mais bonitos do mundo, a caverna da formatura.
—Vamos ver se é mesmo. – riu Harley – Mamãe vai ficar super orgulhosa, não é?
—Sim. Eu fui ainda melhor do que tinha imaginado e...
Mas Draconis já não estava mais prestando atenção. Estava pensando na mãe, que não o veria formado. Não sabia mais se ela estava morta ou não. Não entendia seu próprio dom. Era muito confuso. Estava profundamente arrependido de não ter pego adivinhação.
Mas pelo menos o pai poderia ir e vê-lo formado. Soltou um suspiro, ainda com calafrios por conta da pancada nas bolas. Se perguntava como o mundo estava lá fora. Como estava a guerra. Todas as informações que conseguira, tinha passado para James. Ele não teve acesso ao espelho, como Harry dissera que ele iria ter. Então não tinha contato com as outras pessoas.
Sentiu alguém mordiscar sua bochecha e olhou para o lado. Era Loto, que sorriu galante para ele. O beijou nos lábios e Loto o puxou pela nuca. Ficaram se beijando por um tempo até que Vlad começou a tossir falsamente. Se separaram imediatamente, fingindo que estavam numa boa, e ele viu o professor de feitiços se aproximar. O olhou curioso e se perguntou se estaria encrencado por estar namorando (nunca tinha tido problemas com o namoro, mas sempre tinha tido ressalvas e medo de ser repreendido).
—Burke.
—Professor Braum. – murmurou ficando de pé, sentindo ainda alguma dor. Bateu continência, como era o protocolo e o professor sorriu.
—Eu pedi para que sua prova fosse corrigida primeiro. – disse ele e Draconis piscou confuso – Você conseguiu nota máxima em feitiços. Por isso vamos lhe aplicar um teste extra, para efeito curricular. Poderá concorrer a um prêmio por sua maestria em feitiços, garoto.
—Mesmo? – perguntou com um sorriso animado – Está falando do Barnabus Frinkley?
—Conhece?
—Sim. – riu Draconis sem conseguir conter o sorriso – Caramba, isso é demais! O que eu preciso fazer? – perguntou ele.
O professor tirou um grosso livro das vestes e lhe entregou.
—Você tem uma semana para aprender o máximo que conseguir. Então fará o teste final de proeminência em feitiços. É garantia de um bom emprego, Draconis. Não são apenas feitiços bobos, mas azarações, transfigurações... é bem difícil, mas eu estou confiante de que você se daria bem. – riu o professor – Você é muito inteligente, só não tem malícia de duelo. Podia pedir ajuda pro seu... – o professor olhou com um sorrisinho para Loto, que corou absurdamente – Amiguinho. Ele tem mais malícia do que conhecimento para duelar.
—Eles se completam. Que lindo. – riu Harley.
Draconis olhou travesso para Loto, que estava ainda mais vermelho.
—Você quer me ajudar, Loto?
—Claro.
—Loto vai passar a malícia pro Draconis? – perguntou Vlad e ele e Harley deram risadinhas.
—Muito bem. Eu espero que você se esforce, Burke. Faz décadas que nem sequer indicamos alguém a esse prêmio.
—Eu vou me dedicar, professor. Obrigado pelo voto de confiança. – disse Draconis.
—Sim. E eu vou te entregar isso também. – riu o professor. Draconis pegou um crachá de autorização – Você pode andar por toda a propriedade, independentemente do horário, já que você está sendo indicado para o teste. Use sabiamente. Eu detestaria ter que cancelar seu teste por te pegarem fora da cama ao dar suas escapadas para o navio. – Draconis corou sem jeito, chocado. Nunca tinha imaginado que alguém tivesse descoberto e muito menos que não tinha sido punido por isso – É, eu sei o que anda fazendo e apesar de não concordar com isso... – o professor Braum deu de ombros – Cada um faz o que quiser da própria vida. Aproveitem a juventude de vocês. A guerra costuma roubar isso da gente.
—Obrigado, professor. – riu Draconis.
O professor acenou com a cabeça para eles e se retirou.
—Isso é demais. Me deixa ver isso. – pediu Loto folheando o livro – Eu aprendi alguns desses feitiços no meu curso avançado. Sim... a boa maioria deles...
—Esse teste vai te dar o mesmo certificado que o Loto passou um ano pra concorrer? – perguntou Vlad – Que sinistro. A justiça cármica realmente falhou com você.
—Falando em justiça cármica... – Draconis se virou rápido e agarrou as partes do colega que soltou um sibilo fino – Fala grosso comigo, fala. – desafiou apertando o colega, que negou com a cabeça – Vai, Vlad... fala grosso agora.
—Eu deveria estar com ciúmes ou excitado nesse momento? – perguntou Loto – Você ficou sexy malvado, Drac.
Draconis se virou apertando com mais força os “documentos” de Vlad, que começou a choramingar.
—Você acha, amor?
—Não me chame de amor. Isso é muito gay. – resmungou Loto.
—Nós estamos namorando. Qual o problema de soarmos gays?
—Você está segurando as partes de outro cara na minha frente. – ralhou Loto – Larga logo o garoto.
Draconis soltou Vlad que caiu de joelhos, segurando as próprias partes.
—Eu tenho mãos firmes, cara. Goleiro, sabe? – riu Draconis.
—Eu mato você... – rosnou Vlad com a voz fina.
—Nossa, que voz grave e sensual, Vlad. – riu Draconis. O amigo virou sacando a varinha, mas logo choramingou rolando no chão e segurando as bolas.
—Ele me aleijou... ele me aleijou... – choramingou Vlad, enquanto Harley caía na gargalhada.
—Vem, Draconis. Eu vou te ajudar com esses feitiços. – disse Loto. Draconis o olhou mordiscando o lábio.
—Será que não podemos comemorar a minha indicação primeiro? – perguntou ele.
—Tem muita coisa pra você aprender. Não temos tempo a perder. – discordou Loto olhando o livro, parecendo concentrado. Draconis sorriu e abraçou o namorado por trás passeando o nariz pela nuca dele, adorando como ele se arrepiou inteiro.
—Vamos, Loto... eu faço aquela coisa que você gosta... – prometeu no ouvido dele.
Loto soltou um suspiro e o olhou.
—Ok, vamos... ou eu vou ficar de pau duro o resto do dia. – riu ele lhe dando as mãos.
—A gente se vê, galera. – riu Draconis entrelaçando os dedos com Loto.
—Boa foda. – riu Harley, dando chutinhos nas costelas do irmão, com um sorriso no rosto.
—Como você sempre me convence a fazer tudo o que você quer? – ralhou Loto.
—É porque você me ama. – riu Draconis dando de ombros. Loto concordou e o olhou.
—É... eu te amo, Drac. – riu Loto. Draconis sentiu um frio na barriga e sorriu, olhando para o namorado.
—Eu também te amo, Loto. – riu olhando para ele. Loto sorriu e logo os dois estavam se beijando, sem se importar em serem vistos.
*
Damian abraçou Alhena, mais por reflexo do que por um ato consciente. Sentiu a bunda dela pressionar seus quadris e sorriu sentindo vontade. A beijou no ombro e a puxou de novo...
Só então se deu conta do que estava realmente fazendo. Acordou e rolou para o lado, envergonhado. Seu corpo reagiu, querendo o corpo dela. Céus, como estava desejando um pouco de sexo. Engoliu em seco e a olhou desejoso. Ela estava dormindo, tranquilamente.
Órion estava com seu pai, numa viagem para o Egito. Então o quarto que Draco lhe reservara era apenas dele e Alhena.
Mas isso não significava muita coisa naqueles dias.
Já fazia quase um ano desde a última vez que estivera com uma mulher (com Alhena, no caso). Um ano sem sexo. E não era como quando estava realmente doente cm o Horklump. Naquela época até sua libido tinha diminuído. Mas agora ele estava pegando fogo.
—Lena... – sussurrou – Lena... acorde... – Alhena se remexeu parecendo preguiçosa, mas abriu os olhos. Ela girou na cama e o olhou sonolenta – Vamos... vamos transar? – perguntou sabendo o quão escroto era perguntar aquilo. Alhena não respondeu, o olhando sem reação – Foi o que eu imaginei... – murmurou. Soltou um suspiro e se deitou sobre ela. A beijou na testa com carinho. Depois nas bochechas e por último nos lábios. Um selinho inocente. Mas como ela não reagiu de maneira alguma, simplesmente girou para o lado, com o corpo desejando uma aventura carnal. – Amor... você me perdoa se eu... se eu pagar alguém pra me satisfazer? – perguntou engolindo em seco – Já faz um ano... e... e seria simplesmente errado fazer com você. – Alhena suspirou e bocejou, voltando a fechar os olhos – Amor, me dá uma dica, vai...? – perguntou alarmado – Se eu fizer isso e você voltar a ser você mesma, não vai poder usar isso contra mim, ok? – perguntou ele. Alhena suspirou em resposta – Amor... por favor... por favor... fala comigo. – resmungou a cutucando na bochecha. Alhena abriu os olhos e o olhou de novo – Isso. Olha pra mim agora, ok? – perguntou ele. Ela o olhou atentamente. Era como falar com um bebezinho de poucos meses, que simplesmente não entendia o que ele dizia, mas ele insistia em falar assim mesmo – Eu to morrendo de vontade de... bem... mas eu não posso fazer com você. Um dia eu espero que você melhore e a gente volte a fazer amor... mas enquanto isso não acontece... bem... eu posso pagar alguém? Não vai ser numa festa. Não vai ser uma viúva. Vai ser alguém pago. Um serviço. Sem absolutamente nenhum sentimento. O que acha? – perguntou a olhando nos olhos. Alhena se sentou e suspirou. Depois ela girou as pernas, para ficar em pé – Amor, está frio... vai pegar um resfriado. Não é hora para caminhar. – ralhou ele, mas Alhena não lhe deu ouvidos e começou a dar seus passinhos desengonçados – Você quer usar o banheiro? Ou quer ir pra sala de visitas de novo? – perguntou fazendo bico. Mas Alhena simplesmente continuou em seus pequenos e desengonçados passos. Se levantou também e ficou andando ao lado dela. Em dez minutos ela chegou até a porta e começou uma verdadeira missão com a maçaneta. Ele a abriu para ela, ou nunca sairiam dali. Alhena continuou a passos curtos e lentos, com as pernas trêmulas e fracas. Ficou ao lado dela, para o caso dela cair. Foi quando viu alguém descer as escadas, mais ou menos como Alhena, com apenas um pouco mais de coordenação – Draco? – perguntou confuso. A Mansão estava silenciosa naquela noite, então ninguém mais além dele viu Alhena e Draco andarem para a sala de visitas. Draco pegou o flu, ainda dormindo, enquanto Damian assistia confuso – Draco?
—Travessa do Tranco. – disse Draco, jogando o pó na lareira. Damian segurou o loiro e o puxou pelo pijama. Se ele tentasse entrar, ficaria preso, afinal a lareira da Borgin&Burke estava trancada a aquela hora. (sim, sua loja era o ponto de lareira da Travessa, como o Caldeirão Furado era o do Beco Diagonal).
—Draco, acorde. – resmungou sacudindo Draco sem muito esmero. Draco piscou e acordou, parecendo desapontado.
—De novo! Por que me acordou? – ralhou Draco.
—Porque você ia entrar nas chamas. – resmungou Damian – E teria ficado preso na lareira. Por horas... realmente, por que eu te acordei? – disse num tom de brincadeira. Foi quando Alhena despencou e os dois pularam para segurá-la. Damian a colocou no sofá e suspirou – Por que vocês dois sempre andam pra cá?
—Eu não sei. Sempre me acordam antes que eu descubra. – resmungou Draco – Mas Alhena quer me levar para a Travessa do Tranco. Eu só não sei o motivo.
—Acha mesmo que é ela quem te leva pra lá? – perguntou Damian, ligeiramente enciumado. Draco deu de ombros.
—Eu gosto de pensar que sim. – respondeu ele – O que está fazendo acordado a essa hora? – perguntou Draco coçando os olhos.
—Eu simplesmente acordei. Tentei ter uma conversa com a Alhena, mas ela não estava muito comunicativa hoje... – Damian soltou um suspiro – Acho que ela já melhorou o que tinha pra melhorar...
—Não diga isso. – ralhou Draco – Ela vai voltar de vez. Você vai ver... – resmungou o loiro olhando pra ela.
—Eu já disse uma vez e repito... eu queria ter a sua fé. – resmungou Damian – Draco...
—Hum? – perguntou ele.
—Seria muito errado... se eu... fosse ao Poison Apple? – perguntou Damian coçando o queixo. Draco o olhou com um sorrisinho.
—Eu acho que não. Ela iria entender. – disse ele – Mas não deixe Rasalas saber. Sabe como ele é.
—Não gosto de esconder isso do Rasalas. – resmungou Damian.
—Bom funeral, então. – riu Draco se espreguiçando – Eu vou voltar pra cama e me amarrar lá.
—Draco... você, como amigo da Alhena... realmente acha que não seria errado da minha parte? – perguntou Damian.
—Errado seria você transar com ela. – riu ele – Não estou tentando te passar a perna, Damian. Ela iria entender. Já tem um ano, não é?
—É... – murmurou Damian. Draco concordou com um sorriso – Vai lá agora. Eu fico de olho nela. – riu Draco.
—São três da manhã. – ralhou Damian.
—Volte antes das seis. – disse Draco.
Damian soltou um suspiro e concordou.
—Eu vou trocar de roupa...
Mas não sabia que não teria coragem.
**
—Liberdade! – gritou Navi, entrando no Salão Comunal. Albus soltou um suspiro – Acabaram os N.I.E.M.s! Eu sou um homem LIVRE! – riu ele. Les deu um sorrisinho, olhando para ele.
Scorpius voltou do dormitório e se sentou ao seu lado.
—E aí. – riu ele com o cabelo todo desarrumado e um sorriso descontraído no rosto. Prova de que ele: 1 tinha transado com Lyra de novo. 2 Ela ainda não contara da gravidez.
—Novidade? – perguntou assim mesmo.
—Toda vez que eu transar com a Lyra vai me perguntar isso? – resmungou Scorpius – O que está esperando? Que eu peça ela em namoro? Fala sério. – riu ele com desdém – O lance é puramente sexual. E agora ela começou a aumentar os peitos com o poder de metamorfomaga... ela tá ainda mais gostosinha. – riu Scorpius – Cada dia mais... gostosa... aiai... – ele abriu um sorriso canalha e Albus engoliu em seco – Mas e você? Como está com a Cerce? Ela já tá te dando umas mãozinhas?
—Sim, apesar de não ser da sua conta. – resmungou corando violentamente.
—E o que você anda aprontando com ela. Me conta! – riu Scorpius.
—Não é da sua conta. – resmungou ainda mais corado – E você deveria se preocupar com a Lyra.
—Por que? Ela é crescidinha. Ela sabe no que está se metendo. E se não fosse comigo, seria com outro. – resmungou Scorpius – Eu tinha um tesão fodido nela. Era doido pra transar com ela há séculos. Mas em consideração a você, eu me segurei. Mas como você arrumou uma namorada. – Scorpius deu de ombros – E eu não me arrependo... a Lyra tem uma ginga na hora de... – ele simulou que tinha alguém rebolando em seu colo e Albus revirou os olhos – Sem falar nos boquetes... céus... ninguém nunca me chupou como Lyra Lestrange... sem falar que...
—Scorpius, por favor, cale a boca! – ralhou Albus. Scorpius deu uma risadinha e cutucou sua bochecha.
—Não me diga que está com ciúmes, Albus. – riu ele – Foi você quem decidiu assim.
—Eu sei disso. – resmungou batendo na mão do amigo – Mas isso não significa que eu não me importe, ok? – soltou um suspiro, pensando em Lyra – Eu... eu estou preocupado com umas coisas e esse seu jeito idiota não me ajuda em nada.
—Você quer ser adulto demais, Albus. Somos jovens. Adolescentes. Curta o momento. Porque se for tentar curtir depois vão te achar um idiota e com razão. – resmungou Scorpius.
Escutaram alguns passos e Albus olhou para o lado. Lyra saiu da passagem que dava nos dormitórios, com o violão nas mãos. Ela se sentou numa poltrona e começou a tocar qualquer coisa. Ficou olhando para ela, extremamente preocupado. Tinha três semanas desde que tinha descoberto da gravidez dela. Não tinham conversado depois daquilo, porque ela o evitava. Mas estava ansioso demais. Soltou um muxoxo e se levantou para ir até ela.
—Ei, podemos conversar? – perguntou ele. Lyra o olhou e negou com um aceno de rosto – Você ao menos já decidiu o que quer fazer? Já falou com a madame Pomfrey? – perguntou ele.
—Cale a boca! – sibilou ela, baixinho. Albus se ajoelhou na frente dela.
—Você precisa fazer alguma coisa. Deixar pra lá não vai resolver o problema. Nem fingir que não é nada.
—Eu sei disso. Mas eu também sei que não é da sua conta!
—Até onde eu sei pode sim ser da minha conta. – resmungou baixinho. Lyra soltou outro muxoxo.
—Ok. E se for da sua conta, o que você vai fazer? – perguntou ela.
—Avisar meus pais. Os seus. Pedir ajuda. Esse tipo de coisa! – resmungou ele – E principalmente, te levar num curandeiro assim que as férias chegarem.
—Albus, vai perturbar outra pessoa, ok?
—Seja responsável uma vez na sua vida, Lyra! – rosnou Albus. Ela o olhou furiosa e se levantou, colocando o violão em cima da poltrona.
—Posso trocar umas palavras com você em particular, monitor? – sibilou ela.
—Sim. – respondeu. Os dois andaram até as escadas e ela soltou um muxoxo.
—Não é problema seu. É de outro, ok? – resmungou ela – Agora me deixe em paz...
—Não. – retrucou a segurando no pulso – Pra saber se é meu ou não, você precisaria de um fio de cabelo meu, ou um pouco de sangue.
—Quem garante que eu não fiz isso com Scorpius?
—Porque eu sei quando você está mentindo, Lyra. Passei metade da minha vida louco por você. Eu te conheço melhor do que qualquer um aqui. Você não fez teste nenhum, ok? – rosnou ele – E mesmo se tivesse feito, você tem que tomar uma providência. Já têm quase dois meses que a gente... fez aquilo... logo vai ficar perigoso pra sua saúde se você não...
—Não tirar? É isso que você quer dizer?
—Não. Por que sempre espera o pior de mim? – ralhou ele – Vai ficar perigoso pra sua saúde não fazer um pré-natal. Eu não quero que você aborte, Lyra. – explicou Albus – Se for meu, eu vou assumir. E se for do Scorpius e ele não quiser assumir, eu vou azará-lo permanentemente. – sibilou ele – Então você precisa tomar alguma providência.
—Eu não preciso que você assuma, ok?! – ralhou ela – EU não quero a sua ajuda, ou a sua pena. Eu não quero nem a sua presença. – rosnou ela – Eu te dei todas as oportunidades pra entrar na minha vida, mas você não quis. Eu não quero você agora.
—Mas pode ser meu filho! – disse Albus com o coração acelerado.
—Não. Vai ser meu filho. Não seu. Não do idiota do Scorpius. Vai ser apenas meu. Isso se eu resolver ficar com o bebê. Porque eu ainda não me decidi.
—E quando vai se decidir?
—Quando eu voltar pra casa. Eu vou falar com a minha mãe. – respondeu Lyra – Se ela me ajudar, eu vou ter o bebê e vou ser mãe solteira. Eu arrumo um emprego e com a ajuda dos meus pais, eu me viro. Mas se eu resolver que eu não quero... – ela engoliu em seco – Eu vou continuar com a gravidez e quando nascer eu vou colocar na adoção. – explicou ela – Mas eu não vou tirar. Eu jamais teria coragem de fazer isso com ele. – murmurou ela passando a mão no ventre. Albus engoliu em seco a olhando. Olhando para a barriga seca dela. Não dava pra nem sequer imaginar uma barriga ali, mas Scorpius tinha razão sobre os seios dela. Estavam maiores mesmo.
—Foi você quem aumentou... os seios? – perguntou ele.
—Não. – respondeu ela – Estou com dificuldade pra controlar minha metamorfagia... Estou ao natural aqui. – murmurou ela se abraçando. Foi quando notou que ela estava como no dia do banheiro dos monitores – E é um saco.
—Você... você é assim? – perguntou a olhando nos olhos prateados.
—Sou. – resmungou ela dando de ombros – Sem graça, eu sei...
—Você é linda. – murmurou sem conseguir se conter. Lyra o olhou com os olhos cheios de água.
—Por que faz isso?! – perguntou ela o socando nos braços, enquanto ele tentava se defender – Eu estou no pior momento da minha vida, com os hormônios enlouquecidos, na maior fossa e você me vem falar isso! – resmungou ela.
—Desculpe. – riu se defendendo dos golpes dela – Mas... mas é verdade.
Lyra o olhou parecendo muito agitada. E tão de repente quanto os socos, ela simplesmente desabou, chorando de se acabar.
—São os hormônios. Eu estou numa pilha de nervos. – ralhou ela.
—Está tudo bem... mas você realmente deveria ir na Ala Hospitalar... – murmurou Albus. Lyra concordou com um aceno de cabeça – Quer que eu vá com você? – perguntou ele.
—Não... não precisa... – murmurou ela – Eu vou num outro momento. Agora não...
—Ei. O que vocês estão fazendo? – perguntou Scorpius descendo os degraus – Ah... é DR (discutir a relação)? Se for eu volto por onde eu vim.
—Você deveria contar pra ele. – disse Albus.
—Não! – disse Lyra.
—Opa! Contar o que? – perguntou Scorpius.
—Não é nada! – disse Lyra, parecendo em pânico.
—Lyra. Ele precisa saber. – ralhou Albus.
—Não. Não precisa.
—Não me diga que o Lestrange com furúnculos era você. – riu Scorpius. Os dois o olharam feio – Ok, era só uma brincadeira. O que houve?
—Conta, Ly... – pediu Albus.
Lyra soltou um suspiro e negou com a cabeça.
—Não dá. – resmungou ela indo para o dormitório.
Scorpius olhou dele para ela, confuso.
—O que houve?
—Eu não posso falar. – resmungou fazendo careta – Mas se eu fosse você, eu iria insistir.
—Ela tá grávida ou qualquer coisa assim? – perguntou Scorpius franzindo a testa. Albus corou, sentindo o estômago dar um salto – Ah. Isso explica os peitos e o motivo dela estar toda emotiva. – riu ele dando de ombros.
—Você... você não está assustado? – perguntou Albus – Pode ser seu. Provavelmente é seu! Vocês estão transando o tempo todo.
—Eu sei, eu sei. – riu Scorpius dando de ombros e parecendo descontraído – Mas é da Lyra de quem estamos falando. Ela com certeza vai tirar. – disse ele dando de ombros – Então não tenho motivo pra ficar assustado.
—Ela não vai tirar. – retrucou um pouco zangado com a reação do amigo. Scorpius era um babaca algumas vezes – Ela acabou de me falar que vai ter o bebê.
Scorpius o olhou parecendo surpreso e deu de ombros de novo.
—Bem. A escolha é dela. – riu ele.
—Você REALMENTE não está preocupado?!
—Não. – respondeu Scorpius – Eu vou deixar pra me preocupar na hora que ela exigir alguma coisa de mim. – riu ele dando de ombros – Há quanto tempo ela te contou isso?
—Tem três semanas. – murmurou em choque – E você é um babaca.
—E você se preocupa demais. – riu Scorpius – Eu duvido que ela queira ficar com o bebê. Aposto quinhentos galeões que, caso ela realmente não tenha coragem de tirar, ela vai dar o bebê pra alguém. Um sangue puro. Tem muito casal bruxo que não pode ter filhos que adoraria adotar.
—Você... é... o... maior... babaca que eu...
—Eu nunca traí minha namorada. E você? – riu ele, fazendo Albus corar – Já pensou se for seu? Traiu a namorada uma vez e engravidou a prima dela. Isso é que é azar. – Scorpius soltou um suspiro – A vida tem dessas. Fazer o que? Quer ir pra Casa da Árvore beber alguma coisa?
—NÃO! – ralhou ainda em choque com o pouco caso de Scorpius.
***
Damian, Draco, Rasalas e Blair estavam esperando pelo Expresso Hogwarts.
—Não acredito no quanto estou velho. – Resmungou Rasalas – Meu filho formou. – resmungou ele.
—O meu também. – responderam os outros três, apesar de só Draco estar com um sorrisinho no rosto.
—Ele não é o seu... – começou Damian.
—Damian. Não vamos fazer chilique sobre nosso filho agora. – ralhou Draco, com o mesmo sorrisinho irritante. Rasalas revirou os olhos, prevendo brigas entre eles, mas Damian sorriu.
—Esse é um bom momento para falar que o nosso filho arrumou um namorado? – perguntou Damian. E o sorriso de Draco morreu. O loiro olhou horrorizado para Damian.
—O que?!
—Sim. Loto Yaxley. O filho do Yaxley, que era do time da Sonserina quando a gente tava no quinto ano, lembram? – perguntou Damian com o mesmo sorrisinho que Draco tinha demonstrado antes.
Draco parecia chocado.
—Nosso filho tem um namorado?! – perguntou Draco – Mas... mas ele... ele estava num momento hétero. Ele tava apaixonado por uma garota!
—Tava? – perguntou Damian e Draco mordeu os lábios numa careta que demonstrava que ele não deveria ter revelado aquilo – Ele te contou e não contou pra mim?
—Bem. Se te ajuda ele não me contou do namorado bigodudo dele! – resmungou Draco parecendo contrariado.
—Não tenha a mente fechada, Draco. – riu Rasalas, mas o loiro apenas soltou um muxoxo.
-Queria ver se fosse o seu filho. – resmungou Draco.
—Bem... Lyra é lésbica. – riu Rasalas dando de ombros – Ou é o que me falaram... eu não entendo essa garotada de hoje em dia. É um vale tudo esquisito... – ele suspirou – O bom é que eu não preciso me preocupar dela aparecer buchuda de um idiota, certo?
—Oh, tomara que Trixie seja lésbica. – riu Blair.
—Falando na Trixie, você já foi atrás daquele psicólogo que nós conversamos? – perguntou Draco.
—Minha filha não precisa de um psicólogo. Ela não é louca, oras.
—Eu não estou dizendo que ela é... não... ela é. Sério, Blair. Psicólogo.
—Por que? – perguntaram os três ao mesmo tempo.
—Ok. A sua filha... hum... tem algum tipo de tara por homens mais velhos... loiros, de olhos azul-cinza e nariz fino, entendeu? – perguntou Draco – Eu meio que tive que jogá-la pela janela do meu quarto na última festa que o Scorpius deu lá em casa. Por isso...
—Até parece. – riu Rasalas – Baixa sua bola, Draco.
—Eu não duvido nada que você tenha tentado algo com ela e agora tá inventando essas desculpinhas por ter levado um toco e a menina ter te chamado de “tio”. – riu Damian.
—Fique longe da minha filhinha, Malfoy. – ralhou Blair.
Draco revirou os olhos.
—Ok, vamos todos ignorar o Malfoy. Porque isso sempre gera bons frutos. – resmungou ele – Não me digam que eu não avisei depois, ouviu?
Blair olhou feio para Draco. Rasalas apenas riu e Damian deu de ombros. Ficaram em silêncio por alguns minutos constrangedores e o trem começou a ser visto ao longe. Rasalas sorriu animado, morrendo de saudade dos filhos.
Muitos minutos depois de verem o trem ao longe, o Expresso vermelho finalmente parou e abriu as portas. Mais alguns minutos passaram até que vissem os garotos. Navi vinha de mãos dadas com a namorada. Cerce vinha com Albus, também de mãos dadas. Lyra vinha conversando com Scorpius, Dido e um garoto que ele nunca tinha visto também conversavam animadamente. Prim veio com as amigas, parecendo muito animada com qualquer coisa e Rose se despediu de duas amigas antes de vir correndo abraçar Damian.
Prim correu logo depois dela.
As gêmeas não se deram ao trabalho de correr, assim como Scorpius, Lyra e Navi.
Navi, inclusive, no lugar de vir logo, começou a se agarrar com a namorada, como se ele estivesse indo para guerra e não soubesse se voltaria vivo. Lyra parecia levemente abatida e isso o deixou curioso. Sua garotinha normalmente sempre estava de bom humor.
A abraçou apertado e ela soltou um soluço.
—Lyra? O que houve? – perguntou ele, curioso.
—Podemos ir pra casa? – perguntou ela, fungando de leve.
Rasalas concordou com um aceno de cabeça e assoviou alto. Navi interrompeu o amasso, para dar mais alguns beijos apressados na namorada, antes de vir correndo.
—Fala, velho. – riu ele.
—Está tudo bem? – perguntou Rasalas, com Lyra ainda abraçada a ele. Navi fez uma careta e deu de ombros.
—Acho melhor conversarmos em casa. – riu ele.
Rasalas olhou desconfiado para Scorpius, que conversava tranquilamente com Draco, que parecia ligeiramente curioso olhando para ele.
Damian estava sendo abraçado pelas quatro filhas, querendo saber de tudo o que estava acontecendo. Ele cumprimentou Albus, que já conhecia. Depois cumprimentou o garoto que vinha com Dido, um tal de Gale Selwyn. Torceu o nariz imediatamente ao ouvir o nome do garoto. Era o sobrenome de um dos meninos que fazia bullying com Draconis na escola.
Damian o olhou desconfiado assim que escutou o nome, também.
—Selwyn, você diz? – perguntou ele com desgosto.
—Ah... o Selwyn que teve problemas com o seu filho foi o meu irmão mais velho, Sr. Burke. – riu o garoto, mas Damian o olhou feio assim mesmo.
—E ele não é meu namorado de qualquer maneira. Só meu amigo. – disse Dido dando de ombros.
—Não por falta de tentativa. – riu Scorpius, fazendo o garoto corar. Damian o olhou desconfiado e Gale sorriu sem jeito.
—Sua filha não me dá bola, infelizmente... mas eu adoraria se me desse a permissão de chamá-la pra sair nas férias e...
—Dido tem idade o suficiente pra escolher o babaca que ela quiser, jovem. E eu confio perfeitamente no bom senso dela. Se tem que convencer alguém, é ela. Não eu. – disse Damian arqueando as sobrancelhas, fazendo o garoto corar ainda mais.
—Ah... bem... minha família é tradicional... eu fui ensinado a... – começou o garoto parecendo nervoso.
—Eu sei muito bem o que a família tradicional ensina, moleque. Meu filho teve que mudar de escola por conta desses ensinamentos. – ralhou Damian – Eu já falei. No dia em que ela te julgar bom o suficiente para ser o namorado dela, você namora com ela. Não precisa vir puxar o meu saco. – ralhou ele. O garoto ficou ainda mais sem jeito.
—Calma, Gale. – riu Dido – Papai, ele é legal. Eu só não estou interessada em namorar por enquanto. Mas ele é gente boa. – riu Dido – Está no processe de desconstrução e eu tenho certeza que quando eu terminar de ensinar umas coisas pra ele, ele será um excelente candidato a...
—A feijãozinho de todos os sabores. Aquele um quarto de feijão. – riu Navi e Dido sorriu, apesar de ninguém ter entendido o comentário.
—Exatamente. – riu a garota.
—Papai. Podemos ir logo? – perguntou Lyra.
—Hum... claro. – murmurou ele – Navi, você vem pra casa agora?
—Vou. – respondeu Navi – Começar a olhar os classificados, ver com que eu posso trabalhar. – riu ele.
—Não vai servir, Lestrange? – perguntou Selwyn parecendo surpreso. Navi o olhou curioso, assim como todo mundo. Mas Rasalas não gostou nenhum pouco da ideia – Eu sempre te vi como um soldado. Jurava que iria servir... para um lado ou para o outro.
—É... eu pensei nisso durante muito tempo. – riu Navi – Mas a minha namorada falou que termina comigo se eu cogitar fazer algo do tipo... e a Les é pra casar, sabe? – riu Navi. Selwyn deu uma risadinha desdenhosa.
—Nós temos ideias bem diferentes do que seria “pra casar”. – riu ele olhando para Dido, que corou de leve.
—Eu só não te azaro agora porque eu sei que minha prima é maravilhosa e pra casar também, Selwyn. – ralhou ele e Dido corou ainda mais. O garoto, no entanto, não gostou do comentário e soltou um muxoxo.
—Falou, Dido. A gente conversa e marca de fazer qualquer coisa. – resmungou ele.
—Ok. Até. – riu ela, acenando para ele.
O garoto virou e saiu andando.
—O que acha desse cara, Navi? – perguntou Damian.
—Ele não é muito ruim. Já foi bem pior. Tá se consertando. – riu Navi.
—Hum... – Damian soltou um muxoxo – Vamos pegar o Noitibus? – perguntou ele.
—Eu já vou. Nos vemos em três dias pra buscar o Draconis. – riu Draco.
—Você não precisa vir! – resmungou Damian.
—Claro que eu preciso. Ele é meu afilhado. Eu tenho um presente pra ele, pra comemorar a formatura. – riu Draco. Damian semicerrou os olhos e soltou um suspiro.
—Olá, Sr. Malfoy. – riu Trixie, finalmente chegando. – Oi, papai.
Foi quando Draco corou e segurou Scorpius pela gola.
—Vamos embora! – e então ele desaparatou.
Damian e Rasalas se entreolharam, em choque.
—Meu Merlin... era verdade. – riu Damian olhando para Blair.
—Sim. Minha filha deu uns cata no Draco. E daí? – perguntou Blair dando de ombros – Vai ser impagável ver ele todo desconfortável com isso.
—Você já sabia? – perguntou Rasalas.
—É claro que eu sabia. – riu Blair passando o braço ao redor dos ombros da filha.
—E você não liga? – perguntou Damian.
—Não. Malfoy é um partidão. – riu ele.
—Papai! – ralhou Trixie – Eu não estou pensando nos dotes do Sr. Malfoy.
—Não nesses, né, meu bem? – riu uma garota bonita que vinha com Trixie – A gente se vê nessas férias, Navi?
—Sério, Brontë. Me erra. – ralhou Navi.
—Depois daquele super beijo na biblioteca? De jeito nenhum. – riu ela com desdém – A gente se vê na formatura. – ela piscou para Navi e beijou a bochecha de Trixie – Falou, amiga.
—Tchau, linda. – riu Trixie.
—Muito bonita a sua amiga. – murmurou Rasalas observando Brontë se afastar.
—Ela é um pesadelo. – resmungou Navi.
—Será que podemos ir embora?! – ralhou Lyra.
Rasalas suspirou e a segurou com firmeza.
Aparatou para casa, onde Navi entrou apressado. Achou estranho que o filho não foi para a cozinha filar o jantar, mas simplesmente saiu correndo para o próprio quarto. Lyra se jogou no sofá e Rabastan saiu da cozinha junto de Daphne.
—Mana! – riu ele.
—RABASTAN! VEM AQUI! – gritou Navi.
Rabastan deu de ombros e foi correndo até o quarto do irmão. Rasalas olhou para Daphne, que mirava Lyra com curiosidade.
—O que houve, Lyra? – perguntou Daphne.
—Que cara é essa? – perguntou Rasalas.
Lyra soltou um suspiro.
—Eu não sei um modo de falar isso com jeitinho. Então eu simplesmente vou falar. – resmungou ela. Rasalas e Daphne a olharam sentindo que algo ruim viria dali – Eu estou grávida.
Primeiro rolou um momento de silêncio, onde Rasalas e Daphne tentavam digerir a notícia. Depois veio a vontade de matar alguém. De gritar e colocar Lyra de castigo o resto da vida. Olhou para Daphne, que parecia estar pensando a mesma coisa. A esposa tinha perdido a cor e parecia prestes a pular na filha e esganá-la.
—VOCÊ O QUE?! – gritou Daphne. Rasalas estava para gritar também, quando viu as lágrimas nos olhos de Lyra. Foi quando se lembrou de uma vez, muitos anos atrás, quando Pansy lhe disse as mesmas palavras. E ele era mais novo do que Lyra era naquele momento – COMO É QUE VOCÊ ME VEM COM UMA DESSAS, LYRA? GRÁVIDA DE QUEM?
—Daphne! – disse muito severamente, cruzando os braços – Eu vou falar com ela.
Tanto Lyra quanto Daphne pareceram chocadas.
—Papai... – choramingou ela.
—Rasalas. Não bata nela. – murmurou Daphne. Respirou fundo surpreso por não ter sobrado raiva em si mesmo. Concordou com a esposa e acenou para Lyra, para que ela o seguisse. Viu que a garota tremia inteira, parecendo assustada – Eu vou também. – disse Daphne prestes a chorar.
—Não. – disse com firmeza e Daphne pareceu desesperada.
—Rasalas, por favor. – pediu ela – Você... o que você vai fazer com ela? – perguntou Daphne. Rasalas não respondeu e puxou Lyra pelo ombro, que parecia estar sendo guiada para o abatedouro – Rasalas, não perca a cabeça, por favor... deixa que eu resolvo isso e...
Entrou em seu próprio quarto e trancou a porta, deixando Daphne pra trás. Depois soltou um feitiço abaffiato no quarto. Lyra o olhava tremendo, com o rosto contorcido pelo medo. Rasalas soltou um suspiro e se aproximou da garota, para abraçá-la com carinho e afagá-la na cabeça. Lyra desmontou em seus braços e começou a chorar desconsolada, o abraçando de volta.
—Desculpe, papai. Me desculpe... eu não queria que isso acontecesse. Eu juro. Eu juro. – lamentou ela.
—Está tudo bem, Lyra. Está tudo bem, ok? – perguntou ele com gentileza – Como foi que isso aconteceu? – perguntou calmamente, mas Lyra negou com a cabeça.
—Eu não sei. – chorou ela – Eu sempre tomei meu chá direitinho. Eu juro. – chorou ela – Mas minha menstruação não veio. Atrasou uma semana, duas... eu fiquei preocupada e esperei mais uma semana e fiz o teste... e deu positivo e... e... me desculpe, papai. Me desculpe!
—Calma, meu amor. A gente vai dar um jeito, ok? – perguntou ele. Mas Lyra simplesmente não parava de chorar. A guiou para a cama e a fez se sentar. A afagou no rosto a observando chorar. Se perguntou se Pansy tinha chorado sozinha também, antes de falar pra ele que tinha engravidado... se perguntou como Alhena tinha ficado quando descobrira que estava grávida de Damian. Ou mesmo sua mãe, que também fora mãe solteira praticamente até que ele e Alhena se tornassem adultos – Não chore, Lyra. Me escute, ok? Eu quero te contar um segredo. – Lyra arfou, chorando descontroladamente – Quando eu estava no meu quinto ano... – respirou fundo, pois nunca tinha contado aquilo pra alguém – A Sonserina ganhou um jogo muito importante e... eu e meus amigos bebemos veneno de fada. Muito veneno de fada. – murmurou ele. Lyra soluçava, tentando parar de chorar, enquanto o olhava – Eu estava namorando a mãe do Albus na época. Mas eu fiquei tão louco que eu beijei a sua mãe e transei com uma garota do meu ano... e ela ficou grávida de mim. – Lyra o olhou em choque – Eu disse que iria assumir o filho, mas ela não quis ter o bebê e fez um aborto. E foi muito traumático pra ela. Muito mesmo. Eu não quero isso pra você. Mas é sua escolha, entendeu? Você é muito nova, mas se quiser ter esse bebê, eu vou te apoiar. Se não quiser, eu vou te levar no médico e nós vamos fazer o que você preferir. Está bem? – Rasalas a afagou na bochecha, enquanto ela arfava – Eu sou o seu pai e você pode sempre, sempre, contar comigo. Eu vou estar sempre ao seu lado. – murmurou. Lyra chorou mais um pouco, emocionada – Quem é o pai? Você já contou pra ele? – perguntou Rasalas e Lyra desviou o olhar.
—Eu não quero que ele saiba. – murmurou ela.
—Por que? – perguntou estranhamente calmo.
—Eu... eu não sei quem é o pai... – murmurou ela parecendo infeliz – Eu não sei... me desculpe, papai. Eu sou uma pessoa horrível. – chorou ela. Rasalas respirou fundo tentando controlar a si mesmo. Não queria parecer decepcionado com ela.
—De quem pode ser? – perguntou calmamente.
—Ou do Scorpius... ou do Albus. – murmurou ela.
Franziu o cenho, confuso.
—Albus não está com a Cerce?
—Nós estávamos muito bêbados. – lamentou Lyra – E acabamos fazendo besteira. Eu, ele e Scorpius... no mesmo dia. – explicou Lyra, parecendo miseravelmente infeliz – Me desculpe por envergonhar a família desse jeito, papai. Eu... eu não... não queria que isso acontecesse... eu não sei o motivo do chá de lua ter falhado e...
—Lyra. – cortou ele, calmamente – Você quer ir no médico e abortar, ou você quer ter esse bebê?
Lyra engoliu em seco.
—Eu não quero ser mãe. Eu não quero ter filhos. Eu não nasci pra isso, papai. – chorou ela colocando a mão no ventre – Mas... mas eu não tenho coragem de matar o bebê... ele não tem culpa de nada. Então... então eu não sei o que eu vou fazer...
—Albus e Scorpius sabem? – perguntou Rasalas.
—Sim. – chorou Lyra – Albus falou que se for dele ele vai assumir... mas Scorpius...
—O que?
—Eu não falei com ele sobre isso. – explicou ela. Rasalas concordou com um aceno de cabeça.
—Bem. Você deve falar. – disse Rasalas – Vocês devem essa conversa um ao outro. – explicou ele – Você vai ter que ser responsável agora, Lyra. Eu vou comprar um pouco de gole da paz. Você vai beber e descansar... e amanhã nós vamos no Mungus, ouviu? Vamos falar com o médico, ele vai olhar como está o bebê e então você decide o que você vai querer fazer daqui pra frente. – Rasalas suspirou – Eu só quero que tenha atitudes de adulta agora, Lyra, porque sua infância acabou agora, você tendo esse bebê ou não.
Lyra soltou um suspiro e concordou.
—Me desculpa, papai.
—Não me peça desculpas, Lyra. – disse Rasalas a abraçando de novo – Mas por favor... não seja irresponsável daqui pra frente. Ok?
—Ok.
—Agora vá pro seu quarto. E não se preocupe, eu vou falar com a sua mãe. – ela se levantou e foi até a porta – E Lyra. – ela o olhou – Eu vou querer saber quem é o pai desse bebê. E independentemente da sua decisão, Albus ou Scorpius vai ter que arcar com isso tanto quanto você. Ouviu?
Ela concordou e suspirou.
****
—Bem vindas de volta, my ladies! – riu Damian. Suas filhas entraram animadas em casa e ele notou que Prim olhou ao redor e farejou o ar, procurando por algum sinal que denunciasse que Alhena estaria ali... mas ela não estava. Fingiu que não tinha visto aquilo e Prim fingiu que não tinha feito.
—Olá, irmãzinhas. – riu Póllux, saindo da cozinha. Castor saiu logo atrás dele.
Todos se cumprimentaram, com um certo ar de tristeza no ar. Damian notou que as meninas estavam começando a ir para seus respectivos quartos, então as chamou de volta.
—Ei, todas aqui. Vocês dois também. Eu tenho um recado importante pra vocês. – disse muito sério. Seus filhos olharam com curiosidade para ele – Muito bem. Vocês sabem que depois de amanhã Draconis volta da Durmstrang, como um bruxo formado, certo?
—Nosso pequeno irmãozinho já é um homenzinho. – riu Castor.
—Bem... o termo “homenzinho” é questionável. – debochou Póllux.
—É sobre isso que eu quero falar com vocês. – ralhou Damian e Póllux piscou surpreso – Draconis me mandou uma carta no início do ano. Eu estou proibindo esse tipo de piadinha, escutaram?
—Draconis pode mandar cartas?! – perguntou Rose parecendo surpresa – Como ele nunca me mandou nem um bilhete que fosse?
—Ele descobriu isso na altura do natal, e não foi ele quem mandou. Foi Yaxley. Seu irmão, na verdade, realmente não pode mandar cartas. – explicou Damian. Ele olhou para os filhos e respirou fundo – Escutem, o irmão de vocês está namorando um rapaz e eu estou proibindo qualquer tipo de piadinha a respeito disso, ouviram?
Foi um monte de reações diferentes. Castor e Póllux riram olhando um para o outro. Rose parecia em choque demais para reagir. Cerce fez uma careta engraçada, como se não soubesse o que pensar disso. Dido sorriu parecendo achar ótimo. Prim sorriu como se ele não tivesse dito nada de demais.
—Quem é? Nós conhecemos? – perguntou Póllux.
—É aquele amigo dele, que passou uns dias aqui. O Yaxley. – disse calmamente.
—O QUE?! – gritou Rose, parecendo furiosa. A olhou confuso e Dido começou a rir.
—Oh, o Draconis furou seu olho, queridinha? – riu ela e Damian olhou de uma para a outra confuso – Rose estava dando uns beijos no gato do Yaxley, não era, Rose? Acho que traumatizou ele.
—Pera. Yaxley? Loto Yaxley? – perguntou Castor – Esse é o melhor dia da minha vida. – riu ele.
—Céus, eu odiava o Yaxley. – riu Póllux – Mas pera... ele não era um dos que faziam bullying com o Draconis?
—Vocês fazem bullying com ele, oras. – riu Prim – Talvez ele sentisse raiva por Draconis ter coragem de assumir a própria sexualidade enquanto ele não. Então ele extravagava isso implicando com o Drac. Mas agora ele finalmente se encontrou e deve estar muito feliz. Que bom pros dois.
Damian olhou Rose, que parecia prestes a cair no choro.
—Eu não acredito que ele fez isso comigo! – lamentou ela saindo da sala e indo para o próprio quarto. Um silêncio constrangido pairou ali e Cerce olhou para o corredor com os olhos tristes.
—Ela gostava mesmo do Yaxley? – perguntou ela.
—A vida tem dessas. – riu Dido dando de ombros – Alguma notícia da mamãe, papai? – perguntou ela.
Queria dizer que sim, mas não podia. Não ainda. Nem mesmo Órion sabia sobre Alhena. Talvez fosse melhor esperar um pouco, prepará-los ao máximo... depois tocaria no assunto Alhena...
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