Legado Lestrange II - Legacy
18 Once Upon a Time, In The Bloody Mary
Notas iniciais

Capítulo 18
—Mamãe... – murmurou Navi entrando cabisbaixo no quarto. Acabou flagrando seus pais se beijando, mas assim que o escutaram, os dois se afastaram. Navi vinha com Lyra, que parecia zangada com qualquer coisa – Você já vai sair de novo, papai? – perguntou Navi – Mas você prometeu que a gente ia jogar quadribol...
Recebeu um olhar um tanto triste do pai, que se sentou na cama.
—Navi, o papai precisa ir trabalhar e... – começou Daphne, mas Rasalas a cortou.
—Daphne... eu acho que é hora de ter “a conversa” com os dois. – disse ele olhando pra ela.
—Mamãe já me contou de onde veem os bebês. – ralhou Navi.
—Hum... não é essa conversa. – riu o pai dando uns tapinhas na cama. Navi e Lyra pularam no colchão e olharam curiosos pro pai – Há muitos anos atrás... quando os comensais malvados estavam fazendo crueldades... – ele suspirou e os dois pequenos prestaram o máximo de atenção – Nós estávamos numa festa, num baile de aniversário da sua mãe. – Ele soltou um suspiro – E bem... os comensais atacaram a festa e começaram a machucar as pessoas. – explicou ele. Navi e a irmã tinham os olhos grandes como pratos. Os dois tinham muito medo dos comensais de morte e suas histórias. O avô Rabastan sabia um monte delas e ele contava muitas, pra deixá-los com medo. Navi tentava fingir que não tinha medo, mas era só o tio Rigel aparecer vestido de preto que ele saía correndo – Eu fiquei pra ajudar, porque sempre fui muito corajoso. – ele sorriu para os filhos, que olharam pra ele com absoluto orgulho.
—E então o papai começou a duelar com um monte de comensais de morte. – continuou Daphne – Ele, sua tia Lena e o tio Damian. – adicionou ela – Eles foram derrotando muitos deles e as pessoas da Ordem, incluindo a vovó Emily, puderam ajudar as crianças a fugir. Ela me ajudou a fugir, também. Mas seu pai e seus tios continuaram lutando e lutando...
Navi e Lyra sorriram animados com a história.
—Então nós ficamos cercados por um monte deles. Um monte. – continuou Rasalas – Sua tia, por ser uma vidente, era alvo dos comensais. Eles queriam sequestrar ela, entendem? – os dois concordaram com um aceno de cabeça – Mas ela era a minha irmãzinha e nós, os Lestrange, cuidamos sempre uns dos outros. – disse Rasalas apertando o nariz do filho mais velho. Navi ainda o encarava empolgado com a história – Então eu disse “Damian! Pegue a minha irmã e tire ela daqui. Eu vou segurar os comensais!” – explicou ele. Navi e Lyra ficaram ainda mais esbugalhados, chocados, e prenderam a respiração – Seu tio Damian, que já era super apaixonado pela tia Lena não quis me deixar pra trás, mas... – ele suspirou olhando de um filho para o outro – Eu falei “Eles querem a Lena! Proteja a minha irmã!” – Rasalas sorriu, mas logo sentiu um calafrio. – Então ele a tirou de lá e eu segurei os muitos comensais que tinham lá... só que eles eram muitos e eu não pude lutar por muito tempo. Eles me pegaram e me levaram para um esconderijo escondido, pra me castigarem, por me opor a Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Eles machucaram muito, o papai... – murmurou ele abrindo os botões da camisa. Navi e Lyra o olharam surpresos – E no final, eles... eles queriam me ensinar a ser “obediente” então... então me jogaram para um homem chamado Fenrir Greyback... e ele era um... um lobisomem... e como era noite de lua cheia, ele mordeu o papai... que... – Rasalas respirou fundo se lembrando daquela noite. Tocou a já exposta cicatriz e se lembrou de um lobo feito de sombras, com brilhantes olhos vermelhos. Sentiu o corpo ficar tenso, mas logo sentiu a filha abraçá-lo. Sorriu gentilmente pra ela, a afagando nos cabelos – É por isso que o papai sai uma vez por mês... porque quando a lua cheia chega...
—Você é um lobisomem? – perguntou Navi – Eu... eu não acredito nisso. – murmurou ele, horrorizado. Rasalas baixou os olhos, envergonhado – Sabe o que isso significa? Se alguém um dia vier implicar comigo, eu posso usar você pra colocar medo! “Se mexer comigo, meu pai vai ficar sabendo disso. E ele é um lobisomem!” – riu o garoto pulando em cima do pai para abraçá-lo também.
—Vocês me matam de orgulho. – fungou sua mãe – Mas você provavelmente não deveria dizer isso, Navi... – adicionou ela com um sorrisinho contente.
*
—Continue tentando, Draconis. Vai ficar melhor do que eu. – riu seu pai lhe afagando os cabelos. Draconis ficou dedilhando o violão, satisfeito com o progresso que tinha feito.
—Você acha mesmo, paizão? – perguntou ele, contente.
Damian sorriu concordando com um aceno de cabeça. Estavam na sala, com ele tentando ensinar o garoto a tocar. Alhena estava penteando os compridos cabelos negros de Prim, fazendo uma trança neles. Castor e Póllux estavam em Hogwarts. Dido e Cerce estavam no próprio quarto, fazendo sabe-se lá o que. Rose estava com a mãe e Órion dormia sua sonequinha da tarde. Então Draconis estava se divertindo, tendo o pai só pra ele. Mas então se lembrou da conversa que ouvira tio Rasalas e TIO Draco tendo. Olhou para um espelho que tinha ali, notando que não se parecia em absolutamente nada com o pai. Os olhos eram diferente, os cabelos, o rosto...
—Draconis? O que foi? Parece triste. – disse seu pai o olhando curioso.
Draconis suspirou deitando seu violão no colo e olhou para o pai.
—Eu escutei tio Rasalas falando que eu sou filho do tio Draco e não seu, paizão... – murmurou triste – É verdade? – perguntou angustiado. Damian franziu a testa e olhou para a esposa, que pareceu completamente ofendida.
—O que o Rasalas tem na cabeça pra falar isso? – perguntou ela.
—Ele não sabia que eu estava escutando.
—Não interessa! – ralhou sua mãe – Como ele...
—Está tudo bem, Lena. – riu seu pai, o olhando nos olhos – Draconis. Você é meu filho. Ok? Não importa se você não se parece comigo na aparência. – riu ele – Aqui... – ele o tocou no peito – E aqui... – ele o tocou na testa – Somo iguaizinhos, entendeu?
Draconis fungou, aliviado e sorriu.
—Entendi. – murmurou.
—Vem cá no paizão. – riu Damian, abrindo os braços. Draconis colocou o violão no chão e correu para abraçar o pai, que o abraçou de volta – Você é o meu garoto, não importa o que qualquer um diga. Você é meu filho e eu te amo muito, ouviu?
—Ouvi. – fungou ele – Mas eu não gostei deles falarem isso.
Sua mãe se levantou, depois de prender a ponta dos cabelos de Prim.
—Eu vou ter uma conversinha com Rasalas. Ah, se vou. – ralhou ela cruzando os braços.
—O que o rio Draco disse? – perguntou Prim, timidamente.
—Ele disse que eu sou filho do papai e não dele. – murmurou Draconis.
—Bem, Draco sabe das coisas. – ralhou sua mãe, que ainda parecia zangada – Ele sabe muito bem que...
—Alhena, já passou, meu amor. – riu Damian.
—Draconis. Você pode tocar aquela música que a gente escutou na casa do tio Rasalas. Daquele desenho trouxa? – perguntou Prim. Draconis fungou e pegou o violão.
—Eu toco, mas só se o paizão cantar. – riu ele.
—Eu não sei se lembro a letra... – riu Damian, sem jeito.
—Lembra sim! Você cantou a música todinha quando a gente estava assistindo o desenho! – disse Prim. Damian soltou um suspiro e se levantou.
—Bem... eu canto se Alhena dançar comigo. – riu ele.
—Eu? – perguntou sua mãe, surpresa – Eu não danço muito bem...
—Ora, vamos, Lena... – riu ele a abraçando – Há quantos anos é minha parceira de dança? Acho que conseguimos dançar uma música. – riu ele a beijando na testa.
Prim se sentou ao lado do irmão e olhou com expectativa. Draconis suspirou e colocou os dedos na posição. Começou a dedilhar e seus pais começaram a valsar pela sala. Prim suspirou achando lindo e ele sorriu achando legal. Apesar de sempre ter imitado os irmãos mais velhos e fazer careta ao ver os pais demonstrando afeto, sempre achou muito legal que os dois ainda fossem românticos um com o outro e se olhassem daquele jeito tão carinhoso.
—I know you! I walked with you once upon a dream... – cantou seu pai – I know you... The gleam in your eyes is so familiar a gleam. – eles giravam de maneira super elegante pela sala, com os olhos um no outro. Queria um dia aprender a dançar daquele jeito...
—Yet, I know it's true... That visions are seldom all they seem… – cantou sua mãe, que tinha uma linda voz. Prim soltou outro suspiro admirando os dois valsarem.
—But If I know you, I know what you'll do. You'll love me at once. – seu pai parou a valsa e segurou a mão de sua mãe, para beijá-la – The way you did once upon a dream…
Sua mãe sorriu e os dois voltaram a dançar, enquanto ele e Prim cantavam aquela parte onde a Bela Adormecida ficava cantarolando os “lalas”. Seus pais estavam rindo, achando graça, mas logo seu pai passou a mão na cintura de sua mãe e eles voltaram a valsar.
—You'll love me at once. The way you did once upon a dream… — cantou ele – I know you! I walked with you once upon a dream. I know you… The gleam in your eyes is so familiar a gleam…
—Yet, I know it's true… that visions are seldom all they seem. But If I know you, I know what you'll do. You'll love me at once. The way you did once upon a dream…
Draconis sorriu achando bonita toda a situação. Seus pais pararam de dançar, porque ele tinha parado de tocar, e então se beijaram ternamente.
—Eu te amo, Estrelinha... – sussurrou seu pai.
—FOI TÃO LINDO! – gritou Prim batendo palmas. Draconis aplaudiu também e sorriu. Seus pais sorriram, se viraram para eles e fizeram uma reverência, como se agradecessem ao público. Mas em seguida se beijaram de novo.
—Ok... essa é a deixa para voltarmos pros nossos quartos. Papai e mamãe vão nos arrumar um irmãozinho agora. Outro. – riu Draconis, fazendo sua irmã sorrir de alegria.
*
Rasalas acenou para o filho, sentindo o peito já doer de saudades. Era o primeiro ano de seu primogênito em Hogwarts.
—Volte pro natal, ouviu? – perguntou. Navi o olhou com troça.
—Não conte com isso! – riu ele.
—Não vai ganhar presente de natal! – ameaçou Rasalas cruzando os braços. Navi estava para responder, quando Castor... ou Póllux (só os reconhecia pelo cheiro), empurrou a cabeça dele para baixo e apareceu na janela.
—Não se preocupe, tio Ras. A gente vai levar o Navi de volta.
O outro gêmeo apareceu e sorriu.
—Nem que seja dentro do próprio malão.
Rasalas sorriu e Alhena colocou as mãos nos quadris.
—Póllux! – ralhou ela.
—O que? – perguntou um dos gêmeos, se fazendo de inocente.
—Eles crescem rápido, não é? – perguntou uma voz atrás de si. Se virou e viu Harry com a esposa e os dois filhos.
—Olá, Harry! – riu Rasalas o cumprimentando. Damian revirou os olhos e saiu de perto – Não liga não. Ele é meio ciumento. – riu Rasalas. Harry concordou sorrindo – Qual dos dois está indo pra escola.
—Nenhum. O meu mais velho já entrou. – riu Harry – Esse é Albus e essa é Lílian. – disse mostrando os dois filhos – Albus vai ano que vem. Lílian daqui três.
—Então vamos estudar juntos. – disse Lyra olhando para Albus, que corou violentamente – E nós vamos ser muito melhores que nossos irmãos. Você vai pra Sonserina, não é? – perguntou ela.
Albus Potter se encolheu de leve.
—Eu espero que não. – disse ele, corando – Eu quero ir pra Grifinória.
Lyra o olhou feio e Rasalas deu um sorrisinho.
—Não seja burro. A Sonserina é a melhor casa de todas! E na Grifinória só tem idiotas sem cérebro!
—LYRA! – ralhou Daphne – Desculpe, Potter.
Lyra piscou chocada e olhou para Harry.
—Potter? Harry Potter? – perguntou ela, surpresa.
—Sim... e por um acaso... eu fui da Grifinória.
Lyra deu aquele sorrisinho insolente e Rasalas se preparou para puxá-la pela orelha.
—Então você é um idiota sem cérebro. – riu ela. A puxou pela orelha e ela rosnou, xingando nomes que ele não sabia que ela conhecia.
—Desculpe por isso. – riu sem jeito.
—Tudo bem... James é assim também. – riu Harry.
O trem apitou novamente e começou a se mover. Rasalas se virou e procurou por Navi, mas ele já não estava mais na janela. Nem ele e nenhum dos sobrinhos. Suspirou e largou a orelha de Lyra, para apertá-la contra si.
—Crianças... – riu Rasalas.
—Pois é. – riu Harry.
—Ei, Rasalas. Vamos? – perguntou Damian. Rasalas queria ver o trem desaparecer. Tinha esperanças de Navi aparecer na janela. Queria vê-lo mais uma vez, mas ele provavelmente estava muito ocupado se divertindo e arrumando confusão.
Soltou um suspiro, quando o trem fez a curva, desaparecendo de vista e se virou para o cunhado.
—Vamos. – disse – Mas fazer o que?
—O de sempre, imagino. – riu Damian – Endure ou Bloody Mary?
Rasalas deu uma risadinha e olhou para Daphne. Ela concordou com um aceno de cabeça. Alhena estava com os outros filhos e o olhou com um sorriso.
—Divirtam-se. Não voltem tarde. – pediu ela olhando agora para o marido – Ok?
—Relaxa, amor. Que tipo de confusão dois homens casados com uma penca de filhos podem fazer? – perguntou Damian com um sorrisinho.
—Quando estão juntos de Draco e Blair... todo o tipo de confusão. – ralhou Alhena, fazendo Rasalas e Daphne sorrirem.
Rasalas sorriu achando graça.
—Não se preocupe, maninha. – riu ele puxando Damian pelo pescoço, para bagunçar os cabelos dele – Eu vou cuidar bem dele.
Alhena sorriu, revirando os olhos. Se despediram e logo estavam na Travessa do Tranco. Rasalas e Damian andaram pela rua até chegar no Bloody Mary. Lá encontraram Pansy, Draco e Blair, que estavam bebendo tranquilamente.
Puxaram uma cadeira e se sentaram também.
—Olá. – riu Draco – E então, como está o coração? – perguntou Draco.
—Oh... apertado. – riu Rasalas – Meu garotinho já tem onze anos. Céus, eu estou muito velho.
—Só você. Eu continuo lindo. – riu Draco bebendo um gole de vodka. – Tá pra nascer alguém mais lindo do que eu...
—Você é insuportável, Draco. – riu Pansy mexendo sua bebida com o canudinho – Então, Rasalas... que bom que você chegou. Ontem a gente não teve oportunidade pra conversar. O que achou do Luke?
Rasalas olhou seus colegas, que pareceram desconfortáveis. A verdade era que Luke Redweed era um tremendo chato. Muito chato. Extremamente chato. Do tipo que nunca calava a boca.
—Você não quer saber, Pansy... – suspirou Draco olhando seu whisky.
—É claro que eu quero saber! – disse ela – Eu nunca mais vou sair com um cara para o encontro do sexo sem receber a aprovação dos meus caçadores de cretinos. Lembram-se do Murllok?
—Eu queria esquecer o Murllok... – murmurou o Damian – Sério, Pansy, como é que você sempre fica com os maiores babacas?
—Vocês sabem que ela já ficou com vocês três, não é? – perguntou Blair com um sorrisinho.
—Nós três fomos as exceções. – defendeu-se Damian.
Blair colocou a mão na frente da boca e fingiu tossir.
—Puladores, cof, de, cof, cof, cerca... – disse ele tossidamente – Todos, cof, os, cof, três. – ele tossiu arranhando a garganta – Damian, cof, tem, cof, cof, um, cof, bastardo. – ele coçou a garganta e respirou fundo – Alguém ai tem um xarope... acho que não estou bem.
Todos os três mostraram os dedos médios pra ele.
—O nome dela é Rose, ok? E ela é uma doçura. – ralhou Damian ficando vermelho. Pansy deu uma risadinha.
—Eu não traí ninguém. – disse Draco arqueando as sobrancelhas.
—Mas eu preciso concordar com o Blair. Vocês são todos meus ex-cretinos. Rasalas traiu as duas namoradas dele comigo. – disse Pansy.
—Eu não acredito que disse isso. – resmungou Rasalas, fazendo careta.
—Damian foi super escroto ao terminar comigo, na frente do Salão Comunal inteiro. E traiu a esposa, mais de uma vez.
—Nós estávamos dando um tempo e a primeira vez foi um acidente! – defendeu-se Damian – E você era escrota comigo... – resmungou ele amuado.
—E Draco... – ela olhou para o amigo, que bebia do whisky tranquilamente – Sempre achou que eu fosse uma filha da puta e ficava colocando todo mundo contra mim.
—True history. – disse ele erguendo o copo num brinde – E eu não estava errado. Você mudou, eu devo meu filho a você... mas você foi a minha maior ex-cretina. – ele bebeu o conteúdo de uma vez e se serviu de mais.
—Mas o pior não foi só isso. Você ainda transou com a esposa do coleguinha. – brincou Pansy. Rasalas olhou para Draco, que revirou os olhos.
—De novo com essa história? – resmungou ele – Dá pra parar com isso? Eu não transei com Alhena!
—É. Isso não tem graça. Para com isso, Pansy. – resmungou Damian.
—Eu vou continuar soltando os podres até vocês falarem o que o Luke tem de horrível. – disse ela bebendo um golinho da bebida, fazendo barulho com o canudinho.
—Seu namorado parece uma matraca. Ele não cala a boca. – resmungou Draco.
Pansy piscou em choque e depois bateu o copo na mesa, fazendo uma expressão de desgosto.
—Merlin... é mesmo... – murmurou ela os olhando chocada – Ele não cala a boca!
—Sério? Você não reparou? – perguntou Rasalas franzindo a testa – Ele ficou meia hora falando sobre uma jogada de quadribol, que nem é lá essas coisas. Eu estava querendo ter um aneurisma e morrer e olha que eu sou viciado em quadribol!
—Eu não acredito nisso...
—Como não reparou, Pansy? É irritantemente óbvio. Não sei como ele mesmo não te contou o quão tagarela ele é.
—Oras! Você fala isso, mas atura a Daphne com aquela mania insuportável dela. – ralhou Pansy.
—Daphne não tem manias insuportáveis! – ralhou Rasalas.
—Oh, não tem? – perguntou Pansy com um sorrisinho – Nunca reparou que ela sempre fica controlando você com promessas de sexo? E não é um sussurro no seu ouvido. Ela fala alto pra todo mundo saber que esposa viciada em sexo ela é.
Rasalas abriu a boca indignado com a não veracidade daquilo, mas foi cortado.
—Céus. É verdade! – murmurou Damian, boquiaberto.
—Como eu nunca reparei nisso? – perguntou Draco.
—Eu meio que já tinha notado... – disse Blair dando de ombros.
E então Rasalas franziu a sobrancelha e pensou a respeito. Logo chegou à conclusão de que era a mais absoluta verdade...
—Céus... como eu nunca notei isso? – perguntou ele – Eu desisti de ir assistir a última copa mundial de quadribol porque ela falou que iríamos transar...
—...o tempo que a partida durasse desde que você não fosse, porque ela não estava com saco de ir e não queria que você fosse sozinho... ou qualquer coisa assim... – resmungou Damian – Ela cumpre ao menos?
—Nem sempre. Ele reclama no dia seguinte, no escritório depois. – riu Pansy.
—Oh! Você fala isso, mas você tem uma mania muito chata, também. – disse ele na defensiva.
—Eu? Que mania chata seria essa? – perguntou ela.
—Você sempre joga os podres dos outros na cara deles. Sempre de maneira inconveniente. – resmungou Draco.
—Está falando do seu bastardinho com Alhena? – perguntou Pansy com um sorrisinho.
—Ele não é meu bastardo! – ralhou Draco – Damian tem um bastardo, não eu.
—Draco tem razão, Pansy. Você normalmente é intragável quando faz essas coisas... – resmungou Damian.
—Oh! Sabe o que é intragável, Damian? Você nunca assumir que faz merda. – ralhou ela. Damian piscou surpreso.
—Como é?
—Isso mesmo. “Eu não traí a Alhena com a Clover, nós estávamos dando um tempo”, “Não foi culpa minha se Daphne e Lena foram sequestradas, Burton era louco, não teve nada a ver com o fato de eu estar comendo a mulher dele”, “Não é culpa minha se Draconis não parece comigo...” – ela se interrompeu – Ok, eu retiro a última. A culpa é do Draco.
—Ele não é meu filho! – defendeu-se Draco novamente.
—Eu não faço isso. Eu assumo as merdas que eu faço. – ralhou Damian.
—Você ficou ignorando a Lena quando voltamos pro sétimo ano. Foi escroto. – murmurou Rasalas.
—Não foi culpa minha. Ela estava me... – ele calou a boca e soltou um muxoxo – Ok... eu faço isso... Mas você também tem sua mania irritante. – ralhou Damian.
—Eu?
—Sim. Você explode por qualquer coisa e faz merda! – disse Damian.
—Oi? Eu nunca mais fiz isso! – defendeu-se.
—Ontem a noite. – cortou Draco – Você ficou zangado com Navi porque ele estava brincando de colorir as estátuas da Mansão e o girou de cabeça para baixo e fez ele vomitar em cima do seu caçula.
Todo mundo começou a rir.
—Navi mereceu. Ele está um capeta.
—Último final de semana. Você brigou com a Alhena por ela estar querendo fazer um regime e disse que ela não iria nunca emagrecer, porque o tipo dela era gorda mesmo. – disse Draco. Rasalas abriu a boca e se lembrou disso.
—Você gritou com o Milton ontem, quando ele derramou café em você por acidente. O coitado faltou se mijar porque seu rosto ficou todo selvagem. – disse Pansy.
—Ok, ok. Eu me descontrolo algumas vezes, ok? – perguntou amuado.
—Algumas vezes? Pfff... – riu Blair.
—E você?
—O que tem eu? – perguntou Blair.
—Sempre vadiando de uma mulher pra outra. Sem nunca arrumar alguém certo, sempre querendo convencer a gente a fazer algo idiota. – ralhou Rasalas.
—Eu? Eu sou solteiro! E o Draco que tenta convencer vocês sendo casado? – riu Blair. Todo mundo olhou para o loiro, que segurava o copo como se nem estivessem falando com ele.
—O Draco tem as manias mais irritantes. – disse Pansy – Toda hora se gabando, se achando o ser mais lindo do mundo.
—Fazendo piadinhas sobre como queria entrar nas saias da minha mulher. – ralhou Damian.
—Sempre fazendo piadinhas sobre como eu e Damian envelhecemos mais do que ele. – resmungou Rasalas.
—Isso quando ele não se desliga da conversa e simplesmente para de prestar atenção no que a gente estava falando.
Draco piscou e então olhou para eles.
—Desculpa, o que? – perguntou ele – Eu estava distraído com todos os cabelos brancos do Rasalas e acabei não escutando. Sério cara, compra uma tinta pra disfarçar isso ai, ou então muda a cor dos cabelos pra ficar mais parecido comigo, porque esse tom de loiro, além de ficar lindo, ainda disfarça os cabelos brancos. Que nem a Alhena. Nem dá pra ver que ela está envelhecendo. Você é tão sortudo, Damian. A Alhena está envelhecendo tão bem e você não...
—Tá vendo? Tá vendo? – perguntou Rasalas – Todas ai, duma vez só.
—Na verdade ele nem falou muito da Alhena. – murmurou Pansy.
—O que tem ela? Além daqueles seios maravilhosos... aiai... que saudades dos peitos dela... – suspirou o loiro. Rasalas baixou a cabeça, rindo e Damian bateu o copo na mesa.
—Ok. Já deu Malfoy. Essa brincadeira já perdeu a graça. – rosnou Damian.
—Brincadeira? Quem disse que eu estava brincando? – perguntou Draco.
—Respeite a minha mulher, seu babaca. Já não basta as piadinhas com o meu filho que ficam fazendo? – perguntou Damian – Só porque ele é loiro.
—Eu nunca encorajei as piadinhas. – resmungou Draco – E sinceramente, você acha mesmo que se o filho fosse meu, eu não teria forçado a barra para por meu sobrenome nele? Até onde eu sabia Astoria era oca, lembra? – Draco bebeu um pouco de whisky – Vocês são muito chatos. Eu já contei sobre minha nova teoria de como conseguir sexo?
—Como ele consegue mudar de assunto assim? – perguntou Rasalas. Damian soltou um muxoxo e Blair o olhou interessado.
—Claro, vamos todos ouvir as histórias nojentas do Draco. – riu Pansy.
—Na verdade, eu descobri com você, esse novo método. – riu ele.
Pansy o olhou surpresa.
—Desculpe, como é? – perguntou ela.
—Theo Nott... – riu Draco olhando para seu copo de whisky. Pansy abriu a boca em choque.
—Você não se atreveria... – rosnou ela. Rasalas riu e olhou para Draco com curiosidade, assim como Damian e Blair.
—Há alguns dias atrás eu encontrei Theo e nós começamos a conversar... ele disse que eu estava bem pra minha idade, eu agradeci por isso, o chamei pra beber e nós ficamos batendo papo. Depois de muito whisky, Theo começou a contar coisas realmente interessantes... – Draco estalou os lábios e sorriu – The Naked Man...
—Draco Malfoy... – rosnou Pansy em tom de aviso.
—O que raios é The Naked Man? – perguntou Rasalas.
—Funciona duas a cada três vezes. E funcionou com a Pansy aqui.
—O que é isso de Naked Man? – perguntou Damian morrendo de rir.
—Bem. Você chama a garota pra tomar umas. Depois arruma um motivo pra ir na casa dela. Deixá-la em casa, sei lá... então você pede pra entrar e usar o banheiro. Ela vai te mostrar onde ir, você espera ela sair, procura um lugar e então tira a roupa e espera.
—Você está me zoando. – riu Damian com desdém – Essa é a ideia mais idiota que eu já escutei.
—Não é verdade. – riu Draco – Ela vai rir, admirando sua coragem, vai rolar um pouco de compaixão também e então... – ele deu um gole no whisky – Duas a cada três vezes deu certo. Funcionou com a Pansy. – riu ele.
—Quando foi isso? – perguntou Rasalas. Pansy olhava furiosa para Draco.
—Semana passada, no escritório. – resmungou ela.
—Foi por isso que a minha mesa estava molhada? Era suor? – perguntou horrorizado.
—Eu não acredito! – riu Damian – Isso é coisa de vadia.
—Damian! – ralhou Blair.
—Eu falo mesmo. Parece que a única coisa que impede Pansy de transar com alguém é se esse alguém está vestido ou não. – resmungou ele.
—Por que não testamos? – perguntou Draco – Hoje a noite. Com nossas esposas. Sem palavras, sem insinuações... só ir para o quarto e... THE NAKED MAN! – todo mundo riu e Draco deu um sorriso sacana pra Damian – Ou então a gente podia fazer umas trocas de esposas. Eu fico com a esposa do Damian! DIBS* (pedi primeiro).
Blair e Pansy riram. Rasalas tentou não rir. Mas Damian finalmente apelou.
—Ok. Pra mim chega. Estou de saco cheio do Draco ficar fazendo essas piadinhas. – resmungou ele virando o copo e o colocando em cima da mesa – Eu vou pra casa, ficar com a MINHA mulher, brincando com os seios grandes dela e... – Damian resmungou pegando o casaco – ...fazendo qualquer coisa pervertida que você esteja pensando!
—Eu realmente duvido que você consiga fazer tudo o que minha fértil imaginação pensa... – provocou Draco e Damian xingou baixinho.
—Damian! Você não pode sair! Não agora. Acabamos de chegar! – disse Pansy.
—Não importa...
—Mas Damian. Você vai ficar amaldiçoado! – disse Pansy. Todos olhamos pra ela e Draco riu, abrindo a boca e estalando os dedos, animado.
—Você conhece a maldição do Blitz? – perguntou ele parecendo muito feliz – Foi o Theo quem te contou, não foi? – perguntou ele com um sorrisinho – Antes ou depois do... NAKED MAAAAAAN?
—O que é a maldição do Blitz? – perguntou Blair enquanto Pansy jogava batatinhas fritas em Draco.
—Aquele que sai primeiro da mesa do bar, sem que os outros aprovem, sabendo da maldição do Blitz, vira o Blitz. – explicou Draco comendo uma batatinha que tinha ficado presa em seu cabelo – E ninguém gosta de ser o Blitz. Coisas horríveis acontecem com o Blitz... ele perde as coisas legais que acontecem.
—Eu não acredito nesse papo idiota, Draco. Vá a merda. – ralhou Damian.
—Ok. Falou, Blitz. E tente o... NAKED MAAAAN. – riu Draco fazendo todo mundo rir.
**
Damian acordou e notou que estava sozinho na cama. Olhou ao redor se perguntando se Alhena simplesmente tinha acordado cedo e reconheceu a letra de Draco em sua parede: “Eu avisei, BLIIIIIITZ.”
—Ah, não... – resmungou ficando de pé. Vestiu uma calça e foi até a sala. Estava uma bagunça. Daphne e Rasalas estavam lá. Daphne estava sem camisa, exibindo um sutiã roxo. Alhena estava lá também, deitada de conchinha com Pansy, as duas abraçadinhas. Blair estava dormindo abraçado com um porco. Rasalas estava só de cuecas, mas tinham colorido ele com as canetinhas de Orion, para que parecesse que ele estava usando o uniforme da Sonserina. Sem falar que a casa estava uma bagunça – What the hell? – sussurrou sem entender o que significava aquilo.
—Oooooi, Blitz. – disse uma voz arrastada atrás de si. Se virou e viu Malfoy com a esposa, ambos parecendo muito satisfeitos.
—O que raios aconteceu aqui? – perguntou Damian, chocado.
—O que raios não aconteceu? – riu Astoria ajudando Draco a arrumar a gravata – Seus filhos estão com a nossa babá, junto com os filhos do Rasalas, na Mansão Malfoy.
—Vocês fizeram uma festa? Na minha casa? – perguntou horrorizado.
—Você era o Blitz... – riu Draco – Tentamos te chamar, mas você estava dormindo.
—Isso é um absurdo! O que raios aconteceu aqui? – perguntou ele.
—Bem... primeiro um strip-snap-explosivo, com shots de tequila. – disse Astoria.
—Vocês estão me zoando! – murmurou chocado.
—Depois Rasalas virou a Alhena e desvirou... – disse Draco.
—O que? Mas isso desafia as leis da Transfiguração!
—E então, por terem duvidado que ele conseguia, Pansy e Alhena tiveram que se pegar e apalpar... o que foi da hora, não foi, amor? – perguntou Draco.
—Completamente. – riu Astoria – Até me deu umas ideias... eu tenho uma amiga solteira que te acha uma gracinha, sabia?
—Hum? Mesmo? Interessante... – riu Draco beijando Astoria.
—Ei! Ei! – ralhou Damian – Alhena pegou a Pansy? – perguntou chocado.
—Sim. E ai a Daphne falou que queria um beijo também. Então ela entrou no meio... – disse Astoria.
—Três mulheres se pegando na minha casa e eu não vi?
—Quatro. A Astoria quis também, depois. – disse Draco.
—Quatro... e eu perdi isso?
—BLIIIIITZ! – riu Draco – E então o Rasalas chamou a Daphne no quarto ali... e fez o NAKED MAAAAAAN! Funcionou. Eu sabia que ia funcionar.
—Com quem? Com a Daphne?
—Não. Com a irmã dele. – ralhou Draco – Óbvio que foi com a Daphne... Bem... divirta-se sendo o Blitz...
Então ele pegou a varinha e desaparatou.
—Ah, fala sério, cara... – lamentou Damian.
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