Notas iniciais
Estão com os lencinhos? Não? Peguem. Hsuahsuahsuahsua XD Eu amo esse capítulo. Ele é muito triste ): Mas vamos que vamos! Mais uma vez, Obrigada, Soto, paixão de mi vida, por esse Banner lindo! =D Beijos e #PartiuLer

Capítulo 16

Damian entrou em casa sentindo-se cansado. Olhou ao redor e viu Alhena no sofá com uma feição triste. Soltou um suspiro e andou até ela. Não guardaria aquele segredo. Tinha jurado pra ela que nunca mais esconderia qualquer coisa que fosse dela.

—Draco vai fazer uma viagem pelo mundo. – murmurou ela – Ele e Astoria. Querem ficar um ano viajando, conhecendo lugares novos... para voltarem a ter uma boa relação um com o outro. – murmurou ela.

—Ele veio aqui? – perguntou Damian franzindo a testa.

—Ele e Astoria. Eles foram embora com Daphne, quando os gêmeos dormiram. – murmurou ela. Damian concordou com um aceno de cabeça.

—Lena. Precisamos conversar. – murmurou Damian. Ela o olhou abatida e suspirou.

—Claro.

—Eu... eu pensei muito se deveria falar isso pra você... mas eu jurei que nunca mais iria esconder coisa alguma de você, então... então eu vou simplesmente falar a verdade. – murmurou ele – E eu sei que vai ser um baque... um choque. E eu acredito que você vai ficar furiosa... talvez até queira... queira me deixar...

—Meu Merlin. Você se deitou com Green de novo?! – perguntou Alhena o olhando zangada. Damian segurou a mão dela e negou com a cabeça.

—Não. De jeito nenhum, Lena. – murmurou ele a olhando nos olhos – Eu não quero outra mulher além de você, ok?

Alhena suspirou e desviou o olhar.

—O que houve então? Boa notícia não é.

Damian suspirou e concordou.

—Realmente. Não é mesmo. – murmurou ele. Alhena o olhou curiosa e Damian passou as mãos no rosto – Bem... eu não sei como fazer um eufemismo, nem como fazer a notícia parecer menos complicada do que realmente é. Então vou simplesmente falar, ok?

—Damian. Você está me assustando. – murmurou Alhena.

Damian fechou os olhos, suspirou, torcendo as mãos e novamente encarou Alhena.

—Clover... ela está grávida... e eu sou o pai. – murmurou. Alhena esbugalhou os olhos e abriu a boca – Aparentemente... naquele dia que você veio aqui e me viu... lembra? – ela desviou o olhar, tampando a boca com a mão, mas concordou com um aceno de cabeça – Naquele dia eu tinha levado ela pra cama, no Poison Apple e... e um amigo do marido dela viu ela saindo do quarto e contou pro Burton. Então o Burton a pegou e... – Damian olhou para o teto, abatido – sabe-se lá o que fez com ela... mas ela não teve tempo de tomar o chá... e engravidou. Eu não sei como ela não perdeu o bebê depois de tudo o que ela passou, mas... – Damian baixou o olhar, olhando para as próprias mãos, que estavam juntas, se apertando com força – Ela não quer que eu assuma se eu não quiser. Ela não vai exigir nada de mim, nem mesmo o meu sobrenome na criança. Ela disse que eu não preciso nem conhecer se não quiser, mas... – Damian suspirou, temendo o que Alhena diria – Não acho justo eu não conhecer o bebê. Ele crescer sem pai, porque provavelmente Burton vai morrer em Azkaban. Eu lembro dele lá. Ele não vai durar... – Damian baixou os olhos – Eu sei que você está magoada, mas...

—Damian. – cortou Alhena sem encará-lo – O que você quer fazer? Você quer criar o filho dela?

Damian fechou os olhos, sentindo-se perdido.

—Quero... mas não quero abandonar você e os nossos filhos. E realmente não quero nada com a Clover. Eu só quero... não abandonar o garoto, ou garota, entende? – perguntou olhando para a esposa.

Alhena engoliu em seco e o olhou.

—Ok. Eu entendo. – murmurou ela.

—E... estamos bem? Você está com muita raiva?

—Não estou com raiva, Damian. – murmurou ela – Mas... mas eu preciso de um tempo pra me acostumar com a ideia.

Ele sorriu, ficando feliz por ela ter aceitado a notícia muito melhor do que ele tinha imaginado. Alhena se levantou e saiu da sala, o deixando sozinho. Ficou alguns minutos na sala antes de ir para o quarto, atrás dela.

Alhena estava no banheiro e por mais que ela tivesse ligado o chuveiro, podia escutá-la chorando lá dentro. Se sentiu imensamente culpado e se sentou na cama, esperando que ela saísse. Levou quase duas horas. Quando Alhena saiu enrolada na toalha ele se levantou para abraçá-la, mas ela levantou a mão, pedindo para que ele não viesse.

—Eu preciso falar uma coisa.

—Lena...

—Por favor. Me deixe falar. – pediu ela. Ele concordou com um suspiro.

—Ok. O que quer me contar? – perguntou ele sentindo algum medo. Tinha alguma ideia do que seria e estava se preparando para aquela conversa já, mas não sabia se estava pronto.

—Quando eu estava com Draco... na Mansão, eu digo... – murmurou ela – A gente transou.

—Eu sei. – respondeu ele, desconfortável – Eu imaginei que era isso que você queria me contar, mas eu meio que não queria receber a confirmação.

Alhena soltou um suspiro triste e ele se preparou para o pior.

—Eu... eu engravidei dele. E não de você. – murmurou ela o olhando desolada. Damian respirou fundo e a olhou nos olhos.

—Eu sei.

Ela pareceu chocada. Alhena piscou completamente perplexa e o olhou confusa.

—Sabe? Como sabe?

—Quando fomos no Mungus, o curandeiro me falou de quantas semanas você estava. Três a menos do que deveria estar. – murmurou ele calmamente – Eu fiz as contas. Não sou idiota.

Alhena soltou um soluço e o olhou com os olhos cheios de água.

—Eu... eu tomei o chá de lua... mas... mas não adiantou... e Draco... nós estávamos tão bêbados. A gente tomou veneno de fada e tudo saiu de controle... – chorou ela – Céus, Damian... eu sinto tanto. Tanto...

—Eu imagino que sim. Por isso está tão melancólica, não é? – perguntou mantendo o tom calmo da voz.

—Você... você quer que eu tire? – perguntou ela.

—Draco já sabe? – perguntou Damian. Alhena soltou um suspiro.

—Não. – respondeu ela – Eu... eu queria te contar primeiro...

—Ok. – respondeu Damian ficando de pé e andando até ela – Essa é uma situação de merda. – murmurou ele – Eu não quero que você aborte, Alhena. – disse segurando as mãos dela – Mas eu não quero que Draco saiba que é dele... por favor. Se ele perguntar, você vai dizer que é meu. Se qualquer um perguntar, você vai dizer que é meu. Eu vou ser um pai pra esse bebê e vou amá-lo como eu amo Póllux e Castor... eu prometo tentar isso com todas as minhas forças, pelo menos.

—Eu não posso esconder isso de Draco.

—Alhena. Ele já sabe. – discordou Damian – Por que acha que ele vai ficar fora por um ano? Vocês transaram e então você engravida. Ele com certeza deve ter ficado desesperado, querendo saber se era filho dele. Mas ele não vai querer se colocar entre nós. Ou é o que eu espero ao menos. – Damian apertou as mãos dela com alguma força, mas ela não recuou – Se Draco vier com alguma gracinha, querendo que a gente entregue o bebê pra ele... ou querendo falar que ele é o pai... ou qualquer coisa assim... nossa amizade vai terminar. Ele sabia como eu me sentia em relação a você. E mesmo assim... – Damian suspirou – Eu sou grato ao Draco pelo que ele fez por você. Por ele ter te protegido de Burton. E esse é o único motivo por eu não estar furioso e desejando a morte dele. Eu devia a Draco e minha dívida está paga com o meu perdão. Mas esse filho não vai ser dele. Não vai.

Alhena soltou um soluço e baixou os olhos.

—É tudo culpa minha... – murmurou ela.

—Acho que todo mundo errou. Todo mundo... – murmurou Damian – Mas vamos seguir em frente, ok? E se possível, não vamos tocar no assunto. Nunca mais.

Alhena olhou para ele e concordou.

—Você... você tem certeza de que consegue fazer isso?

—Tenho certeza de que vou tentar. – disse ele.

*

Damian escutou um som estranho e abriu os olhos, confuso. Alhena suspirou sonhando ao seu lado e não acordou. Damian se sentou e acendeu a luz do abajur. Foi quando viu a figura encapuzada. As roupas negras, a máscara de ferro, o uniforme dos Comensais de Morte. Tentou pegar a varinha, mas notou que ela não estava ao lado da cama.

Olhou em pânico para o comensal e viu que ele segurava tanto a varinha dele quanto a de Alhena.

—Por favor... por favor... não machuque a minha mulher. – murmurou ele abrindo os braços na vã tentativa de proteger Alhena. – Por favor. Ela está grávida. Não a machuque por favor. Não machuque meus filhos...

O comensal não respondeu. Apenas fez um sinal com a mão, para que o seguisse.

Damian se perguntou se seria levado embora. Olhou trêmulo para Alhena, que dormia tranquilamente. Fungou assustado e se curvou para beijá-la na têmpora. Em seguida se levantou e seguiu o comensal, se perguntando o que ele faria ali e se iria morrer.

Quando chegaram na sala, o comensal apontou a varinha pra ele.

—Essa vai ser a coisa mais difícil que eu vou fazer na vida. – disse ele. Damian sentiu o coração acelerar, assustado.

—Draco?

O comensal não respondeu. Ficou o encarando, com a varinha apontada.

—Eu a amo, Damian. Eu a amo de verdade. Mas ela não me quer. Ela ama você... sempre foi. Eu sempre quis um lugar no coração dela. O seu lugar. Mas eu nunca consegui. E isso dói. Dói demais... mas... mas eu admito que eu simplesmente não posso vencer você...

—Vai me matar? – perguntou Damian o olhando incrédulo – Você engravida a minha mulher, depois invade a minha casa pra me matar? Eu pensei que era meu amigo.

Draco tirou a máscara e Damian notou que o rosto dele estava vermelho.

—Não vou fazer isso por mim. Vou fazer por você e pela Lena...

—Vai me matar? Como isso é fazer algo por mim, seu lunático?

—Eu não vou te matar, Damian. – murmurou Draco, fungando. – Apenas... apenas cuide dela. Muito bem dela... – murmurou ele com o lábio trêmulo.

—O... o que você vai fazer, Draco?

—Eu vou garantir que você vai cuidar bem dela. – disse Draco – Vou te fazer se sentir culpado. Vou te ferir e me ferir também, mas é pela Lena e pelo meu filho... eu vou abrir mão dele para vocês serem felizes... de verdade.

—Do que está falando, Draco? – perguntou assustado – Você parece que pirou!

—Eu vou apagar sua memória. – disse Draco fungando – Você não vai se lembrar que o filho é meu. Vai achar que era seu, todo o tempo... e depois eu... eu vou na Lena e...

—Draco, espere...

—E vou fazer ela esquecer... – Draco arfou com a mão trêmula – Ela vai se esquecer sobre a nossa idiotice. E ela vai pensar que o filho é seu também... e eu vou levar esse segredo pro túmulo... porque eu não quero que vocês... que vocês...

—Draco, não precisa...

—Estupefaça!

E ficou tudo escuro.

**

Alhena sentiu alguém cutucá-la repetidamente. Abriu os olhos se perguntando se era Damian, mas era Draco, vestido com uma capa terrivelmente familiar. Piscou várias vezes se perguntando se tinha de fato acordado. Mas Draco continuou ali, com cara de choro.

Se levantou, confusa, se sentando na cama e olhou para o lado. Damian não estava lá. Sentiu uma coisa estranha no estômago e olhou perdendo o sono para Draco, terrivelmente assustada.

—Draco? Onde está o meu marido? O que você fez, Draco?

—Você contou pra ele antes de contar pra mim. – murmurou ele – Sobre nosso filho.

Alhena abriu a boca em choque.

—Como? Como você...?

—Eu vim aqui mais cedo, enquanto você dormia... e peguei um fio do seu cabelo. Eu fiz o teste, Lena... o filho é meu.

Alhena respirou fundo e olhou novamente para onde Damian estivera quando foram dormir.

—Draco... o que você fez? – perguntou assustada.

—Ele está bem. Está lá na sala. – murmurou ele – O difícil vem agora. – murmurou ele.

—Do que está falando? – perguntou ela.

—Eu amo você. – disse Draco – Eu demorei todos esses anos pra notar a verdade. Eu amo você, mais do que amo Astoria. Eu amo você mais do que a mim mesmo. Só que eu sempre soube que eu não tinha chances... eu sempre soube que você amava aquele... – Draco fechou os olhos e respirou fundo – Não... Não vou xingar o Damian... ele é um cara legal... por mais que seja um babaca vez ou outra... – Draco soltou um suspiro – Eu vou perguntar uma última vez, Alhena. Você quer ficar comigo? Você me ama a ponto de deixar o Damian e dar uma chance pra nós dois?

—Draco, você enlouqueceu?

—Por que nunca responde essa pergunta? – perguntou ele – Sim ou não, Alhena.

—Draco. Você...

—Sim ou não, Alhena. Você me ama ou não.

—É claro que eu te amo, Draco! Eu te amo demais. – chorou assustada, mas ele tremeu o lábio e desviou o olhar – Você é uma das pessoas mais importantes na minha vida...

Ela o olhou intensamente e ele deu um sorrisinho sarcástico.

—Meu pai me ensinou que nada que uma pessoa fala tem importância antes dela falar o que vem depois do “mas”...

Alhena respirou acelerado, assustada.

—Mas, Draco... eu não posso... – chorou ela – Eu... eu amo o meu marido. Você é meu melhor amigo...

Draco concordou com a cabeça e respirou fundo.

—Você ainda pensa naquele dia em que pulamos da torre de astronomia? – perguntou ele. Alhena fungou e concordou com a cabeça – E você ainda pensa nas vezes em que a gente transou? – perguntou ele.

—Sim, eu penso, Draco... mas...

—E o que você sente... quando pensa nisso? – perguntou ele. Alhena arfou.

—Pare, por favor...

—Me responda, por Merlin! – lamentou Draco fechando os olhos – Me responda isso, por favor...

—Culpa... – respondeu ela – Porque eu amo o Damian, mas... mas nunca foi com ele como foi com você... foi especial com ele, mas muito mais especial com você e... – ela chorou desesperada, com medo do que ele iria fazer – Por favor, Draco... o que você vai fazer... oh, meu Merlin... – exclamou ao ver a varinha apontada para sua testa – Draco, por favor... o que você vai fazer?

—Eu te amo, Alhena... e eu vou tentar superar isso... mas... mas se eu quiser ter alguma chance de conseguir... eu vou ter que... que fazer você esquecer algumas coisas... eu não vou deixar você ficar se culpando pelo nosso filho. E eu sei que o Damian vai ser um bom pai pra ele. Principalmente agora.

—Draco? O que quer dizer com isso? Por favor, Draco. O que...?

—Eu te amo, Alhena. Eu te amo muito. Eu sinto muito por fazer da sua vida bagunça... mas você vai ser feliz agora, ouviu? Cuide bem do bebê... – Draco engoliu em seco – Nós não vamos nos ver nos próximos anos e eu não vou vê-lo nascer... mas eu vou amá-lo pra sempre. Assim como eu sempre vou amar você.

—Draco...

—Talvez eu aprenda a amar Astoria do jeito que ela merece... eu espero que isso aconteça... – ele arfou e engoliu em seco – Eu te amo muito, adeus...

—Draco, não... – implorou, assustada.

—Obliviate.

E então as coisas foram sumindo...

O feriado de páscoa, com Draco, na Mansão Malfoy, onde o beijou pela primeira vez. Agora era como se ele não tivesse deixado Hogwarts, para vê-la.

Depois eram as festas antes do sexto ano, onde não o beijava mais. Ele apenas estava lá e ela também, mas eles não interagiram...

E então veio Pierre... e ela acordou com Damian vindo lhe oferecer uma caneca de chocolate quente, para dizer que estava tudo bem...

Ela e Draco nunca se beijaram. Eles nunca dançaram no verão, nunca ficaram bêbados com tia Bella... ninguém nunca cogitou noivá-los. Ela nunca o confortou pelo que aconteceu com Lisian Martell e ele nunca a confortou pelo que Pierre fez.

E eles nunca conversaram na Torre de Astronomia...

—Draco... por favor... não...

—Eu te amo muito, Alhena... seja feliz com ele... – chorou Draco – Adeus.

E então eles não pularam lá de cima, não conversaram no lago, nem fizeram amor sob a luz da lua. Porque aquilo não foi sexo... tinha sido amor. Mas agora nunca tinha acontecido.

Foi sempre Damian. E Draco não era mais seu amigo do que Blair.

Sentiu-se vazia por um momento, confusa. Sentiu alguém beijá-la na testa e em seguida um sono gigante lhe acometeu.

Quando acordou no dia seguinte, Damian a estava abraçando. O olhou com carinho, feliz porque teriam mais um bebê. O tinha perdoado por Clover, afinal ele sempre fora a pessoa que sempre esteve ali por ela. Seu melhor amigo. Aquele que sempre a protegeu de tudo. Ele acordou e sorriu, lhe afagando o rosto.

—Ei... bom dia, Estrelinha. – sussurrou ele – Por que está chorando?

Alhena piscou confusa e limpou a bochecha, que estava molhada.

—Não sei... deve ter sido um sonho... – murmurou confusa. Sentia-se triste, como se alguém tivesse morrido, mas não sabia dizer o porquê.

“Eu te amo, Alhena”

Alguém tinha lhe dito isso, mas não sabia quem. Devia ter sido Damian. Ele a puxou mais para perto e a beijou na têmpora, lhe alisando a barriga.

—Ei... menino ou menina? – perguntou Damian. – Uma menina dessa vez? Bem parecida com você?

—Não... um menino. Não quero filhas. – murmurou ela. Damian concordou com um aceno de cabeça

—Eu acordei com um nome na cabeça, se for um menino.

—Qual?

—Draconis. – respondeu ele – Eu achei bonito... sei lá... e levando em conta que... – ele parou de falar, confuso – Draco te protegeu de Burton. Eu acho que ele poderia ser o padrinho e a gente poderia fazer essa homenagem...

Alhena se sentou, sentindo como se tivesse esquecido de algo importante.

—É um nome bonito. – murmurou – Mas Draco vai viajar e nós não sabemos quando ele volta...

—Não tem problema... eu... eu acho que ele deve ser o padrinho assim mesmo... e você?

Alhena concordou com um aceno de cabeça e concordou.

—Você quem sabe... ele é bem mais amigo seu do que meu...

***

Astoria acordou de manhã cedo e estranhou o fato de Draco não estar na cama. Eles nunca mais tinham transado, mas ao menos ainda dividiam a mesma cama.

O marido estava sempre tão distante e melancólico. Não reconhecia seu Draco, sempre tão sarcástico, espinhento e brincalhão.

Levantou da cama e caminhou pela Mansão, se perguntando onde ele estaria. Demorou alguns minutos, mas acabou o encontrando no escritório dos herdeiros, aquele cheio de retratos dos antepassados dele.

Mas havia muita coisa estranha naquela cena. Não era nem oito da manhã e Draco estava bebendo whisky de fogo. E ela notou que a garrafa já estava na metade. Além disso, ele estava ouvindo “Eu Posso Ser Um Minúsculo Limpador De Chaminhés, Mas Eu Tenho Uma Vassoura Enorme”. E estava na maior altura. E pra finalizar, ele estava fantasiado da pior coisa possível. Ele estava com o uniforme dos comensais. Não sabia se aquele uniforme sempre foi dele ou se pertencera ao pai dele...

Mas todo aquele quadro estava completamente errado, estranho.

—Draco? O que você está fazendo? – perguntou ela. Draco deu uma risadinha e a música terminou. Mas com um aceno de varinha, a música voltou ao início.

—Você... o que você acha dessa música? – perguntou ele. Astoria piscou confusa e franziu a testa. Ela achava aquela música completamente idiota. Era uma porcaria falando sobre um cara que ia pra casa das pessoas para limpar as chaminés, mas que acabava transando com as mulheres, porque tinha um pau grande.

—Draco. O que houve?

Draco bebeu um belo gole de seu whisky e fungou.

—Tanta coisa... tanta coisa aconteceu, mas não importa... não mais... – murmurou ele – Porque não aconteceu mais... então não faz diferença.

Céus... quão bêbado ele estava? Estava falando nada com nada.

—Draco... por que você está bebendo?

—Porque eu morri, Astoria... eu morri... que nem a música, escute... escute... – pediu ele levantando o dedo, como se pedisse silêncio. Ficou escutando aquela música idiota, sem entender coisa alguma – Só um momento. Só um momento... – riu Draco, parecendo completamente infeliz. Ele deu mais um belo gole e voltou a encher o copo com whisky. Astoria se aproximou, sem entender coisa alguma – É agora... é agora... olhe... escute... – pediu Draco. – It was a tragical day, when our sweep passed away. – ele cantou junto com a música – He fell down a chimney and busted his head. – e então ela viu o marido fungar e chorar – Ela não estava lá pra segurar minha mão, entende? Então nós caímos… e… nós nunca…

—Draco… do que raios você está falando?

—Escute a música! – ralhou ele, voltando um pouco a música – And the ladies of our town all wept with dismay. Until walking to the coffin, a blueeyed urchin said: "Since I was a lad, this man trained me to sweep. A good man, a kind man, as you'll all agree. – Draco fez a música parar e sorriu – Um homem de olhos azuis. Quem poderia ser? Heim? É óbvio… eu deixei tudo pra ele… era o que ela queria afinal... ela nunca quis que fosse eu. Ela sempre esperou por ele. Então eu fiz… eu fiz… – Ele voltou a fazer a música tocar, enquanto fungava e cantava. Ela apenas o observava sem entender coisa alguma – But I'm telling you now, my dear friends, please don't weep. For his trade will be continued, girls… he left his broom to me!". For I may be a tiny chimney sweep. With a tiny grimy face. But I'm carrying a broom that makes strong girls weep. Won't you let me up, up, up your fireplace?

—Draco...

—Escute a música, Astoria... escute! – pediu ele olhando perdido pelo escritório — So raise up your glasses, yes, raise high your drinks. I'll buy you a round and we'll drink it down deep. Let's have us a toast 'fore we catch forty winks... May we all be as lucky as our little chimney sweep! – ele levantou o copo e virou tudo de um gole só garganta a baixo – Boa sorte, Burke. A história é toda sua... eu não faço mais parte dela. Eu nunca fui parte dela. Não mais... – Draco se levantou, zonzo e cambaleou até Astoria, que ainda estava completamente confusa – Arrume as malas. Nós estamos deixando o país por um tempo. Está na hora de recomeçar e nós precisamos nos afastar de tudo isso aqui. – disse ele apontando para todos os lados, ainda segurando a garrafa de whisky – Porque isso tudo significa mentiras, e desilusões... significa vestidos brancos na páscoa. Sorrisos de crianças que nunca foram minhas e veneno de fada... e... e... coisas que não deveriam ter acontecido... – ele cambaleou para longe e ela ficou observando ele ir – Vamos embora, Astoria. Eu e você... e não vamos voltar tão cedo. Vamos tentar de novo e começar do zero... porque esse Draco Malfoy aqui não é o que você conheceu... ele nunca... nunca pulou da Torre de Astronomia... ele nunca...

E então ele falou alguma que ela não escutou.

“Ele nunca foi amado por Alhena Lestrange... e nem nunca será.”

Notas finais
Alguém dá um abraço nesse menino Malfoy? Ele tá precisando... Era pra esse ser o último capítulo da fanfic e eu iria fazer meio que uma terceira temporada... Mas eu resolvi fazer tudo junto mesmo. Mas a partir daqui Rasalas, Damian, Alhena, Astoria, Draco e Daphne vão perdendo espaço e a próxima geração vai começar a roubar a cena. Mas é isso ai! Vocês gostaram? Eu espero que sim! Digam o que acharam nas notas finais! Legacy começa pra valer no próximo capítulo, isso é, Domingo! Feliz Páscoa ;)