Notas iniciais
Ainda em agradecimento às recomendações... mais um capítulo.. Não vou falar muita coisa porque eu estou morrendo de sono... Mas Espero vocês nos comentários! Próximo capítulo no Domingo! Beijos! Titia ama vocês... (E preparem-se para gritar ashuahsaus)

I Love You

Capítulo 54

—Então nós vamos mesmo fazer isso?! – perguntou Scorpius, chocado.

—Sim. Eu espero que você não fique chateado, mas...

—Está brincando?! Eu acho o máximo! – riu Scorpius. Draco sorriu para seu filho caçula e revirou os olhos – Eu falo sério, mas antes da nossa casa virar um quartel general, eu posso fazer uma festa daquelas!? Eu quero chamar TODOS os meus amigos. Eu quero que até o fim da noite tenha gente pendurada no nosso lustre! Eu quero... eu quero que seja a melhor festa da história! Deixa! Deixa! Eu nunca fiz uma festa! – pediu Scorpius parecendo super animado.

—Hum... ok... – disse Draco – Mas... – Scorpius já estava fazendo uma dancinha engraçada e congelou quando ele disse “mas” – Não quero ninguém nas masmorras, ou no meu quarto. Nem no meu laboratório e nem no meu escritório. Ouviu?

—Certo! – riu ele – Quanto de ouro eu vou poder gastar? – perguntou o garoto. Draco coçou o queixo.

—Bem... tente não passar de... cinquenta mil galeões, ok? Estamos pra entrar numa crise. Temos que ser responsáveis.

—Ok... vou ver o que eu posso fazer.

—Pede ajuda pra sua namorada. Ela sabe como é ser pobre, vai te ajudar a fazer algo mais econômico. – debochou, porque ele simplesmente não podia perder a piada.

—Muito engraçado, pai. – resmungou Scorpius fazendo careta. Scorpius se jogou no sofá, com um sorriso animado e o encarou – Rose me fez uma pergunta esses dias e eu respondi... mas eu acho que ela não gostou da minha resposta.

—O que ela perguntou?

Scorpius parecia um tanto constrangido pra responder.

—Ela perguntou se eu acredito em almas gêmeas... eu disse que não. – respondeu ele – Aí ela me perguntou se eu ao menos sabia o que significava isso... ai eu disse que almas gêmeas são aquelas pessoas que estão destinadas a ficarem juntas pra sempre... – Scorpius soltou um muxoxo e o encarou – Não é isso? – perguntou ele.

Draco sorriu e negou com a cabeça.

—Mulheres não gostam de respostas assim... pra responder algo assim, você precisa responder com mais... mais sentimento. Mais de si mesmo. – respondeu coçando o queixo – Você é muito sem jeito. – brincou olhando de maneira debochada para o filho, que soltou um muxoxo.

—Ok, senhor poeta. O que são almas gêmeas então? Heim?

Draco sorriu e a uma lembrança lhe veio a mente. Ele e Alhena, num banheiro, conversando um com o outro... dentro de uma banheira... estourando bolhas de sabão.

—Ah, Scorpius... almas gêmeas? – disse com um sorriso meio bobo no rosto – É algo bem parecido com um melhor amigo, mas... mas é mais do que isso, sabe...? É aquela pessoa no mundo que te conhece melhor do que qualquer outra... É alguém que faz você uma pessoa melhor. Não... na verdade, sua alma gêmea não faz você uma pessoa melhor... Você faz isso... por si mesmo, mas por essa pessoa, entende? – Scorpius negou com um aceno de cabeça. Draco sorriu, baixando o rosto, se lembrando de Alhena dormindo com ele, em seu sétimo ano, para ajudá-lo a dormir – Porque essa pessoa especial... ela inspira você. Uma alma gêmea é aquela pessoa que vai se preocupar com você pelo resto da vida... para sempre... e... – se lembrou de Alhena vindo lhe confortar depois que Astoria morreu – É aquela pessoa que... te conhece e te aceita e acredita em você, antes que qualquer outra pessoa o faça... incluindo você mesmo... Aquela pessoa que acredita em você e te apoia quando ninguém o faria... e não importa o que aconteça... – se lembrou dela destruindo uma parede onde tinham escrito o nome de Lisian Martell apenas para afetá-lo... – Vocês sempre terão um ao outro... – se lembrou dela vindo conversar com ele, logo depois da briga que teve com Scorpius. Depois se lembrou de cuidar dela, quando acharam que Damian tinha morrido... – Nada, nunca poderia mudar isso. – murmurou se lembrando dele e de Alhena pulando da torre de Astronomia.

Suspirou sem conseguir parar de pensar na loira.

—Mamãe era sua alma gêmea, pai? – perguntou Scorpius e Draco sorriu.

—Acho que você tem uma festa pra organizar, não tem? – perguntou sem encará-lo.

—É... eu achei que não. – riu Scorpius e Draco piscou o olhando surpreso – Você amou a mamãe... mas ela não é essa pessoa que você descreveu... mas tudo bem... – Scorpius suspirou e deu de ombros – Tia Lena é mesmo muito legal... eu não julgo você.

*

Alhena bateu na porta de Draconis, mas ela abriu sozinha. Em cima da cama tinha um bilhete, falando que ele tinha saído com Loto, Navi e Rose, pra curtir um pouco. Soltou um muxoxo e deu de ombros.

Cerce, Dido e Órion tinham ido passar o fim de semana com os primos, na casa de Rasalas. Póllux e Castor não moravam mais ali e Damian tinha feito uma viagem com o pai, já que a saúde dos dois ainda permitia isso.

Então ela estava sozinha naquela noite. Foi para o próprio quarto e fechou a porta. Olhou para a cama cheia de vontade de fazer sexo.

—Cacete... que tesão. – resmungou zangada. Ela e Damian ainda não tinham se acertado na cama. A última vez que tinham tentado fora quando Damian contou aquelas coisas sobre Draco... coisas nas quais ela não tinha acreditado... mas daria mais corda para ele, esperando que ele se enforcasse ou que contasse a verdade. Se deitou na cama e abriu a gaveta da cômoda que ficava ao lado da cama. Lá estava seu vibrador. Cogitou por alguns instantes, mas desistiu – Eu vou acabar dando um nome pra ele se continuar com isso. – resmungou fechando a gaveta. No início, o brinquedo ajudara a aliviar, mas agora estava desesperada para “um de verdade” que... Queria que Damian a aliviasse. Ele parecia tão saudável... será que ele conseguiria fazer um sexo de verdade, daqueles que eles não tinham há anos? – Ele estava doente. Não posso me estressar com isso. – resmungou indo para o banheiro. Tomou um banho relaxante, se tocando sob a água quente, sentindo-se extremamente desejosa de uma experiência carnal. Fechou os olhos, pensando em Damian, mas no meio da coisa pensou em Draco e se interrompeu imediatamente. Se deitou confortavelmente na banheira e por um momento viu seu amigo sentado ali dentro com ela, a lhe contar piadas e pentear os cabelos com espuma. – Você está aqui? – sussurrou confusa. Era um Draco mais novo. Um Draco adolescente. Ele sorriu daquele jeito travesso dele e ela sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Saiu da banheira e se enrolou numa toalha. Depois foi até sua cama e se sentou. Draco então se sentou ao seu lado, lhe oferecendo chocolate quente – Pare com isso! – ralhou o afastando e ele de desmanchou como numa nuvem. Se deitou na cama, sem saber o que estava acontecendo, mas então ele se deitou em cima de si, com aquele sorriso feliz – O que está fazendo? – se sentou de uma vez e a miragem desapareceu. Sua cabeça doeu e ela sentiu a pressão que sempre sentia antes de ter uma visão. Estava na Torre de Astronomia. Sonhara tantas vezes com aquele lugar... tantas... respirou fundo, esperando ver os dois adolescentes na janela. Lá estavam eles. De mãos dadas, em pé na janela – Quem são vocês?

—Você sabe quem são. – riu Draco ao seu lado. Não adolescente. Mas adulto. Ele estava de pé, com as mãos nos bolsos, a olhando com um sorriso travesso – Pare de tentar se fazer de cega.

—Eu não sei quem eles são... – murmurou e então era ela quem estava na janela, de mãos dadas com ele.

—Não me diga que realmente não sabia quem era. – riu Draco a olhando daquele jeito travesso.

—Por que? Por que estamos aqui?

—Para pular.

—Pular? – perguntou confusa.

—Você confia em mim? – perguntou ele. Alhena engoliu em seco e concordou com um aceno de cabeça.

—Confio.

—Então pula comigo.

E então eles pularam. E foram tantas coisas que passaram enquanto ela caía. Se viu com Draco na Mansão Malfoy, o beijando embaixo da sombra de uma árvore. Se viu abraçada com ele na escola, enquanto ele a confortava. Se viu com ele na banheira dos monitores. Se viu com ele dentro do lago, o encarando de maneira tão intensa... se viu aos beijos com ele numa festa, no castelo, no chão, perto do lago... nessa última vez da maneira mais íntima possível. Os dois correram ao redor de uma fonte, morrendo de rir e Draco a abraçou. Conversas que não se lembrava de ter tido. Toques, abraços, palavras de conforto... E então o Escritório dos Retratos.

—Onde estou?

—Você sabe. – riu Draco atrás de si. Se virou para ele e ele sorriu – Minha Lena... só minha... só minha...

—O que? – perguntou surpresa, quando se viu em cima dele no sofá.

—Lena... Estamos mesmo fazendo isso ou eu estou enlouquecendo?

Piscou em choque.

—Eu não sei... – disse confusa, mas Draco sorriu pra ela, parecendo completamente feliz.

—Ah, Alhena... Alhena. Alhena. Alhena... minha. Só minha. Só minha. Só minha. Minha Lena. Minha Lena... – ficou tudo escuro. Tudo escuro – Eu te amo tanto...

Engoliu em seco e se viu em sua cama. Draco lhe apontou a varinha.

—Draco! – gritou assustada.

—Obliviate.

Se levantou de uma vez, ofegante, ainda na cama, só de toalha. Estava tonta e seu nariz sangrava de leve. Olhou ao redor, procurando por Draco, mas logo se viu sozinha. Completamente sozinha. Tampou a boca com as mãos, querendo chorar. O que tinha sido aquilo?

Jogou a toalha no chão, limpou o rosto e botou uma calça e uma blusa. Depois pegou a varinha e foi para a lareira e jogou o pó de flu.

—Mansão Malfoy.

**

Draco estava em seu escritório enquanto Scorpius anotava num bloco de notas tudo o que ele queria para a festa.

—E nós podemos pedir três barris de hidromel, certo?

—Claro. Uhum. – murmurou distraído, olhando para a janela. Foi quando Yolo, seu novo elfo favorito, apareceu preocupado.

—Mestre. Madame Burke está aí e ela parece muito alterada. – disse ele.

Draco piscou e olhou para Scorpius, que parecia surpreso.

—Traga-a aqui. – disse Draco. O elfo fez uma reverência e Draco olhou para o filho.

—Eu vou pro meu quarto. – riu ele. Draco concordou com um aceno de cabeça e ficou esperando, sentindo-se curioso. Será que tinha acontecido alguma coisa?

Scorpius saiu e uns dois minutos depois Alhena apareceu. A primeira coisa que notou era que ela estava usando uma blusa branca, relativamente transparente, sem usar um sutiã por baixo. A olhou, boquiaberto, com algumas ideias nada castas passando por sua mente. Mas logo se recompôs e quando voltou a olhar para o rosto dela, notou que ela parecia zangada.

—Você me lançou um obliviate?!

Abriu a boca em completo choque.

—Oi? – perguntou confuso.

—Você! Obliviate! – devolveu ela. Draco a olhou no fundo dos olhos verdes, enquanto ela se aproximava mais e mais – Não minta pra mim! Nunca mais minta pra mim! Você me lançou um obliviate ou não?

Abriu a boca, em choque. Depois engoliu em seco.

—Por que está me perguntando isso?

—Eu traí o Damian com você! – ralhou ela. Draco a olhou ainda mais boquiaberto. Como raios ela sabia daquilo? – Nós pulamos da Torre de Astronomia! – sentiu um solavanco no estômago, se lembrando daquele dia... Ela se lembrava daquilo? Ela se lembrava! Sorriu imensamente feliz pra ela, sem conseguir se conter – Nós éramos melhores amigos desde pequenos! Não foi Damian quem cuidou de mim, foi você! Por que raios me fez esquecer isso?

—Porque apesar disso você quis ficar com ele. – respondeu Draco ficando de pé enquanto Alhena o olhava com os olhos assustados – Eu amei você por tanto tempo, Alhena... mas você sempre teve olhos apenas pra ele.

—Não tinha o direito de fazer isso! – rosnou ela com uma lágrima descendo pela bochecha.

—Não... eu não tinha. – concordou com um suspiro.

—Eu quero de volta! Me devolva, Draco! – lamentou ela – Eu estou numa confusão de sentimentos. Eu estou tão confusa. Eu preciso saber o que eu realmente sinto por você...

—Não posso mais te devolver, me desculpe. – murmurou sentindo-se eufórico.

—Por que não?

—Eu entreguei pro Damian... e ele destruiu suas lembranças.

—O que? – perguntou ela em choque – Não! Você está mentindo.

—Não estou.

—Está sim! Ele nunca faria isso! – chorou ela parecendo em pânico. A segurou nos braços e a olhou nos olhos.

—Você é vidente e é uma boa legilimens. Veja por si mesma.

—Não! – disse ela fechando os olhos e sacudindo a cabeça – Não! Damian me falou que você... você estava querendo... me enganar!

—O que? – perguntou Draco.

—Ele disse que você contou pra ele... – chorou Alhena o olhando novamente – Você falou que ele não dava mais conta de... de transar comigo e que ficou fazendo piada dele!

—Eu nunca disse isso. – negou Draco.

—Pare de mentir pra mim! – lamentou ela – Por que estão mentindo pra mim?

Respirou fundo sacando a varinha e entregando pra ela.

—Segure.

—Por que? – perguntou ela.

—Apenas segure. – ela o fez, com as mãos trêmulas. Ele segurou as mãos dela, fazendo com que ela apontasse a varinha para ele – A dor desse feitiço não se compara a dor que eu senti todos esses anos, mentindo pra você... escondendo coisas de você... chega de mentiras, Alhena.

—Do que você está falando?

Ele respirou fundo e fechou os olhos.

Alítheia

E então doeu. Doeu muito. Gritou de dor, recuando e olhou para Alhena, chocado. Sabia que doeria, mas não imaginou que era tanto.

—O que você fez?

—Uma azaração da verdade. Pergunte qualquer coisa. Eu vou ser obrigado a responder. – rosnou de dor.

—Não! Finite Incantatem! – disse ela e ele caiu de joelhos no chão. Respirou aliviado e Alhena se ajoelhou ao seu lado. – Não precisa disso. – murmurou ela segurando seu rosto entre as mãos e o olhando nos olhos – Damian destruiu minhas memórias?

—Sim. – respondeu olhando para o verde dos olhos dela – Eu fiquei desesperado... mas não havia nada que eu pudesse fazer.

—E por que ele fez isso?

—Por medo, eu acho... de te perder pra mim. – murmurou Draco segurando a mão dela.

—Por que? Por que ele achou que eu...

—Porque Draconis é nosso filho. Porque ele não era tudo aquilo que você imaginou que era e porque eu não parei de te amar, desde o momento em que eu me dei conta desse meu sentimento por você... ele sabia que a única coisa que me impedia de lutar por você era a minha amizade com ele, algo que ele não foi capaz de manter, depois de saber toda a verdade.

Alhena o soltou, mas sem parar de olhá-lo. Então ela se levantou e se virou, tampando a boca com as mãos.

—Não pode ser...

—Eu sinto muito, Alhena... – murmurou Draco

—Se você... se você me queria... por que desenvolveu o soro pra ele? – perguntou ela, se virando, o olhando com os olhos e a ponta do nariz vermelhos.

—Pra nunca mais te ouvir chorar daquele jeito... eu só queria te ver feliz. – murmurou ele. Alhena negou com a cabeça, se virando novamente.

—Merlin... como vocês dois tiveram coragem de fazer isso comigo?! – perguntou ela apertando a própria cabeça.

—Eu realmente sinto muito...

—Como pode não ter me contado isso?! Heim?! – perguntou ela se virando para ele e o olhando nos olhos. Mas então ela franziu a testa e se aproximou mais, o olhando com atenção. Sentiu um frio na barriga e virou o rosto, mas Alhena o empurrou contra a escrivaninha. Engoliu em seco e sentiu as mãos dela em seu cachecol. Soltou outro suspiro, sentindo-se derrotado, e o ela tirou o cachecol de seu pescoço – Oh, não... Merlin... tudo menos isso... – lamentou ela recuando alguns passos – Você também não... – baixou os olhos, sem conseguir encará-la, escondendo a mancha púrpura com a mão – Por que não me contou isso, Draco?

—Você... você já estava sofrendo tanto ajudando o Damian... eu não queria que passasse por tudo aquilo de novo... por minha causa. – murmurou. Alhena o olhou magoada, com o rosto molhado pelas lágrimas.

—Como pode esconder isso de mim? Você é meu melhor amigo!

—Eu não sei... – murmurou – Eu tenho esse desejo quase sádico e masoquista de querer proteger você de tudo... principalmente depois do que Pierre te fez... – Respirou fundo encarando aquela loira que há anos vinha roubando seu sono – Você fez tanto por mim, Lena... você é minha melhor amiga, você só não é mais importante pra mim do que os meus filhos... eu te amo tanto que algumas vezes eu me pergunto se eu simplesmente não estou louco, porque eu esqueço de mim mesmo quando o assunto é você... e isso pra mim não faz o menor sentido, porque eu sou o filho da puta mais egoísta que eu conheço. – murmurou sentindo-se aliviado por estar dizendo aquilo.

—Draconis é seu filho...

—Nosso filho. – murmurou Draco – Um momento de loucura, irresponsabilidade e álcool... muito álcool... onde nós dois nos permitimos sermos puramente nós mesmos pela primeira vez em anos. – disse a olhando nos olhos – Você disse que me amava naquele dia... eu acreditei em você e me magoei profundamente quando você voltou pro Damian, mas... – Draco respirou fundo – Eu simplesmente não consegui deixar o sentimento morrer... eu já te amava há tanto tempo e não me permitia aceitar isso... e quando eu finalmente aceitei esse sentimento, eu simplesmente não consegui me livrar dele... eu consegui amar Astoria também, é claro... mas... mas não havia uma noite em que eu não fechasse os olhos e me perguntasse como seria se eu estivesse com você... se eu não tivesse aberto a mão de você... E é um terreno perigoso pensar nisso, porque eu não teria o Scorpius, você não teria metade dos seus filhos... Talvez fôssemos apenas eu, você e o Draconis... talvez nem ele... talvez outro bebê... e é assustador pensar nisso... mas é tentador ao mesmo tempo, porque... imaginar uma vida ao seu lado, Lena... parece que anestesia até mesmo a dor que eu sinto nos pulmões... e eu sei que você não me ama como eu amo você, mas... mas você não faz ideia... – seu rosto se contorceu num enorme sorriso, seu coração batia tão acelerado... se sentia um adolescente... se sentia aquele garoto egoísta que pensava em falar pra ela “larga o tonto do seu namorado e fica comigo” – Não faz ideia do quanto eu estou feliz por poder finalmente te dizer com todas as letras que eu te amo... – A olhou nos olhos. Ela parecia petrificada – Eu te amo demais... e eu juro que... que se você me der uma chance... eu juro que eu dedicaria cada segundo da minha vida pra te fazer sorrir... como eu já faço... só que... me permitindo... ser inteiro com você...

Alhena fungou de leve e o olhou completamente confusa e perdida. Podia ver as duas coisas no olhar dela. Pra ele, ela era como vidro, completamente transparente. Ela ficou alguns segundos olhando para o chão, parecendo completamente desnorteada, mas então o olhou e se aproximou dele.

—Me diz algo egoísta, por favor. – pediu ela. Draco engoliu em seco e concordou.

—Eu tive suas memórias comigo durante dezesseis anos... e eu amava passar horas mergulhado nelas... sentindo todo o carinho e amor que você tinha por mim... porque você me amou também... de um jeito bem parecido com o jeito que eu te amo... e hoje eu sei que você, por mais que tivesse dito pra mim que iria ficar com ele... hoje eu tenho certeza que você mudaria de ideia, se eu não tivesse tirado suas memórias... e nesse momento, Lena, eu sei que não há nada mais egoísta que eu poderia falar, porque... porque eu sei que você acreditaria em mim... – ele sorriu feliz pra ela e ela engoliu em seco o encarando emocionada – Me diz algo egoísta agora... por favor...

Ela concordou e se aproximou. Respirou fundo, sem saber o que ela iria fazer, mas quando ela o puxou de uma vez, achou que sairia do chão, de tanta felicidade. Suspirou nos lábios carnudos dela e a puxou desejoso. A beijou com uma felicidade que não cabia em si. Com uma alegria que o fazia se sentir cheio de borboletas em seu estômago. Que o fazia realmente esquecer que seu pulmão parecia estar cheio de chamas.

Se lembrou de cada beijo que tinha dado nela. Desde quando era um adolescente, ali na Mansão. Quando se encontravam às escondidas do pai dela, para se agarrarem loucamente, entre sorrisos e beijos quentes. E depois, nas festas que tinham ido entre o quinto e o sexto ano. Se lembrou de beijá-la no trem de Hogwarts e depois em seu dormitório, uma única vez, quando estava muito convencido de que tiraria a virgindade dela... depois disso só quando pularam da Torre de Astronomia... quando o tesão e desejo que sentia por ela já tinham se tornado um sentimento puro e diferente de tudo o que ele já tinha experimentado.

Finalmente, se lembrou de quando a beijara novamente naquela mansão. Dezessete anos atrás. Quase dezoito... quando falou tantas vezes pra ela o quanto a amava. Quando desejou tê-la pra sempre consigo. Quando pediu para que ela nunca fosse embora. Quando se declarou pra ela, depois que o efeito do álcool passou...

Então a beijou completamente feliz, realizado. Com um calor no peito que nada tinha a ver com o Horklump. A beijou como se precisasse mostrar pra ela naquele beijo todos os motivos que tinham para que ficassem juntos... a beijou como se pudessem morrer a qualquer momento. A beijou como se suas vidas dependessem disso.

Queria tocá-la por inteira, como já tinha feito antes, mas teve medo do que aconteceria se tentasse. Tinha medo de como ficariam quando a loucura do momento passasse... quando ela se desse conta do que estava fazendo... céus, como ele tinha medo daquilo...

Então a beijou, beijou e beijou... desesperado pelo doce sabor dos lábios dela. Desesperado para ter ao menos uma chance... uma única chance... para mostrar pra ela que eles seriam melhores juntos. Inteiros juntos...

Ele tinha feito tantos sacrifícios por ela, sem nunca querer algo em troca além da felicidade dela... mas agora se permitia sonhar consigo mesmo. Agora não tinha sua amizade com Damian para atrapalhar e deixá-lo com peso na consciência... agora era apenas ela e ele...

Mas, de repente como tinha começado, o beijo acabou. Alhena se afastou, assustada consigo mesma. Ela o olhou com choque nos olhos e ele temeu o que viria a seguir...

Seria um “não podemos nos ver mais”? Seria um adeus? Seria raiva por ter deixado aquilo acontecer? Seu peito doeu de leve e sua garganta coçou. A ansiedade o matava aos poucos, o enfraquecia aos poucos...

—Lena...

—Meu Merlin, o que eu fiz? – perguntou ela parecendo desesperada.

—O que você queria fazer. O que nós dois queremos fazer há tempos... mas que você não entendia o porquê... – Draco sorriu para ela e segurou sua mão – Eu te amo e você me ama... eu sei que você ama o... o outro... mas você me ama também... não ama?

Mas Alhena pressionou a cabeça, recuando a mão e se virou.

—Nós... eu... EU não deveria ter feito isso... desculpe, Draco... eu... eu estou tão confusa... eu... eu preciso ir embora... é tudo culpa minha, eu nunca deveria ter vindo aqui.

Aquela vontade terrível de tossir cresceu e ele tentou segurar. Não queria que ela voltasse apenas para vê-lo sangrar. Mas a vontade foi se mostrando grande demais, assim como o escritório... quantos passos ainda restavam até que ela saísse? Não o suficiente, logo constatou.

Tentou tampar a boca com as mãos, mas sua pressão baixou de uma vez e sua visão enturvou. O jato quente foi expulso de dentro de seu corpo enquanto a crise de tosse roubava seu ar. Seu pulmão ardeu com violência e seus joelhos perderam a força. Tentou recuar uns passos para não cair no vômito misturado com sangue que tinha expelido e caiu no chão, com força, sem conseguir parar de tossir.

Nem viu quando Alhena o ajudou a se endireitar, mesmo que ainda estivesse tossindo sem parar. Tentou pedir para que ela fosse embora, mas a tosse não permitiu. Não queria que ela o visse assim... não enquanto estava tão vulnerável. Ela já tinha passado aquele pesadelo com Damian... não queria fazer com que ela tivesse que passar por aquilo de novo.

Quando a crise passou, caiu sentado, tentando respirar, gemendo de dor, querendo deitar no chão gelado, para tentar aliviar a dor nos pulmões. Alhena o abraçou apertado e fungou, o acariciando nos cabelos.

—Scorpius sabe? – sussurrou ela.

—Não... não conte pra ele... – murmurou sentindo dor – Ele não precisa saber disso ainda...

—Oh, Draco... você se condenou a passar por isso sozinho? – perguntou ela ainda naquele carinho – Por que, Draco?

—Não estou passando por isso sozinho... – disse sem ar – Tenho um elfo muito simpático me ajudando...

—Oh, Draco. – Alhena tentou rir e ele também, mas a risada dela morreu virando um choramingo – Eu não vou aguentar perder você...

—Eu estou dando um jeito... eu dei um no Damian, não dei?

—Me deixe te ajudar...

—Não... e se você se contaminar também? – pergunto ele suspirando, amando o chamego que ela lhe fazia – Se importa de me ajudar a limpar isso? E de me levar pro banheiro... não quero que Scorpius descubra ainda.

Alhena soltou um suspiro e o soltou. Depois foi até a poça vermelha e a limpou com um feitiço. Depois ela voltou e o ajudou a se levantar. Os dois foram juntos até o quarto dele, em silencioso constrangimento. Lá ela o ajudou a se despir e ele foi para o banheiro tomar um banho e se limpar. Mas assim que a banheira encheu, ela entrou para ajudá-lo a lavar os cabelos. Se lembrava vagamente de ela ter feito aquilo uma vez, quando ele ficou de porre. Se perguntou se ela se lembrava daquilo e então algo o ocorreu.

—Como soube de todas aquelas coisas? Sobre o obliviate? – perguntou enquanto ela o massageava nos cabelos.

—Eu... eu tive uma visão... tenho tido várias, há anos... mas não associei a você. Não sabia o que era... – murmurou ela e Draco concordou com um aceno de cabeça. Voltaram a ficar em silêncio por algum tempo. Ele mergulhou na banheira para lavar o rosto e enxaguar os cabelos. Depois se levantou, sem pudor algum, para pegar a toalha – Oh, Draco! Se esconda, por favor. – ralhou ela jogando a toalha em cima dele.

—Não é como se nunca tivesse visto. – disse com um sorrisinho divertido e Alhena revirou os olhos, parecendo se esforçar muito para não rir.

—Ok. Você já procurou o curandeiro? Pra tratar o seu Horklump?

—Não. – disse cansado.

—Onde está o seu soro? Como você está tomando? – perguntou ela enquanto os dois voltavam para o quarto.

—Alhena... eu sei que você é muito esperta, mas eu estou estudando sobre isso há anos... não acho que você saiba algo que eu não. – disse com um sorrisinho, deitando na cama, só de toalhas. Alhena soltou um suspiro e o encarou arqueando uma sobrancelha.

—Eu sei várias coisas que você não sabe. Eu posso te ajudar, sabe?

—E como? – perguntou ele.

—Vamos no seu laboratório... e vista um roupa, por Merlin.

—Ok. – disse se levantando e jogando a toalha pra cima.

—Oh, caralhos... porra, Draco! – riu ela virando o rosto e ele caiu na gargalhada.

—Vamos, Lena. Não é nenhuma novidade pra você. A única pessoa que já me viu pelado mais vezes que você foi a Astoria... isso porque nós tivemos mais de quinze anos de casados.

—Eu não preciso ver você pelado assim mesmo! – resmungou ela.

Draco deu de ombros indo até o armário e pegando um robe qualquer. Colocou uma samba canção, por via das dúvidas, e então andou até ela.

—Vamos?

—Você não está com o mesmo padrão do Damian. – murmurou ela o olhando.

—Não? Como não?

—Quando ele começou a vomitar sangue, ele não conseguia ficar em pé por vários minutos... você conseguiu. Sem falar que ele precisava tomar muitas poções pra dor... você está tomando?

—Não... – murmurou curioso.

—Hum... – ela o olhou avaliativamente e tirou a parte de cima de seu robe, para olhar seu peito. Ela tocou a varinha nele e sussurrou alguns feitiços. Foi como se estivesse com o nariz muito entupido e ele tivesse desentupido de uma vez. E era como se tivesse com uma queimadura e jogasse água gelada em cima. Tudo ao mesmo tempo. Respirou aliviado e sorriu para ela.

—É agora que eu te beijo em agradecimento?

—Escute aqui! – ralhou ela colocando as mãos nos quadris e ele deu uma risadinha.

—Ok, não era agora... agora é a hora que eu te lembro que você não está usando sutiã e que eu posso ver os seus mamilos. – Alhena o olhou em choque e então olhou para o próprio busto. Depois ela se abraçou, completamente corada e ele deu uma risadinha. Andou até o próprio armário e tirou um casaco de lá, para oferecer pra ela – Aqui, tome... ou eu não vou conseguir me concentrar em nada do que você falar.

—E se cubra, por favor. Eu não quero ficar olhando pra você quase pelado. – resmungou ela colocando o casaco.

—Por que não? Não é como se nunca tivesse...

—Porque eu estou numa seca daquelas, Draco. E eu já estou com pensamentos absurdos o suficiente sem que você fique exibindo esse seu bumbum durinho pra mim! – ralhou ela, fazendo-o rir.

—Ok, ok... – murmurou se vestindo direito. Os dois começaram a andar até seu laboratório – Então... que papo é esse que o Damian falou que eu estava zoando com a cara dele? Sobre a vassoura dele não subir mais?

—É basicamente isso... e que você ficava falando que poderia me saciar no lugar dele. – resmungou ela cabisbaixa.

—Olha... não é que eu queira chamar o Damian de mentiroso. Mas eu não vou sair de escroto nessa história. Eu nunca comentei nada pessoal das nossas conversas com ele, ou com ninguém... e eu sempre brinquei com ele sobre você ser gostosa e eu querer... hum... – ele a olhou de canto de olho e notou que ela estava corada – Bem... reviver o momento da Torre de Astronomia... mas eu faço essas piadinhas desde muito antes do obliviate. E depois do incidente envolvendo veneno de fada, eu diminuí ainda mais... ele inventou isso porque não podia falar que estava zangado por você ter traído ele comigo, simplesmente porque você não se lembrava e ele não julgava que fosse possível que você fosse se lembrar um dia. Só isso.

Alhena suspirou e deu de ombros.

—Podemos não falar sobre isso agora? Eu preciso de um tempo pra assimilar tudo isso...

—Desculpe, Lena, mas eu meio que estou querendo falar sobre isso há dezoito anos. – riu ele – Mas ok... eu vou te dar um tempo... o tempo que você achar necessário.

—Eu quero que saiba que eu ainda estou furiosa com você. – ralhou ela – Você e Damian mexeram com coisas importantes minhas, sem ter o direito de fazer isso... você me tirou meu melhor amigo, Draco.

—Mas eu o devolvi depois. Voltamos a ser melhores amigos... simplesmente porque não dá pra se esquecer completamente o sentimento que tínhamos e temos um pelo outro.

Alhena se abraçou e apertou o passo e ele não viu alternativa a não ser fazer o mesmo. Seguiram até o laboratório dele e Alhena olhou para seus homúnculos com curiosidade. Não se pareciam em nada com a bolinha peluda que ele tinha dado a Draconis. Elas pareciam olhos, redondos, com uma bola no centro, que não era uma íris, mas o núcleo homuncular. Primitivo e visível.

—Uau... quantos...

—Já estou no número nove mil, trezentos e setenta e oito. – riu ele. Apesar do número, apenas duzentos estavam ali. Cada um pouco menor que uma balaço – Eu comecei a criá-los para testar os soros... todos estão infectados com Horklump. Eu uso o sistema imunológico deles para fazer os soros. Eles não sentem dor... antes sentiam, mas eu cortei isso, depois de cansar de escutá-los gritar... são o mais primitivos que eu consegui deixar, com um sistema imunológico bastante avançado apesar disso. – ele passou o dedo pela superfície gelatinosa de um deles – Está vendo a cor alaranjada? É por causa da lantana... eu troco o meu sangue pelos fluídos deles, para que eles se adaptem ao meu nível de agressão e produzam o soro. Esse soro eu testo em outros homúnculos e depois em mim. Eu consegui controlar alguns sintomas. Outros não. As manchas estão bem controladas, meus cabelos não perderam a cor e eu não perdi tanto peso e, aparentemente, minha potência sexual não diminuiu e não, eu não estou te dando indiretas... – riu ele – Mas as crises de tosse e o pulmão, assim como a hemorragia no estômago, esôfago e fígado... continua comprometido. Eu estou desmaiando muito e meu pulmão está acumulando muito sangue, praticamente o tempo todo. – resmungou ele – Estou me afogando em sangue, literalmente. – disse se sentando em uma cadeira – E então, como pretende me ajudar?

Alhena soltou um suspiro e se virou para os homúnculos. Depois ela o olhou e sorriu.

—Vamos ver... – ela se aproximou e se ajoelhou na sua frente.

—Ok... eu não deveria ficar animado com isso, deveria?

—Não. Eu meio que vou precisar raspar sua perna para pegar alguns pelos.

—Ah, ok... – respondeu tentando não dar um sorrisinho cafajeste. Apenas olhou para cima enquanto Alhena depilava sua perna com uma adaga que tinha tirado de seu armário. Ficou tentando não se lembrar das deliciosas chupadas que ela fazia quando eram jovens. Mas era a mesma coisa que se esforçar para se lembrar. Quando ela terminou de podá-lo, já estava completamente duro, mas ela teve a delicadeza de fingir que não viu – E agora?

—Fogo é o elemento da energia... água o elemento da adaptação... vou fazer adivinhação Elemental, com vapor. – explicou ela. Alhena jogou seus cabelos num pires e então tacou fogo, seguido por água. Ela aspirou o vapor e ele fez uma careta. – Me segure se eu cair.

Ficou de pé e a olhou. Os olhos dela viraram e ela abriu a boca. Então, a loira apontou para um dos homúnculos e começou a tremer, caindo. A segurou com firmeza, mas estava relativamente fraco. Acabou caindo em cima dela e ela despertou do transe.

—Desculpe. – sussurrou ele.

—Tudo bem... – sussurrou ela de volta. Os dois se encararam longamente e ele não resistiu. Parecia mais difícil de resistir agora que já a tinha beijado uma vez. Selou os lábios com os dela e ela o beijou de volta por breves segundos antes de virar o rosto.

—Não. Por favor, não faz isso...

—Ok. Desculpe. – murmurou se levantando. Alhena se levantou também e Draco pegou um dos homúnculos – Se eu soubesse que podia simplesmente fazer esse tipo de coisa, eu teria contado o que eu estava tentando fazer há séculos. – murmurou a olhando.

—Ninguém mandou ficar de segredinhos com a sua melhor amiga no mundo inteiro.

—É... – riu Draco pegando uma seringa e furando o homúnculos, que foi murchando enquanto ele coletava o soro. Fez o processo de purificação, explicando cada passo para Alhena, que assistia com curiosidade. Por fim, colocou o soro em outra seringa – Yolo!

O elfo logo apareceu, fazendo uma reverência.

—Sim, mestre?

—Aqui. Hora do remédio.

—Sim, mestre. – respondeu seu elfo. Voltou a despir a parte de cima do robe e viu Alhena desviar o olhar com as bochechas coradas. Suspirou e fechou os olhos, se preparando para a dor. – Pronto?

—Só um minuto. – murmurou – Eu peço desculpas pelo meu descontrole, Lena... eu não deveria ter te beijado... Se isso não der certo e eu continuar doente... eu não vou correr atrás de você... eu acho que você já passou o suficiente com essa doença, mas... mas se eu realmente começar a melhorar... eu realmente vou começar a tentar conquistar você de verdade, Lena... eu espero que esteja pronta pra isso.

—Pare de falar essas coisas, Draco. Eu não quero pensar nisso agora. Eu estou tentando digerir tudo isso...

—Eu sei... eu sei. – ele olhou para o elfo e respirou fundo – Pronto, Yolo.

—Ok. – disse seu elfo aproximando-se com a agulha.

—Rapidinho... – disse com algum desconcerto – Hum... Lena, você poderia esperar lá fora?

—Não. – respondeu ela, decidida. Corou de leve, jurando a si mesmo que iria segurar os gritos. Não gritaria de jeito nenhum, não na frente dela.

Ele aguentou dois segundos...

**

Abriu os olhos e viu Draco dormir. Ele parecia extremamente cansado. Olhou o relógio e viu que já era domingo. Coçou os olhos e se perguntou porque precisava ser lua cheia... queria conversar com o irmão e pedir uns bons conselhos...

Mas a essa altura Rasalas estaria em forma de lobo e não poderia ajudar quem quer que fosse. Então suspirou, e ficou observando Draco dormir. O acariciou nos sedosos cabelos platinados, observando que duas entradas começavam a se formar na cabeça dele. Será que ele ficaria careca?

Não conseguiu evitar de sorrir ao imaginar o desespero que ele ficaria.

Mas então outro pensamento tomou sua mente. Lembrou-se do beijo que tinham tido e aquilo a fez corar. Como pudera perder o controle daquela maneira? Como se pudera deixar levar daquele jeito? Ela não era uma mulher vulgar que se deixava levar por instintos primitivos. Sabia muito bem o que instintos primitivos eram capazes de fazer... Jacques Pierre tinha lhe ensinado aquilo.

Mas não conseguia evitar de pensar naquilo. De desejar aquilo. Sentia suas partes quentes e molhadas, sedentas do toque dele... sedentas e curiosas de saber... seria tão bom quanto parecia em suas lembranças?

Soltou um muxoxo e apertou as mãos com as coxas, sentindo-se calorenta e desesperada por um toque masculino... e Damian não chegaria antes do sol se por... mas a quem estava querendo enganar? A si mesma? Não era de Damian que estava sentindo falta...

Olhou para Draco, suspirando. Há quanto tempo estava aturando aquele sexo mais ou menos com Damian? Ok, ele estava doente... mas ela relevara isso por três longos anos. Três anos daquele sexo que não satisfazia. E não podia se sentir no direito de ficar zangada, simplesmente porque não era culpa dele... ele estava doente.

Mas por conta disso já estava se tornando algo doloroso, pois sabia que não chegaria ao ápice. Qual fora seu último orgasmo? Nem se lembrava mais, afinal, nem mesmo com a boca ele conseguia terminar o “momento”... ele estava tão fraco há tanto tempo... e agora que parecia tão mais saudável, havia aquele abismo de incertezas entre eles...

E agora finalmente ela entendia o porquê. Queria não estar tão magoada como estava se sentindo. Era aquele pesadelo com Astoria tudo de novo.

Astoria demorou bastante para se tornar sua amiga... ela sempre fora a irmãzinha ciumenta de Daphne, que ficava querendo aparecer para a irmã. Só viraram amigas mesmo depois de Hogwarts e só porque Draco estava namorando ela. Mas escutar Damian falar que Astoria estava disposta a destruir seu casamento simplesmente por ele ter se recusado a vender algo pra ela... aquilo tinha sido terrível... e mais terrível foi descobrir que ele havia mentido sobre isso, para se acobertar...

Mas agora tinha sido muito pior... da outra vez, ele tinha errado por não falar a verdade... porque o que aconteceu entre ele e Clover, daquela vez, não tinha sido culpa dele mesmo... foi um acidente... mas agora ele tinha mentido para esconder um podre feio... e tinha jogado a culpa em Draco... seu melhor amigo Draco... Draco que tinha ficado doente na tentativa de salvar a vida dele... E no lugar de ser grato, Damian foi insensível e ingrato com ela, por todo seu carinho e dedicação naqueles tempos difíceis, e com Draco, que era o responsável pela melhora dele... e além disso ele destruíra algo seu... memórias e sentimentos seus... coisas que jamais iria recuperar... podia até se lembrar, mas jamais sentiria de novo aquelas coisas que tinha perdido.

Soltou um suspiro e voltou a olhar para Draco. Sorriu achando-o bonito e sereno, apesar de cansado. Tinha dormido na cama dele, para ajudá-lo a passar a noite. Usando alguns feitiços para facilitar a respiração dele e aliviar a dor, coisas que tinha aprendido quando era Damian quem não conseguia dormir. Quando era por ele que deixava a própria saúde e sono de lado para que ele tivesse um pouco mais de conforto...

E se surpreendeu por saber que faria tudo de novo, por Draco. Se aproximou mais ainda, olhando o rosto dele com atenção... o nariz fino e o queixo pontudo, como o de Draconis... tão óbvio... tão evidente. Tocou os lábios finos dele com as pontas dos dedos, depois o queixo com a barba por fazer. Desceu o dedo para o pescoço dele, onde tinha aquela mancha, deixada por aquela doença terrível. Suspirou e beijou-o naquele lugar, desejando que ele melhorasse logo.

Draco estremeceu durante o sono e se virou para ela, ainda dormindo. O acariciou no rosto, sentindo um carinho imensurável por ele... tudo o que ele tinha passado por ela... ainda podia escutá-lo dizer que tinha tentado ajudar Damian apenas para não vê-la chorar... Draco sempre estivera lá por ela, tanto quanto ela esteve lá por ele... talvez até mais.

Estou me permitindo ter pensamentos perigosos.

Sabia disso... mas... mas era difícil de pensar. Rolou na cama, olhando para o teto. Depois olhou para a própria mão... para sua aliança de casamento.

Ainda sou casada com Damian. Eu ainda o amo... céus, algum dia vou deixar de amar?

Mas era doloroso saber que Damian ficou todo aquele tempo evitando Draconis, ou o tratando com frieza, simplesmente porque no fim das contas Draco era o pai biológico dele... será que isso pesou tanto tempo para Damian, a ponto de ele se esquecer de que foi ele quem o criou? Será que ele não conseguiu colocar o amor que Draconis sentia por ele e vice versa antes disso? Duas semanas daquele comportamento frio e distante... quase três. Viu seu filho passar todos aqueles dias olhando magoado para Damian, tentando entender o que tinha passado... será que Damian contara a verdade para ele?

Será que Draconis simplesmente deixara pra lá? Lembrava que logo depois de colocar o próprio nome na placa, Draconis disse que iria ver Draco e Damian passou o resto do dia emburrado.

Era tanta coisa pra pensar. Tinha passado tanto tempo vivendo por outras pessoas que agora parecia que não sabia pensar por si mesma. Era como estar pela primeira vez em Beauxbatons, quando não tinha mais Rasalas para responder por ela...

Mas queria fazer uma decisão por si mesma... e só conseguia pensar no quanto era egoísta... porque parecia muito tentada a experimentar algo diferente e botar tudo o que construíra com Damian a perder...

Engoliu em seco mirando o rosto bonito de Draco, querendo muito beijá-lo. Como naquele momento de descontrole e confusão da noite anterior, quando ele a puxara com tanto desejo que podia sentir o quanto aquele beijo tinha sido importante. Podia sentir todo o carinho que ele tinha por ela e não pode deixar de pensar que sentia algo tão grande quanto...

Fungou confusa.

Mas todo aquele sentimento não fazia com que não sentisse algo por Damian. Ainda o amava, sabia que sim. Ainda pensava nos sorrisos e gargalhadas dele... ainda sonhava com o marido antes daquela doença, quando tinham passado tantos anos bons. Não conseguia deixar de pensar no alívio que sentia cada vez que ele melhorava... céus, ainda pensava em quando ele sorria e sussurrava só pra ela... “eu te amo, Estrelinha...”

Mesmo que agora ele estivesse diferente, mais distante, mais sombrio... agora entendia. Mas isso trazia decepção e mágoa também... mesmo que não o suficiente para que lhe desse uma certeza.

—Não sei o que fazer... – sussurrou pra si mesma – Alguma vez você pensou em deixar Astoria, depois que Scorpius nasceu? Pra vir atrás de mim?

Mas Draco ainda dormia profundamente. Engoliu em seco se virando novamente para ele. Será que ele tinha contado sobre Draconis pra ela? Será que ela sabia? Se aproximou mais de Draco o acariciando no rosto. Ele suspirou e sorriu durante o sono.

—Lena...

Retirou a mão no mesmo momento. Se levantou da cama, sem saber o que fazer. Tirou o casaco que ele tinha lhe emprestado e entrou no banheiro. Se despiu e resolveu tomar um banho. Deixou que a água quente caísse sob seus cabelos. Não queria um banho de banheira, o chuveiro era mais rápido. Podia sentir o cheiro do perfume de Draco em seu corpo e era algo constrangedor, apesar de gostoso... o cheiro dele tinha passado a lhe transmitir uma sensação de tranquilidade e segurança, provavelmente por ele estar sempre presente.

Então se lembrou que Damian a tinha proibido de vê-lo... como ele podia ser tão mesquinho?

Mas ao mesmo tempo não pode deixar de entender... tocou os próprios lábios se lembrando daquele beijo. Daquele beijo que não deveria ter acontecido... não deveria. Tocou a testa na parede gelada, sentindo a água cair em suas costas. Se abraçou sentindo-se terrível. Não deveria ter deixado aquilo acontecer e muito menos ter gostado...

Fechou os olhos com força e imaginou novamente, aquele beijo desesperado, cheio de saudade e desespero. Cheio de paixão, amor, saudade, culpa, confusão... lembrou de todos os abraços de Draco e de todas as vezes que ele dissera “vou estar sempre aqui”... e ele sempre esteve... no fim das contas era sempre ele.

Sempre que tinha um problema, era pra ele que corria. Sempre que se sentia triste, preocupada, feliz, sozinha... Damian era seu marido, mas era pra Draco que corria na hora de dividir suas dúvidas, seus medos, suas alegrias, seus planos... dizia pra si mesma que era por Damian estar doente, então não podia deixar que ele lidasse com tudo... mas seria isso mesmo?

Levantou o rosto e olhou para sua aliança novamente. Soltou um muxoxo e deixou a água cair sobre seus cabelos novamente. Passou as mãos pelos fios dourados e mais uma vez pensou em Draco. Se lembrou de se deitar com ele numa cama e ele falar que saberia tocá-la com controle e sem machucá-la. Lembrou dele dizer que com Damian não seria bom. Que ele viria para cima como um mendigo num prato de comida. Que ele a iria esfolar por dentro e machucá-la. Ela iria querer que ele fosse carinhoso, mas ele simplesmente não conseguiria fazer assim... e como ela estava apaixonada, acabaria relevando a dor, por ele...

Ele falava sobre sexo, claro... mas não podia deixar de pensar que aquela estava sendo a representação de seu casamento... mas ela devia isso a ele, não devia? Tinham se casado. Ela tinha prometido ficar com ele até que a morte os separasse.

Ele morreu... pensou. E voltou muito diferente pra mim... de um jeito que eu nem o reconheço... me pergunto qual deles é o Damian verdadeiro...

Respirou fundo e escutou a porta se abrir. Se virou, escondendo os seios e Draco a olhou corado.

—Desculpe... eu realmente preciso ir ao banheiro e não vai dar tempo de chegar em outro... – murmurou ele. Se esticou para pegar uma toalha e se enrolou – Desculpe. Desculpe. – murmurou ele extremamente vermelho. Era até engraçado ver Draco corado.

—Eu... ok. Eu espero você terminar. – disse ficando de costas para ele. Afinal não tinha terminado seu banho.

—Ok... – escutou Draco andar pelo banheiro e levantar a tampa da privada. Depois escutou o som de água e a descarga. Ele lavou as mãos na pia e ela se virou para encará-lo – Lembra quando tomamos banho juntos no banheiro dos monitores?

—Eu não era casada. – respondeu. Draco concordou com um aceno de cabeça.

—É... – murmurou ele – Não era... – ele se ergueu e andou até ela. Segurou a toalha, sem saber o que pensar, ali, olhando os olhos azul acinzentados dele. Viu o amigo engolir em seco e a olhar da cabeça aos pés, mordiscando o próprio lábio, provavelmente morrendo de vontade de fazer exatamente o que ela estava morrendo de vontade de fazer. Se perguntava o que o segurava. Ele não devia nada a ninguém, afinal de contas – Lena... podemos... podemos esquecer o dia de hoje?

—Eu acho que já esqueci o suficiente com o seu obliviate. – murmurou.

—Então vamos ter mais um segredo, só meu e seu? Por favor? – pediu ele. Alhena respirou fundo e negou com a cabeça.

—Não dá, Draco. Eu... eu sou uma mulher casada.

Draco suspirou e concordou com um aceno de cabeça. Então ele deu um passo em sua direção. Sentiu o coração bater ainda mais acelerado. Sentiu aquela sensação irritante entre as coxas, desejando ser preenchida e saciada.

—Posso...

—Não, Draco... – disse de maneira quase gemida, desesperada. Sua parte sensata querendo por tudo sair dali, mas todo o resto de si mesma queria se jogar em cima dele.

—Só te olhar?

—Olhar? – perguntou curiosa. Ele tocou sua mão e a empurrou de leve. Ela entendeu que ele queria despir a toalha – Por que?

—Pra ter algo pra pensar mais tarde?

—Oh, Draco! Você fala cada besteira!

—Sempre honesto com você, Lena... sempre dolorosamente honesto. Eu nunca te iludi. Eu sempre fui honesto com você.

—Mas mentiu pra mim. Durante todos esses anos!

—Eu sei e eu sinto muito... mas eu fiz pelo Draconis. – murmurou ele – Eu não queria que ele crescesse como um bastardo. Nós dois sabemos o quanto o Damian pode ser um babaca quando ele quer...

Respirou fundo e desviou dele, voltando para o quarto. Escutou Draco fechar o registro do chuveiro e voltar para o quarto também. Ficou parada, de costas para ele, quando sentiu as mãos dele em seus ombros. Ele a abraçou por trás e a beijou no rosto.

—Draco...

—Eu espero, Lena... eu posso ser paciente... eu espero você se decidir... mas por favor... me escolha dessa vez... – murmurou ele – Me dê uma chance... só uma... e eu juro que eu nunca irei te magoar. – ele apertou o abraço e ela se sentiu mais uma vez tentada a beijá-lo.

Mas se o beijasse, não sabia se seria capaz de parar...

Então se desvencilhou dos braços dele e foi catar as próprias roupas. Quando voltou para o quarto, ele não estava mais lá. Se vestiu novamente e saiu do quarto. Era hora de ir embora. Estava perigoso demais ficar ali. Estava confuso demais ficar ali...

Mas assim que saiu do quarto, viu que Draco a estava esperando na porta.

—Eu já vou. Eu fiquei demais aqui. – murmurou.

—Eu entendo. – murmurou ele sorrindo – A gente se vê, certo?

—Certo.

—Você me promete?

—Prometo. – respondeu. Draco sorriu feliz para ela e segurou sua mão, para a beijar de maneira galante.

—Não quebre essa promessa, ok? Nós seremos amigos, independentemente do que você decidir, ok? Eu sou maduro o suficiente pra lidar com uma rejeição, caso seja sua escolha... não se afaste de mim.

—Nunca, Draco. – respondeu. Ele sorriu e se curvou para beijá-la na testa. Respirou fundo e olhou nos olhos dele. Ele sorriu para ela e suspirou. Ficaram se encarando, ambos desejando algo a mais. Podia ver nos olhos dele o quanto ele desejava algo a mais.

Ficou na ponta dos pés e ele colocou o braço ao redor de sua cintura. Ainda não tinha certeza do que fazer, mas Draco decidiu. Ele respirou fundo e se afastou um passo.

—Melhor não, ou não vou conseguir parar. – murmurou ele – Eu estou louco por você... se eu te beijar eu vou perder o controle da coisa e você ainda está muito confusa. Não quero que tome uma decisão sem pensar direito antes, ok?

Sorriu grata pra ele e concordou o abraçando de maneira carinhosa. Ele entendia, afinal... ele sempre entendia...

—Obrigada.

—Não há de que.

Se soltou dele e então se virou. Desceu as escadas e se virou novamente para encará-lo. Ele estava de pé e sorria pra ela. Draco piscou e lhe mandou um beijo e ela sorriu revirando os olhos, sentindo as bochechas corarem. Céus, estava parecendo uma garotinha adolescente.

Saiu da Mansão e foi até o portão. Depois pegou a varinha e finalmente aparatou pra casa. Encostou-se na parede, com o coração batendo à mil.

—Que loucura... – sorriu feito boba e sacudiu a cabeça.

Tinha aparatado para a cozinha, então saiu, para ir para o próprio quarto. Foi quando viu Draconis, Rose e Loto dormindo no chão. Draconis no meio, com os outros dois abraçados a ele. Franziu a testa sem saber exatamente o que pensar daquilo. Se aproximou do trio e notou que estavam todos vestidos e isso a acalmou um pouco. Podia sentir o cheiro de vodka congelada desprendendo deles. Eles deviam ter bebido todas. Sorriu deles e conjurou um cobertor para cobrir os três. Depois deu meia volta e foi para o corredor.

A porta de do quarto de Draconis estava aberta, então pode ver que tinha gente ali. Piscou surpresa e abriu a porta de vez, reconhecendo o sobrinho Navi, dormindo com uma garota que ela se lembrava vagamente. Os dois estavam definitivamente nus, pois as roupas deles estavam espalhadas pelo quarto. Sorriu do sobrinho e fechou a porta, se perguntando se a mãe da garota sabia o que ela andava fazendo...

Foi para o próprio quarto e terminou o banho que tinha começado na Mansão Malfoy. Depois botou uma roupa apropriada e se deitou na cama. Era hora de pensar o que queria fazer de verdade... uma decisão definitiva...

E é claro... queria escutar o lado de Damian na história, apesar de não saber se poderia acreditar nas palavras dele... e isso machucava demais...

Confiança era tudo num relacionamento e a dela estava completamente abalada...

Notas finais
E aí? Como tudo vai ficar? Estão com raiva do Draco, raiva da Alhena? Raiva de mim? Ou felizes? O que a Lena vai fazeR? ashuahsau Beijos! Comentem!!