Legado Lestrange II - Legacy
34 My Little Bitch
Notas iniciais

Capítulo 34
Defendeu mais uma goles e a jogou de volta para Rowle, que a arremessou novamente. Defendeu novamente e a jogou para Yaxley, que arremessou mais uma vez para que ele defendesse.
—Boa, galera. Já deu. – riu Selwyn, que era um dos batedores, junto com Nott – Vocês estão em ótima forma. Nosso time está excelente. É só quebrarmos Potter, e Scorpius pegar o pomo que a Grifinória vai ruir.
Draconis viu os garotos rirem uns para os outros. Já estava anoitecendo e suas costas doíam demais. Olhou para a arquibancada e viu que Carmen estava lá. Ela acenou feliz e ele acenou preguiçosamente, de volta. Desceu para o chão e Yaxley pousou ao seu lado.
—Hoje a noite, no banheiro dos monitores. – disse ele. Draconis fez uma careta, mas concordou. Nunca mais tinha apanhado. Ninguém mais tinha lhe encostado um dedo, como Yaxley prometeu que seria. Nem mesmo Yaxley tinha encostado nele. Ainda estava se recuperando da briga com Navi – Te vejo lá. Vá bem bonitinho. – riu ele com desdém.
Se arrepiou inteiro, completamente desgostoso. Mas ignorando isso, foi andando até as arquibancadas, para falar com Carmen. Subiu na vassoura e foi até ela.
—Ei, gata. – disse pra ela. Carmen sorriu se levantando e ele desceu da vassoura, a puxando pela cintura, para beijá-la.
—Nossa. Você é tão bom. – riu ela. Sorriu convencido e concordou.
—Quer voar comigo? – perguntou ele.
—Não. Eu tenho medo de voar. – disse ela sorrindo sem jeito.
—Eu te seguro. Vamos. – insistiu. Carmen soltou um suspiro e ele lhe entregou a vassoura. A garota a colocou entre as pernas e flutuou de leve – Isso. – riu ele montando atrás dela – Agora guia.
—Mas eu não sei... – murmurou ela.
—Feche os olhos. – riu ele. Carmen obedeceu e ele chutou o chão para ganhar altitude. Ela gritou de medo e ele riu no pescoço dela. A abraçou na altura da barriga e segurou a vassoura do melhor jeito que conseguiu.
Voaram ao redor do campo por um tempo e então ele foi até os aros. Seus aros. Pulou da vassoura, ficando em pé em cima deles. Estendeu a mão para Carmen, que pulou para junto dele. A ajudou a sentar e colocou a vassoura em cima de seus joelhos.
—Nossa... é tão alto... – murmurou ela.
—Não tão alto. – riu ele – Por mim, podiam tocar os céus. – murmurou olhando para o horizonte. Carmen sorriu para ele e o beijou no rosto.
—Sabe... eu estava pensando... – murmurou ela.
—Hum?
—Já tirou a virgindade de alguém?
—Já. – respondeu a olhando com interesse.
—De quem?
—Eu não delato as minhas garotas. – riu para ela, fazendo-a rir.
—Justo... mas... mas ela gostou?
—Passamos a noite toda fazendo sexo. Então acho que sim... sem falar que ela quis fazer de novo, depois. – disse calmamente.
Ela soltou um suspiro.
—Então... o que acha, no próximo passeio a Hogsmeade, em dezembro... poderíamos... sabe... tentar... – murmurou ela, parecendo sem jeito. Ele concordou, sorrindo e ficou de pé no aro, para pular em seguida. Carmen gritou de susto, mas ele colocou a vassoura entre as pernas e voltou a montar, gargalhando – Seu louco! – ralhou ela.
*
—Ei. Vamos beber algo hoje? – perguntou Scorpius. Navi não respondeu. Ele quase não falava mais. Só ficava emburrado, concordando ou discordando com acenos de cabeça. No caso, ele negou – Cacete. Até quando vão ficar assim? – ralhou zangado.
—Quando eu brigava com o James, mamãe ameaçava amarrar a gente abraçado de joelhos no milho. Minha avó fazia isso com ela e com os irmãos dela...
—Não precisamos dos conselhos Weasley pra criar filhos, Albus. – ralhou Scorpius.
—Eu discordo. Nenhum Weasley foi preso ou foi comensal de morte. – devolveu Albus. Scorpius só revirou os olhos.
—Sério. Vamos tomar todas hoje? Pelo amor de Merlin. Vocês dois estão nesse clima horroroso e...
—Scorp... – murmurou Navi, se sentando – O que fizeram, exatamente, com o Draconis, no treino que eu não fui?
—Cara. Não vou te falar. Vocês estão brigados e foi meio pesado. – disse Scorpius.
—Draconis falou que foi estuprado. Eu quero saber quem foi. – disse Navi, fechando a cara – Eu vou matar o desgraçado.
Scorpius abriu a boca, em choque e olhou para Albus, que estava boquiaberto também.
—Drac foi o que? – perguntou Albus, em choque.
—Pois é. – murmurou Navi indo pro chão – É por isso que ele está tão... tão chateado... foi culpa minha. – explicou Navi parecendo ficar triste.
—Não foi culpa sua! Foi Nott! Tenho certeza que foi Nott! – disse Scorpius horrorizado – Eu não acredito que ele não contou pra mais ninguém!
—Por que acha que a culpa foi sua? – perguntou Albus.
—Eu esqueci de avisar que não voltaria pro dormitório... eu deixei ele sozinho aqui... – murmurou Navi – Eu já tinha garantido que nunca deixaria o Drac sozinho e...
—Ele não estava sozinho no vestiário, Navi. E eu não pude fazer nada. – murmurou se sentindo um bosta – Na verdade, foi Draconis quem me protegeu. Nós temos que falar com os nossos pais... ou com a diretora.
—Draconis nunca mais perdoa a gente. – murmurou Navi – E não sabemos com certeza quem foi...
—Então vamos descobrir quem foi. – rosnou Scorpius – Não acredito que fizeram isso com ele...
—Não é pra menos que ele tá todo recluso, não é? Deve estar traumatizado... – murmurou Albus – Ele nunca mais dormiu aqui também... ele deve ter se mudado pra Casa da Árvore... ele está se escondendo e não é do Navi... mas dos outros garotos.
—Por que acha que foi Nott? Ele sugeriu que faria isso? – perguntou Navi.
Scorpius passou a mão nos cabelos olhando para a porta. Depois se levantou e a fechou, usando um feitiço para deixar o quarto a prova de som.
—Nott fez o Drac... chupar ele... ou ele iria me enrabar. – disse desconfortável. Navi ficou absolutamente lívido. Albus ficou chocado.
—Eu... eu... eu... – Navi se levantou e pegou a varinha.
—Navi, não vai fazer algo que vai prejudicar ainda mais o Draconis. – disse Scorpius. Mas Navi pareceu não escutar. Ele subiu os degraus, dois de cada vez, com Scorpius e Albus atrás dele – Navi. Não faça nada. Se eles souberem que eu contei...
Mas Navi chutou a porta do dormitório do sétimo ano e entrou. Só Rowle e Nott estavam lá. Eles olharam surpresos e Navi apontou a varinha.
—Crucius. – rosnou. Scorpius abriu a boca em choque e Nott gritou de desespero. Pulou em cima de Navi, desesperado. Rowle pegou a varinha, mas Albus o desarmou. Sentiu Navi o jogar no chão e voltar a apontar a varinha para Nott – Cru...
—Não! – disse ficando entre os dois – Quer ser preso, idiota? – perguntou furioso.
Navi bufou e largou a varinha, jogando-a no chão. Em seguida pulou em cima de Nott e o socou no rosto. Nott ainda estava meio zonzo e demorou pra reagir. Mas Navi estava furioso. Ele levou um soco no rosto e nem pareceu sentir. Apenas continuou socando Nott, de novo e de novo.
—Isso – disse ele dando um soco a cada palavra – É... pelo... Draconis... seu... filho... da... puta!
—Navi... espera.
—Se eu souber que você encostou nele, eu mando meu pai atrás de você. E meu avô e minha família inteira. Você tá entendendo, seu bosta? – perguntou furioso – E eu vou matar você. Eu vou te esfolar vivo. Eu vou fazer você engolir cada um dos seus dedos. Eu vou cortar o seu pau e dar pro meu cachorro comer na sua frente. E ele vai lamber suas feridas depois. Você está me escutando seu grande pedaço de bosta?
Mas Nott estava desmaiado. Ele não estava escutando. Mas Navi simplesmente não estava satisfeito. Então ele socou Nott de novo e de novo, até que os dentes dele caíssem. O garoto pegou os dentes e os colocou no bolso. Depois foi até Rowle, que estava com as mãos para o alto desde que Albus o desarmou.
—Você vai ter tempo pra se arrepender, Lestrange.
Mas Navi ainda estava possesso. Ele pegou Rowle pela gola e o levantou.
—Ninguém... NINGUÉM mexe com meus amigos. Você entendeu? Se tocarem num fio de cabelo dele, eu vou matar todos vocês. Eu não me importo de passar o resto da vida numa cela. Vai ter valido a pena matar todos vocês. Se você ou seus amiguinhos, qualquer um, encostar um dedo que seja no Draconis, ou no Scorpius ou em qualquer amigo meu... eu vou matar todo mundo. – Navi jogou o garoto no chão, com força, mas ele não caiu. Apenas o olhou levemente intimidado. Navi andou de costas até a própria varinha e apontou para um canto da parede – Engorgio. – disse, fazendo uma pequena aranha, que ele nem tinha notado antes, ficar enorme, do tamanho de um prato – Avada Kedavra! – rosnou Navi e Scorpius abriu a boca em choque, quando a aranha rolou morta. – Olhe bem pra ela e pense duas vezes antes de tocar nos meus amigos. Meu avô me ensinou muita magia das trevas, seu babaca.
E então Navi deu as costas para eles e saiu do quarto.
Scorpius e Albus se entreolharam e saíram de fininho, completamente assustados com o que tinham testemunhado.
**
Draconis foi até o banheiro dos monitores e soltou um suspiro.
—Bolo de limão... – murmurou preguiçosamente. O banheiro se abriu e ele entrou.
—Tranque a porta. – disse a última voz que queria ouvir. Trancou e se virou. Yaxley estava na banheira, aparentemente nu, com uma garrafa de vinho e duas taças numa mesinha ao lado da banheira. E ele tinha um sorrisinho cheio de segundas intenções – Olá, putinha.
—Vai se foder. – rosnou zangado.
—É o que pretendo. – riu Yaxley – Tire a roupa, Drac. A água está ótima. – soltou um muxoxo e bufou de raiva, tirando os sapatos, de cara fechada. Estava para tirar a parte de cima do uniforme quando Yaxley fez um som com os lábios, como se o censurasse. O olhou irritado, querendo saber o que poderia ter feito de errado no ato de tirar a capa – Não fique assim. Quero que tire lentamente, virado pra mim. Eu quero ver o seu corpinho. – riu Yaxley.
—Você é doente. – rosnou zangado. Mas Yaxley não pareceu se importar. Soltou outro muxoxo e tirou a capa, a camisa e a calça, olhando com desgosto para Yaxley, que apenas sorria travesso, bebendo a taça de vinho dele – É pra ficar pelado?
—Claro que é pra ficar pelado, meu caro amigo batata. Que pergunta. – riu Yaxley e Draconis sentiu o rosto ferver de vergonha. Esse tipo de coisa só acontece comigo. Francamente... Terminou de tirar a roupa e olhou para Yaxley, que revirou os olhos, apesar de ainda sorrir. – Eu realmente preciso falar que você tem que entrar e ficar aqui do meu lado?
—Eu tinha esperanças de que poderia ficar aqui. – resmungou.
—Por que está tão zangado, Draconis? Porque gostou? – perguntou Yaxley, tranquilamente. Bem... em parte era... mas não iria falar aquilo. Entrou na banheira, sentindo o vapor e os aromas ajudarem seus músculos cansados pelo treino de quadribol relaxarem – Muito bem. Fique aqui do meu lado, sim? – perguntou ele. Draconis bufou e concordou. Yaxley passou o braço ao redor de seu ombro e ele achou aquilo no mínimo desconfortável – Precisamos ter uma conversa civilizada, meu caro amigo gay. – riu ele.
—Não sou gay. – resmungou.
—É claro que é gay.
—Eu gosto de garotas.
—Ah, eu também gosto. – riu Yaxley – Mas garotos são mais interessantes.
—Eu gosto mais de garotas. – disse sem encará-lo. Yaxley deu uma risadinha e lhe ofereceu uma taça de vinho – Você vai me comer? Por isso que está me dando isso? – perguntou com receio.
—Eu estou te dando isso por que quero ter uma conversa agradável com a minha puta. – riu Yaxley e Draconis fez uma careta.
—Eu não sou a sua puta.
—É exatamente isso o que você é... Draconis. Pensei que já tínhamos superado a etapa da negação. Você é minha puta. – riu ele. Sentiu os dentes de Yaxley mordiscarem sua orelha de leve – Você é meu. – sentiu cada pelinho de sua nuca se arrepiar e não olhou para o garoto.
—O que quer conversar, Yaxley?
—Primeiro. Você vai me chamar de papai.
—Ah, tá... – disse rindo com escárnio – Nos seus sonhos que eu vou.
—Ok. Me chame de mestre, então. – riu Yaxley. Draconis o olhou com desdém.
—Pare. Só pare. Vou te chamar de Yaxley.
—Se me desobedecer, será punido. – riu Yaxley sem parecer ter escutado o que ele tinha dito – Eu vou te ensinar a sobreviver bem nessa escola. – adicionou ele – Afinal, eu não vou estar sempre aqui pra te proteger. – ele o olhou com um sorrisinho e levantou a própria taça, querendo brindar. Draconis soltou um muxoxo, mas brindou com ele, antes de dar um gole. O vinho era muito gostoso e forte, com um delicioso gosto amadeirado – Bom, não é? – perguntou Yaxley, casualmente.
—É. – disse simplesmente.
—Muito bem. Aqui está. – riu ele lhe entregando uma pulseira prateada. Parecia, na verdade, um elástico de prender os cabelos. Só que prateado e brilhante – Ponha no pulso. Sempre que vier me ver deve usar isso. É a sua coleira, minha querida putinha. – abriu a boca para reclamar, mas Yaxley o olhou com divertimento e ele entendeu que não adiantaria falar coisa alguma. Apenas bufou e colocou a maldita pulseirinha – Muito bem. Essa pulseira tem um feitiço muito interessante. Ela não nos deixa mentir. Então seremos sempre honestos um com o outro.
—O que? – perguntou incrédulo.
—Sim. Eu também estou usando a minha, olhe. – riu ele mostrando o pulso – Assim seremos sempre verdadeiros. O que é indispensável num relacionamento.
—Nós não estamos em um relacionamento! – disse quase em pânico. Yaxley deu uma risadinha debochada e suspirou dando um bom gole no vinho, antes de perguntar.
—Vamos lá, primeira pergunta. Você gosta da Carmen? Tipo, está apaixonado por ela?
—Não. – respondeu de uma vez. Soltou um muxoxo e olhou indignado para Yaxley, que sorriu.
—Deveria terminar com ela, então. Ela está te prejudicando.
—Ela é uma das garotas mais populares da escola! – retrucou.
—Sim, tanto é que te protegeu dos homofóbicos da Grifinória e da Corvinal. – riu Yaxley – Eles não se importam com sangue, apesar de quererem decidir o que você faz com a sua bunda. – ele deu mais um gole – Mas para os Sonserinos... ainda mais num ano onde a maioria é do diretório, de famílias que apoiaram o Lorde das Trevas no passado... para eles Carmen continua sendo tão errada quanto... quanto Vince, entende? – perguntou Yaxley – Você precisa de uma namorada puro sangue, mesmo que seja apenas para manter as aparências... ooou, você pode falar que concordou em fazer um tratamento de choque, comigo, para se tratar, entende? E se curar dessa “aberração que é desejar pirocas”. – disse ele movendo os dedos, fazendo o sinal de aspas.
—Essa foi a coisa mais idiota que eu já ouvi em toda a minha vida. – disse olhando para Yaxley, relativamente ofendido.
—Drac. Eu descobri que gostava de garotos com onze anos. Onze. – riu ele – E nunca apanhei apesar disso. – ele deu um gole na taça – Eu sei que você acha que tem o direito de correr porpurinado, gritando que ama pirocas...
—Eu não...
—... mas a realidade é que o mundo é cruel e se fizer isso, vai apanhar. Como apanhou naquele dia com Vince... e como apanhou aquele dia no vestiário e aquele outro dia no banheiro.
—Você estava presente todas as vezes. – rosnou semicerrando os olhos.
—Claro que sim. Se não pode vencê-los, junte-se a eles, certo?
—Claro que não.
—Desculpe, mas cá entre nós dois, eu nunca fiquei de joelhos pra receber gozo na cara sem que quisesse... já você... esqueceu do bucaque? – Draconis baixou o olhar, sem querer se lembrar daquilo – Espero que não se esqueça de quem usou o feitiço pra limpar vocês depois, quando o pessoal foi embora... euzinho aqui. – Yaxley deu uma risadinha e deixou a taça vazia em cima da mesinha. Depois veio engatinhando até ficar na sua frente – Você entendeu? O colégio, Draconis, é uma pirâmide. Alguns não se importam de ficar nos níveis mais baixos ou medianos. Mas pessoas como nós precisam ficar lá em cima, ou então nos machucamos... – Yaxley o tocou onde a cicatriz que Navi lhe deixara estava. Engoliu em seco mirando Yaxley – E eu quero te ajudar e ficar no topo, Draconis. E um dia você vai ensinar outro garoto preso no armário a fazer o mesmo e assim por diante.
—Quem te ensinou a ser um cretino?
—Eu precisei aprender sozinho. – riu Yaxley se aproximando. Respirou fundo e o garoto se sentou no seu colo. Seu pênis começou a pulsar, endurecendo e ficou realmente furioso por isso. Fica quieto ai, caralho...— Então. O que vai ser? Vai passar pelo falso tratamento de choque? Eu te garanto que na altura do natal vai poder começar a andar com a gente, como um igual e nenhum deles nunca mais vai tocar em você. – riu Yaxley.
—Não quero andar com vocês. – disse simplesmente.
—É melhor do que ficar sozinho. – disse Yaxley – Você e Lestrange não fizeram as pazes, não é? – perguntou ele.
—E nem vamos fazer. – rosnou magoado. Yaxley deu uma risadinha.
—Entendi. Então... então vai mesmo passar pelo tratamento de choque. Você vai concordar com tudo o que eu disser. Se eu falar que te bati tanto até você desmaiar, você vai concordar. Se eu falar que enfiei um abacaxi no seu cu, você vai falar que eu fiz mesmo. Por mais bizarro que pareça. E então você vai começar a sair com a gente. Pra comprovar sua masculinidade. E logo você vai ser um cretino, o que vai te manter a salvo.
—Eu não quero ser um cretino.
—Você quer, Draconis. Você acha que tudo vai acabar no colégio? Que tudo serão flores quando sair daqui? Não. Não vai ser assim. É ainda pior lá fora. Lá fora não tem professores ou diretores para intimidarem comportamentos agressivos. E sinceramente, o Ministério está cagando se tem gente morrendo por ser gay. Uma coisa é se for nascida trouxa. Nascido trouxa não pode morrer por ser nascido trouxa, ou o mundo pira. Agora, um gay... eles estão se fodendo pra gente como nós. É por isso que precisamos proteger uns aos outros. E o primeiro passo é negando que somos gays. É fingir que somos exatamente como as outras pessoas.
—Isso não é certo.
—Isso é injusto. Certamente é. – riu Yaxley – Mas vamos deixar a guerra por igualdade praqueles que ficam felizes em apanhar e morrer por uma causa. Os Grifinória e os Lufanos. Nós somos Sonserinos, Draconis. Nós não queremos dar a cara a tapa. Ou você quer?
Draconis soltou um suspiro e balançou a cabeça.
—Não... eu só quero ter uma vida de boa...
—Então. Eu posso te ajudar com isso. Para todos os efeitos você vai ser um cachorrão, Don Juan. Mas entre quatro paredes você vai ser o que você quiser ser... além da minha putinha, é claro. – riu Yaxley – E não se preocupe. Quando eu me formar, você não vai ser mais minha putinha. Será um elfo livre. – e Yaxley caiu na gargalhada, achando graça da própria piada. Depois de uns segundos ele o olhou travesso e passeou o polegar por seus lábios – Então termine com a Casañas. O mais rápido possível. Não precisa ser grosso com ela, se não quiser. Apenas diga que não gosta dela o suficiente, ou que não quer se sentir preso, ou a chame de sangue ruim. Sei lá. Não me importo. Eu preciso de você solteiro, para que a gente comece a etapa “tratamento de choque” o mais breve possível.
—E o que vai ser esse tratamento? – perguntou levemente assustado.
—Ah! Nós vamos nos divertir muito. – riu Yaxley. E então ele o puxou pela nuca e o beijou. Fechou os olhos e o beijou de volta, porque era o que o garoto queria. Sentiu a mão dele tocar seu pênis para massageá-lo de maneira gostosa e acabou soltando um gemidinho na boca dele – Hoje eu vou ser o ativo. – disse Yaxley. Draconis piscou, com medo de como seria e virou o rosto, completamente tenso. Mas Yaxley apenas riu – Não se preocupe, putinha. Eu só vou meter quando você me pedir “por favor”.
—Não vai me comer então. – disse franzindo a testa. Yaxley o encarou como se topasse o desafio.
***
Voltou para o dormitório sentindo-se muito sujo.
—Não acredito que eu pedi... – Rosnou zangado – Como caralhos ele fez isso?!
O que raios estava acontecendo? Era do tipo que gostava de ser subjugado? Ser a puta de alguém? Chutou o pé da cama, furioso consigo mesmo e foi até o malão pegar uma muda de roupa. A cortina da cama de Navi se abriu e seu primo pulou para o chão.
—Onde você estava? Está tudo bem? Alguém mexeu com você? – perguntou ele o olhando com preocupação. O olhou friamente e não respondeu. Apenas pegou o pijama e começou a tirar a roupa suada do treino de quadribol. Já estava limpo, então não foi tomar outro banho. Apenas se vestiu rapidamente e foi para a própria cama. Ainda precisava terminar a tarefa de feitiços, então pegou sua pena, o tinteiro e o pergaminho. Navi abriu a cortina e se sentou ao seu lado, parecendo muito sem jeito – Ei...
—Por favor, me deixe sozinho, Lestrange.
Navi negou com a cabeça e ficou sentado em silêncio ao seu lado. O ignorou e começou a fazer a tarefa de feitiços. Mas Navi ficou lá durante longos minutos. Quase meia hora. Sem falar uma palavra que fosse. Terminou a de feitiços e pegou mais pergaminho, para estudar transfiguração. Estava muito difícil naquele ano e estava tendo muita dificuldade. Estava com medo de não conseguir seu N.I.E.M no próximo ano. Principalmente porque não queria pedir ajuda pra Navi.
—Ei... lembra... lembra daquele dia em que a gente se escondeu no escritório do tio Draco? – perguntou Navi, baixinho – Quando estávamos brincando de esconder e acabamos ouvindo meu pai acusar o tio Draco de ser o seu pai? – ele o olhou e Draconis notou que o olhar dele estava muito triste. Soltou um muxoxo e voltou seus olhos para o pergaminho – Eu... eu fui tirar onda com Scorpius depois. Falar que ele não era o herdeiro dos Malfoy. Que era você. Eu achei que ele fosse ficar zangado ou assustado. Com medo ou ciúmes... eu era um pequeno babaquinha já... – ele deu uma risadinha e fungou de leve. Draconis piscou surpreso e olhou para Navi que estava com os olhos cheios de água – Mas... mas Scorpius achou o máximo... ficou feliz de você ser o irmão dele. Ele começou a falar todas as coisas legais que vocês poderiam jazer, já que eram irmãos e... e eu... eu fiquei com medo, sabe? De perder meu melhor amigo. Você era o MEU melhor amigo e eu não queria te perder pro Scorpius, só porque vocês talvez fossem meio irmãos... então... então eu falei que era mentira e que eu tinha inventado... e o Scorpius ficou todo triste por eu ter enganado ele... mas... mas eu simplesmente não suportei a ideia de perder você...
—Sai daqui, Navi. – disse friamente. Não queria pensar no amigo beijando Rose. Não queria pensar que tinha apanhado, sido afogado no vaso, abusado por Yaxley, feito de escravo... enquanto Navi gargalhava e desvirginava sua irmã... por quem ele estava completamente apaixonado, diga-se de passagem... – Por favor. Eu não quero olhar na sua cara.
—Draconis... – murmurou Navi – Eu te amo, cara... você é meu irmão. – disse ele. Olhou para Navi, sentindo um nó na garganta, mas não falou uma palavra que fosse – Você é meu irmão. Algumas vezes eu acho que nossa amizade não é dessa vida. Algumas vezes acho que eu já te conhecia antes mesmo de nascer. Nós já éramos melhores amigos antes... antes, entende? – perguntou ele fungando, com o rosto vermelho – Por favor... me perdoa... só diz que me perdoa, ok?
—Eu não vou te perdoar, Navi. Você tem que aprender que suas ações têm consequências. Você acha que pode fazer o que quiser, simplesmente porque não dá a mínima pra porra nenhuma. Você desrespeita os professores, seus parentes e todos ao seu redor, simplesmente porque você não tá nem aí. Mas dessa vez você feriu alguém de verdade. Você me azarou pelas costas, velho... você podia ter me matado... – disse magoado – Eu queria ter morrido, na verdade. – resmungou, falando aquilo em voz alta pela primeira vez – Eu não teria que suportar mais essa merda de vida.
—Drac... – sussurrou Navi – Eu sei o que Nott fez você fazer. – disse o garoto e Draconis sentiu as pontas dos dedos ficarem dormentes. Um calafrio subiu por sua espinha e ele engoliu em seco – Eu dei um jeito nele e... e talvez eu seja expulso do colégio.
—O que? – perguntou em choque.
—Eu precisei ir na McGonagall... meus pais vão vir aqui amanhã... eu talvez seja expulso... talvez quebrem a minha varinha. – murmurou ele.
—O que raios você fez? – perguntou chocado.
—Eu fui tirar satisfação com Nott... eu usei cruciatus nele.
—Você o que...? Como você sabe essa magia?! – perguntou ainda mais chocado, mas em seguida pressionou os olhos com os dedos – Vovô, né?
—É... – riu Navi, meio sem jeito – Então... talvez meu pai me ponha em outra escola... talvez ele se canse de ter um filho tão... tão idiota e irresponsável e decida que eu tenho que estudar em casa ou... ou talvez eu simplesmente não vá concluir os estudos... – Navi soltou um suspiro – Mas... tudo bem, desde que eles não mexam mais com você. – riu Navi – Eu não ligo se você não quer mais ser... – ele suspirou – Mentira, eu ligo. Eu ligo e muito por você não querer ser meu amigo. Mas eu posso tentar conviver com isso... mas ao menos diz que me desculpa por... por ter traído a sua confiança. Por ter te xingado e dito todas aquelas coisas... – Navi soltou um suspiro – Por ter te azarado pelas costas também... e desculpa mesmo por ter transado com a sua irmã... eu sabia que você ia ficar meio grilado, mas nunca imaginei que ficaria tanto assim... só me desculpa, por favor.
Draconis engoliu em seco e ficou em silêncio, digerindo tudo aquilo. Yaxley tinha razão... precisava seguir o plano dele... estava prejudicando os outros...
Soltou um suspiro e saiu da cama.
—Ei... – disse Navi.
—Fica ai. Eu já volto.
—O que vai fazer? – perguntou o primo.
—Eu disse que já volto. – disse zangado. Navi soltou um suspiro e concordou com um aceno de cabeça. Subiu os degraus até o dormitório do sétimo ano. Lá encontrou os garotos mais velhos, que deram risadinhas cheias de escárnio.
—O que veio fazer aqui, Burke? – perguntou Rowle.
—Yaxley. – disse olhando para o garoto, que o olhava com desdém. – Eu... eu quero que me cure. Não quero mais ser um anormal. – disse calmamente, olhando agora para baixo – Você disse que podia me ajudar a ser... como todo mundo. Eu aceito. Eu quero.
Os garotos ficaram em silêncio e olharam para Yaxley, que sorria divertido.
—Claro. Seu tratamento de choque começa amanhã, Burke. Vai dormir. – disse ele animado – Mas primeiro termine com aquela sangue-ruim que você está beijando só pelas aparências.
—Ok. – disse antes de sair do dormitório. Voltou para o salão comunal e pegou o maço de cigarro, para fumar um. Depois fechou os olhos, zangado com tudo. As coisas não podiam piorar. Ou ao menos ele esperava que não.
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