Notas iniciais
Olá peoples!!! To postando agora na aula por conta das duas recomendações que eu recebi. Amanhã eu respondo os comentários, ok? Eu vou sair depois da aula e não tenho hora pra chegar, então... Mas quero dedicar esse capítulo à Júpiter Zabine e à PottherheadsGirl, que foram as duas lindas que recomendaram. Milhões de beijos, deixa eu postar logo que meu professor tah me olhando feio!!! xD

Capítulo 53

Chega... chega disso...

Bateu na porta do rapaz, sentindo um aperto no peito e um frio na espinha. Depois tentou abrir a porta e notou que estava trancada. Achou estranho, já que as portas nunca ficavam trancadas naquela casa.

—Eu já vou! – gritou Draconis lá de dentro. Damian suspirou e concordou. Precisou esperar alguns minutos até ele aparecer e abrir a porta – Oi, paizão. – riu ele com a carinha que fazia quando tinha sido flagrado fazendo algo errado. Olhou curioso para os cabelos desarrumados dele e a calça moletom amarrada de qualquer jeito. Depois as bochechas coradas e a respiração ofegante – O que foi?

—Posso entrar? – perguntou Damian.

—Claro. – riu Draconis abrindo a porta. O quarto dele, suspeitosamente, cheirava a flores. A cama estava bagunçada, também.

—Com quem estava transando? – perguntou sem conseguir evitar de sorrir. Olhou para o garoto, que corou furiosamente.

—Hum? Não! Que? Digo... – ele se engasgou no nervosismo – Ninguém. Não to fazendo isso!

Damian soltou um suspiro e baixou os olhos, triste.

—Estamos tão distantes assim, a ponto de começar a mentir pra mim? – perguntou sentindo-se triste. É tudo culpa minha... eu deixei isso acontecer... olhou para Draconis que corou e desviou o olhar, parecendo constrangido – Eu não estou chateado com você, Drac... – murmurou se sentando na beirada da cama – Eu espero não ter atrapalhado no meio da coisa. – riu novamente e Draconis corou ainda mais violentamente – E se você não quer me contar agora, tudo bem. Só quero que saiba que eu não me importo com quem você namora. Seja um cara ou uma garota... seja mestiço, nascido trouxa... eu só quero que seja muito feliz, ok?

Draconis o olhou agradecido e sorriu.

—Ok, obrigado, paizão.

—Senta aqui, Draconis. Eu te devo muitas explicações. – suspirou sentindo-se muito triste. Draconis pareceu surpreso e se sentou ao seu lado, o olhando curioso.

—O que houve, paizão?

Céus. Sempre que ele o chamava de “paizão”, queria morrer. Fechou os olhos por um momento e suspirou, decidido. Ele saberia a verdade. Ele saberia de tudo.

—Draconis. – murmurou – Você... você não é idiota. É um garoto esperto. Sabe que eu estou agindo diferente com você.

—É... deu pra notar. – murmurou o garoto o olhando curioso – Eu...

—Eu vou explicar. – disse colocando a mão no ombro dele – Eu... – Damian soltou um suspiro – Não vai ser nada fácil explicar, mas eu te devo isso, ok?

—Ok... – murmurou ele parecendo confuso.

—Você sabe... eu traí sua mãe, muito tempo atrás. – viu o garoto corar com violência e o olhar como se tivesse se assustado – Eu estava na loja e uma cliente veio lá... com um bauzinho. E eu deixei esse bauzinho cair. Ele estava cheio de Sinos de Baco e... e por conta disso eu e ela transamos.

—Oh... – murmurou ele – Eu... eu achava que você tinha tido um caso!

—Não... – Damian soltou um suspiro – Eu deveria ter contado pra sua mãe, mas... mas eu fui covarde e tive medo... então eu fui escondendo que tinha acontecido, só que sua tia Astoria descobriu. Então eu... eu menti pra sua mãe, falando que Astoria estava com raiva de mim... eu tentei fazer com que ela não acreditasse em nada que Astoria dissesse, sabe?

—Credo, paizão. – murmurou Draconis, surpreso.

—É... – Damian soltou um suspiro – Mas não adiantou, no fim das contas e sua mãe descobriu... ela... ela não ficou furiosa só por eu ter transado com a Clover... ela ficou furiosa porque eu menti pra ela. Eu escondi essa informação dela... e ainda fiquei tentando sabotar a amizade dela com a Astoria. Por isso tudo sua mãe pegou Castor e Póllux e me deixou. Ela pediu teto para o Draco, que também estava se divorciando naquela época... – fechou os olhos se lembrando de quando tinha ido falar com ela e ela o mandou embora – Sua mãe disse que deveríamos dar um tempo e que eu era livre pra fazer o que eu quisesse... porque ela se considerava solteira, sabe?

—Paizão, onde quer chegar com tudo isso? – perguntou Draconis, com a voz hesitante.

—Calma, por favor. – pediu Damian – Eu... eu era muito idiota naquela época, Draconis. Não sei se era melhor ou pior do que eu sou hoje, na verdade... mas eu estava magoado com a sua mãe e... e Clover apareceu de novo... e então eu acabei transando com ela de novo. – explicou dando um suspiro – E sua mãe descobriu de um jeito ruim.

—Como?

—Eu voltei pra casa... do jeito que você está agora. – riu Damian e Draconis corou de novo – Mas com cheiro de perfume, marca de batom, camisa aberta, assim como a calça... e eu estava muito bêbado também. E sua mãe me viu assim... e sacou que eu estava com a Clover... que era a mãe da Rose... – soltou um suspiro – Então ela ficou mais magoada ainda e... e voltou pra casa do seu tio Draco.

—Paizão... – murmurou Draconis, parecendo saber o que viria em seguida.

—E eles ficaram bêbados... e... – Damian engoliu em seco, olhando para baixo – Eu e sua mãe voltamos depois... algum tempo depois... e ela descobriu que estava grávida. E eu descobri que...

—Não... não!

—Desculpe, Draconis.

—Não! – disse Draconis ficando de pé – Eu perguntei pro tio Draco! Ele me disse...

—Ele mentiu, Draconis. – disse Damian.

—Mas...

—Ei...

—Não! – Draconis negou veemente com a cabeça e Damian viu o quanto ele parecia transtornado – Não! Eu não sou filho dele. Eu sou seu filho! SEU!

Damian deu um sorriso e concordou.

—Pra sempre, filho. – riu ele e Draconis fez cara de choro.

—Porque me nomearam em homenagem a ele?! – disse o garoto, com os olhos cheios de água – Se... se ele... – Draconis respirou fundo e Damian prosseguiu.

—Draco... ele apagou nossas memórias. Minhas e da sua mãe. Nós esquecemos completamente de tudo aquilo. Ele fez parecer que o filho era meu. Sua mãe não se lembra de ter dormido com ele. – suspirou sentindo muito por aquela conversa.

—Mas...

—Mas eu comecei a notar que minhas memórias de adolescente estavam muito confusas... e... – Damian soltou um suspiro novamente – Eu achei uma câmera minha, de quando eu era adolescente... e escutei uma gravação que eu fiz com Alhena, da qual eu não me lembrava direito... e na filmagem sua mãe comentava que ela tinha ficado com o Draco... e eu não me lembrava daquilo. – Damian ficou em pé e suspirou – Então eu fiquei tentando me lembrar daquela época e então perguntei pra Alhena se ela, alguma vez, já tinha beijado o Draco, mas ela negou. Então eu imaginei que alguém tinha alterado a minha memória. E eu induzi que tinha sido Draco... e eu não estava errado. E Draco me devolveu minhas memórias pouco antes de você voltar... e eu... – Damian passou as mãos pelo rosto – Eu não soube como reagir. Foi tanta raiva e frustração num momento só. Tanto ressentimento e tanto rancor... e medo. Eu fiquei tão furioso que destruí as memórias de sua mãe, para que ela não se lembrasse dele... – fechou os olhos por um momento, se lembrando do desespero de Draco e da terrível satisfação que sentiu ao vê-lo daquele jeito – Eu não deveria ter feito aquilo. Eu deveria ter... sei lá... dado um soco na cara dele e devolvido as memórias da sua mãe... mas eu não fiz isso... – voltou a olhar para Draconis, que o olhava com os olhos brilhantes – Eu... realmente sinto muito pelo modo que eu te tratei, Draconis, mas... mas eu estava sem saber como agir... eu estou com tanta raiva do Malfoy e... e toda vez que eu olho pra você... eu vejo ele. – desviou o olhar do garoto, que o olhava parecendo perdido – Não é desculpa, eu sei que não é... eu sei que você não merecia o gelo que eu te dei. E você tem todo o direito de estar decepcionado comigo, mas... mas eu não sou de ferro. Eu sou um ser humano. E eu erro... eu erro demais. – e então o olhou no fundo dos olhos, com a garganta presa num nó absurdo – Por isso... por isso eu te pergunto. Você me desculpa... meu filho?

Draconis engoliu em seco parecendo confuso, perdido, magoado. Os olhos dele correram pelo chão como se não conseguissem focar em qualquer coisa que fosse. Mas então Draconis o olhou com as bochechas molhadas.

—Eu ainda sou o seu garoto? – perguntou ele com a voz tremida.

—Que pergunta. É claro que é! – disse Damian sentindo as próprias bochechas ficarem molhadas – Você vai ser SEMPRE o meu garoto!

E então os dois se abraçaram apertado. Escutou seu filho chorar e soluçar e o afagou na cabeça, simplesmente aliviado por ter esclarecido tudo e por tudo ter se ajeitado.

—Eu te amo, pai. – murmurou Draconis – Você... você ficaria chateado... se eu fosse conversar com o Draco?

—O que quer falar com ele? – perguntou sentindo algo gelado em seu estômago.

—Por... por que ele nunca lutou por mim? – perguntou Draconis, magoado – Ele... ele simplesmente...

—Draconis. – cortou Damian o olhando e secando as lágrimas dele com o polegar – Se quiser conversar com ele, converse... mas... mas tente ser mais racional do que eu fui... e... e por favor, pelo seu velho... – Damian engoliu em seco – Me permite esse egoísmo... – murmurou – Mas não vem começar a chamar aquele cretino de pai! Tá bom?

—Tá bom. – riu Draconis. Os dois riram juntos, fungando, um tanto sem jeito. Se afastaram respirando fundo, tentando normalizar a respiração – Isso... isso significa que... que eu não vou ter o meu nome... na placa?

Damian piscou sentindo que tinha chegado no dilema de sua vida. Olhou para Draconis, seu filho tão amado e querido... olhou no fundo dos olhos azul cinza dele.

—Apenas os Burke ficam naquela placa. – disse calmamente e Draconis concordou com um aceno de cabeça, como se tivesse entendido alguma coisa – Centenas de anos de tradição dizem isso...

—Eu entendo... – murmurou Draconis.

—E você é um Burke. – continuou Damian, fazendo com que Draconis o olhasse surpreso – Não importa o que digam. Não importa o que qualquer um diga. Você é meu filho e é um Burke, ouviu? E nós vamos colocar o seu nome naquela placa!

Draconis sorriu para ele parecendo imensamente feliz. Os dois se abraçaram novamente e Damian guiou o garoto até a Sala das Placas.

—Eu deveria trocar de roupa? É um momento solene.

—Não. Não precisa. Quando meu pai colocou meu nome nessa placa, eu estava só de cuecas, morrendo de sono, resmungando porque ele me acordou cedo pra isso. – riu Damian e Draconis deu uma risadinha, ainda com o rosto vermelho e inchado – Muito bem... aqui vai. Pronto?

—Pronto. – disse Draconis. Damian desencantou a placa e abriu caminho para Draconis, que apontou a varinha, escrevendo seu nome lá. Draconis Burke. Então o retrato dele começou a ser desenhado na placa, do lado esquerdo do nome. Em um minuto, ele estava imortalizado ali. Damian voltou a enfeitiçar a placa, para que não fosse possível escrever nela, e os dois olharam satisfeitos para o resultado. Draconis tocou o próprio nome, escrito na placa e sorriu contente – Obrigado, paizão...

—Não há de que... – murmurou Damian – Tradições são tradições.

E então a porta se abriu. Alhena entrou, curiosa e os olhou.

—O que estão fazendo? – perguntou ela.

—Colocando meu nome na placa. – respondeu Draconis.

—Finalmente, heim!? – ralhou Alhena. Damian trocou um olhar com Draconis e os dois sorriram timidamente.

—Antes tarde do que nunca. – disse Damian.

—Ok. – riu ela entrando para olhar o resultado. Damian passou o braço ao redor dos ombros de Alhena e o outro pelos ombros de Draconis, sendo abraçado pelos dois – Parabéns, Draconis.

—Obrigado, mãe. – ele então o soltou e foi andando até a porta – Eu vou dar uma saída... preciso trocar umas palavrinhas com alguém.

—Com quem? – perguntou Alhena e Damian suspirou.

—Com meu padrinho. – respondeu Draconis – Eu volto mais tarde.

Os dois observaram Draconis se afastar e Damian soltou um suspiro, voltando a olhar para aquela afronta a seus antepassados. Seu avô deveria estar se revirando no túmulo... mas não conseguia pensar que tinha feito algo de errado.

—Por que demorou tanto, Damian? – perguntou sua esposa.

—Porque eu precisava ficar em paz comigo mesmo... e eu tive dificuldade pra isso.

—Por que? – perguntou ela. A olhou nos olhos e sorriu.

—Um dia eu vou te contar... só me dê algum tempo, ok?

Alhena o olhou curiosa e suspirou.

—Ok... – murmurou ela.

*

Draco estava em seu escritório, com uma planta da Mansão Malfoy. Harry estava ali, olhando com atenção e algum assombro.

—E aqui ficam as nossas masmorras. Temos quilômetros de túneis subterrâneos aqui. Algumas celas, armazéns e é claro, uma rota de fuga, que vai dar embaixo de um córrego. Então eu acho que deveria ter algumas pessoas que deveriam aprender esse caminho, por via das dúvidas.

—Meu deus, Malfoy... Eu sabia que aqui era grande... mas isso é ridículo. – murmurou ele parecendo assombrado. Não conseguiu evitar de dar um sorrisinho convencido – Ok. Quais são os lugares que você quer manter privacidade?

—Eu quero vocês longe de alguns dos meus túneis, por motivos que você não precisa saber. Eles estão trancados e necessitam de sangue pra abrir, então eu sugiro que nem tentem, ou vão ter uma morte dolorosa. – explicou ele e Potter o olhou um tanto chocado – Meu quarto, esse escritório, meu laboratório de alquimia... que fica aqui. – ele apontou na planta – E o quarto do Scorpius. A menos que ele libere. Caso contrário... ah, e antes que eu me esqueça. – Potter o olhou curioso – Se algum de vocês fizerem qualquer coisa para libertar meus elfos, eu expulso todo mundo daqui. Eu lembro do que você fez com o Dobby.

—Supera, Malfoy. Já tem anos, isso.

—Eu só estou te avisando. Eu lembro que Granger tem uma fixação por libertar os elfos.

Potter deu uma risadinha e concordou com um aceno de cabeça.

—Ok. Eu vou falar com ela. Mas tente não castigar seus elfos na frente dela. – riu Potter.

Concordou com um aceno de cabeça e começou a tossir de leve, mas não durou muito. Respirou fundo, enquanto Potter o olhava com curiosidade.

—Certo... hum... o que mais... – Draco passeou o olhar pela planta e sorriu – Não quero que nenhum Weasley entre nessa sala aqui. – disse ele apontando para um quarto.

—Por que? Precisam deixar essa rixa de lado, Malfoy!

—Tem um quadro de Astaton Malfoy, com a esposa dele aqui. Os Weasley vão achar ofensivo. – explicou Draco e Potter o olhou curioso – Foi onde começaram as rixas das nossas famílias. – riu ele e Potter o olhou ainda mais curioso – Astaton Malfoy se casou com Genebra Weasley. Mas a família dela não gostou e foi uma confusão. Mas nós gostamos de falar que os Weasley entraram nas nossas terras para roubar beterrabas... e eles amam falar que Astaton cortou a cabeça do sogro, Lancelot Weasley, e a jogou no nosso fosso sem fundo.

—O que!?

—Nós não temos mais um fosso sem fundo. Algumas gerações atrás um Malfoy ficou bêbado demais e...

—Não! Ele cortou a cabeça do cara?

—Ah... ele mereceu.

—Eu não consigo ver como alguém possa merecer isso!

—Bem, há muitas coisas que você não vê direito, quatro olhos.

—Quantos anos você tem, Malfoy? Doze?

Draco revirou os olhos e sorriu.

—É tão divertido irritar você hoje, quanto era quando nós tínhamos doze anos.

—Não. Não é nada divertido. Nunca foi divertido.

—Eu achava divertido. – disse dando de ombros e voltando a enrolar as plantas – Eu acho que contei onde estão todas as armadilhas da mansão, mas como você é um cabeça oca, provavelmente porque seu cérebro deve ter escorrido por essa rachadura que você chama de cicatriz, provavelmente seria mais sensato repetir tudo para Granger.

—Você é insuportável.

—Já me falaram isso algumas vezes. – riu dando de ombros e seu elfo o cutucou na batata da perna – Yolo?

—Mestre. É o jovem Draconis. Ele está ai pra te ver.

Draco piscou e concordou sentindo um frio na espinha.

—Vá embora pela lareira. Não deixe ele te ver aqui. – pediu Draco.

—Ok, mas... por que? – perguntou Potter.

—Só me faz esse favor, ok? – perguntou fechando a cara e Potter concordou.

—Ok. Nós conversamos depois. – disse ele. Draco o observou ir embora e guardou as plantas da Mansão. Depois pegou um copo de Whisky e o copo que bebia sempre. Encheu os dois e ficou esperando pelo afilhado.

Não demorou muito e a porta do escritório se abriu. Draco o olhou curioso, disfarçando o nervosismo.

—Olá, Drac. Aceita um whisky?

—Sim. – respondeu Draconis se aproximando e pegando um copo. Draco se sentou na cadeira e Draconis virou o whisky de uma vez – Meu pai me contou. – disse ele colocando o copo em cima da mesa. Draco suspirou e deu um gole na própria bebida – Sobre tudo...

—Eu imaginei. – murmurou calmamente – Como se sente?

—Eu fiquei um caco, mas... mas depois eu fiquei bem. – murmurou Draconis – Meu pai meio que... que não vai... ficar me tratando diferente. Digo. Ele estava me tratando diferente, mas a gente voltou ao normal agora. Eu entendi o que ele estava passando e ficamos bem. – Draconis pegou a garrafa de whisky e se serviu com mais bebida – Eu quero saber, Draco... o que raios aconteceu. Por que tirou as memórias de todo mundo, por que abriu mão de mim? – Draconis se sentou na cadeira a sua frente – Eu sempre soube que você tinha carinho gigantesco por mim, algo que não acontecia com seus sobrinhos. Você nunca tratou Navi, Lyra ou Rabastan do jeito que me tratou... então...

—Draconis. – murmurou Draco – Você quer saber a verdade?

—Quero. – respondeu ele. Draco respirou fundo e deu mais um gole em seu whisky. Depois se levantou e andou até um armário. De lá tirou sua penseira e a colocou em cima da mesa. Com a varinha foi tirando alguns pensamentos chave e os jogando lá dentro. Depois olhou Draconis e suspirou.

—Aqui está.

Draconis respirou fundo e bebeu o conteúdo do próprio copo de uma vez, antes de olhar a penseira. Ficou sentado em sua escrivaninha durante longos minutos, sentindo-se triste. Quando Draconis retirou a cabeça da penseira e o olhou, notou que o garoto parecia chocado.

—Meu pai era um babaca! – ralhou ele. Draco deu uma risadinha e desviou o olhar.

—É... eu sei. – murmurou ele.

—As coisas que ele te disse, Draco... depois de tudo o que você fez pela gente... – murmurou seu bastardo, em choque. Draco concordou com um aceno de cabeça.

—Não está com raiva de mim? Por ter aberto mão de você? – perguntou Draco.

Draconis soltou um suspiro.

—Já se arrependeu alguma vez? – perguntou ele o olhando nos olhos.

—Várias vezes... depois que seu pai melhorou de vez do Horklump, mais ainda... Você poderia ter sido meu filho... mas... mas eu temo que isso signifique que eu nunca teria tido Scorpius... é muito complicado pensar num “e se...”. – murmurou. Draconis soltou um suspiro.

—Minha mãe... o que ela sentiria por você... se você não tivesse tirado as memórias dela?

—Eu não tenho muita certeza. – respondeu Draco, mas aquilo não era inteiramente verdade.

—Ela já gosta tanto de você... – murmurou Draconis se sentando e engolindo em seco – Isso porque ela jura que a pessoa que sempre esteve lá pra ela tinha sido o meu pai... mas foi você... sempre foi você... – murmurou Draconis. Draco deu um sorriso e suspirou.

—Não me dê tanto crédito. Eu estive lá pra ela tanto quanto ela esteve lá pra mim... estava sendo impossível para cada um de nós andar sozinho... então usamos o outro de muleta. – explicou ele – Sua mãe não me deve nada, em relação a aquela época...

Draconis engoliu em seco.

—Você ama a minha mãe?

Draco sentiu um frio na espinha, se lembrando do sorriso de Alhena, dos olhares, dos toques e das risadas. Se lembrou em especial daquele dia, na casa dela... quando quase a beijara... quando quase se deixou levar pelo momento...

—Perdidamente. – murmurou. Aquele era o momento de por um fim às mentiras – Mas ela não me ama... não desse jeito... nunca amou. Ela ama o seu pai. Sempre foi assim. – suspirou. Foi por isso que ela não lhe entregou a virgindade. Foi por isso que ela lhe incentivou com Astoria. Foi por isso que ela demorou tanto pra ceder, quando estava dando um tempo com o Damian. Foi por isso que mesmo esperando um filho seu, ela escolheu ele... – Eu amo tanto a sua mãe, Draconis que eu... eu simplesmente não suportaria vê-la chorar... então... então eu fiz sacrifícios... sacrifícios que eu não estou conseguindo contornar.

—O que quer dizer? – perguntou seu filho. Draco soltou um suspiro e se levantou. Depois deu a volta na escrivaninha e retirou o cachecol. Draconis esbugalhou os olhos, horrorizado – Não...

—Eu estava tentando descobrir uma cura, pro Damian. – explicou Draco tocando a mancha púrpura em seu pescoço – Mas houve um acidente e... e eu me contaminei.

Draconis se levantou o olhando em choque. Depois ele tocou seu pescoço e olhou em seus olhos, com alguma emoção ameaçando escorrer deles. Sentiu o abraço apertado de seu afilhado e filho e o abraçou de volta.

—Não! Não pode ser... você também não... será que essa droga de doença vai me tirar as duas pessoas que eu mais admiro no mundo?

—Estou lutando contra isso, Draconis. – sussurrou Draco fechando os olhos e suspirando.

—Não se deixe derrotar então... ok?

—Claro... eu ainda quero ver meus dois garotos se formarem... – riu Draco.

Draconis soltou um suspiro e o soltou fungando de leve. Draco fungou também olhando para o teto, tentando conter as emoções.

—Draco... – chamou Draconis – O que vai fazer em relação a minha mãe? – perguntou ele – Porque eu não vou deixar você tentar roubar ela do meu pai.

Draco deu uma risadinha.

—Tecnicamente, eu sou o seu pai. – riu ele. Draconis o olhou com alguma indignação, mas os dois sorriram em seguida – Eu não vou tentar conquistar a sua mãe. Eu vou me contentar em sentar e assistir o Damian se sabotar. E caso a Alhena canse dele, então eu vou tentar alguma coisa com ela. – Draco soltou outro suspiro – Eu sempre me mantive quieto por ser amigo dele, mas a amizade terminou, Draconis... e aparentemente não vai voltar. Então... então eu não vou ter nada me impedindo de correr atrás da sua mãe. – Draco soltou um suspiro – Damian te contou a verdade, mas... sua mãe sabe?

—Não. E não acho que meu pai vá contar. – murmurou Draconis dando de ombros – Ele é muito apaixonado por ela. Ele jamais faria algo que poderia fazer com que ela gostasse menos dele.

—Hunf... – Draco deu uma risadinha desdenhosa – Aquele cretino faz isso o tempo todo, não seja bobo. Draconis. – o garoto o olhou – Não conte pra sua mãe... não se meta nessa confusão... ok?

—Ok. – murmurou.

—E saiba que eu posso não ter criado você... mas eu sempre te amei como a um filho. – disse Draco colocando a mão no ombro dele. Draconis sorriu e concordou com um aceno de cabeça.

—Eu sei... mas eu não posso te chamar de pai... eu prometi pro... pro meu pai... oh... isso é complicado... – resmungou ele. Draco deu um sorrisinho.

—Eu nunca vou ser o “paizão”... mas eu adoraria ser “pai” também... mesmo que seja só entre nós dois... o que me diz?

Draconis soltou um suspiro e o olhou.

—Bem... você sempre foi uma figura paterna... – disse fazendo careta – Mas não conte pra ninguém sobre isso, ok?

—Eu contei pro Scorpius. – disse Draco – E seu tio Rasalas descobriu também.

—Ok. Não deixe mais ninguém saber a respeito. – pediu Draconis.

—É claro. – riu Draco – E então... não vai me dar o gostinho, nem uma vez?

Draconis soltou um suspiro.

—Isso ainda está recente. Talvez um dia, ok? Mas não hoje... – murmurou Draconis dando um sorriso radiante – Tem uma coisa que eu realmente preciso fazer.

—Algo relacionado a Rose Burton? – perguntou com um sorrisinho e Draconis corou tanto que pareceu que a cabeça dele iria explodir. O rapaz o olhou em choque e Draco deu uma risadinha – Eu passei anos gostando de quem não devia... eu bem como é estar na sua pele. – riu Draco – Só porque vocês não são irmãos de sangue, não quer dizer que vão olhar com bons olhos... vocês cresceram como irmãos... vai ser bem complicado.

Draconis ainda o olhava boquiaberto.

—Eu to deixando as pessoas notarem?!

—Não qualquer uma. Apenas eu. Vocês estão fazendo um bom trabalho.

—Vocês?

—Ela está na sua. Completamente na sua. – riu Draco – Eu tive uma boa conversa com ela. Mas ela não é tão boa quanto você pra esconder isso... deveriam trabalhar melhor na coisa toda. – riu Draco. Draconis o olhou em choque.

—Você não acha errado? Não vai me censurar? – perguntou ele em choque.

—Eu estou louco pra me dar bem com a sua mãe, quem sou eu pra te julgar? – riu Draco recebendo um soquinho no ombro, antes dos dois darem risadinhas.

**

Navi olhou pela janela e viu seu pai chegando. Ele tinha uma puta careta no rosto e quando entrou em casa notou que tinha o antebraço enfaixado.

—Pai?! – correu até ele e o ajudou a se sentar – O que houve? – perguntou preocupado. Seu pai respirou fundo e desenfaixou o braço. Havia um “M” marcado ali. Como se tivesse feito por um ferro em brasa. Além do “M”, havia também um “L” – O que é isso?

—M de metamorfomago... L de lobisomem. – respondeu ele engolindo em seco. – Alhena levou um também. O dela é um V de vidente.

—Isso é um absurdo. – e então ele sentiu um calafrio – Lyra... Lyra também vai ter que ser marcada?! – perguntou preocupado.

—Quando completar a escola. – murmurou seu pai. Navi se levantou de uma vez, indignado. Depois passou a mão pelo rosto, completamente furioso. Escutaram um som estalado e a campainha tocou. Antes que o pai pudesse se levantar, ele correu para a porta e abriu. Era Albus e o pai dele – Harry?

—Precisamos começar a fazer isso. – disse Harry – Me deixe ver esse seu braço.

—Está tudo bem, Harry. – resmungou Rasalas – Você falou com o Draco? Ele concordou?

—Por incrível que pareça, sim... mas ele não quer que você seja o fiel segredo. Ele quer que seja alguém confiável e mais discreto. Que saiba se defender, mas que não vai sair por ai duelando com meio mundo. E nós dois sabemos que você não sabe ficar com a bunda no sofá.

—Eu sei a pessoa perfeita pro cargo. – riu Rasalas – Pansy Parkinson. Eu falei com ela. Ela quer entrar nos esquemas. Não conheço ninguém melhor do que ela pra descobrir segredos.

—Ótimo. Mas... mas eu imagino que ela pode funcionar melhor como espiã. Vão tentar comprá-la. – disse o pai de Albus. Navi cruzou os braços, apenas escutando – Navi. Você e Albus... eu tenho um trabalho importante pra vocês. – disse ele tirando um espelho de dentro do bolso – Eu tenho o outro par disso. Vocês vão ser meus olhos e ouvidos em Hogwarts. O Ministério vai escolher um vice diretor e eu quero saber tudo sobre ele, ok?

—Por que vai deixar comigo? – perguntou Navi, pegando o espelho.

—Porque é muito óbvio que vão me revistar. – respondeu Albus.

—Mas... minha avó foi publicamente contra o Decreto e...

—Eu sei, mas você é menos óbvio que o Albus. – respondeu Harry – E eu vou dar um pro Draconis também. Assim, se alguém perguntar, você vai falar que apenas Draconis tem a cópia do espelho.

—O Drac vai estar envolvido também? – perguntou Navi, com um sorriso.

—Eu pretendo. Pedi pra Alhena falar com ele. Draconis vai trabalhar com James, na Durmstrang. – explicou Harry – Precisamos convencer as pessoas a não apoiar o Ministério. Pressão popular é a única coisa que vai poder, de maneira legalizada, derrubar o Decreto e manter os bruxos longe dessa guerra. – explicou ele.

—Uau... é uma boa. Aposto que foi ideia da Hermione. – riu Rasalas.

—Não. Draco. – respondeu Harry – Essa foi uma das táticas dos Elitistas no passado, na primeira vez que Voldemort apareceu. Controlar a imprensa, manipular as notícias e jogar os bruxos contra os trouxas e nascidos trouxas. Eles já estão fazendo de novo, mas nós vamos fazer o mesmo. Precisamos convencer o máximo de pessoas a se manifestar.

—Mas tiraram nosso direito de nos manifestar! – disse Navi.

—Pelo código dos bruxos, há uma cláusula pétrea, que diz que não se pode extinguir o direito à manifestação pacífica. Nem mesmo um decreto assinado pelo Ministro e pela Corte podem passar por cima dessa cláusula. – explicou Harry – Essa foi Addie quem me contou. Vamos tentar resolver tudo na base da legalidade, sem golpes, como eles mesmo fizeram. Se nada der certo...

—Então vamos à guerra. – murmurou seu pai enfaixando o antebraço.

—Eu sinto muito por isso, Ras. – murmurou Harry.

—Relaxa. Eu coleciono boas cicatrizes. – riu seu pai – Meu pai me ensinou que cicatrizes são as provas de suas vitórias... imagino que seja por isso que nunca se livrou da sua, Harry.

Navi viu o auror tocar a cicatriz em forma de raio na testa e sorrir.

—É... pode-se dizer que sim. – Harry soltou um suspiro – Chame Parkinson. Vamos nos reunir agora na casa da Addie. A mansão é tão grande que vamos precisar de pelo menos seis bruxos capazes de fazer o fidelis. Temos muito o que lotear e eu não sei se temos seis bruxos que saibam esse feitiço.

—E quem vai ser o fiel segredo? – perguntou Rasalas.

—Eu ainda não sei. Precisamos pensar nisso ainda. Inferno. – resmungou Harry – Vamos. Albus, você se importa de ficar ai?

—Não. Eu fico numa boa.

—Você também, Navi. – disse seu pai – Você já é maior de idade. Proteja a casa enquanto eu estiver fora.

Navi concordou com um aceno de cabeça e suspirou. Os dois observaram os pais desaparatarem e então se olharam.

—Eu posso distrair a Les pra você conversar com a Lyra, se quiser. – disse com um sorrisinho.

—Não. Estou bem.

—Idiota. Me dê um motivo pra querer chamar a Les num canto. – riu Navi e Albus riu também.

—Ah, nesse caso... eu realmente preciso falar com a Lyra.

—Ótimo. Eu te ajudo. Chega mais. – riu Navi e os dois foram até o quarto da irmã. Navi abriu a porta e viu Lyra tocando seu baixo, enquanto Les cantava uma música que ele não conhecia – Oi, meninas. Les, posso falar com você um minuto? – perguntou com um sorrisinho. Sua irmã olhou para Albus e seus cabelos azul turquesa ficaram rosa berrante. Deu um sorrisinho enquanto Les bagunçava os próprios cabelos, tirando onda com Lyra, que agora estava com os cabelos num vermelho vivo.

—Claro. Oi, Albus. – riu Les dando um beijo na bochecha dele. Albus deu um sorrisinho e baixou o rosto.

—Oi, Les.

—Vem, lá pro meu quarto. – riu Navi.

Les concordou com um aceno de cabeça e os dois saíram do quarto enquanto Albus entrava. Seguiram em silêncio e quando ele abriu a porta, deu passagem para que ela entrasse primeiro. Les assim o fez e foi caminhando para a cama. Ela se jogou ali de bruços e ficou balançando as pernas no ar. Se jogou em cima dela, sem pedir licença e simplesmente a beijou.

Ela o beijou de volta e os dois namoraram um pouco ali, de maneira até comportada. Mas logo Les segurou suas mãos, as guiando para seus seios e ele mandou o juízo para as cucuias. A agarrou com força e sorriu nos lábios dela. Sentiu as mãos dela deslizarem por suas costas de maneira deliciosa e ele levantou a saia dele, para lhe apertar as ancas.

—Lá vou eu me magoar de novo. – resmungou a beijando no ouvido.

—Em minha defesa, você quem veio atrás. – respondeu ela o arranhando nas costas.

—É... eu sei... mas é que eu sou muito burro mesmo... – riu ele.

Les girou o corpo para sentar em seus quadris e o olhou com alguma censura.

—Você deveria encontrar alguém que te ame, Navi. Sério.

—Eu sei. – riu Navi soltando um suspiro e a olhando nos olhos – Eu encontrei. Ela está aqui na minha frente... só é teimosa demais para aceitar isso.

—Pare com isso. Eu não amo você. Eu gosto demais de você... mas...

—Escute, Les. – riu Navi colocando a mão embaixo da cabeça – Nós nos amamos. Nós temos um grande e violento amor aqui... e ele é complicado, intenso e nos consome. Não importa o que fazemos e o quanto lutamos contra ele... ele sempre vai nos puxar... e sempre vamos voltar pra isso. – ele se sentou e a abraçou – Com você nos meus braços e eu tentando te convencer que isso é o certo.

—Mas por que você insiste em querer estragar tudo!? – perguntou ela desviando o olhar e tentando sair de cima dele.

—Não estou estragando. Estou tentando fazer dar certo. – riu ele.

—Navi, fala sério! Isso não faz o menor sentido! – ralhou Les. Mas ele não se importou.

—Meu avô foi um comensal de morte... minha avó trabalhava pra Ordem da Fênix... – riu Navi e Les o olhou chocada – Pois é... mas ele foi atrás dela assim mesmo. Ela tentou afastá-lo, ela quebrou o nariz dele... ela até usou cruciatus nele... mas ele a pediu em casamento uma semana depois... – Navi soltou um suspiro e sorriu – Algumas vezes, as melhores decisões que tomamos na vida, Les... realmente não fazem sentido algum.

—Pare, Navi.

—Quantas frases melosas e românticas eu vou ter que ficar falando pra você até te convencer que devemos ficar juntos? – perguntou sorrindo e Les corou de leve – Ok... Amor é tudo o que temos. Ninguém pode viver sem amor. Eu te amo, você me ama e não podemos viver sem o outro. Que tal essa?

—Eu adoro quando as pessoas falam que não podemos viver sem amor, porque isso é a coisa mais importante do mundo.

—E não é verdade?

—Claro que não. Eu conheço coisas mais importantes do que amor... oxigênio por exemplo. – riu ela e Navi deu uma risadinha.

—Ok... eu concordo com essa. – ele a beijou no pescoço, adorando o cheiro dela.

—Você sabe que vai continuar se machucando se insistir nisso, não é?

—Me dá um desconto, Les... até os meus dezesseis anos, a resposta que eu tinha para um “eu te amo” era... “ah, merda...”... que era o que eu dizia quando as garotas se declaravam pra mim. – riu divertido.

—O carma é tão justo.

—Por isso estou rindo de cada toco que você me dá. Uma hora eu vou levar tantos tocos quanto eu dei e ai você vai se dar conta que deveria estar comigo.

—Eu já fiquei apaixonada, Navi. É doloroso e sem sentido e as pessoas dão uma importância exagerada para isso.

—Les, paixão eu sentia uma nova a cada semana... eu não estou apaixonado e nem você... – disse abrindo os botões da camisa dela – Eu não quero apenas fazer uma fogueira e deixá-la arder pela noite. Eu quero construir uma lareira e deixar a chama ali o tempo todo.

—Você está bem inspirado hoje, não é? – perguntou ela. Navi concordou com um sorriso.

—Eu ando vendo muita televisão nessas férias.

—Oh! E eu achando que você estava sendo sincero! Está só citando as bobagens que vê na televisão!? – perguntou ela dando um tapinha na mão dele quando ele enfiou as mãos nos seios dela, por dentro da blusa desabotoada.

—Eu estou sendo sincero com palavras alheias... qual o problema? – perguntou sorrindo.

Les revirou os olhos.

—Navi. Eu não quero namorar com você. Eu nunca mais vou namorar alguém. – resmungou ela.

—Ok. Então... – ele tirou a varinha do bolso e a brandiu. A gaveta da escrivaninha dele se abriu e uma caixinha de veludo veio voando. Ele a pegou e a entregou para Les – Quer se casar comigo?

—Tá brincando, né? – perguntou ela, franzindo a testa.

—Não. Não vamos namorar. Vamos partir pra um looooongo noivado. O que acha?

—Eu acho que você é louco.

—Bem... não posso discordar disso. – respondeu.

Lessa se levantou e foi para o chão, olhando a caixa. Ela a abriu e soltou um suspiro, pegando um bonito anel cheio de safiras.

—É lindo.

—Era da minha bisavó. – respondeu – Eu achei que iria gostar. Você sempre gostou de azul. – Les suspirou e colocou a caixa na escrivaninha.

—Escute, Navi. Honestamente, ok? Sem frases feitas desses filmes que você vê na televisão. Pode ser?

—Pode. – respondeu ficando de pé. Les suspirou passando as mãos por sua barriga e então o olhou nos olhos.

—Eu amo você. – respondeu ela, arrancando um sorriso dele – Eu amo você de um jeito que até me assusta... mas eu me amo mais. E eu tenho medo. Muito medo de você... não exatamente de você... tenho medo de um relacionamento sério, entende? Tenho muito medo de me magoar, de me machucar... O que eu estou fazendo é me esconder, na verdade. E a verdade é que eu estou com medo, medo de me deixar ser feliz por um momento, ai o mundo inteiro desabar e... E eu não sei se vou conseguir superar. Porque se eu me magoar com você... eu... eu... – ele segurou o queixo dela, fechando os olhos e se aproximando para beijá-la – Navi... por favor, não bagunça a minha cabeça...

—Como se ela fosse organizada. – riu ele antes de beijá-la. Ela o beijou de volta e ele a pegou no colo – Namora comigo... – murmurou.

Ela o olhou nos olhos, respirando ofegante.

—Promete que não vai me machucar?

—Prometo. – sorriu radiante. Então ela sorriu de volta.

—Ok, mas não ouse me pedir em casamento antes dos nossos vinte e seis anos, escutou?

—Uhum! – disse feliz querendo voltar a beijá-la.

—E só vamos ter no máximo dois filhos!

—Tá bom, tá bom. – disse louco pelos lábios dela.

—E se você me trair eu juro que vou cortar as suas...

Mas não a deixou terminar. Só queria desfalecer nos lábios dela.

****

Albus se jogou na poltrona, pegando o violão que tinha ali para dedilhá-lo. Lyra o olhou surpresa e sorriu.

—Desde quando você toca? – perguntou surpresa.

Albus deu de ombros.

—Cerce me contou que o pai dela conquistou a mãe dela depois de compor uma música pra ela. Ele aprendeu a tocar violão e escreveu uma música, sabe? Eu pensei em fazer isso com você. Então comecei a treinar às escondidas e peguei gosto.

Lyra corou com violência, completamente sem jeito. Mas Albus parecia muito tranquilo.

—Hum... você...

—Eu não vou tocar uma música pra você. – disse ele calmamente – Eu não consegui escrever nada bom e acabei desistindo... mas eu gosto de tocar, sabe? – ele dedilhou mais um pouco e ela reconheceu “Imagine” dos Beatles – Sem falar que eu não quero namorar você.

—Não? Me superou? – perguntou sentindo um friozinho na barriga. Albus deu um sorriso sem jeito e continuou tocando.

—Você vai ser sempre meu primeiro amor, sabe? – perguntou ele – Mas acho que finalmente me declarar pra você me ajudou a acabar com aquela obcessão que eu tinha com você. Eu ainda gosto muito de você, claro... mas agora eu tenho outras prioridades.

—Por exemplo? – perguntou ela.

—Bem. Eu tenho que ajudar meu pai com umas coisas.

—Oh! Você está igual ao Navi, querendo morrer sendo um herói. – ralhou sentindo-se zangada. Por que eles não podiam ficar numa boa?

—Existem coisas pelas quais vale a pena morrer lutando. Eu entendo isso e ele também. – riu Albus dando de ombros. Lyra soltou um muxoxo e se sentou no chão, aos pés de Albus.

—Vem cá, Albus. Senta aqui. – resmungou ela. Ele piscou confuso e deu de ombros. Colocou o violão na poltrona e se sentou ao lado dela. Piscou confuso quando ela o empurrou o jogando no chão e ficando de quatro em cima dele. Lyra viu o amigo corar com violência e sorriu zangada pra ele – Deixa eu te mostrar o que você perde se morrer lutando por alguma coisa. – e então o beijou. Albus tremeu inteiro sob seu corpo e isso a fez rir. Mas seguiu beijando-o com volúpia. Albus correspondeu ao beijo, colocando a mão em sua cintura. Ele engoliu em seco e ela se ergueu de leve para olhá-lo nos olhos – Não morra lutando... viva. A morte é o fim de tudo, Albus... mas a vida é cheia de possibilidades... a vida é tão cheia de coisas maravilhosas. Por que você, Navi, meu pai... por que vocês querem correr de braços abertos para a morte?

—Para construir um mundo que vale a pena viver... para as pessoas que nos são importantes. – respondeu ele e ela sentiu um frio na barriga e um calor nas bochechas.

—Meu mundo não vai valer a pena se não tiver as pessoas que eu amo nele. – sussurrou se sentando nos quadris dele. Albus respirou fundo a olhando nos olhos.

—Não me dê esperanças de te ter, Lyra, se eu não tenho chances. Isso é muito cruel.

—Você tem chances, Albus... mas só se estiver vivo. – retrucou ela – Cruel vai ser você, caso eu finalmente resolva abrir meu coração pra você e então você me deixar pra trás por conta de uma missão suicida.

Albus piscou e sorriu pra ela.

—Eu acho justo. – Ele se sentou e respirou fundo – Eu vou ajudar meu pai, mas não vou ser a voz da rebelião... deixa pro James ser isso... – riu ele – Eu vou ajudar, mas vou ser cuidadoso e precavido, afinal, não posso deixar minha melhor amiga sozinha, não é?

—Não me deixe sozinha nunca... você promete? – perguntou ela.

—Claro, Ly... – disse ele colando a testa na sua – Eu vou sempre estar aqui pra você. Seja como namorado, seja como amigo...

Lyra soltou um suspiro e abraçou Albus, se perguntando se poderia ter com ele uma amizade linda como a de sua tia Lena e a de tio Draco...

Eu nunca conseguiria... não depois desse beijo... eu não acho que Albus concordaria com o modo como eu levaria essa amizade... ele iria querer namorar comigo... e talvez eu fique muito tentada a aceitar... mas não agora... ainda não...

Ainda temos tempo.

Notas finais
Amo esse capítulo! Damian começando sua redenção... ahsuahsaus Tudo começa a dar certo hehehehe Beeeijos ^^ Ah, a prévia do próximo!!: "Scorpius saiu e uns dois minutos depois Alhena apareceu. A primeira coisa que notou era que ela estava usando uma blusa branca, relativamente transparente, sem usar um sutiã por baixo. A olhou, boquiaberto, com algumas ideias nada castas passando por sua mente. Mas logo se recompôs e quando voltou a olhar para o rosto dela, notou que ela parecia zangada. —Você me lançou um obliviate?! Abriu a boca em completo choque. —Oi? – perguntou confuso." Veeeege... próximo capítulo vai fazer algumas pessoas pirarem ahsuahsuashua