Legado Lestrange II - Legacy
7 Mistakes
Notas iniciais

Capítulo 7
Draco respirou fundo, depois de vomitar muito, mas logo outro jato veio e ele continuou vomitando. Quando terminou, se sentou no chão e tirou os sapatos. Com alguma dificuldade se despiu e então se arrastou para o chuveiro.
Se enfiou dentro do boxe e se esticou o máximo que deu para abrir o registro. A água caiu gelada em cima de sua cabeça e isso o fez gritar, mas logo foi esquentando. Ficou um bom tempo ali embaixo, não podia dizer quanto. Quando finalmente se sentiu capaz de ficar de pé, o fez, desligou o chuveiro e se enrolou de qualquer jeito em uma toalha.
Cambaleou confuso para o quarto, mas ele estava vazio. Franziu a testa, se perguntando onde Astoria estava. Saiu do quarto, andando aos tropeços e procurou pela esposa em outro quarto.
Vazio
Vazio
Vazio
Enfim encontrou um quarto ocupado. Cambaleou para a cama e se enfiou embaixo dos cobertores. Abraçou a esposa, achando-a cheirosa e a acariciou na barriga, querendo que ela acordasse. Pressionou o quadril contra o dela e achou Astoria muito gorducha se comparado ao que estava acostumado.
A mulher se virou e o encarou e os dois gritaram de susto.
—Tá louco, Draco! – gritou Alhena, só de camisola.
—Lena? O que tá fazendo na minha casa? – perguntou confuso, se sentando – Cadê a... a minha esposa? Cadê a Astoria? – perguntou confuso.
—Astoria tá... não está aqui. Ela não mora mais aqui, Draco... você está fedendo a vômito. – resmungou ela com uma careta – Vem, eu vou te lavar direito.
Draco suspirou e concordou, deixando-se levar por Alhena. Ela o guiou até o quarto que era dele e então até a banheira. Ela ligou a água e o fez entrar. Não ficou constrangido na frente dela, afinal eles já tinham se vistos nus, mesmo que fizesse alguns anos.
Ficou observando a banheira encher e logo notou que no lugar de Alhena estava um elfo, o olhando atentamente. Se perguntou se tinha alucinado com ela, mas minutos depois, quando a banheira já estava cheia, ela voltou e desligou a água.
—Beba. – murmurou ela. Não ofereceu resistência a bebeu, notando que era chá de narciso assim que sentiu o gosto de melão. Soltou um suspiro e devolveu a xícara para ela.
—Obrigado. – murmurou.
Ela concordou e começou a passar a mão com a esponja em seu rosto, braços, peito e ombros. Não conseguiu não ficar excitado com o toque dela. Céus, fazia tanto tempo que não transava...
Por isso, quando Alhena já estava para se levantar e enxaguá-lo, a segurou pela nuca a aproximando.
—Draco. Você está bêbado.
—Tudo bem. Eu penso nisso sóbrio também. – murmurou ele.
—Mas eu não. – respondeu ela se desvencilhando.
—Então vamos beber.
—Eu acho que você já bebeu o suficiente. – resmungou ela, pegando um pouco de loção para os cabelos. Draco sorriu gostando do toque dela.
—Então beba um pouco e entre aqui comigo. Vamos fazer uma loucura.
—Pare de besteira, Draco.
—Qual o problema? Nós dois estamos com o coração sangrando por conta de cônjuges ingratos. Vamos nos curar juntos... que nem da outra vez. – Alhena soltou um suspiro e ele mergulhou para tirar a loção dos cabelos. Mas quando tirou a cabeça de dentro da água, se virou para olhar Alhena, que parecia sem jeito – Eu nunca esqueci aquele dia no lago. – disse saindo da banheira. Ela o olhou sem jeito, mas logo desviou o olhar, como se a nudez dele a deixasse constrangida. A puxou de uma vez, para perto de si e ela soltou um gritinho de surpresa – Vai me dizer que nunca mais pensou nisso.
—Eu... – ela respirou fundo – Com licença, Draco. Você já está limpo e eu vou voltar pro meu quarto.
—Não. – disse a empurrando contra a parede – Não antes de me responder se não pensa mais naquela noite. Eu e você, no lago e depois no chão, sob a luz das estrelas. – disse num sussurro. Entrelaçou as mãos com as delas, enquanto ela o olhava parecendo surpresa. – Vamos fazer de novo, Lena. – disse a mordiscando na orelha – Não tem nada que nos impeça...
—Eu disse que não. Me solte, Draco.
—Então você não pensa mais naquilo?
—Foi um lance de uma noite só, Draco. Não vai se repetir!
—Por que não responde de uma vez se ainda pensa naquela noite? – perguntou sorrindo para ela, a olhando nos olhos – Tem medo de admitir e perder o controle? – perguntou a prensando ainda mais. Alhena soltou um suspiro e o empurrou com força, se desvencilhando e saindo do banheiro – COVARDE!
Suspirou e escorregou para o chão, muito bêbado. Mas logo se levantou, pegou a toalha e se enrolou nela. Pegou outra para secar os cabelos e então se jogou na cama, pronto para dormir e se arrepender daquilo no dia seguinte.
*
Era mais do que oficial. Ele só sabia pensar com a cabeça do pau.
—Seu marido vai me matar. – murmurou olhando para o teto. Clover deu uma risadinha e o abraçou debaixo dos lençóis.
—Só se ele descobrir. – sussurrou ela em seu ouvido. Sentiu a mão dela em sua barriga, descendo aos pouquinhos. Acabou sorrindo, afinal estava bêbado, e quando ela o tocou lá embaixo, acabou soltando um sorriso de satisfação.
—Senhora Burton. A senhora é insaciável.
—Sou casada há um ano. Tenho um ano de sexo ruim pra compensar. – respondeu ela subindo em seus quadris – Você é muito melhor na cama que meu marido.
—Por que? – perguntou sorrindo ao sentir-se mais uma vez completamente dentro dela.
—Você tem mais fôlego. Dura muito mais com você. – riu ela – Seu pau é maior também.
—Mesmo? Mesmo com ele sendo daquele tamanho?
—Ele é alto, é verdade, mas... – ela juntou o indicador e o polegar com uma careta e Damian caiu na gargalhada – Sem falar que ele não consegue manter sua velocidade e quando ele goza, acabou o sexo. Eu sempre fico sem gozar. É um saco.
—Que tipo de homem não se importa de fazer a mulher gozar? – perguntou sorrindo – Não é o objetivo?
—Não o dele. Ele quer se satisfazer e pronto. – resmungou ela. Damian fez uma careta e a olhou.
—Ele merece o chifre então. – sorriu.
—O que te fez mudar de ideia? Você parecia tão decidido a não transar comigo de novo...
—Minha mulher me deixou. – respondeu olhando os seios dela. Não eram grandes como os de Alhena, mas eram mais empinados e firmes, por ela nunca ter engravidado.
—Oh... eu sinto muito. Eu não queria isso.
—Estamos transando. Não quero falar da minha ex-mulher, ok? – perguntou fechando a cara.
—Claro. – riu ela voltando a se mexer com mais vigor em cima dele. Damian soltou um gemido e se deixou levar pelo momento. Estava com a cabeça cheia de bebida. Não era difícil se distrair de Alhena e apenas aproveitar o momento.
Ainda estavam no Poison Apple. Tinha fechado negócio para esconder mais uns baús, mas apenas com Burton. O restante não quis se meter. Erro deles.
Mas quando as negociações terminaram, Damian estava voltando para o camarote quando escutou que Burton iria alugar um quarto e dormir ali. E então ele mandou a esposa embora.
Mas estava com a cabeça cheia de bebida. Não resistiu. Simplesmente não. Seguiu Clover, a empurrou contra a parede, reservou um quarto e lá estavam os dois. Dessa vez não tinha Sinos de Baco para levar a culpa, mas usava as palavras de Alhena como escudo. Ele era livre pra se esfregar com quem quisesse... ou qualquer coisa assim.
E no momento ele queria se esfregar com Clover. E no dia seguinte seria com outra mulher. E depois outra. E depois outra. Porque a vida de casado era entediante.
Mas então fechou os olhos e se lembrou dos últimos dias de casado com Alhena... e depois dos dias antes de Póllux e Castor nascerem e se convenceu que aquilo era uma desculpa esfarrapada. E o casamento estava voltando a ser uma aventura também. Mas então ele derrubou a droga dos Sinos de Baco...
Soltou um suspiro, gostando de ouvir o gemido de Clover. Ela era ótima. Mas aquilo era mais do que óbvio que não teria futuro... ou então terminaria com ele numa vala. Burton era um homem perigoso. Muito perigoso.
Abriu a boca num espasmo de prazer, se perguntando no que estava se metendo. Aquela seria a última vez. Era arriscado demais. Estava colocando o próprio pescoço em risco por conta de uma boceta... que na verdade nem era grande coisa assim.
O sexo com Alhena era muito melhor.
—Oh, Damian... isso... isso... isso.
Soltou um suspiro e levantou o quadril para penetrá-la um pouco mais. Ela gemeu ainda mais alto e começou a se mover mais rápido.
Ela me deu carta branca. Não estou traindo a Lena. Não estou...
Quando Clover alcançou o ápice do prazer, a jogou pra baixo de si e começou a ir com velocidade. Só queria terminar logo aquilo. Ela só o estava usando pra compensar a incompetência do marido e ele só a estava usando porque era um completo babaca.
Quando gozou, respirou fundo e se levantou.
—Eu preciso ir. – disse botando a cueca.
—Por que? – perguntou ela.
—Porque sim. – respondeu calmamente – E realmente não vamos fazer isso de novo.
—Vai tentar voltar pra sua esposa? – perguntou ela. Ele estava botando a calça e não se interrompeu ao balançar afirmativamente a cabeça – Não deveria fazer isso bêbado e logo depois de transar comigo, sabe? – perguntou ela começando a se vestir.
—Não sou idiota. Não vou falar com ela agora. – resmungou abotoando a calça e procurando o cinto com os olhos – Eu preciso dormir pra trabalhar amanhã.
—Ah, sim... – riu ela – Mas... se mudar de ideia sobre nossas aventurinhas, me procure.
—Clover... eu realmente não vou fazer de novo. – murmurou deixando o cinto aberto e indo pegar a camisa – Essa foi a despedida.
—Ok, ok... eu aceito isso. – ela soltou um suspiro – Mas valeu a pena. Como valeu... aiai... como é bom gozar, fala sério.
Damian deu uma risadinha e não se preocupou em abotoar a camisa.
—Bem... boa sorte com tudo.
—Você também. – riu Clover o beijando no pescoço – Eu realmente espero que tudo dê certo entre você e sua esposa. Mesmo com ela tendo me dado um soco.
—Alhena te deu um soco? – perguntou ele, chocado.
—Pois é. Ela é bem forte, né? – riu Clover – Boa sorte, Damian... foi muito bom ter esses momentos com você novamente... apesar de tudo.
—Uhum. – sorriu beijando-a nos lábios rapidamente. Clover sorriu de leve e se afastou para se vestir – Falou.
E então aparatou pra casa. Quase perdeu o equilíbrio ao fazer isso, mas conseguiu ficar em pé. Ficou parado, respirando fundo, se perguntando se iria vomitar. Precisava pedir que os elfos fizessem chá de narciso ou morreria de ressaca no dia seguinte.
Estava para ir até a cozinha quando escutou a última voz que poderia desejar.
—Damian? É você? – pensou em desaparatar, mas a bebida desacelerou seus reflexos. As luzes acenderam e ele viu Alhena só de camisola. Os dois se encararam por alguns segundos, mas ela logo cortou contato visual – Desculpe... eu... eu não... tem alguém ai? Eu... eu vou embora. – murmurou ela parecendo muito sem jeito.
—Não... não tem ninguém! – disse ainda muito embriagado – Eu só dei uma saída... sabe? Eu, seu irmão, o Draco e o Blair. A gente bebeu todas. Só isso. Como você está? – perguntou tentando focar no rosto dela. Ela o olhava parecendo triste.
—Eu sei que Draco bebeu todas. Ele chegou completamente louco na Mansão, tentou me agarrar achando que eu era a Astoria... – resmungou ela se abraçando e ele quase se deu ao direito de ficar zangado – Mas quando ele viu que era eu ele... ele sugeriu que a gente transasse assim mesmo e eu meio que fugi de lá...
—Quer dormir aqui? Onde estão as crianças? – perguntou Damian.
—Na Mansão. Draco contratou uma babá pra eles. – respondeu ela – Eu só fugi pro primeiro lugar que eu pensei... acabou sendo aqui, mas... mas eu vou voltar pra Mansão.
—Ei... pode dormir aqui se quiser... temos mais de um quarto. – murmurou ele. Alhena sorriu sem alegria e se aproximou dele. Por um momento achou que ela iria beijá-lo, mas ela tocou seu cinto aberto, a camisa aberta, as marcas de batom em sua barriga e queixo.
—Acho que eu não conseguiria dormir aqui.
—Você me deu autorização... achei que não se importasse...
—Dois dias de luto pelo fim do nosso casamento. – debochou ela – Eu achei que não seria assim tão rápido.
—Olha, Lena. Não vou tentar justificar, ok? – resmungou ele se afastando dela e tropeçando de leve – Se quiser voltar pra casa do Draco, volta. Se quiser ficar aqui... a casa é sua também. Mas não venha me julgar. Foi você quem pediu por isso. Você quem resolveu ir embora e você que falou que eu era livre pra fazer o que eu quisesse. Eu fui num putero com o seu irmão. Foi isso que a gente fez.
—Você e o Rasalas foram onde? – perguntou ela.
—No Poison Apple. – respondeu tirando os sapatos de qualquer jeito – Ideia do Blair... o Draco foi embora primeiro e eu fiquei lá. Mas ninguém ficou pagando de santo. E vocês não foram naquele bar trouxa?
Alhena quase riu.
—Vocês estavam nos seguindo?
—Claro que não. A gente tinha ido pra lá pra fazer farra e vimos vocês. Ai o Draco ficou puto e o Blair queria ir no... – ele soluçou por conta da bebida e se escorou na porta, que fechou, quase o jogando no chão – no Poison... e a gente foi.
Alhena andou até ele o encarou com seriedade.
—Você não transou com uma puta.
Ele a olhou surpresa.
—Como assim?
Ela o fungou no pescoço e ele fez uma careta.
—Porque esse perfume custa mais de cem galeões. Uma puta do Poison não paga por isso. Mas fique tranquilo. Não precisa se justificar... eu te dei autorização, não é?
—É. – resmungou ele.
Ela suspirou e ele ficou sem saber o que fazer, se perguntando se tudo iria mesmo acabar naquele desastre.
—Você acha que a gente ainda daria certo, Damian?
—Eu não sei. Você não confia em mim. – murmurou ele – Sem confiança não temos nada.
—É difícil confiar em você, Damian. Realmente complicado. Se coloca no meu lugar. Espere... você já esteve no meu lugar. E não confiou em mim...
—Escuta, Alhena. Eu estive mesmo. – disse impaciente – Mas você era a minha namoradinha. Agora somos casados. Agora nós temos dois filhos! Você devia no mínimo ter me escutado, me deixado explicar. Mas você só pegou as crianças e foi embora. – Ela estava para abrir a boca, mas ele a cortou – E naquela época eu ia te dar uma chance pra se explicar. Mas você estava só de toalha, na cama... com o Draco. Com quem você passou o resto do ano grudada, diga-se de passagem.
—Bem. Ele não me virou as costas quando eu mais precisei de apoio, sabe? – sibilou ela – E ele não precisou ver de camarote pra acreditar em mim, também.
—Não. Mas precisou trepar com ele pra poder parar com aquela frescura de “não me toque. Não suporto que me toquem”. – devolveu. Alhena o olhou em choque – É isso mesmo. Você se curou do trauma com um chá de piroca. Por que não pede mais um? Quem sabe assim você para com esse drama todo.
—Quer que eu transe com Draco, Damian? É isso que você quer? – perguntou ela num sibilo.
Merlin. Não mesmo.
—Não. É claro que eu não quero. Eu só quero que entenda que eu deixei passar isso sem nunca ter reclamado, mas como acha que eu me senti?
—Eu não sei. Mas no dia que estuprarem você, repetidas vezes, a gente conversa sobre melhores maneiras de se recuperar. O que acha?
—Ótimo. Talvez eu transe com Pansy de novo. Assim vou me sentir ótimo. Foi o que você fez, não é?
—Para, Damian!
—Não paro. Para você! – rosnou ele apontando o dedo pra ela – Que fica fazendo tempestade em copo d’água, enquanto eu tenho que ficar em silêncio sendo o vilão da história.
—O que eu posso fazer se você faz uma merda atrás da outra? – perguntou ela.
—Eu faço merda atrás da outra? – perguntou sorrindo – Desculpa, mas ir atrás do Pierre sozinha, vomitar pra emagrecer, ir atrás do Rasalas quando ele falou mais de uma vez pra você ir embora...
—Cale a boca!
—Confiar em Pansy Parkinson, ficar amiga daquele babaca do Pierre, e pedir teto pro Draco foram realmente excelentes ideias, não é?
Alhena veio até ele e o empurrou com força e ele a empurrou de volta, da mesma maneira, a jogando no chão.
—Cretino. – rosnou ela se levantando e saindo da cozinha.
—Volte aqui! Ou já terminamos de conversar?
—Eu terminei com você. – chorou ela.
Quis gritar um sonoro “Ótimo”, mas não se permitiu. Apenas correu até ela, antes que ela aparatasse e retirou sua varinha.
—Não. – disse simplesmente.
—Damian. Devolve. Eu vou embora.
—Não. – repetiu.
—Não vai me obrigar a ficar aqui. Não depois de tudo que você teve a audácia de dizer pra mim. – rosnou ela tentando alcançar a varinha. Ele levantou a mão o mais alto que conseguiu. Estava até cômico o modo como ela tentava recuperar a varinha.
—Me desculpe. – disse.
—Não! Você jogou Pierre na minha cara mais uma vez! – chorou ela. Ela realmente estava chorando daquela vez.
—Eu sinto a sua falta.
—Cale a boca. Seu canalha. Você não está sentindo coisa alguma! Está curtindo a vida de solteiro, isso sim! – rosnou ela pulando para tentar recuperar a varinha.
—Eu só estava tentando me distrair, Lena. Só isso.
—Vai pro inferno, Damian e devolve a minha varinha.
Ele foi andando de costas até a parede, com Alhena arranhando seus braços na tentativa de recuperar a varinha.
—Não vou devolver. – disse simplesmente.
Alhena então o socou no peito repetidas vezes, chorando de raiva.
—Seu nojento! Cretino! Babaca! Devolve! Eu quero ir embora! Eu quero ir embora! – chorou ela o batendo no peito. Ele deixou que ela extravasasse, sabendo que merecia cada soco que ela lhe dava. Mas nem por isso devolveu a varinha – Me devolve, Damian! Me devolve! Seu escroto! Seu... seu... – ela só o socou mais e mais até cansar e então caiu no choro de vez. Ele então deixou a varinha cair no chão e a abraçou. Alhena o abraçou de volta, aos prantos e ele apenas suspirou – Por que? Por que? Eu não fui uma boa esposa? O que eu fiz pra você fazer isso comigo? O que?
—Você não fez coisa alguma... – sussurrou – A culpa foi minha. Desde o início... culpa minha. – murmurou a abraçando mais forte – Eu te amo, Lena... me perdoe...
Alhena chorou mais um pouco e quando ela se acalmou, ele a fez olhar para ele, segurando-a no queixo. As mãos dela vieram para seu rosto e ele a acariciou nas bochechas, secando suas lágrimas. Os dois se olharam com intensidade nos olhos um do outro e ele a beijou. No início ela não correspondeu, como se não estivesse convencida. Mas logo ela o puxou mais para perto e ele fez o mesmo.
A beijou desesperado, e a levantou pelas coxas. Alhena enlaçou a cintura dele com as pernas e ele quase tropeçou na varinha dela. A deitou no sofá e a beijou completamente aflito, desesperado por ela. Ela o beijou de volta da mesma maneira e ficaram assim durante um tempinho, até que ele não aguentasse mais. Estava para abrir as calças, quando ela virou o rosto e se sentou.
—O que foi? – perguntou confuso.
—Não dá...não dá... – lamentou ela indo até a varinha.
—Por que?
—Você está com o perfume de outra mulher. Você acabou de transar com outra mulher. Merlin, Damian.
—Foi você quem pediu um tempo! – respondeu a olhando.
—Isso não significava que você tinha que comer a primeira que aparecesse! – disse ela – Foi a Clover?
Damian esbugalhou os olhos, em espanto, e desviou o olhar. Alhena bufou zangada e desviou o olhar também.
—Ok... – e então ela desaparatou.
—Merda... – resmungou jogando a cabeça para trás.
**
Rasalas abriu os olhos, sentindo a cabeça latejar. Escutava uma voz conhecida o chamar diversas vezes.
—Vamos... Rasalas. Precisa levantar.
Seu sangue gelou. Era a voz de Pansy. Se sentou de uma vez, chocado, desesperado e a primeira coisa que notou é que estava numa cama de casal, completamente pelado.
Puta que pariu. Puta que pariu! PUTA QUE PARIU!
Olhou para o lado e viu que Pansy estava só de lingerie. Uma lingerie branca, de renda. Os cabelos amarrados num rabo de cavalo, como normalmente ela fazia. Passeou os olhos por ela se perguntando onde estava e como tinha ido parar ali.
—Pansy? – perguntou confuso. Ela riu pra ele parecendo achar graça e abriu o armário para pegar uma blusa social – Estamos na sua casa?
—É. Essa é a minha cama. – riu ela se vestindo – Onde nós passamos boa parte da noite.
—Oh, meu Merlin... – murmurou desesperado.
—Com você vomitando num balde e eu cuidando de você. – riu ela. Rasalas a olhou perplexo.
—Nós não... não transamos?
—Céus, não. – riu ela pegando uma saia de uma gaveta. – Eu lavei suas roupas. Elas estavam sujas de bebida e vômito. Estão ali em cima. Se arruma ai que precisamos ir pro trabalho. Nós dois estamos atrasados. – disse ela saindo do quarto – E você continua muuuuuuuito gostosinho. – adicionou ela já na porta.
Rasalas engoliu em seco e riu sem jeito, a observando sair.
Se levantou e foi até onde ela tinha deixado suas roupas. Tudo limpinho e engomado. Se vestiu com pressa e logo saiu do quarto. Pansy morava num apartamento bem modesto, mas muito limpo e organizado. Quando chegou na cozinha notou que tinha bacon com ovos e um café bem forte esperando por ele. Os dois comeram às pressas, com Pansy extremamente tranquila, como se fizesse isso todos os dias.
—Como eu vim parar aqui? – perguntou muito confuso. Não se lembrava de nada depois de saírem daquele bar trouxa. Tinha mesmo ido ao Poison Apple?
—Eu te trouxe pra cá porque você estava uivando na casa dos meus pais atrás de mim. – respondeu ela com um sorriso divertido. Rasalas corou e escondeu o rosto nas mãos – Eu recebi um patrono seu, ontem a noite. Foi meio que hilário. – adicionou ela – Então eu resolvi te procurar e te encontrei na casa dos meus pais.
—O que eu disse no patrono? – perguntou querendo sumir de vergonha.
—Bem... você aparentemente descobriu que o dono da abotoadura é um tal de Burton. Eu não tive tempo pra descobrir nada, mas hoje eu devo investigar melhor. E você meio que falou que foi num prostíbulo e me convidou pra fazer umas coisinhas nada corretas.
—Céus, Pansy, me perdoe. – murmurou completamente sem jeito. Pansy apenas deu de ombros.
—Só come logo, amor, e vamos embora. – riu ela – Temos muito trabalho pra fazer.
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